sábado, 14 de dezembro de 2013

A sobrevivência da incompetência

          Uma vez conversava com um cidadão que atuava nos meios de comunicação. Nem sequer cursara a quinta série do fundamental. Sugeri-lhe que estudasse e ele me respondeu que para o serviço dele estava bom assim.  Agora, dez anos depois, constato que o cara ficou estacionado no patamar em que estava à época...

          Ultimamente, como tenho tempo disponível, tenho-me dado a observar mais atentamente aquilo que as pessoas fazem, como se portam no trabalho, qual o nível de desempenho em suas funções. Uma espécie de "estudo sociológico" de terceira categoria, mas um estudo, sim. Observar, analisar, concluir.

          Faço perguntas às pessoas e, felizmente, ainda ninguém me respondeu ou disse: "O que que você tem a ver com isso?" Mas posso asseverar-lhe, caro leitor, que me preocupo, muito, com o que vejo. Vendedores que trabalham em empresas especializadas em algo, elétrica, por exemplo. Quanta divergência de opinião sobre materiais dentre os funcionários  de uma mesma empresa! Vejo que as pessoas têm apenas o conhecimento funcional, bem básico, que angariaram junto aos vendedores mais antigos. São reprodutores de informações que ouviram dos outros e nem sequer procuraram verificar se o que dizem tem algum fundamento.

          Fui vendedor de peças "Mercedes-Benz" de 1972 a 1877 em união da Vitória, no Mallon. Fui uma grande escola para mim, pois tínhamos a supervisão e os treinamentos por técnicos altamente gabaritados, em Curitiba, mesmo com pessoal vindo da Alemanha e da Holanda para nos orientar. Aprendi muito com eles em termos de organização, planos de negócios e sobre a necessidade de conhecer cada detalhe do serviço e dos produtos. Assim, quando não havia grande movimento na seção  de peças, eu ia para a oficina ver como faziam para desmontar e remontar caixa de câmbio, diferencial, sistemas de freios e carcaças. E a aprender os números das peças de reposição para não bater muito a cuca na hora de emitir notas fiscais ou anotação nas Ordens de Serviço.   E ia aprendendo para ter melhor desempenho no atendimento, com agilidade e segurança. Isso me permitia uma boa folha de pagamento de salários ao final do mês.

          Acho que a maturidade nos torna muito exigentes. Cobro, com minha ação que normalmente  resulta inócua,  das operadoras de Tv a Cabo, Telefonia e Internet, a eficiência. Quando me dizem que têm 24 horas para resolver meus problemas, digo: "Gravem bem aí: O direito e a obrigação vocês conhecem, mas a eficiência está longe de vocês!"  Sei que, se todo mundo reclamar, um dia alguém cria vergonha e as coisas podem melhorar. Eles cobram  dos seus colaboradores resultados quantitativos  e os funcionários  fazem tudo às pressas para ir  atender a outro reclamante. A incompetência está muito presente em concessionárias de serviços  púlicos. Ganham rios de dinheiro e prestam péssimos serviços. Então, é a incompetência sobrevivendo ali também.

         Ora, caro leitor, leitora, você deve ter imaginado sobre os critérios que tem para escolher seu atelier, sua farmácia, seu posto de gasolina, confeiteira, cabeleireira, manicure, maquiadora. E, se você volta a esses lugares com frequência, é porque eles lhe estão propocionando algo que lhe agrada. Estão sendo competente em satisfazer suas necessidades de consumidora (a) de produtos ou serviços. Quando você muda de cidade, mais ainda fica atento à qualidade do atendimento, podendo escolher com discernimento e formando seu novo rol de lugares de convivência.

          Os incompetentes sempre existirão e cruzarão seu caminho. Mas você é que tem o poder de estimulá-los ou ajudar cortar-lhes as asas. Aliás, nem é preciso tanto. O tempo fará com que tropecem em suas próprias limitações. E  chegará o dia em que os incompetentes e os molengas deixarão de existir, certamente. Rui Barbosa já esperava por  isso...

