sábado, 16 de maio de 2026

O brilho do teu olhar


 






O brilho do teu olhar é natural

Capaz de me contagiar

Capaz de me atiçar

De se tornar...  fatal...


O brilho do teu olhar é singular

Traz-me teu poder sedutor

Convida-me ao amor

Convida-me a amar...


O brilho do teu olhar é diferente

Tem algo que é teu, exclusivo

Deve ser o teu doce  sorriso

Encantador, suave, envolvente...


O brilho do teu olhar é indescritível

A mim e  a todos os poetas

Que não encontrarão as palavras certas

Porque descrever-te é impossível...


Pensa o poeta os pensamentos mais ousados

Que vêm do olhar enamorado

Provocar o coração apaixonado

E os pensamentos mais refinados...


Espera o poeta rever o teu olhar

Espera poder dizer o quanto te ama

Em cada verso que escreve e declama

Porque tu o fazes sonhar.


Apenas sonhar

Com o brilho do teu olhar...

Sem par...

Singular!

Euclides Riquetti

Luz e trevas...


 


 


 




Luz  e trevas

Noite e dia

Escuridão e velas

Depressão e euforia.


Céu estrelado

Porta fechada

Teto de telhado

Casa arrombada.


Roupas no varal

Grampo que comprime

Cordão de sizal

Cesta de vime.


Rimas desalinhadas

Poesia capenga

Palavras bagunçadas

Poeta lenga-lenga!


Hora do banho

Ai, que frio!

Se não tomar, apanho

Choro e já não rio!


Euclides Riquetti

Doce pecado de amar

 


 



Doce pecado
Da maçã vermelha
Da lingerie preta
Do beijo roubado

Doce pecado
Do sangue  quente
Dos lábios ardentes
Do desejo malvado

Doce pecado do corpo  molhado...
Da gula que teima
Do fogo que queima
Da incontrolável  paixão.

Doce pecado
Da mente mundana
Na alma insana
Do prazer desregrado, indecente, impensado...


Doce pecado que não tem dor
Doce pecado de sexo, com ou  sem  amor
Na noite sem cor...

Doce pecado que não quer perdão
Doce pecado da doida  ilusão
Que arde no peito...

Apenas um suave e delicioso pecado
Sem apego
Sem medo
Sem punição
Assim, desse jeito
Escrachado, largado
Mas apenas  pecado....

Doce e eterno pecado de sonhar
Pecado de gostar
Pecado de amar!

Pecado...

Euclides Riquetti

Amar é humano!

 


 



Amar é humano

Plantar rosas é prazer

Há alegria no colher...

Odiar é insano!


Euclides Riquetti

No fim do sábado!

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Segure-se no céu azul

 



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Segure-se no céu azul, agarre-se no firmamento
Deixe-se levar pelo pensamento
Deixe seu corpo levar-se, transportar-se
Pelas ondas do ar, pelas asas do vento...

Jogue um pedaço dessa imensidão azul para colorir o mar
Jogue os raios do sol para azular a água
Jogue a morenice de sua pele para colorir a areia
Use o calor de minhas mãos para enxugar suas lágrimas...

Escute a música  que vem de meu coração
Sinta o sabor dos beijos que eu lhe dei um dia
Transforme meus versos numa bela canção
Seja os acordes de minha melodia.

E então, pouse como a gaivota sobre a areia quente
Mergulhe seus pés nas vagas turbulentas
E ouça  o poema que eu lhe disse num repente
Inspirado em almas brancas, mas  vorazes e sedentas.

Euclides Riquetti

Os poemas com que você se encanta



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Eu quero apenas respirar o ar que você respira
Bronzear-me no mesmo sol em que você se bronzeia
Inspirar-me nas mesmas flores em que você se inspira
Tatear seu corpo do mesmo jeito que você me tateia.

Quero cheirar as mesmas rosas vermelhas que você cheira
Sentir as mesmas sensações doces que você sente
Perfumar-me com perfumes da seiva da madeira
Experimentar as paixões que seu coração me consente.

Quero enxergar as mesmas paisagens que você enxerga
E me permitir pensar que brigas entre nós nunca houve
E carregar comigo as mesmas lembranças que você carrega.

Quero, sobretudo, cantar as mesmas canções que você canta
Ouvir as mesmas músicas românticas que você ouve
Encantar-me com os mesmos poemas com que você se encanta.

