Há um suave barulho na chuva que cai lá fora
E que afaga suavemente meu pensamento
Enquanto o tempo segue frágil e lento
Levando meus versos jogados ao relento
Na noite fagueira que se vai embora...
Há um barulho terno na chuva que cai
E um mergulhar no mar da imaginação
Que me transporta ao porto solidão
Ao cais do oceano da grande ilusão
Na busca do sonho que vem e que vai...
Ah, chuva que molha minha saudade
Chuva que apaga as marcas da nossa vaidade
Que deixa seus cabelos úmidos e sensuais
Chuva que banha sua pele queimada
Que refresca o cair da doce madrugada
Vem curar a dor dos meus ais!!!
Euclides Riquetti
04-08-2013
domingo, 4 de agosto de 2013
sábado, 3 de agosto de 2013
O toque de suas ( e de minhas) mãos
O toque de suas mãos carinhosas
O beijo nos seus lábios vermelhos
O seu corpo refletido no espelho
O doce sabor de nossos desejos
As minhas intenções pecaminosas.
O silêncio que vem depois
A quietude que toma lugar
O pensamento a duvidar
A água a se derramar
A inundar o caminho de nós dois.
O toque de minhas mãos em seus ombros morenos
A chama do amor que arde incessantemente
O meu olhar no seu olhar de veneno
A chama do amor que arde vorazmente
A rejeição da dor que mata lentamente...
Ah, lentas noites dos enamorados!
Do toque de nossas mãos, sensual
Do nosso envolvimento frágil mas real
(Porque a vida não é banal...)
A vida é dos corações apaixonados!
Euclides Riquetti
03-08-2013
O beijo nos seus lábios vermelhos
O seu corpo refletido no espelho
O doce sabor de nossos desejos
As minhas intenções pecaminosas.
O silêncio que vem depois
A quietude que toma lugar
O pensamento a duvidar
A água a se derramar
A inundar o caminho de nós dois.
O toque de minhas mãos em seus ombros morenos
A chama do amor que arde incessantemente
O meu olhar no seu olhar de veneno
A chama do amor que arde vorazmente
A rejeição da dor que mata lentamente...
Ah, lentas noites dos enamorados!
Do toque de nossas mãos, sensual
Do nosso envolvimento frágil mas real
(Porque a vida não é banal...)
A vida é dos corações apaixonados!
Euclides Riquetti
03-08-2013
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
A amizade da Jujuba e da Pietra!
Quem de nós não teve um amiguinho ou amiguinha de infância? Há os que têm até amigos imaginários. Eu os tive verdadeiros, em carne e osso, vivinhos e espertinhos da silva. E, por falar nisso, como todo o avô que se preza, eu também tenho orgulho de minha netinha, a Jujuba, é minnha amiguinha, que fez três anos em abril. Ela recolhe o jornal e me traz: "Vovô, olhe aqui o seu jornal!" E outras vezes me traz o radinho de pilhas, meu radinho de pedreiro que ganhei da Carol e da Michele. É que todo o pedreiro tem que ter um bom rádio para escutar no serviço. Traz-me o pen-drive, CDs, chinelos. Sem essa de exploração de mão-de-obra infantil, que ela faz isso porque quer...
Mas hoje foi meu dia de fazer uma surpresa para ela e sua amiguinha Pietra, que mora aqui pertinho de casa. Com o vô dela, o Pedro, aprendi a fazer um belo balanço. Elas se procuram através das hastes das cercas, se chamam, querem se ver e brincar. E a tropa da idade avançada compactua, alegremente, com isso.
Reservei duas latinhas dessas de conservas de uns 200 ml, um barbante de algodão de 5 metros para fazer-lhes um telefone com fio. Primeiro mostrei-lhes a diferença entre um celular, sem fio, e o telefone convencional, com fio. Mostrei, deste, por onde o fio sai de casa, passa pela mureta, sobe por um cano galvanizado e depois atravessa a rua, dobra a esquina e se gruda lá na casa da Dona Terezinha, a bisavó da Pietra. E expliquei que a voz é conduzida através do fio e vai parar lá no outro fone. Disseram que entenderam. Não sei se posso acreditar. Alunos na escola, sempre quando o professor pergunta, dizem que entenderam tudo e, depois, na hora da prova...
Com um prego, fiz um furo no fundo de cada lata. Perpassei o barbante, dei dois nós, corrigi as bordas das latinhas para que não se cortassem, e ensaiei uns telefonemas. Fazíamos assim quando éramos pequenos. Procuro fazer com que tenham as mesmas experiências que tive quando criança. E elas assimilaram, vão brincar muito de telefone, ainda. Ela também trouxe-me, outro dia, um carrinho de papel que fez lá na Escola Girassol e me deu de presente. Brinquedos convencionais são instigadores, motivam para a criatividade.
Nessa semana, duas coisas que a Jujuba fez me fizeram rir. Primeiro, perguntou-me se eu sabia por que os cachorros fazem xixi nas rodas dos carros. Respondi que seria porque as rodas são quentes e atrai o xixi deles. Ela me disse: "Não, é porque eles são safadinhos! Tive que concordar. Pedi-lhe quem lhe ensinou isso e ela me disse que ninguém a ensinou, que sempre vê cachorrinhos fazerem isso..
Depois, ela estava com as duas mãos ocupadas em mexer com massinhas coloridas, fazendo coisas: bolachas, lápis, balinhas, me ensinava. A vovó pediu-lhe para ajuntar um lápis do chão e veio a resposta: "Não posso, vovó. Não vê que eu só tenho duas mãos?"
Lembrei-me da sobrinha da Lili Braun, a Luciane, que ainda pequena pediu para sua mãe se os cabelos de sua vovó eram brancos por causa das artes que esta fazia para a avó. Ah, mas isso faz muito tempo, foi em 1975 lá em União da Vitória. Agora essa menininha deve estar bem grandinha, uma vez que sua avó está com 88 anos.
Bem, crianças são nossa verdadeira alegria de viver. Basta que prestemos antenção para ver quantas coisas engraçadas elas fazem. E, como dizem as vovós: quando elas estiverem fazendo algo em silêncio, cuide bem, pois estão aprontando alguma coisa. E a Jujuba e a Pietra não são diferentes!
Euclides Riquetti
02-08-2013
Mas hoje foi meu dia de fazer uma surpresa para ela e sua amiguinha Pietra, que mora aqui pertinho de casa. Com o vô dela, o Pedro, aprendi a fazer um belo balanço. Elas se procuram através das hastes das cercas, se chamam, querem se ver e brincar. E a tropa da idade avançada compactua, alegremente, com isso.
Reservei duas latinhas dessas de conservas de uns 200 ml, um barbante de algodão de 5 metros para fazer-lhes um telefone com fio. Primeiro mostrei-lhes a diferença entre um celular, sem fio, e o telefone convencional, com fio. Mostrei, deste, por onde o fio sai de casa, passa pela mureta, sobe por um cano galvanizado e depois atravessa a rua, dobra a esquina e se gruda lá na casa da Dona Terezinha, a bisavó da Pietra. E expliquei que a voz é conduzida através do fio e vai parar lá no outro fone. Disseram que entenderam. Não sei se posso acreditar. Alunos na escola, sempre quando o professor pergunta, dizem que entenderam tudo e, depois, na hora da prova...
Com um prego, fiz um furo no fundo de cada lata. Perpassei o barbante, dei dois nós, corrigi as bordas das latinhas para que não se cortassem, e ensaiei uns telefonemas. Fazíamos assim quando éramos pequenos. Procuro fazer com que tenham as mesmas experiências que tive quando criança. E elas assimilaram, vão brincar muito de telefone, ainda. Ela também trouxe-me, outro dia, um carrinho de papel que fez lá na Escola Girassol e me deu de presente. Brinquedos convencionais são instigadores, motivam para a criatividade.
Nessa semana, duas coisas que a Jujuba fez me fizeram rir. Primeiro, perguntou-me se eu sabia por que os cachorros fazem xixi nas rodas dos carros. Respondi que seria porque as rodas são quentes e atrai o xixi deles. Ela me disse: "Não, é porque eles são safadinhos! Tive que concordar. Pedi-lhe quem lhe ensinou isso e ela me disse que ninguém a ensinou, que sempre vê cachorrinhos fazerem isso..
Depois, ela estava com as duas mãos ocupadas em mexer com massinhas coloridas, fazendo coisas: bolachas, lápis, balinhas, me ensinava. A vovó pediu-lhe para ajuntar um lápis do chão e veio a resposta: "Não posso, vovó. Não vê que eu só tenho duas mãos?"
Lembrei-me da sobrinha da Lili Braun, a Luciane, que ainda pequena pediu para sua mãe se os cabelos de sua vovó eram brancos por causa das artes que esta fazia para a avó. Ah, mas isso faz muito tempo, foi em 1975 lá em União da Vitória. Agora essa menininha deve estar bem grandinha, uma vez que sua avó está com 88 anos.
