sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Duas perdas < Ivo Luiz Bazzo e Alcedir Bebber

          Ontem, 11 de outubro, perdemos duas pessoas que muito admirei em minha vida, Ivo luiz Bazzo e Alcedir Bebber. O Bebber faleceu pela manhã, e o Sr. Ivo ao final da tarde. Eu estava em casa depois de meu trabalho em Ouro quando recebi algumas chamadas de amigos relatando a morte do amigo Ivo e retornei para o Ouro. Ao chegar, enquanto esperava na Câmara Municipal a chegada do corpo dele, o amigo Shirlon me informava da perda do Alcedir. Consegui ver ambos, voltar para casa e, poucas horas depois, sair para Cascavel para o Encontro dos Riquetti e Richetti. Estou escrevendo num computador do Hotel e substituindo  algumas palavras porque o teclado nâo me obedece. Estive no local da reunião e reencontreri muitos parentes que ainda nâo conhecia.

          Ao retornar para casa deverei escrever algo sobre os dois amigos que perdemos num mesmo dia. Posso dizer que, neste dia consagrado a Nossa Senhora, eles devem estar muito bem em seu novo Lar, pois seus exemplos e amor aos familiares os credenciaram a um belo lugar junto a Nossa Mãe e o Grande Pai Celestial.

          Aos familiares,  nosso mais sentido pezar e o desejo de que Bebber e Bazzo sejam felizes na Eternidade.

Sinceramente,


Euclides Riquetti
Cascavel, 12 de outubro de 2012.


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Hebe Camargo - Marcando Território no Céu

          Passou-se mais de uma semana desde que Hebe Camargo chegou ao céu. O pessoal de lá, todos aqueles anjos de rosa e de azul enfileirados abriram passagem para que nossa Eterna Diva passasse até chegar ao grupo dos de branco, onde ela bateu uma boa caixa com o Anízio. O Anízio estava maravilhado com a chegada da Hebe, rendeu-lhe mensuras e mesuras, queria mais selinhos do que a cota que a  Hebe tinha reservado para ele.

          Os anjos, todos, vestidos nas cores já mencionadas, estavam um tanto receosos com a presença da ex-apresentadora, agora candidata a anja. Diziam que ela estava tendo privilégios, como tinha com o Sílvio Santos, quando trabalhava no SBT. Mais  privilégios que ela teve,  só mesmo os do Romário no Vasco e os do Imperador Adriano no Flamengo, onde tem a proteção da Patrícia Amorim, a vereadora-presidente que não conseguiu reeleger-se.

           São Pedro, o Peter, alertou-lhe: "Hebe, gosto muito de você, mas não posso dar demonstração disso aqui no paraíso, porque as pessoas vão reclamar. O Jesus, que viveu há 2.000 anos, disse que vai registrar isso num papiro e pendurar lá naquela árvore bem antiga, aquele pé de maçã que causou tanta confusão com aquele casalzinho, o mais antigo daqui, o Adão e a Eva. Todo mundo que aqui chega dá uma passadinha para ler o que tem de recado e folhetins publicados naquela árvore".  Hebe não se importou muito com isso e apenas respondeu-lhe: "Que gracinha!!!" - São Pedro ficou sem palavras.

          Mais adiante, perguntou ao Santo sobre uma amiga que ali chegou em 2008 e de que tinha muitas saudades, pois a enttrevistara muitas e muitas vezes em seus programas. Aquela mesma que,  em 1991, no Carnaval Carioca, desfilou pela Viradouro e, com 74 anos, vestiu uma deslumbrante fantasia de um vermelho de seda com detalhes prateados, com os seios à mostra. São Pedro disse que, por essas e outras, a Dercy Gonçalves estava alojada num departamento em separado, para onde vão aquelas pessoas que tinham pecados,  mas que eram pecados "meia-boca", que deixavam as pessoas escandalizadas mas, por outro lado, deixavam muitos velhinos  bem felizes. E, já pensou, se ela saíse por lá mostrando os peitões, o que iriam dizer?  E, se encontrasse o João Paulo II, o que ele iria pensar?  Então, como purgatório era uma pena um tanto pesada para ela, que sempre fez o bem aqui na Terra,  criaram um "hall" para ela ficar, lá junto com outras, mas que logo elas vão ser retiradas dali e o "departamento" vai ser abolido, pois vai ter uma reforma administrativa, que  ainda não foi possível de se por  em votação, porque  Assembleia dos Anjos não se reuniu ultimamente,  todos estavam de olho em outras eleições, no Brasil, na Venezuela e nos Estados Unidos. Hebe disse entender bem dessas coisas e que as duas primeiras já se foram, que as acompanhou no seu iPhone 5, e a última ainda não aconteceu. Apenas quis registrar, numa postagem, que lamentou muito que o coleguinha Russomano não tivesse chegado ao segundo turno em Sampa,as mas que o Serra e o Haddad também são bons. Estava radiante porque o filho do amigo Ratinho, do SBT,  fora para o segundo turno em Curitiba. Mas, o que mais a impressionou, foi ver que o Ronaldinho Gaúcho fez três gols pela Atlético Mineiro sobre o Figueirense, no sábado. Acha que o Mano poderia levar ele de volta para a Canarinho, como fez, agora, com o Kaká, seu antigo "queridinho".

          Como prêmio de consolação, por não ter podido ver a Dercy, o Santo permitiu que ela desse um selinho no Jota Silvestre e no Flávio Cavalcanti, colegas que a abandonaram ainda antes que ela inventasse o tal, mas não era para deixar que os outros vissem, para não causar ciumeira. Era para ir ali, meio ao lado, e quando ninguém estivesse olhando, tascasse os selinhos.

          Hebe está encantada com o que está aprendendo e vendo no céu. Os métodos, a organização disciplinar, em muito superam os nossos costumes. O que ela viu de mais interessante, por lá, e que aqui também praticam, fartamente, foi o "jeitinho brasileiro". Com um sorrisinho aqui e outro ali, vai poder divertir-se muito. Que gracinha!!!