Euclides Riquetti

Ande, sutilmente, pelos caminhos do sol

 


 


 




          Ande,  sutilmente pelos caminhos do sol,  e vá encontrar o que você procura. Estenda, gentilmente,  suas mãos a quem você ama e entregue-lhe, incondicionalmente, o seu coração, com sua alma desprovida  de incertezas,  e seus olhos de inefável beleza. Vai, siga em frente, sem preocupar-se com pedras que possam estar em seu caminho, com plantas que em vez de flores lhe oferecem somente os espinhos.

 
          Abra seu sorriso franco que a torna feliz, retribua, com alegria, a cada manifestação carinhosa, e dispense a todos sua atitude generosa. Seja compreensiva com os que duvidam de você, mostre-lhes que você é sincera e verdadeira, porte-se com altivez e galhardia, mas não se esqueça de exercitar, em cada momento, a sua humildade. Você é mais você, em todas as circunstâncias.

          Permita, em cada dia, um renascer dentro de você, enseje expectativas em cada um que espera que lhe proporcione algo, esperanças que possam se renovar, possibilidades que se possam reabrir, caminhos que possam, novamente, ser percorridos. Situe-se ao lado do bem, não se importando se os outros pensam diferentemente de você. O que importa, sim, é a paz que restará em seu interior e que você fará resultar nos outros. 

          Dirija seu pensamento para o Altíssimo, faça-lhe orações despretensiosas, mas carregadas de boas intenções. Queira a felicidade para todos, independente de a terem ou não perdoado em seus pecados ou a aplaudido em suas vitórias, pois a vida nem sempre é dada a derrotas, e nem sempre a conquistar a glória.

          Ande, sutilmente, pelos caminhos do sol. E, depois que tiver feito tudo isso, sem que lhe fosse de obrigação ou compromisso, colha as flores que nasceram perto de você, nos caminhos que você trilhou, nos jardins onde as plantou. E verá, certamente, que tudo lhe valeu a pena!

Euclides Celito Riquetti

www.blogdoriquetti.blogspot.com 

Gotinhas de cristal

 




Um dia você chorou, vibrou, vibrou, chorou
Seus belos olhos encheram-se de gotinhas de cristal
Você que calou, sofreu, sofreu, calou
Seu grito de alegria se fez explodir, afinal.

Você esteve lá, elegante, glamourosa
De seu rosto moreno brotou um sorriso sensual
De seus lábios saíram as palavras mais carinhosas
Você vibrou com a conquista colossal!

Na madrugada silenciosa me veio seu doce sorriso
As palavras mágicas se embalaram no meu ser
E seu rosto comovido, bonito,  me encantou...

Então, meu coração bateu mais forte, mais preciso
E, no papel, pus este soneto pra dizer:
Você é o algo belo com que Deus me presenteou!

Euclides Riquetti

O anjo azul sobrevoou as flores

 


 


 



 


 
O anjo azul sobrevoou as flores na tarde cinzenta
Estendeu suas asas e planou divino sobre meu jardim
Abençoou primeiro as rosas champanhe e as magentas
Depois o cravo bordô, o lírio amarelo e o vaidoso jasmim.

O anjo azul entoou um cântico santamente sagrado
Secundado por clarinetes com seus acordes triunfantes
Alegrou-nos com seus versos docemente cadenciados
Encantou-nos com a harmonia das notas ressonantes.

O anjo azul azulou com sua túnica discreta a manhã nova
O anjo azul enfeitou com seus cabelos dourados a manhã ditosa
O anjo azul te protegeu com suas armas em todas as horas...

E eu esperei por ele enquanto olhava pela minha janela
E eu rezei por ele e pedi por ele na oração venturosa
Enquanto o dia passava e eu ficava a esperar por ela...

Euclides Riquetti

O anjo azul sobrevoou as flores

 


 


 



 


 
O anjo azul sobrevoou as flores na tarde cinzenta
Estendeu suas asas e planou divino sobre meu jardim
Abençoou primeiro as rosas champanhe e as magentas
Depois o cravo bordô, o lírio amarelo e o vaidoso jasmim.

O anjo azul entoou um cântico santamente sagrado
Secundado por clarinetes com seus acordes triunfantes
Alegrou-nos com seus versos docemente cadenciados
Encantou-nos com a harmonia das notas ressonantes.