Bem, crianças são nossa verdadeira alegria de viver. Basta que prestemos antenção para ver quantas coisas engraçadas elas fazem. E, como dizem as vovós: quando elas estiverem fazendo algo em silêncio, cuide bem, pois estão aprontando alguma coisa. E a Jujuba e a Pietra não são diferentes!
Euclides Riquetti
02-08-2013
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
É noite...
É noite...
Noite de inquietude
De escuridão, sem cor
Da perdição e de amor
Cor de negritude.
É noite dos corpos deitados
Nus, quentes, colados!
É noite dos amantes
Das vontades insaciáveis
Noite dos poetas e pensadores
Das almas vulneráveis.
É noite dos corações errantes
Que se despem sem pudores
Que expõem suas fagilidades
E que buscam a felicidade
Ardentemente...
Incessantemente!
É a noite dos pecados
Que sucede as tardes e precede as manhãs
Das negras almas vãs
Dos beijos trocados
Do corpo desejado
Noite, apenas mais uma noite
Em que eu me perco infinitamente
Ardorosamente
Em você!
Euclides Riquetti
01/08/2013
Noite de inquietude
De escuridão, sem cor
Da perdição e de amor
Cor de negritude.
É noite dos corpos deitados
Nus, quentes, colados!
É noite dos amantes
Das vontades insaciáveis
Noite dos poetas e pensadores
Das almas vulneráveis.
É noite dos corações errantes
Que se despem sem pudores
Que expõem suas fagilidades
E que buscam a felicidade
Ardentemente...
Incessantemente!
É a noite dos pecados
Que sucede as tardes e precede as manhãs
Das negras almas vãs
Dos beijos trocados
Do corpo desejado
Noite, apenas mais uma noite
Em que eu me perco infinitamente
Ardorosamente
Em você!
Euclides Riquetti
01/08/2013
quarta-feira, 31 de julho de 2013
As mais recentes considerações do Amílcar
Liga-me o Amílcar - "Ô, Riquetto! É o Amílcar. Como que tá o amigo? Passando muito frio ali?" Respondo que o frio veio tarde, mas muito forte, que matou até os caxis que vieram fora de época, as flores das pereiras, que foi de arrepiar até os cabelos de quem não os tem, como eu.
"Ma óia, aqui pros lado de Palmas foi muito triste. Coitado dos cortador de erva. Passarum as deles. E em General também. Acho que no Porto num foi diferente. E nós tinha muitos pedido, muitas incomenda e intón até fumo junto tirá as rama. Ma que tava frio, isso que tava. De fazê o suor virá bolinha de gelo antes de chegá no chão".
Sempre é uma alegria ouvir o Amílcar. Dei corda pra ele, gosto de escutar suas histórias ricas em detalhes, embora queime muito capim com chuva. Conversa vai, conversa vem, lembrei-o de uma vez que fomos jogar futebol num campo que havia ali em União da Vitória, quando estavam construindo a ponte sobre o Rio Iguaçu. A gente vinha lá do centro, com dois fuscas, com seis jogadores espremidos em cada um. Passávamos a ponte dos arcos e depois seguíamos pelas bandas da chácara dos Camargo, até o campinho. Na ponte lá perto do bordel, lá pra baixo dos areiais. Jogavam os funcionários da Proenge, onde trabalhava o colega Osvaldo Bet, e nós íamos para ajudar a compor o elenco. Os adversários eram uns peões lá do Rio Jangada. Nem um torcedor. Apenas dois times, poucos reservas que era pra ninguém reclamar de ter que ficar no banco. A Proenge era uma empresa fiscalizadora das obras da Rodovia BR 476.
"Ma claro que me alembro, Riquetto. Vocêis querium que eu jogasse de golero porque eu era grandón. Ma eu dizia que num tinha muita prática na defesa e acabava jogando na linha. E agora tenho que te contá uma: daquela veiz que as ropa aparecerum todas ennozadas, fui eu que dei os nó. Tinha onze jogador e bem eu que tive que dá o lugar pro reserva no segundo tempo. Quando vocêis tavum distraído jogando, eu dei os nó nas ropa. E ainda apertei bastante. E disse que quando saí do campo as ropa já tavam com os nó. Eu me segurava pra não ri..."
Tive que rir diante daquela confissão. Lembro da confusão no final do jogo, quando fomos nos vestir, a as pernas das calças estavam amarradas, as mangas das jaquetas também. E com o frio, pressa de vestir-se e ir para casa.
Pergunto-lhe como viu a vinda do Papa para o Brasil, e ele foi lascando: "Ma tchó, sabe que gostei muito desse Papa. Non tem mordomia, disse que o Papa é Argentino ma Deus é brasilero e eu achei muito ingraçado isso. Também me emocionei que ele abraçava as criancinha e as véia. E fiquei muito contrariado cum aquelas muié que forum lá com as têta de fora pra protestá. Uma pura falta de repeito co Papa e cum nós que somos pessoa de bem. Nem os cachorro gostaro disso. O Brasil tá ficando uma perdiçón. Veja que amanhan é o dia do orgasmo".
Falei que concordava com ele, que senti em Francisco um grande exemplo de humildade, um líder que vai implantar muitas coisas boas na Igreja Católica e que foi muito justo e habilidoso aos convidar os líderes das outras religiões para participarem de uma celebração e conversarem sobre a importância de as religiões atuarem unidas em seus objetivos de evangelizar. E que, dia do orgasmo, para quem pode, é qualquer dia. Ele concordou comigo...
Depois falamos de amenidades e banalidades, mais destas do que das primeiras. Disse-me que mais tarde iria com o genro fazer umas entregas de erva em Pato Branco, que lá é um lugar onde tomam muito mate amargo. Perguntou-me se eu precisava de uns quilos de erva e eu disse que já tenho minha Charrua aqui, que tomo meu mate até quando estou escrevendo meus textos.
Marcamos para nos encontrar ainda neste ano, quando eu for para Porto União. Possivelmente vamos almoçar junto em General Carneiro, quer que eu conheça seu netinho. Convencido, me diz que o neto é bonito e inteligente como o nono...
Euclides Riquetti
31-07-2013
"Ma óia, aqui pros lado de Palmas foi muito triste. Coitado dos cortador de erva. Passarum as deles. E em General também. Acho que no Porto num foi diferente. E nós tinha muitos pedido, muitas incomenda e intón até fumo junto tirá as rama. Ma que tava frio, isso que tava. De fazê o suor virá bolinha de gelo antes de chegá no chão".
Sempre é uma alegria ouvir o Amílcar. Dei corda pra ele, gosto de escutar suas histórias ricas em detalhes, embora queime muito capim com chuva. Conversa vai, conversa vem, lembrei-o de uma vez que fomos jogar futebol num campo que havia ali em União da Vitória, quando estavam construindo a ponte sobre o Rio Iguaçu. A gente vinha lá do centro, com dois fuscas, com seis jogadores espremidos em cada um. Passávamos a ponte dos arcos e depois seguíamos pelas bandas da chácara dos Camargo, até o campinho. Na ponte lá perto do bordel, lá pra baixo dos areiais. Jogavam os funcionários da Proenge, onde trabalhava o colega Osvaldo Bet, e nós íamos para ajudar a compor o elenco. Os adversários eram uns peões lá do Rio Jangada. Nem um torcedor. Apenas dois times, poucos reservas que era pra ninguém reclamar de ter que ficar no banco. A Proenge era uma empresa fiscalizadora das obras da Rodovia BR 476.
"Ma claro que me alembro, Riquetto. Vocêis querium que eu jogasse de golero porque eu era grandón. Ma eu dizia que num tinha muita prática na defesa e acabava jogando na linha. E agora tenho que te contá uma: daquela veiz que as ropa aparecerum todas ennozadas, fui eu que dei os nó. Tinha onze jogador e bem eu que tive que dá o lugar pro reserva no segundo tempo. Quando vocêis tavum distraído jogando, eu dei os nó nas ropa. E ainda apertei bastante. E disse que quando saí do campo as ropa já tavam com os nó. Eu me segurava pra não ri..."
Tive que rir diante daquela confissão. Lembro da confusão no final do jogo, quando fomos nos vestir, a as pernas das calças estavam amarradas, as mangas das jaquetas também. E com o frio, pressa de vestir-se e ir para casa.
Pergunto-lhe como viu a vinda do Papa para o Brasil, e ele foi lascando: "Ma tchó, sabe que gostei muito desse Papa. Non tem mordomia, disse que o Papa é Argentino ma Deus é brasilero e eu achei muito ingraçado isso. Também me emocionei que ele abraçava as criancinha e as véia. E fiquei muito contrariado cum aquelas muié que forum lá com as têta de fora pra protestá. Uma pura falta de repeito co Papa e cum nós que somos pessoa de bem. Nem os cachorro gostaro disso. O Brasil tá ficando uma perdiçón. Veja que amanhan é o dia do orgasmo".