Euclides Riquetti
08-10-2012

domingo, 30 de setembro de 2012

As Primeiras Impressões de Hebe Camargo no Céu

          Hebe Camargo  chegou lá no andar de cima no final da tarde do último sábado de setembro de 2012. Fora um setembro bem diferente dos demais. No Sul do Brasil ocorrera neve e geada na última semana do mês. A geada negra queimou folhas e brotos das videiras e outras frutas em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Vamos ter menos vinho para beber no próximo ano.

          Estava muito curiosa nossa Diva,  pois nunca estivera lá antes. Havia muitas coisas diferentes. Não havia aqueles montões de concreto, aço e  vidro que aqui chamamos de prédios. Nem aqueles bólidos que soltam fumaça num cano lá atrás, que dizem ser por causa do combustível que eles queimam para poder andar.

           Apresentou-se, inicialmente a Saint Peter, um Senhor que carregava um molho de chaves grandes, daquelas bem antigas, de ferro, inventadas quando ainda não se conhecia o aço inoxidável. Este ficou muito contente em receber aquela Senhora sorridente, com os cabelos bem arrumados, trazendo flores vermelhas colombianas consigo. Hebe foi logo roubando um selinho do Santo Apóstolo e ganhou a confiança dele. Viu que alguns o chamavam de Pietro, outros de Pedro. Ficou curiosa,  pois também o chamavam por outros nomes, em outras línguas, que ela nunca se importou muito em aprender aqui na terra. Sabendo o que se usasse no SBT, em Miami ou em Veneza, chegava. Mas concluiu que aquelas línguas diferentes deveriam ser dos países orientais, onde as línguas são bem diferentes das nossas. Só que lá no céu não tem esse negócio de que quando aqui é meio-dia, lá é meia noite. Lá sempre tem luz, porque quem lá chegou é gente iluminada e, por eles só, já são autosuficientes em energia.

          Hebe ficou contente porque Mister Peter abriu logo o portão de entrada e encaminhou-a para um setor bacana, onde reencontrou a Nair Bello e a Wilza Carla, aquela que explodiu na Saramandaia. Foi abraço daqui, abraço dali, selinho aqui, selinho ali e muita alegria. Alegria mesmo! Seu marido, vai encontrar somente nos próximos dias, porque os homens estão todos de castigo por lá, porque só ficam falando de futebol e vaiaram muito o Mano Menezes nos jogos em que não fomos muito bem. Então, ficam de castigo e não podem receber as pessoas novas que lá chegam.

          Mas Hebe, com aquele seu jeitinho especial, disse ao Peter que estava com muitas saudades de alguns e que nem todos deveriam ser punidos por questões banais. Então,  contou-lhe o Peter que nesta semana recebera o Ted Boy Marino, o antigo lutador, que tinha muito crédito lá no céu, porque levou muita pancada do Jóia - o psicodélico nos tempos do Telecatch Montilla, das TVs Excelcior e Piratini. Tinha arrumado um lugarzinho bem legal para ele, junto com o Zacarias e o Mussum, dos Trapalhões. Ficaria um trio, com um bem moreno, um loiro e outro intermediário. Iam mostrar que no Brasil as pessoas estão acima das desiguldades raciais.

          Nossa apresentadora achou tudo isso muito interessante, disse que se, na política, também usassem o bom senso e o entendimento, o respeito aos outros, muita encrenca seria evitada.

          Mas tinha uma grande curiosidade, que precisava ser satisfeita de imediato: Precisava reencontrar o Jota Silvestre e o Flávio Cavalcanti. São Pedro coçou a barba e disse: "O Silvestre até que é mais fácil, está na ala dos anjos vestidos de azul, que são os que foram mais dóceis na Vida Terrena.  Mas o Cavalcanti, por ter arrumado muita encrenca, está na ala dos que vestem rosa. Precisamos pensar em um modo de fazer com que você os veja. Mais uma vez pestanejou, recoçou a barba e encontrou uma solução. Ordenou a uns anjos que o assessoravam para que reunissem a tropa em filas, conforme as cores de seus vestidos: os de rosa ficariam perfilados  à esquerda; os de azul á direita. Os de branco, lá na frente, olhando para a Hebe e o Chaveiro. E foi explicando: Os que vestem azul, o fazem porque á uma cor próxima do verde, a cor da esperança. São aqueles que ficaram a vida toda dando esperanças  aos brasileiros: tem ali o Dilson Funaro, que com seu Plano Cruzado queria nos ajudar mas não conseguiu, o Pedro Collor (que só conseguiu lugar aqui porque credenciou-se dedurando o Fernando), e, no futuro, haverá lugar para seu patrão o SS, que tantas vezes abriu as Portas da Espenaça para os brasileiros, em seu programa dominical. Tem também o Mário Andreaza, o Médici, o Geisel e outros que você conhece. E, em meio a eles, lá estava o Jota Silvestre, colega da Hebe, fazendo um programete de auditório. Perguntava: "Quem foi o Pai dos Trabalhadores Brasileiros?"   Um trabalhador anônimo, carteira assinada, respondia: "Getúlio Vargas!"   E O Silvestre, com seu bordão conhecido, afirmava: "Absolutamente certo!!!". E, depois, ressaltando que "O Céu é o Limite", encorajava o participante a continuar a responder perguntas.

          Na fileira rosa, da esquerda, alguns que deram muito serviço aos milicos. Explicava Peter que o rosa é a cor mais próxima da vermelha e que os que tinham "uma certa tendência revolucionária", então, eram instados usarem vestidos rosa, a ficarem do lado esquerdo. Ali estava o Flávio Cavalcanti, que uma vez teve seu programa tirado do ar porque enalteceu uma atriz que tinha ideais não compatíveis com os do Poder. O Flávio havia quebrado muitos discos "long plays" do Teixeirinha e do Valdick Soriano em seu "Programa Flávio Cavalcanti!, porque dizia que suas músicas eram umas porcarias e que não mereciam ser gravadas. Mas, porque foi considerado um homem justo, teve o céu assegurado.

