sábado, 9 de novembro de 2013

Turismo Social com Poesias

         Por três oportunidades em minha vida tive oportunidades de estar alojado na Colônia de Férias do Hotel SESC Cacupé. O Sistema SESC (Serviço Social do Comércio) Catarinense tem unidades espalhadas por Santa Catarina. Sou, atualmente, aluno na Unidade de Joaçaba. Estou tentando melhorar meu domínio sobre o computador. E, através do SESC Joaçaba, voltei, pela quarta vez ao SESC do Cacupé.  Passei três dias participando das atividades do Festival do Idoso. A entidade  tem oferecido o Turismo Social aos seus integrantes. Orgulhosamente, agora posso dizer que sou, oficialmente, um "membro de carteirinha" Família SESC Catarinense.

          Há uma dúzia de anos, costumava ir com a família, tínhamos os filhos ainda junto conosco. Muita alegria e lazer orientado. Ao chegar no Hotel SESC Cacupé, minha cabeça voltou ao passado e lembrei-me de quantos bons momentos ali vivemos. A alegria de dividir nosso lazer com os filhos. Fizemos isso durante duas décadas.

          A grande área de lazer localizada na Praia do Cacupé, na Capital Catarinense, em nossa maravilhosa Ilha da Magia, guarda os mistérios das bruxas ilhoas e os encantos da natureza. A intervenção humana só melhorou o lugar. Há uma estrutura com 62 cabanas que hospedam, confortavelmente, os hóspedes, e ainda  um moderno hotel. Edificações complementares, com alojamentos, restaurante, centro de multiuso, o salão para eventos sociais "Ilha do Campeche", piscina, quadras de areia  para esportes e ainda um fabuloso campo de futebol suíço com grama sintética são alguns dos equipamentos. Para as crianças, parque infantil, tudo com atividades orientadas por profissionais ligados à arte e à Educação Fíísica. Animação e recreação. Movimento para o corpo, a mente e a alma. Salas de Jogos, Academia, Casa das Bruxas, áreas para caminhadas e trilhas em meio à mata nativa. É uma erstrutura fabulosa.

          Uma atividade nova, de que participamos na quinta-feira à tarde foi o Voley Câmbio. Esta consiste em dividir as pessoas em dois grupos de até seis jogadores cada um. A diferença básica com  o jogo de vôlei convencional é de que a bola é retida quando chega nas mãos do jogador. Ele não precisa tocar de imediato com os dedos. O objetivo é o de que as pessoas se movimentem girando ou fazendo os rodízios de cada vez que a bola é alçada para o campo adversário. E pode ser tocada , por três pessoas  em cada vez que está numa determinada parte do campo. E somente o jogador que está próximo da rede, ao centro (o meio de rede) pode lançá-la para o outro lado, por sobre a rede. O segredo da boa jogada está em que cada atleta se acostume a passar, no primeiro ou segundo toque da bola, para o lançador e, tão logo  a bola lhe é passada, ir fazendo o rodízio, no sentido horário.  É um jogo que exige muito raciocínio rápido e agilidade com o corpo  e as mãos.

        Senti que todos se entusiasmaram muito com o jogo. Vou levar a ideia para minha região. E, todos aqueles que tinham medo de machucar os dedos quando jogavam, agora podem jogar sem se preocupar com isso. Garanto que o nível de recreação e ânimo é o mesmo que na modalidade convencional.

          Nossa turma é composta pela Liliana D ´Agostini, que comanda nossa delegação. Rose Balen Oliveira, do Grupo Alfredo Sigwalt. Faço parte do grupo Papa Francisco, juntamente com o Domingos Dassi, a Lurdes Bortoli, a Rosita Wieser Pancera  e a Zenaide Sganzerla. Aproveitei minha fala em público para ressaltar a importância do joaçabense Rogério Sganzerla (irmão da Zenaide), para o cinema brasileiro. É o produtor de "O Bandido da Luz Vermelha"  e outros 16 filmes brasileiros, 12 dos quais longa-metragens. Sempre que participo de algum evento, prouro destacar as pessoas e os empreendimentos da cidade onde moro.

          Nossa delegação foi  no mesmo ônibus que a de Concórdia, chefiada pela Cris. Fizemos amizade com eles e nos divertimos muito. Ganhamos em troca de conhecimentos e cultura, além de partilhar atividades de esportes e de lazer. Trocamos muitas informações. Algumas, que serão objeto de matéria futura, muito me sensibilizaram.