O anjo azul azulou com sua túnica discreta a manhã nova
O anjo azul enfeitou com seus cabelos dourados a manhã ditosa
O anjo azul te protegeu com suas armas em todas as horas...

E eu esperei por ele enquanto olhava pela minha janela
E eu rezei por ele e pedi por ele na oração venturosa
Enquanto o dia passava e eu ficava a esperar por ela...

Euclides Riquetti

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Corpos que atraem, almas que enfeitiçam

 


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Corpos que atraem
Almas que enfeitiçam
Castelos que caem
Olhos que cobiçam...

Corpos que seduzem
Almas que pecam
Olhos que reluzem
Sonhos que se perdem.

Corpos da perdição
Olhos encantadores
Almas da forte ilusão
Encantos sedutores.

Corpo que alimenta
Uma  ilusão que cega
Alma que atormenta
E que nos leva...

E que nos entristece,
Deprime,
Enfraquece...
E, depois... redime!

Euclides Riquetti

Ferrovia do Contestado - Uma história, uma causa a defendermos - 12 anos depois!

 




Estação de Rio Capinzal - 1930 - presença do Presidente Getúlio Vargas em minha terra natal.

          O último domingo amanheceu muito frio. As pessoas não se encorajavam em sair de casa.  Mas eu estava determinado, tinha planejado participar da ação "Pela trilha dos trilhos"! Tinha compromisso ao meio-dia, um almoço. Podia conciliar as duas coisas e assim o fiz. A alegria e a satisfação de encontrar pessoas que podem tornar-se novos amigos e reencontrar outros,  faz parte de meu ser. Sou inquieto, gosto de buscar a satisfação de minhas curiosidades.

          O desconhecido me amedronta. O misterioso me desafia e me fascina. Andar, a pé, por um lugar onde, há meio século costumava passar de trem, me traz belas e deliciosas recordações. E emoções...

         Como fora marcado, cheguei alguns minutos antes da hora da saída: 9 horas, defronte à desativada Estação Ferroviária de Herval d´Oeste, com o objetivo de seguir rumo ao Norte, até onde se situava a antiga Estação Luzerna. Soube que, bem cedo, antes de clarear o dia, o Ninho e mais dois havia partido, devendo chegar em Ibicaré.  Como nos fora recomendado pela amiga Edna Faganello, calçados com proteção por causa da relva úmida. Na verdade, havia chovido muito nas horas anteriores e os trilhos e dormentes, que há mais de 30 anos ali repousam praticamente sem uso, estavam cobertos de água, barro, capins e muito "beijos". Uma das aventureiras, a Sandra (Emmerich), natural de Erechim, relatava que, quando foi construída a ferrovia, foram jogadas toneladas de sementes de "beijos" ao longo da obra. E suas sementes, após a devida dormência,  em cada ano, reflorescem maravilhosamente.

         O Elias Zampirão e a esposa, Suzete Mott, têm conhecimento da história de cada lugar por que passávamos: "Ali é o Poço Rico", e contava uma história de que era um lugar fundo e que dizem que há uma espécie de "pote de ouro" ou algo assim, que ali uma vez foi jogado. Mais adiante, mostra um lugar e se posiciona sobre ele: "Aqui, há 32 anos, tirei uma foto!" Nascido em Herval d ´Oeste e filho de ferroviários, conhece muito de nossa estrada-de-ferro. O professor Rogério, que serviu no 5º BE - em Porto União, fala de suas idas de trem para aquela cidade. A esposa, Célia Reni (Barcella),  que sempre o acompanha nessas aventuras, lhe dá total apoio. Sabem, ambos, da importância deste bem. De qualquer forma, uma caminhada em que se experimentou o medo ao atravessarmos uma ponte danificada, o riso pelas histórias e causos que a turma contava, e a emoção refazermos um caminho que fiz, há 4 décadas, pela última vez, no trem.

