sábado, 20 de dezembro de 2025

A melhor parte da nossa história

 



Foste a melhor parte da minha história

Com todas as rimas e os elementos

Registro vivo em meu pensamento

Teu rosto gravado em minha memória!


Vieram milhares de versos escritos

Foram tantos os poemas completados

Todos devidamente aqui publicados

Vivos na mente com seu rosto bonito.


Foste a força que moveu os dedos

A tinta ejetada para a ilustração

Ativo e passivo, paixão e emoção

A vitória que superou meus medos.


Andaram lentas as horas dos dias

Mas tudo nos passou rapidamente

Anos a mais vividos num repente

Ficaram saudade, amor, nostalgia.


Euclides Riquetti

21-12-2025

www.blogdoriquetti.blogspot,com 


Caio Zortéa - as lembranças permanecem, 31 anos depois de ter-nos deixado... Parece que foi ontem!

 


 


 


       Não há como não lembrar! Mas as coisas vão mudando... os filhos cresceram, vieram os netos, virão outras pessoas. O tempo passará para todos nós. Mas não esquecerei, jamais, daquela tarde quente do primeiro dia de verão de 1994.


       Há pessoas que marcam a vida da gente. Pela sua maneira simples de ser, pela afabilidade com que nos tratam, pelo legado de honestidade que deixam para a humanidade. Os anos podem passar, mas as marcas profundas que provocam em nossa vida jamais se deletam. Ter sido colaborador e ter, da mesma forma, tido ele como colaborador, nos igualou. O jeito amigo de ser, a empatia sua característica, todas as suas qualidades pessoais, o ser humano incrível, tudo no Caio foi muito marcante para mim e minha família. São 30 anos hoje,,, Mas tudo parece que aconteceu ontem. Mais uma vez, reedito aqui minha homenagem ao Caio Zortéa. 

          Todos os anos, no dia 21 de dezembro, lembro-me do amigo Antônio Carlos Zortea Neto - o Caio. Conhecia-o da adolescência, quando perambulava pelas pacatas ruas de Capinzal, com os amigos de sua idade. Gostava de futsal nas quadras do Mater Dolorum e do Padre Anchieta, de teatrinhos, de brincadeiras ingênuas.  Dizem que, em casa, ajudava a cuidar dos irmãos pequenos, sabia até dar-lhes banho e trocá-los. Tinha sempre um sorrisinho discreto, de "bom menino". Esse sorriso se conservou por toda a sua vida, abreviada num acidente ocorrido na SC 303, ali onde passo todos os dias. E, em todas as vezes, lembro-me dele. A cada ano, nessa época, a paisagem de fundo se constitui pelo mesmo paredão de rochas e, acima, um milharal verdejante. Agora, muito mais verde após dias com chuvas...


           Quando voltei de União da Vitória para minha região e fui lecionar  em Duas Pontes como professor, fui convidado a trabalhar também na Zortéa Brancher, fábrica de compensados e esquadrias para os mercados nacional e internacional. O Caio era o Diretor Industrial, seu irmão Hilarinho Diretor Financeiro, o Pai Hilário Diretor Presidente, o tio Guilherme Brancher  Diretor Florestal, o primo Lourenço Diretor Comercial, o primo Aníbal Diretor Administrativo.

          Era muito fácil lidar com o Caio, uma figura humana extraordinária. Sempre fora  assim,  perdera a mãe ainda criança,  buscava nas pessoas a compreensão e o carinho. Tinha um Zoológico particular, com muitos animais. Não era de ostentações, tinha uma bela e elegante namorada, a Vera, que costumo chamar de "Moça Bradesco". Costumava contar algumas histórias como aquela do passarinho entre as mãos de um homem, uma metáfora possivelmente, para exemplificar e elucidar uma mensagem que quisesse passar para a gente.

          Mais adiante, trabalhou em minha campanha, foi meu colaborador, quando me elegi para um cargo público em Ouro, tínhamos até umas combinações em código para lidar com algumas situações, nos entendíamos muito bem.  Liderava, com a Vera, o Antônio Maria Hermes e outros, o Grupo Escoteiro Trem do Vale, do qual minhas filhas e os filhos deles e de muitos amigos faziam parte. Participava de gincanas, empenhando-se como se fosse a última batalha de sua vida. Dava o melhor possível para sua família, adorava suas belas crianças. Dócil, afetuoso, excelente pai e esposo. Cidadão honrado, honesto e exemplar. Tenho as melhores lembranças do amigo Caio. Guardo comigo, até hoje, o texto que, com emoção e dificuldade em controlar-me,  li na Missa de sua despedida, na Igreja Matriz.