          Na manhã de sexta-feira, cada Unidade do SESC apresentou, num auditório, uma espécie de relatório sobre os prejetos sociais que os seus alunos desenvolveram em suas cidades. Todos fizeram direitinho sua parte. Fui convidado pela nossa coordenadora regional,. Liliana D ´Agostini, a apresentar minha atividade literária a todos os demais. Num telão, abriram meu blog e eu dei meu recado, enaltecendo o objetivo de minhas crônicas: Trazer a público e deixar registrada a história de muitas pessoas que viveram no anonimato e que nunca foram contempladas com seu nome num jornal, numa revista. mas que, hoje, com a internet, consigo relatar sobre a vida simples de muitas personagens das cidades onde vivi e colocar para que as pessoas as conheçam em muitos países do mundo.

           Na sexta à noite  fui declamar poemas de minha autoria no Show de Talentos. Representei o SESC de Joaçaba e fiquei muito contente em ter sido convidado para isso. No salão de festas Ilha do Campeche, após as apresentações culturais, um  bailinho. No sábado pela manhã, caminhada até a Casa das Bruxas, no alto do morro, depois muita atividade recreativa e física.

          Minha primeira experiência com Turismo Social foi magnífica. Gostei da ideia. E o SESC, em Santa Catarina está indo muito bem nessa área. Obrigado pela oportunidade de participar.



Euclides Riquetti
09-11-2013
          

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Sopa quente - ah, que delícia!

          De vez em quando me vêm à mente algumas situações muito agradáveis que vivi durante minha infância. Sinto que a bela fase pela qual todos nós passamos está sempre presente em meu imaginário e me volta constantemente. Dizem que a mente deleta as coisas ruins e nos traz à tona as coisas boas. Concordo plenamente que seja assim.

          Quantas e quantas vezes, ao degustar uma sopa, lembro-me, com muitas saudades, das sopas que,  carinhosamente,  preparava minha madrinha, Raquel, e sua filha Ladires, lá no Leãozinho. E que a Nona Baretta, a Severina, e as tias Iracema (Baretta Mazera) e Ivani (Baretta Dal Cortivo), com muito carinho, preparavam para os sobrinhos, muitos que éramos a visitá-las, em nossas férias escolares, lá na Linha Bonita. Também, de algumas que "devorei", na Casa do Tio Valentin (Baretta) e minha adorável Tia Marietina, irmã de meu pai,  ou na Tia Joana (Dambrós - Riquetti)  lá perto da Linha dos Frigo, onde meu pai tinha sua colônia de terras. E as sopas que minha sogra, Dona Ana (Anzolin Carmignan) , me oferecia lá em Porto União, naqueles tempos tão difíceis de estudante...  Sempre sopa de feijão, geralmente com macarrão ou arroz, tempero vegetal, muito gostosa. Eu adorava isso.  E as que minha mãe, Dorvalina,  nos preparava, com muito carinho, ali no Ouro. Saudades de todas...

          A simplicidade e o carinho com que faziam as sopas, uma maneira fácil, prática e econômica de alimentar mais de uma dezena de bocas, a cocção em fogão aquecido com lenha, esmaltado e floreado, deve estar também em sua lembrança, amigo leitor. Não nascemos em "berço de ouro", todos tinham que trabalhar, eram muitos em cada família. E a sopa, além de suprir tudo isso, era uma maneira de aquecer-nos no início das noites mais frias do inverno. Às vezes, umas colheres de vinho tinto misturado à sopa de feijão, davam-lhe um sabor especial e ajudavam a aquecer. E aquela tigela de queijo ralado, envelhecido, para sobrepor numa deliciosa camada, cheirosa, que nos atrai. Com generosas fatias de pão caseiro e uma rodelas de salame colonial bem curado, um copinho de vinho... ah, que delícia!

          Nossa vida não precisa de muitos "luxos" para ser boa. Alimentos preparados com muito carinho, com os temperos que a Nona ou a Mamma souberam combinar, e que foram ensinando às filhas, podem fazer nossa alegria todos os dias. Sopas, macarronadas, risotos, carnes assadas ao forno, saladas, tanta coisa boa, enfim. Comia boa e saudável, que enseja longa vida!

Euclides Riquetti
08-11-2013


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Canção para Eduarda

Ao cantar esta canção
Me lembro, com emoção
Da praaaaia!...

Foi lá que eu te conheci
Me encantei quando te vi
Na praaaaia!...

Encontrei-te junto ao mar
Com a  areia a te queimar
Da praaaaia!...

/Hoje eu canto esta canção/Que me traz tanta emoção/
Ao lembrar o som do mar/Ao lembrar o som do mar... do mar!/
(duas vezes)

Foi amor, foi alegria
Foi amor naquele dia
Na praaaaia!...

Eu me lembro bem feliz
Do ceú claro, azul aniz
Da praaaaia!...

