quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Apenas mais uma manhã

Uma manhã banal
Como outras manhãs banais
Pode ser uma manhã casual
Como outras tais e tais.

Uma manhã  tentadora
O meu corpo a te querer
A lembrança encantadora
O que mais pretender?

A manhã  inspiradora
Os pensamentos saudosos
Tua pele macia, sedutora
Os momentos só nossos...

O que mais querer?


Querer uma manhã de querer
Apenas mais uma manhã
E, numa manhã, podes crer
Poder crer no amanhã.

A tarde de um amanhã
De um ontem, de um hoje, de um sempre
Pode ser, de repente
Apenas uma tarde vilã...

Mas sempre haverá um mais e um mais
Um bom motivo pra viver
E então, as manhãs banais
Serão manhãs colossais
Serão aquelas manhãs,  tais e tais
Que tanto quero reviver!!!

Pois, queiramos ou não, o tempo passa...

(E nós vamos envelhecendo...)

Décima Segunda Crônica do Antigamente

De minha série de reprises:

        Dia desses, um dia como outro qualquer, daqueles em que nada de novo acontece (e eu adoro rotina), eu observava uns meninos conversando. Eram três. Deveriam ter, no máximo, uns nove anos de idade:
          - "As coisas não são mais como no nosso tempo de criança. Veja, nem conseguem mais brincar. Antigamente, a gente pegava uma bola velha e arrumava um campinho, nem que fosse na frente da casa da gente, na rua, e se divertia. Brincava de se esconder, de por apelidos uns nos outros, de soltar pipa! Agora, tem gente que nunca viu uma pipa, nem sabe o que é um carrinho de rolimã!"

          Meu Santo e Venturoso Deus! Minha Santa, Imaculada e Sempre Virgem Maria! Se esses, em tenra idade, já falam assim, como se o outro dia fosse um "antigamente", imagine, leitora, nós, do quinto e do sexto andar?

          Que bom que eles já conseguem perceber que a vida anda depressa, que o tempo passa célere, que as manhãs de hoje não voltam mais, que um momento que se deixa de viver agora pode não mais acontecer? E, lamentar essas coisas, faz com que eles se sintam vivos, sejam e estejam presentes, percebam a dinâmica do mundo...Ah, que bom se nossa antiguidade, a minha, a sua, fosse tão recente como a deles?!!

          Nós podemos medir nossa idade, nossa trajetória, pelas coisas que fizemos. Ou pelas que deixamos de fazer... pelos livros que lemos, pelas novelas que já acompanhamos,  pelos filmes a que assistimos e que de quando em vez voltam à cena em nossa mente, pelas fotografias que olhamos no álbum, principalmente por aquelas em que estamos junto com alguém querido, dançando, ou numa viagem maravilhosa. E vale também medir pela quantidade de vezes que marchamos num Sete de Setembro, pelos aplausos com que a Dona Maria Fávero, entusiasmada, nos animava em nossas marchas, quando descíamos, devidamente paramentados, garbosamente enfileirados  a Rua Ernesto Hachmann, em Capinzal, tocando bumbo, tarol ou caixa, secundados pelas cornetas que seguiam o Oneide e o Severino Andrioni. Ah, que bons tempos! Que "antigamente" maravihoso... E as marialuizas, denizes, sônias, neuzas, marildas,  marias, teresinhas e terezinhas, anamarias, naires, angelinas, elziras, alziras...

          Ah, a vida da gente é sempre muito maravilhosa, dependendo de como a encaramos, como a sentimos, como a percebemos. E é bom percebê-la já, não esperar que seja tarde.

          Minha musa, Marjorie Estiano, a Manu, despediu-se ontem de "Vida da Gente". De mãos dadas com o Rodrigo e a Julinha. Ela possibilitou que a adorável Júlia recebesse um tiquinho de seu fígado, em transplante,  e isso salvou a menina e o fim da novela. Aliás, a novela foi legal porque o casamento ocorreu já no início, e casamentos de início de filme, novelas e livros, quando acontecem no início, dão só  problemas e mais problemas. E não teve no final. Nem reconciliação teve. Agora a Marjorie está desempregada. Vamos ver qual vai ser seu primeiro emprego. Será na Globo ou no cinema?

          Sabe, o Francisco Cuoco, na novela, estava idosão, pilantrão, bem diferente daquele que fazia pares românticos com a Regina Duarte, a "Namoradinha do Brasil", há quatro décadas. É, ser antigo me permite ver o de "dantes" e o de agora. E deixar escrito, aqui, meus pensamentos, minhas saudades e minhas emoções.