          Na Primavera de 1994, Caio coloca uma placa num terreno dos Miqueloto, bem defronte a minha casa, com a seguinte frase: "Vera, Tibi, Deka, Manu e Greta - amo vocês mais do que ontem e menos do que amanhã!.  E, no primeiro dia do Verão, o acidente.

          Lembro-me que eu estava na regional de Educação, em Joaçaba, conversando com o Professor Sérgio Durigon, quando entrou um telefonema, do Valcir Moretto, dizendo-me que o Caio estava no Hospital São Miguel, ali pertinho, mas nada mais havia a fazer, tinha se acidentado e perdido a vida. Foi de cortar o coração. Ficamos muito chocados, abalados. E, em seguida, toda aquela sequência triste, com o corpo levado para sua casa e depois para o Ginásio Municipal de Esportes André Colombo, e para a definitiva morada ao lado da bela mãe, em Capinzal...

          Hoje passei pelo local da tragédia às 13 horas, mais ou menos o horário em que tudo aconteceu. São dezoito anos passados. Revivi tudo, como se fosse aquele dia. E senti saudades. Saudades que só sentimos por quem muito prezamos...

Euclides Riquetti

Redigido em 21-12-2012
Atualizado em 21-12-2025

Nas manhãs nubladas de domingo


 







Eu quisera que não chovesse
Nas manhãs nubladas de domingo
Pois eu queria que escolhesses
Andar de mãos dadas comigo...

Eu quisera que a chuva parasse
Para podermos andar por aí
E que o tempo hoje limpasse
Enquanto fico a esperar por ti...

Eu quisera pouco, muito pouco
Porque com pouco me contento
Não precisa ser algo muito louco
Pode ser algo lento, muito lento!

O que importa mesmo é ter paixão
É ter amor sadio, equilibrado
Tudo com calma, com moderação
Namoro simples, mas apaixonado!

Mas, se continuar a chuva agora
Chuva contínua, com intensidade
Não haverá como sair lá fora
Não há como andar pela cidade!

Porém, se aparecer uma proposta
Aceitá-la-ei com todo o prazer
Tens meu beijo como resposta
Então agora é só parar de chover!

Euclides Riquetti

História do Pescador Tchê! - crônica de memórias

 


 


Capinzal - SC -década de 1950

Para relembrar: Tchê, o grande e talentoso pescador de Capinzal
          O Tchê era uma figura muita conhecida em Ouro e Capinzal. Era um homem de tez morena, tinha como nome Laurindo, acho. Mas, conhecido mesmo, era por "O Pescador Tchê". Por que "Tchê"? você pode perguntar. Ora, porque esta era a expressão vocativa predileta dele, equivale ao tchô, ao chê, aqui do nosso Sul, que os urbanos de nosso Sudeste chamam de "cara", os britânicos e americanos de "guy". Parafraseando o Obama:  O "Tchê", sim, é o Cara!

          Pois nosso Tchê era uma figurinha carimbada no ambiente pesca. Conhecido nas voltas e travoltas do Peixe. Até as pedras o conheciam e respeitavam. Simplório, calmo, tinha uma bicicleta bonita, reluzente, com espelho retrovisor preso ao guidom.  E uma buzininha tipo fom-fom, que usava para fonfonar para as crianças onde passasse. Andava a uns dez por hora, mas tinha muito cuidado para não atropelar ninguém.  Morana na "Rua do Cemitério", em Capinzal. E  sempre viveu de pesca. Dizem que foi o primeiro a obter "carteirinha de pescador". E, o forte dele, mesmo, era a linha de mão. Sabia "sentir" o peixe chegando no anzol. Farejava cardumes, não sei se pelo movimento das nuvens, do sol ou das águas. Conhecia todos os segredos do Rio do Peixe, desde o Poço dos Moresco, ali logo acima da Siap, passando pelos dos Campioni, pela Ilha, pelo da represa dos Zortéa, até chegar no do Zuchello. Conhecia cada barranco, cada sarandi, cada angico, cada guaviroveira, cada caneleira, cada pinheiro e cada cedro que houvesse numa extensão de uns oito quilômetros, em ambas das margens do Rio do Peixe.

