quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Versos jogados ao vento

 


 



Versos jogados ao vento

Desprotegidos e desconexos
Versos jogados ao tempo
Que flutuam dispersos...

Versos sem rimas e sem consequências
Palavras escritas sem consentimento
Joagadas ao vento...
Estrofes escritas sem alma, sem nenhum sentimento:
Apenas palavras e versos solteiros
Sem um poema hospedeiro
Sem endereço certo
De um poema perdido nos caminhos do universo...

Versos procurando sentido e razão de ser
Versos procurando quem os queira ler
Mas tu não os vês
E ninguém  os lê.

Versos órfãos de autores e de leitores
Que, no anonimato
Escrevi e te mandei
Que se desintegraram dos meus sonetos
E de meus poemetos
Mas que teimam em te  procurar
Nos caminhos do vento!

Euclides Riquetti

www.blogdoriquetti.blogspot.com



O voo da gaivota

 



Plana a gaivota sobre o mar azulado
Quebrando o vento nas lufadas de outono
Na manhã  de abril do sábado morno
Na ilha da magia de meu Sul amado.

Vai a gaivota cortando o infinito
Imerge na nau  de meu pensamento
Busca se esbaldar por todo o firmamento
Em seu lento planar pelo céu bonito.

Voa a gaivota de branco e de princesa
Soberana,  charmosa, doce e elegante
Voa a gaivota vestida de deusa.

E meus olhos a contemplam com carinho
Em sua viagem pela trilha provocante
Enquanto volta ao seio de seu ninho.

Euclides Riquetti

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Num canto de uma sala

 




Somos como dois vasos

Colocados ... lado a lado

Ou mesmo deslocados

Em diferentes espaços...


Somos como duas plantinhas

Carinhosamente cultivadas

Você, assim, pequenininha

E eu uma pessoa acanhada.


Fomos postados verdemente

Num canto de uma sala

E ficamos simplesmente

Mudos... sem nossas falas!


Não sei por quanto tempos

Ficaremos assim quietos

Somos apenas dois elementos

Discretos...


Num canto de uma sala!


Euclides Riquetti

29-11-2023






Sorrir, cantar, sorrir, amar!

 


 



É preciso sorrir
Como é preciso beber água
E respirar o puro ar
É preciso sorrir!

Sorrir o sorriso belo
Sem angústia, sem mágoa
O sorriso no cantar
Apenas o sorriso belo!

Sorrir com os olhos
Sorrir com os lábios rosados
Sorrir os sonhos idealizados
Sorrir com os olhos!

É preciso cultivar
O sorriso prazenteiro
Nosso melhor companheiro
Aquele que nos faz cantar!

Sorrir o bem-estar
Sorrir para a vida
Sorrir a alegria sentida
Sorrir, cantar, sorrir, amar!

Euclides Riqueti

Tragédia da Chape - Sete anos depois, revivendo a história

 




 Delegação da Chape...
 Avião que transportava a delegação da Chape

          A notícia chegou madrugada e está tomando conta dos meios televisivos brasileiros e colombianos: Caiu, na madrugada desta terça-feira, o avião que transportava os jogadores da Associação Chapecoense de Futebol, após decolar no aeroporto José Maria Córdova, entre La Ceja e Abejorral, na região de Antióquia, na Colombia. O avião caiu há cerca de 50 Km de Medellin. Jogadores, dirigentes e jornalistas, compunham um grupo de 72 pessoas que iriam acompanhar o jogo da Chape na primeira partida para a final da Copa Sul Americana.havia ainda 9 tripulantes, totalizando 81 pessoas.

         Até às 5, 15 horas desta manhã tinha-se a informação de que nenhuma morte foi confirmada.  O Corpo de Bombeiros do local vinha informando que há muitos sobreviventes. Nada de informações concretas ainda.  A região é montanhosa e de difícil acesso.Já se sabe que Alan Ruschell,  o goleiro Danilo e o goleiro reserva Follmann estão entre os sobreviventes resgatados. Os resgatados estão sento atendidos no Hospital  San Juan de Dios , em La Ceja.

          Nós, catarinenses, principalmente os vizinhos de Chapecó, distante 160 Km de minha casa, estamos desolados. Pela primeira vez uma equipe de futebol de nosso Estado chegava à decisão de uma competição internacional de futebol. O jogo, que seria nesta quarta-feira, contra o Atlético Nacional, foi cancelado. 