          O Henrique Glaser, que foi Gerente da Caixa em Capinzal, é um entusiasta de causa e até levou uma faixa alusiva, com a inscrição: REATIVAÇÃO FERROVIA DO CONTESTADO JÁ!,  de cujas fotos estamos repercutindo no facebook. Lembramos de quando nos conhecemos, em 1977, ocasião em que  me atendeu na agência de Joaçaba, em que eu fora transferir uma conta da agência de União da Vitória, uma vez que viera morar em Zortea e esta era a agência mais próxima. A Fátima de Souza, dizia que gosta de escrever poesias, que é do Barro Preto, ali de Capinzal. A Mercedes do Nascimento esteve lá para apoiar nossa saída. As irmãs Sinclair e Maria Helena Biazotti, que são naturais nde Tangará, muito entusiasmadas, eram crianças quando o trem parou de andar por aqui. Através delas, fico sabendo que meu colega de Letras da Fafi, em União da Vitória, Lodovino Pilatti, está morando em Tangará. Não o vejo há exatos 40 anos...

          Quase duas horas admirando os paredões de pedras, os muros de contenção e as artes correntes que foram confeccionadas pelos trabalhadores na primeira década do Século XX. Muitos conflitos, mortes, desentendimentos e entendimentos. Uma obra com derramamento de sangue e secundada pela Guerra do Contestado. Um ferrovia que foi privatizada e que foi desativada. Uma estrada abandonada que corta todo o Vale do Rio do Peixe, desde a divisa com o Rio Grande do Sul, em Marcelino Ramos, para nos levar a União da Vitória. Uma ferrovia que originou histórias e romances. Algo que marcou a vida de milhares, quem sabe de milhões de pessoas que por ela transitaram nos mais de 70 anos em que esteve em operação.

          Agora, a pergunta: "Por quê? Por que, em tempos em que as BRs estão apinhadas de veículos, não de recupera para finalidades turísticas ou então se moderniza para o transporte da produção regional?"  Certamente que a resposta, alguma hora virá. É uma patrimônio histórico, cultural e econômico fantástico.

          Sabemos que já há decisão judicial irrecorrível de que os proprietários devem recuperar a ferrovia e deixá-la em condições de operação comercial. Sim, porque quando a adquiriam, essa era a condição legal. Se deixaram que chegasse à condição atual, é problema deles que não cuidaram do que era seu de direito mas também de dever. De nossa parte, estamos juntos para defender nossa história e nossa cultura. Muitas vidas foram sacrificadas e muitos conflitos gerados para sua implantação. Entendemos que, agora, não é justo que todo esse sacrifício fique relegado a "não ter importância".

Euclides Riquetti
26-05-2014

Lufadas de ar fresco

 



 





 Lufadas de ar fresco 

Invadem minha casa

Pela porta da frente

E pela janela do lado

Correm pelas salas

E vão se perder

No muro alto e caiado!


Meu pensamento 

Levemente incomodado

Se refaz de repente

E busca forças emergentes

Para a superação

Mesmo que na lentidão

Do tempo que não passa.


Mas horas melhores virão

E poderemos comemorar

O êxito alcançado.

Então, sempre que o sino tocar

Ouvirei os acordes do mar

Lá onde o vento sopra animado

Onde há garças e gaivotas 

Virando cambalhotas

E rodopiando no ar!


E eu, aqui, só pensando em você!


Euclides Riquetti

Entenda-me

 




 



Entenda-me


Entenda-me... compreenda-me...
Procure me entender porque eu sou assim
Procure minha história de amor sem fim
E você vai finalmente me entender!

Pesquise então... busque mais informação...
Procure ler, procure ouvir e saber mais
E vai perceber eu sou do bem, que sou da paz...
Que a realidade determina o rumo de meu chão...

Verifique bem... constate muito bem...
Procure formas de viver a vida como eu faço
Não me entrego nem nas horas de cansaço
Busque viver bem...busque ser feliz também...

Mas me inclua no seu  contexto de cumplicidade...
Não me deixe fora de seus ternos planos
Deixe-me lembrar dos belos rumos que traçamos
De dividir os sonhos, a alegria, a felicidade!

(Bem assim...)

Euclides Riquetti

O perfume dos ventos

 


 


 


  
 

 

Deixa que o perfume dos ventos te acaricie
Afague tua pele e beije teus  lábios que eu tanto desejo
Erice  teus cabelos macios  e aplaque  teus medos
Permite  que o perfume dos ventos se delicie...

Deixa que a brisa da noite refresque teu corpo fogoso
Apalpe teus seios, teus braços, com toda a ternura
Que leve pra ti  os aromas  e toda doçura
E que a noite se transforme em algo sublime  e gostoso.

