sábado, 13 de dezembro de 2025

Águas da saudade...bem assim!


 




As águas da saudade levam as esperanças
Para passear
Buscam o rumo das lembranças
Nos  vales a cantar.

Vão-se elas nas andanças
Como a canção de ninar
Levando consigo de herança
O direito de sonhar.

As águas da saudade brotam do amor frustrado
Da história que não deu certo
Do conto que não foi contado
Da palavra que não virou verso!

As águas da saudade vão e vêm
Pra lá, pra cá
Sem incomodar ninguém.

Não ferem o coração
Que se entregou com paixão.
São inofensivas
Compreensivas
Entendem a tua solidão.

As águas da saudade brotam de ti
Vêm até mim
Pra que eu possa te ajudar
A entender
A viver
Suportar!

Suportar a saudade
De dois corações sós:
O teu
O meu
O que se divide entre nós!

E que nos traz a saudade
Muita saudade!

Euclides Riquetti

Sábado, bem no fim da tarde!

 



 


 




A chuva  da tarde de sábado
Veio fresca, em meio ao  vento
Veio para expiar meus pecados
(Os que ainda não estavam  confessados).
Veio trazer-me de volta os alentos
A chuva que escondeu o firmamento.

Fugiram os pássaros assustados  
E foram juntar-se às  borboletas
Migraram por todos os lados
Ficaram tristes  e acanhados
Enquanto que a água enchia  as valetas
Das ruas estreitas!

Mas, bem no final da tarde
O céu se recompôs
Sem nenhum alarde!

Então, o coral do passaredo voltou
O céu reazulou
E o sol se redourou
Sábado, bem no fim da tarde!

Euclides Riquetti

Acariciar seus cabelos





 
 

Apenas deixe-me secar seus cabelos
Deixá-los leves, macios, e  sedosos
Cuidar deles com todo o meu zelo
Admirar seus ombros belos e  formosos
Perder-me em sutilezas e em  pecados.

Apenas deixe que eu os alise e afague
Com minhas mãos ansiosas de querer
E que de minha mente nunca se apague
A lembrança de cada olhar, de cada viver
E que por você eu me perca e me embriague...

Apenas diga que gosta de minhas carícias
E eu sou muito importante em sua vida
Que possamos dividir todas as delícias
Em cada beijo trocado e na paixão sentida
Sem ferimentos, sem dores, sem sevícias.

Euclides Riquetti

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Dona da noite prateada

 


 


 





Dona da noite prateada
Enluarada
Dona da noite imaginada
Acalentada
Dona das noites e dos dias
Dona das noites e de minhas poesias
Dos dias encalorados e das noites frias
Dona de todas as noites
Minhas e tuas
Nuas...

Dona das manhãs claras
Das nuvens raras
E das lembranças caras...

Dona das notas das canções
Dos abandonados e dos encontrados
Dos sussurros amordaçados
Dos perdidos ... e de nossas perdições...

Dona...
Apenas dona|
Dona, assim
Dona de mim
Dona do meu livre verso
Dona do universo
Sem fim...
Dona de mim!

Euclides Riquetti

Os ventos que vêm do mar

 


 

 

Os ventos que vêm do mar
Me trazem  os murmúrios da antiga canção
Me lembram o amor e a louca paixão
Os ventos que vêm do mar.

Os ventos que vêm do mar
Despertam sentimentos adormecidos
Instintos que  jazem  escondidos
E que voltam a se  animar.

Os ventos que sopram pro mar
Levam de volta os meus lamentos
Que se vão a velejar.

Os ventos que sopram pro mar
Levam as tristezas e os meus sofrimentos
Para me deixarem em paz.

Euclides Riquetti

Rastros e marcas

 



 



O tempo que passou
Deixou rastros, deixou marcas.
Rastros nos caminhos, nas estradas
Marcas nos corações e nas almas.

O tempo que passou deixou-me lições:
O tempo que passou mostrou-me que as ilusões
São vãs e fugazes.
Mostrou-me que há  o bem, ou o mal
Em todos os lugares.
Mostrou-me que há as certezas
Mas também as incertezas
O ganhar e o perder
Os reais e os imaginários
Mas, todos, muito necessários.

