terça-feira, 19 de junho de 2012

Décima Oitava Crônica do Antigamente

          Já me referi, anteriormente, aos périplos de meu pai, Guerino, no final da  década de 30 e início da de 40 do Século Passado, em São Paulo, depois de ter fugido do Seminário São Camilo, onde era noviço e cursava Filosofia, já usando batina.

          Bem, como relatei, um mascate português prometeu-lhe que, se reunisse algum dinheiro, o traria de volta a Santa Catarina, ao Distrito de Ouro, em Linha Bonita, onde seus pais deveriam estar residindo. Conseguido o dinheiro para a viagem, vieram de trem, pela Rede Viação Paraná Santa Catarina, atravessaram o Rio do Peixe em balsa existente na Estação Avaí, 10 Km ao Sul da Estação  Rio Capinzal. Foram a pé, carregando suas malas, retangulares, duas para cada um. Atravessaram o Passo do Rio do Peixe, passando pelas propriedades dos Teixeira Andrade, de Victório Baretta (que mais tarde se tornou meu avô), Serafim Baretta, Ambrósio Baretta, Francisco Zanini, Constantino Bressan, Abramo Colombo, Joaquim Casara, Angelim Baretta, Elias Baretta e, finalmente chegaram à de Frederico Richetti, seu pai, depois  meu avô paterno. As pessoas olhavam curiosas para aquele mascate e o rapaz, que parecia conhecido, um moço de olhos castanhos esverdeados, magro, alto, de caminhar firme, gestos elegantes. Algumas informações buscadas com pessoas que encontrava, das quais nem mais lembrava direito, e os locais não se atreviam a perguntar-lhe quem era, embora imaginassem ser  Guerino, o seminarista.

          E então, 11 anos depois de ter saído de casa, chegam ao portão da propriedade cercada de taipas capichosamente feitas com pedras irregulares manualmente assentadas e alinhadas, que seguiam pelo plano próximo ao riacho e se estendiam morro acima, perdendo-se por entre as árvores verdes de um capão ao alto, onde os animais costumavam franquear-se, fazendo inveja aos mortais que tinham que trabalhar de sol a sol. O portão de madeiras falquejadas, com ferragens malhadas numa  ferraria colonial da Coxilha Seca, foi transposto com expectativa, com os olhos do jovem buscando descobrir algum familiar, possivelmente Dona Genoveva Píccolli Richetti, a mãe. Após uns 150 metros caminhados,  foi possível visualizar sua mãe, magra, rosto  sofrido, olhos fundos, meigos,  lenço amarrado na cabeça, protegendo os cabelos castanhos. Foi de muita  emoção o encontro dos dois: o abraço, as lágrimas de alegria, " l´era lo figlio perduto que a casa ritorneva". Alegria incontida,  a "corneta" berrando para atrair para casa o pai e os irmãos que estavam na roça, os gritos de alegria ecoando pelo vale e chamando a atenção da vizinhança.

          A "Mama Genoeffa", que era a pronúncia italiana para Genoveva, mal pode acreditar que o filho  retornara, pois quando este  figiu do seminário e dele não mais teve notícias, julgava que estivesse ido para a Itália, na Força Expedicionária Brasileira, e que lá tivesse perecido. Uma vez lera uma reportagem  n´O Correio Riograndense, jornal que ainda hoje circula no meio rural, editado em Caxias do Sul, sobre um "figlio perduto", em que uma  mãe chorava sua perda na Guerra. Ela pensara que o mesmo havia se sucedido com seu Guerino.

          Foi uma semana de festa na propriedade, lá onde hoje mora o primo Nelson Baretta, irmão do Chascove. Ninguém trabalhou naqueles dias, apenas tiravam o leite das vacas e alimentavam os animais. Abateram-se porcos, ovelhas e até bois. A comunidade foi convidada a festejar a volta do filho. Muito vinho e muita gasosa. Dizem que por lá esteve uma filha do Victório Baretta, comerciante, de olhos bem verdes, bonita, dois anos mais jovem do que ele, e que foi "amor à primeira vista". Foi, sim, minha mãe, Dorvalina, casou-se com ele um ano depois, e tiveram seis filhos, sendo eu o segundo deles. Ah, posso parodiar um renomado escritor e dizer: "fui fruto de uma maretada  que um  noviço deu no dedão do pé de um colega de seminário"...  Ainda bem!

Euclides Riquetti
19-06-2012



       

domingo, 17 de junho de 2012

Quindicesima Notte del Formaggio e del Vino - Ouro - SC

          Participamos, neste sábado, 16 de junho de 2012, da Décima-quinta Noite do Queijo e do Vinho, que nossos oriundi, em seu dialeto "Talian", muito próximo do Vêneto, chamam de "Note del Formaio e del Vin", evento que vem sendo promovido desde 1998, e que, naquela época, foi sugerido ao Grupo Pìccola Itàlia del Oro pelo então Prefeito Sérgio Durigon. É o principal evento no gênero em Ouro e acontece no Clube Esportivo Floresta.

          No Meio Oeste Catarinense, Vale do Rio do Peixe, acontecem muitos jantares e bailies italianos, todos os anos. Mas cada um tem suas próprias características: Capinzal tem sua Noite Italiana, ou Festa Italiana, concebida pelo saudoso Prefeito Celso Farina, que acontece em julho. Luzerna tem seu Baile/Jantar Italiano, promovido sempre em meados de junho. No ano passado, participei do de Arroio Trinta, convidado pelo Prefeito Cláudio Sprícigo.

          Arroio  Trinta é a Capital Catarinense da Cultura Italiana. Tem um mirante com vista fabulosa, menos  em dias com neblina, por causa da considerável altitude. Tem sua Casa da Cultura, uma réplica de um casarão construído pelos colonizadores. Tem um portal que reproduz a arquitetura de Veneza, sobre um riacho que corta a cidade,  e o prédio da Preferitura, em estilo italiano, é muito bonito. Um bom Hotel, com ótimo café da manhã. A cidade está consolidando seu "gemelaio" com uma cidade da Região da Emília Romana, na Itália. Seu Prefeito, o Sprícigo, costumo dizer-lhe, é um sósia do ator Giuseppe Oristânio, que fez algumas novelas na TV Globo. Aliás, já pediram até autografo ao Prefeito, num aeroporto, certa  ocasião, achando que era o ator. 

          Essas manifestações culturais dos descendentes de italianos, filhos, netos e bisnmetos de italianos que chegaram à Serra Gaúcha a partir de 1875, ajudam a resgatar a cultura das cidades e possibilitam muito entretenimento, com variada gastronomia, danças típicas, vinhos coloniais ou de parreiras viníferas de altitude, e muita música.

