sábado, 10 de agosto de 2013

No Silêncio da Madrugada...

Acordo na madrugada, num repente
Apenas a música do silêncio e da magia...
Não há mais barulhos, foi-se a gente
Na fresca madrugada, calma e silente
Apenas uma leve nostalgia!

Na madrugada do lençol macio, da cama quente
Um frágil pulsar de corações
Nos corpos que se encostam levemente
Quando  amantes  se perdem sutilmente
E brotam mil amores, mil paixões.

É no silêncio da madrugada que eu escuto seu coração
Não sei  de onde, mas manda-me sua música contagiante
De seu pulsar harmônico embebido de paixão.

É na madrugada que meu pensamento move-se no ar
E vai em busca  de seus olhos cativantes
Vai em busca de encontrar seu belo olhar...

Euclides Riquetti
11-08-2013

Quero ganhar teu beijo, quero muito, quero!

Quero dar-te um abraço terno
Um abraço simples, mas que seja eterno
Não mais descolar-me de ti
Um eterno e terno abraço,  em ti
Eterno, eterno abraço terno!

Quero levar-te o abraço do encantamento
O abraço que se perde no firmamento
E que se encontra, depois, ali depois do raio de sol
O abraço que se esconde... sob o branco lençol!
E que te percas em mim por um mágico momento...

Quero que aceites meu abraço dado
Quero que me apertes  no abraço apertado
O abraço na manhã que te surpreende
O abraço no teu corpo que me acende
E que busca o teu beijo sagrado...

Enfim, não te surpreendas, não
Com as reações de teu coração!
E não te assustes com minha ousadia
Nem  te incomodes com tanta rebeldia
Pois quero apenas tua atenção.

Quero dar-te um abraço terno
Quero ganhar teu beijo, quero muito, quero!

Euclides Riquetti
10-08-2013

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

As asas da Megan Fox

          Divina e maravilhosa. Atraente, sedutora, encantadora... Olhar distante e belo, olhos divinamente desenhados. Corpo esculpido, desejado... Assim é a atriz Megan Fox, protagonista de "O Anjo do Desejo", uma produção americana de 2010, em que nossa Diva tem seu coração ( e corpo de Vênus), disputado por Nate e Happy, personagens de Mickey Rourke e Bill Murray.

          No filme, nossa belíssima compõe uma personagem dotada de asas, Lily,  dominada por um dono de circo que a tem como principal atração dentre seu elenco de artistas. Nate, um trompetista boêmio que trabalha em clubes noturnos de Las Vegas, apaixona-se perdidamente por ela, mas precisa disputá-la com Happy, que vê nela o produto para muitos ganhos, financeiros e pessoais.

          O filme, na verdade, é um sonho de Nate, e gostar dele ou não é uma questão de preferência. Procurei nos sites da net e percebi que a maioria dos comentários postados por cinéfilos o consideram um péssimo filme. Mas a questão é como gostar de vinho, cachaça ou cerveja. Eu prefiro licor. Ou coca-cola. Ou guaraná da Antárctica sem pipoca... (Aliás, vi o filme no Telecine Pipoca)!

          Gosto da fábula, da fantasia, do romance, da paixão, da beleza feminina que escraviza os homens, que faz com que os machões se tornem cordeirinhos. Gosto de olhos bonitos, corpos esculturais, cenário bonito, coisas encantadoras. Gosto de viajar no imaginário, no mundo dos sonhos, na suprarrealidade, que é bem melhor do que a realidade e me faz bem. Tenho alma e sensibilidade para a arte e não consegui isso na escola nem lendo livros. É algo que veio naturalmente  em mim, que está em mim, que ficou em mim.

Mas também sei apreciar o filme cabeça, com bons enredos, com histórias consistentes, com bons atores. Assim como destesto ver alguns filmes  mal produzidos, fincanciados com o meu, com o seu dinheiro, com o leite generoso das tetas da  vaca da viúva. Não generalizo, pois temos ótimas produções brasileiras, com grandes atores e atrizes. Mas há muito oportunismo e produção barata com custo alto que pago para não ver.

          Recomendo-o, assim, às pessoas que têm a alma leve, que têm o coração sonhador, que entendem que  mundo não se pauta totalmente na lógica, que a vida pode ser um maravihoso sonhar. Não procurem entender nada no filme. Apenas curtam a beleza de sonhar, sonhar, sonhar... E aplaudir o amor e suas histórias!

Euclides Riquetti
09-08-2013

         

Feliz aniversário!

