sábado, 20 de dezembro de 2014

Caio Zortéa - 20 anos depois ...

          Todos os anos, no dia 21 de dezembro, lembro-me do amigo Antônio Carlos Zortea Neto - o Caio. Conhecia-o da adolescência, quando perambulava pelas pacatas ruas de Capinzal, com os amigos de sua idade. Gostava de futsal nas quadras do Mater Dolorum e do Padre Anchieta, de teatrinhos, de brincadeiras ingênuas.  Dizem que, em casa, ajudava a cuidar dos irmãos pequenos, sabia até dar-lhes banho e trocá-los. Tinha sempre um sorrisinho discreto, de "bom menino". Esse sorriso se conservou por toda a sua vida, abreviada num acidente ocorrido na SC 303, ali onde passo todos os dias. E, em todas as vezes, lembro-me dele. A cada ano, nessa época, a paisagem de fundo se constitui pelo mesmo paredão de rochas e, acima, um milharal verdejante. Agora, muito mais verde após dias com chuvas...

           Quando voltei de União da Vitória para minha região e fui lecionar  em Duas Pontes como professor, fui convidado a trabalhar também na Zortéa Brancher, fábrica de compensados e esquadrias para os mercados nacional e internacional. O Caio era o Diretor Industrial, seu irmão Hilarinho Diretor Financeiro, o Pai Hilário Diretor Presidente, o tio Guilherme Brancher  Diretor Florestal, o primo Lourenço Diretor Comercial, o primo Aníbal Diretor Administrativo.

          Era muito fácil lidar com o Caio, uma figura humana extraordinária. Sempre fora  assim,  perdera a mãe ainda criança,  buscava nas pessoas a compreensão e o carinho. Tinha um Zoológico particular, com muitos animais. Não era de ostentações, tinha uma bela e elegante namorada, a Vera, que costumo chamar de "Moça Bradesco". Costumava contar algumas histórias como aquela do passarinho entre as mãos de um homem, uma metáfora possivelmente, para exemplificar e elucidar uma mensagem que quisesse passar para a gente.

          Mais adiante, trabalhou em minha campanha, foi meu colaborador, quando me elegi para um cargo público em Ouro, tínhamos até umas combinações em código para lidar com algumas situações, nos entendíamos muito bem.  Liderava, com a Vera, o Antônio Maria Hermes e outros, o Grupo Escoteiro Trem do Vale, do qual minhas filhas e os filhos deles e de muitos amigos faziam parte. Participava de gincanas, empenhando-se como se fosse a última batalha de sua vida. Dava o melhor possível para sua família, adorava suas belas crianças. Dócil, afetuoso, excelente pai e esposo. Cidadão honrado, honesto e exemplar. Tenho as melhores lembranças do amigo Caio. Guardo comigo, até hoje, o texto que, com emoção e dificuldade em controlar-me,  li na Missa de sua despedida, na Igreja Matriz.

          Na Primavera de 1994, Caio coloca uma placa num terreno dos Miqueloto, bem defronte a minha casa, com a seguinte frase: "Vera, Tibi, Deka, Manu e Greta - amo vocês mais do que ontem e menos do que amanhã!.  E, no primeiro dia do Verão, o acidente.

          Lembro-me que eu estava na regional de Educação, em Joaçaba, conversando com o Professor Sérgio Durigon, quando entrou um telefonema, do Valcir Moretto, dizendo-me que o Caio estava no Hospital São Miguel, ali pertinho, mas nada mais havia a fazer, tinha se acidentado e perdido a vida. Foi de cortar o coração. Ficamos muito chocados, abalados. E, em seguida, toda aquela sequência triste, com o corpo levado para sua casa e depois para o Ginásio Municipal de Esportes André Colombo, e para a definitiva morada ao lado da bela mãe, em Capinzal...

          Hoje passei pelo local da tragédia às 13 horas, mais ou menos o horário em que tudo aconteceu. São dezoito anos passados. Revivi tudo, como se fosse aquele dia. E senti saudades. Saudades que só sentimos por quem muito prezamos...

Euclides Riquetti

Tu me pedes que te escreva um poema

Tu me pedes que te escreva um poema
Talvez romântico, falando-te  da flor
Confesso: Não sei usar nenhum outro tema
Que não seja pra te falar de amor...

Tu me pedes, com teu jeitinho todo gentil
De senhora adorável,  de  musa menina
E eu me encanto com teu sonho juvenil
E bebo de tua alma que me atiça e ilumina...

Apenas me pedes, com teu olhar sedutor
E me provocas com tuas palavras carinhosas
A que eu me rendo com desejo em verdor.