Euclides Riquetti
03-03-2012

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Jeito de pecado


Foi de madrugada
Que pensei em você:
Senti algo no peito
Foi assim, do meu jeito
De gostar, de beijar, de querer.

Desejei o seu corpo
Elegante, maroto.
Beijei os seus lábios quentes
Acariciei seu cabelo envolvente
Amei você, perdidamente!

Fui atrevido, incontido bastante
Encantei-me com seu jeito elegante
E, entre pensamentos profanos
Meu coração cigano
Ficou transportado
Para o mundo desejado!

Desejei, ousei...
Pequei. Quis.
Quis ser feliz!...
E foi muito, muito bom!
Bom, mas com jeito de pecado!...

Euclides Riquetti
30/11/2006

Futebol no céu


Futebol no Céu (crônica em homenagem a amigos que se foram)  - reprisando

     O Táti, zagueirão do Arabutã, morreu e foi pro céu. Lá,  tinha uma organização de talentos, que eram alojados por setores. Eram pessoas que um dia brilharam aqui na terra e que o destino as levou para morar  lá em cima. Tinha o setor dos atletas famosos: Denner, Adilson, Dirceu e Everaldo, que morreram em acidente de carro; Garrincha, que bebeu além da conta; Serginho e Wagner Bacharel, que morreram em campo; e muitos outros, fora os europeus. Todos estes ouviam, atentamente, os conselhos do Mestre Telê Santana. Tinha o setor dos artistas: Cazuza, que teve aids; o Dollabella, que bebeu todas; o Chacrinha, que animava a Terezinha; o Bossunda, cujo o humor era maior que a bunda; Paulo Autran, esbanjando simpatia; o Paulo Gracindo, nosso Zeca Diabo;  Nair Bello, Mussun e Zacarias, que nos fizeram rir muitos dias ( e muitas noites de nossos invernos e verões). João Paulo agora forma dupla com Leandro, e até que combina:" Leandro e João Paulo"! Tinha também O dos talentos políticos: Rui Barbosa, que defendia a honra: Tancredo Neves, a democracia; Toninho Malvadeza, a Bahia; Brisola, que ia contra "os interésses" da burguesia; e Jânio Quadros, que tropeçava nos cadarços de seus sapatos tortos. O Airton Senna driblava as curvas do Reino de São Pedro, o Dílson Funaro dava cruzados nos brasileiros, enquanto os Mamonas Assassinas encantavam, com suas irreverências, os milhares de jovens que morreram, infelizmente, após as baladas de sábado à noite, em acidentes com carros e motos.
     O Táti olhou tudo, curiosamente, e procurava por algo. Caminhou por entre as árvores e em meio a muitas roseiras e cravos, lavou a cabeçona numa fonte de água, passou a mão nos olhos e, ao abri-los, deparou com um monte de conhecidos: Lá estava o Bailarino, com algumas sacolas, cheias de camisas, calções e meias: Havia as azuis  e brancas, da São José; as pretas e amarelas, do Penharol; as verdes e amarelas, do Grêmio Lírio; as brancas e pretasd, do Vasco da Gama; e,  finalmente, as brancas e vermelhas, do Arabutã. Sentiu-se em casa. Finalmente encontrara sua tribo: O Bailarino, poeta, sábio, filosofava e escalava o time: O Orlando vai ser o Goleiro, mas não pode cair do cavalo, pois o Roque Manfredini, que  ficou sepultado lá em Porto União, vai ficar na reserva, porque este jogo não é pra profissional. Na lateral direita, o Darci Moretto, pois o irmão dele, o Valcir Moretto, vamos aproveitar na ponta direita, que ele gostava de jogar também lá. na zaga, vamos deixar a posição vaga, pois logo,  logo vamos receber um zagueirão que está chegando, e vai ser a principal contratação da temporada. Na zaga, o Tchule, que além de bom de bola, gosta de tocar bateria e batucar um samba. Na esquerda, o Urco, que poderá ser o juiz; daí fica o Jonei Cassiano de sobreaviso, para aquele lado, pois ele sabe defender e apoiar muito bem. Cabeça de área, um problema que é fácil de resolver: deixamos o Olivo Susin mais plantado e o Alberi, que é acostumado a arrumar bombas injetoras, com liberdade pra sair jogando e injetar a bola no ataque. O Jundiá, que é liso e tá meio pesadinho, fica com a oito, armando pro Moretto na linha de fundo, pro Camomila, nas esquerda; e, no ataque, o Alcir Masson, nosso matador, bem na frente, chutando forte e reclamando com o juiz. Bem, eu, o Baixinho, escalo o time e entro lá pelo segundo tempo. O Rogério Toaldo, vai ficar de curinga, e me ajudar a cobrar a mensalidade.