                Se meu pai, Guerino Riquetti, estivesse ainda conosco, estaria completando 92 anos. E saber que o perdemos há mais de três décadas, quando ele estava com 55 anos. Eu tinha 24 anos e fiquei muito abalado. Muito chateado e sentido por termos tido a separação definitiva tão cedo, sem antes termos parado para que ele me passasse todas as recomendações que um pai deve fazer a um filho antes de partir. Éramos muito identificados eu e ele. Cursou o primeiro ano de  Filosofia,Seminário São Camilo, na Vila Pompeia, em São Paulo, tendo antes passado pelo de Iomerê, enquanto que cursei Letras na Fafi, em União da Vtória. Em 1974 ele prestou vestibular na mesma para o Curso de Geociências, aos 52 anos. Viramos colegas acadêmicos, o que muito me orgulhava. Lembro-me que ele tinha um professor raivinha e autoritário que mandou-o sair da sala porque estaria mascando chiclete, uma injustiça, pois ele detestava goma de mascar. Meu pai ficou indignado com isso, pois o professor era o dono da situação e queria impor sua autoridade a qualquer preço...

          Herdei muitos dos seus hábitos, temos um biotipo semelhante, ambos gostávamos  de ler muito, eu lhe emprestava meus gibis, O Pato Donald e o Mickey. Ele me emprestava seus livros, lembro bem de "História Sagrada - Antigo e Novo Testamento", que li e reli muitas vezes. Havia a História "José do Egito", que eu adorava. Tinha muita pena do José, que fora vendido pelos irmãos. Também me encantava com a "Parábola do Filho Pródigo", pois ela lembrava muito a hisória de meu progenitor, somente que este saiu para o Seminário adolescente e ficou  anos sem ver seus pais e irmãos, que moravam na Colônia Linha Bonita, no antigo Distrito de Ouro, antigo Rio Capinzal.

          Minha maneira de andar, a postura e o movimento de minhas mãos, a mesma cor dos olhos e dos cabelo  ambos castanhos claros , o precoce agrisalhamento, enfim, restou  muito dele em mim. As mesmas posições sobre religião, política e até sobre carreira profissional.  E acabei fazendo minha carreira profissional como professor, sendo que  por 28 anos atuei na Escola Sílvio Santos, da qual ele foi o primeiro Diretor.

          Tinha muita amizade, era muito inteligente e criativo, falava italiano padrão e francês e, embora poucos saibam, fora organista e pianista nos tempos de seminarista. Quando o perdemos achei que poderia fazer algumas das coisas que ele queria fazer, fiz, consegui usar o poder sem nenhuma vaidade, saí da mesma forma como entrei, sem mudar meu padrão de vida, meus hábitos e meus costumes. Segui a recomendação socratiana que me fez numa correspondência na época em que eu estava na Faculdade, até colocamos em sua lápide, está lá no latim que ambos estudamos: "In medio virtus"! Mais uma semelhança entre nós: ambos estudamos Latim.

          E, desde aquele ano de 1974, quando mandou-me o provérbio, procuro pautar minha vida nesse ensinamento, agindo e me portando dentro de um razoável padrão de equilíbrio e na tomada de atitudes corajosas, mas sensatas.

          Hoje, depois de tantos anos, tenho todas as lembranças bem fixadas em minha memória. E alguns conceitos assumidos; "Pai é  pai! "Filhos devem respeitar os pais!". "Meu pai é o melhor pai do mundo!" "Meu pai é meu herói!" "Meu pai é grande e tudo pode!".  Ele partiu sem ter conhecido meus filhos, infelizmente. Mas me importam, mesmo, são  as lições e exemplos que me deixou e até as amizades que dele herdei. Feliz aniversário, meu velho e querido pai, onde quer que você esteja.

Euclides Riquetti
07-08-2013

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Um beijo teu... um beijo meu!

Um beijo... só um beijo - demorado...profundo!
Um beijo com o ardor do fogo que queima a pele
Um beijo com o amor que abala e fere
Fere de desejo, fere de paixão
Lançando as flechas que chegam... ao coração!

Um coração sentido, ferido
Um coração levemente  inibido
Mas que no fundo é um vulcão
Em ebulição!

Um beijo é um grande recado
Que diz mais que mil frases escritas
Que milhões de palavras ditas...
Que se perdem na manhã infinita.
Um beijo
Para sempre ser lembrado
Um beijo consentido
Ou um beijo roubado
Desejado...

Um beijo
Apenas um beijo...
Um beijo meu... um beijo teu!