E, então, meu pensamento sai a encontrar-te
Vai buscar em  ti as  carícias deliciosas
Levar-te meus versos, meu amor, minha arte!

Euclides Riquetti
20-12-2014

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Um beijo teu... um beijo meu!


Um beijo... só um beijo - demorado...profundo!
Um beijo com o ardor do fogo que queima a pele
Um beijo com o amor que abala e fere
Fere de desejo, fere de paixão
Lançando as flechas que chegam... ao coração!

Um coração sentido, ferido
Um coração levemente  inibido
Mas que no fundo é um vulcão
Em ebulição!

Um beijo é um grande recado
Que diz mais que mil frases escritas
Que milhões de palavras ditas...
Que se perdem na manhã infinita.
Um beijo
Para sempre ser lembrado
Um beijo consentido
Ou um beijo roubado
Desejado...

Um beijo
Apenas um beijo...
Um beijo meu... um beijo teu!

Euclides Riquetti

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

No silêncio da madrugada...

 Acordo na madrugada, num repente
Apenas a música do silêncio e da magia...
Não há mais barulhos, foi-se a gente
Na fresca madrugada, calma e silente
Apenas uma leve nostalgia!

Na madrugada do lençol macio, da cama quente
Um frágil pulsar de corações
Nos corpos que se encostam levemente
Quando  amantes  se perdem sutilmente
E brotam mil amores, mil paixões.

É no silêncio da madrugada que eu escuto seu coração
Não sei  de onde, mas manda-me sua música contagiante
De seu pulsar harmônico embebido de paixão.

É na madrugada que meu pensamento move-se no ar
E vai em busca  de seus olhos cativantes
Vai em busca de encontrar seu belo olhar...

Euclides Riquetti

Fim de tarde...

Os animaizinhos vão-se escondendo sem alarde
Os últimos raios de sol fenecem lentamente
As crianças entram em casa alegremente
Não,  não é apenas um final de tarde!.

No horizonte alaranjado do ocidente
O firmamento se cobre de vernizes
E nas cores  quentes  de todas as matizes
Desenha sua paisagem envolvente.

Indescritível cenário de harmonia
Pintura divinamente emoldurada
Pelas mãos de Deus executada
Visão que se renova em cada dia.

É, sim, bem mais que um simples entardecer
É, sim, um maravilhoso fenômeno sem igual
Quando o sol se põe no horizonte natural.

É a mão do divino Mestre a se estender
Abençoando cada planta e cada ser
Protegendo esse conjunto colossal!

Euclides Riquetti

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O toque de suas mãos...

O toque de suas mãos carinhosas
O beijo nos seus lábios vermelhos
O seu corpo refletido no espelho
O doce  sabor de nossos desejos
As minhas intenções pecaminosas.

O silêncio que vem depois
A quietude que toma lugar
O pensamento a duvidar
A água a se derramar
A inundar o caminho de nós dois.

O toque de minhas mãos em seus ombros morenos
A chama do amor que arde incessantemente
O meu olhar no seu olhar de veneno
A chama do amor que arde vorazmente
A rejeição da dor que mata lentamente...

Ah, lentas noites dos enamorados!
Do toque de nossas mãos, sensual
Do nosso envolvimento frágil mas  real
(Porque a vida não é banal...)
A vida é dos corações apaixonados!

Euclides Riquetti

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Oração às crianças (soneto)


Crianças nos fazem felizes porque são crianças
Crianças nos dizem coisas que nos encantam
Crianças filhas de mães dignas, dóceis e santas
Crianças que nós amamos, lindas crianças!

A criança  torna o mundo muito mais feliz
Porque em cada olhar desperta ternura
Porque em cada rosto há carinho e doçura
Há amor em seus gestos e em tudo o que diz.

Deus, abençoe as crianças que cantam,  faceiras
E também as que buscam o pão pra comer
E aquelas sem pais e sem lar pra viver.

Proteja as que passam frio nas noites de inverno
E as que rezam, esperançosas, pelo Pai Eterno.
Abençoe, Meu Deus,  as crianças brasileiras!

Euclides Riquetti

sábado, 13 de dezembro de 2014

O crédito moral das pessoas de idade


          É bem perceptível que pessoas jovens não deem muito crédito aos velhos. Velhos, sim, pessoas que viveram por muito tempo, acumularam experiências e,  com elas,  mais conhecimentos. O capital intelectual das pessoas é intransferível. A perda de gente que deixou marcas importantes no meio social onde atuou é sempre muito sentida. Não apenas os seus entes queridos, os mais próximos, lamentam e sofrem com as perdas definitivas. A sociedade sente muito quando isso acontece.