Muitas vezes perdi, outras ganhei
Mas nunca desanimei.
Levantei-me em cada tropeço
E, por isso, meu Deus a quem tanto louvei
Eu vos agradeço.

A quem amei com paixão
A reafirmação
A quem me estendeu a mão
Minha eterna gratidão
E a quem me quis tanto bem
Agradeço também.

E, nas marcas que ficaram
Nas ilusões que se apagaram
Nos ânimos e desânimos
A constatação:
Viver é amar
É ser amado
No desejar
Também ser desejado!

É pedir a bênção de Deus...
E ser por Ele abençoado!

Euclides Riquetti

Partilhar sonhos de luz

 


 



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Partilhar sonhos de luz
Busque a realização de seus sonhos
Não deixe que nada a  atrapalhe
Busque-os com seu rosto risonho
Pois sem eles a vida pouco vale.

Procure realizá-los com sabedoria
Com a astúcia e a calma necessária
A luta pelos sonhos que contagiam
Não deve ser isolada ou solitária.

Buscar os sonhos mas não deixar
Que eles se sobreponham ao real
Realidade e sonhos,  um belo par
Caminhando juntos em especial.

Quero viver os seus sonhos azuis
Contar na noite as estrelas do céu
Quero viver os seus sonhos de luz
Partilhar sonhos de luz e de véu.

Euclides Riquetti

www.blogdoriquetti.blogspot.com 

Vem beber do cálice da paixão

 







Vem beber no cálice da paixão
Vem beber do vinho que nos excita
Vem beber de minha alma e de meu coração
Vem beber-me  com tua boca bonita...

Vem, e traz com ela teu corpo sedutor
Os teus olhos amendoados
Delicados...
A tua pele macia
E tua  voz de poesia...

Traz também as tuas mãos carinhosas
As tuas pernas formosas
O teu rosto divinal
O teu corpo colossal.

Vem beber de meus sonhos
De meus lábios risonhos
Vem banhar-te em meu suor
Declamar-me versos de cor.

Vem. Te espero...
Vem beber no cálice da paixão!

Euclides Riquetti

O sol e a poesia

 




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O sol da manhã negou-se a me trazer a poesia
Não me deixou sorver os seus raios dourados
E não me trouxe a minha tão esperada alegria
E meus desejos de te querer foram abortados.

O sol veio, deu o ar de sua graça e foi embora
Partiu a brilhar para outro ser que não fosse eu
E eu fiquei procurando reavê-lo em toda a hora
Tentando buscar o lugar onde ele se escondeu.

O sol, aquele mesmo sol que já nos alimentou
Que nos deu a energia, a força e o maior vigor
Simplesmente veio, sorriu e logo se ausentou...

Sim, o sol nos anima, nos motiva e nos inspira
Quero que volte para me inspirar a te compor
Um poema novo, como ar que a gente respira.

Euclides Riquetti

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Sonhos construídos

 



Sonhos por nós construídos

Romanticamente sonhados

Por nós dois idealizados

Por nossas mãos esculpidos. 


Sonhos de amor e paixão

A alegria nos momentos

O ardor dos sentimentos

Dois corações em conexão!


Sonho nosso fortalecido

Em todos os nossos tempos

O sim no forte sacramento

O amor contínuo vivido.


Abençoe, Deus, nossa vida

Amor, devoção, lealdade

Flor, atenção, cumplicidade

Musa idealizada e querida!


Euclides Riquetti





Toca o sino o sineiro...você vai voltar!

 


 


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Toca o sino o sineiro
Lá no campanário.
Ouvem-no o carpinteiro
O frei do seminário
O filho do pedreiro
O público funcionário.

Toca o sino anunciando
Com dor e pesar
Que em algum lugar
Alguém foi andando
Subiu para o outro andar
Alegre e cantando.

E, na terra, ficarão entes
Tristes e a chorar
Nas tardes quentes
Quando o verão chegar
Enquanto outros, contentes
Continuarão a sonhar!

Mas agora, no inverno
O moçoilo olha, na janela
Num encantamento eterno
De quem muito espera
De gravata e de terno
A vinda da primavera....

Enquanto isso, o sineiro
Continua a tocar
O sino, prazenteiro
Para poder anunciar
Para o vilarejo inteiro
Que você vai voltar...