Falei que concordava com ele, que senti em Francisco um grande exemplo de humildade, um líder que vai implantar muitas coisas boas na Igreja Católica e que foi muito justo e habilidoso aos convidar os líderes das outras religiões para participarem de uma celebração e conversarem sobre a importância de as religiões atuarem unidas em seus objetivos de evangelizar. E que, dia do orgasmo, para quem pode, é qualquer dia. Ele concordou comigo...
Depois falamos de amenidades e banalidades, mais destas do que das primeiras. Disse-me que mais tarde iria com o genro fazer umas entregas de erva em Pato Branco, que lá é um lugar onde tomam muito mate amargo. Perguntou-me se eu precisava de uns quilos de erva e eu disse que já tenho minha Charrua aqui, que tomo meu mate até quando estou escrevendo meus textos.
Marcamos para nos encontrar ainda neste ano, quando eu for para Porto União. Possivelmente vamos almoçar junto em General Carneiro, quer que eu conheça seu netinho. Convencido, me diz que o neto é bonito e inteligente como o nono...
Euclides Riquetti
31-07-2013
terça-feira, 30 de julho de 2013
Fim de tarde...
Os animaizinhos vão-se escondendo sem alarde
Os últimos raios de sol fenecem lentamente
As crianças entram em casa alegremente
Não, não é apenas um final de tarde!.
No horizonte alaranjado do ocidente
O firmamento se cobre de vernizes
E nas cores quentes de todas as matizes
Desenha sua paisagem envolvente.
Indescritível cenário de harmonia
Pintura divinamente emoldurada
Pelas mãos de Deus executada
Visão que se renova em cada dia.
É, sim, bem mais que um simples entardecer
É, sim, um maravilhoso fenômeno sem igual
Quando o sol se põe no horizonte natural.
É a mão do divino Mestre a se estender
Abençoando cada planta e cada ser
Protegendo esse conjunto colossal!
Euclides Riquetti
30-07-2013
Os últimos raios de sol fenecem lentamente
As crianças entram em casa alegremente
Não, não é apenas um final de tarde!.
No horizonte alaranjado do ocidente
O firmamento se cobre de vernizes
E nas cores quentes de todas as matizes
Desenha sua paisagem envolvente.
Indescritível cenário de harmonia
Pintura divinamente emoldurada
Pelas mãos de Deus executada
Visão que se renova em cada dia.
É, sim, bem mais que um simples entardecer
É, sim, um maravilhoso fenômeno sem igual
Quando o sol se põe no horizonte natural.
É a mão do divino Mestre a se estender
Abençoando cada planta e cada ser
Protegendo esse conjunto colossal!
Euclides Riquetti
30-07-2013
segunda-feira, 29 de julho de 2013
O último poema...
"Professor, faz um poema pra mim?" - Quantas vezes ouvi essa pergunta nos anos em que lecionei lá na Escola Sílvio Santos, no Ouro!
Sempre estimulei meus alunos a escreverem textos diferenciados, em qualquer modalidade que fosse. Aprendíamos a "fazer redação" juntos. E, como sempre tive em mente de que "se aprende fazer fazendo", e que, para estimular, precisamos dar o exemplo, não apenas mandando fazer ou pedindo para que façam, eu escrevia simultaneamente. Fazer junto para que pudessem sentir que é possível, com liberdade, sem amarras e com estímulo, criar algo que possa encantar alguém. E o poema, ou qualquer texto poético, me encantam, sim!
E, quando volto a lembrar, saudosamente, de meus alunos, lembro-me de suas atitudes, seus gestos, seus movimentos, alguns com extrema sensibilidade, leitores, criadores. Lembro daqueles que não conseguiam fazer algo extraordinário, mas eu lhes dizia que o importante era que conseguissem transmitir, mesmo que da maneira mais simples, aquilo que sentissem. E, muitas vezes, sentiam, mas tinham alguns bloqueios, eram acometidos pelo indizível, o inefável, como dizia nosso professor de Literatura, o Francisco Filipak, lá na Fafi, em União da Vitória, no início da década de 1970, quando éramos grandes sonhadores, eu e meus colegas. Sonhadores, porque almejávamos ter um bom emprego, uma carreira profissional e, quem sabe, um dia termos nossos textos publicados em algum lugar.
Para dar uma certa materialidade ao que os alunos produziam, tínhamos um grupo de professores de Capinzal e Ouro que trabalhava unido. Dedicávamos um bimestre escolar para trabalhar a poesia na sala de aula. Dávamos as condições para que os alunos escrevessem, estimulando-os a lerem suas criacões para a turma, E alguns até tinham talento para a declamação, com serenidade e desinibição. Escreviam, liam, declamavam... Depois, eles mesmos indicavam as que devessem ser mostradas ao público, além do âambito da sala de aula. Organizávamos apresentações nos eventos da Escola e, parte das produções, iam para o "Recital de Poesias", que realizávamos no auditório do Colégio Mater Dolorum. No palco deste, os alunos se superavam, recebiam os aplausos e se emocionavam.
Um dos anos mais marcantes foi o de 1998. Realizamos o Recital, um aluno fazia a locução, ( e, destes, dois seguiram a carreira e são bem sucedidos: o Éder Luiz, do portal ederluiz.com; e o Marlo Matiello, da Rádio Capinzal e do portal vejaovale.com.br), e foi um evento maravilhoso. Até filmamos em vídeo. Passamos o filme nas escolas nas semanas seguintes, pois isso gerava muita motivação, já visando as ações seguintes nas escolas.
Meu aluno André Franquini, do Ensino Médio, declamou um poema de sua autoria, muito bonito. Ele era estudioso e talentoso. Era um orgulho para seus pais e suas irmãs. Nosso também. Vimos o vídeo, ficou muito bom. Ele estava contente. Declamou com camisa branca e um colete bordô, que guardo até hoje comigo... E, agora, estou eu cá, com as palavras saindo com dificuldade, não sei mais por onde seguir...
Acontece que, numa noite da primavera daquele ano, eu dei a última aula da noite na sala dele. Ele me fez muitas perguntas, era indagador, um investigador da vida, um irrequieto perguntador, mas um sereno e educado ouvinte. E emitia sua opinão com elegância, moderação. Era muito querido pelos colegas e pelos professores.
No outro dia, fui a Joaçaba e, na volta, quando chegava ao Parque e Jardim Ouro, vi um movimento de pessoas ali na Rodovia, os policiais com suas pranchetas, algo acontecera, eu sentia em mim algo preocupante. Desci do carro e fui ver. Perguntei a uma pessoa o que havia acontecido e me disse que houve um acidente, que um menino descera pela rua lateral com sua bicicleta sem freios, vinha freando a roda da frente com a sola do tênis, fazia isso sempre, mas naquele dia não deu certo e fora parar embaixo do rodado traseiro de um caminnhão. Perguntei se o haviam levado ao Hospital e me disseram que não, que ele perdeu a vida ali mesmo... Era nosso aluno André!
Ficamos todos abalados. Uma comoção, um grande desespero tomou conta de todos nós, amigos dele e da família. As duas irmãs e a mãe foram alunas minhas. O pai, meu amigo pessoal. O André, aquele doce rapaz com que eu muito me afinava, tínhamos em comum o hábito de gostar de poesias, de compor, de declamá-las, tinha partido...
Na cerimônia religiosa de despedida, rodaram o vídeo com ele declamando. Parecia uma despedida dele... havia uma angústia em suas palavras, em seus gestos, em sua expressão... Algo marcante, que ainda me faz chorar quando lembro daquele menino, um rapaz já, que gostava de poesia...Deve estar no céu, dividindo seus poemas com os anjos...
Euclides Riquetti
29-07-2013
Sempre estimulei meus alunos a escreverem textos diferenciados, em qualquer modalidade que fosse. Aprendíamos a "fazer redação" juntos. E, como sempre tive em mente de que "se aprende fazer fazendo", e que, para estimular, precisamos dar o exemplo, não apenas mandando fazer ou pedindo para que façam, eu escrevia simultaneamente. Fazer junto para que pudessem sentir que é possível, com liberdade, sem amarras e com estímulo, criar algo que possa encantar alguém. E o poema, ou qualquer texto poético, me encantam, sim!