           Esperamos que logo venham informações mais concretas, pois lá é ainda alta madrugada e somente daqui a umas 4 horas virá o claro do dia. Ainda por cima, chove em Medelín no momento, o que dificulta a ação dos socorristas com helicópteros.

Deus proteja todas essas pessoas para que sobrevivam. Neste momento, suas vidas contam muito mais que qualquer resultado de jogo.

Euclides Riquetti
madrugada de 29-11-2016

Atualização: Frederico Guttierrez, Prefeito de Medelín, declara que há pelo menos 25 mortos dentre os integrantes da comitiva.

Segunda atualização: 76 mortos e 5 sobreviventes, informa a Polícia de Medellín. 7,30 horas.

Vem afagar-me...

 




Vem tua alma encontrar-se com a minha
Alegremente
E teu corpo encostar-se ao meu
Vem sutilmente...
Acariciam-me as tuas mãos
Suavemente
Beijam-me teus lábios
Docemente!

Vêm teus olhos fitar os meus
Com toda a tua candura
E tuas palavras encontrar as minhas
Com brandura...
És a musa que Deus me concedeu
De alma pura
A flor que colho e beijo
Com ternura!

Vem, alma escondida em corpo escultural
Vem afagar-me na noite de fevereiro
Vem me levar contigo, pra qualquer lugar
Vem pra tornar-me teu amado companheiro

Vem, afaga-me
Leva-me
Ama-me

Na noite de fevereiro!

Euclides Celito Riquetti

Voavam os condores andinos

 






Voavam os condores andinos
Suavemente, voavam
E eles, espertos, ladinos
Me encantavam...
Enquanto meus pensamentos
Juntavam-se aos ventos
E a procuravam!

E você, do outro lado da montanha
Me esperava
Como ainda me espera:
No outono, na primavera
No inverno, no verão
Com seu doce coração
Com saudade tamanha
Me espera!

Quisera eu ser seu objetivo
Ser sua meta
A ansiedade de sua busca
Concreta
Quisera eu ser  o sujeito ativo
A preenchê-la, por definitivo
E, de maneira muito discreta
Da mesma forma simples como eu vivo
Ser apenas o seu guia... o seu poeta!

Euclides Riquetti
24-12-2016

Diga-me apenas por que rua vai voltar...

 



Diga-me apenas por que rua vai voltar...

Se é pela que vem com o sol,  ou a com que ele vai
Diga-me se vem pelas areias do mar
Ou vem das montanhas que me fazem pensar
No seu rosto bonito que de minha mente não sai...

Diga-me apenas que não vai me esquecer
Que bons momentos são doces lembranças  que se eternizam
Diga-me que no mundo não há razões para o sofrer
Se estivermos dispostos a tentar  compreender
As angústias e  a ansiedade que nos martirizam.

E, na simplicidade de meus versos e de minhas pobres rimas
Um recado que brota de meu coração cigano
Palavras que elevem seu ânimo e a estima
Na tarde cansativa ou na noite mal dormida
Na manhã do pecado e do meu beijo profano...

Euclides Riquetti

À mulher amada...

 


À mulher amada



À mulher, o poeta mandou flores vermelhas
E lhe deu paixão
Em centelhas.

Escreveu-lhe versos de amor
Que desenhou
Nas pétalas de uma flor.

Desenhou também um coração
E nele seus nomes pincelou
Com toda a sublime devoção:

A de amá-la, infinitamente
A de respeitá-la, eternamente
A de cortejá-la, docemente
A de valorizá-la, certamente.

E o poeta fez-lhe versos surpreendentes
Alegres
Bonitos
Românticos
Comoventes!

Pintou com suas palavras um retrato sem igual
Fantástico
Belíssimo
Magistral.

O poeta queria mandar-lhe um jardim todo.
Mas seria tolo
Se assim o fizesse.
Melhor que ele mesmo lhe dissesse:

Mando-lhe um ramalhete de cada vez
Assim me diz minha sensatez.

Educado,
Preciso fazer-lhe um agrado
Mostrar-lhe minha alegria
Um pouco de cada dia.

À mulher amada
A certeza de ser cortejada
Desejada
Endeusada!

Ao poeta
Que não é Deus nem profeta
Apenas uma certeza:
Poder descrever sua beleza
Infinita
De mulher bonita.