Deixa-te navegar na distância numa  viagem bonita
Ultrapassar as barreiras que te impedem de ser feliz
Voa pelos ares da mente na imensidão infinita

Deixa  que teu rosto receba o carinho de minhas mãos
E sente  o seu  toque sensual que você sempre quis
Deixa-te trazer até mim, embalada pelo som da minha canção!

Euclides Riquetti

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Busco reencontrar os sorrisos perdidos

 



 

 

Busco reencontrar os sorrisos perdidos


Busco reencontrar os sorrisos perdidos

Talvez, além do meu, o teu

Que, por certo, desapareceu

Com medo do Amor Bandido...


Busco reencontrar o teu sorriso

Aquele que sumiu, foi embora

E de que, nos nossos tempos de outrora

Restou-me apenas o teu rosto liso...


Desde então, só escrevo em modo discreto

Uso da imaginação muito inquieta

Que me impulsiona, de maneira direta

A te cortejar com meu jeito poético!


Euclides Riquetti

Pensamentos vãos

 




 

 
Pensamentos vãos
Povoam mentes insanas
Mancham almas mundanas
Pensamentos vãos.

Argumentos vãos
Defendem causas perdidas
Ladeiam-se com forças vencidas
Argumentos vãos.

Pensamentos e argumentos
Calcados em causas perdidas
Aliados  às forças vencidas
Restam-se  inúteis ordenamentos.

Porém,  mesmo os  frágeis elementos
Com a  soma  dos  infortúnios  da vida
Podem reagir e tornar-se,  em momentos
Medalhistas  na empreitada aguerrida.


Euclides Riquetti

Versos e versos

 


 


 




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Reverto meus versos em reversos
Reverto emoções em mais emoções
Acalento ilusões e paixões
Paixões e ilusões
Em meus revertidos versos!

Meus versos traduzem saudosismo
Não há neles vitórias
E muito menos (in) glórias
Somente há palavras simplórias
Não há neles heróis, nem heroísmo!

Meus versos são livres, como livre é a chuva
Como é livre a água que corre
E vai quebrando as curvas.
Como é livre o sol que os montes cobre
Como é livre a noite que vem... quando o sol morre!

Euclides Riquetti

terça-feira, 12 de maio de 2026

Nem eu mesmo sei!

 


 


 



Nem eu mesmo sei por que tanto fazer

E o que me leva a escrever-te tanto

A compor-te poemas meus de acalanto

Expor-te as intimidades de meu ser!


Há, sim, há algo que me impulsiona

Me impele a dedilhar o meu teclado

E digitar poemas pra o teu agrado

Que possam deleitar tantas personas!


Seduzo-me em inexplicáveis escritos

Mergulho em prateadas constelações

Crio as mais inusitadas situações 

Verbalizo as glórias e os conflitos!


Que se dissipem as nuvens escurecidas

Que se perpetue a luz deste lampião

Que afagues meu rosto com tuas mãos

Que se acalme minha alma enegrecida!


Euclides Riquetti

Um Norte pro seu Coração

 



 

 

Um Norte pro seu Coração


Seu coração precisa
De norteadores seguros
Não pode andar à deriva
Nem em mares escuros.

Um  coração que sempre busca
O mar da tranquilidade
Evita a turbulência brusca
Deseja amor e lealdade.

(Seu coração está longe
De ser um coração cigano
Se  eu chamar ele responde
Está em meu  primeiro plano.)

Dê um norte pro seu coração
Trace-lhe um caminho por onde andar
Não deixe que uma fugaz ilusão
O faça sofrer e chorar...

Euclides Riquetti

O mar que nos manda a brisa...

 


 


 


O mar que nos manda a brisa...

O mar é colossal
Move-se em suas ondulações francas
Gera e extingue as espumas brancas
De água e de sal.

O mar é imenso e colossal
É um oceano de águas turbulentas
Que balamça as mais  doces emoções
Que se quebram nas ondas que chegam lentas
Aos pés, corpos, peles, almas e corações.

O mar que me traz dos tempos de criança
As mais ternas lembranças
É o mar de todas as idades.

O mar que nos manda a brisa generosa
É aquele que embala a alma esperançosa
E que nos faz sentir saudades... saudades... saudades!