Para mim...

Euclides Riquetti

Poema de Natal para você!

 


 


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É Natal...
Caminhos de luz se desenham no céu
De Noel
Ternos de renas saltitam ao léu
Acima das nuvens de claro de véu
Porque é Natal
Natal das crianças e de Noel!

É Natal
Inverno no Norte, verão no Sul
De céu anil,  azul.

Notas sonoras ecoam nas estradas
Articuladas.

No Polo Norte, anjos entoam cândidos  hinos
No outro, nas torres repicam o bronze dos sinos
Porque é Natal.

Lá, a neve matiza o verde nos pinos
Aqui, o bom velho abençoa os bons e os ladinos
Porque é Natal.

É o Natal dos velhinhos encurvados
Dos presentes desejados
Das crianças embevecidas
Das saudades mais sentidas
Mas é, de novo, Natal...

Natal de luvas, de barbas, de capuz
De sinos, de lembranças de Jesus
É tempo de amor, da cor vermelha que seduz
É, de novo, Natal.
De amor, de perdão, de  luz.

Euclides Riquetti

Me deem notícias

 


 




Me deem notícias...
Digam-me onde a gaivota foi voar
Digam-me onde a canária foi cantar
Me deem notícias!

Informem-me simplesmente
De alguma forma muito cara
Ou mesmo me deem uma pista clara
Pois preciso saber, realmente
Onde foi parar essa ave tão bonita e rara!

Digam-se se voou sobre o oceano
Ou se foi passar o fim de ano
Em algum lugar de nosso mundo
Ou foi dormir seu sono mais profundo
Nos galhos de uma árvore de um pomar!

Informem-me, de imediato, por favor
Desejo saber seu paradeiro
Se a gaivota foi voar o céu inteiro
Ou se foi esconder-se do calor
Do verão que veio pra ficar!

Me deem notícias...
Digam-me onde a gaivota foi voar
Digam-me onde a canária foi cantar
Me deem notícias!

Euclides Riquetti

Zina e Breca - Cachucha e Cride - uma história real Porto União da Vitória - aconteceu há 52 anos!





Zina e Breca - Cachucha e Cride - uma história real!




Zina e Breca - Cachucha e Cride - uma história real Porto União da Vitória - aconteceu há 52 anos!

          Dois de junho de 1973 - sábado. Dia de Festa Junina em Porto União, no Colégio Cid Gonzaga. Toda a juventude das cidades gêmeas do Iguaçu estava ansiosa para que esse dia chegasse. É que acontecia uma festa muito badalada por lá. Além dos folguedos, dança na sala do auditório. Talvez que essa fosse a parte mais esperada da festa...


          O Professor Welcedino, um "serra-abaixo" catarinense gostava de ter tudo bem organizado. A festa era muito esperada. Quadrilhas de danças, quentão, pipoca, pinhão, doce de abóbora, amendoim, pé-de-moleque... Foguetes espocando no ar. As rádios Colmeia, Difusora e União com seus locutores falando do evento. Os jornais "O Comércio", "Caiçara" e "Traço de União" dando força. E nós, jovens, na expectativa.


          Mandei uma carta para minha irmã Iradi convidando-a. Veio com a prima Salete Baretta. Foram hospedar-se na casa da prima Gena Casara que estava estudando por lá. Chegaram na sexta à tarde. Tudo preparado para irmos à Festa no sábado. Imperdível.


          Mas um imprevisto quase que atrapalha nossos planos. Nosso colega da República Esquadrão da Vida, o Celso Lazarini, o Breca, nascido no hoje Lacerdópolis (quando ainda petencia a Capinzal) e que  morou na casa do Serafim Andrioni, no Ouro, e em 1968 trabalhava nas Casas Eduardo, em Capinzal, estava machucado.  Agora era o melhor goleiro de futsal em União da Vitória, fora profissional no futebol de campo. Pois na  sexta levou  um chute no nariz, na Quadra do Túlio de França.  O Dorinho  ia fazer o gol, o Breca foi brecar e o pé do artilheiro arrebentou o nariz de nosso colega. Emergência, cirurgia. Ficamos todos muito preocupados. Víamos o sofrimento do amigo e tínhamos nossa programação de lazer. Não queríamos perder a festa,  nem deixar o amigo sozinho em casa naquele sábado. Precisava de cuidados. Ele dizia que podíamos ir, que ele mesmo se cuidava. Gentil como sempre. É assim até hoje.