        A Noite do Queijo e do Vinho deste ano seguiu o padrão das demais, com muita comida toda a noite(não é jantar). A decoração do ambiente é bem característica e harmoniosa. Os integrantes do Píccola Itàlia vestem-se impecavelmente, preaticamente com novo figurino a cada ano. De início, um grupo de 7 casais de adolescentes, coreografados pela Professora Tatiane Viganó, faz sua apresentação inicial e depois os casais de adultos também apresentam suas coreografias e canções. O Ildo Cicconet dirige a parte de cantos e o Valdir Bonato, com sua gaita, executa as músicas. O baile ficou a cargo do grupo Ragazzi dei Monti, de Monte Bello, RS. Aliás, é uma forma repetida, mas solicitada pelos participantes, uma vez que atingem em cheio o gosto dos que frequentam a festa. Álvaro e Mara, os dois líderes e vocalistas,  interagem com muitas piadas divertidas, durante todo o evento. É o grupo ideal para animar e fazer-nos rir, muito, muito.

          Uma inovação neste ano foi a apresentação de um vídeo, na abertura, com um resumo de toda a história dos bailes que aconteceram no Floresta, por eles organizado. E é aí que somos remetidos à saudade. Observamos que algumas pessoas amigas, que aparecem na tela, não estão mais entre nós: A Edite Zanini, o Zacarias Tessaro, o Pedro Zaleski, o Olivo Zanini, o Rozimbo Baretta, que aturaram nos primeiros anos. Também sentimos a falta de outras pessoas que, por causa da idade ou outros motivos, ficam em casa, apenas lembrando: a Dona Mirian Doin, o Reinaldo Durigon e sua Esposa, e a Dona Ida Caldart, mãe do Renô, Rogério e Roberto, que no ano passado lá esteve, cabelinhos brancos, sem aquela "força" que sempre teve, mas esteve lá.  E há aqueles que, por uma ou outra razão, afastaram-se do grupo, tomando outros rumos. Todos, de alguma forma, fazem falta...

          Foi uma noite maravilhosa, as pessoas dançaram muito, todos os gêneros. Mas vem a hora do tango, e sobram poucos  casais: sempre os primeiros a adentrarem a pista, o Adelir e a Elba Baretta, o Darci Baretta e a Iraci, e mais uma meia dúzia de pessoas corajosas. O Vilson Dambrós e a Ruth já haviam saído. Nesses momentos lembramos de quantas vezes vimos o saudoso João Fontes e a Dona Léa, o Plauto Dambrós e a Selvina, no passado, dançando tango. O Severino Dambrós e a Marília também mandaram muito bem nesse gênero ao longo da história do Ateneu e do Floresta.

          Muitos dos presentes vieram de outras cidades, para onde foram, mas que escolhem momentos assim para rever seus familiares, amigos, e fazer MUITA FESTA, QUE NINGUÉM É DE FERRO. 

Parabéns ao pessoal do Píccola pela beleza e nível de organização!

Euclides Riquetti
17-06-2012



 

sábado, 16 de junho de 2012

Vidas idas - saudades e histórias com colegas

          Na sexta-feira, 15, recebi a notícia de que no dia anterior falecera, em Chapecó, meu antigo colega de infância, Vitalino Buselatto. Estudei com ele meu curso primário, no Mater Dolorum, em Capinzal. Em 1963 frequentamos o terceiro ano. Ele era Seminarista e  naquele ano estivemos em salas separadas. Um na turma "A" e outro na "B". Lembro que eu sentava na fila à direita, perto da porta, na primeira carteira. A Anamar Brancher sentava na segunda carteira. Tínhamos em comum o costume de estar com os dedos e o lado da boca sempre sujos de tinta de caneta azul, pois ficávamos mordendo as ponteiras das canetas, umas porcarias que comprávamos na "Loja do Turco", que era de origem Jordaniana, ali no prédio do Clemente Zortéa. Nós éramos praticamente separados dos outros, nós e os demais da mesma fila, porque não éramos o padrão de "bom aluno", que a Escola queria produzir. A filha do saudoso "Seu Sadi Brancher", este uma figura de altíssima sensibilidade ( que chorou no jantar que tivenos no Grêmio Lírio, em 1979, porque o Hilarinho Zortéa estava se despedindo de nós para ir dirigir a filial da Zortéa Brancher em Gi-Paraná-Rondônia) virou médica. E eu... estou aqui a escrever para que tu leias!

          Mas, voltando ao amigo Vitalino, tenho ótimas lembranças dele: a primeira, que os dois tiramos primeiro lugar, cada um em sua turma, eu na "A" e ele na "B". Nossa professora, a excelente Marli Sartori, depois Sobreira,  bem apessoada, inteligentíssima, nos presenteou cada um com uma camisa da marca "Mafisa", a  dele em tonalidade azul,  e a minha marron. A Dona Marli, adiante, casou com o "bom partido" Vilela, do Banco do Brasil, ambos  tinham o mesmo jeito de ser, calmos, demonstrando equilíbrio e tranquilidade. No ano seguinte, no quarto ano, na mesma sala os dois, eu e o Buselatto,  com a professora (interna do Mater), Marilene Lando. E, em 1965, estudamos no Ginásio Padre Anchieta.

          Nossas professoras de português foram, ali, respectivamente, a Lorena Moraes e depois, na segunda série, a Dona Vanda Faggion Bazzo,  esposa do ex-expedicionário Vítor Bazzo, que trabalhava na Agência dos Correios e Telégrafos, que tinha filhos muito inteligentes. A Vânia foi minha colega no primário e a Vera Lúcia lecionou-me na quarta do Ginásio, noturno, o Juçá Barbosa Callado. A Vera foi a primeira pessoa que gostou de um texto meu. Antes, ninguém via nada de útil naquilo  que eu fazia ou escrevesse. Como dizem os caras da "Siap", era um "pranada", ou seja, alguém que não serve para nada. E, o pior, é que eu era um "pranada mesmo", um preguiça.

          Voltando ao Vitalino, uma vez que a Dona Vanda nos mandou pesquisar sinônimos de palavras no dicionário, como tarefa de casa. Ele morava na casa dos pais do Adilson Montanari, ali na Rua Pinheiro Machado, no Ouro. Fui ali à noite e choveu, aconteceram trovoadas e relâmpagos, faltou luz ( o que era normal), e fui para casa na estrada barrenta, apenas guiado pelos "relâmpios", com metade do trabalho por fazer. Ah, poucos tinham dicionário naquele tempo. Lembro que o Ademar Miqueloto tinha um também...

