domingo, 29 de julho de 2012

O jantar dos torcedores do Internacional em Joaçaba

          Na última sexta-feira, 27, participei, a convite do amigo Denir Zulian, Engenheiro da AMMOC, de um jantar promovido pela Associação dos Torcedores do Internacional em Joaçaba e Herval D ´Oeste, que tem como presidente o Manuel Traverso, professor da Unoesc e irmão da amiga Luciana Traverso, que atua a Universidade Federal do Paraná em Silveira Martins, RS. O pai deles, o João, Veterinário da Cidasc, estava lá com uma camisa do Inter daquelas mais antigas, branca, com uma faixa diagonal vermelha. Lá revi  muitos amigos de Ouro e Capinzal: O Vander Rech, o Maikel e o Fábio Bebber, o Jorge Soldi, o Janecir, dentre outros. Aproximadamente 1.000 torcedores estiveram no jantar e dezenas deles não puderam adentrar ao Pavilhão Frei Bruno, por falta de lugar, voltando para frustrados. Ninguém estava ali para comer, apenas para abraçar seus antigos ídolos.

          Na oportunidade, fui com minha camisa do Vasco, aquela com a faixa vertical dourada e a cruz de malta bem no peito. Conheci o Caçapava, o Cludiomiro e o Fabiano (este de geração mais recente). Conversei com o simpático Caçapava, disse-lhe que estava ali representando a "grande nação vascaína", ele sorriu, deu-me boas vindas, um abraço. Lembro-me de quando ele participava  daquela "máquina colorada", que meu compadre Anibal Bess Formighieri e meu saudoso vizinho Leopoldo Minks tanto enalteciam quando morávamos no Zortéa, e da qual faziam parte o goleiro Manga, Falcão, Figueiroa, Valdomiro, Flávio (Peito de Aço),  Lula, e outros craques que foram bicampeões  brasileiros em 1975 e 1976. Na década de 70 o Inter  reinou absoluto no Sul do Brasil e foi a sensação dos campeonatos de nível nacional. Foi muito bom ter podido participar.

          Jantamos com o Dante D ´Agostini, filho do Osvaldoni e da Tere, pai do João, amiguinho da Júlia, minha neta. Também nos enturmamos com o Betinho Wesoloski e sua simpática esposa, o André Dalsenter, o Ruaro (irmão do Roberto) e o papo sobre boas lembranças correu solto. Revi o Roni Fabro, que falou-me sobre seu pai, advogado conceituado de Joaçaba, que está com dificuldades de movimentos. Contei para o Dante sobre o tempo em que eu estudava com o Osvaldino, no Juçá Barbosa Callado e fizemos o Ginásio Normal. Tínhamos como colegas o Chascove, os irmãos Andrioni  (Nelci, Terezinha e José Carlos), o Valdir Caresia, o Júlio Rodrigues, qu veio de fora trabalhar no Banco do Brasil, o Ivan Ramos, que trabalhava no Posto do João Flâmia, o Celito Baretta, a Erondina Moro, a Nelcinda Savi. O Osvaldino Vinha com uma Kombi e dava carona para nós, meninos. O Júlio tinha um fusquinha bordô e todos os outros iam para a escola a pé, com exceção dos saudosos professores Valdemar Barea, (que tinha uma aero-willys, e o João Bronze, que tinha uma fusca). Relembrar  daqueles difíceis mas muito bons tempos é uma das minhas predileções...(De vez em quando aparecia o Frei Adelino frigo, com a Rural dos padres, ou o Dioni Maestri, .com aquela aero-willys bordô, modelo arredondado, do Benjamim Barison.

          Ocasiões assim permitem nossa interação com a comunidade, o reencontro com amigos antigos e atuais, o bom papo, a zoação, a flauta, tudo no maior respeito. E havia os candidatos às eleições, quase todos com a camisa do Inter. (Entendemos, né??)

Parabéns, Manuel e sua turma. Vocês conseguiram motivar, muito, os torcedores do colorado gaúcho.

Euclides Riquetti
29-07-2012




         

sábado, 28 de julho de 2012

Outros medos, muito bregas

Medo paranóico: de ficar sem créditos no celular
Medo politifágico: de perder eleição considerada ganha
Medo ex-tanque: de ficar com o abdomem volumoso, protuberante
Medo gástrico: de ficar sem (gas) olina no meio do trânsito
Medo moleque: de comer muito pé-de-moleque e ficar com dor de barriga
Medo diabólico: de comer muita paçoquinha e ficar diabético
Medo vulg(ar): de respirar para não acordar o outro quando dorme e ronca
Medo leviano: de sonhar que está flutuando, leve, indo para o céu antes da hora.
Medo infernal: de imaginar que está condenado  a arder em chamas na boate do Lúcifer
Medo gelado: de pensar que ficou preso dentro de uma câmara fria
Medo do escuro:  de ser atropelado por um fuscão preto
Medo de mensagem auditiva: de mandarem um carro de mensagem  na frente de sua casa, no dia do aniversário, com um texto musicado, bem meloso
Medo de saia: de estar dando entrevista e começarem a fazer perguntas indiscrtetas, deixando-o em saia justa.
Medo de correr: de achar que o Rubens Barrichello vai podar seu golzinho na reta do Motel Eros e você precisa chegar antes que ele
Medo de criança:  de errar a letra do Parabéns a Você na festinha de aniversário dos netos
Medo de ficar velho: de chegar na fila da lotérica e indicarem pra você a fila "exclusiva para gestantes e idosos"
Medo de ter vergonha:  de virar um sem-vergonha, convencido, metido a besta, com o nome no Serasa, cartão de crédito  vencido e ainda ter de dar explicações em casa por ter chegado  tarde e com perfume estranho impregnado na roupa

"O medo de não ter assunto para escrever me deixou com muito medo, daí escrevi  umas bobagenzinhas, só para descontrair e tomar um pouco de seu tempo ocioso, (precioso???), neste sábado, em que não deixaram você ir para o trabalho e por isso ficou muito zangado, revoltado..."

Abraços a todos, neste sábado de céu emburrado.

Euclides Riquetti
28-07-2012




quinta-feira, 26 de julho de 2012

Meus oito medos

Meu primeiro medo: Medo de te perder.
Meu segundo medo: Medo de me perder.
Meu terceiro medo: Medo de não te perder.
Meu quarto medo: Medo de não me perder.
Meu quinto medo: Medo de te perder e não te encontrar.
Meu sexto medo: Medo de me perder e não me encontrar.
Meu sétimo medo: Medo de que nos percamos e não nos encontremos mais.
Meu último medo: Medo de perder o medo.