          Hebe e  Peter foram passando em meio às fileiras de anjos rosas e azuis e se aproximaram dos brancos. Lá avistou Aírton Senna e, após o selinho, disse-lhe que a tia Viviane lhe mandara um forte abraço. E lá estava o antigo amigo Chico Anízio, com uma camisa branca e uma faixa diagonal preta, com uma cruz de malta encarnada bem próxima do coração. Chico era exceção, podia usar alguns detalhes que não fossem brancos, pois chegara recentemente e se tornara um pouco rebelde, disse que nos primeiros meses precisava ficar com a camisa do Vasco, porque era supersticioso e, naquele momento, o Vasco estava ganhando do Figueirense por 3 a 1, com grandes jogadas de Dedé e Juninho. São Pedro deu uma colher de chá pra ele. Se o Jô Soares já estivesse lá com eles, dar-lhe-ia  uma caneca daquelas do Jô!

          Deu pra ver que Saint Peter era bastante complascente, abria exceções, deixava os anjos muito à vontade, desde que cumprissem com suas obrigações, que era não cortar árvores, comer frutos e depois colocar as sementes e cascas nas composteiras, fazer a "sustentabilidade" do céu. Não precisavam de luz elétrica, a natureza lhes oferecia tudo e, melhor que tudo, os animais não atacavam ninguém. Nem o Leão da Receita Federal tinha qualquer poder por lá, mesmo porque lá não se tem salário.

          A nossa Diva foi olhando tudo, aprendendo tudo, maravilhando-se com tudo. Depois, pegou ser I-phone 5 e, já domingo, viu o Padre Marcelo celebrando sua Missa de Corpo Presente, depois o Pelé, a Dilma, o Lula e muitos artistas acompanhando seu enterro lá no Morumbi. Ficou muito satisfeita com o novo brinquedo eletrônico e disse que poderá ser acessada, logo, logo, através do www.blogdahebenoceu.blogspot.com  - Ah, e teve o selinho do patrão, Sílvio Santos também!

Euclides Riquetti
30-09-2012

      

         








sábado, 29 de setembro de 2012

Ídolos - Hebe Camargo

          O Brasil perdeu, nesta tarde, a Primeira Dama da Televisão Brasileira. Hebe Camargo, a  Hebe Maria Monteiro de Camargo Ravagnani,  primeira mulher a trabalhar como apresentadora de TV no Brasil, atuou  na área artística  como atriz, cantora e apresentadora  durante mais de 60 anos. Na juventude, os cabelos deram lugar aos loiros, marca com a qual ficou identificada junto aos telespectadores brasileiros.

         Ao final da década de 1960 e início da de 1970, Hebe  dividia a liderança da audiência dentre o apresentadores de TV no Brasil com Jota Silvestre e Flávio Cavalcanti, através da TV Tupi. Jota Silvestre apresentava "O Céu é o Limite" e usava o bordão "absolutamente certo!" Isso quando as respostas dos interrogados em busca de prêmios se configuravam como certas. Já Flávio Cavalcanti, que costumava quebrar discos durante seus programas, de generos musicais de que não gostava e considerava bregas, dentre os quais o do cantor Valdick Soriano e do Teixirinha, foi o criador da expressão "fora de série", até hoje utilizada para designar coisas que se diferem  das demais.

          Nós costumávamos vê-los através da TV Piratini, de Porto Alegre, que retransmitia, com a tecnologia disponível da época, em preto e branco, para Rio Grande do Sul e Santa Catarina.  Sabíamos que na TV Globo um apresentador chamado Sílvio Santos, cujo nome verdadeiro era Senor Abravanel, fazia sucesso em seus programas de auditório, mas só sabíamos disso porque líamos nas revistas de fotonovelas "Contigo", "Ilusão", "Capricho" e, mais adiante, na colorida "Sétimo Céu".

          Mas, nos sábados à noite, era a Hebe Camargo que adentrava os lares brasileiros, com seu sorriso bonito, seus cabelos bem tratados, sempre elegantemente vestida em suas roupas e em seus modos. Os adereços e adornos  também eram cuidadosamente escolhidos, sendo sempre uma apresentadora impecável. Sua linguagem, simples, de fácil compreensão pelos brasileiros, ajudava a atrair grande audiência.

          Os primeiros contatos que tive com a imagem da Hebe na TV foram no Bar do Canhoto e no Bar do Arlindo Henrique, em Capinzal, quando íamos, eu e amigos, tomar um cafezinho e jogar um dominó, mais com o intuito de ver televisão, algo que não tínhamos em nossas casas. Meu colega, Altivir Souza, dizia que a Hebe tinha o jeito e a voz da Dona Valdomira Zortéa, nossa professora. Tinham o mesmo timbre de voz, o mesmo jeito amável de tratar as pessoas.

          Milhares e milhares de artistas brasileiros passaram a ser conhecidos do público através do "sofá da Hebe", onde os deixava muito à vontade e costumava incitá-los a abrir sua intimidade, dividirem-se com o o público que os via. Passava muita confiança nos entrevistados, tinha muita habilidade em conduzir as entrevistas, em promover a interatividade entre os presentes em seus programas. Ainda, costumava colocar suas posições políticas de maneira clara, pouco se importando se estava contra ou a favor das tendências em dados momentos.

          Hebe, que trabalhou na Tupi, na Bandeirantes e no SBT durante a maior parte de sua carreira, lutou contra um câncer nos últimos três anos. Deixou-nos hoje, aos 83 anos.

          O Brasil reverencia, hoje, a memória da Diva de nossa Televisão Brasileira.


Euclides Riquetti
29-09-2012

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Ídolos - Ted Boy Marino

          Em nossa adolescência temos um predileção por colecionar ídolos. Há os do futebol,  do automobilismo, do cinema, da política, da música. Em minha juventude, também tive alguns em especial. Primeiro foi o Pelé, que era quase que a unanimidade de minha geração. Admirei John F. Kennedy pela maneira com que apresentava ao mundo sua condição de estadista democrático. No automobilismo, Emerson Fittipaldi, nas letras Jorge Amado, influenciado pelo Gilberto D ´Agostini, o "Mora", que me sugeriu ler o "Capitães D´Areia". No cinema, havia muitos, e muitas (Kirk Douglas,  Giuliano Gemma, Gina Lolobrígida, Brigitte Bardot, Claudia Cardinalle...). Na música, Paulinho Nogueira, instrumentista, e Ronie Von, cantor, além de Caetano Veloso, com sua "Alegria, Alegria", caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento...