Euclides Riquetti
112013
         

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O primeiro dia de férias da Jujuba

          O primeiro dia de suas férias escolares, a Jujubinha passou aqui em casa. Veio ainda na noite anterior, com mala e cuia, digo mochila e brinquedos.  Como costumo acordar-me muito cedo, leio, escrevo ou vejo um bom filme. Eram menos de seis horas quando ela chegou até mim. Acordara com o barulho do pessoal da Tucano, que faz a coleta do lixo e passa com o caminhão ainda antes do claro do dia: alguém, enquanto a maioria dorme e descansa, trabalha duro para dar um destino ao lixo que produzimos durante todo o dia, em todos os dias do ano!

          "Vovó, hoje já é feriado?" - Então não preciso ir pra escolinha?!"
 
          E veio até mim: "Vovô, você sabe fazer um "melete? Faz uma pra mim? Eu te ensino!..."

          E lá fomos nós para a cozinha, seis horas da manhã, fazer uma omelete. Orientou-me que queria com dois ovos e colocasse "queijinho" junto. "Primeiro o vovô  tem que amassar os ovos dentro do prato com um garfo. Depois coloca sal e um pouco de azeite e  mexe. E põe também pedacinhos de queijo."

          O parágrafo seguinte é para ser lido apenas por aqueles que já ficaram horas  esperando pelo serviço da operadora da internet, os outros ficam liberados para pulá-lo...:

         ( Fiquei o dia todo de plantão, ontem, esperando que a Oi! me mandasse um técnico para verificar porque eu estava sem net. Visita "bem menor que visita de médico", um tiquinho de visita e ficou apenas a orientação para que eu resolvesse, paliativamente, o problema. Em mesmo, ou, como diz o amigo, "by myself! Liguei algumas vezes vezes, pedi urgência, disseram, gentilmente, que tinham 24 horas para resolver e eu sei disso muito bem, vivem dizendo isso a mim, a você, leitor. Disse-lhes, na quarta ligação, depois de mais de 20 horas de espera, que o direito e a obigação estão bem estabelecidos nos marcos regulatórios das comunicações, mas que a "eficiência" empresarial do prestador de serviços não está em atender no prazo legal, mas sim na agilidade em resolver tudo da maneira mais rápida possível.)

          Então, bem como agora, quando os pássaros me deleitam com seu terno canto, tomando meu mate Charrua, curti muito estar com a Jujubinha durante todo o dia. A vovó e a bisa foram arrastar o sári no mercado e eu e ela ficamos bagunçando aqui em casa: "Vovô, pega minha mesinha de pintar e uma cadeirinha? Põe num canal de desenho da Dora ou do Nick? Será que a vovó vai trazer chicletes? Por que você não deixa o cabelo crescer? (Esta foi a mais difícil de responder!...)

          E veio o meio-dia, voltaram as passeadeiras, veio o almoço, todo mundo foi dormir para descansar e o vovô de plantão... Então, à tarde, fomos brincar na garagem, que tem 14 metros de comprimento e funciona como nossa sala de festas aqui em casa. Pegou duas raquetes de tênis e a bolinha verde-limão e brincamos. Trocamos as raquetes por umas mais leves, de frescobol,  e de bola, uma bem quicante. Depois jogamos vôlei, futebol, rimos mais do que jogamos. E, então,  ela quis andar de motoquinha cor-de-rosa. Andou! e ensinou-me uma brincadeira: quando eu dissesse "verde" ela andaria, quando eu dissesse "vermelho" ela pararia. Andou mais de meia hora, cheia de disposição e energia. Daí cortamos uma "big, mega, super"  melancia e colocamos a polpa em potes de plástico. Tiramos as sementes e guardamos os potes na geladeira. E, com uma mão, ela segurava a direção da motoquina e com a outra levava um pedaço de melancia para ir comendo...

         Não é possível relatar tudo o que se faz num dia inteiro, das seis da manhã até às seis da tarde,  com uma criança como ela, mas você, que tem filhinhos ou netos, já pode imaginar. E, em vários momentos, eu ficava olhando para o sorriso no rosto e seus olhinhos negros brilhantes e me perguntando: "Existe felicidade maior do que isso?"