Na verdade eu nunca tinha
Visto algo tão bonito
Na praaaaia!...

/Hoje eu canto esta canção/Que me traz tanta emoção/
Ao lembrar o som do mar/Ao lembrar o som do mar... do mar!/
(duas vezes)

Foi  minha vez primeira
A pisar naquela areia
Da praaaaia!...

Não me deste o telefone
Mas escreveste teu nome
Na areeeeia!...

Até hoje te procuro
Seja claro, seja escuro
Na areeeeia!...

/E hoje eu canto esta canção/Que me traz tanta emoção/
Ao lembrar o som do mar/Ao lembrar o som do mar... do mar!/
(duas vezes)

Nota:

Canção poética composta especialmente para a filha da prima
Vero Richetti, Eduarda, de Cascavel-PR. Decendente de meu Tio
Marcelino Richetti.
Euclides Riquetti
07-11-2013

O doce aroma que perfuma

Traz-me o vento que balança a cortina
O doce aroma do fruto goiaba
Que vem perpassando o vão da janela
E me lembra de sua cor linda,  amarela
Cobrindo a polpa vermelho-rosada
Ah, doce aroma que perfuma...e que me anima!

Traz-me de volta seus olhos fugidios
E leva meus lamentos pelas águas do rio.
Traz-me o vento lembranças gostosas
Lembranças que me fazem bem e me afagam
Lembranças verdes e maduras
Que dividíamos com ternura
(E que de min´alma meus pecados apagam...)
Das frutas tenras, macias e saborosas.

Traz-me de volta seus  olhos fugidios
E leva meus lamentos pelas águas dos rio.

Do rio que sai de mim
E que busca você.
Apenas dele...

Euclides Rquetti
06-11-2013




terça-feira, 5 de novembro de 2013

Amar com intensidade


Amar de todas as formas, de todas as maneiras
Amar com o coração, com os olhos, com as mãos
Amar com volúpia, ardor, e com a alma faceira
Amar, apenas amar, viver o amor, com muita paixão.

Viver o amor com toda a intensidade
Despertar sentimentos até já extintos
Descobrir alguém com muita afinidade
Atiçar, ainda,  os mais fortes instintos.

Amar sem limites e sem fronteiras
Amar os seres que nos querem bem
Amar a quem queremos  e que também nos queira.

Amar é poder dar respostas a quem nos espera 
É poder dar esperanças e esperar também
É seivar as  flores  em cada primavera.


Euclides Riquetti
05-11-2013



segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Andante na noite, solitária

Andas, na noite, solitária
Como é solitária a lua.
Caminhas, na trajetória imaginária
Andas, vagueias na rua.
Buscas não sabes o quê, não sabes onde
Buscas algo que de ti apenas se esconde
Alguém que não ouve essa voz tão tua
Alguém que chamas, que ouve...
E não responde!

Solitária, andas na noite dos passantes
Dos namorados, dos casais, ou dos amantes
Mas andas.
Não sabes para qual porto queres ir
Apenas sabes que teu destino é o teu fingir.
E é o teu fugir
Para  tua liberdade
Com toda a tua...docilidade!

Mesmo assim
Andas na rua solitária
Imaginária
Temerária
Andas...
Vagas palas ruas direitas, pelas tortas
Pois andas em busca de respostas
Sem saber, ao menos
Aonde queres ir
Onde queres chegar:
Talvez... à beira do mar:
Chegar!
Euclides Riquetti
04-11-2013

domingo, 3 de novembro de 2013

Voltaram os pecados

Voltaram os pecados que haviam saído
Que buscaram encontrar os pecados teus
Voltaram leves e punidos
Voltaram os pecados meus...

Passearam,  de mãos dados, os nossos pecados
Foram sonhar os sonhos permissíveis
Desejavam ser perdoados, depurados
Buscaram os perdões mais impossíveis.

Então  a flecha do cupido, a arma tão letal
Sacramentou o perdão de ambos os pecadores
E foi a vitória do bem perante o mal.

E, as negras tintas  foram  dissipadas
A alvas rosas abriram seus botões em flores
E Deus abençoou nossas almas já purificadas.

Euclides Riquetti
03-11-2013

sábado, 2 de novembro de 2013

A gente só chora por quem ama, amou, ou foi amado!

          Os cristãos católicos do mundo todo celebram, no dia 2 de novembro, o Dia de Finados, que também é conhecido como o Dia dos Mortos. Há, ainda, a denominação de "Dia dos Fiéis Defuntos". Isso ocorre desde o Século II, mas foi somente no Século XIII que a Igreja Católica impôs, através de Roma, que ele fosse dedicado, obrigatoriamente, para que os viventes visitassem os túmulos de seus entes queridos. Foi secundar o Dia de Todos os Santos, que acontecem no dia primeiro do mês de novembro. Dizem que a Igreja Católica baseou-se em em informações Bíblicas para fundamentar a data coomemorativa de finados.