          Exemplos claros disso nos surgem quando se perde um ídolo. Foi assim quando perdemos o Ayrton Senna, naquele fatídico Primeiro de Maio, há 20 anos. Mesmo nas pequenas cidades, o desaparecimento de pessoas bem conhecidas e que têm uma boa folha de contribuições para com sua comunidade sempre é muito sentida. Nos últimos dias, um fato relevante foi amplamente noticiado e chamou a atenção dos brasileiros e até nos meios internacionais: Edson Arantes do Nascimento,  Pelé, o Rei do Futebol, foi internado numa UTI em razão de uma infecção. A situação agravou-se e o seu trabalho renal foi prejudicado, ficando em risco de morte.

          Felizmente, acabou melhorando e já foi liberado para continuar o seu tratamento em casa. Mas ficamos muito apreensivos com a possibilidade de perdermos nosso Rei.  Eu, particularmente, por ter convivido com ele um dia de minha vida, em 1989, quando de sua visita à então Perdigão Agroindustrial, em Capinzal, e pude constatar pessoalmente o quanto ele é educado e gentil para com as pessoas, mesmo as mais humildes, torci muito pela sua recuperação.

          Dia desses, num consultório médico em Concórdia, observava pessoas de idade avançada que buscavam avaliação cardiológica. Algumas vinham acompanhadas de filhos, de cônjuge, outras vinham sozinhas. Fiquei imaginando quantas pessoas assim existem por aí e precisam, elas mesmas, resolver seus problemas. Ainda bem que no consultório o tratamento dado a elas é de primeira qualidade, com as atendentes dando-lhes a devida e merecida atenção. Mas sabemos que não é em todos os lugares que elas são tratadas com respeito. Nós mesmos ajudamos uma senhora idosa  a tomar o elevador quando de sua chegada e na sua saída. Estava sozinha.... Lembrei-me de que sábado, em Alfredo Wagner, numa lanchonete à beira da BR 282, uma senhora que estava no carro da Saúde de um município, que voltava da Capital após tratamento, ao tentar pagar o cafezinho que havia tomado, recebeu a gentil informação da funcionária de que o café era cortesia. Uma pequena cortesia, acompanhada de um sorriso, tudo muito reconfortador.  São pequenos gestos, pequenas atitudes, que nos fazem acreditar que o mundo ainda vai ser melhor, mais humano.

          Pessoas muito simples, humildes, precisam ter o apoio de seus familiares, amigos e de quem de dever. Estes, os funcionários que trabalham no serviço público: saúde, serviço social, organismos de arrecadação tributária, principalmente. Também no transporte coletivo, quando estão lá na pracinha tomando um sol ou conversando com os amigos, quando precisam atravessar a rua. Quando precisam acessar a prédios através do elevador, passar suas compras nos caixas do supermercado e outras situações semelhantes, que você, leitor, conhece muito bem.

          Aprendi com meus pais e avôs que devemos respeitar os mais velhos. Há pessoas que defendem bem os animais ( e isso também é necessário, pois todo o

Ser que sente dor, seja  física ou emocional, precisa ser bem cuidado e bem tratado), e se esquecem do Ser Humano. É da constituição Brasileira que os pais ajudem os filhos na infância e estes os pais na velhice. Mas, sobretudo, devemos tratar a todos muito bem, dando-lhes proteção e carinho, independente da obrigação legal ou  não.

Euclides Riquetti

13-12-2014

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

É noite...

É noite...
Noite de inquietude
De  escuridão, sem cor
Da perdição e de amor
Cor de negritude.
É noite dos corpos deitados
Nus, quentes, colados!

É noite dos amantes
Das vontades insaciáveis
Noite dos poetas e pensadores
Das almas vulneráveis.

É noite dos corações errantes
Que se despem sem pudores 
Que expõem suas fragilidades
E que buscam a felicidade
Ardentemente...
Incessantemente!

É a noite dos pecados
Que sucede as tardes e precede as  manhãs
Das negras almas vãs
Dos beijos trocados
Do corpo desejado
Noite, apenas mais uma noite
Em que eu me perco infinitamente
Ardorosamente
Em você!

Euclides Riquetti

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Não nutra amor por quem não merece


Não nutra seu  amor  por quem não merece
Não perca seu tempo com pessoas vulgares
Não acredite em palavras vãs e fugazes
Não entregue seu corpo a quem não conhece.

Não perca seu sono em suas noites preciosas
Não nutra paixões que a façam sofrer
Não se deixe envolver pelo falso querer
Não navegue por águas de ondas duvidosas.

Olhe em volta de si, com seu olhar contagiante
Procure entre todos  quem apenas lhe faz bem
Deixe-se guiar pela intuição que você tem
E busque encontrar perto o que procura tão distante.