          Mas, na TV, no final  da década de 1960, meu ídolo era um lutador de Telecatch, da TV Excelsior e apresentado também na Rede Tupi, através da TV Piratini, de Porto Alegre, que nos trazia os espetáculos no sábado à noite. Ted Boy Marino, o Mário Marino, que nasceu na Calábria, ao Sul da Itália, e que viveu sua juventude na Argentina, encenava lutas num bando de "bons e maus", até malvados lutadores do catch. E nós vibrávamos com eles. Discutíamos com os mais velhos, com o Tio Arlindo Baretta e o Olávio Dambrós,  que diziam que aquilo tudo era fingimento, marmelada para enganar nós, trouxas. E nós, teenagers na época, revidávamos, diziamos que eles tinham inveja, não sabiam nada de luta nem de TV.

          Quanta inocência e ingenuidade a nossa! Mas que boa a nossa inocente e pura ingenuidade, que nos enche de saudades...

          Depois, na maturidade, vamos descobrindo todas as enganações que podem ocorrer no mundo da recreação, onde a suprarrealidade está mais presente do que a realidade.  E que as brigas protagonizadas na TV pelo Verdugo, Jóia - o psicodélico, Fonatomas, Aquiles, Rasputim Barba Vermelha e La Múmia eram apenas números artísticos impecavelmente ensaiados, que ninguém apanhava, ninguém levada pontapés e socos de verdade. Alguns dedos nos olhos também eram pura enganação, afinal tinha tanto chuvisco na tela que nem com bombril amarrado na antena se podia ver direito.

          Mas, que o Ted Boy Marino nos emocionou muito, ah, tenho absoluta certeza, emocionou. Pelo menos a mim, ao Altivir Souza, ao Ademir Mantovanello, ao Moacir Richetti.

           Ted Boy  Marino, que além de lutador foi apresentador de TV e integrante de "Os Trapalhões",  deixou-nos ontem, dia 27-09-2012, após parada cardiorrespiratória em uma intervenção  cirúrgica. Vai com Deus, meu ídolo de juventude!

Euclides Riquetti
28-09-2012

         

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Preciso

Eu preciso do vento que vem do mar
Preciso da lembrança para me embalar
Preciso do sol nas tardes e manhãs
Preciso de ti nas tardes e manhãs
E no sonho tenro que a noite me traz.

Preciso afirmar minhas convicções
Rever conceitos que me vêm e apago
Conter meus impulsos e frear emoções
Preciso do alento de teus afagos...

Sou como a mão que alinha tijolos
Dispondo-os siametricamente
Como o profeta que prediz os sonhos
Sonhadamente
Como poeta que empilha versos
Livremente, harmoniosamente!

Mas preciso de ti para formatá-los
E só para ti lê-los decerto
E só tu os ouças por certo.
Preciso...

Euclides Riquetti
24-09-2012





Poemar

Fui poemar
Fui rabiscar umas letras
Na beira do mar
Fui poemar.

Poemei versos rimados
Poemei poemas e poemetos
Compus poemas em tercetos
Tentei alexandrinos compassados...
Compus o que a alma me pediu
Compus o que meu coração permitiu
Mas compus!

Fui poemar
Numa manhã com sol.
Encontrei nuvens chuvosas
Ondas volumosas
Gaivotas que voavam,  ruidosas
Pranchas que surfavam, silenciosas.

Fui poemar
Lembrei, poemei, amei
Amei, lembrei, poemei
Poemei olhando pro mar
E encontrei você
No meu imaginar
Lá no mar...


Euclides Riquetti
24-09-2012

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Vigésima Segunda Crônica do Antigamente

          Buscar conhecimentos em cidades maiores sempre foi uma aspiração das pessoas das pequenas cidades. Na década de 1960, quando passei a entender o porquê disso, já muitas pessoas de minha cidade natal, Capinzal, buscavam cursar o antigo Colegial, hoje Ensino Médio, em cidades como Porto Alegre, Passo Fundo, Curitiba, Florianópolis, Ponta Grossa e Porto União. Para esta última cidade sei que foram, bem antes ainda, por exemplo, os saudosos Irineu Maestri e Élea Panis, esposa do Valdomiro. Ali havia bons colégios, como o Santos Anjos e o São José, o primeiro administrado por freiras, o segundo por freis.

          Bem jovem, o Dr. Vítor Almeida foi para Florianópolis, os Macarini para Curitiba. Em  Curitiba, Eulésia e Euclair Brambilla, capinzalenses, davam guarida aos conterrâneos, oportunizando-lhes empregos e incentivando-os aos estudos. Já na década de 1970, anualmente, dezenas de jovens saíram para o Colégio Agrícola de Ponta Grossa, dentre eles o Alcebides Baretta, meu Primo, que lá está até hoje, sendo galgado, inclusive, à condição de Diretor.  Mas as grandes levas sucederam-se para Curitiba, primeiro, e depois Florianópolis, onde passaram a frequentar o antigo "Científico", realizaram os exames vestibulares e ingressaram nas Universidades, principalmente na Federal, por ser pública, gratuita, e com excelência nos cursos oferecidos. Engenharia Civil, Medicina e Direito eram os cursos mais procurados. No período de exceção, reduziu-se a procura pela Direito, retomada ao final da  década de 1980.

          Meu sonho de jovem também era buscar uma formação profissional em nível universitário, sonhava com duas alternativas possíveis: tendo cursado o Técnico em Contabilidade, em Capinzal, buscaria estudar Economia, possivelmentre em Lages, que era a cidade mais próxima onde esse curso era oferecido, ou iria para uma Capital estudar Inglês por 2 anos e depois iria para os Estados Unidos onde ficaria entre seis  meses e um ano, praticando a Língua Universal. E, após isso, iria trabalhar em empresas de exportação e importação, ou mesmo na área do Turismo, esta ainda incipiente no Brasil, pois vendiamos uma imagem de miséria e desolação para o exterior, mostrando nos nossos noticiários apenas cenários das favelas das grandes cidades ou os flagelos nordestinos.