Euclides Riquetti
13-12-2013

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Quero que teu ser mergulhe em mim...

Divina paisagem matinal
Em que o vento balança as folhas da palmeira
E as plantas  jazem sob o azul do manto celestial
De onde vem-me o doce aroma da cidreira.

Pássaros pousados nos galhos que se embalam
Bailam na harmonia  em  realeza
E seus belos cantos nos ares se propagam
Numa grande sinfonia da natureza.

Eu me transporto para o enlevo de teus braços
E me alento no desejo de estar junto de ti
Buscando apenas os teus beijos e teus abraços.

Preciso, ardentemente, mergulhar no teu divino ser
E quero que teu ser mergulhe em mim
E no teu corpo me envolver e  me perder.

Euclides Riquetti
12-12-2013

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O Natal está chegando, minha gente!

Voltam a repicar os sinos que anunciam o Natal
É dezembro no país tropical!
As cidades se embelezam para receber o bom velhinho
Que virá no trenó com renas,  ou montado num burrinho.

Os olhos das crianças brilham de alegria
As mães correm atrás de meninos e meninas
Que querem andar no trenzinho
Que querem ganhar um brinquedinho.

As vitrines das lojas com aquele visual atentador
A atiçar a  imaginação do consumidor...
"Mamãe, pede pro Papai Noel trazar pra mim
Um ursinho grandãããão assim!..."

Não faltarão festas nem presentes
Nem rostinhos bonitos e risonhos
Nem mensagens bonitas, certamente
Nem corações cheios de sonhos:

Pois o  Natal está chegando, minha gente!

Euclides Riquetti
11-12-2013

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

A maioridade de Zortea!

          Zortea está comemorando idade nova. Maioridade muito bem conquistada: 18 anos de um novo Município. Emancipado de Campos Novos, o antigo Distrito de Duas Pontes, mas que era conhecido como Zortea por comportar, em seu território, a emprea Zortea Brancher S/A, está localizado entre as cidades catarinenses  de Capinzal e Campos Novos, e ainda confronta com o Rio Pelotas/Uruguai, na região do Município de Machadinho, no Rio Grande do Sul. Foi emancipado pela Lei Estadual nº 10.051, em 29-12-1995. Sua população, hoje, é de pouco mais de 3.000 habitantes.

          Há cinquenta anos,  Zortea Brancher S/A - Compensados e Esquadrias, tinha uma fábrica e seu escritório no centro de Capinzal, nas ruas Dona Linda Santos e XV de Novembro, respectivamente, fundada que foi por Antônio Zortea Primo e  Guilherme Brancher. Ainda, dentre seus sócios, teve Pedro Domingos de Paoli e  Nadir Susin.  Na região era chamada de " a poderosa!", poius era uma grande produtora e  empregadora, expandindo suas atividades para a área agropastoril. Em 1979 abriu uma indústria em em Rondônia.
          Fui morar em Zortéa em fins de fevereiro de 1977, com o intuito de lecionar na Escola Básica Major Cipriano Rodigues Almeida, convidado que fui pela Diretora Vitória Leda Brancher Formighieri, traabalhando com as disciplinas de Língua Nacional (Portuguesa), e Língua Estrangeira Moderna - Inglês. Ainda completei a carga com Preparação para o Trabalho e Educação Física. Ingressei na condição de efetivo no Magistério Estadual, por haver prestado Concurso Público, em 1978.

         Paralelamente, trabalhei na empresa, primeiro no Departamento Financeiro de depois no Administrativo.A Escola tinha um quadro de professores extraordinário, a maioria com formação em nível superior ou cursando-o. Vivíamos como uma grande família. Escola/Igreja/Grêmio Esportivo Lírio era o trinômio social e cultural. A economia se centrava  na produção de madeira compensada e esquadrias,  numa planta inudstrial que contava com cerca de 550 colaboradores. Produziam entre 25 e 30 mil portas e ainda 1.000 metros cúbicos de compensado por mês.