          A segunda lembrança básica vem de uma vez em que,  estudando ainda no Anchieta, como o recreio era de meia hora, durante esse tempo íamos comprar doces no bananeiro Augusto Hoch, ali na esquina onde se situa o BB/BESC. Ao voltarmos, os alunos mais ousados (sacanas mesmo...), tinham o costume de "inticar" com  um senhor que descia a Rua (hoje Dr. Vilson Bordin), com seu jipe Willys 51, gritanto: "Engata o ré, engata o ré!!!" E todos corriam. E, num daqueles dias, todos correram, menos o Vitalino, porque ele não inticara com o homem, pois era quieto, educado. E o senhor desceu do jipe e deu um chute no braço do amigo, fraturando-o. Não fugira porque nada devia, era inocente, e pagou pelos muitos pecados dos outros.  E tudo virou uma grande encrenca. O Giovanni Tolu (Frei Gilberto), Diretor, foi à loucura conosco. Queria bater em todos nós... E o Vitalino tinha um tio, Delegado de Polícia em Herval D ´Oeste, que comprou suas dores, e a história virou processo no Fórum da Comarca.

          Ele foi para o Colégio Agrícola de Ponta Grossa. Eu estudei Contabilidade na CNEC, do diretor Dr. Antônio Maliska, que gostava muito de mim, e eu o respeitava muito. Ele foi trabalhar no IBAMA, eu fui me virar na vida, cursar letras, trabalhar para o Jorge Mallon, na Mercedes de União da Vitória. Depois disso, eu o revi apenas há uns 20 anos, no Novo Porto Alegre, numa festa. As pessoas de quem a gente gosta, não precisam estar sempre perto da gente. Basta que estejam perto de nosso coração, de nossa imaginação.

          Minha homenagem ao "Gordo", que foi lá pra cima, encontrar-se com outro colega de turma, o Ézio Andrioni, o Bijujinha, que se foi em 05-05-1979, no dia em que  tivemos  a felicidade de termos a Michele e a Caroline, nossas  filhas gêmeas. Saudades, Vitalino...

Euclides Riquetti
16-06-2012

       

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Geração Jovem Guarda

          
  No início da década  de  60, o então jovem município de Capinzal, no Baixo Vale do Rio do Peixe, era composto também pelos territórios de seus distritos de Ouro, Dois Irmãos e Barra Fria. Em 1963, no dia 23 de janeiro, Ouro emancipou-se de Capinzal, abrangendo em seu território os outros dois distritos.  No mesmo ano, no dia 11 de novembro, concedeu emancipação aos mesmos, que se tornaram, respectivamente, Dois Irmãos e Lacerdópolis, sendo que o primeiro, adiante, passou a chamar-se Presidente Castelo Branco.

          Naquela metade da década, logo após esses acontecimentos políticos, surgia no Brasil  a Jovem Guarda, começando a aparecer  no cenário musical Roberto Carlos (o "Brasamora"),  Erasmo Carlos ( o "Tremendão") , Vanderléa ( a "Ternurinha"), Vanderley Cardoso (o "Bom Rapaz"),  Jerry Adriani (o "Coração de Cristal"), e Martinha, como principais expressões. Havia o Agnaldo  Rayol (o "Rei da Voz"), o Agnaldo Timóteo, que fazia sucesso com "Meu Grito", o Caetano Veloso, que adiante saiu-se bem com "Alegria, Alegria",  o Chico Buarque, com "A Banda", e o Ronie Von (o "Pequeno Príncipe"), com "A Praça". O Sérgio Reis, também da mesma geração, projetava-se com "Coração de Papel". Depois, virou cantor sertanejo. Havia outros, os preferidos pelos adultos, que nós, teenagers, chamávamos de "Velha Guarda".

         A Juventude e os teens curtiam muito as feras daquela hora, deixávamos os cabelos bem compridos, usávamos calças "boca-de-sino", uma camisas xadrez, de gola bem alta. As mulheres usavam "bomlon", arrumavam os cabelos à La Doris Day, e a charmosa Leila Diniz saiu para a praia grávida usando biquini, uma afronta aos costumes da época. Ah, leitor (a), tu deves ter sabido de todos esses acontecimentos, ou tomastes conhecimento deles algum dia. Foi uma época marcante de minha vida e da maioria de meus amigos.

          Pois bem, naquela época, o Colégio Mater Dolorum apresentava o seu novo e imponente prédio. Nós estudávamos lá, a sua quadra de esportes era um terrão com pedras, onde se jogava caçador e vôlei. Lembro bem que o colega Milvo Ceigol, irmão do Neivo, perdeu parte de seus dedos numa serra elétrica, na Marcenaria de seu tio Orestes Albino Fávero e, com os dedos cheios de mercúrio, gaze e esparadrapo, teimava em ser escalado para jogar vôlei. Depois, havia uma mesa de pingue-pongue, onde estrelavam a Vênus Siviero, a Marlene de Lima, a Ana Shiley Bragatto (agora Fávero, que quando perdia uma jogada esboçaba um sorrisinho delicado e afastava-se suavemente da mesa). Havia uma interna, a Rita, que era muito bonita, e que o pai a visitava de vez em quando, com um jipão. Os alunos de primário usavam calça de cor cáqui e camisa azul, as meninas saia e blusa dessas cores.  As alunas do Normal usavam saias bordô e camisas marfim. No Padre Anchieta, estudavam somente rapazes, camisa branca e calça azul. E a onda, na época, erta ouvier "iê, iê, iê". No ginasial, os rapazes no Anchieta e da garotas no Mater. É, não podia misturar menino com menina. E, no primário, quando alguém fazia bagunça, a primeira pena era ser colocado a sentar-se ao lado de uma menina.(Que humilhação, que vergonha...). E, os casos mais graves, eram levados para terem seu nome registrado no "Livro Negro" (Que medo!...). E diziam que os mais "fortes e disciplinados", iriam assinar o "Livro de Ouro". Nunca vi nem um nem outro, mas acho que existiam, não sei se sob as chaves da Irmã Marinela, da Irmã Fermina, da Irmã Terezinha. Esta, diziam que iriam dirigir a caçamba Ford, amarela, comprada para o transporte do material da construção do novo prédio. Mas o motorista acabou sendo, mesmo, o Lóide Viecelli.