E, quando volto a lembrar, saudosamente, de meus alunos, lembro-me de suas atitudes, seus gestos, seus movimentos, alguns com extrema sensibilidade, leitores, criadores. Lembro daqueles que não conseguiam fazer algo extraordinário, mas eu lhes dizia que o importante era que conseguissem transmitir, mesmo que da maneira mais simples, aquilo que sentissem. E, muitas vezes, sentiam, mas tinham alguns bloqueios, eram acometidos pelo indizível, o inefável, como dizia nosso professor de Literatura, o Francisco Filipak, lá na Fafi, em União da Vitória, no início da década de 1970, quando éramos grandes sonhadores, eu e meus colegas. Sonhadores, porque almejávamos ter um bom emprego, uma carreira profissional e, quem sabe, um dia termos nossos textos publicados em algum lugar.
Para dar uma certa materialidade ao que os alunos produziam, tínhamos um grupo de professores de Capinzal e Ouro que trabalhava unido. Dedicávamos um bimestre escolar para trabalhar a poesia na sala de aula. Dávamos as condições para que os alunos escrevessem, estimulando-os a lerem suas criacões para a turma, E alguns até tinham talento para a declamação, com serenidade e desinibição. Escreviam, liam, declamavam... Depois, eles mesmos indicavam as que devessem ser mostradas ao público, além do âambito da sala de aula. Organizávamos apresentações nos eventos da Escola e, parte das produções, iam para o "Recital de Poesias", que realizávamos no auditório do Colégio Mater Dolorum. No palco deste, os alunos se superavam, recebiam os aplausos e se emocionavam.
Um dos anos mais marcantes foi o de 1998. Realizamos o Recital, um aluno fazia a locução, ( e, destes, dois seguiram a carreira e são bem sucedidos: o Éder Luiz, do portal ederluiz.com; e o Marlo Matiello, da Rádio Capinzal e do portal vejaovale.com.br), e foi um evento maravilhoso. Até filmamos em vídeo. Passamos o filme nas escolas nas semanas seguintes, pois isso gerava muita motivação, já visando as ações seguintes nas escolas.
Meu aluno André Franquini, do Ensino Médio, declamou um poema de sua autoria, muito bonito. Ele era estudioso e talentoso. Era um orgulho para seus pais e suas irmãs. Nosso também. Vimos o vídeo, ficou muito bom. Ele estava contente. Declamou com camisa branca e um colete bordô, que guardo até hoje comigo... E, agora, estou eu cá, com as palavras saindo com dificuldade, não sei mais por onde seguir...
Acontece que, numa noite da primavera daquele ano, eu dei a última aula da noite na sala dele. Ele me fez muitas perguntas, era indagador, um investigador da vida, um irrequieto perguntador, mas um sereno e educado ouvinte. E emitia sua opinão com elegância, moderação. Era muito querido pelos colegas e pelos professores.
No outro dia, fui a Joaçaba e, na volta, quando chegava ao Parque e Jardim Ouro, vi um movimento de pessoas ali na Rodovia, os policiais com suas pranchetas, algo acontecera, eu sentia em mim algo preocupante. Desci do carro e fui ver. Perguntei a uma pessoa o que havia acontecido e me disse que houve um acidente, que um menino descera pela rua lateral com sua bicicleta sem freios, vinha freando a roda da frente com a sola do tênis, fazia isso sempre, mas naquele dia não deu certo e fora parar embaixo do rodado traseiro de um caminnhão. Perguntei se o haviam levado ao Hospital e me disseram que não, que ele perdeu a vida ali mesmo... Era nosso aluno André!
Ficamos todos abalados. Uma comoção, um grande desespero tomou conta de todos nós, amigos dele e da família. As duas irmãs e a mãe foram alunas minhas. O pai, meu amigo pessoal. O André, aquele doce rapaz com que eu muito me afinava, tínhamos em comum o hábito de gostar de poesias, de compor, de declamá-las, tinha partido...
Na cerimônia religiosa de despedida, rodaram o vídeo com ele declamando. Parecia uma despedida dele... havia uma angústia em suas palavras, em seus gestos, em sua expressão... Algo marcante, que ainda me faz chorar quando lembro daquele menino, um rapaz já, que gostava de poesia...Deve estar no céu, dividindo seus poemas com os anjos...
Euclides Riquetti
29-07-2013
domingo, 28 de julho de 2013
Avós felizes, netos felizes!
Quem não tem muitas boas lembranças de sua avó? - Ora, crianças, frequentemente são cuidadas pelas avós, afinal, são as que mais dispõem de tempo, uma vez que a grande maioria delas já cumpriram seu tempo de trabalho profissional e, aposentadas, elas mesmas procuram algo com que se (pre)ocuparem. E, há no mundo preocupação ou ocupação melhor do que cuidar de um netinho, uma netinha? Ah, certamente que não há! E o vovôs? Bem, esses estão aí para dar às crianças aquilo que os pais modernos não dão, porque leram na literatura (farta, por sinal...), para aprender como cuidar de um bebê ou como educar um filho". Pape de vovô não é muito diferente do que o da vovó.
Essa geração de pessoas bem maduras que está no estágio "pós-vovó", não precisa de nenhuma consultoria para saber como lidar com crianças. Elas não precisam de supernânis ou de qualquer outro tipo de conselheira do lar. Elas têm no seu interior a autoridade da experiência e do conhecimento, sabem dizer não quando é preciso, não têm nenhuma culpa em relação a terem se omitido em algum momento, nem deixado de estarem presentes sempre que isso se justificou.
Vovós sabem quando a criança está doentinha, sabem qual o remedinho certo, qual o chazinho ideal, sabem quando há manha apenas, sabem até o que as crianças estão pensando...E ainda deixam as netinhas usarem os vestidos, os sapatos, os colares, as pulseiras, os chapéus, os cintos da vovó para suas brincadeiras, seus desfiles pelos corredores e pelas salas das casas...
Netos são alegria da casa. E, hoje, por serem tão poucos, recebem a atenção redobrada, triplicada, pois quantas titias e avós postiças estão aí a candidatar-se para ajudar ( e a mimar...), as adoráveis crianças da presente geração.
E as vovos têm bem clara a importância do papel delas em ajudar as crianças em tempos em que as mães trabalham fora, estudam, têm compromissos para todas as horas do dia e da noite.
E nós, os vovôs, qual o nosso papel? Bem, nós temos que fazer a nossa parte: cuidar bem da vovó para que ela possa continuar a ter energia e vitalidade suficientes para fazer tudo o que a criança precisa. E ainda inventar brnquedos convencionais, fazer balanços com pneus e cordas, carregar no cavalinho do pescoço, jogar bola e ajudar a localizar bons filmes de desenho na TV.
É uma pena que os pais, muito focados em seu trabalho, seus projetos e vida pessoal, estejam perdendo de vivenciar momentos que jamais voltarão, ois as crianças crescem muito depressa e, quando vemos, não cabem mais em nosso colo, nem mais o desejam.
Será que os pais atuais terão que esperar também para que se tornem avós e possam ter o tempo disponível para sentir quão relevante e maravilhosa é a vida da criança, e quanta luz ela nos traz?
Euclides Riquetti
28-07-2013
Essa geração de pessoas bem maduras que está no estágio "pós-vovó", não precisa de nenhuma consultoria para saber como lidar com crianças. Elas não precisam de supernânis ou de qualquer outro tipo de conselheira do lar. Elas têm no seu interior a autoridade da experiência e do conhecimento, sabem dizer não quando é preciso, não têm nenhuma culpa em relação a terem se omitido em algum momento, nem deixado de estarem presentes sempre que isso se justificou.
Vovós sabem quando a criança está doentinha, sabem qual o remedinho certo, qual o chazinho ideal, sabem quando há manha apenas, sabem até o que as crianças estão pensando...E ainda deixam as netinhas usarem os vestidos, os sapatos, os colares, as pulseiras, os chapéus, os cintos da vovó para suas brincadeiras, seus desfiles pelos corredores e pelas salas das casas...
Netos são alegria da casa. E, hoje, por serem tão poucos, recebem a atenção redobrada, triplicada, pois quantas titias e avós postiças estão aí a candidatar-se para ajudar ( e a mimar...), as adoráveis crianças da presente geração.
E as vovos têm bem clara a importância do papel delas em ajudar as crianças em tempos em que as mães trabalham fora, estudam, têm compromissos para todas as horas do dia e da noite.
E nós, os vovôs, qual o nosso papel? Bem, nós temos que fazer a nossa parte: cuidar bem da vovó para que ela possa continuar a ter energia e vitalidade suficientes para fazer tudo o que a criança precisa. E ainda inventar brnquedos convencionais, fazer balanços com pneus e cordas, carregar no cavalinho do pescoço, jogar bola e ajudar a localizar bons filmes de desenho na TV.
É uma pena que os pais, muito focados em seu trabalho, seus projetos e vida pessoal, estejam perdendo de vivenciar momentos que jamais voltarão, ois as crianças crescem muito depressa e, quando vemos, não cabem mais em nosso colo, nem mais o desejam.
Será que os pais atuais terão que esperar também para que se tornem avós e possam ter o tempo disponível para sentir quão relevante e maravilhosa é a vida da criança, e quanta luz ela nos traz?
