terça-feira, 9 de agosto de 2022

Sorriem as rosas e cantam as roseiras


 






Sorriem as rosas e cantam as roseiras

Na manhã tranquila, jovial e prazenteira

Na manhã em que os pássaros se alegram

E as plantinhas verdejam e se amedram

Porque a primavera veio alvissareira...


A primavera tem a cor da vida táctil

O encanto e a energia da natureza grácil

Traz os perfumes que nos embevecem 

Apaga os dissabores que nos entristecem

Torna a luta diária mais doce, mais fácil!


A primavera nos vem como uma âncora

Onde nos agarrarmos para dias de bonança

Para a volta dos ânimos e do entusiasmo

Para o adeus aos medos e ao  marasmo

Para o reencontro com a paz e a esperança.


Euclides Riquetti

No silêncio escuro da noite

 


 



O silêncio escuro da noite provoca os sentimentos
Enquanto tu dormes o teu sono angelical
E os anjos abençoados dissipam teus tormentos
Enquanto eu os procuro no espaço sideral!

No silêncio escuro da noite enegrecida
Os anjos velam pelo teu sono e te protegem
Zelam por teu corpo, pela tua alma e pela tua vida
Enquanto que a orquestra universal eles regem.

No silêncio harmônico do universo santo e calmo
Espalha-se uma terna e silenciosa melodia
Secundada pelo doce canto daquele antigo salmo
Que de minha voz tímida  tu já ouviste um dia.

Mas, na claridade do dia que vem tão prazeroso
E que dissipa a escuridão pela noite trazida
Reina teu sol dourado, jaz gigante e formoso
E tu te deleitas em cada minuto, cada hora vivida!

Euclides Riquetti

Escrevi teu nome no meu coração


 



Escrevi teu nome dentro de meu coração

Caprichei na letra, pois tu bem mereces

E isso foi definitivo, uma firme decisão

E podes me retribuir com amor e preces.


A partir dele, eu compus um acróstico 

Um poema enigmático, com meio e fim

Queria te cortejar, era meu propósito

Queria que dissesses que gostas de mim.


Coloquei nele meu romance e muita poesia

Fi-lo com toda a minha possível devoção

Deixei-to para que coloques nele a melodia.


Lego-te meu acervo e minha obra instantânea

Tudo o que eu compus com toda a dedicação

Guarde nele, para ti, uma  modesta coletânea.


Euclides Riquetti

Mais do que um sonho... uma agradável lembrança!

 

 



          Uma das coisas boas de minha vida é sonhar! Fechar os olhos, imaginar, navegar, sonhar... Passar por sobre fronteiras sem passaporte, sem documento: apenas com sorte! A sorte de encontrar seres que estão com a gente, que estarão, ou que já estiveram perto de nós, junto de nós...
  
          Sonhar é meu, seu, nosso direito! Sonhar de dia, de noite, de pé, deitado, de qualquer jeito! Mas sonhar... E ensejar para que nossos sonhos se tornem realidade. Os sonhos, por si, nos possibilitam a vivência de realidades possíveis e impossíveis... Dentre estas, a de ter junto conosco pessoas que nos foram muito queridas e nos deixaram. Na noite de domingo, revivi momentos com meu querido pai. Deixou-nos num sábado, 18 de junho de 1977. Tinha 55 anos. Nascera  Guerino Richetti, virou Riquetti. Guerino de "guerreiro"!

          Posso asseverar que sou muito parecido com ele. Uma cópia, um clone. Meu jeito de me movimentar, de mover minhas mãos, de olhar para as pessoas, de ficar com o pensamento visivelmente distante. Os mesmos hábitos: Ler, ler muito, informar-me. Herdei isso dele. Quando nasci, lá no Leãozinho, então comunidade de Rio Capinzal, ele estava lendo "Os Sertões", de Euclides da Cunha. Quando escrevia, desenhava as palavras. Letra firme, uma verdadeira caligrafia. Estudou Latim , Filosofia, Francês, Italiano, aprendeu a tocar piano. Conhecia muito de História, de Geografia, de Matemática. Notas altas nos tempos de Seminário, o São Camilo, da Vila Pompeia, em São Paulo. Notas altas no "Normal", para habilitar-se ao magistério, no Mater Dolorum, em Capinzal, onde concluiu seu curso em 1963. Estava com 40 anos...

          No domingo, mais um belo e agradável sonho. Sonhei que eu estava com uma amiga,  ajudando-a  a fazer a decoração para um ambiente de um evento cultural. Amarrávamos panos brancos entre colunas, provavelmente para mais  uma daquelas "Noite do Canto, Arte e Poesia", que costumávamos organizar com os amigos poetas da APECOZ (Associação dos Poetas de Capinzal, Ouro e Zortea). Saudades disso também... Meu pai chegou, parecia mais alto do que era, embora tivéssemos a mesma altura: 1,83 metros. Estava com calças e camisa de manga longa, uma cor escura, uma combinação de preto ônix com preto dark. Sapatos pretos, bem lustros, como era de seu costume. Boina.  Mas as maiores e melhores lembranças dele tenho-as com ele usando camisa branca e calça preta ou marinho.