          Enfim, nós, que vivemos e nos encantamos com nossos ídolos da época, também fizemos parte da história de nossas escolas, de nossas cidades. E, agora, espalhados pelo Brasil, vemos a geração que nos sucedeu buscando espaços também em outros países. Cada um vai fazer sua história onde acha que deve fazer. O mundo mudou mais do que podíamos imaginar. Mas as tecnologias permitem que nos aproximemos.

          É impossível esquecer de uma época tão boa de minha vida. E, certamente, também tua, leitor (a)!

Euclides Riquetti
15-06-2012

sábado, 9 de junho de 2012

Degraus de junho

Saí por aí, ao longo da estrada
Câmera digital em punho
(Uma câmera digital empunho)
Paisagem branca/prateada
Beleza ímpar na manhã de junho!

Saí por aí, subindo degraus
"Menos dois" é a temperatura
Plantas cobertas de alvura
(Eu e meus óculos de grau)
Tudo é branco,  alma pura.

O sol da manhã em plenitude
Flecha a manhã gelada, gelada
Pelo frio que veio na madrugada
E doura a paisagem na planitude.
Torna ouro a prata da geada.

E eu volto pelos mesmos degraus
Eu e meus óculos de grau.

Euclides Riquetti
09-06-2012









quinta-feira, 7 de junho de 2012

As maravilhas do passado no facebook - Time Ouro-Capinzal

          Não tenho as habilidades digitais que muitos de meus amigos têm, mas procuro pessoas e informações no Doctor Google regularmente. Foi assim que redescobri o colega Francisco Samonek, que atua junto aos seringueiros, no Norte. É o Chico Mendes da hora. A comadre Vitória Brancher, madrinha da filha Caroline, no Mato Grosso do Sul. Até ex-alunos no exterior. E, de cada pessoa, sempre tenho uma lembrança.

          Neste feriado do Corpo de Cristo, entrei no facebook e comecei a ver algumas fotos da turminha Capinzal-Ouro. Fiquei maravilhado com as mudanças das pessoas. A maioria  nós, antigos magricelos, restamos um pouco maiores, com nossas nossas pretuberâncias abdominais, nossas calvícies ou cabelos agrisalhados (aqueles que ainda os têm). As colegas antigas, hoje senhoras, conseguem um desempenho sempre acima da média, pois cuidam-se melhor que os homens, investem mais nos cuidados com sua presença pessoal. Têm os belos cabelos, o rosto mais liso, a leveza de seu olhar mais suave, o corpo mais privilegiado. Parabéns a elas, todas. E, nós homens, que precisamos reconhecer que elas têm talentos e habilidades profissionais imedíveis, precisamos aplaudi-las.

          Mas, pela ordem das fotos que vi, vou mensionar a característica que mais me faz lembrar de cada um (a):
          Eluíza Andreoni (Santana), morava ali acima do Belisário Pena, tinha os cabelos bem encaracolados e me dizia que não tinha mais pai. Ela devia ter uns 8 ou 9 anos de idade e me perguntava porque eu carregava aquelas sacolas pesadas, até a casa do Bazzi, seu viznho.
          Márcia Dambrós (Peixer): andava no banco de trás do DKW, do Olávio, no banco traseiro, ajudando a carregar a máquina fotográfica e o flash, incomodada pelo Romulado (Momo) e o Renato. A Dona Iolanda, ´no banco da frente. Também, antes, andavam no fusquinha.
          Silvinho Santos: tinha uma bicicleta Monark, sem paralamas. Era um privilegiado. Poucos tinham uma Monark daquelas que o pedal não estragava. Jogava futebol n´Os Porcos.
          Hilarinho Zortéa: era goleiro, jogou até no Loanbra (Lourenço Antônio Brancher), mas as pessoas achavam que era muito franzino e por isso deveria jogar na linha. Os grandalhões não gostavam de chutar bolas de futsal contra um goleiro mini-jovem.
          Rubens Estêvão Bazzo: jogava futebol  no juvenil da São José e chamavam-no de "Tevo". Batia pênaltis para seu lado esquerdo e direito do goleiro. Nós éramos do Palmeirinhas e dizíamos para meu primo Cosme, nosso goleiro: Ele bate o pênalti na sua direita. O Cosme ia para a esquerda,  e o Rubens fazia gol.
          Eloí Elisabeth Santos, agora Bocheco: poderia ter virado protética, mas gostava de poesias. E virou escritora bem conhecida. Carregava seus cadernos na frente do peito, como se fosse  para se proteger, ou proteger suas poesias, contos, crônicas.
          Paulo Eliseu Santos: jogava no Juvenil do Vasco, cabeça de área, com a camisa nº 5. Tirava os óculos para jogar, pois, nas outras horas, sempre o víamos de óculos.
          Edi Pecinatto, esposa do Paulinho: a ruivinha, que veio da Carmelinda,  estudava no Mater Dolorum e era muito agitada. E tinha forte espírito de liderança.
          Denize Sartori: era fortinha, jogava bem caçador. Na hora de escolherem para o caçador e o volei, era a primeira a ser escolhida. Ajudou a pintar as camisetas SMR50. Fiz sucesso com uma dessas camisetas quando estudei em Porto União da Vitória.
          Maria Luíza Morosini: jogava vôlei no Floresta, era tímida. No Baile da Formatura da CNEC, em 1971, estava de conjuntinho xadrez.
          Meire Pelegrini, era a mais delicada ( e dedicada)  aluna do Segundo Grau Magistério no Mater. Virou professora lá mesmo, cheia de moral com a Irmã Ignez, depois foi para Curitibanos. Era uma fera.
          Sônia Módena: coitada daquela  Brasília verde do Américo Módena. Todos dirigiam, mesmo sem habilitação...  Fazia sucesso nos JECOs. Até fisgou o Polaco. Seria pelo futebol ou pelo violão?
          Idnei Baretta: quietinho, falava pouco, mas pensava muito. Seu pai tinha uma Ford F-100 azul, que está lá na casa do Pedro Rech, em Linha Sagrado. 
          Jane Serena: Por trás daquela menina delicada sempre havia uma grande fera. Casou-se com o rapaz que veio fazer o cadastro imobiliário das prefeituras. Não sei qual era mais podferosa, se ela ou sua irmã Inelvis.
          Darcy Callai: quando trabalhava no BB era sempre muito atencioso. Uma vez encostei um pouquino meu carro na lateral de seu Monza e fiquei preocupado. Nem estragou, mas eu lhe disse que arrumaria e ele falou: Nada disso. Não foi nada, amigo. Foi um gesto bonito de parte dele e passei admirá-lo. Aconteceu bem ali na frente da ótica do Callai, seu irmão.
        Antônio Carlos Belotto: No Mater, eu nunca sabia se era ele ou o irmão gêmeo dele que estava na minha frente. Ajudou-nos na implantação do curso de Informática no Colégio Sílvio Santos. Ensinou-me o CDir (Change Directory) e o MD (make Directory. É que naquele tempo não havia sequer o mouse e só quem viveu a informática dos anos 80 sabe bem o que isso representa.
          Ah, e tem a Vera C.B. Zortéa: ela era a "Moça Bradesco", usava camiseta branca com o nome do Banco escrito em vermelho no peito e calça comprida ou saia, ambas de um "vermelho ferrari". Tinha os cabelos escuros com franjas e casou-se com o Caio, grande amigão que nos deixou antes da hora.