Não quero que te percas de mim
Não quero me perder de ti
Jamais!...

Euclides Riquetti
26-07-2012

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Homenagem ao amigo que se foi

          Ontem, ao ouvir o sino da Matriz de Capinzal, liguei para a Casa Paroquial para ver do que se tratava. Informaram-me que era a celebração do Alcir José Spielmann. Fiquei chocado. Foi meu colega do curso de Contabilidade no Padre Ancheita. Meu antigo vizinho, em Ouro. Meu colega de futebol no tempo do Palmeirinhas. Trabalhou  no Organização Contábil Luther King, hoje sucedido pela Êxito Contadores, capitaneada pelo Osvaldo Federle, o Machadinho. Fomos, os três, da turma de Técnicos em Contabilidade de 1971. Afastou-se do trabalho por motivos de saúde, há duas décadas.

          Tenho muitas boas lembranças do Alcir. Tinha um jeito calmo e simples de falar. Como a mãe, Doralice (falecida) e o pai, o Alcides "Barbeiro" Spielmann, que tinha barbearia na área central de Ouro e que faleceu num belo domingo, depois de ir à missa na Festa de São Paulo Apóstolo.

          Quando era criança ele morava ali na Rua Santo Antônio, aquela que sobe ao lado da casa do Aquilino Baretta. Depois, vieram morar próximo do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Fui colega de Mater Dolorum  de seus irmãos Dalvir e Almir (Frei). Trabalho como Geraldo, seu irmão. Sou amigo do Eugênio, que trabalha no Banco do Brasil, e da Ana Lúcia, que casou com o Itamar Homem do Amaral, o Mineirinho do Banco do Brasil, que também foi nosso colega no CNEC. Tenho boas recordações de todos eles.

          Nos últimos anos, permaneceu recluso em sua casa, morando com o Geraldo. Era um flamenguista convicto e fervoroso. O rubro-negro era a sua primeira paixão. Ensinou o Prefeito Miqueloto a jogar xadrez quando ele ia entregar leite na sua casa. Falava pouco, mas pensava muito. Quando jogava bola, movimentava-se com elegância e habilidade, sabia tocar a bola com perfeição, não reclamava. Mas parou muito cedo.

          Lembro de quando, em 1971, desfilamos pela CNEC no Sete de Setembro, com calça preta, de tergal, e camisa de algodão,  vermelha. Foi ideia do Dr. Maliska, nosso Diretor: "Se nossa escola nunca desfilou, então vamos desfilar a primeira vez com camisa vermelha, que é para aparecer, mesmo!" E desfilamos. O Alcir se sentia mais rubro-negro ainda. Eu, vascaíno, achava a camisa apenas  bonita...

          Lá na Igreja, de seus colegas de turma, estávamos eu e o Machadinho. Ele comentou: "Foi-se nosso colega! Tomei a liberdade der publicar uma nota em nome da nossa turma". Fiquei agradecido ao amigo Osvaldo, achei uma atitude muito louvável a dele. Os freis Danilo e Valdir, mais seu irmão Frei Almir fizeram a celebração.

          E ele foi morar com o pai e a mãe. Pessoas boas como eles têm um merecido lugar ao lado do Senhor, no Paraíso. O mundo precisa de pessoas sensíveis e bondosas como ele e seus familiares. Viva feliz na Glória Eterna, Alcir!

Euclides Riquetti
25-07-2012

         

domingo, 22 de julho de 2012

Festa Italiana de Capinzal

         Participamos, neste sábado, 21, da XXVIII Noite Italiana de Capinzal. É a oportunidade que temos de rever amigos, alguns que a gente não vê há muito tempo.

         A Noite Italiana de Capinzal, que também chamam de "Festa", foi criada na gestão municipal do saudoso e muito competente Prefeito Celso Farina. Dona Zélia, a Primeira Dama, Marlene Zanchet, que respondia pela Educação e Cultura em Capinzal, mais a Marília Dambrós, Diretora da APAE, foram  as pessoas que iniciaram a festa cultural que tem como principal característica servir boa comida e vinho. Ao longo dos anos foi sendo repaginada. Os altos investimentos em contratação de bandas de alto custo e decoração foram dando lugar a outros moldes, sem cair o padrão de qualidade. Como o objetivo é angariar recursos para a escola especial Vanda Meyer, não podia ser de outro jeito: a sofisticação dando lugar à praticidade e os objetivos atingidos.

          A festa é apoiada pela comunidade e, desde os primeiros tempos, foi teve como grande parceira a Perdigão, hoj BRF. O Sr. Altair Zanchet deu o pontapé inicial de apoios, com o respaldo da família de Saul Brandalize. O formato atual, com simplicidade, música de alta qualidade e diversidade (Banda Essência), bons vinhos coloniais (uvas americanas) e também de altitude (uvas de origem europeia, viníferas). Há uma década o vinho disponibilizado era gratuito, mas havia esbanjamento, muitos bebiam além da conta, faziam fiascos. Agora, ao meu ver, foi atingido o padrão ideal para o público que a frequenta. E os preços cobrados pelo vinho está abaixo dos praticados  em restaurantes com médio requinte.

          Bem, como o bom da festa é rever amigos, a noite nos foi muito auspiciosa. Os locais, a gente revê com regular frequência, mas mesmo assim é bom coversar com eles. E costumamos ficar analisando as mudanças nas pessoas: a amabilidade é sempre a mesma, até melhora, pois os anos que pesam nas costas de cada um as tornam mais dóceis. Mas nossos cabelos... quanta diferença!!! O orgulho que muitos tinham quando jovens é substituído pela maturidade. Os cabelos da maioria dos homens tornam-se prateados, alguns os perdem, como o meu caso. No princípio, tenta-se identificar algumas pessoas que " a gente viu em algum lugar, algum dia". E sai de lá sem saber quem era, pois não dá pra sair perguntando pra todo mundo: "Quem é você?"