          Mas, hoje, mais do que a presença do ser humano que visita os seus entes queridos num cemitério, tem-se que o que vale é a intenção de se prestar o reconhecimento a pessoas que queremos bem, o que me vem como algo  muito certo. Mas, rememorar as pessoas que amamos e nos deixaram, é uma prática que cultivamos em quaisquer de nossos dias.

          A prática de se visitar os túmulos dos entes queridos no dia 2 de novembro, porém, traz um pouco de "protocolo social". Enquanto que alguns acendem uma vela com a intenção de "dar mais luz" a quem já a a tem, e o fazem com muito respeito e carinho, e lhes levam pelo menos um flor, a mais bonita que possam colher no jardim de sua casa, outros compram belíssimos buquês, que vão adornar os túmulos nos cemitérios. Ainda, observa-se que, durante o mês de outubro, há intensa atividade laboral nos "campos santos", uma vez que as pessoas costuman fazer reformas em jazigos, pintar ou lavar túmulos. Há, em cada lugar, desde os montinhos de terra com uma velha cruz indicando que ali há um corpo enterrado, bem como verdadeiros mausoléus revestidos com mármores ou granitos.

          Algo também que deve ser considerado, aqui no Brasil, é o fato de que os cemitérios, públicos ou privados, precisam adequar-se à Legislação Ambiental, devendo passar por rigoroso processo de licenciamento para funcionar. Isso para evitar que os corpos em decomposição venham a contaminar os lençóis de água subterrâneos e os rios e lagos. Um processo de licenciamento envolve profissionais gabaritados, inclusive é de suma importância a participação de um geólogo no procedimento de avaliação do solo em que se localiza. Participei do licenciamento de um, junto com o amigo geólogo Jorge Augusto da Silva. Todo o processo somou mais de 50 folhas de papel com memoriais descritivos e plantas.

          O aspecto histórico dos cemitérios tem muito valor cultural, também. Aqui na região, o de Campos Novos tem centenários jazigos, com toda a sorte de arquitetura. Em Capinzal, há o cemitério redondo, pouco utilizado mas de muito valor histórico, segundo o saudoso historiador  Dr. Vítor Almeida. No interior de Água Doce, ali próximo à Fazenda Nossa Senhora de Belém, há um cemitério com belos jazigos construídos com muita arte.

          O Cemitério da Recoleta, construído pelo Padres Recoletos, em Buenos Aires, é um dos mais importantes e imponentes do mundo, seguramente o mais visitado da América do Sul, como atrativo turístico da bela Capital Portenha. Visitei-o no início do ano, pois queria conhecer o lugar onde repousa o corpo de Eva Maria Duarte de Perón, a Santa Evita dos argentinos. Sou simplesmente fissurado em Evita. Já li tudo o que me apareceu à frente sobre a vida da Primeira Dama da Argentina, que faleceu no ano em que eu nasci, aos 33 anos. Uma arquitetura fantástica, baseada na melhor arte parisiense e londrina.  Lá também visitei o túmulo do Ex-presidente Raúl Alfonsín, que o amigo Juca Santos dizia-nos que seria o salvador, pela democracia, do povo argentino. (E também dizia que viriam as eleições diretas e que Ulisses Guimarães iria ser o maior presidente da história de nosso país.)

         Na semana, fui levar velas e flores para meu pai, Guerino Riquetti, minha mãe, Dorvalina Adélia Baretta Riquetti, e meu irmão Ironi Vítor Riquetti, cujos corpos descansam lá no cemitério municipl em Ouro. Todas as vezes que vou para aquela cidade costumo visitá-los. Estar próximo de seus corpos aviva minha memória, faz-me lembrar de muitas e saudosas passagens que vivi com eles. E, hoje, só no ato de escrever este último parágrafo, não consigo conter minhas lágrimas. Isso acontece sempre que escrevo algo sobre eles. A gente só chora por quem ama, amou, ou foi amado!

Euclides Riquetti
02-11-2013          

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Meus pecados saíram para passear

Meus pecados saíram para passear
Foram buscar outros deles na tardinha
Quase que se esqueceram de voltar
Acho que deram uma "escapadinha".

Foram encontrar os pecados seus
Que com os meus têm afinidades
Todos aqueles que você cometeu
E de que lembramos com tantas saudades.