          Pertinho de casa havia um salão de estética, o "Silhueta". A Zina, a Célia comandavam. A Ivone, cunhada da irmã da Zina, estava sob seus cuidados. Eram minhas amigas. A Zina estava chorosa, de mal com a vida, deprimindo-se. Pedi-lhe um favor. Perguntei-lhe se poderia cuidar do Breca naquela noite para que pudesse participar da festa junina no Cid. Disse-lhe que ele estava machucado e precisava de cuidados. Pensei que um podia cuidar do outro. Aceitou que eu o deixasse em sua casa. Cuidaria dele. E assim o fez.


          Fomos com os colegas, o Osvaldo e os dois  Odacir, o Giaretta e o Contini, mais  minha irmã  e a prima para a festa. Eu de braços dados com minha irmã. O Boles não foi, tinha que ficar no ponto de táxi com seu Corcel 4 portas. Era um horário bom pra ganhar uma graninha.

Na chegada, percebi que havia uma bela garota com quem eu tinha dançado no "Clube 25"  duas semanas antes. Ela deve ter-se decepcionado comigo, pois eu estava de braços dados com uma de quase minha altura. Não sabia ela que era minha irmã que estava comigo.  Adiante, contou-me que pensou que era minha namorada...


         Na dança, muita animação na sala do auditório. Um colega meu era Cabo do Exército Brasileiro, do 5º BE, de Porto União, Odacir Contini. Educado, respeitava as regras dos militares. Quando íamos ao cinema, com os Cabos Frarom (Leo Fra) ,  Backes, Godói, Figueira ou Maciel, tínhamos que sentar atrás de qualquer oficial superior deles. Então, no Cine Ópera, entrávamos olhando para as cadeiras e precisávamos  ir ao fundo do cinema ver os filmes e respeitar essa regra hierárquica. Nenhum subalterno podia sentar à frente de um superior.  Pois bem, o Contini falou-me: "Vou tirar aquela morena que está com a Dora pra dançar. E, educadamente, deu a volta por detrás dos  presentes, pois havia um sargento no local.


          Quando vi que era a garota que eu conhecera poucas  semanas antes, cortei caminho pelo meio do salão. Eu não era militar, não  tinha superior, podia ir por onde bem entendesse. E, quando ele lá chegou, eu já estava com ela. E dançamos. Dançamos, dançamos  muito, rimos, contei-lhe piadas.


           Hoje, mais de 50 anos depois, continuamos a dançar, juntos. Temos três  filhos, uma neta, um neto... Dois genros, uma nora!


           E o Breca e a Zina?    Bem, ela cuidou dele até há pouco tempo. E foi morar no céu! A Marcela, filha deles, está na Holanda. O Breca  vende carros em sua loja numa bela esquina da ida para o Estádio do Ferroviário. É a Lazarini Automóveis. A Zina tinha seu salão ali perto do Clube Concórdia. Batalhou a vida toda com a mesma  A mesma disposição, a mesma silhueta, a mesma amabilidade e a mesma simpatia. Visitei-a em seus últimos anos. Rimos muito, contei para duas amigas dela essa história. Disseram-me que eu deveria escrever sobre isso. Então aqui está.


           Duas histórias que começaram no mesmo dia. E, mesmo com as dificuldades do dia-a-dia, com todas as barras enfrentadas, formamos nossas duas famílias. A Zina e o Breca, a Cachucha e o Cride.



Euclides Riquetti


Readaptado hoje, 022-06-2023

50 anos depois!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Cheirar teu cheiro, na beira do mar

 


 





Vim pra cheirar teu cheiro
Aqui bem pertinho do mar
Pra sentir teu perfume faceiro
Que vaga e  flutua pelo ar.

Cheirar o cheiro de mulher
Sorver o cheiro frutado
Não é um perfume qualquer
É cheiro de poema inspirado.

Vim rever aqui na ilha
As garças brancas que voam
O sol dourado que brilha
As sonoras ondas que ecoam.

Inspirar-me nas lembranças
Que me trazem a este lugar
E renovar as esperanças
De nas areias te encontrar!