           Com a redução da oferta de madeira e a alteração substancial na Legislação Brasileira, a empresa foi reduzindo as suas atividades, chegando à paralisação por completo. As granjas de produção de grãos, notadamente a soja, o trigo e o milho, passaram a garantir a economia local, bem como o comércio que, com a emancipação do Distrito, fortaleceu-se a partir de 1996. Com a expansão das atividades da antiga Perdigão Agroindustrial, em Capinzal, a mão-de-obra disponibilizada em razão da queda na atividade madeireira passou a ser canalizada para o abate de frangos, em Capinzal. Loteamentos da Família Santos, em terrenos favoráveis para a construção de casas residenciais, oportunizaram que as pessoas fossem fixando-se ali. Uma população de cerca de 1.200 pessoas em 1977 passa a ser de 3.000 atualmente.

          Com a formação do novo Município, a atividade pública passa a ter grande importância na sua economia e hoje a cidade está muito bem estruturada em seu serviço público, com créditos às administrações de Alcides Mantovani, Remilton Andrioni e Paulo Franceschi. Estes  foram meus alunos.

          Zortea tem um território muito privilegiado, com áreas favoráveis para o plantio, construção de empreendimentos comerciais e industriais e mesmo residências familiares. Muitos de seus jovens estudaram nas  faculdades de Joaçaba, Campos Novos e Capinzal.  Outros saíram para estudar fora, inclusive no exterior, e não mais voltaram. Foram buscar espaço na atividade pública ou privada em diversas cidades e estados brasileiros. Foram honrar sua origem, sua família, sua pequena cidade. O nível intelectual de seus habitantes é muito bom.  Diversos de meus ex-alunos cursaram doutorado fora do país.

          Zortea não precisará ( e nem é bom que isso aconteça)  tornar-se  uma cidade populosa. Interessa, sim, que possa o Poder Público dar ótimas condições de Educação e Saúde aos seus moradores e eles, mesmos, sem nenhuma tutela, vão saber encaminhar-se com independência.

          Uma das coisas que os zorteenses sabem fazer muito bem é o delicioso churrasco. A sfestas que ali acontecem são, sempre, muito concorridas.

          Pessoalmente, considero o município a "Capital Catarinense das Águas Superficiais". Quase que uma dezena de cascatas e cachoeiras se localizam em áreas do município pouco habitadas, no Rio Agudo, com destaque para o Itaimbé, a maior delas, o que poderá se tornar um grande atrativo turístico.

          Minhas filhas, gêmeas, Michele e Caroline, nasceram ali. Foi uma grande alegria para nós termos vivido e participado,  ativamente, das atividades culturais, esportivas, religiosas e sociais em Zortea, lugar de que gaurdo belas e saudosas lembranças, principalmente da Ecola com seus alunos e professores, e de meus colegas de futebol e de empresa.

          Ao povo zorteense, meu grande abraço nestes tempos em que estão prestes a alcançar a maioridade.

Euclides Riquetti
10-12-2013

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Vou ser o sol que você esperou

Vou ser o sol que você esperou 
Que desejava que viesse para bronzear  sua pele
Vou ser o sol que você desejou
Liberar o desejo que minha mente impele.

Vou ser o sol que energiza sua alma
Que dará a cor às flores nas plantinhas
Da rosa champagne à branca palma
Para levar a você a menssagem minha.

E se não for sol, então serei, ao certo
O romance vivido, a letra da canção
A estrofe do poema, a palavra do verso.

Mas se não for verso, e nem for romance
Quererei apenas sentir-me na ilusão
De ter sido seu sol, quando eu tive a chance!

Euclides Riquetti
09-12-2013

domingo, 8 de dezembro de 2013

Homenagem ao Negão Esganzela, o Moço da Gaita!

          O Negão dedilhava o teclado de sua gaita com elegância e  maestria. Tirava dela, desde moço, qualquer tipo de moda da tradição gaúcha: música nativista, xote, vanerão, valsa, chamamé, qualquer coisa
que lhe pedissem. Gostava de trajar calça social, preferencialmente cinza ou azul,  e camisa com colarinho, normalmente  branca ou de uma cor muito clara. Dobrava os punhos da camisa de manga longa para melhor movimentar os braços nas alças de sua gaita. Sabia as notas das músicas "de cor e salteado".
Colocava seu coração corinthiano a mover suas mãos e a incitar seu cérebro, tirando os mais belos acordes. Era convidado a participar de festas sociais e animar eventos de escolas.