          Ah, lembrar dos costumes das pessoas é, para mim, motivo de alegria. Espero que compreendam que meu objetivo não é expô-las, mas sim homenageá-las. Foi bom, um dia de minha vida, tê-las conhecido. Abraços...

Euclides Riquetti
07-06-2012.

         

Lembrar do Passado

          Ah, relembrar do passado é coisa que muito me  atrai. Todo dia, quando saio de Joaçaba para o Ouro, onde trabalho, bem cedinho, dirijo devagar e vou escutando o rádio, noticiários. Ou escutando meus MP3s, com  The Beatles, Bee Gees, Lobo, Nazareth, Credence, Clearwater Revival e muitos outros de minha geração, também sua, leitor(a). E, escutar músicas do passado, leva meu pensamento para os tempos já idos...

          À tarde, na volta, venho escutando o Rádio Saudade, na Rádio Catarinense, onde ouço muitas músicas boas, que me trazem as melhores lembranças, da época em que era "fininho", magricela, cabeludo. E, à noite, entro em meia dúzia de sites que trazem notícias da região: vejaovale.com.br (de amigos, alguns meus ex-alunos de Capinzal e Ouro, como o Júnior Gotardo e o Marlon Matiello, o Vilmar Rebelato, cantor de Rock, e outros amigos); o ederluiz.com (o Éder foi nosso aluno no Sílvio Santos, em Ouro, e depois estudou no Belisário Pena, em Capinzal, trabalhou nas TVs Record e  RBS, em Santa Catarina, e atua em Joaçaba); o radiocatarinense.com.br (Joaçaba);  o rcidade.fm.br (de Ouro, comandado pelo amigo Alex, junto à Cidade FM, da Associação de Difusão Comunitária Prefeito Luiz Gonzaga Bonissoni).

          Tem também o radiobarrigaverde.am.br e o radiocapinzal.am.br (conectado com o Jornal A Semana); e o jornalotempo.com.br, estes de Capinzal. Bem, se você acessar uma parte deles,  já fica sabendo tudo o que acontece no Baixo e Médio Vale do Rio do Peixe. Mas, o que tem isso a ver com "lembrar do passado?" Ah, tem sim! É que um dia as pessoas que organizam esses sites ou fazem parte dos noticiários que se lê neles,  de uma ou outra forma, fizeram parte de nossa vida. E, hoje, de alguma maneira, nos ajudam, mesmo na ausência, sabermos de como vão as coisas em nossas ciddes.

         Mas, quando entro nesse caminho de lembrar dos meios de comunicação, remeto-me ao tempo da Rádio Clube, sucessora da Rádio Sulina Ltda., de Capinzal:  do Márcio Rodrigues ( o Pimba), do Chaves, do Vilmar Matté, do Lourenço de Lima, do Válter Bazzo, do Aderbal Meyer (Barzinho), da Alda Viecelli (Meyer), da Mariza Calza (que atuava na Administração), que no ano de 1971971, rodavam aqueles bolachões de vinil, pretos ( e que a  professora Valdomira Zortéa dizia que eram feitos, muitos deles, com cera de Carnaúba...). E até o Ênio Bonissoni fazia, de vez em quando, uns comentários no Jornal do Meio Dia.

          Depois, vinha aquele sargento da PM com a "Ronda Policial", usando, ao final, o bordão: "Se você não que que apareça, não deixe que aconteça!!! E, todos nós, nos comportávamos na "Cabana", no "Primeiro de Maio", ou no "Clube União, de Piratuba", para que nossas baladas fossem normais e não caíssemos na Ronda. E, no final da tarde, o Terto (Tertolino Silva), com aquelas saudosas gauchescas em sua gaita. Naquele tempo eu achava isso "cafona". Agora, alguns diriam que isso é "brega". Hoje, acho que é uma página de nossa cultura que merece ser lembrada, até mesmo dos recados que o Joanin Rech mandava na "Hora dos Avisos", ao meio dia, para a esposa, lá da Linha Sagrado: "João Rech Sobrinho avisa sua esposa, em Linha Sagrado, que volta para casa só de tarde e que vai ficar almoçando na Churrascaria do Chascove". Tenho lembrado. E tenho dito.

Euclides Riquetti
07-06-2012

terça-feira, 5 de junho de 2012

Cumplicidade

Há uma cumplicidade entre nós dois:
Uma palavra que rima com felicidade
Há uma pequena distância que não conta
Porque depois, depois da saudade
Vem sempre o reencontro, o amor de verdade.

Euclides Riquetti
Reeditada em 05-06-2012
"Especial para o Dia dos namorados"

Cineasta Rogério Sganzerla: um joaçabense brasileiro

          O Curso de Comunicação  da Unoesc de Joaçaba promoveu, nesta segunda, 04-06-2012, mais uma "Noite da Pipoca", em que teve no seu clímax a apresentação do filme produzido e dirigido pela atriz Helena Ignez (que esteve presente no auditório Afonso Dresch), "Luz nas Trevas - A Revolda da Luz Vermelha".
          O evento teve como escopo enfocar o próprio Rogério Esganzerla, cineasta nascido em Joaçaba, sagitariano de 26 de novembro de 1946, ( e falecido em 2004), a apresentação do filme dirigido pela atriz  Helena Ignez, que fora sua musa em toda a sua vida e ex do não menos renomado Glauber Rocha. No mais famoso filme de Sganzerla,  "O Bandido da Luz Vermelha", de 1968, quando ele tinha apenas 22 anos, estrelaram, dentre outros, Paulo Villaça, Renato Consorte, Sônia Braga, Ítala Nandi, Sérgio mamberti e ela, sua musa Helena Ignez". O filme foi um sucesso na época, quando o jovem cineasta joaçabense, após 4 anos escrevendo sobre cinema no jornal O Estado de São Paulo, assumiu sua verdadeira vocação: a de dirigir filmes.