Euclides Riquetti
07-08-2013




terça-feira, 6 de agosto de 2013

Reencontrar amigos - fazer novos amigos - uma emoção!

          Tenho vasculhado a internet em busca de localizar pessoas que fizeram parte, um dia, de minha vida. Dizem que quem foi amigo da gente, um dia, se nós o reencontrarmos, em qualquer tempo,  teremos a sensação de que nós o tínhamos visto pela última vez  recentemente, que o tempo da saudade não é cronológico, que 40 anos ou 40 dias são a mesma coisa. E  tenho ensejado reencontrar as pessoas pessoalmente, marcando encontros que me emocionam.

          Por outro lado, só em teclar com muitos deles, relembrar de bons momentos compartilhados, mesmo que há décadas, já me é motivo para muita alegria.  E quando faço isso, mais do que as palavras que escrevo, sinto que "do outro lado", lá longe, alguém também divide comigo minha alegria e emoção.  Entendo, também, que as amizades verdadeiras não se extinguem, mesmo que em algum momento de nossa vida tenhamos tido pequenos desentendimentos, coisas banais, de pouca ou nenhuma importância. O que vale é o que está registrado em  nosso coração...

          A semana, pra mim, foi de muitas surpresas. Fiz novos amigos aqui em Joaçaba, reconectei-me com outros que não via há longa data, coisa de 30, 40 anos. E como isso faz bem para miha alma! Saber que as pessoas estão bem, que fizeram carreira, tiveram filhos,netos, muitos até aposentaram-se. Com esse canal de comunicação tão ágil que é o facebook, tenho reafirmado amizades com muitos ex-alunos das escolas onde trabalhei: Major Cipriano Rodrigues Almeida, de Zortea; Cenecista Padre Anchieta e Mater Dolorum, de Capinzal; Sílvio Santos, de Ouro. Nessas construí minha carreira de professor e trago amigos dentre os alunos e os colegas professores e funcionários.

          Reconectei-me com amigos que estudaram na Fafi, em União da Vitória, outros que  trabalharam comigo nas empresas Alvaro Mallon e Filhos, de União da Vtória, Zortea Brancher, de Zortea e nos Postos de Serviços  Dambrós e Ipiranga. Ainda com meus companheiros da República Esquadrão da Vida, de União da Vitória. Com meus colegas da Administração Pública, em Ouro. Com pessoas que ao longo dos ano conheci e com as quais convi. Até na convivência das lutas políticas e nos times onde joguei bola, Grêmio Lírio, nos Juvenis e Veteranos do Arabutã e no Navegantes. No Palmeirinhas e até no time dos Engraxates!

          Para cada pessoa eu poderia escrever uma história, uma crônica, uma poesia. Assim, quando escrevo, inspiro-me nas pessoas, nas amizades, nos cidadãos anônimos sobre os quais ninguém nunca escreveu. E aí lembro-me das agremiações lieterárias e culturais, e em dezenas de entidades sociais a comunitárias de que participei, nas viagens que fiz.

          Nos últimos dias fiz muitas amizades aqui em Joaçaba, com pessoas que me fazem bem, que me ajudam a ser mas feliz. A amizade, para mim, é um fator de altíssima importância. A mobilidade enseja a amizade, com mais ou com menos intensidade, por isso mesmo gosto de movimento, envolvimento, de conhecer pessoas.  Um grande abraço a todos os meus amigos!

Euclides Riquetti
06-08-2013

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Cidades com alto IDHM - ônus ou bônus?

          A divulgação dos Índices de Desenvolvimento Humano  Municipal ocorrida há uma semana gerou  alguma euforia, algumas críticas e algumas preocupações. E, também, o costumeiro oportunismo nos meios políticos. Tão logo os dados foram colocados na imprensa, administradores públicos começaram a vangloriar-se em razão dos mesmos, mas vale lembrar que o universo de abrangência do IBGE, que fornece os dados para a sua composição, consideram a variação a partir de 2002 até 2012. Então, muitos gestores nem estavam alçados ao poder ainda.

          E os critérios mais presentes na composição são os de renda da população, saúde (longevidade) e educação (aproveitamento escolar). Métodos perfeitamente de domínio para os técnicos, mas de difícil compreensão para o cidadão comum,  são utilizados para aferir dados e compor os índices, mas o que chama a atenção, sempre, é o ranking das células administrativas, os 'municípios brasileiros. E, no meu caso, também os catarinenses.