     Aí chegou o Juca Santos, Glorioso Presidente, e perguntou: "e o Zagueiro, o Capitão, que você não escalou ainda?"

     Bailarino apontou para o lado e gritou: "Chega, Táti, que a número três tá guardada pra você! E daqui a pouco vai chegar um convidado especial: O Guaraná! vamos ter que arrumar uma brechina também pra ele".

Euclides C. Riquetti - Ouro - SC - escrita em 23-01-2008 e plublicada no Jornal  ""A Semana" - Capinzal-SC

Cheiro de amor, cheiro de paixão

Cheiro de amor, cheiro de paixão
Teu corpo tem...
Cheiro de desejo, cheiro de sedução
Tem também...
Tem cheiro de mulher nova
Adorável
Carinhosa...

Tem cheiro de fruta fresca
Maçã vermelha, maçã rosada
Uva madura, avermelhada
Que igual nunca antes senti!

Tem perfume de flores frescas
Infinitamente atraentes
Como teu rosto contente
Que me sorri!

Amor e paixão que se confundem
Duas almas  que se completam
Corpos e almas que se locupletam
Almas e corpos que se querem e se fundem
Num só!

Cheiro de desejo, cheiro de sedução
Cheiro de amor e paixão
Teu copo tem.

Será que o meu tem também?

Euclides Riquetti
12-08-2015

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Re-mar


Eu quero te dar este poema
Que, mesmo com rimas pobres
Enseja sentimentos nobres
Por isso te faço  este poema...

No mar, o barqueiro rema
(Ou será o canoeiro?)
E eu articulo palavras e versos
Procuro ordenar pensamentos incertos
Enquanto o barqueiro rema...
(Ou será o canoeiro?...)

Fiz para ti um desenho na areia
De sóis, de estrelas, de musas
Foram apenas imagens confusas
Mas fiz para ti um desenho na areia...

E, no a(noite)cer, apenas o murmúrio do mar
Harmoniado no embalo da triste canção
Escura é  a paisagem na imensidão
Mas agora, no a(noite)cer, apenas o murmúrio do mar...

E lá, mais lá, como cá, sopra o vento...
Move as folhas verde-escuro tingidas de noite
A maré lança às pedras  o seu doce açoite...
E lá, como cá, sopra o vento!

E eu penso em ti...

Praia de Canasvieiras, Fpolis, em 11-11-11

A Legião dos Dançarinos Extraordinários


Reprisando: Um dos textos que produzi  em 2011 e que está entre os 10 mais lidos no meu blog.

       Quem já não se encantou com danças harmoniosas, passos bem ensaiados, ou mesmo "singles" ou "dobles", que se apresentam em festivais de dança? Quem não se encantou com musiciais que viu na TV ou no cinema?

         Bem, a harmonia da dança á algo extraordinário.Às vezes movimentos espontâneos, outras com grupos cadenciados, articulados extraordinariamente, encantadores. Há, na dança, um inimaginável senso de poesia. É o belo expresso nos movimentos, que nos atrai, embasbaca, embala nossos sonhos, nos leva às mesmas viagens que nos leva a música, o poema, o canto, o voo do pássaro, o flutuar das patas dos animaizinhos sobre a relva, o sorrir e o abanar da criança, a calmaria das ondas nas águas. A dança, como a poesia e o canto, exercem um magnânimo fascínio sobre mim. Tudo se reveste de musicalidade. Definitivamente, é o belo que se expressa em múltiplas formas.

          Mas, o que me tem encantado docemente, nos últimos dias, é a capacidade coreográfica dos componentes da Legião dos Dançarinos Extraordinários. Vi-os num filme, busquei vídeos no you-tube, estudei sobre eles. Encantaram-me, sobremaneira, alguns personagens: Primeiro, Trevor Drift, o menino moço que consegue expressar-se em movimentos harmonicamente extraordinários, e que se incorpora à LXD. Igualmente, Jato e Katana, Katana e Jato, dois apaixonados, pela dança em um pelo coração, pela alma do outro. Jato, com sua estupenda  beleza ( e sutileza) de movimentos de seu corpo, atrai Katana, seu partner, seu amado, e nos embebece, nos envolve, transporta-nos para um mundo irreal, de imedível encantamento.