          Competimos em trincheiras opostas na campanha política de 1988, quando ele se elegeu vereador. Naquele dia 16 de novembro de 1988, ao final do dia, encontrei-o ali na Rua XV, em Capinzal, defronte ao "Edifício Sanalma" Ainda pela manhã havíamos recebido o resultado das urnas. Eu tivera êxito em minha postulação e ele também. Veio correndo e me abraçou: "Ganhamos, Riquetti! Vou apoiar você!" - eu jamais iria esperar isso de um adversário, mas aconteceu. E demos início a uma amizade que foi-se consolidando aos poucos e durou por 25 anos. Viramos, adiante, colegas de trabalho, até aliados na política. 

          Enaltecer a humildade dele, a habilidade que tinha na conversa com as pessoas, seu alto nível de educação, não faz jus às suas inefáveis qualidades. Mas dizer que ele foi uma grande, sincero e verdadeiro amigo, isso sim é ser justo e honesto com sua memória. Estivemos juntos em bons e em maus momentos. Confiava-me muitos de seus segredos, tinha absoluta confiança em mim e eu tinha nele. Há pouco mais de um anos, fiz um poema para ele, imprimi e fui levar a sua  casa.  Colou na parede, queria mostrar para os amigos que o visitassem que eu era verdadeiramente amigo dele. E, se o compus, é porque ele era merecedor. Queria que ele soubesse, em vida, o quanto eu o prezava.

          Consegui conversar com ele pelo menos em três das seis vezes que o visitei aqui no Hospital Santa Terezinha, em Joaçaba. Estava muito debilitado, mas muito lúcido. Lembramos de alguns bons momentos de nosso convívio e ele me agradeceu pelo poema. A gente sentia que sua vida estava chegando ao fim, mas só falávamos com otimismo, ensejando a sua recuperação. Há uma semana, disse-lhe que iria viajar e que quando voltasse o visitaria já em sua casa, recuperado...  E, na noite de ontem, ainda ausente da cidade, recebi a informação de que ele havia partido...

          Vereador do primeiro dia de  1989 ao primeiro de 1997, em duas Legislaturas,  portou-se sempre com retidão, não usou do cargo para favorecer-se. Prestou concurso para o cargo de Vigia Noturno em 1989 e tirou primeiro lugar, efetivando-se no Município de Ouro. Adiante, ocupou funções de Diretor de Obras e Urbanismo. Há oito anos foi acometido de doença e "veio levando a vida". Eu sempre mencionava para meus familiares que o Negão deveria ter um coração muito forte, resistente, na proporção de sua bondade. E, tenho certeza, foi isso que permitiu que tivesse uma sobrevida de pelo menos uns três anos.

         O Olindo Esganzela deixa a Rosa, o Eduardo, o Ewerton, a Vitória, a Lilian e a Iliane.Voltou, neste sábado de sol, a morar no Engenho Novo, ao  lugar onde nasceu. Estava com 55 anos. Seu corpo agora ali repousa, inerte. Mas sua alma foi animar, com seu talento, uma legião de anjos e arcanjos. Num cortejo celestial, foi tocando sua acordeona em meio ao coro de anjos, numa celebração da nova vida. Ao Negão Esganzela, pela sua bondade e pela sua fraterna e simpática maneira de ser, nosso desejo de que esteja bem no Paraíso!

Euclides Riquetti e Família
07-11-2013

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Dona Mirian Doin - mais uma perda inesperada

          Recebi, exatamente às 9  horas  e 37 minutos desta sexta-feira, 06, um telefonema de meu irmão Edimar, o caçula da Dorvalina e do Guerino. Estava caminhando e, por causa do sol, nem percebera a origem da ligação. "Bom dia, Euclides! Aconteceu algo aqui. A Doa Mirian (Doin) morreu. Os bombeiros acabam de retirar o seu corpo da casa".