         Em Santa Catarina, pela ordem, temos como múnicípios mais desenvolvidos: 1.  Florianópolis,
2. Balneário Camboriú,  3. Joaçaba,  4. São José, e  5. Joinville. Em termos de Brasil, tivemos nossos municípios assim ranqueados: a) Floriaópolis (terceiro), b) Balneário Camboriú (quarto), c) Joaçaba (oitavo); d) São José (vigésimo-primeiro),  e)  Joinville (vigésimo-segundo), e f) Blumenau (vigésmo-quinto).  Excelente classificação se considerarmos que temos 5.570 municípios no território brasileiro.

          As cidades onde passei a maior parte de minha vida:  a) Joaçaba: terceiro em Santa Catarina: b) Porto União: vigésimo-primeiro em Santa Catarina, c) Ouro, quadragésimo-segundo em Santa Catarina, d) Capinzal: nonagésimo-quinto em Santa Catarina. Se considerarmos que nosso Estado tem 295 municípios atualmente, nada tenho a lamentar, mas sim a comemorar. Morei em cidades que estão acima da média estadual e nacional.

          Mas, o que devemos ter em mente, e que essas informações não nos são trazidas facilmente, é que existentem muitas diferenças nos níveis sociais nessas cidades. E que há sérios propblemas estruturais nas mesmas, com baixo índice de saneamento básico, com muitas ruas ainda não pavimentadas e com loteamentos abrigando programas habitacionais em terrenos muito precários. E, mesmo que haja boa votade das autoridades para a regularização da situação, há muitos enraves burocráticos e até jurídicos a retardar a efetivação disso. Duvida? Então veja há quantos anos estão tentando duplicar a BR 101 Sul em Santa Catarina e quantos impedimentos já ocorreram...

          Mas, o que mais orgulha os catarinenses, é estarmos como o estado brasileiro com o menor índice de mortalidade infanil. Já fui Gestor de Saúde em Ouro e sei o quanto é difícil para uma cidade pequena desenvolver seus programas, em razão da fraca arrecadação. Municípios pequenos investem em Educação e Saúde bem mais do que a Lei os obriga Estão fazendo sua parte. É por isso que os resultados aparecem, mesmo que a longo prazo.

          E, você sabe, leitor, qual a vantagem que as cidades com alto IDH têm? Apenas o orgulho de tê-lo! Sabe por quê? - Porque, em Santa Catarina, municípios que têm alto IDH precisam colocar mais dinheiro na contrapartida dos convênios com o Governo do Estado, enquanto que as de menos IDH colocam 5% a menos! E isso vem de tempo, já! Então, admiistradores que fazem direitinho o seu "dever de casa", são penalizados, enquanto que os relapsos são premiados! Lamentavelmente!  Aos competentes o ônus, aos relapsos o bônus!

Euclides Riquetti
05-08-2013
   

domingo, 4 de agosto de 2013

O suave barulho da chuva

Há um suave  barulho na chuva que cai lá fora
E que afaga suavemente meu pensamento
Enquanto o tempo segue  frágil e lento
Levando meus versos jogados ao relento
Na noite  fagueira que se vai  embora...

Há um barulho terno na chuva que cai
E um mergulhar no mar da imaginação
Que me transporta ao porto solidão
Ao cais do oceano da grande ilusão
Na busca do sonho que vem e que vai...

Ah, chuva que molha minha saudade
Chuva que apaga as marcas da nossa  vaidade
Que deixa seus cabelos úmidos e sensuais

Chuva que banha sua pele queimada
Que  refresca o cair da doce madrugada
Vem curar a dor dos meus ais!!!

Euclides Riquetti
04-08-2013



sábado, 3 de agosto de 2013

O toque de suas ( e de minhas) mãos

O toque de suas mãos carinhosas
O beijo nos seus lábios vermelhos
O seu corpo refletido no espelho
O doce  sabor de nossos desejos
As minhas intenções pecaminosas.

O silêncio que vem depois
A quietude que toma lugar
O pensamento a duvidar
A água a se derramar
A inundar o caminho de nós dois.

O toque de minhas mãos em seus ombros morenos
A chama do amor que arde incessantemente
O meu olhar no seu olhar de veneno
A chama do amor que arde vorazmente
A rejeição da dor que mata lentamente...

Ah, lentas noites dos enamorados!
Do toque de nossas mãos, sensual
Do nosso envolvimento frágil mas  real
(Porque a vida não é banal...)
A vida é dos corações apaixonados!

Euclides Riquetti
03-08-2013

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A amizade da Jujuba e da Pietra!

