sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

O inexplicável em tempos de carnaval - Não se pode normalizar o ilícito

 



       Temos vivido tempos de turbulência no presente milênio, com grandes mudanças havidas no sistema político brasileiro. Os meios de comunicação digital avançaram grandemente em todo o planeta. Os costumes estão mudando e os interesses também. Mas há algo que nos perturba, incomoda, e que é de uma total canalhice: a ousadia de indivíduos que se apoderam do que é nosso, que tomam nosso dinheiro, que nos abusam na cobrança dos impostos e pouco ou nada nos entregam. Fazem-nos de trouxas e ainda há quem passe pano ou aceita passivamente e bovinamente.

       Falemos da roubalheira! Vejam como falam em desvios, em roubos, em apoderação indevida de muito dinheiro. O termo milhares já desapareceu faz tempo. O cidadão aposentado ganha um milhar e meio. Na média, quem trabalha efetivamente em trabalhos simples, mas que lhe roubam grande quantidade de energia, leva três ou quatro milhares. Artistas ainda ganham muitos milhares por mês. Jogadores de futebol chegam a milhões. Mas  os roubos institucionalizados chegam a bilhões de reais, bilhões de dólares ou euros.

       O cidadão comum, que só costumava ver montões de dinheiro em filmes, agora nem mais isso consegue. Claro, o dinheiro virou coisa virtual. Sempre aprendi que o dinheiro em circulação num país tinha que ter lastro em ouro no banco central. Podem ter certeza de que isso é coisa do passado. E os milhões de que falam, nas fraudes contra o povo, nos bancos, como é o caso do Banco Master, em que se falam em bilhões de reais. E nos fundos de aplicação financeira e nos previdenciários, com cifras mencionadas em milhões, e que são dinheiro de pessoas que contribuíram e que aquilo garante o recebimento de sua aposentadoria?

       Não pode ser banalizado nem tornado comum aceitar-se que uma assessoria ou consultoria para um banco ou para qualquer instituição custe tanto como se tem verificado. Normal a esposa do Ministro do STF, Alexandre de Moraes, os parentes do outro, Ministro Dias Toffoli, ou os de Ricardo Lewandowski, em STF e Ministro da Justiça, Guido Mantega, a turminha da Bahia, do Amapá, do Fio de Janeiro e outros lugares, estarem envolvidas em contratos ou desvios tão volumosos? E as roubalheiras havidas e comprovadas em sindicatos que se apossam do dinheiro de seus associados?

       Dizem algumas autoridades e, inclusive o Presidente da República: Tudo precisa ser investigado! A Justiça “maior” é um Deus-nos-acuda! E nós, devemos acreditar em quem? Uma imprensa isenta e clara em suas notícias e na opinião dos jornalistas é extremamente necessária. Mas, a partir do momento em que as universidades, em sua maioria, estão tão mergulhadas em política, esperar o quê? Você, leitor, precisa mais do que indignar-se com o que está acontecendo. Precisa cobrar, veementemente e severamente, de todas as autoridades, querer que se faça algo para que tudo o que é roubado seja restituído.

       E, voltando a falar em lastro garantidor do dinheiro, será que todos os bilhões que circulam nos meios virtuais têm lastro? E, se uma hecatombe cair sobre todos os sistemas de conexão digital, quem vai garantir que os “donos dos dinheiros” possam ser ressarcidos?

       Nossa realidade é que vivemos no irreal, não no palpável, no identificável. Os brasileiros não podem continuar a viver de esmolas de governos travestidas de benefício sociais. Quem tem saúde, precisa estudar e trabalhar. Que a prioridade, de fato, sejam as pessoas que não têm boa saúde. Que o SUS, que um grande programa de saúde, seja transparente. Que os valores pagos pelos serviços prestados não sejam tão vergonhosos. Que os estados e municípios não precisem pagar aquilo que é de obrigação do Governo Federal. Que se reforme a mente e a moral dos gestores públicos, que se cobre comprometimento dos que estão nos poderes Executivo, Legislativo e judiciário, especialmente em Brasília. Lá onde se vive numa verdadeira Ilha da Fantasia, enquanto que o que coloca a mão na massa fique se ferrando por aqui.

       Nosso carnaval está de volta – O  Carnaval é uma atividade importante para a população de Joaçaba. As cidades do entorno, principalmente Herval d ´Oeste, têm grande engajamento. Há transtornos para os comerciantes da área central de Joaçaba, que deixam de faturar. A reclamação vem e muitas pessoas deixam a cidade e tomam o rumo das praias e dos balneários porque querem ficar longe da bagunça. Gosto de dar uma olhadinha nas escolas que se perfilam para o desfile. Já se foi o tempo em que eu tinha energia e paciência para suportar o estrelismo de alguns.

        Têm plena razão os que reclamam que o vácuo dos verdadeiros hiatos entre a passagem de uma escola e outra é descomunal e que as pessoas  não suportam mais o estrelismo. Parabéns aos que se dedicam para que suas escolas possam estar na avenida. Vocês proporcionam um belo espetáculo e colocam nossa cidade na vitrine nacional.

Euclides Riquetti – Escritor – www.blogdoriquetti.blogspot.com

      

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Amigos, peço-lhes a gentileza de assinar os comentários que fazem. Isso me permite saber a quem dirigir as respostas, ok? Obrigado!