          E o maravilhoso mundo web nos permite buscar isso, deleitar-nos, navegar pelo universo sem sair de casa. Deus, salve os dançarinos, os músicos, os cantadores, os poetas extraordinários.

Euclides Riquetti - 04/10/2011

Fera desprotegida

 
Vejo
Desejo
Não o horizonte azul
Nem a neve no sul
Apenas vejo ... e desejo!

Espero
Quero
O melhor momento
Do mundano pensamento
Calmamente,  eu espero... porque quero!

Tu sorris
Tu, ali
Indefesa e desprotegida
Fera desassistida
Em meio a meus pensamentos banais... e vis!

Entendo
Compreendo
Há uma lógica destoante
Em teu rosto fascinante
Belo, formoso, estupendo!

E eu me declaro
Na negra noite, ou no dia claro:
Sou teu fã incondicional!
Não, o mundo não é banal:
Tu és bonita, e resistes
Porque tu és real, e existes!

Euclides Riquetti (28-10-2002)

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Árcade versário

   
Não farei rimas consonantais
Nem abusarei de combinações vogais
Apenas direi o que o coração ditar
Não rimarei adjetivo com verbo regular.

Farei poemas de meus desatinos
Farei sonetos com verso livre
E se julgar que for de bom alvitre
Comporei sonetos alexandrinos...

Farei paródias de canções conhecidas
Repetirei os verbos, porei conjunções
Mas não ousarei desatar emoções
E nem buscarei lembranças perdidas.

Não farei mais nada que não seja eterno
E nem serei um reles parnasiano
Eu a esperarei, ano após ano
Outono, verão, primavera e inverno.

E, quando disser: eu também o amo
Eu lhe entregarei meu coração  profano
Onde ainda cabe nosso amor mundano...

Euclides Riquetti

A violência que gera mais violência

          O fator que mais atemoriza o  cidadão brasileiro, atualmente, é o "fator violência". Mais do que todas as notícias ruins que desfilam pelos noticiosos,  nas mais variadas modalidades de comunicação. A violência, tema muito debatido, algo muito temido. O mundo sempre foi violento. Sempre houve guerras em algum lugar. Hoje, porém, morem mais pessoas em consequência da chamada "violência urbana" dos que em conflitos bélicos.

          A sensação de insegurança e impunidade aflige as pessoas. O número de policiais é cada vez maior, os gastos com repressão e prevenção é grande, os presídios estão cada vez mais abarrotados de gente e o resultado não corresponde aos investimentos e nem às ações. Teorizar sobre as causas é fácil, mas obter-se a solução é sempre mais difícil.

           Dizer que a violência advém apenas do baixo nível social ou econômico é uma afirmação que não se sustenta.  A banalização da vida, em todos os níveis e ambientes, é crescente. Matam, muitas vezes,  simplesmente porque acham que devem matar. Uma vez um cidadão me disse que, para ganhar dinheiro, faria qualquer coisa, inclusive... bem isso que você pensou!

          Num célebre julgamento ocorrido nas dependências do Ateneu Clube, em Capinzal, na segunda metade da década de 1960, o advogado Cid Pedroso defendia um cidadão que havia tirado a vida de outro. Alegava o advogado a "legítima defesa da honra". O cara havia matado uma pessoas respeitável porque este o chamara de ladrãozinho. Infelizmente, um perdeu a vida e o outro perdeu anos preciosos de sua vida no cárcere. Doutor Cid usava uma frase de Augusto Comte para embasar sua oratória, sua sustentação oral: "A violência gera violência, só o amor constrói para a eternidade".

          O Presidente Getúlio  Vargas, considerado o Pai do Trabalhador Brasileiro, que instituiu leis que contemplam o trabalhador até  hoje, inclusive a CLT, costumava recorrer a ela frequentemente em seus discursos. De fato, atitudes de violência sempre provocam mais violência...

          Certamente que o tema "violência" vai continuar fazendo parte da pauta de debates por muito tempo. Tenho a minha opinião: o possível infrator age com mais ânimo e facilidade se perceber que, mesmo fazendo o mal, pouco ou nada acontecerá com ele.