Meus pecados saíram para passear
Foram cupidar no seu coraçãozinho
Demoraram muito para retornar...

Voltaram, sim, é verdade, pois!
Foram e voltaram juntos, juntinhos
Voltaram namorando como nós dois!

Euclides Riquetti
01-11-2013

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O Julgamento de Paris

          Ao contrário do que muitos pensam, as uvas que produzem o vinho colonial no Sul do Brasil não vieram da´Europa, mas sim da América do Norte, algumas há bem  mais de 100 anos.  Dentre elas, as mais utilizadas são a Niágara, para a produção de vinho branco,  e as variedades Bordô e Isabel para os tintos. Foram trazidas para a Colônia Gaúcha e, de lá, aqui para o Vale do Rio do Peixe, com a chegada dos descendentes de imigrantes italianos radicados na Serra Gaúcha. Isso começou a acontecer logo depois da inauguração da Estrada de Ferro São Paulo/Rio Grande, que corta nosso Vale do Rio do Peixe, e que aconteceu em 1910.

          A introdução de uvas viníferas europeias é bem mais recente. O tempo e os costumes acomodaram (definiram) a classificação,  e hoje são consideradas "americanas" ou "coloniais", as variedades acima mencionadas. As viníferas têm como característica principal serem cultivadas em terras de altitude. As melhores têm origem na França, mas temos também as vindas da Itália, do Tirol, de Portugal e da Espanha, e de outros lugares. As principais cultivadas no Sul são: Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Syrah, Tannat  Cabernet Franc, entre as escuras; e Chardonnay e Sauvignon Blanc entre as claras. A Sauvignon Blanc, segundo Maurício Grando, da Villaggio Grando, de Água Doce, aqui perto,  é considerada a "mãe das uvas do mundo". Concordo com ele.

         Os franceses, especialmente, sempre trataram com desdém, inferioridade e desconfiança as uvas e os vinhos produzidos nas Américas (Estados Unidos, Brasil, Argentina, Chile, Uruguai...). O conceito, porém passou a mudar a partir de 1976, com um fato que ocorreu em Paris, na França. E, de lá para cá, os vinhos produzidos nas Américas passaram a ser respeitados e a tornarem-se, até, campeões em concursos que lá realizam, com os melhores vinhos, das melhores safras do mundo.

          Um filme de muito boa produção, um drama,  na verdade, de produção nortemericana em 2008, mostra uma história ( e por isso mesmo verdadeira), protagonizada por famílias da Califórnia, EUA, em que uma dúzia delas, no Napa Valley, produzem vinhos com parreiras trazidas da França. Com a Direção de Randall Miller e tendo como protagonistas Bill Pullman (no papel de Jim Barrett, o produtor de vinhos), Cris Pine (Bo Barrett, filho de Jim) e Rachel Taylor (Sam, por quem Bo nutre grandes sentimentos), enfoca a fazenda que produz vinho no seu Chateau Montelena. Um sommellier francês  vem aos Estados Unidos e prova dos vinhos produzidos naquele vale. Acha que têm condições de competir com igualdade aos vinhos franceses, num concurso a ser realizado em Paris, em 1976. Leva 26 garrafas, sendo duas do Montelena, entregues escondidas por Bo, contra a vontade do pai.As garrafas seguem sem que o produtor saiba, encaminhadas pelo filho.

          Classificado à final do Concurso, Bo segue a Paris para ver o julgamento. Os sommelliers escolhem, sem saber que é produzido na Califórnia, EUA, o Montelena como o melhor vinho. E, então...
(Final de filme não se conta!).

          A história apresentada no filme "O julgamento de Paris" muda a história dos vinhos nas Américas e hoje o vinho, para nós sul brasileiros, tem forte importância econômica. Houve grande evolução no sistema de armazenagem, sendo que a maior parte, hoje, é acondicionada para repousar em grandes tonéis inoxidáveis, em que cabem milhares de litros. A sua temperatura é controlada por sistemas de computação e, vinho que se preza, antes de ir para a garrafa passa uma temporada em barris de carvalho americano ou francês.

           Para nosso orgulho, a região do Meio-oeste Catarinense e Alto Vale do Rio do Peixe, tem contríbuído com vinhos e espumantes de excelente qualidade. Pessoalmente, destaco as cantinas de Pinheiro Preto e Tangará ( Treze Tílias também tem evoluído), e Água Doce, onde se situa a Villaggio Grando, que vale a pena conhecer.

          Mas, voltando ao filme, vale a pena assistir, pois além de um enredo interessante e paisagem espetacular (imagine os extensos parreirais...) ainda a presença de Cris Pine e Rachel Taylor fazendo a parte romântica.