Euclides Riquetti
28-07-2013
sábado, 27 de julho de 2013
Religião, família e solidariedade (mais água no feijão...)
Certa vez, conversando com um empresário bem sucedido, ele me disse algumas coisas que me marcaram e em que me pauto muito minha vida. Uma delas, que frequentemente me volta à mente, é a de que gostava de ajudar um clube de futebol e que tinha muito prazer em fazer isso, mas que todo o atleta que recebesse dinheiro saído de suas mãos teria teria um compromisso: uma vez por semana, o jogador tinha que ir a uma Igreja, fosse lá qual delas fosse. E deveria assistir a uma celebração de culto ou missa. Ao contrário, não tinha mais dinheiro para ele.
Num primeiro momento, você pode achar que isso seja uma exigência descabida, um querer demais, uma proposta inconcebível, mas concordo plenamente com o modo de pensar dele. Primeiro, porque o dinheiro é dele e, para dispensá-lo, pode fazer as exigências que quiser. Segundo, porque é preciso compreender a sua intenção, qual seu verdadeiro proposito.
E o dele era bem simples: todo o cidadão que se submete às regras de uma religião, seja qual for, tenderá a se submeter às regras da sociedade em que participa, das normas da empresa em que trabalha, do grupo de convivência social em que está inserido. E o time de futebol, dentro de um conceito moderno de visão, representa um cenário no qual multidões se espelham para a formatação da conduta diária.
Dizia mais: "Todo o domingo ligo para meu filho que mora em outro estado, muito longe, para ver como ele está, como está sua família, se foi à missa. Meus filhos não podem ser pessoas sem religião. Todas as pessoas precisam ter uma. E eles sabem o que eupenso sobre isso".
Comecei a observar mais a vida desse cidadão e constatei que suas atitudes e as de sua família eram todas louváveis, Defendiam causas populares muito nobres, tinham um grande compromisso com a ética social, moral e cristã.
Agora, com a presença do Papa Francisco no Brasil, vi algo muito inovador e que deveria ser regra: Ele recebeu líderes de outras igrejas que não a católica para conversar e mostrar para o mundo que as religiões, a religação com as verdades e o bem, precisa acontecer efetivamente. E, ainda, as atitudes de simplicidade, peculiares de um franciscano, são um verdadeiro exemplo a ser seguido por todas as lideranças. E os liderados se espelharão nas atitudes de seus líderes, certamente.
Encantaram-me algumas ações do Papa Francisco, que por várias vezes quebrou a rotina protocolar para dar atenção a pessoas que o queriam tocar. Mostrou humildade no agir e no falar. Ganhou o coração de muitos quando disse que é possível "por mais água no feijão", uma forma bem simples de dizer-nos que podemos repartir com os irmãos o alimento que nós temos. É muito fácil sermos solidários! Sem ostentação... Uma licão fácil de aprender e de por em prática!
Euclides Riquetti
27-07-2013
Num primeiro momento, você pode achar que isso seja uma exigência descabida, um querer demais, uma proposta inconcebível, mas concordo plenamente com o modo de pensar dele. Primeiro, porque o dinheiro é dele e, para dispensá-lo, pode fazer as exigências que quiser. Segundo, porque é preciso compreender a sua intenção, qual seu verdadeiro proposito.
E o dele era bem simples: todo o cidadão que se submete às regras de uma religião, seja qual for, tenderá a se submeter às regras da sociedade em que participa, das normas da empresa em que trabalha, do grupo de convivência social em que está inserido. E o time de futebol, dentro de um conceito moderno de visão, representa um cenário no qual multidões se espelham para a formatação da conduta diária.
Dizia mais: "Todo o domingo ligo para meu filho que mora em outro estado, muito longe, para ver como ele está, como está sua família, se foi à missa. Meus filhos não podem ser pessoas sem religião. Todas as pessoas precisam ter uma. E eles sabem o que eupenso sobre isso".
Comecei a observar mais a vida desse cidadão e constatei que suas atitudes e as de sua família eram todas louváveis, Defendiam causas populares muito nobres, tinham um grande compromisso com a ética social, moral e cristã.
Agora, com a presença do Papa Francisco no Brasil, vi algo muito inovador e que deveria ser regra: Ele recebeu líderes de outras igrejas que não a católica para conversar e mostrar para o mundo que as religiões, a religação com as verdades e o bem, precisa acontecer efetivamente. E, ainda, as atitudes de simplicidade, peculiares de um franciscano, são um verdadeiro exemplo a ser seguido por todas as lideranças. E os liderados se espelharão nas atitudes de seus líderes, certamente.
Encantaram-me algumas ações do Papa Francisco, que por várias vezes quebrou a rotina protocolar para dar atenção a pessoas que o queriam tocar. Mostrou humildade no agir e no falar. Ganhou o coração de muitos quando disse que é possível "por mais água no feijão", uma forma bem simples de dizer-nos que podemos repartir com os irmãos o alimento que nós temos. É muito fácil sermos solidários! Sem ostentação... Uma licão fácil de aprender e de por em prática!
Euclides Riquetti
27-07-2013
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Poetas são apenas... poetas!
Ao final da década de 1990, sempre que ia a Joaçaba, passava defronte a uma loja de carros. Belíssimos modelos expostos, para todos os tamanhos de bolsos. Hatches, sedãs, caminhonetes dupladas nacionais e possantes importados, exuberantes, todos. Eu ficava embasbacado diante de tanto luxo e modernidade. Depois que aquelle presidente falou que só fabricávamos carroças, nossos criativos engenheiros e desenhistas (não conhecíamos os "designers"ainda), passaram a criar bólidos sofisticados para não apanhar dos modelos alemães, japoneses, americanos e franceses.
E as indústrias montadoras, aproveitando as facilidades de financiaments oferecidas pelo Governo Brasileiro, visualizaram a oportunidade de ganhar muito dinheiro. E, cada vez mais protegidas pelo Poder, mais dinheiro ganharam e mais ainda ganham agora. Você compra o carro de seus sonhos, sem avalista, num piscar de olhos, e vai ajudar a entopetar as estreitas ruas das cidades, enquanto as autoridades ficam tentando achar fórmulas de facilitar a mobilidade urbana, Aliás, esse termo já está na relação dos ultrapassados, fala-se, no momento, em mobilidade humana, o que, aliás,é muito correto, pois precisamos primeiro pensar no ser humano e depois na máquina. Esta fica prioridade de governos, pois lhe garante fartura na arrecadação de tributos.
Parei uma vez nessa loja e fiz amizade com o proprietário. Pareceu-me uma pessoa boa e honesta aquele senhor de fala calma e respeitosa. Demonstrava conhecer o mercado dos automóveis, sabia quanto pagar por um seminovo inteiraço e também quanto pedir no momento da venda. Trabalhava com um estoque de veículos de não mais que 20 unidades, o que, para a época, era bastante. Compraria meu usado de dois anos e me venderia um semi com baixíssima quilometragem, segiríamos a Tabela 4 Rodas, a confiável na época e na qual todos se pautavam. Claro que teríamos que considerar um ganho real de pelo menos uns 5% para ele, com o que eu concordava. Voltaria mais adiante, outras vezes, para fecharmos negócio.
Passados dois meses, quando senti que era hora de fazer negócio, voltei lá. O ambiente parecia modificado, não havia mais tantos carros, a loja parecia acanhada. Um rapaz, com uma caneta, rabiscava umas folhas de papel, escrevia frases, riscava, mudava, parecia não estar satisfeito com aqueles escritos a que tentava dar forma. Estava compondo uma poesia...
Simpatizei com ele, disse que eu também gostava de fazer poemas, que tinha aqueles dias em que tudo me vinha com facilidade, outros nem tanto... Senti empatia e em minutos falávamos como se velhos amigos já fôssemos. Acho que os poetas devem ter algo que os atrai, une, coloca a andar num mesmo caminho, independente de fazerem ou não algum esforço para isso. Perguntei pelo proprietário e senti uma expressão muito triste e uma fragilidade enorme em suas palavras. Aquele rapaz forte, estimulado pela sua veia de poeta, transformava-se... e transtornava-se! Disse-me que seu pai falecera recentemente ,que havia comprado um carrão numa cidade vizinha e que, ao buscá-lo, tivera um acidente e perdera a vida. As lágrimas brotaram dos olhos daquele jovam poeta, que deixava a sensibilidade transbordar de sua alma para alojar-se nos versos que caminhavam pelas linhas de um caderno universitário.