Vim, vim de longe, estou aqui
Vim pra te ver e te abraçar
Sentir o calor que há em ti
Ver-te sorrir, ouvir-te cantar!

Euclides Riquetti

Como nos desertos


 





Como nos desertos
Ventos e areias me ferem os olhos
E meu coração cheio de imbróglios
Entrega-se aos rumos mais incertos...

Como se num inverno
O frio inibe meus movimentos
E fico paralisado como se os ventos
Me tornassem um corpo de gelo eterno...

Como se não houvesse luz
Escondo-me nas trevas misteriosas
Nas estradas mais longas e perigosas
Nos caminhos pelos quais você me induz...

Como se não houvesse nada
Nem um amanhã risonho a me esperar
Ou um barco com o qual navegar
Sou uma alma perturbada...

Mas espero por um novo dia
Por seu sorriso terno e cativante
Por flores perfumadas com alegria
Pelo seu abraço contagiante.

Apenas por isso, nada mais!

Euclides Riquetti

Sou água, sou mar, sou fonte


 


 



Sou água, sou mar, sou fonte

Sou como o céu  azul do horizonte...

Sou a energia que brota 

Sou o plano voo da alva gaivota

Sou o raio de sol que te bronzeia!


Sou planta verde, sou terra madura

Sou os olhos que te olham com ternura

Sou a frase curta, o verso longo

Atrás de meus versos eu me escondo

Sou alma negra que tua branca tenteia!


Sou o teu terno mas ousado afeto

O homem muito discreto

Mas que tem na mente a ousadia

E cujo rosto o sorriso irradia

E busca o ensolarado sorriso teu

Descrito em estrofes de poema meu:

Sou a semente que tu semeias!


Euclides Riquetti

Ocupo minha mente ... constantemente!

 


 



Ocupo minha mente

Constantemente!

Realizo cálculos e projeções

(Até acho que tenho aptidões)

E, confesso:

Meço, com medidas exatas

E tropeço ... em trapaças!


Não sou descuidado

Tampouco desleixado!

Tomo minhas precauções

(E tiro as necessárias conclusões)

Às vezes tenho sucesso

Em outras vezes, fracasso

E te peço:  Me dá teu abraço!


Busco em tudo a inspiração

Ocupo o tempo na composição

Até no léxico e no semântico

Capricho num poema romântico!

Assim é minha vida de escritor:

Pra ti meus versos apaixonados

Pra ti o louvor... o beijo roubado!


Euclides Riquetti

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Onde está a perfeição? - Poema ilustrado...

 


 





Estaria a perfeição na forma da obra do escultor
Ou na premonição dramática do velho profeta?
Estaria ela na arte sacra ou no desenho do pintor
Ou no soneto alexandrino de um pobre poeta?
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Estaria a perfeição na grácil destreza da ginasta
Ou nos movimentos harmoniosos da bailarina?
Estaria ela no cometa que vem e logo se afasta
Ou no luar prateado que os namorados ilumina?



Estaria a perfeição nas águas límpidas da fonte
Os nos raios de sol que douram a sua pele macia?
Estaria ela na neve que decora os topos do montes
Ou na nuvem branca que nos encanta e contagia?

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Direi apenas que ela está na mulher idealizada
E no rosto ingênuo da criança que eu vejo em ti
Está na musa sedutora, no rosto da bela amada
Está naquela por quem meu coração sorri!



Euclides Riquetti

Ouro - Antigo Distrito de Abelardo Luz

  