          Como eu costumava dividir os sonhos com amigos e com meu pai, Guerino, este deu-me um rumo: Vá cursar uma faculdade para ser professor, que você não vai ganhar muito dinheiro com isso, mas vai ter emprego sempre. Depois, conforme tudo for acontecendo, você escolhe que caminho trilhar. Meu pai e eu éramos amigos do Teófilo Proner, um ex-seminarista, natural de Lacerdópolis, que veio lecionar em Capinzal e Ouro, no Mater Dolorum, no Nossa Senhora dos Navegantes (hoje Sílvio Santos) e no Juçá Barbosa Callado, em anexo ao Belisário Pena. O Teófilo aconselhou-me a ir para Porto União da Vitória, onde havia o curso de Letras/Inglês, e eu poderia estudar aquilo que pretendia e depois voltar para a cidade natal, ou redirigir meus rumos. Achei a ideia interessante, iria para o Porto, arranjaria alguma forma de trabalhar durante o dia e estudar à noite, faria meu curso superior.

          Dei um jeito de comprar uma calça Lee, "importada",  peça indispensável para qualquer estudante universitário naquela época. Comprar uma "Lee" custava os olhos da cara, mas eu consegui convencer um amigo, o Adelir Paulo Lucietti, a vender-me a dele. Paguei uma nota preta, soltei a barra, alarguei-a, tornando-a uma autêntica "boca-de-sino", que era a onda dos anos 70. Cabelos compridos, calça desbotada, boca de sino, camisa xadrez ou uma camiseta "University of Chicago ou University os Caliphornia". Depois, era conseguir uma jaqueta "US Army", ou "Marinner". Resolvi isso com umas jaquetas que o  cabo Leoclides Fraron conseguiu para mim no 5º BE, o Batalhão de Porto União, comandado pelo Coronel Ricardo Gianordoli, e que eram dos lotes descartáveis. As jaquetas tinham seus botões oficiais do Exército retirados e podiam ser usadas por nós. Era para tingi-las de preto, mas a onda verde-oliva era muito forte e gostávamos de usar nessa cor.  Mandei uma para meu pai, que recusou-se a tingi-la e, com orgulho, a usava para ir lecionar no Grupo Escolar Nossa Senhora dos Navegantes, onde tornou-se Diretor.

          E fui como Teófilo para Porto União, hospedei-me no Hotel Central, inscrevi-me no Vestibular, fui aprovado "na gataria", matriculei-me e transferi-me para aquela cidade, esutando na Fafi, em União da Vitória.

          Cheguei a uma cidade histórica, importante por ser um entroncamento ferroviário, um dos palcos da Guerra do Contestado. E, poucos dias antes, o Ministro dos Transportes, Mário David Andreazza havia inaugurado a Rodovia que ligava-nos a Curitiba, passando por São mateus do Sul e Lapa. Fiz grandes amizades e ali vivi por cinco anos. Brevemente, vou referir-me a minha "República Esquadrão da Vida", a meus estudos na Fafi e ao meu trabalho na Mercedes-Benz, do Jorge Ricardo Mallon.


Euclides Riquetti
12-09-2012
         

         


      

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Vigésima Primeira Crônica do Antigamente

          No início da década de 1980,  o futsal e o futebol de campo estavam efervescentes em Capinzal e Ouro. Na anterior, havia sido inaugurado o Ginásio Municipal de Esportes na área central da cidade de Ouro. Foi construído pelo Prefeito Adauto Colombo. Mais adiante, no início dos anos 90, batizamos de Ginásio André Colombo, numa homenagem ao pai do Adauto, uma pessoa respeitada na sociedade ourense, pela sua biografia. Apelidaram o Ginásio de Abobrão, porque nós, moradores do Ouro, éramos os "abobreiros", enquanto os capinzalenses, que costumavam chamar-nos de argentinos, éramos os proungueiros. Até mesmo por isso, tinha a cor de uma amarelo abóbora. Éramos abobreiros assumidos e identificados.

          Em 1982, após alguns anos de muito trabalho, conseguiram concluir do Ginásio de Esportes de Capinzal, maior, com mais metros e lances de arquibancadas. Foram muitos jogos, muita festa. Alguns apelidaram o mesmo de "Lesmão", porque houve demora na construção. Outros o chamam de Diletão, aumentativo de Dileto, o Prefeito que o idealizou e construiu. Devemos reconhecer e aplaudir o ato do amigo Dileto, pois tinha uma visão de futuro diferenciada, construindo uma obra compatível com o volume de praticantes de esportes em Capinzal e de adeptos dos jogos de quadra. Nós, do Ouro, demos um troco a eles: Apelidamos o seu ginásio de "Porungão", pois como eles nos chamavam de abobreiros, nós lhe devolvíamos de "porungueiros", então o ginásio deles era o Porungão.

          Nas festividades de inauguração, houve um jogo entre a CME de Ouro e  a de Capinzal, em que nós, do Ouro, aceitamos jogar com os de Capinzal mesmo sabendo que iríamos levar de goleada, pois eles treinavam há muito tempo. Ah, eu "jogava" na condição de Diretor Esportivo da CME, já que minha bola não tinha tamanho suficiente para estar no meio das feras. Acabamos vencendo o jogo com o Celito Andrioni de goleiro, o Matté, o Adônis, o Zanini, o Mídio, o Amantino Garcia, o Irenito Miqueloto de treinador. Time improvisado, ganhar foi motivo de grande comemoração.