           Com o tempo, já maduro, foi morar no Parque Jardim Ouro. Era apadrinhado pelo Werner da Silva, pelo Luiz Bonissoni e outros. Mas, com o tempo, com a morte desses, foi fincar morada lá na Linha Savóia, bem na margem do rio. Tinha uma casinha, um bote, e um pequeno arsenal de pesca. E um cachorro, pra cuidar da casa.  Dizem que ele ia pescar lambaris com o Armando Viecelli e, era tão amigo do mesmo, que quando este  se distraía, o Tchê tirava punhados da própria sacola  e jogava na vasilha do Armando, sem que ele percebesse.  Quando iam embora, tinham uma quantidade parecida. Mas a proporção de fisgada era mais ou menos de cinco por um. Em favor do Tchê, é claro. Mas ele não contava isso pra ninguém, não era de contar vantagem.

 Uma vez fui lá visitá-lo, convidá-lo para que fosse palestrar para estudantes, para explicar sua profissão e sua arte. Recebeu-me muito bem. Estava lá, isolado, numa curva do Rio do Peixe, mas feliz, Lá, no começo do território do Poço do Zuchello. Sabemos, todos, que era tão habilidoso e sortudo na arte de pescar, que as pessoas chegavam ali, colocavam linha ou caniço perto da dele, e nada. Mas, na dele, sempre vinham os melhores, mais bonitos. E , os seus segredos, duvido que os tenha ensinado para alguém...

          Contam muitas histórias sobre ele. O Barzinho, Aderbal Meyer, era expert em inventar histórias de pescador e atribuir os feitos ao nosso Tchê. As histórias que o Barzinho contava, e que encantavam todos os que o ouvissem, eram sempre muito engraçadas. Lembro de uma delas em que relatava o esforço do nosso Tchê  para retirar um serpelo de um exemplar de Dourado do Poço do Zuchello:  "... e aí, não é que o bicho me judiava um monte, tchê?! Eu ia dando uma corda pra ele, depois puxava um pouquinho, despois soltava de novo, que era pra mor de fazê o bicho cansá. E, despois dele cansado, eu ia puxando até trazê  ele pra cima do bote. E num é que ele vinha tudo suado, tchê?!" Suava o Laurindo,  fora,  e suava o peixe dentro d´água...Saía todo suado".

          Pois agora temos muitos pescadores ainda por aí... Tem o Bruno Fávero, O Hilário Lemes, popular Hile, o Deonir Biavatti, conhecido como Becão, e tem muitos outros. Mas não sei se algum deles herdou a manha do Tchê! O Tchê foi como o Roberto Carlos: "Sempre imitado, mas nunca igualado"! Ele tinha a determinação de Alexandre Magno, a impulsão de nossa Natália Zílio, a habilidade do Neymar, os cabelos do Tarcísio Meira, a ginga e a energia de uma funkete, mas só ele era nosso Pelé  da pesca: Laurindo, nosso Pescador, nosso Tchê, nosso Pelé das pescarias.

Euclides Riquetti
15-06-2013

Quero divagar junto contigo


 



 



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Olhos nos olhos, peito no peito
Lábios nos lábios, coração com coração
Quero-te amar assim, desse nosso jeito
Quero-te querer com amor e paixão!

Quero divagar junto contigo
Viajar no tempo e te encontrar no espaço
Quero chorar no teu ombro amigo
E percorrer os caminhos que eu mesmo traço!

Quero-te beijar nas noites estreladas
Dar-te carinhos quando anoitece
E afagar teu corpo nas tardes nubladas.

E quando perceberes o quanto eu te amo
E notares que também pra ti o amor acontece
Guardarei os versos com que há muito te chamo!

Euclides Riquetti

Poema de fim de verão

 




Apenas um poema a mais

A letra de uma canção 

Pra não te perder jamais 

Meus versos de fim de verão.


Talvez apenas um poemeto

Ou uma redondilha maior

Quem sabe um belo soneto

Pra ser declamado de cor.