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Ouro do sol e dos trigais...
Ouro dos nossos laranjais...
Os dois versos que iniciam o Hino do Município de Ouro bem refletem o que ele sempre representou em termos de força trabalho e grande seleiro agropecuário do Vale do Rio do Peixe, onde se localiza,  em território catarinense.
Ouro, que já no início do Século XX começou a receber corajosas famílias de descendentes de italianos que vinham da Serra Gaúcha, grande parte deles de Caxias do Sul e Farroupilha, foi-se constituindo num lugar próspero e  que muito os atraía, mesmo porque é  montanhoso, com topografia semelhante à de seus lugares de origem, tanto na Itália como no Rio Grande do Sul.  Era uma paisagem que lhes trazia sempre as mais  saudosas lembranças.
A vila que deu origem à cidade foi fundada em 20 de outubro de 1906, mas a ocupação das terras deu-se ainda antes, pois, segundo pessoas de idade avançada que ainda vivem, seus pais lhes relatavam sobre isso. Eles mesmos conheceram muitas famílias de caboclos, que eles chamavam de “brasileiros”, sendo que alguns deles chegaram a possuir grandes áreas de terras, como Veríssimo Américo Ribeiro, na região de  Pinheiro Baixo; Severino Teixeira, em Linha Bonita; e Honório Cassiano, desde Nossa Senhora Saúde até as proximidades com o Município de Cruzeiro, hoje Joaçaba.

Ouro, antigo Distrito de Abelardo Luz 
A vila de Ouro situada à margem direita do Rio do Peixe, foi fundada em 20 de outubro de 1906, juntamente com outras, à  época em que a  Ferrovia Paraná/Santa Catarina vinha sendo implantada.
Relatos desses moradores mais antigos indicam-nos que já  havia habitantes  em praticamente todas as regiões da colônia , quando os  “italianos” aqui chegaram. Viviam em casas de madeira, cobertas com madeira mesmo e raramente telhas de barro.
A partir da inauguração da Estrada de Ferro ligando Marcelino Ramos a  União da Vitória, que se deu em 20 de outubro de 1910,  muitos dos trabalhadores da mesma foram comprando  áreas de terras que pagavam com o que recebiam pela prestação de serviços  na construção da mesma, com títulos que lhes eram vendidos e que continuavam a pagar em prestações a cada seis meses. Outros interessados, com procedência do Rio Grande do Sul, adquiriam-nas da mesma forma, assumindo compromisso contratual de coloniza-las gradativamente. Houve quem comprasse terras da Companhia de Estradas de Ferro São Paulo – Rio Grande, que chamavam de “rede” e que depois foram reclamadas pelos verdadeiros proprietários, tendo ocorrido, na comunidade de Linha  Santa Bárbara, por exemplo,  até o duplo pagamento de algumas, pois o verdadeiro dono, Honório Cassiano, obteve decisão judicial a seu favor, com reintegração de posse. Cassiano residiam na área rural do Distrito de Rio Capinzal. Segundo alguns moradores atuais, veio um “bando” de homens, todos armados, com uma ordem judicial, ficando uma situação de evidente confronto. A maioria dos colonos escondeu-se no mato, restando jovens e mulheres nas casas. As “autoridades” confiscavam armas que os agricultores tinham para sua segurança, quando não agrediam menores pressionando para que delatassem outros. Para evitar derramamento de sangue, alguns passaram a pagar as terras a estes, interrompendo o pagamento de prestações à rede.
O trecho entre União da Vitória e Marcelino Ramos, cortando o Vale do Rio do Peixe e seguindo paralelamente ao seu curso, era administrado pela Rede Viação Paraná-Santa Catarina, depois Rede Ferroviária Federal S/A, estatizada.
Nas primeiras duas décadas do Século XX Ouro era o 4º Distrito de Palmas, Paraná, sendo que suas terras eram contestadas pelo Governo daquela província. Em 1914 eclodiu a Guerra do Contestado, com muito derramamento de sangue pela disputa das terras contestadas. Depois a colônia passou a pertencer a Abelardo Luz, sendo que no ano de 1920 instalaram o primeiro Cartório  do Registro Civil .
Verdadeiramente, os descendentes de italianos  e até italianos natos, começaram a chegar a partir da inauguração da estrada de ferro, sendo que,  de 1915 e 1930,  é que ocorreu o grande afluxo para Ouro.
 Abelardo Luz, Sede do Distrito de Ouro.