          Mas, algum tempo depois, a Perdigão, de Videira, tinha um timaço de futsal. Era a base da Seleção Brasileira, e esta, diversas vezes campeã mundial de futsal. Somente alguns anos depois é que outros países, como a Espanha, conseguiram "encostar" no Brasil. Os astros maiores eram Jackson e  Douglas, que recebiam salários altíssimos e eram as verdadeiras feras, os "top" do futsal brasileiro e mundial. Equivaliam ao atual Falcão, ou ao já aposentado Manoel Tobias.   E, por uma gentileza do Altair Zanchet e dos Brandalise, Capinzal recebeu o time da Perdigão. Lembro-me que o Maurício Dambrós "fez chover" na quadra e o resultado acabou sendo 3 a 2, não sei pra quem.
          Mas, o acontecimento da noite, não foi o jogo memorável, com a presença daqueles astros de fama internacional no "Porungão". O grande espetáculo,  aconteceu no intervalo do jogo. As pessoas que compravam ingresso, guardavam-no e houve um sorteio em que algumas pessoas, sorteadas, iriam tentar fazer a "cesta de ouro", arremessando uma bola do círculo central da quadra, para atingir a cesta do basquetebol. Quem conseguisse o feito, ganharia uma Bicicleta. Ou seria uma TV? Ah, mas isso pouco importa, importa-me, sim, a sequência dos fatos, a vibração que um deles  provocou nas mais de duas mil pessoas que se encontravam naquela praça esportiva.

          Foi quando adentrou na quadra um menino de baixa estatura, óculos fundão de garrafa, boné de lã na cabeça,  sapato de couro   (ou seria botina), jaqueta, enfim, um sujeito todo enrolado na roupa, chamado Tuto. Sim, ele mesmo, o Fábio Carelli, irmão da Édila, filho do Tito Carelli e da Ires Gavazzoni. Pois não é que o Tuto, sob o olhar tenso  da galera, posicionou-se bem no centro da quadra, deus três quiques com a bola ao chão e "JUMP"!!!... , a bola passou o arinho circular, afundou-se na redinha lateral e  foi quicar novamente no piso da quadra, sem mesmo bater na tabela, sem mesmo raspar no aro de ferro. Ah, a galera foi à loucura. Os locutores da Rádio Capinzal, dentre eles o Álvaro de Oliveira, ficaram embasbacados. Não sabiam o que dizer... Os jogadores, que estavam voltando para a segunda etapa, imaginaram que os apupos eram para eles, sorriam... Que nada! Nosso herói era o Tuto, o Fábio Luiz Carelli, que jogava basquete e volei nos JECOs pelo Mater Dolorum, treinado pelo Professor Neivo Ceigol... Ah, que noite memorável foi aquela.  Foi o assunto do dia seguinte, da semana seguinte. Na rua, no mercado, nas rodas de amigos, só se falava no grande feito do Tuto!!!

          Já contei essa história para o Olir e o Diovan, lá da GIDUR, setor da Caixa em Chapecó, chefes do Tuto. Acho que isso até deveria render uma  promoçãozinha para o amigo, mas sei que as promoções ele conquista pela sua competência e que, na Caixa, não tem  isso de dar promoção porque o funcionário um dia foi um craque do basquete. Mas, que ele merece, ah, sim, merece. De qualquer forma, ele teve seus 15 minutos e seus 15 dias de fama. Pelo menos em Ouro e Capinzal!...


Euclides Riquetti
07-09-2012

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O Outro Sol

Há um outro sol em nossos dias, pois...
É aquele que na tarde vai embora
Que no inverno vai antes da hora
E, no verão, um pouco depois...

Termina o dia amarelado
(Embora tenha nascido avermelhado, alaranjado, ado... ado...)
Quando o céu deixa de ser azul (ado...ado...)
E se torna acinzentado
No leste e no sul.

Ah, dizem que é o mesmo que veio do Oriente
E que cumpre sua rotina de ir para o Ocidente!
Vem do Leste
Vai para o Oeste
(Eu digo que é para o Sudoeste).

Como acredito em ti
No google e no  dicionário
E nas doutrinas de Astronomia que já li
Nada posso dizer... em contrário!

Nosso Astro é um Rei
É uma divindade de escol
Cumpre, no universo, sua natural Lei:
Apenas ser um imponente astro-rei:
Nosso Rei Sol!

Sol da meia/noite lá,
Sol do meio/dia cá...

Euclides Riquetti
07-09-2012








quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O Sol Oriente

O Sol nasce vermelho no meu horizonte azulado
É a pintura divinal pelas mãos supremas  concebida
É um sol que rebenta  atrás do verde que o sustenta
E se pendura  no céu da manhã que é vinda.

O sol nasce para todos
Pra mim, pra ti, pra nós.
Difunde seus raios de fogo ao alvorecer
Recolhe-os, cansados, no meu entardecer.

E, em nossa noite, vai inundar as ásias
E, em nossa madrugada, clarear as europas
Para, pouco depois, alçando as douradas  asas
Dizer-nos Bom Dia e colorir as américas.

O sol nasce para todos
Para nós, para elas, para eles
Lírica, plana, ou ondulada etérea
A natureza viva espera por ele.

Esse mesmo sol que bronzeia peles morenas
Fere as peles alvas
Mas é nosso Sol
Com seus raios que nos abençõam, ou nos maltratam.

Nosso Rei Sol que vem do Oriente
É o mesmo que enseja  as premonições dos profetas
E que atiça a inspiração e as emoções dos poetas
É o Leste Sol que fortalece a gente.


E, na sua imobilidade
Conduz nossa mão delicada
Para, com leveza e suavidade
Desenhar sílabas, escrever palavras.

O sol que inspira meus poemas
Que apenas dita meus versos
Assim, sem nenhum estratagema
Far-me reunir os fragmentos dispersos.

E eu vou compondo meus escritos
Frases, versos, poemetos
Inspirado em seus raios benditos
Comporei, sim, eu te prometo...

Prometo pra ti...
Apenas para ti!