          Quem de nós não teve um  amiguinho ou amiguinha de infância? Há os que têm até amigos imaginários. Eu os tive verdadeiros, em carne e osso, vivinhos e espertinhos da silva. E, por falar nisso, como todo o avô que se preza, eu também tenho orgulho de minha netinha, a Jujuba, é minnha amiguinha, que fez três anos em abril. Ela recolhe o jornal e me traz: "Vovô, olhe aqui o seu jornal!" E outras vezes me traz o radinho de pilhas, meu radinho de pedreiro que ganhei da Carol e da Michele. É que todo o pedreiro tem que ter um bom rádio para escutar no serviço. Traz-me o pen-drive, CDs, chinelos. Sem essa de exploração de mão-de-obra infantil, que ela faz isso porque quer...

          Mas hoje foi meu dia de fazer uma surpresa para ela e sua amiguinha Pietra, que mora aqui pertinho de casa. Com o vô dela, o Pedro, aprendi a fazer um belo balanço. Elas se procuram através das hastes das cercas, se chamam, querem se ver e brincar. E a tropa da idade avançada compactua, alegremente, com isso.

           Reservei duas latinhas dessas de conservas de uns 200 ml, um barbante de algodão de 5 metros para fazer-lhes um telefone com fio. Primeiro mostrei-lhes a diferença entre um celular, sem fio, e o telefone convencional, com fio. Mostrei, deste, por onde o fio sai  de casa, passa pela mureta, sobe  por um cano galvanizado e depois atravessa a rua, dobra a esquina e se gruda  lá na casa da Dona Terezinha, a bisavó da Pietra. E expliquei que a voz é  conduzida através do fio e vai  parar lá  no outro fone. Disseram que entenderam. Não sei se posso acreditar. Alunos na escola,  sempre quando o professor pergunta, dizem  que entenderam tudo e, depois, na hora da prova...

          Com um prego, fiz um furo no fundo de cada lata. Perpassei  o barbante, dei dois nós, corrigi  as bordas das latinhas para que não se cortassem, e ensaiei uns telefonemas. Fazíamos assim quando éramos pequenos. Procuro fazer com que tenham as mesmas experiências que tive quando criança. E elas assimilaram, vão brincar muito de telefone, ainda.  Ela também trouxe-me, outro dia, um carrinho de papel que fez lá na Escola Girassol e me deu de presente. Brinquedos convencionais são instigadores, motivam para a criatividade.

          Nessa semana, duas coisas que a Jujuba fez me fizeram rir. Primeiro, perguntou-me se eu sabia por que os cachorros fazem xixi nas rodas dos carros. Respondi que seria porque as rodas são quentes e atrai o xixi deles. Ela me disse: "Não, é porque eles são safadinhos! Tive que concordar. Pedi-lhe quem lhe ensinou isso e ela me disse que ninguém a ensinou, que sempre vê cachorrinhos fazerem isso..

          Depois, ela estava com as duas mãos ocupadas em mexer com massinhas coloridas, fazendo coisas: bolachas, lápis, balinhas, me ensinava. A vovó pediu-lhe para  ajuntar um lápis do chão e veio a resposta: "Não posso, vovó. Não vê que eu só tenho duas mãos?"

          Lembrei-me da sobrinha da Lili Braun, a Luciane, que ainda pequena pediu para sua mãe se os cabelos de sua vovó eram brancos por causa das artes que esta  fazia para a avó. Ah, mas isso faz muito tempo, foi em 1975 lá em União da Vitória. Agora essa menininha deve estar bem grandinha, uma vez que sua avó está com 88 anos.

          Bem, crianças são nossa verdadeira alegria de viver. Basta que prestemos antenção para ver quantas coisas engraçadas elas fazem. E, como dizem as vovós: quando elas estiverem fazendo algo em silêncio, cuide bem, pois estão aprontando alguma coisa. E a Jujuba e a Pietra não são diferentes!

Euclides Riquetti
02-08-2013



     

         



    

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

É noite...

É noite...
Noite de inquietude
De  escuridão, sem cor
Da perdição e de amor
Cor de negritude.
É noite dos corpos deitados
Nus, quentes, colados!

É noite dos amantes
Das vontades insaciáveis
Noite dos poetas e pensadores
Das almas vulneráveis.

É noite dos corações errantes
Que se despem sem pudores 
Que expõem suas fagilidades
E que buscam a felicidade
Ardentemente...
Incessantemente!

É a noite dos pecados
Que sucede as tardes e precede as  manhãs
Das negras almas vãs
Dos beijos trocados
Do corpo desejado
Noite, apenas mais uma noite
Em que eu me perco infinitamente
Ardorosamente
Em você!