          Honrosamente, acompanhei a vida de Sganzerla desde 1966, quando eu lia alguma coisa sobre ele no Jornal O Vale, que era produzido em Videira e circulava também em Capinzal e Ouro. Ainda, ouvia as polêmicas sobre ele nas Rádios Herval  D´Oeste e Sociedade Catarinense, de Joaçaba.

          Como todo o jovem contestador, uma declaração de arroubo do cineasta, quando devia  ter cerca de 20 anos, causou a maior polêmica em sua cidade natal: teria dito que Joaçaba era o "ânus (mas usando aquela outra palavra horrorosa, de uma sílaba que a substitui), do mundo". Ser o "ânus do mundo" era um qualificativo horrível, e a classe política de Joaçaba se mobilizou, a Câmara Municipal de Vereadores queria que fosse considerada "persona non grata" de Joaçaba (não sei se conseguiram, mas ainda descobrirei bem isso...). Bem, isso o promoveu ainda mais, pois sendo bem conhecido no eixo Rio-São Paulo, por aqui era apenas o filho do comerciante Albino Sganzerla e de Dona Zenaide, uma senhora simpática que aqui vive. Aliás, conversei algumas vezes com o seu irmão, Angelo Clemente Sganzerla, que produziu o filme "Aos Espanhóis Conphinantes", e que me confessou que seu sonho é filmar "A Guerra do Contestado", que era um sonho do Rogério e do falecido ex-Governador/Senador Vilson Pedro  Kleinubing, que queriam o Anthony Queen com ator principal, vivendo a personagem Monje João Maria. E ainda restam aí sua irmã e o irmão,  Albininho, bem como a mãe. O pai, Albino, virou nome da Rua que passa ao lado de minha casa,  em Joaçaba...

          Mas, voltando ao cinema, Helena Ignez veio apresentar o filme cujo roteiro ganhou de presente do marido, quando ele estava doente, com um tumor no cérebro, e só agora  foi possível colocá-lo no mercado brasileiro. A filha de Ignez e Rogério, Djin Sganzerla, contracena com seu marido, o ator André Guerreiro Lopes, e a fita está rodando no Rio e em São Paulo, sendo que em poucos dias deverá estar nas salas de cinema dos shopping-centers do Brasil.

          Ah, para lembrar aos amigos leitores,  o diretor Rogério Sganzerla (que chegou a correr automobilismo em Interlagos), foi marcante na geração pop brasileira dos anos 60. Produziu, mais adiante "O Signo do Caos" e quase duas dezenas de filmes. Veja parte da letra da música que foi o maior sucesso da cantora Gal Costa, gravada em 1969, em que ele é mencionado, juntamente com as feras da "Jovem Guarda" brasileira:

"Meu nome é Gal, tenho 24 anos
Nasci na Barra Avenida, Bahia
Todo dia eu sonho alguém pra mim
Acredito em Deus, gosto de baile, cinema
Admiro Caetano, Gil, Roberto, Erasmo, Macalé
Paulinho da Viola, Lanny, ROGÉRIO SGANZERLA,
Jorge Ben, Rogério Duprat, Wally,
Dircinho, Nando
E o pessoal da pesada.
E seu um dia em tiver alguém com bastante amor pra me dar
Não precisa sobrenome
Pois é o amor que faz o homem"

Rogério foi um de meus ídolos de juventude.

Euclides Riquetti
05-06-2012



       

domingo, 3 de junho de 2012

Adorável Pecadora

          Pessoas são providas de virtudes e defeitos. Não há o "ser perfeito", praticamente não há unanimidade sobre coisas e pessoas, tanto que existe um dito munto popular: "toda a unanimidade é burra". Então, há convergências de opinião maiores ou menores. Num julgamento, quando tribunais de juízes decidem por unanimidade, embora seja a decisão que eles têm como a justa, há pessoas que não concordam com eles. Também nas câmaras legislativas, votações por unanimidade, contra ou a favor de algo, são condenáveis por uma maioria ou minoria dos cidadãos contextuados como "opinião pública".

          Uma dessas unanimidades, por seu talento e beleza, foi Norma Jeane Mortenson, americana, que fez par com Ivo Livi, ítalo-francês, em "Let´s make love", que literalmente pode ser traduzido como "Vamos fazer amor" ou "Façamos amor". O filme, entretanto, teve seu título lançado ao Brasil, em 1960, como "Adorável Pecadora".  Ah, leitor (a), começas a buscar uma faísca de entendimento?  É um dos 30 filmes estrelado por "La Monroe". Melhor, agora, né? Ah, o né? (não é?), seria o "isn´t it?" dos americanos, da turma lá de Los Angeles, onde a celebridade nasceu como Norma Jeane e,  aos 18 anos, adotou o nome Marilyn porque era bastante popular entre os americanos e, Monroe, porque era o sobrenome de sua avó materna. E o italiano da Toscana, Ivo Livi, virou o franco "Yves Montand", que também fez mais de 30 filmes e, dizem, até namorou a atriz. Ambos atuavam como atores e cantores.

          Contrariando a opinião de muitos de que pessoas muito bonitas arrumam emprego nos meios artísticos pela sua beleza, Marilyn Monroe tinha muito talento. Nasceu em 1926, viveu até em orfanato, casou-se, pela primeira vez, aos 16, trabalhou em fábrica,  divourciou-se aos 20, quando fez seu primeiro contrato com a 24th Century Fox, ganhando US 125.00 por semana, o que era bastante para a época. Fora descoberta pelo fotógrafo Davis Conover, e dali para o estrelato foi uma questão de tempo, curto tempo.

          No filme que assisti, e recomendo para você, produzido em 1960,  ela é uma atiz de teatro que sensibiliza um rico empresário, bilionário, interpretado por Montand. Sensual, encantadora, jovial e sedutora. Passam-se, no filme, aquelas cenas de comédia romântica, que assistíamos no Cine Glória, em nossa adolescência. Na época, achávamos aqueles "filmes de amor" muito chatos. Preferíamos o "Tarzan", o "Mazzarópi", o "Ringo" (Guiliano Gemma), e outros westerns, com uma mega troupe de atores holliudianos. Agora, comparo-o aos modernos filmes românticos a que assisto no Telecine Touch.

Ah, La Monroe disse, um dia: "Eu também tenho sentimentos. Ainda sou humana. Tudo o que eu quero é ser amada pela pessoa que sou e pelo meu talento". É, amigo (a), talento e beleza inquestionáveis, na atriz que nos deixou com apenas 36 anos, muito sucesso, e cuja a morte até hoje não foi bem explicada. Sou seu fã, Marilyn Monroe.