          Realmente, uma notícia que me causou surpresa, pois a Dona Mirian sempre foi uma pessoa saudável, participante das lides do Grupo da Terceira Idade Bella Vita, sempre muito ligada aos filhos e netos, ocupada, movimentando-se. Mas a vida é assim mesmo e, infelizmente, nossa Comunidade de Ouro e Capinzal perde mais uma de suas pessoas tradicionais e que honrou  as cidades onde viveu..

          Quando fui colega de seu filho Zezo (Antônio José), no Colégio Mater Dolorum, de 1961 a 1964, eu a conhecia apenas de vista. Eu tinha bastante conhecimento sobre seu marido, o Guilherme Odil Doin, Agente de Estatística, órgão que, adiante, passou a fazer parte do IBGE. Além de mãe do Zezo, era tia do Urbem Correa da Silva, nosso colega e grande amigo. O "Nego Doin", como era carinhosamente chamad por todos os amigos,  jogava no Arabutã, era um excelente "camisa oito", habilidoso e muito batalhador em campo. Deixou-nos faz já um bom tempo.

          Quando se aproximou a hora de colocar os filhos para estudar fora, a família montou, em Ouro, ali numa sala alugada pelo tio Victório Richetti, uma casa comercial, a "Casa Agropecuária Mirian Doin". Dona Mirian era auxiliada pelo marido quando não estava em serviço. E pelos filhos Zezo e Joathan. A Tânia e a Jane eram pequeninas. Isso lá por 1968. Adiante, adotou a Fafi, a quem educou da mesma forma que os filhos.

          Em pouco tempo a Dona Mirian já era uma habilidosa comerciante, vendia medicamentos paraanimas, sementes e fertilizantes. Com o crescimento do movimento, compraram aquela Ford F-100 verde e branca para a entrega dos produtos, alugaram uma sala maior, depois uma segunda sala para comercializar máquinas e implementos agrícolas e, finalmente, seu prédio próprio.

          Com o tempo os filhos foram-se encaminhando e o Sr. Doin não podia mais fazer esforço físico, então parou com os negócios. Mas a Dona Mirian, sempre batalhadora e esforçada,  abriu a sua "Sorveteria Vó Mirian", em que produzia o sorvete artesanal. Na época das uvas, guardava bastante polpa da mesma para fazer sorvete. Sorvete de uva da Vó Mirian, ah, que delícia. A grande maioria da população de sua cidade a conheceu essoalmente.

          Os anos se passaram e ela passou o ponto pra frente, ficando apenas no apoio à Jane e ao Amir que lhe deram mais uma neta por que a Vó nutria grande paixão.

          A determinação e a firmeza eram características muito presentes nela. Justa, não bajulava ninguém. Era autêntica e lutava para atingir os seus objetivos. Uma pessoa de grande valor que nos deixou hoje, mas que, certamente, deixará saudades a seus familiares e amigos. Uma pessoa justa e que merece viver, agora, o eterno sono dos justos.

          Nossas sentidas condolências aos familiares e amigos!

Euclides Riquetti
07-12-2013




quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A Canção do Vento Sul

Aqui pertinho do mar azul
Limito-me a olhar com olhos de andorinha
A gaivota que  voa de mansinho
Que pousa na areia branquinha
( É um indefeso animalzinho...)
Enquanto escuto o  murmúrio do vento
Que sopra muito atento
E que vem do sul!

Aqui no mar de Canasvieiras
Passa a germânica de olhos de cristal
A morena nativa e sensual
A portenha dos cabelos crespos e castanhos
A uguguaia do rosto mais risonho
A mulata de corpo magistral
(Mulheres de todos os tamanhos)
E a as gaúchas mais guapas e faceiras.

E, enquanto me enterneço deliciosamete
Enquanto a água me banha carinhosamente
A canção que o vento sul me traz
Me traz sossego, enseja amor e me dá paz.

Eclides Riquetti
06-12-2013



quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

O que sua mãe lhe deixou, amiga?

          "Que legado uma mãe pode deixar para uma filha? Que tipo de lembranças, de lições, ensinamentos?"