E fazê-la sentir-se, todos os dias
Muito bem amada
Pois é assim que ele a quer:
Feliz sempre, ter muita alegria
Pois todo o dia é dia
É Dia da Mulher!



Euclides Riquetti



No embalo dos sonhos

 



No embalo dos sonhos, eu fui te encontrar
Nas vielas, nas ruas, na tua cidade
Doce, bela, com teus olhos a brilhar
Elegante, bonita, uma mulher de verdade!

No embalo dos sonhos em ti eu mergulhei
E juntos navegamos pelo espaço estelar
Uma verdadeira diva, por quem me encantei
Uma musa que me inspira e me faz sonhar...

No embalo dos sonhos eu te fiz uma canção
Uma canção de amor, plena de poesia
Com o intuito único de afagar teu coração
Uma obra  de arte, com toda a maestria!

Euclides Riquetti

Homenagem ao Negão Esganzela, o Moço da Gaita!

 




          O Negão dedilhava o teclado de sua gaita com elegância e  maestria. Tirava dela, desde moço, qualquer tipo de moda da tradição gaúcha: música nativista, xote, vanerão, valsa, chamamé, qualquer coisa
que lhe pedissem. Gostava de trajar calça social, preferencialmente cinza ou azul,  e camisa com colarinho, normalmente  branca ou de uma cor muito clara. Dobrava os punhos da camisa de manga longa para melhor movimentar os braços nas alças de sua gaita. Sabia as notas das músicas "de cor e salteado".
Colocava seu coração corinthiano a mover suas mãos e a incitar seu cérebro, tirando os mais belos acordes. Era convidado a participar de festas sociais e animar eventos de escolas.


          Competimos em trincheiras opostas na campanha política de 1988, quando ele se elegeu vereador. Naquele dia 16 de novembro de 1988, ao final do dia, encontrei-o ali na Rua XV, em Capinzal, defronte ao "Edifício Sanalma" Ainda pela manhã havíamos recebido o resultado das urnas. Eu tivera êxito em minha postulação e ele também. Veio correndo e me abraçou: "Ganhamos, Riquetti! Vou apoiar você!" - eu jamais iria esperar isso de um adversário, mas aconteceu. E demos início a uma amizade que foi-se consolidando aos poucos e durou por 25 anos. Viramos, adiante, colegas de trabalho, até aliados na política. 

          Enaltecer a humildade dele, a habilidade que tinha na conversa com as pessoas, seu alto nível de educação, não faz jus às suas inefáveis qualidades. Mas dizer que ele foi uma grande, sincero e verdadeiro amigo, isso sim é ser justo e honesto com sua memória. Estivemos juntos em bons e em maus momentos. Confiava-me muitos de seus segredos, tinha absoluta confiança em mim e eu tinha nele. Há pouco mais de um anos, fiz um poema para ele, imprimi e fui levar a sua  casa.  Colou na parede, queria mostrar para os amigos que o visitassem que eu era verdadeiramente amigo dele. E, se o compus, é porque ele era merecedor. Queria que ele soubesse, em vida, o quanto eu o prezava.

          Consegui conversar com ele pelo menos em três das seis vezes que o visitei aqui no Hospital Santa Terezinha, em Joaçaba. Estava muito debilitado, mas muito lúcido. Lembramos de alguns bons momentos de nosso convívio e ele me agradeceu pelo poema. A gente sentia que sua vida estava chegando ao fim, mas só falávamos com otimismo, ensejando a sua recuperação. Há uma semana, disse-lhe que iria viajar e que quando voltasse o visitaria já em sua casa, recuperado...  E, na noite de ontem, ainda ausente da cidade, recebi a informação de que ele havia partido...

          Vereador do primeiro dia de  1989 ao primeiro de 1997, em duas Legislaturas,  portou-se sempre com retidão, não usou do cargo para favorecer-se. Prestou concurso para o cargo de Vigia Noturno em 1989 e tirou primeiro lugar, efetivando-se no Município de Ouro. Adiante, ocupou funções de Diretor de Obras e Urbanismo. Há oito anos foi acometido de doença e "veio levando a vida". Eu sempre mencionava para meus familiares que o Negão deveria ter um coração muito forte, resistente, na proporção de sua bondade. E, tenho certeza, foi isso que permitiu que tivesse uma sobrevida de pelo menos uns três anos.