Importa tua sensibilidade

Um teu dar e um receber

A inspiração da saudade

Pra me ajudar a escrever,


Um poema bem discreto

Que pode tocar teu coração

Carregado de amor e afeto

Em que tu és a razão111


Euclides Riquetti

20-12-2025








Poema de fim de noite

 


 



Poema de fim de noite

Talvez alguma nostalgia

Não é chicote de açoite

Apenas saudades, guria!


Poema de fim de semana

Letras e versos incertos

Solidão na quente cama

Coração já bem desértico. 


Poema de fim de sábado

A deserção da inspiração

Cada um foi pro seu lado

Nada de amor no coração.


Último poema publicado

Amanhã é ficar dormindo

Curtir o dia mais sagrado

O dia de paz do domingo!


Euclides Riquetti

Naquela noite de fim de primavera

 


 



Naquela noite muito quente

De um fim de primavera

Eu te amei e, certamente

Foi tudo o que eu quisera.


Depois de um frio inverno 

De manhãs cinza nublada

Sem ti, que tanto eu quero

Perdi-me na longa estrada.


Tentei tanto te reencontrar 

Nas ruas movimentadas

E nem mesmo ali no mar

Também não te encontrava.


Foram dias, semanas, meses

Até eu poder me acostumar

E foram tantas, tantas vezes

Que até desaprendi a chorar. 


Agora, bem mais maduro

Entendo melhor tuas reações

Por isso, amor, agora eu juro

Tudo virou só  recordações.


Euclides Riquetti

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Na madrugada do último dia de verão

 



Na madrugada do  último o dia de verão

Fazia silêncio e mistério na minha  rua

Eu quisera poder afagar o teu coração

E beijar com todo o ardor a tua alma nua

Porque me faz bem te buscar na imensidão

Enquanto eu me perco em saudades tuas...


Longe de te compor um simples soneto 

Procuro palavras para uma bela poesia

Mais do que duas quadras e dois tercetos

Quero te proporcionar deleite e alegria

Quererei teu amor que busco e mereço

Como fosse alimento para mais um dia...


O que mais me anima e muito me importa

É ouvir o passaredo que vem lentamente

E que, ao amanhecer, seu cantar conforta

E me faz lembrar do que minha alma sente

Enquanto o vento entra pela minha porta

E me traz o cheiro de teu  amor ausente!


Euclides Riquetti

20-12-2025

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Pendure atrás do fogão - crônica de memórias

 


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          O fogão a lenha ainda é um equipamento de cozinha indispensável nas casas das pessoas que hoje estão na condição de semi-idosas ou já inclusas. Principalmente nas de quem não reside em apartamentos.

          Os fogões, aqueles esmaltados brancos com estampas de flores bem coloridas, bem tradicionais, das margas Geral, Marumby, Wallig ou Venax,   estiveram presentes na história de nossas famílias. Deles, tenho belas lembranças, principalmente da casa de minha madrinha Raquel, no Leãozinho, ou da Nona Baretta, na Linha Bonita, em minha casa e nas das tias, no antigo Rio Capinzal. As panelas grandes, de alumínio, fervendo o leite, ou no preparo do arroz quebradinho ou da macarronada. As de ferro,  para o cozimento do feijão e  as carnes. A polenteira, pesada, presente também. Algumas famílias tinham uma composição tão numerosa que precisavam de duas dessas polentas no almoço para saciar a fome após a lida da manhã. Os queijos, os salames, as copas, as bacias de saladas, principalmente os radicci.

          Um grande caixão para a lenha, com tampa, situado atrás do fogão, onde as crianças gostavam de ficar para menterem-se aquecidas nas frientas manhã de nossos invernos. Era disputado, mas os pais o reservavam sempre para os mais pequenos. E, de vez em quando, um susto, quando o vapor da água elevava a tampa da panela e, em gotas caía sobre a chapa muitas vezes avermelhadas pelo calor...

          Minha mãe conservou um até o final de sua vida. Nós, aqui em casa, também tivemos o nosso, mas já abolido desde que as crianças cresceram.  Porém, o que me faz retornar a ele não é a sua utilidade como o principal componente da cozinha, em tempos que as pessoas não tinham geladeiras e nem fogões a gás.