          Na chegada, revi o Hilarinho Zortéa, a Vera, de nosso saudoso Caio, a Jane Serena. Depois a Márcia Dambrós Peixer, com o marido, a Dona Iolanda, o Sérgio Riquetti, meu simpático primo e que o Remi Mattos, que agora mora no Mato Grosso do Sul,  chamava de "Van Johnson". A simpatia da Márcia e do marido é muito grande, sabemos muito bem o quanto ela recebeu de bons exemplos  de sua mãe. Depois fui abordar o Tio Dero, (como o Caio e a Vera o chamavam), e a Ana Rosália. Conheci-a num churrasco na fazenda dos Zortea, em 1968, quando o seu pai, Hilário, foi nosso paraninfo de formatura do Ginásio Normal Juçá Barbosa Callado. Era tímida, agora parece mais alegre, madura. O Deroci sempre foi muito atencioso e competente, nos poucos contatos que tive com ele, desde os tempos em que eu trabalhava na Zortea Brancher, me ajudou em ocasiões que precisei de suas orientações.  É um cidadão que se aliou a uma família de pessoas boas, por isso está aí, de bem com a família e a vida. Depois o Maurício Brancher, filho da Dona Holga e do amigão Sadi, a quem já me referi em outras ocasiões. O Rubens Bazzo, que estava com a esposa, está com a cara do pai dele, o amigo Plínio, simpático cidadão que foi morar na Capital. Também revi o Bogoni, pai da Fernanda, que vinha na minha casa quando tinha uns seis anos de idade, era coleguinha de minhas filhas. Sabe, amigo (a) leitor (a), há pessoas como Tio Plínio, que nunca deveriam envelhecer, deveriam ficar esbanjando simpatia mundo afora, ajudando a vida de todos a ser melhor...

          E tinha lá um monte de outras pessoas que eu ficava tentando saber quem eram. E a tribo local, numerosa, mas que a gente sempre acaba reencontrando: A comadre Alias dançando com o Onair (Ticão), a Elba com o Adelir, sempre esperando que a banda execute um tango para que possam curtir suas habilidades.

          Ah, foi muito bom estar lá, em meio a tantos e tantas, volvendo o pensamento para o passado, lembrando de quantas vezes "arrastamos o pé" no Centro Educacional.

Euclides Riquetti
22-07-2012

sábado, 21 de julho de 2012

31ª Festa do Colono - Ouro - SC

          A Festa do Colono é o evento público que mais reúne pessoas em Ouro. Acontece sempre num sábado, o mais próximo do dia 25 de julho, geralmente antecedendo-o. Neste ano aconteceu hoje, 21, no Centro de Eventos de Nossa Senhora do Caravággio. que se localiza às margens das Rodovias SC 135 e 467, em Ouro, na comunidade que chamam de Posto Caravággio. A programação vem acontecendo desde o dia 29 de junho, quando aconteceu a abertura, no Clube Esportivo Floresta, quando sde realizou o IV Encontro de Violeiros e o cerimonial oficial de lançamento da festa.

          Na terça, 17, foi realizado o Fórum de Desenvolvimento Rural Sustentável, no Ginásio de Esportes de Linha Vitória, quando especialistas em preservação do solo e em inovações em máquinas e implementos agrícolas estiveram repassando parte de seus conhecimentos aos agricultores. Já ontem à noite, 20, no Clube Esportivo Floresta, aconteceu o tradicional Café Colonial, organizado pela equipe da Prefeitura e Epagri. Mais de 30 produtos de nossa agroindústria local e de nossa produção gastronômica estavam disponibilizados aos participantes, além de café, leite  e chás. Nosso Café Colonial é bem prestigiado por pessoas do Baixo Vale do Rio do Peixe, assim como o é o que acontece anualmente na Barra do Leão, distrito que pertence ao Município de Capos Novos, distante 8 Km de Capinzal.

           A Festa do Colono costuma reunir políticos catarinenses, vereadores, prefeitos, vices e deputados. E muitas pessoas que ali vão para reencontrar amigos. As rádios barriga Verde AM e Cidade FM transmitiram o evento ao vivo, que teve pela manhã a celebração de Santa missa, com o estimado Frei Dudu, figura religiosa que vem despontando na Paróquia de São Paulo Apóstolo, pois, além de muito carismático, é talentoso cantor e execução de músicas ao violão.

          Mais de uma centenas de empresas e empreendedores participaram da exposição que é organizada no pátio da Capela de Nossa Senhora do Caravággio, com tratores, plantadeiras, aradeiras, provedores de internet, animais de raça. Ainda, muitos brinquedos para as crianças, sem precisarem pagar para se divertir.

          Churrasco de  bovinos e suínos  são disponibilizados, carinhosamente preparados, com aquele gostinho de "churrasco de festa de colônia".

          Uns atrativos de que não abro mãe é tomar um chimarrão na barraca da Ervateira Charrua, do amigo Chico Marca. A Dona Lucélia, esposa, e a filha Luana, nossas amigas, estavam lá bem cedinho ofertando seu precioso chimarrão. A Barraca do Pingo, da Ouro Diversões, com suas cocadas, maçãs-do-amor e pés-de-moleques nos encanta e atrai. A feirinha de produtos dos associados da Copernostra também bomba bem. Aliás, comprei compotas de laranja e doce de figo produzidas pela família Prando, de Lacerdópolis, um tabletão de marmelada, coisa que eu não via há anos, muitos doces e vinho. Havia os produtos das artesãs do município de Ouro que fazem parte do CEATUR, os queijos Casagrande e Campo Dourado para degustação, salames, e muitas outras delícias. Se você não pode participar, não sabe o que perdeu!

          Presentes na feirinha da Festa do Colono, o pessoal da Vinicampos estava lá com seus vinhos de altitude, produzidos em Campos Novos, e que eu já conhecia de um jantar na casa de meu genro Daniel Tesser, trazidos pelo seu primo Túlio Dassi, agrônomo da Epagri. A Vinicampos produz vinhos de alta qualidade, cultivados em parreirais de Campos Novos e arredores, em altitudes acima de 900 metros. Uvas viníferas europeias, muito bem adaptadas ao nosso clima, proporcionando Cabernet Saivignon, Merlot, Moscato Gialo, Lorena e Sauvingnon Blanc, esta a variedade das uvas considerada, seguindo me disse um dia o Maurício Grando, da Villagio Grando, de Água Doce, a mãe das uvas do mundo. Aliás, neste novo milênio, os vinhos catarinenses e gaúchos crescerem muito em termos de qualidade. E, os da safra 2012, quando estiveram no mercado, serão de altíssima qualidade, pois o clima de final de 2011 e início de 2012 favoreceu muito para a qualidade da uva.

          Na parte da tarde, show musical com Nando e Terezina (Nando Show), Paulo e Marcelo, e, à noite baile com Portal do Sul.

          A festa do Colono do Município de Ouro termina no próximo final de semana, com as provas de Veloterra que serão realizadas ali mesmo,  em Posto Caravággio, ao lado da SC 135.

Euclides Riquetti
21-07-2012

quinta-feira, 19 de julho de 2012

A Neve em 1975

         O dia 17 de julho de 1975 foi muito marcante para mim. Estava no último ano do curso de Letras/Inglês na FAFI, em União da Vitória-Paraná, morava num casarão histórico do centro de Porto União,  na Rua Prudente de Morais (daqueles mal assombrados, mas bem antigo, mesmo!!!), Cursava Inglês no Yázigy, na Avenida Manoel Ribas e gerenciava a filial da Mercedes-Benz, localizada na mesma.