Euclides Riquetti

"A virtude está no meio" - o Epitáfio

 



  


 
 
 
          Quando, em minha juventude, entrei para o curso de Letras da Fafi, em União da Vitória, depois de ter vivido toda minha vida em Ouro e Capínzal (só fui conhecer Joaçaba aos 16 anos), fiquei deslumbrado por estar numa cidade maior que a minha, ter feito muitos novos amigos e colegas. Minha Lee,  meu  Samello e meus cabelos longos  me levavam para lugares que até então  eu não estava acostumado a frequentar. Era um mundo novo e poucas pessoas eu conhecia naquele lugar. Meus primeiros meses se resumiam a ir para a aula à noite, estudar um pouco durante o dia, assistir aos treinos do Iguaçu e, aos finais de semana, junto com o colega Samonek, irmos explorar alguns lugares e tirar umas fotografias, tipo ao lado de aviões  no Aeroporto José Cleto, no monte do Cristo, ou andar pelas redondezas do Iguaçu. Também algumas incursões em bailinhos nas cidades e comunidades dos arredores faziam parte de nossa agenda de final de semana. E, no domingo à tarde, dançar no "25".

          Como minha família não tinha telefone, minha comunicação com casa se dava por cartas, que eu escrevia semanalmente e obtinha resposta em no máximo 10 dias. Minha mãe aderira ao costume de escrever, tornou-se até hábito. Eu escrevia relatando minhas "façanhas", com o entusiasmo de quem via em tudo novidade. Meu pai ficou preocupado com o que eu escrevia e pensou que seu filho regrado poderia estar se enveredando por caminhos tortuosos e, na dúvida, escreveu-me uma cartinha, que carinhosamente veio no mesmo envelope que a de minha mãe. Poucas palavras, praticamente um bilhete, em que se sobressaía uma frase: "In medio virtus".

          Como vinha estudando Latim e até já havia comprado um dicionário, busquei entender aquilo. (Naquele tempo não existia google,  e  Barsa só algumas escolas tinham). Confesso que o Latim não era meu forte nem minha matéria preferida, apenas me esforçava para obter a média exata para ser aprovado sem Exame Final. E não entendi direito o que ele queria dizer, embora a tradução eu tivesse conseguido: "A virtude está no meio". Fiquei a matutar, matuto que eu era, com dificuldade para pronunciar os "erres" adequadamente e outras inconveniências fonéticas. Mas não cheguei ao objetivo do "meu velho".

          Com o tempo, numa de suas raras visitas, perguntei-lhe o que quisera dizer com aquilo e ele me respondeu: "Primeiro,  queria fazer você buscar respostas por si mesmo e, segundo, quis dizer-lhe que não é pra você ser muito "prafrentex", mas nem ficar atrás dos outros. Não queira ser um adiantado mas também não seja um atrasado, busque o meio termo".

          Somente os anos vieram a me elucidar bem isso que no princípio me pareceu uma muito enigmática afirmação do filósofo e pensador grego Sócrates, quatro séculos antes de Cristo. A virtude e a verdade  estão no equilíbrio, no meio termo, no desprezo do radicalismo. E entendi que muitos conflitos poderiam ter sido evitados entre os povos se isso tivesse sido levado em consideração. Realmente, nosso triunfo está em parar para ouvir e decidir com sabedoria, ter cuidado no que se diz e se faz, pois nossas verdades não são, necessariamente, as verdades dos outros. Poderia até metaforizar, dizendo que um time de futebol que só tem jogadores habilidosos, mas que pouco correm, não obtém  bons resultados. É preciso que haja nele também aqueles menos técnicos, mas que desenvolvem melhor sua condição física, que correm e se disciplinam taticamente, ajudando os outros, em equipe, a lograrem resultados favoráveis. Ah, também a mescla de jogadores mais experientes com outros mais jovens ajuda muito. E você obtém um futebol de bom padrão, com o time bem postado e organizado.

          Então, a afirmação socratiana é bem atual, revestida de muita  universalidade. E pode ser aplicada numa sala de aula, onde os indivíduos, professores e alunos, são diferentes, pensam diferente e, se bem articulados, podem obter sucesso na aprendizagem e na formação pessoal.

          Em 18 de junho de 1977 perdi meu pai. Tinha 55 anos. Era um professor bem informado, atualizado, inteligente. E, minha forma de eternizar minha homenagem a ele foi mandar produzir uma placa de bronze com sua foto em porcelana, assentada em granito, onde está gravado seu epitáfio: "In medio virtus".

Euclides Riquetti
12-12-2012