Tentei animá-lo, disse-lhe que seu pai fora uma pessoa boa, que seguramente hava encontrado um lugar muito bonitoa e agradável na Glória Eterna, para onde vão os que fizeram o bem aqui na terra. Pedi para ver seus poemas e ele recobrou-se, gentilmente me apresentava a seus versos livres e brancos, a suas redondilhas, aos seus alexandrinos. Fiquei maravilhado! Emendamos a conversa e descobri que, com a perda do pai, trancara a faculdade na cidade onde estudava e voltara para ajudar a mãe a cuidar dos negócios.
Saí de lá muito pensativo e muito triste. Comentei com uns amigos sobre isso e tinha uma preocupação: nunca vira um poeta dar-se bem nos negócios. Negociantes tomam decisões com a razão, têm habilidades matemáticas, são ágeis no argumentar e rápidos no convencer. Poetas raciocinam com a alma, entre ganhar e perder optam por perder, antes de magoar alguém. Verdadeiros poetas têm aguçados sentimentos, olham muito mais para o outro do que para si mesmos. Enquanto os primeiros vivem a realidade, nós, poetas, vivemos o sonho... E parece que, não raras vezes, este tolhe nossa capacidade de organizarmos nossas ideias em relacão a prover nosso sustento. Lembro-me do colega de República e de curso de Letras na Fafi, Francisco Samonek, o moço de Rio Azul, que escreveu o poema: "Poeta ou Matemático??" em que transpirava o dilema do escritor diante de uma escolha...
'
Tempos depois, passei por lá e já havia um novo proprietário. Disse-me que o rapaz fora mal nos negócios, que a mãe ficara doente, que não havia como continuar, passou-lhe o ponto e foi embora da cidade. Duas décadas depois, percebi, através de que seus parentes moram no mesmo bairro que eu, ( e me confirmaram minhas suposições): poetas são apenas poetas. Têm muita riqueza em si mesmos. Uma riqueza interior que dividem, gratuitamente, com todas as pessoas. Ficam pagos pelos seus serviços apenas por sentirem que alguém lê seus escritos. E que, muitas e muitas vezes, têm os pensamentos afinados, navegam juntos no mar, flutuam pelos ares, sem mesmo sair de casa, sem nunca se terem conhecido...Poetas são apenas.... poetas!
Euclides Riquetti
26-07-2013
E as indústrias montadoras, aproveitando as facilidades de financiaments oferecidas pelo Governo Brasileiro, visualizaram a oportunidade de ganhar muito dinheiro. E, cada vez mais protegidas pelo Poder, mais dinheiro ganharam e mais ainda ganham agora. Você compra o carro de seus sonhos, sem avalista, num piscar de olhos, e vai ajudar a entopetar as estreitas ruas das cidades, enquanto as autoridades ficam tentando achar fórmulas de facilitar a mobilidade urbana, Aliás, esse termo já está na relação dos ultrapassados, fala-se, no momento, em mobilidade humana, o que, aliás,é muito correto, pois precisamos primeiro pensar no ser humano e depois na máquina. Esta fica prioridade de governos, pois lhe garante fartura na arrecadação de tributos.
Parei uma vez nessa loja e fiz amizade com o proprietário. Pareceu-me uma pessoa boa e honesta aquele senhor de fala calma e respeitosa. Demonstrava conhecer o mercado dos automóveis, sabia quanto pagar por um seminovo inteiraço e também quanto pedir no momento da venda. Trabalhava com um estoque de veículos de não mais que 20 unidades, o que, para a época, era bastante. Compraria meu usado de dois anos e me venderia um semi com baixíssima quilometragem, segiríamos a Tabela 4 Rodas, a confiável na época e na qual todos se pautavam. Claro que teríamos que considerar um ganho real de pelo menos uns 5% para ele, com o que eu concordava. Voltaria mais adiante, outras vezes, para fecharmos negócio.
Passados dois meses, quando senti que era hora de fazer negócio, voltei lá. O ambiente parecia modificado, não havia mais tantos carros, a loja parecia acanhada. Um rapaz, com uma caneta, rabiscava umas folhas de papel, escrevia frases, riscava, mudava, parecia não estar satisfeito com aqueles escritos a que tentava dar forma. Estava compondo uma poesia...
Simpatizei com ele, disse que eu também gostava de fazer poemas, que tinha aqueles dias em que tudo me vinha com facilidade, outros nem tanto... Senti empatia e em minutos falávamos como se velhos amigos já fôssemos. Acho que os poetas devem ter algo que os atrai, une, coloca a andar num mesmo caminho, independente de fazerem ou não algum esforço para isso. Perguntei pelo proprietário e senti uma expressão muito triste e uma fragilidade enorme em suas palavras. Aquele rapaz forte, estimulado pela sua veia de poeta, transformava-se... e transtornava-se! Disse-me que seu pai falecera recentemente ,que havia comprado um carrão numa cidade vizinha e que, ao buscá-lo, tivera um acidente e perdera a vida. As lágrimas brotaram dos olhos daquele jovam poeta, que deixava a sensibilidade transbordar de sua alma para alojar-se nos versos que caminhavam pelas linhas de um caderno universitário.
Tentei animá-lo, disse-lhe que seu pai fora uma pessoa boa, que seguramente hava encontrado um lugar muito bonitoa e agradável na Glória Eterna, para onde vão os que fizeram o bem aqui na terra. Pedi para ver seus poemas e ele recobrou-se, gentilmente me apresentava a seus versos livres e brancos, a suas redondilhas, aos seus alexandrinos. Fiquei maravilhado! Emendamos a conversa e descobri que, com a perda do pai, trancara a faculdade na cidade onde estudava e voltara para ajudar a mãe a cuidar dos negócios.
Saí de lá muito pensativo e muito triste. Comentei com uns amigos sobre isso e tinha uma preocupação: nunca vira um poeta dar-se bem nos negócios. Negociantes tomam decisões com a razão, têm habilidades matemáticas, são ágeis no argumentar e rápidos no convencer. Poetas raciocinam com a alma, entre ganhar e perder optam por perder, antes de magoar alguém. Verdadeiros poetas têm aguçados sentimentos, olham muito mais para o outro do que para si mesmos. Enquanto os primeiros vivem a realidade, nós, poetas, vivemos o sonho... E parece que, não raras vezes, este tolhe nossa capacidade de organizarmos nossas ideias em relacão a prover nosso sustento. Lembro-me do colega de República e de curso de Letras na Fafi, Francisco Samonek, o moço de Rio Azul, que escreveu o poema: "Poeta ou Matemático??" em que transpirava o dilema do escritor diante de uma escolha...
'
Tempos depois, passei por lá e já havia um novo proprietário. Disse-me que o rapaz fora mal nos negócios, que a mãe ficara doente, que não havia como continuar, passou-lhe o ponto e foi embora da cidade. Duas décadas depois, percebi, através de que seus parentes moram no mesmo bairro que eu, ( e me confirmaram minhas suposições): poetas são apenas poetas. Têm muita riqueza em si mesmos. Uma riqueza interior que dividem, gratuitamente, com todas as pessoas. Ficam pagos pelos seus serviços apenas por sentirem que alguém lê seus escritos. E que, muitas e muitas vezes, têm os pensamentos afinados, navegam juntos no mar, flutuam pelos ares, sem mesmo sair de casa, sem nunca se terem conhecido...Poetas são apenas.... poetas!
Euclides Riquetti
26-07-2013
Oração às crianças
Crianças nos fazem felizes porque são crianças
Crianças nos dizem coisas que nos encantam
Crianças filhas de mães dignas, dóceis e santas
Crianças que nós amamos, lindas crianças!
A criança torna o mundo muito mais feliz
Porque em cada olhar desperta ternura
Porque em cada rosto há carinho e doçura
Há amor em seus gestos e em tudo o que diz.
Deus, abençoe as crianças que cantam, faceiras
E também as que buscam o pão pra comer
E aquelas sem pais e sem lar pra viver.
Proteja as que passam frio nas noites de inverno
E as que rezam, esperançosas, pelo Pai Eterno.
Abençõe, Meu Deus, as crianças brasileiras!
Euclides Riquetti
25-07-2013
Crianças nos dizem coisas que nos encantam
Crianças filhas de mães dignas, dóceis e santas
Crianças que nós amamos, lindas crianças!
A criança torna o mundo muito mais feliz
Porque em cada olhar desperta ternura
Porque em cada rosto há carinho e doçura
Há amor em seus gestos e em tudo o que diz.
Deus, abençoe as crianças que cantam, faceiras
E também as que buscam o pão pra comer
E aquelas sem pais e sem lar pra viver.
Proteja as que passam frio nas noites de inverno
E as que rezam, esperançosas, pelo Pai Eterno.
Abençõe, Meu Deus, as crianças brasileiras!
Euclides Riquetti
25-07-2013
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Não nutra amor por quem não merece
Não nutra seu amor por quem não merece
Não perca seu tempo com pessoas vulgares
Não acredite em palavras vãs e fugazes
Não entregue seu corpo a quem não conhece.