          E, como diz a poetisa Denize Maria Cecatto Bee, que produz vinho com sua família ali em Pinheiro Preto, e que sabe muito bem poem(ar), " A magia do vinho não está só na qualidade da bebida, mas também na companhia de quem a desfruta". Tem razão a minha colega, pois o vinho é a bebida dos deuses, a bebida do amor!

Euclides Riquetti
01-11-2013  

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Vinhos - a arte de produzir e de conhecer.

          Quem não gosta de um bom vinho? A resposta vem, naturalmente, de cada um de nós, e é difícil encontrar alguém que não aprecie um bom produto, seja ele de uvas americanas ou de europeias. Aqui no Vale do Rio do Peixe, duas cidades se destacam na produção de vinhos e espumantes: Pinheiro Preto e Tangará. Produtos bons, em marcas que ganharam fama nacional e internacional, com uvas americanas ou europeias. Em Campos Novos, com a supervisão de técnicos da Epagri, são produzidos bons vinhos de viníferas de altitude, bem como em São Joaquim, que vem conquistando nome no mercado nacional e internacional.

          Passei a interessar-me por vinhos, tentando entender os processos de fabricação, as varietais e a qualidade,  lendo muito sobre o assunto, vendo reportagens televisivas e mesmo participando de degustações. Apenas degustar, por si só, não nos ensina muito. Porém, quando a degustação vem acompanhada da avaliação e opinião de enólogos, você passa a perceber a diferença que há em cada um. Tenho aprendido gradativamente sobre eles.

          Quando criança, ajudei a fazer vinho lá no Leãozinho, no sítio de meu padrinho, João Frank, na casa de quem fui morar com apenas um ano, um mês e dezessete dias. (Nasceu minha irmã Iradi, que mora hoje em União da Vitória, e meus padrinhos João e Rachel, levaram-me gentilmente para morar com eles, onde permaneci até os oito anos de idade, quando voltei para a casa de meus pais, em Capinzal.)  Lá, ajudei, desde tenra idade, a produzir vinho, com a função de pisar a uva nas tinas de carvalho, amassando os grãos de uvas americanas brasileiras, a Bordô, a Isabel e a Francesa. Esta, por ter a casca fina, é mais recomendada para o consumo in natura. As outras, para a produção do vinho colonial, como o chamamos por aqui.

          A primeira vez que tive contato com gente que entendia de vinhos aconteceu na cidade de Catanduvas, na casa do colega Prefeito Saul Leovegildo de Souza, numa reunião de prefeitos, há 22 anos. Nosso colega Faustino Panceri, Prefeito de Tangará e produtor de bons vinhos, pegava garrafa por garrafa dos vinhos que o anfitrião nos oferecia e dava o veredicto: "Este Niágara (branco), que é de produção de minha vinícola, pode jogar fora. É "vinho morto!"  Todos olhavam, não entendiam por que se haveria de dispensar um vinho de uma garrafa que ainda não fora sequer aberta.  Então, ele a colocava diretamente junto a um facho de luz e nos mostrava. Não havia transparência no líquido. Depois, abria a garrafa, colocava numa taça. Abria outra, da mesma marca e variedade e comparava: "Vejam a diferença: o vinho morto está turvo. O outro está com sua cor natural, mas límpido, transparente". E constatávamos a grande verdade.

          A partir de então, comecei a ler tudo o que me aparecia à  frente em termos de literatura sobre vinhos, de todas as procedências e de todas as qualidades. Frequentei as Vinícolas Cordelier, Aurora e Miolo, na Serra Gaúcha, participei de degustações com enológos experientes, aprendi a entender o porquê de haver astronômicas diferenças de preços entre uma garrafa e outra, muitas vezes da mesma varietal e marca. Na Miolo, em Bento Gonçalves, um enólogo me disse que os vinhos da América do Sul produzidos em 2000 e 2002 eram os "medlha de ouro"; os produzidos em 2004, "medalha de prata"; e os de 2005, "medalha de bronze". Isso foi em 2007.

          Então, passei a analisar melhor os vinhos produzidos em Capinzal e Ouro, com uvas americanas: Casca Dura, Isabel, Bordô e Niágara. O Casca Dura da marca Monte Sagrado, produzido pelos meus primos Alceu e Josenei Rech, lá na Linha Sagrado, é de ótima qualidade. Assim como sabem produzir bom vinho colonial o Jamir Dambrós, o Ariston Lanhi e os Molin. em Capinzal. O Niágara, do Hilário Rech, com a marca Nono Saule, também lá no Sagrado, vale a pena ser consumido. E o Cabernet Sauvignon Bertolla, do amigo Joair, com uvas europeias, de altitude, sempre é muito bom! Mas há outros produtores que fazem vinho para o consumo próprio de muito boa qualidade. Conta para isso colherem a uva no tempo certo, com grãos saudáveis. E nos períodos de pouca chuva a uva é mais doce e gera vinho de melhor sabor. O cuidado na confecção e, sobretudo, a sua armazenagem, são fatores fundamentais para sua boa qualidade.