Euclides Riquetti
01/08/2013


quarta-feira, 31 de julho de 2013

As mais recentes considerações do Amílcar

          Liga-me o Amílcar - "Ô, Riquetto!  É o Amílcar. Como que tá o amigo? Passando muito frio ali?"  Respondo que o frio veio tarde, mas muito forte, que matou até os caxis que vieram fora de época, as flores das pereiras, que foi de arrepiar até os cabelos de quem não os tem, como eu.

          "Ma óia, aqui pros lado de Palmas foi muito triste. Coitado dos cortador de erva. Passarum as deles. E em General também. Acho que no Porto num foi diferente.  E nós tinha muitos pedido, muitas incomenda e intón até fumo junto tirá as rama. Ma que tava frio, isso que tava. De fazê o suor virá bolinha de gelo antes de chegá no chão".

          Sempre é uma alegria ouvir o Amílcar. Dei corda pra ele, gosto de escutar suas histórias ricas em detalhes, embora queime muito capim com chuva.  Conversa vai, conversa vem,  lembrei-o de uma vez que fomos jogar futebol num campo que havia ali em União da Vitória,  quando estavam construindo a ponte sobre o Rio Iguaçu. A gente vinha lá do centro, com dois fuscas,  com seis jogadores espremidos em cada um. Passávamos a ponte dos arcos e depois seguíamos pelas bandas da chácara dos Camargo, até o campinho. Na ponte lá perto do bordel, lá pra baixo dos areiais. Jogavam os funcionários da Proenge, onde trabalhava o colega Osvaldo Bet, e nós íamos para ajudar a compor o elenco. Os adversários eram uns peões lá do Rio Jangada. Nem um torcedor. Apenas dois times, poucos reservas que era pra ninguém reclamar de ter que ficar no banco. A Proenge era uma empresa fiscalizadora das obras da Rodovia BR 476.

          "Ma claro que me  alembro, Riquetto. Vocêis querium que eu jogasse de golero porque eu era grandón. Ma eu dizia que num tinha muita prática na defesa e acabava jogando na linha. E agora tenho que te contá uma: daquela veiz que as ropa aparecerum todas ennozadas, fui eu que dei os nó. Tinha onze jogador e bem eu que tive que dá o lugar pro reserva no segundo tempo. Quando vocêis tavum distraído jogando, eu dei os nó nas ropa. E ainda apertei bastante. E disse que quando saí do campo as ropa já tavam com os nó. Eu me segurava pra não ri..."

          Tive que rir diante daquela confissão. Lembro da confusão no final do jogo, quando fomos nos vestir,  a as pernas das calças estavam  amarradas, as mangas das jaquetas também. E com o frio, pressa de vestir-se e ir para casa.

           Pergunto-lhe como viu a vinda do Papa para o Brasil, e ele foi lascando: "Ma tchó, sabe que gostei muito desse Papa. Non tem  mordomia, disse que o Papa é Argentino ma Deus é brasilero e eu achei muito ingraçado isso. Também me emocionei que ele abraçava as criancinha e as véia. E fiquei  muito contrariado cum aquelas muié que forum lá com as têta de fora pra protestá. Uma pura falta de repeito co Papa e cum nós que somos pessoa de bem. Nem os cachorro gostaro disso. O Brasil tá ficando uma perdiçón. Veja que amanhan é o dia do orgasmo".


          Falei que concordava com ele, que senti em Francisco um grande exemplo de humildade, um líder que vai implantar muitas coisas boas na Igreja Católica e que foi muito justo e habilidoso aos convidar os líderes das outras religiões para participarem de uma celebração e conversarem sobre a importância  de as religiões atuarem unidas em seus objetivos de evangelizar. E que, dia do orgasmo, para quem pode, é qualquer dia. Ele concordou comigo...

          Depois falamos de amenidades e banalidades, mais destas do que das primeiras. Disse-me que mais tarde iria com o genro fazer umas entregas de erva em Pato Branco, que lá é um lugar onde tomam muito mate amargo. Perguntou-me se eu precisava de uns quilos de erva e eu disse que já tenho minha Charrua aqui, que tomo meu mate até quando estou escrevendo meus textos.

          Marcamos para nos encontrar ainda neste ano, quando eu for para Porto União. Possivelmente vamos almoçar junto em General Carneiro, quer que eu conheça seu netinho. Convencido, me diz que o neto  é bonito e inteligente como o nono...