Não perca seu sono em suas noites preciosas
Não nutra paixões que a façam sofrer
Não se deixe envolver pelo falso querer
Não navegue por águas de ondas duvidosas.
Olhe em volta de si, com seu olhar contagiante
Procure entre todos quem apenas lhe faz bem
Deixe-se guiar pela intuição que você tem
E busque encontrar perto o que procura tão distante.
Quem sabe ali esteja a resposta que você procura
O sol a lhe mostrar qual o melhor caminho
O rumo a seguir sem as pedras e os espinhos
Uma estrada de amor, de carinho e ternura...
Pois você merece!.
Euclides Riquetti
24-07-2013
Não perca seu tempo com pessoas vulgares
Não acredite em palavras vãs e fugazes
Não entregue seu corpo a quem não conhece.
Não perca seu sono em suas noites preciosas
Não nutra paixões que a façam sofrer
Não se deixe envolver pelo falso querer
Não navegue por águas de ondas duvidosas.
Olhe em volta de si, com seu olhar contagiante
Procure entre todos quem apenas lhe faz bem
Deixe-se guiar pela intuição que você tem
E busque encontrar perto o que procura tão distante.
Quem sabe ali esteja a resposta que você procura
O sol a lhe mostrar qual o melhor caminho
O rumo a seguir sem as pedras e os espinhos
Uma estrada de amor, de carinho e ternura...
Pois você merece!.
Euclides Riquetti
24-07-2013
terça-feira, 23 de julho de 2013
O dia em que minha vida virou ao avesso
O dia 22 de julho de 1984 me é inesquecível. Tinha tudo planejado: jogar bola, ir a uma festa, descansar para na segunda trabalhar. Levantei-me cedo, peguei a sacola com minhas chuteiras, despedi-me da família e fui para o Estádio do Arabutã. Era o dia mais frio do ano, um domingo. Tivéramos duas semanas de férias escolares e, no dia seguinte, haveria o reinício das aulas. Queria aproveitar bem meu domingo. Depois do jogo, me encontraria com a família e amigos numa festa de batizado.
Ali, ao lado do Estádio, havia uma sede recreativa onde seria realizada a festa do batizado da Aquidauana, uma bebezinha, filha do compadre Neri Miqueloto e da Zenete. Fui o primeiro a chegar ao campo. Havia neblina e frio, muito frio. A promogênita deles, que atualmente cursa um doutorado nos Estados Unidos.
Nove horas e já estávamos em campo. O treinador Valdomiro Correa deu-me a camisa branca com mangas vermelhas, número 4, jogaria como quarto zagueiro, fazendo dupla com o Fank. Normalmente eu jogava com a 2, na lateral direita. Nsta atuou o Mantovani, que era apelidado de "25". Era o mais maduro da turma. Na esquerda, o Mingo Barbina. Eu tinha 31 anos e estava em plena forma física. E me achava velho... Tinha ossos fortes, minha mãe sempre dizia que me deu muito cálcio quando criança. E eu achava que jamais pudesse machucar-me, era muito corajoso nas jogadas, não tinha medo de que algo me pudesse acontecer...
Placar ainda em branco e nossos adversários fazendo pressão. Formávamos linha de impedimento, já tínhamos um ótimo entrosamento e sempre que jogávamos, nos adiantávamos quando o adversário iria lançar a bola. Deixávamos os desavisados sempre impedidos. Nossa média de idade era bem acima da deles e tínhamos que dispor de nossa esperteza para enfrentá-los. E, num desses lances, quando saímos, um de nossos jogadores deu condição legal de jogo para os adversários. O Tita, de 16 anos, muito habilidoso e veloz, recebeu a bola e saí atrás dele. Quando ele entrou na grande área e ia fazer o gol, alcancei-o e dei toda a força possível para cortar a bola. Nesse instante, veio o goleiro, meu companheiro, num carrinho e me atingiu. Foi um estouro. Disseram-me o Mafra, o Marcon e o Nito Miqueloto, meus companheiros, que pareceu um tiro de revólver 38. Senti que algo de muito ruim me havia acontecido. Eu não queria acreditar: O que iriam dizer meus familiares? Cmo iria dar aulas no dia seguinte?
Meu colegas vieram acudir-me. Estavam apavorados. Olhei para minha perna direita e o pé estava desgovernado. A perna dobrou-se, apenas a pele mantinha o pé preso ao meu corpo. Uma fratura na Tíbia, duas no Perônio, e os ossos esfacelados. Uma senhora contusão! Tiraram minhas chuteiras, minhas meias. Uniformizados, não conseguiam achar as chaves dos carros para levar-me ao hospital. Ficaram todos atrapalhados. Vi o Irineu Miqueloto (saudoso...), que viera de Ponta Grossa para o batizado de sua sobrinha, pedi para que me socorresse, e ele, apavorado, no alambrado, procurava nos bolsos as chaves de seu carro, e nada! Até se esquecera de que não estava de carro lá. Havia deixado o carro com a esposa e nem se lembrava disso. Estavam todos desorientados...
Enfim, os amigos Vilson Farias, atual Vice-prefeito de Capinzal, e o Alvanir Mafra, com o Fusca deste, resolveram que deveríamos ir de imediato para o hospital, no fusca. Colocaram-me no banco traseiro, o Mafra dirigia e o Farias me dava apoio moral. Iríamos direto pra Joaçaba, onde haveria ortopedista no Hospital Santa Terezinha.
Na estrada eu olhava para o espelhinho retrovisor e via que estava pálido, meus cabelos molhados, o rosto muito suado. Não sentia dor, ainda, porque estava om o corpo muito quente, havia corrido muito e por mais de meia hora. Não me conformava por aquilo estar acontecendo comigo...
Em menos de meia hora estávamos nas ruas centrais de Joaçaba, onde não haia asfalto ainda. Quando o carro trafegava sobre sobre os paralelepípedos do calçamento, os ossos pareciam espinhar os músculos e doía muito, muito. No Hospital Santa Teresinha, fui posto na numa maca, e o médico Dr. Marino, ortopedista, colocou uns saquinhos de areia nos lados da perna, imoilizando-a. Como que se a mão de Deus tirasse a dor, senti-me aliviado. Veio o raio-x, o gesso, envolvendo toda a perna até a bacia. Não havia necessidade de cirurgia, graças a Deus. Apenas 90 dias no gesso. Levaram-me para casa. Eu estava chateado porque minha família não pudera participar da festa da Aquidauana. mas não sentida dores. Até que passou o efeito da anestesia quando passei por dores insuportáveis. Ligaram para o hospital e indicaram-me injeções para alviar a dor que um rapaz, meu aluno, o Neodir Zanini, veio aplicar, junto com o pai dele, o Nadir.jovem, trabalhava na Farmácia São Pedro. A dor ia e voltava...
À noite, demorei para dormir. Depois sonhei. Sonhei que estava numa bela tarde de sol, lá no mesmo campo, jogando futebol, mas na lateral esquerda, com a camisa 6. Jogando contra o Clube 4 S de Linha Sul, marcando o Joãozinho Baretta, um primo. Ele estava de camisa verde e eu marcando-o.
Muitos dias com dores, passei os primeiros vendo na TV as Olimpíadas de Los Ângeles, torcendo pelo Brasil, em especial pelo goleiro Gilmar Rinaldi, que defendeu até pênaltis. E nos deu a Medalha de Prata. O Gilmar foi nosso compnheiro de bola no campinho, ali no Ouro, quando vinha passar as férias na casa de sua irmã, a Matilde. Jogava no Inter, depois jogou no São Paulo, na Udinese, num clube do Japão e n Flamengo.
Seis meses depois, estava eu de volta aos campos. Mudei meu jeito de jogar, mais cauteloso, usando menos a força e mais a inteligência. Percebi que nosso corpo tem limites, esta foi minha lição. E consegui correr atrás da bola por mais 25 anos, apenas com 3 meses de interrupção em 98, quando estourei menisco e ligamentos, pondo até parafuso de titânio no joelho esquerdo, que está ali até hoje. Estou até pensando em voltar a jogar, agora na Primavera...
Realmente, aquele domingo, 22 de julho de 1984, meu mundo ficou de pernas pro ar. Mas sobrevivi!
Euclides Riquettii
22-07-2013
Ali, ao lado do Estádio, havia uma sede recreativa onde seria realizada a festa do batizado da Aquidauana, uma bebezinha, filha do compadre Neri Miqueloto e da Zenete. Fui o primeiro a chegar ao campo. Havia neblina e frio, muito frio. A promogênita deles, que atualmente cursa um doutorado nos Estados Unidos.