Em razão da facilidade de acesso à água, pelas razões de proximidade com o Rio do Peixe, e por ser cortado pelo Riacho Coxilha Seca, o lugar onde atualmente se situa  a sede municipal, foi sendo habitado gradativamente, reduzindo-se a atividade e o número de residências em Coxilha Seca.
Assim, foi-se formando ali um aglomerado de residências e estabelecimentos comerciais, com casas construídas em madeiras. A atividade principal era o comércio e a prestação de serviços. Empresas importadoras e exportadoras foram-se instalando ao logo da Rua da Praia, hoje Governador Jorge Lacerda, que se prolongou com a atual Avenida Felip Schmidt. Esses estabelecimentos compravam a produção agropecuária, transferindo-a para São Paulo, principalmente, favorecida que a região era pela existência da estrada de ferro.
As “casas de pasto” e os hotéis eram os estabelecimentos onde as caravanas  de carroças, cavalos ou cargueiros de burros e mulas paravam para o pernoite. Eram oferecidas refeições aos homens e alfafa ou milho para os animais.
Através de contatos e reuniões com antigos moradores que ainda vivem e que estão já com mais de 80 anos, foi possível levantarmos um rol de nomes dos primeiros moradores da Vila de Ouro, a saber:
Afonsinho da Silva, casado com Eleonora, era balseiro e padeiro, morando no sul da cidadezinha, no local onde hoje se situa a Unidade Clínica de Saúde; Teodoro, um senhor de origem germânica; Afonso Ribeiro, casado com Maria,  e seu pai, que era chamado de “Velho Espiritista Ribeiro”; um cidadão de nome Messias, casado com Maria; Ernesto Toaldo, que comprava porcos e exportava para São Paulo; Eugênio Lunardi; Demétrio Calliari, casado com Ângela, possuía comércio geral, comprando cereais e vendendo inclusive tecidos,  ferragens  e louças; Bonalume, era comerciante; Ângelo Montanari, possuía uma “casa de pasto”, que era uma espécie de restaurante; Família Ampessan, com os irmãos Marcelino, Domingos e Joana, foram balseiros, tendo comprado a balsa de Afonsinho da Silva; Leonarda Zavaski Gonçalves, possuía uma escola onde hoje é a esquina entre a Rua Presidente Kennedy e a Júlio de Castilhos; Francisco Casagrande, com ferraria e carpintaria, onde hoje se localiza a Prefeitura; Abramo Pizeta, possuía uma  funilaria; Euclides Scaiarol, era relojoeiro; Petry, era representante a Companhia de Colonização do Rio do Peixe; Júlio Maestri, comprava porcos; Jacom Maestri, em 1928 era  comerciante geral; Análio Vargas, comprava  produtos coloniais e os exportava para São Paulo; Raimundo Formighieri e Catarina Zóccoli; Palmiro  Germani , era contador e comerciante, casado com Meneghina de Souza;  José Scott, Severino Baretta; Baltazer Brambila, casado com Oliva Broll, veio um pouco depois que os demais e fez uma fábrica de bebidas e refrigerantes, na Rua Júlio de Castilhos; Cabo Antônio, era  responsável pela cadeia; Alcindo Vicente da Silva, era carroceiro; João Nepomuceno da Silveira, era pescador; Alberto Viero, alfaiate; Manoel da Silva, pintor; Abíliio Cercal, era comprador de alfafa; Antônio cadore, casado com Irene; Domingos Gerra, morava na subida para a Cixilha Seca; Pasqualin Andrioni, era proprietário de um hotel com “casa de pasto”; Fritz, era dentista; Eugênio Cozer, era comerciante; Eugênio Lunardi, era carpinteiro e bodegueiro; Pedro Baretta e Carlos Baretta, tinham comércio onde é a Praça Pio XII;  Honorato Nepomuceno e outros.


Euclides Riquetti

Uma janela entreaberta

 


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Uma janela entreaberta
Uma porta fechada...
Haverá uma  hora certa
De sair para a calçada?

Um coração aberto
Uma alma delicada!
Qual será o seu pecado
Morena da pele bronzeada?

Uma lágrima sentida
Um olhar muito distante.
Por que assim, desiludida
Se a vida é tão importante?

Um pensamento guardado
Uma voz suave e bonita.
O seio me incita ao pecado...
Haverá uma palavra não dita?

Uma atitude que falta
O temor a uma paixão...
Por que não tirar a alça
Que prende o seu coração?

Uma manhã de sol quente
Uma tarde de verão.
Por que não ficam noite sempre
Noite de amor e paixão?

Um jardim com poucas plantas
Poucas flores, poucas rosas...
Por que não cultivá-las, tantas
Iguais a você, tão formosa???


Euclides Riquetti