Euclides Riquetti
31-07-2013

terça-feira, 30 de julho de 2013

Fim de tarde...

Os animaizinhos vão-se escondendo sem alarde
Os últimos raios de sol fenecem lentamente
As crianças entram em casa alegremente
Não,  não é apenas um final de tarde!.

No horizonte alaranjado do ocidente
O firmamento se cobre de vernizes
E nas cores  quentes  de todas as matizes
Desenha sua paisagem envolvente.

Indescritível cenário de harmonia
Pintura divinamente emoldurada
Pelas mãos de Deus executada
Visão que se renova em cada dia.

É, sim, bem mais que um simples entardecer
É, sim, um maravilhoso fenômeno sem igual
Quando o sol se põe no horizonte natural.

É a mão do divino Mestre a se estender
Abençoando cada planta e cada ser
Protegendo esse conjunto colossal!

Euclides Riquetti
30-07-2013




segunda-feira, 29 de julho de 2013

O último poema...

          "Professor, faz um poema pra mim?" - Quantas vezes ouvi essa pergunta nos anos em que lecionei lá na Escola Sílvio Santos, no Ouro!
       
          Sempre estimulei meus alunos a escreverem textos diferenciados, em qualquer modalidade que fosse. Aprendíamos a "fazer redação"  juntos. E, como sempre tive em mente de que "se aprende fazer fazendo", e que, para estimular, precisamos dar o exemplo, não apenas mandando fazer ou pedindo para que façam, eu escrevia simultaneamente. Fazer junto para que pudessem sentir que é possível, com liberdade, sem amarras e com estímulo, criar algo que possa encantar alguém. E o poema, ou qualquer texto poético, me encantam, sim!

          E, quando volto a lembrar, saudosamente, de meus alunos, lembro-me de suas atitudes, seus gestos, seus movimentos, alguns com extrema sensibilidade, leitores, criadores. Lembro daqueles que não conseguiam fazer algo extraordinário, mas eu lhes dizia que o importante era que conseguissem transmitir, mesmo que da maneira mais simples, aquilo que  sentissem. E, muitas vezes, sentiam, mas tinham alguns bloqueios, eram acometidos pelo indizível, o inefável, como dizia nosso professor de Literatura, o Francisco Filipak, lá na Fafi, em União da Vitória, no início da década de 1970, quando éramos grandes sonhadores, eu e meus colegas. Sonhadores, porque almejávamos ter um bom emprego, uma carreira profissional e, quem sabe, um dia termos nossos textos publicados em algum lugar.

          Para dar uma certa materialidade ao que os alunos produziam, tínhamos um grupo de professores de Capinzal e Ouro que trabalhava unido. Dedicávamos um bimestre escolar para trabalhar a poesia na sala de aula. Dávamos as condições para que os alunos escrevessem, estimulando-os a lerem suas criacões para a turma, E alguns até tinham talento para a declamação, com serenidade e desinibição. Escreviam, liam, declamavam... Depois, eles mesmos  indicavam as que devessem ser mostradas ao público,  além do âambito da sala de aula. Organizávamos apresentações nos eventos da Escola e, parte das produções,  iam para o "Recital de Poesias", que realizávamos no auditório do Colégio Mater Dolorum. No palco deste, os alunos se superavam, recebiam os aplausos e se emocionavam.

          Um dos anos mais marcantes foi o de 1998. Realizamos o Recital, um aluno fazia a locução, ( e, destes,  dois seguiram a carreira e são bem sucedidos: o Éder Luiz, do portal ederluiz.com;  e o Marlo Matiello, da Rádio Capinzal e do portal vejaovale.com.br), e foi um evento maravilhoso. Até filmamos em vídeo. Passamos o filme nas escolas nas semanas seguintes, pois isso gerava muita motivação, já visando as ações seguintes nas escolas.

          Meu aluno André Franquini, do Ensino Médio, declamou um poema de sua autoria, muito bonito. Ele era estudioso e talentoso. Era um orgulho para seus pais e suas irmãs.  Nosso também. Vimos o vídeo, ficou muito bom. Ele estava contente. Declamou com camisa branca e um colete bordô, que guardo até hoje comigo...  E, agora,  estou eu cá, com as palavras saindo com dificuldade, não sei mais por onde seguir...

          Acontece que, numa noite da  primavera daquele ano, eu dei a última aula da noite na sala dele.  Ele me fez muitas perguntas,  era indagador, um investigador da vida, um irrequieto perguntador, mas um sereno e educado ouvinte. E emitia sua opinão com elegância, moderação. Era muito querido pelos colegas e pelos professores.