          Nos últimos anos, fui duas vezes à Vinícola Villaggio Grando, no Distrito de Herciliópolis, em Água Doce. Em ambas participei de degustações de seus vinhos de altitude. Ali ele tem parreirais com videiras que ele mesmo desenvolve, promove sua evolução genética. Maurício Grando era madeireiro e, segundo ele, quando ser madeireiro passou a significar "inimigo do meio ambiente", foi à Europa aprender sobre vinhos e parreirais. Aprendeu e trouxe suas ideias inovadoras para Água Doce. Fez parreirais e todos o chamavam de louco. Substituiu a serraria por uma cantina.  Hoje,  produz vinhos dos melhores do país, como o Canernet Sauvignon, o Sauvignon Blanc, o Chardonnay,  o Tannat e outros. Também seu exclusivo "Innominabile". 

          A fazenda do Maurício  Grando é algo difícil de descrever pela beleza paisagística e organização singulares. O capricho mora ali! . Seu projeto, que está implantando gradativamente, é fabuloso. Seus vinhos e espumantes são de altíssima qualidade e só são encontrados em algumas casas especializadas. Podemos afirmar, com toda a certeza, que o Sul do Brasil produz vinhos de qualidade igual às melhores marcas da França, Portugal e Itália.

          Então, você que gosta de um bom vinho, procure ler muito na literatura especializada e converse com enólogos ou bons apreciadores. Não com aqueles  que compram uma garrafa porque é cara, mas com aqueles que sabem identificar, realmente, o que é um bom vinho.

Euclides Riquetti
30-10-2013
         

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Tirando o chapéu para os paraatletas dos Parajasc!

          A primeira vez que vi paraatletas atuando foi num evento no Ginásio de Esportes Dileto Bertaiolli, em Capinzal, há mais de duas décadas. Foram dois jogos de apresentação, um de basquetebol para cadeirantes e outro de futsal para deficientes visuais. Estes, jogavam na quadra com uma bola sonorizada com guizos. Os do basquete se movimentavam com agilidade em suas cadeiras e davam um verdadeiro show, fazendo muitas cestas.

          Com o passar dos anos, ouvia com alguma atenção as notícias de que paratletas estavam competindo nos Jogos das Apaes, em nível estadual. Depois, vieram as paraolimpíadas, que passaram a dar destaque a esse tipo de competição. E, há pouco mais de dois anos,  passei a acompanhar os treinamentos dos paraatletas do atletismo, aqui na pista do Clube Comercial, em Joaçaba. Nesse tempo, comecei a observar melhor e mais de perto o trabalho que é desenvolvido para a preparação deles,  que exige muita dedicação dos treinadores e dos praticantes. Ainda, passei a ter amizade virtual com a paraatleta de Lagos, Nigéria, Happinssadi Nnadi, uma "wheelchair racer" de 26 anos, que tem como sonho competir nas Paraolimpíadas de 2016, aqui no Brasil. Tenho contato frequente, inbox, no facebook, com a Nnadi, também amiga, nas mesmas condições, com a Aline Rocha.

          Agora, na semana que passou, Joaçaba, em conjunto com Luzerna e Herval d ´Oeste, sediaram os Parajasc 2013, em eventos que aconteceram nas três cidades e que oferecem as categorias para Deficiente Físico (DF), Deficiente Visual (DV), Deficiente Intelectual (DI), e Deficiente Auditivo (DA), masculino e feminino. Mais de 60 municípios participando e quase 2.000 paratletas envolvidos.

          Como resultado geral e final, tivemos: 1º lugar: Itajaí; 2º lugar: Joinville; 3º lugar: Chapecó. São as cidades que têm investido mais recursos financeiros e humanos na preparação dos atletas. As Apaes e as Associações que congregam atletas com deficiências,  a exemplo de nossa ARAD, sediada em Joaçaba, têm, juntamente com os municípios que os apoiam, grande mérito no sucesso dos atletas.

          Joaçaba, com pouco mais de 27.000 habitantes, é a cidade que mais vezes sediou Jogos Abertos em Santa Catarina. E, agora, mostrou, mais uma vez, que tem grandes condições, pelo domínio do conhecimento, em organizar, com eficiência, eventos esportivos que envolvem grande número de cidades e atletas. A Diretora da FME, Mirian Dolzan, e o Coordenador Geral do evento, Jorge Pohl, podem orgulhar-se por terem liderado, juntamente com os representantes de Herval e Luzerna, um evento que exige muita dedicação para que possa acontecer.  