          A aproximação dele veio natural, parecia que estava verdadeiramente ali. Elegante, inteligente, culto, charmoso. Assim eu o via e é assim que eu o vejo e quero ver nos meus sonhos. Ele veio e disse que estava com um pouco de pressa, precisava dar aulas de Matemática... E saiu... Fique muito contente em vê-lo. Estava bem. Acordei-me sobressaltado, mas feliz. Eu o vi mais uma vez. Ele não era professor dessa disciplina, mas ensinou-me a fazer contas de medidas agrárias e volumes. Área de quadrados, retângulos, triângulos. Para este, dizia: "base vezes altura, dividido por dois".  E fazia desenhos em papéis para eu entender. Para madeiras em toros: "raio ao quadrado vezes o PI (3,1416),  vezes altura..."  Aprendi isso antes de me ensinarem na escola. E, com 10 anos, eu fazia cálculos das roçadas e carpidas que os familiares do saudoso Sebastião Feliz da Rosa, o "Velho Borges", e seus filhos João e Dário empreitavam. Vinham lá em casa para que meu pai calculasse. E ele me punha na a fazer as contas: alqueires, quartas de terra...

          Ora, misturo sonhos, lembranças e saudades. Saudades, porque isso é inerente à condição humana: quem não as sentir, não tem história, não tem passado, não tem sensibilidade. Lembranças, porque elas nos trazem alegrias. E se confundem com as saudades.  E sonhos! Ah, esses sim! Sonhos  que   me permitem revivenciar realidades impossíveis. Como a de ter, perto de mim, pessoas que só podem vir com o sonho...

Euclides Riquetti
11-11-2014

Ansiedade

 




Quando estou ansioso
Tenho reações desmedidas
Impulsiono-me a ações
Que podem ser mal entendidas.

Quando estou ansioso
Busco algo incessantemente
Quero que tudo se resolva
Assim num repente.

Quando estou ansioso
Minhas ideias se confundem
Mas quando me acalmo
Elas de novo se fundem.

Quando estou ansioso
Você me acalma
Mas momentos depois
Incendeia minha alma!

Bem assim!

Euclides Riquetti

Voa, pensamento...

 


 


 




Sagaz inspiradora de palavras e  versos
Mergulha-se  em devaneios e ilusão
Escravos pensamentos estão despertos
Companheiros na  sua solidão.

Olhos brilhantes e meigos que  censuram
As palavras nos seus lábios pronunciadas
As mãos graciosas outras mãos seguram
O sonho que rouba as  madrugadas.

Vaga pisoteando pedras entre a verde relva
Vaga sem cuidados, sem limites, sem reservas.
Entre sucessos, tropeços  e conquistas.

Voa o pensamento entre as nuvens alvas
Voa no firmamento sua dileta alma
Enquanto a névoa lhe embaraça as vistas.

Euclides Riquetti

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segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Descansadamente





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Jazes ali, imóvel, descansadamente
Ligas as areias inertes ao oceano
Que movimenta suas águas, soberano
E balança as galés, delicadamente.

Conectas os que o transpõem ao mar
Às escuras embarcações que flutuam
Às negras naus que ali se perpetuam
Para levar os românticos a navegar.

E, com tua importância e imponência
Permaneces ali real, forte e majestoso
Exuberante em toda tua magnificência.

E eu contemplo toda a tua grandeza
No balanço indescritível e formoso
No mar que invades com tua realeza.

Euclides Riquetti

De mãos e de braços dados com seu sorriso

 


 



Dize-me que me amas e eu direi que te amo
Dize-me que me queres e eu direi que te quero
Dize-me que precisas de mim e direi que preciso de ti
Porque, na noite longa,  eu te procuro e te chamo
No dia claro eu te busco  e com saudades te espero
Adoro quando vibras, quando, alegre, me sorris!

Dize-me que não há espaço para as lamentações
E que em cada novo dia esperas por mais uma vitória
Dize-me que nossas almas e nossos corações
Já têm um caminho juntos, compartilham uma história
Dize-me que nossos caminhos levam-nos sempre a um lugar
Onde possamos nos termos e nosso desejo saciar.

E, se tudo o que desejarmos se tornar verdadeiro
Se nossos sonhos puderem  ser compartilhados
Se nos pudermos entregar  um ao outro por inteiro
E nossos ideais puderem,  sempre,  serem alcançados
Viveremos ainda dias muito animados e prazenteiros
E caminharemos  juntos, de mãos e de braços dados.

Euclides Riquetti

Vai levar os teus versos e os teus encantos

 


 



Levanta-te e vem caminhar comigo
Traze de volta o  ânimo em teu semblante
Trago-te alento, sou teu verdadeiro amigo
Quero que tenhas a força de um gigante.

Levanta-te, como se levanta o sol nas tuas manhãs
Abre teus braços e vem forte  me abraçar
Faze corar no teu rosto ambas as maçãs
Chama de volta o brilho no teu belo olhar.