Euclides Riquetti
05-09-2012









domingo, 2 de setembro de 2012

Vigésima Crônica do Antigamente


          O ano da Copa de 1970 foi muito vibrante. No dia da Grande Conquista, em 21 de junho de 1970,  reunimo-nos no Bar do Valmir Pelizzaro, junto ao então Cine Glória, que antes fora dos irmãos Santini. Ali trabalhava o José Carlos Côas, o Zeca, irmão do Lourenço (Lolo), e do Carlinhos, que mora em Curitiba. o Zeca, agora, mora em União da Vitória. (Convivi com ele a partir 1972). O Bar do Cinema, como era conhecido, comportava umas mesinhas de pebolin e de mini-snooker, on de nós, menores, jogávamos com medo da Polícia e do Juiz de Menores, o José Dambrós. No sábado à noite os jovens ficavam esperando um lugar para jogar, tão concorridas eram as vagas às mesas.

          Quando o Brasil sagrou-se tricampeão, poucas famílias tinham aparelho de TV em sua casa. Cerca de quatro  anos antes, o Sr. Leonardo Goelzer empenhou-se em trazer o sinal de TV para nossa cidade. Nas eliminatórias da Copa, em 1969, já TV no Bar do Arlindo Henrique, no Bar do Canhoto, no Clube Floresta. Lembro-me bem no dia em que, em 20 de jlho de 1969, ia passando defronte à loja do Saul Parisotto, em Ouro, na sala comercial de seus sogros, Abel e Serafina, e olhando pela primeira porta vi o Neil Armstrong, comandante da nave Apollo 11,  descendo na Lua... Armostrong nos deixou na semana que terminou, aos 82 anos. (Hoje, ali, funciona  a loja RZ Parisotto).
          Só as famílias "que mais podiam" é que tinham TV em casa. Na nossa, não havia TV, nem sofá, nem geladeira... Então, a gente se acotovelava em alguns lugar, principalmente nos bares, onde pedia um cafezinho, jogava dominó e assistia TV: Telecatch Montila, ondce torcíamos pelo Ted Boy Marino e tínhamos raiva de "Jóia, o psicodélico", que era muito malvado. Ah, havia também o Verdugo, o Fatomas, e outros. E havia as noites em que a Hebe Camargo fazia seu programa de entrevistas. Meu colega, Altivir Souza, um dos "coquiarinhas", o mais jovem filho da Dona Aurélia e Seu Viriato Almeida de Souza, era meu companheiro de dominó e outros jogos, inclusive dos de azar. E ele dizia que a Hebe falava igualzinho à nossa professora, Dona Valdomira Zortéa, amável e simpática, de quem tenho as melhores lembranças. Achávamos interesante como ela pronunciava as palavras suavemente. Uma delas era "labirinto", lembro bem, em nossas aulas de Geografia...Hoje, o Altivir é tradicionalista, tens uns cavalos e uns boizinhos, aqui não muito longe de minha casa, é exímio laçador, e pratica o tiro de laço, no CTG.

           Bem, mas, como eu me reportava, para comemorar a conquista do tri, saímos em passeata (hoje fazem carreata), desde o Bar do Cinema, fomos para a Rua Ernesto Hachmann e a XV de Novembro, depois fomos para o Ouro. O Domingos Boff (Mingo), carregava uma bandeira do  Brasil. Cantamos o Hino Nacional na rua e os "Noventa milhões em ação, pra frente Brasil, do meu coração"... E era só alegria! Então, os brados cívicos ecoaram por todo o Brasil e vivíamos o "Milagre Brasileiro". O gremista Presidente Médici recebeu nossos tricampeões na Capital Federal e nós, brasileiros, continuamos a trabalhar para sobreviver, estudar para vencer.

          Tenho as melhores lembranças do ano de 1970, quando eu lavava carros no Posto Dambrós, ali em Ouro, e estava cursando Contabilidade na CNEC. E os jogadores de futebol ainda não estavam acostumados  a se reunir em rodas de pagode, nem em bailes funk, nem apareciam na TV ao lado do Michel Teló e outros. Apenas jogavam futebol. e muito bem, dando-nos muitas alegrias, honrando-nos e orgulhando-nos perante o mundo. Naquele tempo, Deus já era brasileiro!!!

Euclides Riquetti
02-09-2012



 

sábado, 1 de setembro de 2012

Rosas de setembro


E setembro chegou...
O arvoredo ficou bem tinturado de verde natural
Os ipês amarelos coloriram a primeira tarde da pré-primavera
O roxos contrastaram com o alaranjado das corticeiras
O outono esqueceu-se de derrubar algumas folhas que já feneceram
E o perfume das flores das pereiras, laranjeiras e pessegueiros colore cada quintal:
Setembro chegou!

E, com ele, as roseiras abriram seus brotos e nos contemplaram com as rosas
Seus espinhos desapareceram, ficaram ocultos atrás de pétalas e folhas
Rosas champanhe, vermelhas, rosadas e majentas
Cravos vinhos, brancos, rosa-branco, matizados
Azaleias rosa-vivas,  brancas e  beijos multicores
Cravilhas  e  calanchuês esperam, ansiosos, pelas margaridas!

Já vieram as florinhas amarelas do campo, as sempre-vivas
As orquídeas se grudaram nos troncos apodrecidos
Os copos-de-leite se avolumaram junto aos agriões do riacho...
Calêndulas e crisântemos enfeitam jardins e girâneos as floreiras das sacadas
Mas  eu espero os girassóis, os girassóis são meus sóis...

É setembro
É tempo de alegria, vibração
É tempo de agitar o coração
Setembro, é apenas setembro
O meu setembro, o teu setembro, o nosso setembro...


Euclides Riquetti
01-09-2012

domingo, 26 de agosto de 2012

Noites de agosto

Agradáveis noites de agosto
Escondem corpos alados
Que abrigam corações almados
Amados,  no mês de agosto...

Agradáveis noites estreladas
Dos amantes e dos apaixonados
Dos namorados e namoradas
Dos sonhos acalentados.

Agradáveis noites das nuvens que flutuam
De Alpha e de Centauro, e do Cruzeiro do Sul
Do sol escondido que prateia a lua
Da negritude que sombreia  o universo azul.

Agradáveis noites dos sonhos relembrados
Dos nossos, (dos meus, dos teus...)
De nossos sonhos e pecados
Dos sonhos das Julietas e Romeus...