          Imagino que a amiga leitora deve estar  remetendo seu pensamento de volta ao seu tempo de criança. Às   saudosas lembranças daquele ser que a pôs  no mundo, deu-lhe educação, orientou-a, ajudou-a  de alguma fora. Até a amparou na hora em que teve  filhos. Muitas, felizmente, ainda as têm por perto, muitas vezes dividindo  com elas o mesmo teto. Mas mesmo meninos e  rapazes seguem os ensinamentos de suas mães, pois são elas que estão presentes na maioria do nosso "tempo de criança".

          Perguntei a uma jovem senhora que lembranças ela tinha de sua mãe, que hoje já está velhinha:

         "Minha mãe teve uma presença muito forte e marcante em minha vida, embora eu tenha saído de casa muito jovem, antes de meus dezoito anos. Ela me deixou alguns príncípios e valores que sempre procuro seguir. Respeitar as pessoas e dar-lhes o devido valor. Não ter nada do que não é legitimamente nosso. E, se alguém nos der algo, fazer um serviço para retribuir. Oferecer-se para fazer-lhe alguma coisa. Todos podem pagar por aquilo que recebem".

          Certamente que, seguindo essas orientações, ela se deu bem, constituiu sua familia, estudou, trabalhou e pode-se considerar uma pessoa realizada e feliz.  Claro que também aprendeu os afazeres do lar, os cuidados com a casa, com a comida, com as roupas. E, aquilo que se aprende com a mãe se internaliza, fixa, preserva-se.

          Ora, como é bonito ver uma pessoa dizer:  "Esta cuca me faz lembrar das cucas que minha nona fazia. E que, depois, minha mãe também fazia!"  E, agora, certamente que esta mãe, que pode já estar também sendo avó, ensinará suas filhas ou netas a fazer. Mas também poderia dizer em relação à macarronada  com seu delicioso e incomparável molho, o bolo de anivesário carinhosamente preparado ou enfeitado, a bolacha pintada com açúcar cristal colorido ou  com aqueles chumbinhos de confeitos. Ou a toalha bordada, o jogo de cama bordado e crocheteado, a blusa tricoteada, a toalha franjeada.

           Por falar em toalha, quando fui para a Faculdade e mudei-me para Porto União, minha mãe me fez uma toalha de algodão com uma belas franjas bem  trabalhadas. Era macia, gostosa, linda! Mas, naquele tempo, eu não entendia muito desse valor que as coisas têm, que trazem na sua elaboração o carinho das mãos dadivosas ou mesmo as lágrimas de uma saudade que ainda virá... E, para mim, veio, muitas, muitas vezes, fazendo brotarem-me lágrimas de saudades!

          Ah, cara leitora, que bom ter tido uma mãe presente, mesmo que morando longe dela!  Ou podido partilhar com ela todas as emoções de ter gerado os filhos, ver chegarem  os netos!

          Pois convido você a meditar. A voltar ao passado. A lembrar, relembrar. A analisar, com profundidade, quantas e quantas belas lições ela lhe deixou. Quantas vezes foi ombro para você chorar e, com sabedoria, ensinou-lhe a dar tempo ao tempo, aguardar a chegada de soluções para os problemas, respostas para suas angústias?  E, se ela não está mais aqui, faça-lhe uma bela e silenciosa oração. Deixe seu coração rezar por você. Se ainda vive, ligue pra ela, agradeça por aquilo que ela lhe deixou e lhe ensinou. Ou, se ela está perto de você, dê-lhe um abraço, enregue-lhe uma flor, deixe que ela perceba que você é aquela filha que ela quis ter.

          Hoje, em especial, da forma que for possível, dê-lhe seu mais profundo carinho!

Euclides Riquetti
05-12-2013


Nas areias do mar...

Na praia deserta, somente você... e o mar
Mas no céu,  as  gaivotas se esbaldam  a planar
E eu me encanto
Com seu  manso gaivotar
Enquanto descanso
Sob o sol que bronzeia
E há apenas um par de corpos
Jazendo  na areia
Sob um sol a queimar
Ao lado do mar!