Nove horas e já estávamos em campo. O treinador Valdomiro Correa deu-me a camisa branca com mangas vermelhas, número 4, jogaria como quarto zagueiro, fazendo dupla com o Fank. Normalmente eu jogava com a 2, na lateral direita. Nsta atuou o Mantovani, que era apelidado de "25". Era o mais maduro da turma. Na esquerda, o Mingo Barbina. Eu tinha 31 anos e estava em plena forma física. E me achava velho... Tinha ossos fortes, minha mãe sempre dizia que me deu muito cálcio quando criança. E eu achava que jamais pudesse machucar-me, era muito corajoso nas jogadas, não tinha medo de que algo me pudesse acontecer...
Placar ainda em branco e nossos adversários fazendo pressão. Formávamos linha de impedimento, já tínhamos um ótimo entrosamento e sempre que jogávamos, nos adiantávamos quando o adversário iria lançar a bola. Deixávamos os desavisados sempre impedidos. Nossa média de idade era bem acima da deles e tínhamos que dispor de nossa esperteza para enfrentá-los. E, num desses lances, quando saímos, um de nossos jogadores deu condição legal de jogo para os adversários. O Tita, de 16 anos, muito habilidoso e veloz, recebeu a bola e saí atrás dele. Quando ele entrou na grande área e ia fazer o gol, alcancei-o e dei toda a força possível para cortar a bola. Nesse instante, veio o goleiro, meu companheiro, num carrinho e me atingiu. Foi um estouro. Disseram-me o Mafra, o Marcon e o Nito Miqueloto, meus companheiros, que pareceu um tiro de revólver 38. Senti que algo de muito ruim me havia acontecido. Eu não queria acreditar: O que iriam dizer meus familiares? Cmo iria dar aulas no dia seguinte?
Meu colegas vieram acudir-me. Estavam apavorados. Olhei para minha perna direita e o pé estava desgovernado. A perna dobrou-se, apenas a pele mantinha o pé preso ao meu corpo. Uma fratura na Tíbia, duas no Perônio, e os ossos esfacelados. Uma senhora contusão! Tiraram minhas chuteiras, minhas meias. Uniformizados, não conseguiam achar as chaves dos carros para levar-me ao hospital. Ficaram todos atrapalhados. Vi o Irineu Miqueloto (saudoso...), que viera de Ponta Grossa para o batizado de sua sobrinha, pedi para que me socorresse, e ele, apavorado, no alambrado, procurava nos bolsos as chaves de seu carro, e nada! Até se esquecera de que não estava de carro lá. Havia deixado o carro com a esposa e nem se lembrava disso. Estavam todos desorientados...
Enfim, os amigos Vilson Farias, atual Vice-prefeito de Capinzal, e o Alvanir Mafra, com o Fusca deste, resolveram que deveríamos ir de imediato para o hospital, no fusca. Colocaram-me no banco traseiro, o Mafra dirigia e o Farias me dava apoio moral. Iríamos direto pra Joaçaba, onde haveria ortopedista no Hospital Santa Terezinha.
Na estrada eu olhava para o espelhinho retrovisor e via que estava pálido, meus cabelos molhados, o rosto muito suado. Não sentia dor, ainda, porque estava om o corpo muito quente, havia corrido muito e por mais de meia hora. Não me conformava por aquilo estar acontecendo comigo...
Em menos de meia hora estávamos nas ruas centrais de Joaçaba, onde não haia asfalto ainda. Quando o carro trafegava sobre sobre os paralelepípedos do calçamento, os ossos pareciam espinhar os músculos e doía muito, muito. No Hospital Santa Teresinha, fui posto na numa maca, e o médico Dr. Marino, ortopedista, colocou uns saquinhos de areia nos lados da perna, imoilizando-a. Como que se a mão de Deus tirasse a dor, senti-me aliviado. Veio o raio-x, o gesso, envolvendo toda a perna até a bacia. Não havia necessidade de cirurgia, graças a Deus. Apenas 90 dias no gesso. Levaram-me para casa. Eu estava chateado porque minha família não pudera participar da festa da Aquidauana. mas não sentida dores. Até que passou o efeito da anestesia quando passei por dores insuportáveis. Ligaram para o hospital e indicaram-me injeções para alviar a dor que um rapaz, meu aluno, o Neodir Zanini, veio aplicar, junto com o pai dele, o Nadir.jovem, trabalhava na Farmácia São Pedro. A dor ia e voltava...
À noite, demorei para dormir. Depois sonhei. Sonhei que estava numa bela tarde de sol, lá no mesmo campo, jogando futebol, mas na lateral esquerda, com a camisa 6. Jogando contra o Clube 4 S de Linha Sul, marcando o Joãozinho Baretta, um primo. Ele estava de camisa verde e eu marcando-o.
Muitos dias com dores, passei os primeiros vendo na TV as Olimpíadas de Los Ângeles, torcendo pelo Brasil, em especial pelo goleiro Gilmar Rinaldi, que defendeu até pênaltis. E nos deu a Medalha de Prata. O Gilmar foi nosso compnheiro de bola no campinho, ali no Ouro, quando vinha passar as férias na casa de sua irmã, a Matilde. Jogava no Inter, depois jogou no São Paulo, na Udinese, num clube do Japão e n Flamengo.
Seis meses depois, estava eu de volta aos campos. Mudei meu jeito de jogar, mais cauteloso, usando menos a força e mais a inteligência. Percebi que nosso corpo tem limites, esta foi minha lição. E consegui correr atrás da bola por mais 25 anos, apenas com 3 meses de interrupção em 98, quando estourei menisco e ligamentos, pondo até parafuso de titânio no joelho esquerdo, que está ali até hoje. Estou até pensando em voltar a jogar, agora na Primavera...
Realmente, aquele domingo, 22 de julho de 1984, meu mundo ficou de pernas pro ar. Mas sobrevivi!
Euclides Riquettii
22-07-2013
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Doces lábios de morango
Beijo seus lábios doces de morango
De divina pele avermelhada
O delicioso aroma vai-me contagiando
Com o gosto de sua essência adocicada.
Sorver seus lábios e sentir seus olhos distanciados
Perdidos na planície que se estende ao longe
Sentir seu coração aberto aos meus afagos
Tentando me levar pra não sei onde.
Ah, doces lábios de morango que me seduzem
Ah, corpo grácil que me aquece nesta tarde fria
Ah, mãos suaves que nas noites me conduzem
Morangos que bailam na música da grande orquestra
Que devolvem a minh' alma a nostalgia
Que fazem minha vida ser u'a grande festa!
Euclides Riquetti
22-07-2013
De divina pele avermelhada
O delicioso aroma vai-me contagiando
Com o gosto de sua essência adocicada.
Sorver seus lábios e sentir seus olhos distanciados
Perdidos na planície que se estende ao longe
Sentir seu coração aberto aos meus afagos
Tentando me levar pra não sei onde.
Ah, doces lábios de morango que me seduzem
Ah, corpo grácil que me aquece nesta tarde fria
Ah, mãos suaves que nas noites me conduzem
Morangos que bailam na música da grande orquestra
Que devolvem a minh' alma a nostalgia
Que fazem minha vida ser u'a grande festa!
Euclides Riquetti
22-07-2013
domingo, 21 de julho de 2013
Rosas enganadas
Enganaram as rosas
De todas as cores e matizes
Deixaram-nas felizes
Belas e formosas
Suavemente cheirosas.
Enganaram-nas sutilmente
As roseiras e suas rosas
Com suas pétalas olorosas
Delicadamente, docemente:
Enganaram as rosas...
Quem as enganou, assim de repente?
Seria já primavera, ou o inverno é tardio?
Até agora, bem diferente
Mas que ainda virá, certamente
Para repor a névoa, no rio...
Fantástico cenário multicolorido
Rosas esplendorosas em beleza
Majestosas em sua nobre realeza
Que tornam meu jardim divinamente florido
Vindas por engano, enganadas pela natureza...
Vindas antes do tempo, por que não?
Para alegrar minha alma de poeta
Para deixar minha alma repleta
Para compensar a minha solidão
Dar-me a vida, dar-me amor e paixão!
Euclides Riquetti
21-07-2013
De todas as cores e matizes
Deixaram-nas felizes
Belas e formosas
Suavemente cheirosas.
Enganaram-nas sutilmente
As roseiras e suas rosas
Com suas pétalas olorosas
Delicadamente, docemente:
Enganaram as rosas...
Quem as enganou, assim de repente?
Seria já primavera, ou o inverno é tardio?
Até agora, bem diferente
Mas que ainda virá, certamente
Para repor a névoa, no rio...
Fantástico cenário multicolorido
Rosas esplendorosas em beleza
Majestosas em sua nobre realeza
Que tornam meu jardim divinamente florido
Vindas por engano, enganadas pela natureza...
Vindas antes do tempo, por que não?
Para alegrar minha alma de poeta
Para deixar minha alma repleta
Para compensar a minha solidão
Dar-me a vida, dar-me amor e paixão!
Euclides Riquetti
21-07-2013
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