          No outro dia, fui a Joaçaba e, na volta, quando chegava ao Parque e Jardim Ouro, vi um movimento de pessoas ali na Rodovia, os policiais com suas pranchetas, algo acontecera, eu sentia em mim algo preocupante. Desci do carro e fui ver. Perguntei a uma pessoa o que havia acontecido e me disse que houve um acidente, que um menino descera pela rua lateral  com sua bicicleta sem freios, vinha freando a roda da frente com a sola do tênis, fazia isso sempre, mas naquele dia não deu certo e fora parar embaixo do rodado traseiro de um caminnhão.  Perguntei se o haviam levado ao Hospital e me disseram que não,  que ele perdeu a vida ali mesmo... Era nosso aluno André!

          Ficamos todos abalados. Uma comoção, um grande desespero tomou conta de todos nós, amigos dele e da família. As duas irmãs e a mãe  foram alunas minhas. O pai, meu amigo pessoal. O André, aquele doce rapaz com que eu muito me afinava, tínhamos em comum o hábito de gostar de poesias, de  compor, de declamá-las, tinha partido...

          Na cerimônia religiosa de despedida, rodaram o vídeo com ele declamando. Parecia uma despedida dele... havia uma angústia em suas palavras, em seus gestos, em sua expressão... Algo marcante, que ainda me faz chorar quando lembro daquele menino, um rapaz já, que gostava de poesia...Deve estar no céu, dividindo seus poemas com os anjos...

Euclides Riquetti
29-07-2013
         



         

         

           

domingo, 28 de julho de 2013

Avós felizes, netos felizes!

          Quem não tem muitas boas lembranças de sua avó? - Ora, crianças, frequentemente são cuidadas pelas avós, afinal, são as que mais dispõem  de tempo, uma vez que a grande maioria delas já cumpriram seu tempo de trabalho profissional e, aposentadas, elas mesmas procuram algo com que se (pre)ocuparem. E, há no mundo preocupação ou ocupação melhor do que cuidar de um netinho, uma netinha? Ah, certamente que não há! E o vovôs? Bem, esses estão aí para dar às crianças aquilo que os pais modernos não dão, porque leram na literatura (farta, por sinal...), para aprender como cuidar de um bebê ou como educar um filho". Pape de vovô não é muito diferente do que o da vovó.

          Essa geração de pessoas bem maduras que está no estágio  "pós-vovó", não precisa de nenhuma consultoria para saber como lidar com crianças. Elas não precisam de supernânis ou de qualquer outro tipo de conselheira do lar. Elas têm no seu interior a autoridade da experiência e do conhecimento, sabem  dizer não quando é preciso,   não têm nenhuma culpa em relação a terem se omitido em algum momento, nem deixado de estarem presentes sempre que isso se justificou.

          Vovós sabem quando a criança está doentinha, sabem qual o remedinho certo, qual o chazinho ideal, sabem quando há manha apenas, sabem até o que as crianças estão pensando...E ainda deixam as netinhas usarem os vestidos, os sapatos, os colares, as pulseiras, os chapéus, os cintos da vovó para suas brincadeiras, seus desfiles pelos corredores e pelas salas das casas...

          Netos são  alegria da casa. E, hoje, por serem tão poucos, recebem a atenção redobrada, triplicada, pois quantas titias e avós postiças estão aí a candidatar-se para ajudar ( e a mimar...), as adoráveis crianças da presente geração.

          E as vovos têm bem clara a importância do papel delas em ajudar as crianças em tempos em que as mães trabalham fora, estudam, têm compromissos para todas as horas do dia e da noite.

          E nós, os vovôs, qual o nosso papel? Bem, nós temos que fazer a nossa parte: cuidar bem da vovó para que ela possa continuar a ter energia e vitalidade suficientes para fazer tudo o que a criança precisa. E ainda inventar brnquedos convencionais, fazer balanços com pneus e cordas, carregar no cavalinho do pescoço, jogar bola e ajudar a localizar bons filmes de desenho na TV.

          É uma pena que os pais, muito focados em seu trabalho, seus projetos e vida pessoal, estejam perdendo de vivenciar momentos que jamais voltarão, ois as crianças crescem muito depressa e, quando vemos, não cabem mais em nosso colo, nem mais o desejam.

          Será que os pais atuais terão que esperar também para que se tornem avós e possam ter o tempo disponível para sentir quão relevante e maravilhosa é a vida da criança,  e quanta luz ela nos traz?

Euclides Riquetti
28-07-2013