         O Olindo Esganzela deixa a Rosa, o Eduardo, o Ewerton, a Vitória, a Lilian e a Iliane.Voltou, neste sábado de sol, a morar no Engenho Novo, ao  lugar onde nasceu. Estava com 55 anos. Seu corpo agora ali repousa, inerte. Mas sua alma foi animar, com seu talento, uma legião de anjos e arcanjos. Num cortejo celestial, foi tocando sua acordeona em meio ao coro de anjos, numa celebração da nova vida. Ao Negão Esganzela, pela sua bondade e pela sua fraterna e simpática maneira de ser, nosso desejo de que esteja bem no Paraíso!

Euclides Riquetti e Família
07-11-2013

Me dê um motivo...

 



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Me dê um motivo decente
Apenas um, qualquer que seja
Mas algo que me convença
Que não me quer, nem me deseja...

Me dê um motivo plausível
Uma prova incontestável
Para algo tão impossível
Que não seja refutável...

Me dê um motivo sério
Algo que possa ser aceito
Não quero nenhum mistério
Talvez seja meu defeito...

Então, apenas me dê um motivo
Um argumento bem forte
Talvez seja algo proibido
Ou apenas falta de sorte...

Apenas um..
Apenas isso...
Não é nada demais!

Euclides Riquetti

Entrego-te meu corpo e minha alma


 


Entrego-te meu corpo e minha alma

Entrego-te meu corpo e minha alma
Sem ressalvas
Para que os uses
E abuses.
Reservo-me a parte negra,  e dou-te a alva...

E te ofereço  meus beijos
Que se perdem com os teus
Que satisfazem teus desejos
E os desejos meus
Os que se avivam agora e os que hão de vir:
Tu tens a mim e eu tenho a ti!

Entrego-te,  de olhos fechados
Meu coração flechado
Despido
Livre, ou
Atingido
Pelo cupido!

Entrego-me o que tenho de mais sagrado:
A parte de min´alma sem pecado
E fico com o lado carvão.
(O lado escuridão)!

Entrego-te o melhor de mim:
Entrego-te meus versos, minhas estrofes e meus sonetos
Os limitados e os perfeitos
Os livres e os alexandrinos
Que só têm um destino:
Dizer que tu podes ter a mim
E que eu posso ter a ti!

Euclides Riquetti

Beijar teus lábios... acariciar teus cabelos

 


 


Há coisas que faço  com  muito gosto:
Beijar teus lábios me deixa excitado
Acariciar  teus cabelos me deixa encantado
O teu olhar me tem perturbado...
Mas,  o que  mais me apraz,  é afagar teu rosto.

Beijar-te com volúpia e voracidade:
Despertar em ti instintos adormecidos
Abraçar teu corpo totalmente despido
Andar por caminhos desconhecidos...
Amar-te por toda a eternidade.

Dizer ao mundo que somos felizes:
Distribuir rosas em todos os lugares
Surpreender mentes, suscitar olhares
De mãos dadas, por onde quer que  andares...
Viver as cores do amor em todos  os matizes.

Andemos, musa inspiradora de meus pobres versos
Apenas nós dois, nos vales do universo!
Apenas nós dois, por caminhos incertos
Andemos nas cidades, andemos nos desertos
Mas andemos, de mãos dadas, andemos...

Euclides Riquetti

terça-feira, 28 de novembro de 2023

Eu já era poeta... você já era poetisa...

 







Quando o meu olhar de poeta
Encontra o seu de poetisa
E meus dedos buscam as teclas
Para a composição concisa
Uma musa inspiradora
Deliciosamente sedutora
Me provoca e inspira...

Devaneios se alojam em meu ser
E no anjo que está dentro de você!

Quando meu coração de poeta
Encontra o seu de poetisa
E ambos pulsam na noite discreta
Em que o vento nos traz a brisa
Que acaricia seus lábios
Dos desejos e dos presságios
E você me inspira e provoca...

Devaneios se alojam em meu ser
E no anjo que está dentro de você!

E então eu tenho a certeza absoluta e precisa:
Em outro mundo
Em outro lugar
Em outro tempo
Eu já era poeta.

E naquele mundo
Naquele lugar
Naquele tempo
Você já era poetisa...

Euclides Riquetti