Euclides Riquetti
03-06-2012

        

sábado, 2 de junho de 2012

Perdas sem ganhos

          Há situações em que alguns perdem e outros ganham. Há, também, aquelas em que todos perdem. E, numa falsa avaliação, apenas ilusória, até aqueles que ganham,  perdem. Pessoas têm perdas materiais, que se recuperam, se recompõem. As perdas do coração, parecem-nos irreparáveis. As perdas humanas, as definitivas, quando vidas são ceifadas, são as mais sentidas. Em seu lugar, restam as lembranças, muitas boas lembranças.

          Ontem, perdemos mais uma pessoa amiga, desta vez a já saudosa Noemi Pontim, que conhecemos desde duas décadas atrás.  A nossa nutricionista, parceira em projetos de nosso trabalho no serviço público, na saúde e na educação. Moramos na mesma cidade, Ouro, alguns anos. Depois ela foi para Joaçaba. Nós fomos também. Muitas e muitas vezes nos encontrávamos em eventos, cursos. Além de uma amizade simples, mas verdadeira, o respeito profissional mútuo. No campo do trabalho, deixou-me duas lições:

          A primeira, foi quando desenvolveu sua pesquisa para o Mestrado, lá na Escola Sílvio Santos, quando eu era professor. Constatou que os jovens estudantes de Ensino Médio, rapazes, filhos de agricultores, eram muito altos e magros, longelíneos. As garotas tinham a estatura normal para a idade, mas estavam, muitas delas, com sobrepeso. E buscou saber as causas: Os rapazes, em casa, no período da tarde e até noite, tinham que trabalhar muito na lavoura e no trato das criações, porque o número de filhos em cada família estava cada vez menor, havia menos mão-de-obra. . As garotas, por sua vez, eram poupadas do trabalho pelas mães, porque não queriam que as filhas passassem pelos mesmos sacrifícios por que elas passaram em sua juventude. Então, as próprias mães faziam os afazeres da casa e da propriedade, dispensando-lhes o tempo para que estudassem.

          A segunda, foi numa entrega de certificados para proprietários de estabelecimentos alimentícios, padarias, bares, lanchonetes e restaurantes. Num vídeo, nos mostrava as incoerências em  muitos estabelecimentos do gênero, em que, na hora da limpeza, viravam as cadeiras e colocavam-nas sobre a mesa onde servem alimentos para os clientes. Outra, que em cozinhas aparentemente bem cuidadas e organizadas, armazenavam caixas com verduras, que vinham das granjas, sobre a pia  ou a mesa da cozinha. No primeiro caso, era uma grande falta de respeito para com o cliente. (Até hoje, quando passo em frente a um restaurante e vejo cadeiras postadas com as pernas para cima, sobre as mesas, perco a vontade de frequentar o estabelecimento, com repulsa). No caso das caixas sobre as mesas, balcões e pias, trazem em sua base bactérias, que contaminam os alimentos.

          Então, quando se perde em ente querido, há a perda irreparável, pois nada repõe a tamanho da perda. Mas, podem ficar bons exemplos, se a pessoa que partiu nos deixou algum legado cultural ou pessoal, como no caso da amiga.

          Minha homenagem à nutricionista Noemi Pontim e seus familiares. Ela nos deixou, no primeiro dia de junho de 2012, antes do meio-dia, em trágico acidente na BR 282, juntamente com o Valmir, do HUST, seu colega de trabalho.

Euclides Riquetti
02-06-2012

         

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Dura Lex

        Nesta semana, estive visitando um órgão ambiental oficial em Joaçaba, onde costumo acompanhar projetos em licenciamento, e não pude deixar de sair de lá pensando no quanto o emaranhado de leis e normativas engessa ou  dificulta a vida das pessoas. Há tantas, tantas leis, que se não houvesse a possibilidade de acesso a elas através da redenet, os profissinais da área jurídica teriam muitas dificuldades em trabalhar suas teses. Comentavam  dois profissionais de nível superior, uma Engenheira Ambiental e um Biólogo, sobre algumas  barbaridades que têm que encarar em seu trabalho de conceder licenciamentos para instalação ou operação de alguns empreendimentos. Eu mesmo vi um Processo de Licenciamento de um local para venda de botijões gás de cozinha, em que, para armazenar 10 botijões de gás que um comerciante tenha em estoque, precisa pagar uma taxa de cerca de R$ 2.300,00 e ainda contratar um escritório especializado para encaminhar e acompanhar o licenciamento.

           Bem, você pode imaginar: Se alguém se propõe a vender gás, precisa estar na conformidade com as leis e normas. Tudo bem. Então, indago-me: Alguns botijões de gás armazenados, uma dezena, oferecem mais riscos ambientais, ou riscos de incêndio? Claro que um pouco de gás vazando,  numa gaiola feita com algumas barras de ferro de construção soldadas, oferece mais risco de incêndio do que a possibilidade de um desastre ambiental. Concluímos, juntos, que deveriam, sim, ser observadas todas as normas de segurança, toda a orientação dos bombeiros. Ah, e quantos botijões o comerciante terá que vender para poder sobrar todo aquele dinheiro que investiu no licenciamento? E  quem vai pagar esse custo? Naturalmente que você e eu, caro (a) leitor (a). 

          Ainda, quando ia para casa, fui pensando num artigo que li na Resvista "Fique de Olho", ali de Curitibanos, escrito por um juiz, que descrevia a cena constrangedora de ver uma senhora aparentando considerável idade, mostrando ser "da paz" e não "da guerra", que tinha que se apresentar no Fórum da Justiça, todos os meses, porque fora condenada por ter mandado cortar uma árvore ao lado de sua casa, pois tinha medo que caísse sobre ela. E o próprio magistrado achava isso um absurdo, uma senhora inofensiva, frágil, envergonhada, ter que passar por tamanha humilhação. Não fora ele a condená-la, mas, se o processo tivesse ido às suas mãos, deveria ter a mesma atitude que o colega, pois sua função é fazer cumprir a Lei. E, pela Lei Ambiental Brasileira, ela é uma criminosa. Lamentável, essa "Dura Lex, Sed Lex" (A Lei é Dura, mas é Lei), quando se vê tanto críme ambiental acontecendo no Norte do Brasil e em todo o mundo. E nós, brasileiros, há alguns anos estamos aí divergindo sobre nosso "Código Ambiental/Florestal Brasileiro", sem chegarmos a um entendimento.

