Foto de "Caçadores de Imagens" - Capinzal - SC
Recordar e Pensar é preciso. Principalmente nós, que somos
antigos, temos, sempre, muito que recordar. E recordar nos traz à
mente situações que vivemos e das quais temos saudades. De algumas
delas nos orgulhamos e queremos revivê-las. Nem que seja apenas no
imaginário. Outras, nosso subconsciente rejeita, ferrenhamente. Há uma
pessoa que sempre me diz: "tem algumas coisas que minha mente quer
apagar, nada há que me atraia a lembrar delas". E, mais: "O que é ruim
já deletei de minha cabeça. De pessoas desprezíveis quero distância. Se
fui pobre, nem lembro".
Concordo plenamente com ela, embora muitas vezes isso nem
seja possível. Mas vale desviar o pensamento das coisas que nos
desagradam, canalizando-o para aquilo que nos deleita, que nutre nossa
alma, que incita nosso ânimo, que nos dá mais prazer. Uma pessoa, uma
vez, me disse que seu analista recomendou que trabalhasse o domínio de
sua mente para não sofrer, procurando evitar lembrar de tudo o que fosse
desagradável, dirigindo a mente para algo que lhe confortasse, que
fosse auspicioso. Tem razão, ela.
Mas, dentro de meus propósitos de ressaltar que sou antigo,
muitas coisas me vêm à mente. Em 1988 estive candidato a um cargo
político. Na época, em agosto, nasceu a Rumer Willis. Hoje ela tem 23
anos, é bonita, mora nos Estados Unidos. Meu filho, o Fabrício, tinha
menos de um ano, e nós o levávamos para todos os lugares, principalmente
às festas no interior do Ouro, onde se come churrasco de verdade nas
festas das capelas. E a Michele sempre dava um jeito de, literalmente,
cair na água de algum riacho, inverno ou verão. A Caroline vinha
correndo chamar-nos. E, assim, lá pelas 14 horas, tínhamos que ir para
casa...
Ontem, dia 2 de fevereiro, ao caminhar pela rua central do
Ouro, lembrei de meu pai, de minha mãe, de meu irmão, de muitos amigos
que já se foram. Pessoas de quem lembro com muito carinho. A procissão
de Nossa Senhora dos Navegantes pelo Rio do Peixe remeteu-me à minha
infância, quando meu pai e uns amigos, com seus botes, realizaram uma
procissão com a imagem de nossa padroeira, vindo da "ilha" até o "açude"
e depois trazendo a imagem até o Seminário. Recordei-me do Sr. Reinaldo
Durigon, provavelmente o seu maior devoto, que faz aniversário neste
dia. Também do Olivo Zanini, que todos os anos ajudava a carregar a
imagem desde o Rio do Peixe até a rua. Do Rodrigo Parmalat, que ficava
ao colo da mãe, enquanto a barca aportava em sua propriedade, e o João
Antunes da Costa, seu pai, ajudava a organizar o local por onde a Santa
passaria. Lembrei-me de histórias ouvidas da Dona Noemia Sartori, do
Érico Dambrós, do Sr. Ivo Luiz Bazzo, do Pedro Zaleski, do Rozimbo
Baretta, do Ivo Maestri e de outros, todas interessantes. Também
imaginei o Afonsinho da Silva e sua esposa, Eleonora, ele balseiro e
padeiro, estabelecido ali onde hoje é a Unidade Sanitária. Lembrei-me da
história de que trouxe a imagem da Santa de Caxias do Sul, fez um
capitel para ela, levado pela enchente. Mas, a imagem, intacta, foi
encontrada por ele quando a água baixou, ali na margem do Rio do Peixe.
Momentos assim nos trazem muitas saudades. São os momentos
indeletáveis de nossa mente.
É, ser antigo nos dá privilégios, conhecem-se mais histórias.
Ah, a Marjorie Estiano, a Manu, da Vida da Gente, está enveredando para
os lados do Eriberto Leão, agora Gabriel, ele que foi o "devagar"
Pedro, naquela novela filmada em Floripa. Com a concordância da
Julinha...
Antes que eu esqueça, a Rumer Willis é filha do Bruce Willis. E
da Demi Moore. É por isso que ela passa frio, lá nos "States", onde é
inverno. Aqui, nós, calor de 35 graus e muito calor humano, para
compensar.