          A noite fora muito fria e o ar estava úmido. Flocos de neve começaram a cair e cobrir o asfalto da Avenida. Os Chevettes, os Aero-willys, as Sincas Chambord, os Jipes, as Pick-ups, as Brasílias, os Dodge Dart,  Charger e Polara que a Grande Rio dos Scaramella vendiam,  os Galaxies, os Opalas, os Karmann Ghia, as Variants, os TLs, os Corcéis,  os Fuscas, as Veraneios, os Ônibus, os Caminhões, o Trem, e até o Mercedes azul do Jorge Mallon estavam cobertos de uma espessa camada de neve, parecendo todos da mesma cor.  Os telhados de todas aquelas casas de descendentes de ucranianos, poloneses, russos, jordanianos, sírios, libaneses, árabes,  portugueses, e até de italianos, ficaram, também, recobertos de branco. Da mesma cor alva restaram os cobertos das dragas dos Irmãos Hobi e da Extração de Areia Santa Terezinha, aportados nas margens do rio Iguaçu, que meu patrono, o poeta Ivonnish Furlani eternizou em "Eu Sou o Verso".

           Logo após o meio-dia , passei defronte às antigas Casas Buri, a maior loja da cidade, concorrente das Casas Pernambucanas. Havia uma dúzia de funcionários e nenhum, mas nenhum cliente, mesmo! E, todos, comissionados precisando vender para ganhar um dinheirinho.  Um amigo, o Nei Carlos Bohn, era um deles. O Japonês era o gerente. Geladeiras "Clímax 300 L" e de outras marcas se enfileiravam à espera de compradores. Havia as azuis, as amarelas, as vermelhas (as brancas estavam fora de moda...). Havia fogões a gás nas mesmas cores. Sofás estampados da linha floreal, do tempo em que os tecidos eram produzidos no Brasil e não na China, como hoje. Havia as TVs Philco, Philips, Colorado RQ e até algumas Sharp. As funcionárias vestiam blusas de  tricô em lã e meias três/quartos da mesma cor e do mesmo fio. Era a moda da época. Os homens, vestiam suas jaquetas por sobre as camisas sociais de azul-claro  e as gravatas discretas, algumas em crochê ou tricô. Os seus bigodes eram cuidadosamente emparelhados e os seus cabelos tinham um bom corte padrão, feito ali no Salão  dos Estudantes ( foi onde fui raspar a cabeça quando me passaram o trote fora de época pela passagem no vestibular).

          Entrei, todos olharam para mim. Fui ao encontro do Nei que, respeitosamente, como é de seu feitio, veio cumprimentar-me. (Hoje é meu cunhado e compadre...) Lasquei: "Quanto vocês me dão de desconto se eu comprar essa geladeira azul "Clímax 300 L " que vai combinar com o fogão Geral (azul) que comprei na Willy Reich?" A resposta veio rápida: "5%" e dá para segurar o cheque até o dia 5 de agosto! Repliquei: "Preciso de 15%, pois hoje vocês não vão vender nada mesmo, com esse frio e essa neve!"

          Ele olhou para o chefe Japonês e a resposta veio como um raio: "Pode dar 15% de desconto para ele!!!. Fiz um grande negócio e eles, com seu Lojão Buri, não ficaram sapateiros naquele dia...

          Tem outras histórias de negócios que fiz naquele dia na empresa onde trabalhava, mas isso é história para outra ocasião.

          A Neve de 1975 atingiu todos os municípios do Sudoeste do Paraná, principalmente Palmas, Guarapuava e Pato Branco. Chegou a Cascavel. Em Curitiba, falei com o amigo Ângelo Caron, por telefone, houve muita alegria nas ruas nevadas naquele dia. Depois soube que os três estados do Sul tiveram cidades que puderam deliciar-se com o espetáculo da neve.

          Atualmente, São Joaquim, Urubici e outras cidades catarinenses daquelas paragens, praticamente veem neve em todos os anos. E recebem muitos turistas, mesmo que com uma estrutura não muito favorável.

          Bem, se você for para Gramado, no RS, vai ver neve em dezembro, no desfile natalino, das luzes. Mas aquela é neve artificial, não vale tanto quanto a nossa.

          Euclides Riquetti
          19-07-2012


terça-feira, 17 de julho de 2012

Enquanto chove...

Chove no asfalto
Onde o verde e o cinza
Compõem o retrato:
A natureza é a tinta
O pincel que pinta
As pedras, o rio, o mato.

Chove uma chuva fina e teimosa
Fria e silenciosa  (delituosa)...
Banha os animais que se aconchegam
Por debaixo das caneleiras frondosas
(As imbúias e os cedros o homem levou...)
Das árvores santas, restantes, bondosas
E chove!

Chove serena  minha alma
Chora sereno meu pensamento
E a chuva lava ( e leva )
A preocupação do momento.

Chove na manhã do dia que corre
E nas valas a água desliza mansa, mole
Enquanto chove.
E some...

Apenas não somem as lembranças
Que vão e voltam, que fazem pecar
Que transpõem os montes
Enquanto transbordam as águas ( e as mágoas)
Das fontes
E se perdem nos rochedos
Buscando ressonância
No tempo e na distância
Até chegar ao mar!

Ressonam nos corações benditos
Nos pensamentos infinitos
Nos pensamentos teus
Nos sonhos meus
Que vagam no ar.

Só não leva para ti os meus poemas
E meus dilemas
Que transformo numa única oração:
Apenas uma oração para ti
Enquanto chove!!!


Euclides Riquetti
17-07-2012





segunda-feira, 16 de julho de 2012

Mãos

Mãos que tiram a roupa
Mãos que afagam o peito
São mãos que estendem a colcha
São mãos que preparam o leito.

Mãos que alisam o rosto
Mãos que abanam pra mim
São mãos que beijo com gosto
São mãos que arrumam o jardim.

Mãos que se estendem de pronto
Mãos que seguram a flor
São mãos que preparam o encontro
São mãos que se prendem no amor.

Mãos que seguram as mãos
Mãos que recebem presentes
São mãos que ajudam irmãos
São mãos que se movem contentes.

Mãos elegantes e ágeis
Mãos atraentes e belas
São mãos que parecem tão frágeis
São mãos tão macias e singelas.

Me ligo nas mãos carinhosas
Me ligo nas mãos da senhora
Que cuidam dos cravos e rosas
Que cuidam do filho que chora.