Euclides Riquetti
26-08-2012


Décima Nona Crônica do Antigamente

          Em 1970  muitas transformações ocorreram em minha vida. E muitos acontecimentos marcaram-me profundamente. Era uma época em que eu vivia as incertezas sobre meu futuro e tinha qua trabalhar, arduamente,  durante todo o dia, inclusive aos sábados. E, descanso, apenas dois domingos por mês. Isso já faz tanto tempo...  A notável Sarah Michelle Gellar ainda nem havia chegado. Somente sete anos depois  é que Nova York iria conhecer uma bebezinha prodígio que, quatro anos depois iria começar a maravilhar  os americanos por suas atuações no meio artístico. E, hoje, com seus olhos belíssimos, também nos encanta nas telas dos cinemas. São dois formosos diamantes tinturados por azul, verde e cinza que nos brindam com uma nova cor: Não é cor de céu, não é cor de mar. É apenas a cor dos olhos de Sarah Michelle. Só ela os tem e só ela pode nos presentear  com seu olhar  encantador. As Michelles e Micheles, todas, têm olhos bonitos, inclusive uma que mora em meu coração...

          Como eu dizia, 1970 foi um ano marcante. O Brasil, que há 12 anos não conquistava uma Copa, conquistou, definitivamente, a Taça Julles Rimet, no México. Guadalajara, Guadalajara!!!...

          Nesta semana, um dos ícones desta conquista, integrante do grupo mais unido e que mais  se notabilizou no futebol brasileiro, nos deixou, foi morar no céu, aos 74 nos. Sim, porque o céu existe,  e pessoas como o Goleiro Félix, que, além de desportista correto, dedicado, defendeu a classe dos atletas, e deu muito de si pelos amigos e companheiros, merecem ter compensações na morada eterna.

          Aquela geração de Ouro do futebol brasileiro, que nas elimionatórias, em 1969, sob a batuta de João Saldanha, e 1970, na Copa, sob o comando de Zagalo, o "velho lobo", merece nosso reconhecimento. Do grupo, composto por Félix, Ado, Leão, Brito, Piazza, Carlos Alberto, Baldochi, Fontana, Everaldo, Joel Camargo, Zé Maria, Clodoaldo, Gerson, Rivelino, Paulo César Caju, Jairzinho, Tostão, Pelé, Roberto Miranda, Edu, e Dario (Dadá Maravilha), perdemos o Everaldo, lateral que pertencia ao Grêmio de Porto Alegre, ainda jovem. Fontana nos deixou logo depois. O Joel, vi atuar pelo Santos, mas dois ficaram muito bem fixados em minha memória: Paulo César Caju e Edu. O primeiro pertencia ao Botafogo, mas atuou também pelo Grêmio, Vasco, Fluminense, Flamengo, Paris San German e outros clubes. Edu fez sua carreira praticamente no Santos, onde  está até hoje, é cartola, dirige segmentos da base santista. Eles tinham 18 anos quando disputaram as eliminatórias e atuaram com muito bom desempenho.

          Em 1987, já tendo interrompido sua carreira profissional, vieram jogar contra um combinado do Arabutã e do Penharol, na Baixada Rubra, em Ouro. Vieram pela Seleção Paulista de Masters, em ônibus leito. Reunimos meia dúzia de carros e viemos apanhá-los em Joaçaba, na Rodoviária. Coube-me transportar o Paulo César, o Edu e o Chicão, da Portuguesa de Desportos. Além de ser uma honra muito grande para mim, foi a oportunidade de conhecer um pouco sobre a personalidade daquelas personalidades. O Edu, quieto, no banco traseiro, era monossilábico. O Chicão estava "na dele". E o Caju, no Banco da frente, contava-nos muitas belas histórias, inclusive de sua vida pessoal. Tinha aquela fama de boçal, que alguns setores da imprensa brasileira lhe rotulara, mas percebi que ele era outra pessoa, simples, educado, atencioso. estava com um agasalho Adidas bem surradinho, azul com listras brancas, e um  "boné Milton Nascimento". Queria saber como eram as pessoas, o que faziam, onde trabalhavam, se gostavam muito de futebol. E eu ia contando algumas históriasd, algumas piadas. Em Lacerdópolis, parei em frente a um bar, na  esquina, para ele cumprimentar os "italianos",queria saber como era seu sotaque, sua maneira de falar. Depois,  contou-nos que estava namorando a Leonora, irmã do Jaime, zagueiro do Flamengo, daquela famosa defesa: Raul,  Leandro, Jaime, Mozer e Júnior.  Na descida da serrinha para Santa Bárbara, tivemos que parar porque havia um cachorrinho mancando e ele quis dar um afago nele, ver se era caso grave ou não. Ao chegar no Arabutã, mostrei-lhe o Orlando Santiago, um de nossos goleiros do Veteranos do Arabutã, e ele achou que o Orlando deveria jogar, que o jogo deveria ser para "velhos" e não contra os jovens do Arabutã e Penharol.

          Mostrou-me, realmente, que a imagem que a imprensa nos passava sobre ele era falsa, era mentira que ele trocava várias vezes o calção ao dia, para mostrar-se na praia de Ipanema. Bem, quem sabe isso foi apenas coisa de quando tinha 16 anos e já era titular no Botafogo. E o Edu, com 16, titular no Santos. Agora, já estavam com 37 para 38 anos, eram "velhos", maduros. E gostavam de jogar por prazer, viajar de ônibus, andar em carros de pessoas diferentes, conversar com as pessoas, almoçar embaixo de árvores, comer churrasco na Churrascaria do Pedro Beviláqua e dormir em seu Hotel...

          É, tenho muito orgulho em dizer que  conheci, de maneira diferente do que os meios de comunicação nos passavam na época, essas personagens da história do futebol brasileiro. Gente que jogava muito, que deu muita alegria aos seus fãs, que não eram movidos pelo marketing atual, que não recebiam "direitos de imagem", apenas jogavam futebol, e muito. O resultado do jogo: 1 a 0 para o time da casa, formado por atletas de 18 a 32 anos, jogando contra senhores acima de 36.

          Boas lembranças dos anos 70, que guardo comigo e que quero dividir com você, leitor.

Euclides Riquetti
26-08-2012