Levanta-te,  na manhã ensolarada ou  na manhã chuvosa
Sai por aí distribuindo teu sorriso e teus  afagos
Dize ao mundo que a vida simples é prazerosa
Que em meio aos desertos podem esconder-se os lagos.

Vai, anda pelas ruas, cidades e campos
E, em cada canto,  vai cantar teu canto
Vai levar a todos os teus versos e os teus encantos!

Euclides Riquetti

A chuva fria leva meus desalentos

 





Chove! E a chuva fria leva meus desalentos
Dissipa  algumas de minhas das preocupações
Diminui, de leve, minhas perturbações
Mas não elimina minhas dores e meus tormentos...

Chove, na noite do inverno dissuimulado
De outono disfarçado!

Chovem  lágrimas de mães e de madrinhas
Chovem orações que pedem perdão
Chovem pedidos de atenção
Chove nas calçadas, ruas e estradinhas
Chove!

Chove a chuva impiedosa que faz desalojar as gentes
Chove a chuva copiosa que nos traz as enchentes...

Chovem minhas lágrimas de saudades
Chove na noite das tempestades
Chovem pensamentos que me inquietam
Chove a chuva que molha os corpos que pecam!

Chove, na noite, como choveu no dia
Chovem minhas lágrimas de nostalgia

Por causa dos desalentos e dos tormentos
Por causa das preocupações e perturbaços

Do meu pensamento - que sente saudades
De ti!

Euclides Riquetti

Incendiando a alma

 


 



Incendiando minha alma

Mas acalentando minha paixão

 És mesmo uma rosa branca, alva 

A desafiar meu coração. 


Se minha alma incendeias

Certamente que me atrais, certo?

E simplesmente me presenteias

Com um caminho bem aberto.


Quando as águas da chuva caem

Refrescam o meu corpo quente

Então o calor de mim subtraem

E eu me sinto de novo contente!


Euclides Riquetti

Todas as folhas já caídas

 



Todas aquelas folhas já ali caídas 

Me dizem que o outono foi embora

Que há meses estavam amarelecidas

E que de caírem já chegara a hora...


Caíram as folhas do meu caquizeiro

Como haviam ido embora as da pitangueira

Restaram as da morgota e as do limoeiro

A jaboticabeira resistiu ali bem faceira...


Apenas que você não se definiu 

Se devia ficar no alto de sua soberba

Se queria cair e ser levada até o rio

Pela água que brotou da ribanceira!


Você parece querer mostrar-se  fortaleza 

Mas eu sei de todas as suas limitações

Vai derreter-se quando chamada de Alteza

Apenas mais uma entre tantas decepções!


Euclides Riquetti

07-08-2022







Num universo de paz e amor

 


 


Não sei onde se encontram agora

As flores que você plantou
Se apenas sumiram por ora
E por causa delas você chora
Depois que a tormenta passou...

Não sei onde estão as rosas e as margaridas
Que você regou com seu pranto
Mas que deixaram suas manhãs floridas
E ajudaram a curar suas feridas
Que desapareceram como que por encanto...

Mas sei onde se encontram os versos
Que você me inspirou a compor:
Vagam pelas ondas dos mares mais  incertos
Nos lugares mais diversos
Num universo de paz e de amor......

Euclides Riquetti

Eu preciso do vento que vem do mar

 


 


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Eu preciso do vento que vem do mar
Preciso da lembrança para me embalar
Preciso do sol nas tardes e manhãs
Preciso de ti nas tardes e manhãs
E no sonho tenro que a noite me traz.

Preciso afirmar minhas convicções
Rever conceitos que me vêm e apago
Conter meus impulsos e frear emoções
Preciso do alento de teus afagos...

Sou como a mão que alinha tijolos
Dispondo-os siametricamente
Como o profeta que prediz os sonhos
Sonhadamente
Como poeta que empilha versos
Livremente, harmoniosamente!

Mas preciso de ti para formatá-los
E só para ti lê-los decerto
E só tu os ouças por certo.
Preciso...

Euclides Riquetti

Sentimentos

 

 



Trabalho com sentimentos
Eles são o formão de meu ofício
Com eles componho poemas aos centos
Nas madrugadas, nas noites, em todos os momentos
Sem nenhum sacrifício...

Moldar versos é minha ocupação
Para chamar tua atenção, atrair teu olhar
Combiná-los em estrofes,  minha paixão
No meu quarto, na rua, ou na beira do mar
Dou-lhes vida, luz, emoção!

Espalho-os pelo mundo como o vento
Espalha os perfumes da primavera
Levando minha alegria ou meu lamento
Propago-os no espaço e no tempo
Tão longo quanto os anos de espera...

Os sentimentos são minha matéria
Os meus, os teus, os nossos
E fazer com que ganhem artérias
Corpo, alma, coração
Com leveza e com paixão
É tudo o que eu posso...

Os sentimentos nasceram para meus encantos
Para provocar a alegria
Para nos lembrar da nostalgia
Para fazer brotarem as lágrimas nos prantos...

Sentimentos, ah, sim, sentimentos na paixão exacerbada
Que me brotaram no entardecer
E me acordaram  na madrugada
Para compor-te este poema
E te oferecer!

Euclides Riquetti