(Mãos são elementos especiais,
Ferramentas naturais,
Insubstituíveis,
Que nos permitem ver, sentir, agir
Falar, acenar, comunicar
Mãos são as mãos
Que falam pela alma,
Que falam pelo coração)

Composta em 17-05-1995

domingo, 15 de julho de 2012

Neve de 1965 - Uma paisagem europeia

          Quando se fala em épocas em que as pessoas viveram, ou mesmo para estimar quantos anos viveram, muitos têm o hábito de dizer:  "A fulana (ou o fulano), viveu mais de 100 anos, porque sempre me dizia que tinha presenciado x florações das taquaras".  Bem, uma pessoa que deve ter vivido muitas florações das taquaras foi o "Caboclo Estevão", que morou em Pinheiro Baixo, Ouro, e era homem de confiança de um de nossos pioneiros, o Veríssimo Américo Ribeiro, carroceiro. O Estêvão teria vindo com o colonizador da região de Vacaria-RS, trabalhou com os Ribeiro e depois foi para Bonsuecesso, e os que o conheceram dizem que ele era uma  pessoal leal e bondosa. Guardo comigo uma foto dele, cedida pelo amigo João Américo Ribeiro, que cuida da propriedade da família em Pinheiro Baixo. Ele deve ter vivido mais de 100 anos...  O caboclo tinha uma mão enorme. (O Benito Campioni, irmão da Márcia, minha colega de trabalho, também tem uma mão daquelas de segurar e derrubar boi no chão). Quando o encontro, brinco muito com ele sobre isso,  meu ex-vizinho, gente boa.

          Esse intróito todo, fi-lo para chegar ao assunto do título: as neves que tive o prazer de presenciar, e que marcaram, de alguma forma, a minha vida. Mas, diferentemente das florações das taquaras, ela não tem um ciclo definodo para vir.

          O inverno de 1965 foi muito forte no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Eu tinha doze anos, estudava no Ginásio Padre Anchieta, e começou a fazer muito frio naquela estação. Tínhamos uma casa nova, de madeira, bem desenhada, ali na Felip Schmidt, ao lado da Indústria de Bebidas Prima, onde produziam refrigerantes e engarrafavam vinhos e outras bebidas. Quando fizeram o "engarrafamento", escavaram o terreno e deixaram um barranco, que com as chuvas que precederam o inverno foi desmorronando, pondo nossa casa em risco de desabamento. Na noite do dia 19 para 20 de agosto, fazia muito frio. De manhã, meu pai, Guerino, acordou-nos cedo para vermos e espetáculo que se desenhava à nossa frente: Ali onde hoje há o Posto da Combustíveis da Família Dambrós, havia uns gramados e umas plantinhas sobre as terras que eram jogadas para formar um aterro, e tudo estava coberto de neve. A Ponte Nova estava recoberta por um manto alvo, e o mesmo era contemplado nos telhados das casas, a maioria de madeira. Até os cabos de aço de sustentação da ponte pênsil acumulavam camadas de neve. As ruas de Ouro e Capinzal pareciam aqueles caminhos que se veem em filmes,  numa autêntica paisagem europeia. Os poucos carros que havia, e as carroças e charretes, estavam todos recobertos pelo branco brilhante. Os telhados do Hospital São José, do Hotel Imperial, do Hotel do Túlio, do Cine Glória, do Cine Farroupilha, da Distribuidora de Peças e Acessórios, da Casa do Ernesto Zortéa, do Marcos Fortunato Penso, do Pedro Surdi, da Dona Dileta da Silva, do Adelino Casara, do Adelino Beviláqua, e de muitas outras edificações, era possível vê-los por nós, que observávamos a paisagem com nossos olhos originários do Ouro.

          O peso da neve mexeu com a estutura de nossa casa. Tivemos que abandoná-la. Fomos distribuídos nas casas dos parentes, dos tios Arlindo Baretta,  Adelino Casara e Victório Riquetti. Eu, fui para a casa da Tia Maria, do meu primo Moacir. Lembro-me bem, que à tarde, precisei ir à Comercial Baretta fazer umas compras para a tia, e meu único par de sapatos estava molhado, gelado. Fui com as chuteiras do Moacir, que tinha as traves altas , e que minha ingenuidade fazia-me pensar que a sola ficaria mais alta que a neve. Só ilusão: congelei os pés. Aulas suspensas. O Frei Gilberto (Giovani Tolu), suspendeu nossas aulas, estava muito feliz, porque via, aqui na América do Sul, a mesma nostálgica paisagem que sua mente trazia de sua infância na Itália.

          O Joe e a Bunny,  eram  norteameriacanos que atuavam junto aos Clubes 4-S no interior do Ouro, havendo um clube pioneiro em Linha Sul ( o primeiro de Santa Catarina),  moravam de pensão na casa do Sr. Guilherme e da Dona Mirian Doin.  Eles eram dos 4-H, clubes dos Estados Unidos da América que tinham as mesmas funções e objetivos que os 4-S do Brasil:  Head,  Hands, Heart, and Health, que em português entndíamos como: Saber, Servir, Sentir e Saúde.  Acostumados com a nove do Norte, fotografavam, faziam bonecos e esculturas. O Joe, que jogava basquetebol na quadra do Padre Anchieta com o Dr. Leônidas Ribeiro, o Rogério Toaldo e outros, era alto e usava óculos ( até para jogar). Ficou maravilhado com a neve. E, nós, tivemos que demolir nossa casa, da qual tenho muitas saudades...

         Como resultado do frio, houve perdas e animais nos sítios e fazendas. Lembro que houve muita mortandade de abelhas. Até mesmo o mel que vinha de Abdon Baptista, não veio mais. Não vinha mais o caminhãozinho carregado, com as latas de 20 Kg, com que estávamos acostumados. E o produto encareceu. Alías, ficou sumido pelos anos seguintes, até que os enxames e as colmeias foram-se recompondo.

          Além dos eventos climáticos que resultaram na enchente de 1983, penso que a neve de 1965 seja o outro fenômeno que mais nos marcou.

          Ah, acho muito bonitas a neve e a geada. Mas, agora, com ar quente no carro, é muito mais fácil de encarar o frio. Viva a bela lembrança do passado!  E viva a moderna tecnologia!

Euclides Riquetti
15-07-2012
   


         

domingo, 8 de julho de 2012

Enchente de 1983 - 29 anos

           Quantos anos tinhas no dia 7 de julho de 1983?  Então, se eras jovem ou criança, deves ter ficado com marcas em sua alma  que jamais serão esquecidas. Quem viveu as incertezas climáticas daquele início de inverno, sabe por quantas situações de anormalidade os moradores do Vale do Rio do Peixe passaram. E o mesmo ocorreu com os do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, e os do Rio Iguaçu, na divisa entre os estados de Santa Catarina e Paraná, onde o volume de águas esteve acima dos parâmetros até então conhecidos.