          Lembro dos arames esticados atrás dos fogões, fixados com pregos na parede angular, de madeira. E ali penduravam os uniformes para que secassem e as crianças pudessem ir para a escola devidamente paramentadas. Outras vezes, punham dois pedaçoos de lenha no forninho e sobre eles um par de calçados, para que secasse e no outro dia pudessem ser usados...

          E há até lembranças que me fazem rir: uma vez minha irmã Iradi, professora na escola em Linha Pocinhos, colocou uma gravura de uma cozinha no quadro-negro. Estava ensinando  os alunos a fazerem uma descrição. E, uma aluninha, hoje uma respeitável senhora, escreveu: "Atrás da bunda da moça tem o fogão". Nada mal se os malandros não tivessem apelidado de "fogão" o traseiro dos homens.

         Também  histórias muito tristes foram protagonizadas diante desse histórico equipamento, com pessoas levando queimaduras que as marcaramou que lhes tiraram a vida...

         O fogão a lenha é um objeto que está caindo em desuso, gradativamente. Mas há muita gente herdando o costume de tê-lo e vão continuar utilizando-o. Alguns já substituíram a lenha por um dispositivo a gás que aquece a chapa. Mas, aquele brilho saindo da porta do fogão, ou aquele cheirinho da cinza da gavetinha sob a grade da combustão das lenhas, nunca será esquecido.

         Não importava para as crianças se suas roupas ficassem impregnadas de odores de fumaça ou de frituras.  Quem ligava para isso? O importante era não passar frio e no outro dia ir para a escola de uniforme e com calçados secos. Além disso, no inverso, tomar mate doce e comer aquele pinhão delicioso cozido sobre a chapa aquecida. E, todos sabemos, a comida que a mamãe ou a nona fizeram nos fogão a lenha era muito mais gostosa, não era?

          E o seu, era de que marca? De que cor? Tinha flores estampadas? Como era o caixão da lenha? Qual a marca: Geral? Marumby? Wallig? Venax?

          Você pode ter esquecido da marca, mas não esqueceu, certamente, das roupas penduradas atrás dele...

Euclides Riquetti
30-03-2013

A perda de Luiz Carlos Fleck Júnior - o Xandó - Fique bem perto de Deus! Homenagem (reedição)

 


 


       As comunidades de Capinzel e  Ouro perderam, sendo sepultado na véspera de Natal, o Júnior, Luiz Carlos Fleck, também popularizado como o Xandó. O apelido deve-se ao  Xandó, jogador de voley que fez sucesso na seleção brasileira. A sua partida foi muito sentida nas cidades gêmeas. As informações que obtive me deram conta de que na quinta-feira sentiu-se mal após trabalho em sítio da família, sendo que a situação foi-se agravando. Hospitalizado, teve que ser transferido para Caçador, onde veio a falecer. Foi sepultado junto ao lugar onde repousou o corpo de seu pai, na tarde de sábado, 24, em Capinzal. 


       Xandó perdeu o pai quando ainda era criança. A mãe, Carmen Nice Zóccoli  Fleck, cuidou dele e da irmã Cybele com muito jeito e carinho. Tinham sete e cinco anos, respectivamente. O pai, Luiz Carlos Fleck faleceu jovem, aos 30 anos. Era funcionário da Celesc e eu mesmo abasteci a pick up  que ele dirigia por muito tempo, no Posto Ipiranga. Lembro-me bem do dia de seu falecimento. Eu estava em Capinzal, viera de União da Vitória visitar meus familiares que residiam em Ouro. A Carminha , mesmo só, transformou os filhos num cidadão e numa cidadã bem educados, respeitáveis, seres humanos cordatos e muito bem queridos pela população  das cidades de Capinzal e Ouro, onde vinham residindo. Pessoas de ótima índole, honestíssimas, norteados pelos melhores princípios da moral e dos bons costumes. 

       O Júnior foi meu aluno no Colégio Mater Dolorum, era desportista e, na maturidade, tornou-se adepto do ciclismo. Também estimulava os filhos à prática dos esportes de quadra, como ele mesmo fez em sua adolescência e juventude.  