          Os Atletas da ARAD, tanto os homens quanto as mulheres envolvidos com o atletismo, foram muito bem, pois nos deram 25 medalhas, sendo 15 de ouro, 7 de prata e 3 de bronze. As meninas do nosso atletismo nos deram o Troféu de 1º Lugar Geral no DF Feminino.
       
          Sabemos e temos a noção da importância de termos bons e dedicados  profissionais para atuar com esportes adaptados. E, se o nosso atletismo tem-se destacado, chegando ao primeiro lugar no DF Feminino, é porque temos a dedicação do professor Fernando Orso na preparação dos atletas. Vejo o amigo (e poeta), DF Valdir Jung ajudando-o no trabalho da Pista do Comercial. E, ainda, a alegria de todos eles, lá, muitas vezes com frio intenso, esforçando-se nos treinamentos.

          Vale destacar, também, o apoio e o carinho que todos os paraatletas têm por parte de seus familiares, que estão, na medida do possível, aplaudindo seus filhos, irmãos, primos, sobrinhos.

          Que essa "chama de amor" não se perca. Que eles, todos, atletas, técnicos e familiares, possam continuar a nos mostrar que é possível, pelo esporte, realizar a grande tarefa de incluir. Todos os participantes, de todas as cidades, são grandes vencedores. Parabéns!!!

Euclides Riquetti
29-10-2013

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Uma canção para você

Pensei em  compor uma canção só  pra você
Uma canção que tivesse versos bem rimados
Que chegassem até você vagando compassados
Uma canção de amor para meu bem-querer.

Tentei com o seu nome, tentei com seu olhar
Compor uma canção que a contagiasse
Mas não encontrei nada que a você levasse
Os versos que eu queria com você compartilhar.

Compus uma canção que você não escutou
Porque rasguei a letra e esqueci  a melodia
Agora me arrependo fui um bobo aquele dia
Nada tenho a lhe mostrar, pois nada mais me restou.

/ Não tenho uma canção ou algo pra lhe dar
Mas tenho um coração dispoto a lhe amar
Não tenho mais poemas, perdi a inspiração
Como vou fazer, então,  para ter seu coração? /

Euclides Riquetti
28-10-2013

domingo, 27 de outubro de 2013

Na noite silenciosa

Na noite silenciosa, o céu se fecha em escuridão
O claro do dia rende-se às trevas inclementes
Que afligem meus medos antigos e os recentes
E enquanto os anjos  me protegem firmemente
Eu rezo a Deus pela  Divina proteção.

E, no silêncio que campeia
Vem o seu pensamento
Vem encontrar os meus devaneios
E os meus tormentos
Vem  punir meu nefasto atrevimento
Vem punir-me em meu silêncio
Que também é o seu...

E enquanto ouço a orquestra dos ventos sinfonizando a natureza
Deixo-lhe uma oração de paz a vagar pelos ares
Quero que a encontre entre o céus, entre os mares
Arrefeço  meus pensamentos, dando-lhes leveza
Pois só os pensamentos leves e libertos é que perdoam
Extinguem as palavras e atitudes que magoam...

E, enquanto escrevo, ouvido o murmúrio do mar
Ali, do outro lado da rua
Algo me impele a pensar:
Há uma forte presença sua
Em meu sonhar...

Euclides Riquetti

Praia de Canasvieiras - na noite de sexta-feira, 25/102013






sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Entregue-me seus sonhos, seus segredos!

Entregue-me seus sonhos
Seus desejos
Seus medos
Entregue-me seu olhar
Seus cabelos
Seus seios
Seu corpo de modelo...

Entegue-me tudo sem pedir nada em troca
Faça-me perguntas sem esperar respostas
Faça-me carinhos e diga-me coisas que nos importam
E eu  darei amor, abrigo, agasalho, e tudo de que gosta.

Entregue-me seus sonhos juvenis
Ternos
Eternos
Sutis...
Mas entregue-os.

Entregue-me tudo sem nenhum temor
Como se me estivesse dando apenas uma flor
Entregue-me seus lábios de cor delícia e de sabor cereja
Entregue-me sua alma que me acalenta e deseja.

Coloque suas mãos entre minhas mãos
E entre meus dedos seus delicados dedos
Entregue-me com  paixão  seus grandes segredos!
Apenas seus segredos...
Para que eu possa
Compreendê-los!...

Euclides Riquetti
26-10-2013