          Ouro e Capinzal compõem meu cenário daquele tempo, quando eu morava em Ouro e tinha duas filhas, gêmeas, com 4 anos, Michele e Caroline. Eu era professor, atuava na Escola Sílvio Santos, e era possível perceber, já há um mês antes, que as chuvas torrenciais que caíram em junho prenunciavam novas chuvas e enchentes. Os dias alternavam-se quentes ou frios. Nos dias quentes, já era de se imaginar temporais, as águas do Rio do Peixe com elevação de seu nível normal. Na parte aos fundos da escola, as águas da chuva formavam um lago, cobrindo o pátio todas as vezes que chovia. Reclamavam que a drenagem era insuficiente, mas a cada nova chuva mais água vinha do "Morro dos Padres", e as valas e tubulações não davam conta de escoá-las. A Festa Junina, de Santo Antônio, ficou prejudicada. E, no dia 7 de julho, cedo as aulas foram suspensas, os alunos deveriam ir para suas casas, pois o rio já saía de sua caixa, os riachos da área rural estavam transbordando, e os alunos precisariam retornar para as propriedades rurais, para não ficarem ilhados em algum lugar.

          Lembro que os caminhões das Prefeituras de Ouro e Capinzal começavam a retirar mudanças das casas ribeirinhas, pois havia um histórico de enchentes que precisava ser respeitado. Dez anos antes, na Grande Enchente do Rio Tubarão, o Rio do Peixe chegara a meio metro dos trilhos da ponte férrea sobre o Rio Capinzal. A preocupação das autoridades era pertinente. Naquele tempo,  nem se sabia da existência de órgãos de Defesa Civil. As pessoas norteavam-se pelas informações que ouviam na Rádio Capinzal e na Rádio Catarinense, esta de Joaçaba. O Aílton Viel narrava, o Jorginho Soldi reportava, e todos ficavam com os ouvidos ligados ao rádio para saberem notícias. Com os ventos que precederam a enchente, foram tombadas as torres repetidoras de TV, e o acesso às informações vinha, mesmo, pelo rádio.

         Ainda na parte da manhã, lembro que o Celito Matté liderava um grupo de pessoas para por sacos de areia nas portas dos fundos do Ginásio Municipal de Esportes (André Colombo), mas, isso foi em vão, pois logo as águas adentraram à quadra, destruindo o belo piso de madeira. Foram lá para o sexto degrau da arquibancada. Destruiu documentos que estavam na Secretaria do Ginásio, peças do Museu Professor Guerino Riquetti, que estavam alojadas som a Biblioteca Municipal Prefeito Ivo Luiz Bazzo.

          No meio da manhã, com a ajuda do primo Hélcio Riquetti, retiramos a mudança da colega professora Elzira, levando para o andar de cima da casa da mãe dela. O fogão a lenha, pesado, deixamos no andar de cima do sobradinho de seu irmão Kiko, que à tardinha  também foi alcançado pelas violentas e barrentas águas do Rio do Peixe.   E os caminhões se alinhavam na Felip Schmidt e Jorge Lacerda para carregar os estoques das casas comerciais e mudanças. Em Capinzal, ao anoitecer, as águas chegavam ao Depósito do Supermercado Barcella, ao do D´Agostini, às Casas Pernambucanas, Bradesco, Rodoviária, Fórum da Comarca, Hotel Beviláqua, cobriram a ponte Governador Jorge Lacerda,  também a ponte próxima ao Moinho Crivelatti e todas as outras possíveis passagens do Sul para o Norte do Centro de Capinzal, no rio do mesmo nome. A nova Central Telefônica, da Telesc,  que havia sido inaugurada poucos dias antes, foi invadida pelas águas. Eu havia comprado telefone e só tivemos o prazer de utilizá-lo por um, dia. Depois ficamos sem, por mais de um mês, apenas com um ramal improvisado, na Prefeitura de Capinzal,

          Quando entardecia,  as águas invadiram a Praça Pio XII, em Ouro. Retiramos a mudança do colega Jerônimo Santanna, com a pick-up do Luiz Toaldo. Depois fomos retirando a da casa do amigo Selvino Viganó. Lembro que do guarda-roupas de cerejeira, novo, fixo, só pudemos levar as portas. Logo depois, riui a primeira casa acima da Ponte Pênsil, em Ouro, onde funcionou a fábrica de ladrilhos do Iraci Toigo (antes anida fora do Armédio Pelegrini). E, ao mesmo tempo, 96 casas que se localizavam entre a estrada-de-ferro e o rio, em Capinzal, foram sendo derrubadas em série, pela violência das águas.

         O Agnaldo de Souza, Agente da Estação Férrea, marido de minha colega Professora Gracita, colocou a mudança na Estação, mas a água chegou lá também. Salvou apenas uns sacos com roupas, que ficaram sujas de óleo que vinha do norte, misturado às águas...

          No Parque e Jardim Ouro, 12 casas que se situavam na Rua Voluntários da Pátria, a Beira-rio, foram levadas pelas águas. A ponte próxima à Igreja de Caravággio no Rio Leãozinho, foi coberta pelas águas, bem como a SC 303, próximo ao Ramal Lovatel. Em Snata Bárbara o Lajeado dos Porcos cobriu-se pela enchente. Em Lacerdópolis a parte próxima ao Lajeado Nair foi a primeira a ser atingida, depois toda a área central da cidade.

          Já noite, as águas continuavam a subir, atingindo a Loja D ´Agostini, a Serraria da São José, no Campo,  a tipografia Capinzal, a ferraria do Luiz Segalin, a Funilaria do Santo Segalin,  a Comercial Maestri, o Bamerindus, o Bolão Ouro, a Auto Mecânica Ouro, a Prefeitura, o Posto de Saúde, enfim, dezenas de casas comerciais e centenas de residências.

          E ficamos sem energia elétrica, sem água potável, pois o ponto de captação do SIMAE foi totalmente destruído. Nos mercadinhos e armazéns foram vendidas todas as velas que dispunham em seus estoques. A gasolina acabou nos postos. Nos açougues faltava a carne. Alguns gêneros de primeira necessidade faltavam nas lojas. As farmácias haviam sido inundadas. A Rádio catarinense anunciava que  a ponte de concreto armado Emílio Baungart, que ligava Joaçaba a Herval D ´Oeste, fora destruída. E que o Rio Itajaí e o Iguaçu faziam horrores com os moradores de cidades como Rio do Sul, Blumenau, Itajaí e Porto União da Vitória. Nossa Ponte Pênsil também teve o madeiramento de suas cabeceiras arrancado dos cabos de aço de sustentação. Enfim, foi um Deus-nos-acuda!