       Meu irmão Hiroito o tinha como um dos melhores amigos. A sua partida é muito sentida por todos nós. Lembro de seu sorriso, sua animação, seu jeito simples e educado em tratar as pessoas. Era despachante do Detran de Santa Catarina em Capinzal e sempre muito bem relacionado com todos. Deixo o abraço fraterno em todos os familiares e tenho a certeza de que estará, no céu, cercado por uma infinita legião de anjos. 

       Vou usar aqui a frase que ele mesmo usava sempre que ia despedir-se de amigos e pessoas que conhecia, por ocasião da partida definitiva: "Deus o tenha"! ou "Fique perto de Deus!

Euclides Riquetti e família

25-12-2022 

Na harmonia do universo


 


 



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Pássaros azuis prateados vagam na noite enluarada
Seguem o caminho onde passam os cavalos alados
A estrela maior cintila soberana na manta sagrada
Que cobre o sol ausente e o esconde no outro lado.

Cantigas saudosas flutuam em leves ondas sonoras
E em alfa e centauro flertam com o cruzeiro do sul
Navegam, discretas, nas mentes ágeis e prodigiosas
E afagam as almas puras que rondam todo céu azul.

Partículas estáticas se desprendem dos astros soltos
Que se perdem no ar e se espalham pelo céu infinito
E se curvam diante das divindades e ídolos revoltos.

E, na harmonia do universo meus olhos te procuram
Buscam encontrar teu corpo moreno e o rosto bonito
Pois no leste e no oeste os sonhos nascem e perduram!

Euclides Riquetti

O Natal está chegando, mais uma vez!

 


 



 




Voltam a repicar os sinos que anunciam o Natal

É dezembro no país tropical!

As cidades se embelezam para receber o bom velhinho

Que virá no trenó com renas,  ou montado num burrinho.


Os olhos das crianças brilham de alegria

As mães correm atrás de meninos e meninas

Que querem andar no trenzinho

Que querem ganhar um brinquedinho.


As vitrines das lojas com aquele visual atentador

A atiçar a  imaginação do consumidor...

"Mamãe, pede pro Papai Noel trazar pra mim

Um ursinho grandãããão assim!..."


Não faltarão festas nem presentes

Nem rostinhos bonitos e risonhos

Nem mensagens bonitas, certamente

Nem corações cheios de sonhos:


Pois o  Natal está chegando, minha gente!


Euclides Riquetti

O vento que vem do Sul


 


 



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O vento que vem do sul me traz lembranças
De belos tempos que não mais se repetem
E que se alteram devido às circunstâncias.

O vento que escreve palavras diferentes
Aquelas que nada mais dizem e refletem
Apagará também as imagens no presente.

O vento que leva em si palavras mágicas
É o mesmo que amedronta e que tortura
Pelo temor das decepções mais trágicas.

O vento que deveria trazer-nos paz e amor
Que deveria afagar nosso rosto com ternura
Apenas nos traz desespero e muita dor.

Mas é o próprio vento que nos traz o tempo
Que pode nos devolver o amor e a paz
Que pode avivar nosso terno sentimento.

É o mesmo vento que tanto nos inspirou
E que tantas saudades todos os dias nos traz
De momentos que a vida já desmantelou!

Euclides Riquetti

www.blogdoriquetti.blogspot.com 

Eu te amo...

 


 


 




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Eu te amo...

Abre a janela e olha pro céu
(Eu te amo)
Abre a janela e vê o sol
(Sim, eu te amo)
Fecha os olhos e vê as estrelas
(Ah, sim, como eu te amo)
Fecha os olhos e vê as  rosas amarelas
(Sinta que, realmente, eu te amo).

Abre o teu coração e sente que o amor existe
(Percebe que eu te amo)
Abre teus braços e me abraça com toda a paixão
(Claro que eu te amo!)
Traze  teus lábios para perto dos meus
(E veja que muito eu te amo)
Quero sentir o calor dos beijos teus
(Eu te amo, eu te amo, eu te amo!)

Euclides Riquetti

O nada... o amor sem fim!

 


 




O nada... o amor sem fim!   



O nada

Que se contrapõe ao tudo

O ócio

Da depressão o entrudo

O papel em branco

Sem lápis

Sem caneta

Como água sem rio

(Um grande e solitário vazio)

Sem valeta!