Quem sabe ali esteja a resposta que você procura
O sol a lhe mostrar qual o melhor caminho
O rumo a seguir sem as pedras e os espinhos
Uma estrada de amor, de carinho e ternura...

Pois você merece!.

Euclides Riquetti

Enquanto você dorme...

Enquanto você dorme
As estrelas alçadas no céu decoram a noite
O brilho do luar encanta os namorados apaixonados
Enquanto você dorme...

Enquanto você dorme
O vento move as folhas e com seu suave delicado açoite
O universo abre-se para abrigar os seus sonhos alados
Enquanto você dorme...

Dorme como uma princesa encantada
Com sua beleza de mulher amada
Cortejada
Desejada...

Dorme como uma princesa já rainha
Um corpo de mulher
O sono de uma menina
Uma alma que diz que me quer
Que deseja ser minha...

Dorme e sonha o sonho do amor
Da mulher que espera pela flor
No dia do aniversário
Da aliança no noivado
E do beijo do enamorado
Enquanto dorme!

Euclides Riquetti
11-12-2014

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Doces lábios de morango


Beijo seus lábios doces de morango
De divina pele avermelhada
O delicioso aroma vai-me contagiando
Com o gosto de sua  essência adocicada.

Sorver seus lábios e sentir  seus olhos distanciados
Perdidos na planície que se estende  ao longe
Sentir seu coração aberto aos meus afagos
Tentando me levar pra não sei onde.

Ah, doces lábios de morango que me seduzem
Ah, corpo grácil que me aquece nesta tarde fria
Ah, mãos suaves que nas noites me conduzem

Morangos que bailam na música da grande orquestra
Que devolvem a minh' alma a nostalgia
Que fazem minha vida ser u'a grande festa!

Euclides Riquetti

Esvazia teu coração

Esvazia teu coração do que não te faz bem
Joga fora tudo o que não serve pra ti
Despe-o de tudo o que acumulaste ali
Livra-te de tudo conforme te convém.

Esvazia teu coração cumulado de erros
Joga para a terra as experiências inservíveis
Despe-o das lembranças frágeis e sofríveis
Livra-te de tudo o que te causa os medos.

Coloca  dentro dele os  meus versos francos
Sinceros mensageiros que te levam conforto
Mistura-os com teus dotes e teus encantos.

E, quando constatares que já raiou a aurora
Quando perceberes que ele não está mais morto
Abre-o para receber novas  paixões de agora.

Euclides Riquetti
09-12-2014

domingo, 7 de dezembro de 2014

Receba meus versos como se fossem rosas

Aceite meus versos como se fossem  rosas delicadas
Leia-os com o doce sabor de seus lábios vermelhos
Livre como as garças que voam elegantes e encantadas
Alente seu coração, acalente e alma e alimente os desejos
Seja mais que  a musa que inspira as canções eternizadas....

Apenas abra-se a eles, sem nenhuma condição a impor
Receba-os com amor, frutos de  minha  tênue  inspiração
Creia nos propósitos, nas palavras, nos sonhos do sonhador
Dono  de sentimentos nobres que se transformam em paixão .
Antes de fechar seus  olhos para seu  sono reparador
Atice os seus pensamentos que navegam na imensidão
Diga, então, que também me quer,  e me deseja com ardor.

Idealizada, imaginada, concebida com elegância extremada   
Divinamente descrita nos versos mais bonitos e singelos
Avalanche de amor, de sedução, uma pintura redesenhada
Discretamente, mando-lhe rosas vermelhas ou lírios amarelos
Andante do universo estrelado, musa bela e encantada
Dádiva de Deus a semear beleza a enfeitar,  a perfumar castelos...

Euclides Riquetti
08-12-2014


sábado, 6 de dezembro de 2014

Buscar em ti as respostas...


Sentir saudades  por ter perdido alguém
Isso  gera em mim um  sentimento profundo
Eu fico como se desabasse o mundo
Como se meu corpo ficasse desnudo
E isso não me faz bem...
.
Sentir saudades  mexe com meu coração
Dá-lhe asas para que possa voar
Para que possa tentar reencontrar
Onde quer que seja, em qualquer lugar
Tudo o  que eu perdi por minha omissão.

Mas há o lado bom em sentir saudades
E isso vem como um sinal de alerta
É quando então algo em mim desperta
Para curar as feridas abertas
É  quando supero minhas fragilidades.

Sentir saudades nas noites enluaradas
Como se a andar numa praia deserta
Buscar alento às feridas abertas
Buscar no tempo as respostas certas
Buscar em ti as respostas esperadas

Euclides Riquetti