          Mas sobrevivemos. Cada cidade buscou, de uma forma ou outra, recuperar-se, com ajuda do Governo federal e Estadual. Blumenau, para recuperar a autoestima, criou a Oktoberfest. Em União da VItória, criaram uma área ambiental nos pontos mais vulneráveis, acima da Ponte do Arco. Em Capinzal, o Prefeito Celso Farina obteve doação de casas de madeira que foram retiradas das obras da Usina de Itaipu, as quais eram utilizadas para alojar operários em sua construção,  e as  implantou na Cidade Alta, em São Cristóvao, e  criou a  Área de Lazer" (Arnaldo Favorito) ali onde antes havia 96 casas. Também aproveitou para remover as famílias que ocupavam áreas próximas à estrada-de-ferro, acima da ponte Irineu Bornhausen, levando-as para a Cidade Alta e arborizando o local. Em Ouro, o Prefeito Domingos Boff construiu casas nos altos do Parque e Jardim Ouro, onde agora se situa o Centro Comunitário do Bairro Alvorada. E projetou  um conjunto de casas da pela Cohab, que dei continuidade na condição de Prefeito, em 1989.

          Registros fotográficos de Jaime Baratto, Olávio Dambrós e de Nélito Colombo, dentre outros, mostram a gravidade da situação na época.

          Só de lembrar me dá vontade de chorar. Agora, 29 anos depois, parece que tudo aconteceu ontem.

Euclides Riquetti
08-07-2012

         

sábado, 7 de julho de 2012

Ousadia




O toque gentil  de tuas mãos em meu rosto
O toque sutil de minhas mãos em teus ombros
O toque melódico de tuas palavras em meus ouvidos
O toque romântico de meu ser em teus sentidos...

O toque delicado de teus braços em meu corpo
O toque suave de minha pele em tua pele alva
O toque perfumado de teu peito em meu peito
O toque dadivoso de meu olhar em teu olhar.
O toque de teus beijos ardorosos em meus lábios
O toque de meus beijos em teus lábios rosados.

O toque sensível do tudo de mim em ti
O toque inimaginável do tudo de ti em mim
A perdição do momento desejado
A perdição no pecado
O amor consumado
Sem fim...

Tu estás em mim e eu estou em ti
Sem nenhum medo:
Apenas paixão, amor segredo!

Desejo de mim por ti, por ti, por ti
Desejo de ti por mim, por mim
Desejo imedível, ousado
Pecado, imersão, pecado!

Euclides Riquetti
07-07-2012

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Love Stories (Minha Índole Romântica)

     Histórias de amor, quem não gosta de ouvi-las? Histórias de todas as eras, buscadas nos livros os vistas nos filmes, sempre me encataram e, acredito firmemente, até o mais rude ( e fingido) dos mortais, tem o seu lado romântico. Por conveniência, (ou por machismo), alguns o escondem, disfarçam, mas isso sempre acaba vindo à percepção das pessoas.

          Ah, quantos livros tu leste, leitor (a), em tua juventude, em que o foco romântico estava presente, em primeiro plano? Quantas revistas compraste ou trocaste, como as "Capricho", "Ilusão", ou "Sétimo Céu"? Depois, adiante, quantas garotas não leram "Sabrina"? E, quantos de nós, não lemos os livros de Camilo Castelo Branco, José de Alencar, ou os apimentados romances de Jorge Amado? Tu vais, certamente, lembrar de dezenas, centenas de outros autores...


          Mas, as histórias que vimos nos filmes, em nossa juventude, jamais esqueceremos. Além daqueles  românticos musicais, normalmente estrelados por jovens atores/cantores italianos, tu lembrarás de outros dois grandes sucessos do cinema: Romeo and Juliet (1968) e Love Story (1970), que viste no Cine Glória, de Capinzal, no Odeon ou no Ópera, de Porto União, no Avenida ou no Vitória, de Joaçaba, ou ainda no Marrocos, de Lages, nas salas de cinema de Curitiba ou Florianópolis.  Que belas histórias de amor esses cinemas nos ofereceram! Esses e outros, que em sua maioria viraram templos, lojas, supermercados ou até hotéis...

          Hoje, porém, quero  indicar-te  um filme muito bonito, para ti que gostas de romance, de paixões arrebatadoras, ou mesmo de tenros  contos românticos: Assisti, há instantes, ao filme do diretor franco-americano Iann Samuell, uma das revelações do gênero, a "My Sassy Girl", que tem tradução em Português como "Ironias do Amor", mas que poderia  ser mais ou menos assim: "minha garota doidinha".

           "Ironias do Amor", de 2008, é mais uma daquelas produções que os americanos fazem para encantar o mundo. Conta a história de Jordan (Elisha Cuthbert - 30-11-1982, canadense), e Charlie (Jesse Bradford - 28-05-1979, norteamericano). Charlie salva Jordan de morrer, atropelada por um  trem de metrô, fazem uma amizade de 33 dias e, depois, pactuam afastar-se por um ano... Depois de um ano e um dia, encontram-se, e vem uma grande surpresa.  Apesar de muito jovens, a bela Elisha e o tímido Jesse, têm uma filmografia que inclui mais de 20 trabalhos cada um entre cinena e TV.

          Entretanto, a história romântica vivida pelos dois, não vou tirar o prazer de que a descubras, tu mesmo (a), no google ou nas locadoras. É de mexer com os corações mais duros,  e de roubar lágrimas de todas as que ao filme  assistirem.

         É, os tempos passam para todos nós. Mas as  coisas bonitas ficam. Alguém, numa poesia que escrever, num romance que editar, num filme que produzir, vai remeter-te ao sensível e profundo mundo do amor, do sentimento, da percepção romântica. Eu, estou nessa há muito, muito tempo...

Euclides Riquetti
02-07-2012


domingo, 1 de julho de 2012

Natureza Colossal

Eu amo as plantas verdes de meu vale
Os belos girassóis, os cândidos cinamomos
Contemplo as águas dos riachos e das sangas
Que vagam entre as pedras rumo ao rio.

Encanto-me com os pássaros que cantam
E as borboletas entre as flores coloridas
Me perco em  ver crianças que sorriem
Com seus rostos inocentes  feitas anjos.

Admiro os jovens belos e sadios
Que buscam ideais de vida pura
A nobreza da alma das pessoas
Os rostos que irradiam muita alegria.