Euclides Riquetti
10-08-2015

         

A primeira rosa de agosto

A primeira rosa de agosto
Veio, discreta, a primeira rosa de agosto
Vestida de bordô, suavemente perfumada
Veio, risonha, na manhã acanhada
Para alegrar minha vida, por sorriso em meu rosto
Para deixar minha casa... presenteada!

Rosas de agosto são de singular beleza
Vêm para anunciar uma nova primavera
Para nos devolver sua amizade sincera.
Elas vêm vestidas com cor e nobreza
Para compensar os meses de espera...

Rosas de agosto - ternas e  afáveis
Rosas de agosto - olorosas em doçura
Rosas de agosto - formosas e adoráveis
Rosas de agosto - vestidas de candura!

Apaixonei-me pela primeira rosa de agosto
E me apaixonarei pelas outras que virão
Em setembro, com muito gosto
E outras muitas, no calor do verão!

Euclides Riquetti

Muitas virtudes em você

Há muitas virtudes em você
Que nem me é possível descrever
Coisas que me encantam, pode crer
Coisas me fazem amar você...

Há muitas virtudes em você
Qualidades que só você as tem
Coisas que me fazem querer bem
Coisas me fazem amar você...

Há virtudes incontáveis em você
Seu modo de sorrir muito me atrai
O modo de se vestir-se quando sai
São coisas que me fazem amar você...

Há virtudes inconfessáveis em você
Coisas que aqui não posso descrever
Mas há algo que posso lhe dizer:
Amo muito, muito mesmo, só você!

Euclides Riquetti
10-08-2015

domingo, 9 de agosto de 2015

Gostar de poesias


          O gosto pela poesia depende muito da motivação e do clima que é proporcionado para que ocorra a criação. (Não esqueçamos que poesia não é apenas o poema. Poesia pode estar naquela roseira que plantei no último sábado, no sorriso e no abraço que ganhei da adorável Júlia, naquela senhora idosa que ainda conserva o ânimo e o entusiasmo,  apesar dos pesares...). Autores consagrados podem servir de exemplo para jovens seguidores, embora isso ofereça o risco de que pessoas com um determinado perfil de sensibilidade e de vida possam enveredar-se por caminhos desassociados aos que costumam trilhar.

          Na verdade, o autor passa ao leitor muito do que é seu, pessoal, interior, mesmo que seja objetivista, pois tem seu modo particular de sentir a realidade.

          A fantasia também é um vasto mar  a ser navegado. O compositor viaja pelo imaginário e externa suas impressões e sentimentos no papel,  resultando numa criação original, traduzindo o belo pela disposição harmoniosa das palavras.

          O animador do processo de composição precisa ser o grande motivador e indutor para que o outro sinta o desejo de produzir algo que, mesmo em sua simplicidade, represente sentimentos e encante o leitor ou o ouvinte. Deve haver cumplicidade entre o animador e o autor para que se gere confiança e se perca a inibição de expressar-se.

          A poesia, além disso, pode situar-se como o contraponto entre a tecnologia e a necessidade de se humanizar o mundo. O homem moderno não pode ser apenas movido por máquinas e eletrônicos. Não pode perder sua condição natural de ser romântico, humano, sentimental.

          A poesia romãntica, nestes tempos tão concretos e ásperos,  sempre terá grande espaço no meio literário e deverá se sobrepor-se a outros gêneros. Romântica, mas leve e livre, capaz de encantar e embalar os sonhos do ser humano e levá-lo a viver as belezas mais simples da vida.

         Inspiremo-nos no belo slogan da Pedreira Joaçaba: "Nós movemos as pedras para constuir os seus sonhos". Ah, quem me dera ter sido o autor desta maravilhosa frase. Parabéns ao autor.Parabéns à empresa que a adotou.

Euclides Riquetti
Joaçaba - 16/09/2011

Meu pai: uma lição para toda a minha vida

          Dia dos pais, dia de reflexão! Dia de, quem ainda o tem, dispensar-lhe o abraço carinhoso, dizer-lhe que o ama, talvez dar-lhe um presente bonito, quem sabe uma camisa, uma calça, ou um par de sapatos. Ou uma assinatura de jornal ou revista, quem sabe um livro. Dia de levá - lo para um almoço, provavelmente  ver um jogo de futebol, jogar uma sinuca, tomar um sorvete. Dia de comemorar...