O não ter

O tudo faltar

A noiva sem altar

A casa sem goivos

A noiva sem noivo

O velho que não teve o novo

O novo envelhecido pelo tempo

Impuro

Prematuro!


O básico que falta

O silêncio do ostracismo

A vilania do consumismo

O poema sem rimas

A pobreza literária

A agonia primária

As confissões íntimas...


O cãozinho adestrado

Obediente

Inteligente

Educado.

O cabelo bem arrumado

As unhas aparadas

Delicadamente pintadas

Os sonhos sonhados

Os desejos frustrados

Abortados.


A vida é o movimento

O branco das nuvens intensas

Densas.

O azul do firmamento

O vão e frágil sentimento

A saudade

A reciprocidade

A flor sem jardim

O amor sem fim!


E eu, pensando em você:

Bem assim!


Euclides Riquetti

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Volte com o vento

 


 




Existe o vento, o vento, sim, existe

Para balançar os galhos com as suas folhas

Para nos lembrar de nossas escolhas

Dos acertos errados e dos sonhos que persistem!


Sopra o vento e ele não escolhe a hora

Não manda aviso, não escreve as cartas

Não lê, não fala, não expele farpas

Apenas vem,refresca, reanima, então se vai embora!


O vento é ágil, marcante, sonoro e transparente

Afaga nossos rostos e beija nossos lábios

Que nos traga novas animadoras, bons presságios

Que me devolva o seu olhar de menina sorridente!


E, mesmo que ele venha, fique pouco e se vá

Espero que volte e me traga seu perfume amadeirado

Que me devolva o seu beijo que me foi negado

Viver sem você, é impossível, volte já!


Volte com o vento!


Euclides Riquetti

Viciei-me em você

 



 




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Viciei-me em você
Deliciosamente
Freneticamente
Viciadamente!

Viciei-me em você
Com toda a energia
Com a sua alegria
Com sua maestria!

Viciei-me em você
Não devia ser assim
Deveria gostar de mim
Gostar, amar,  enfim!

Viciei-me em você
Viciei-me errado
O vicio do pecado
Desalmado!

Deliciosamente
Freneticamente
Viciadamente!

Euclides Riquetti

Sou apenas o verso...

 


 




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Imagino ser, na madrugada, a estrela da vastidão infinita
Ser apenas o verso tímido que teimas em não escrever
Ser uma folha de papel branco que espera pela tua escrita
Ser  a resposta à pergunta que fiz e não queres responder.

Imagino ser uma das árvores tristes da imensa floresta
Que apenas contempla o alegre passaredo em revoada
Que vai de galho em galho comemorar, em grande festa
Que se harmoniza em orquestra na manhã abençoada.

Imagino que bem que poderias me dar um breve aceno
Dizer-me: estou aqui, estou esperando-te com saudade
Dizer-me: espero sempre por ti e por tua doce amizade...

Imagino poder pegar em tuas mãos e dizer bem sereno:
Segura meu coração que eu também quero segurar o teu
Dá-me todo o teu amor, pois quero que seja somente meu!

Euclides Riquetti

Poema de primavera

 






No poema da primavera, a exaltação
A sensibilidade em observar e sentir
As palavras simples, beleza, discrição
Harmonia e cores que haverão de vir.

O cedo da manhã clara, bela natureza
O murmúrio das aves, o som do vento
As folhas que se movem na delicadeza
A vontade de propagar os sentimentos.

As manhãs primaveris estão chegando
Com o céu azul, com seu sol dourado
Os perfumes exalados se espalhando...

Tardes com a alegria de um pré-verão
Mais do que um novo dia ensolarado
Meu ser indo em busca de seu coração!

Euclides Riquetti

Se ela te pedir uma estrela...

 

Se ela te pedir uma estrela...

 




Se ela te pedir uma estrela, promete que irás buscar
Se ela te pedir o céu, promete que ela o terá
Se ela precisar de um ombro para chorar
Encosta-te nela e deixa que chore...
Mas jamais deixa de dar-lhe a atenção que ela espera  e merece.

Depois, dize-lhe que as estrelas estão no brilho dos olhos dela
Que o céu ela já o tem no seu coração
E que teu ombro sempre estará, como sempre esteve
Ali pronto para ampará-la em todos os momentos
E que é por isso mesmo que o amor sempre se renova e sempre permanece.