A  natureza  é a vida plena , é colossal.
É a dança harmônica do Universo
Que se move consoante a grande orquestra
Sem rimas, só com notas musicais.


Euclides Riquetti
01-06-2012

Cruzeiros em Canasvieiras?



          Conheço Cansveiras há quase 30 anos. A bela e então pouco poluída praia de Florianópolis tinha, na década de 1980, alguns prédios, casas e pousadas. Alguns restaurantes meio acanhados e poucas  "barracas" perto do mar, onde costumavam batucar um samba, tomar umas caipirinhas, umas cervejinhas. umas "cubra-libres". Reuniam-se, ali, pessoas das mais variadas procedências, já despontando os argentinos como principais frequentadores. Lembro que a família Bonissoni/Goulart tinha residências ali para aluguel, o Ênio e o Ernâni falavam-me sobre isso.

          Adiante, vinham as notícias de que o "Doutor Sócrates" (Corínthians) e seu irmão Iraí (São Paulo), tinham casa perto do mar, construíram uma rampa para levar a lancha até a praia e foram notificados a rtetirá-la por causa dos danos ao Meio Ambiente. Também, falavam muito do metalúrgico Lula da Silva e de Vicentinho, seu sucessor na liderança sindical metalúrgica, Líder da CUT,  que ali compareciam para "recarregar as baterias",  após as greves que lideravam. Um virou Presidente e o outro, Deputado.

          Mas, ao longo dos anos, a bela baía foi sendo ocupada por toda a sorte de gente, a maioria de boa índole, mas também por muitos malandros e "malas". Projetaram para o local um shopping que não deu certo, um Centro de Eventos que levou uma grana alta e que não se consolidou, realizaram corridas de kart com famosos da Fórmula 1, inclusive Michael Schmumacher e Fepipe Massa atuando. Mas aquele Distrito andou mais, mesmo, pela força dos empreendedores privados, que foram construindo seus hotéis, mercados, comércios, farmácias, uns poucos pontos de recreação. Recreação, mesmo, só a praia...  (Vamos omitir-nos de falar dos cães que campeiam por ali!!)

          Em todas as primaveras e verões, observam-se as escunas Piratas deslocando-se para ilhas próximas, para pontos turísticos históricos, levando gente para passar algumas horas em lugares diferentes. ( O que não anima muito é ver que as músicas utilizadas para animação da galera são sempre as mesmas, ano após ano, e até as piadas se repetem. É programa para uma única vez.

          Entre 2007 e 2009, observamos alguns navios fundeados na baía, os barcos trazendo turistas para o trapiche, e estes espalhando-se pela ilha/capital, outros passando algumas horas por ali mesmo, almoçando, gastando uma granona  nas imediações.

          Todo esse intróito de minha prolixidade vem para dizer que li, no DC de ontem, que  poderão ser criandas  novas rotas de cruzeiros para a Ilha, que a italiana MSC poderia estar muito interessada em investir um pouco na melhoria do trapiche (aquele ali, de onde saem as escunas, em Canasvierias), para que os turistas pudessem acessar à praia. Os interessados (brasileiros), falaram em alargar o trapiche, outros argumentaram que isso causaria "demandas ambientais", etc., etc. (A MSC é dona do "Armonia" e do "Musica", entre outros, que foram notícia pela perda das tripulantes, respectivamente  Fabiana dos Santos Pasquarelli, em 17/02/2012, acometida da Ingluenza "B", e Camilla Peixoto Bandeira, em 10/01/2010, estrangulada com um lençol...).

          Ora, leitor (a), é de rir quando se ouve tanto alarde (há mais de 10 anos), sobre a estrutura que precisa ser disponibilizada para que os navios busquem a "mais bela ilha" do Brasil, as maravilhas naturais que nossas mais de 50 praias oferecem.

          Só para mencionar algo, quem já esteve em Ilha Bela ( próximo a Santos), pode ver quão fraca é a estrutura lá disponível, e os navios da MSC, da Concórdia e da Royal Caribean (Splendour of the Seas), estão sempre por lá. E a "bagunça" que é a chegada a Salvador, a espelunca que é o Elevador Lacerda e todas aquelas barracas na parte baixa da Capital Bahiana, entre o ponto de desembarque e a ida para o Pelourinho. E quantos bêbados dormem embaixo das árvores, em Maceió, e que seus equipamentos históricos estão sempre fechados, simplesmente porque não há quem os abra, ou porque estão fazendo alguma reforminha.

          Nós, catarinenses, temos a mania de colocar nossas riquezas naturais e históricas abaixo que que elas representam na realidade. Achamos que somos uns "malpreparados", isso e aquilo. E acabamos pondo-nos numa imagem ruim. E isso é uma pena...

          Mas, voltando à questão dos Cruzeiros, Canasveiras é, sim,  um lugar dos melhores para receber os grandes navios, que podem trasladar os turistas para a praia em suas "tenders". E olha que há, na Ilha, muitos atrativos que os outros estados e cidades não oferecem: Logo ali, perto, Jurerê Internacional e Daniela e os fortes; Praia Brava e Costão do Santinho, no Leste;  Um shopping que (Floripa Shopping", que você chega em 20 minutos. Uma área central com muitos pontos históricos que você chega em meia hora. Uma Lagoa da Conceição, uma São Francisco de Lisboa, uma Joaquina... uma bela ponte histórica... Bah, acho melhor parar. Mas, os invstimentos públicos, são irrisórios perto do volume de dinheiro que os visitrantes deixarão aqui.

          E ainda não podemos esquecer da importânbcia que tem a duplicação da Rodovia que liga o Norte ao Centro, e que já na "Semana dos Uruguaios", em abril último, nos deixou muito contentes por não precisarmos ficar estressados quando a utilizamos. Certamente, este empreendimento, a Rodovia duplicada, foi o melhor que as autoridades fizeram para os turistas e os nativos, na última década. Mérito para o atual Governador, Colombo.

          Então, todos esses diirigentes que gostam de participar de evntos em Buenos Aires, Montrevidéo, Nova York, Roma, e em muitos lugares do mundo, para falar de nosso Turismo, será que não tiraram um tempinho razoável para sentar junto aos proprietários das grandes armadas e mostrar quão é viável, para o Turista, chegar a nossa Ilha da Magia? Quanto ele pode curtir aqui?

          Como diria aquele comentarista da madrgada do SBT, o negócio é ir "direto ao  assunto": Fazemos investimentos que demandam muito dinheiro e deixamos de fazer o "básico". Mas, vamos torcer para que venham o que chegam pelo mar, que não causam muita confusão em nossas pontes!

Euclides Riquetti
01-07-2012