          Recebi telefonema do filhão Fabrício, mensagem dele e da sua Luana no blog. Moram em Maringá, não têm como dar-nos um abraço mútuo. Telefonema da Michele, que mora em Ponta Grossa, sempre muito alegre e preocupada com a gente. Abraço da Caroline, que veio almoçar conosco. A Carol que nos deu a Júlia, com quem a gente se entende muito bem. Coisas que muito valorizo, fico contente, gosto que me liguem a toda hora, que me contem sobre o seu trabalho, o seu lazer, as suas inquietações. Gosto deles, tenho amor extremado por eles,

          Tive um pai maravilhoso, perdi-o em 1977, ele tinha apenas 55 anos. Guerino era seu nome, nome de "guerreiro". Era uma pessoa muito culta, tenho muita semelhança com ele, assim como tenho com meu filho. Lembrei-me, hoje, que minha mãe fazia um bolo para ele no Dia dos Pais. Sempre! Ele comprava refrigerantes, coisa que não era muito comum na época.  E nós lhe dávamos alguma uma coisa,  simples que fosse, tipo um par de meias, algo assim. Mas era de nosso coração.

          Mesmo depois de 38 anos, lembro-me dele como se tudo fosse como na época. Sonho muito com ele. Ele sempre me parece estar bem. Mostra sua calma, sua capacidade de compreender-nos. Quando ele se foi, encomendei uma placa de bronze com sua foto em porcelana, com a gravação de frase: "In médio virtus". Pode ser também "In médio stat virtus".  Foi a frase do filósofo Aristóteles que ele me mandou numa carta que me escreveu nos temos em que eu estava na Faculdade, em União da Vitória, para dar-me um conselho. A frase em latim,  que me pauta até os dias de hoje. "A virtude está no meio". Quando o encontrei, perguntei-lhe o que queria dizer com isso. Respondeu-lhe: "Não seja um muito pra frente, um prafrentex, como vocês jovens costumam dizer. mas nem um "pratas", um para trás, que se deixa passar a perna pelos outros, ou alguém que não acompanha a evolução das coisas, do mundo".

          Foi uma grande lição que ele me deixou, além de muitas outras: trabalhar e progredir honestamente, estudar, respeitar para ser respeitado. Agora, lembrar sempre disso, rezar sempre por ele,  ter isso em conta e dar aos filhos o mesmo carinho que meu pai me deu...

Euclides Riquetti
09-08-2015

Gestão da Harmonia

Gestão da Harmonia
          A natureza é uma perfeita e belíssima orquestra,  onde um infinito número de integrantes agem, harmonicamente, dispondo, convenientemente, seus elementos, proporcionando-nos um sentido lógico, como que embalado em musicalidade.
          Assim também precisa ser a gestão natural de cada empreendimento, onde os elementos se recriam, se coadunam, se integram, interagem, se realizam e produzem riquezas materiais, intelectuais, culturais, filosóficas e mesmo virtuais, gerando a satisfação dos entes envolvidos, proporcionando renda e possibilitando ocupação e exercício profissional. "O novo é algo que vem de duas coisas velhas" - (Ivan Ramos - 1969)
          Pessoas, para serem marca na História, não podem apenas situar-se como uma folha de papel em branco: precisam ler, ler, rabiscar, rabiscar, escrever, escrever, desenhar, desenhar, contar, ousar, calcular. Então propor, apagar, recompor e, por fim, reescrever. Reescrever inovando,  surpreendendo, regozijado e deleitado. Dar, na configuração do que escreve, as denotações e conotações que o interlocutor precisa assimilar, digerir e  compreender. Empreender. Empreender gerando ganhos culturais e intelectuais,  universais. Empreender para realizar o que o dinheiro não consegue.
          E a reescrita, a recriação, precisa, sempre, ultrapassar o nível da manifestação original, pois as horas, os dias, os meses e os anos, permitem que aquilo que fazemos hoje, possa sempre, ser refeito melhor no amanhã. É o novo, a partir do já existente.
          Esse é meu conceito pessoal de empreender, sem, necessariamente, preocupar-me com quem vai ou não me entender. E, se o não prevalecer, se eu não me fizer compreender em meu contexto, é preciso que eu e você reavaliemos nossos métodos, redefinamos nossas posições, reflitamos firmemente, concluamos assertivamente, e detectemos como está a situação de nosso autoempreendimento. Eu, querendo dizer, e você, tentando me entender.
 
Euclides Riquetti - 29/09/2011