          Há alguns meses lamentei a queda de um pinheiro sobre o aviário de um agricultor, ali em Ouro, que havia me procurado, em meu trabalho,  para pedir autorização para cortar o pinheiro, antes que caísse sobre sua casa. Quem era eu, na ordem do dia, que poder eu poderia ter, perante a Lei, para "autorizá-lo" a derrubar o Pinheiro, antes que caísse? E, graças a Deus, o Pinheiro, na hora do vendaval, pendeu sobre o aviário, não sobre a casa, evitanto que alguém perdesse a vida. E, parece-me, não havia frangos alojados naquele momento...Apenas um ex-aviário!

          E, vem aí a Rio+20, neste mês. Teremos um Código Ambiental para apresntar na Conferência? E os outros países, o que já fizeram para a preservação do planeta? Parece que a conta está ficando apenas para os brasileiros...

Euclides Riquetti
01-06-2012

domingo, 27 de maio de 2012

Sol de Outono

Sol de outono
Resteia no teu acanhado e belo corpo
Secando o orvalho do gramado
Reativa teu pensamento absorto
E reconforta  teu ânimo abalado.

Sol de outono
Não é apenas mais um sol que brilha
Não é um sol comum do verão:
Reanima uma alma maltrapilha
Aquece o frágil e tímido coração.

Sol de outono
Sol de dimensão universal
Astro Rei semi-hibernado
Da natureza és o  Deus maioral
Tu  clareias o Universo iluminado.

Sol de outono
Oculto nas frias manhãs de inverno
Reinarás  na primavera ainda ameno
E, no verão, com teu Poder Eterno
Virás de novo:  Rei-Deus, Soberano Extremo!

Euclides Riquetti
27-05-2012

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Era uma vez, a casa...

          Treze Tílias é uma cidade encantadora. Lá, a maioria das edificações segue o padrão da arquitetura austríaca, pois a cidade foi fundada pelo Andreas Thaler, Ministro da Agricultura desginado pelo Governo do Tirol, no início do século passado. Vejam bem: Treze  Tílias era uma colônia Tirolesa, aqui no Brasil. O Ministro da Agricultura do Estado do Tirol veio  fundar a cidade e, adiante, morreu afogado no rio que a corta, tentando salvar uma ponte que construíra, e que a enchente queria levar, e levou, juntamente com ele.

         Mas a cidade foi-se firmando como destino turístico do Meio Oeste de Santa Catarina, pois é a que tem uma identidade cultural bem definida: música, arte, com predomínio da escultura, arquitetura característica, amabilidade, limpeza nas áreas públicas, muitas flores nas casas.  E também a poderosa Tirol, laticínio que está com muitas boas novidades no mercado.

          O jornalista Moacir Pereira, do Diário Catarinense, com quem várias vezes tive contato pessoalmente, inclusive com sua gentil esposa, é um grande fã da cidade. Já recebeu  o Título de Cidadão Honorário Trezetiliense. Contou-me que ficou muitíssimo honrado com o título, e que gosta muito de fazer-se presente por lá. Admira, por demais, o capricho e a cultura dos tirolezes.

          Meus contatos com aquela cidade vêm de mais de duas décadas, quando passei por ali algumas vezes vindo de ônibus de Porto União, estrada de chão, cidade acanhada. Depois, no início da década de 70, fiz-me presente muitas vezes, inclusive no Baile dos Artistas, quando filmavam ali a novela da TV Machete, a "História de Ana Raio e Zé Trovão". Ana Raio, interpretada por Ingra Liberado, então mulher do Diretor Jaime Monjardim; Zé Trovão, por Almir Satter. E havia outros, como o Carlos Eduardo Dolabella, o Rui Rezende, o Roberto Bomtempo e outros que conhecemos na época. Pois não é que agora, neste domingo, dia 27 de maio de 2012, o Almir Satter vai estar ali, sem cobrar cachê, para ajudar na recuperação de uma edificação histórica (igreja???), da Linha Pinhal, onde filmaram a novela? Ali esteve em 1991 e volta agora, já mais famoso, bem sucedido, ...

          Na quinta-feira, 24, estivemos lá para prestigiar o evento produzido pela Vanessa Schultz, mestre em Artes Visuais, uma "mostra" destinada a crianças, que acontece no porão do Castelinho de Treze Tílias e em  pátio gramado. A mostra vai até o dia 17 de junho e cerca de 2.000 crianças da região, 40 de cada escola pública, estarão por lá. Eventos do gênero, a princípio, podem parecer apenas "brincadeira de criança", mas há muito mais por trás disso: são crianças que estarão falando para os pais, irmãos, amigos e parentes, sobre os encantos daquela cidade. E é assim que o Turismo de Treze Tília cresce sustentável: quem vai para lá, sai falando bem do que viu, e a propaganda acontece, assim, de graça. E o turismo se fortalece.
   
         Tivemos a surpresa de encontrarmos por lá a Dirlene Bonato, Diretora do Recanto dos Anjos, lá de Ouro, com suas colaboradoras, levando crianças para visitar a cidade. E acabaram lá no Castelinho, por acaso, conhecendo o projeto Era uma vez, a casa... Parabéns, Treze Tílias, e a você, Vanessa, por trazerem algo novo para as crianças de nossa região.


Euclides Riquetti
25-05-2012

        

terça-feira, 22 de maio de 2012

Abraçar-te - (Dia do Abraço)

          Abraçar alguém é poder transmitir nosso mais sublime sentimento de  amizade, é  poder dividir nossas emoções. Hoje, Dia do Abraço, quero abraçar-te, amigo, amiga, e quero que tu sintas a emoção que eu sinto: a de saber que tu existes, o que  é gratificante, e quero compartilhar isso contigo!

          Poder abraçar-te significa ter alguém com quem contar, e isso nos remete a relembrar bons momentos que tivemos com pessoas a quem amamos, muitas vezes entes queridos que partiram e de quem, talvez, nem tenhamos tido a oportunidade de nos despedirmos.

          É dito que o tempo apaga lembranças mas, certamente, não nos esquecemos, nunca, dos melhores e dos piores eventos que se sucederam em nossa vida. É impossível deletar lembranças que nos marcaram, positiva ou negativamente. Assim, reservo o "Dia do Abraço", para render-te minha homenagem, a ti que, em qualquer momento de minha vida, pude abraçar, ou dividir contigo momentos felizes. Abraça-me e sê feliz, amigo, amiga!

Euclides Riquetti
22-05-2012