Zortea está comemorando idade nova. Maioridade muito bem
conquistada: 18 anos de um novo Município. Emancipado de Campos Novos, o
antigo Distrito de Duas Pontes, mas que era conhecido como Zortea por
comportar, em seu território, a emprea Zortea Brancher S/A, está
localizado entre as cidades catarinenses de Capinzal e Campos Novos, e
ainda confronta com o Rio Pelotas/Uruguai, na região do Município de
Machadinho, no Rio Grande do Sul. Foi emancipado pela Lei Estadual nº
10.051, em 29-12-1995. Sua população, hoje, é de pouco mais de 3.000
habitantes.
Há cinquenta anos, Zortea Brancher S/A - Compensados e
Esquadrias, tinha uma fábrica e seu escritório no centro de Capinzal,
nas ruas Dona Linda Santos e XV de Novembro, respectivamente, fundada
que foi por Antônio Zortea Primo e Guilherme Brancher. Ainda, dentre
seus sócios, teve Pedro Domingos de Paoli e Nadir Susin. Na região era
chamada de " a poderosa!", poius era uma grande produtora e
empregadora, expandindo suas atividades para a área agropastoril. Em
1979 abriu uma indústria em em Rondônia.
Fui morar em Zortéa em fins de fevereiro de 1977, com o
intuito de lecionar na Escola Básica Major Cipriano Rodigues Almeida,
convidado que fui pela Diretora Vitória Leda Brancher Formighieri,
traabalhando com as disciplinas de Língua Nacional (Portuguesa), e
Língua Estrangeira Moderna - Inglês. Ainda completei a carga com
Preparação para o Trabalho e Educação Física. Ingressei na condição de
efetivo no Magistério Estadual, por haver prestado Concurso Público, em
1978.
Paralelamente, trabalhei na empresa, primeiro no Departamento
Financeiro de depois no Administrativo.A Escola tinha um quadro de
professores extraordinário, a maioria com formação em nível superior ou
cursando-o. Vivíamos como uma grande família. Escola/Igreja/Grêmio
Esportivo Lírio era o trinômio social e cultural. A economia se
centrava na produção de madeira compensada e esquadrias, numa planta
inudstrial que contava com cerca de 550 colaboradores. Produziam entre
25 e 30 mil portas e ainda 1.000 metros cúbicos de compensado por mês.
Com a redução da oferta de madeira e a alteração substancial
na Legislação Brasileira, a empresa foi reduzindo as suas atividades,
chegando à paralisação por completo. As granjas de produção de grãos,
notadamente a soja, o trigo e o milho, passaram a garantir a economia
local, bem como o comércio que, com a emancipação do Distrito,
fortaleceu-se a partir de 1996. Com a expansão das atividades da antiga
Perdigão Agroindustrial, em Capinzal, a mão-de-obra disponibilizada em
razão da queda na atividade madeireira passou a ser canalizada para o
abate de frangos, em Capinzal. Loteamentos da Família Santos, em
terrenos favoráveis para a construção de casas residenciais,
oportunizaram que as pessoas fossem fixando-se ali. Uma população de
cerca de 1.200 pessoas em 1977 passa a ser de 3.000 atualmente.
Com a formação do novo Município, a atividade pública passa a
ter grande importância na sua economia e hoje a cidade está muito bem
estruturada em seu serviço público, com créditos às administrações de
Alcides Mantovani, Remilton Andrioni e Paulo Franceschi. Estes foram
meus alunos.
Zortea tem um território muito privilegiado, com áreas
favoráveis para o plantio, construção de empreendimentos comerciais e
industriais e mesmo residências familiares. Muitos de seus jovens
estudaram nas faculdades de Joaçaba, Campos Novos e Capinzal. Outros
saíram para estudar fora, inclusive no exterior, e não mais voltaram.
Foram buscar espaço na atividade pública ou privada em diversas cidades e
estados brasileiros. Foram honrar sua origem, sua família, sua pequena
cidade. O nível intelectual de seus habitantes é muito bom. Diversos de
meus ex-alunos cursaram doutorado fora do país.
Zortea não precisará ( e nem é bom que isso aconteça)
tornar-se uma cidade populosa. Interessa, sim, que possa o Poder
Público dar ótimas condições de Educação e Saúde aos seus moradores e
eles, mesmos, sem nenhuma tutela, vão saber encaminhar-se com
independência.
Uma das coisas que os zorteenses sabem fazer muito bem é o
delicioso churrasco. A sfestas que ali acontecem são, sempre, muito
concorridas.
Pessoalmente, considero o município a "Capital Catarinense das
Águas Superficiais". Quase que uma dezena de cascatas e cachoeiras se
localizam em áreas do município pouco habitadas, no Rio Agudo, com
destaque para o Itaimbé, a maior delas, o que poderá se tornar um grande
atrativo turístico.
Minhas filhas, gêmeas, Michele e Caroline, nasceram ali. Foi
uma grande alegria para nós termos vivido e participado, ativamente,
das atividades culturais, esportivas, religiosas e sociais em Zortea,
lugar de que gaurdo belas e saudosas lembranças, principalmente da Ecola
com seus alunos e professores, e de meus colegas de futebol e de
empresa.
Ao povo zorteense, meu grande abraço nestes tempos em que estão prestes a alcançar a maioridade.
Euclides Riquetti