É ainda de mannhã, é cedinho
Vêm as espumas da imensidão
É manhã de sol que vem devagarinho
Pra por bronze nas peles
Das mulheres
Que virão
E que espalharão
Os perfumes, os cabelos, os olhares
Por todos os lugares
Onde passarem
Deixando marcadas nas areias douradas
As marcas de suas passadas
Sensuais
Magistrais
Angelicais!

E meus desejos poéticos
E meus sonhos proféticos
Buscam tornarem-se reais.

Buscam, infinitamente
Encontrarem seu olhar fatal
Seu corpo escultural
Que não sei onde está
Mas que, certamente, daqui a pouco virá
Para deitar-se,  sutilmente
Nas areias do mar!

Euclides Riquetti
04-12-2014

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Amanhã de manhã

Amanhã de manhã
Vou andar por aí sem destino
Vou procurar em ti o abrigo
O afago de que tanto preciso
Amahã de manhã...

Amanhã de manhã
Vou pegar a caneta e  papel
Vou levar também tinta e pincel
Desenhar o teu lábio de mel
Amanhã de manhã...

Amanhã de manhã
Vou sair pela estrada cinzenta
Vou vagar  pela estrada barrenta
Dar um beijo em tua alma sedenta
Amanhã de manhã...

Vou buscar teu olhar contagiante
Abraçar o teu corpo dourado
Na manhã  do céu azulado
Na manhã escaldante
Do encontro emocionante
Do encontro esperado
Desejado
Vou buscar, sim, os teus lábios rosados
Amanhã de manhã...

Euclides Riquetti
03-12-2013

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A palma cor de rosa

Solitária como a branca flor dos campos de cevada
Jaz ali, recostada,  uma bela palma rosa
Formosa,  singela, extremamente sossegada
Recostada numa coluna vigorosa
Descansa na manhã a palma de branco e rosa matizada
Esperando a luz do sol... maravilhosa!

E giram no mundo as naus da nostalgia
Que me trazem o clarear de um novo dia.

Param, na estradinha,  os passantes abismados:
A mão de Deus passou ali nas noites e nos dias
Desenhou a flor com seus pincéis enamorados
Tingiu o ar com a beleza e a alegria
E emoldurou todo o cenário num amplo e belo quadro
Como há muito tempo ali eu não  via.

E, a mente do menestrel,   mergulha na paisagem colossal
E a caneta do poeta pinta um quadro magistral
Enquanto jaz, ali, a a branca e rosa palma, sem igual!

Euclides Riquetti
02-12-2013

sábado, 30 de novembro de 2013

Dezembro chegou

Dezembro chegou, enfim
Chegou com os raios de sol
Ou com as chuvas  molhando os trigais
Com perfumes nos campos florais
Chegou dezembro, enfim
O dezembro das tardes... e das manhãs de sol.

Dezembro chegou com ares de dezembro mesmo
Dezembro chegou  porque era sua vez
Depois de novembro.

Dezembro veio para cobrir tua pele de verniz!

Chegou o dezembro tão esperado
O dezembro de Natal, do velhinho de vermelho
Do velhinho bom e animado
Que traz presentes pras crianças.

A chegada de dezembro suscita lembranças!
Doces e ternas lembranças
Da infância
Que todo mundo diz
Foi muito feliz!

Dezembro é o mês em que a cidade reluz
Para esperar...
O Menino Jesus!

(E eu espero você...)


Euclides Riquetti
01-12-2013

Contemplas, com teu olhos brilhantes, as rosas

Contemplas, com teus olhos brilhantes, as rosas
As que adornam o jardim de tua  casa
Plantaste-as com tuas mãos carinhosas
E as regaste com a água abençoada.

Tens o dedo verde  e mágico que escolhe as mudas
Põe-nas na terra, apõe-lhes as adubações.
E cuidas para não deixá-las desnudas
Transfere a elas desmedidas paixões...

Plantas as roseiras espinhosas
Que te darão as mais belas das flores
As rainhas dos jardins, esplendorosas.

Plantando-as dá-lhes o tempo de espera
Para que possam nos brindar com belas cores
Que vêm para enfeitar a primavera!

Euclides Riquetti
30-11-2013