Se ela te pedir balinhas de açúcar, dá-lhe o doce do teu beijo
Se ela te pedir que lhe recite um poema e tu não sabes, afaga-lhe o rosto com a mão
Se ela estiver esperando um presente no dia dos namorados, dá-lhe, mais uma vez,  teu coração
E faze com que ela se sinta uma princesa, amada, querida e respeitada
Como se fora, e é, a coisa mais importante de tua vida!


Euclides Riquetti

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

No dourado da tarde

 




Na última noite de lua cheia de novembro

Ela veio correndo
E tomou o lugar do sol.
Trazia estampado o seu sorriso
Aquele de que eu tanto preciso.
E era muito bonito
Do tamanho do infinito
Tão largo como o do girassol.

Na noite da lua plena
Minha alma me ordena
A escrever-lhe algo encantador:
Pode ser um verso, simplesmente
Mas tem que ser bem caliente...
Ou um poema inteiro
Bem real e verdadeiro
Com centenas de  palavras de amor.

E, nas outras noites,  quando andar pelas ruas
Verá que em todas as luas
Há beleza e charme.
Sim, porque elas nos trazem belas lembranças
De seu sorriso maroto, ou de criança
Dos sorrisos e de canções cantadas
Das amenidades e das gargalhadas
Na manhã azul, ou no dourado da tarde.

Apenas isso..
Bem assim!

Euclides Riquetti

Antônio Pelizzaro Sobrinho - memórias

 


 



      Tomei conhecimento, na manhã deste sábado, 04 de dezembro de 2021, da partida do amigo Antônio Pelizzaro Sobrinho. Uma pessoa muito digna e generosa, convivi com ele em duas fasess da minha vida: Na adolescência, quando eu tinha doze anos, 1965, e eu trabalhava na empresa Totti Bazzi e Cia Ltda, em Ouro. Na juventude e maturidade, quando morei em Zortéa, entre 1977 e 1980. Depois disso, nos víamos ocasionalmente,  no comércio de Capinzal e Ouro.

       Na minha adolescência, o Seo Antônio vinha com seu caminhão verde escuro, trazia alguns produtos para negociar com o Clarimundo Bazzi, levava outros que comprava para o consumo em sua propriedade. Morava ali na entrada do Loteamento Santa Terezinha, uns 200 metros de onde se situa a Auto Elite, em Capinzal. Os filhos Diolino, Angelina e Silvalina estudavam no Mater Dolorum. Os dois primeiros foram meus colegas de aula, ele no Padre Anchieta e ela no Juçá Barbosa Callado. Pessoas de muita confiança e sinceras. 

       Nos tempos de Zortéa, ele frequentava com a Dona Elvira nossa Capela de Snta Catarina, vinha do Agudo. Muito contribuiu para que pudéssemos realizar as benfeitorias para que a Capela fosse cconcluída. Também era colaborador da Igreja Matriz de nossa Paróquia de São Paulo Apóstolo. 

       O seu jeito de se movimentar, andando calmo e seguro, a fala mansa e os leves movimentos das mãos eram algumas de suas caracerísticas mais marcantes. O "cabelão Grisalho", agora bem branquinho, penteado para trás, era sua marca registrada! Sobre o seu passamento, a família escreveu e publicou:

"Queridos amigos. O nosso querido pai Antonio Pellizzaro Sobrinho faleceu ontem, dia 01/12/2021 às 23h15min. A sua esposa Elvira Pellizzaro, suas filhas Angelina e Silvalina, bem como todos os familiares em pesar, com grande tristeza informam que o corpo será velado hoje 02/12 na Capela Funeraria de Zortea pela parte da manhã e o cortejo para o sepultamento às 16h e será realizado no cemitério de Nossa Senhora Aparecida no Agudo,"

Silvalina 0 Antônio - Elvira - saudoso Diolino e Angelina
foto de 2016

Com todo o carinho de nossa família, fique bem, amigão Pelizzaro! Descanse em paz e feliz em sua morada celestial! O seu crédito moral perante a sociedade onde viveu inserido e diante de Deus tem um ativo enorme. Com minhas orações,

Euclides Riquetti
04-12-2021