quarta-feira, 4 de junho de 2025

Brincando com as palavras: Onde está você?

 


 


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Como está você?
Onde você se esconde?
O que anda fazendo?

Penso em você
Você não me responde
Imagino que esteja me vendo...

Por que você some assim?
Por que não liga pra mim?
Por que não me diz sim?

Sei pra onde eu vou
Não sei de onde eu vim
Talvez nem saiba quem sou...

Então brinco e escrevo
Invento poemas, enfim
Busco o caminho longevo!

Sim, jogo palavras aqui
Pra que você as leia
E entenda o que escrevi!

Euclides Riquetti

Vai levar os teus versos e os teus encantos

 


 



Levanta-te e vem caminhar comigo
Traze de volta o  ânimo em teu semblante
Trago-te alento, sou teu verdadeiro amigo
Quero que tenhas a força de um gigante.

Levanta-te, como se levanta o sol nas tuas manhãs
Abre teus braços e vem forte  me abraçar
Faze corar no teu rosto ambas as maçãs
Chama de volta o brilho no teu belo olhar.

Levanta-te,  na manhã ensolarada ou  na manhã chuvosa
Sai por aí distribuindo teu sorriso e teus  afagos
Dize ao mundo que a vida simples é prazerosa
Que em meio aos desertos podem esconder-se os lagos.

Vai, anda pelas ruas, cidades e campos
E, em cada canto,  vai cantar teu canto
Vai levar a todos os teus versos e os teus encantos!

Euclides Riquetti

Quero te encontrar no fim da tarde

 


 

 






Quero te encontrar no fim da tarde, bem à tardinha
Pra te dizer "boa noite" e  te desejar belos sonhos
Pra que durma alegre, sorrindo, sonho de rainha
Pra que todos os seus dias sejam de paz e risonhos.

Quero te encontrar no fim da tarde e poder escutar
Palavras carinhosas que vêm de teu íntimo profundo
Ver o brilho de teus olhos, também poder te admirar
E dizer que te amo com todo o amor deste mundo.

Quero, sim, ah como eu quero poder encontrar-te
Nem que seja somente para poder afagar a tua mão.
Ah, como eu quero poder te ver, poder abraçar-te.

E, em cada abraço, em cada toque bem carinhoso
Sentir o frescor da pele e o pulsar de teu coração
E a forte energia que vem do teu corpo formoso.

Euclides Riquetti

Há algo que brilha em ti

 


 






Há algo que brilha dentro de ti
E que vem até mim:
Inexplicável
Bonito
Adorável!

Há um transbordar de sorrisos
Um exalar de alegria
Sonhos antigos
Que nos dão nostalgia.

Uma saudade agradável
Numa manhã chuvosa
Um sentimento afável
Uma pele cheirosa
Num corpo saudável
Uma alma deliciosa...

Que vêm de ti
E que chegam a mim.
E que me contagiam suavemente
Envolvem minha alma
Meu corpo
Minha mente!

Euclides Riquetti

O Santo sim; o nome, não! Crônicas de Rio Capinzal

 



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          Na Capinzal e Ouro,  na década de 1960 morava um cidadão que tinha muitas atividades. Era polivalente e "se virava" de muitos modos. Não deixava faltar nada para a a família.
Em tempos em que nós nem sabíamos direito "de que lado se situava o mar", ele já conseguia levar sua "tropinha"  para as praias no verão. E o cara também gostava de fazer piadas, de zoar com vida dos outros. Era só alegria!

          Gostava de falar palavras novas que aprendia. Guardava as mais difíceis e, quando surgia a oportunidade, usava nas suas falas. Fez o "ginásio" já bem madurão. Precisava estudar e trabalhar muito porque tinha que garantir o jabá da prole. Queria acompanhar a evolução dos tempos. Em seu estabelecimento, sempre tinha uma grande cuia para o chimarrão.  Sabia como agradar seus fregueses. Era chimarrão e conversa, muita conversa. (Naquele tempo, cliente era só medico e dentista que tinham, os demais eram todos "fregueses"...). E me dizia: "Olhe, Cride, o negócio é usar a Psicologia Aplicada ao Trabalho!"

          Ah, sim! O amigo, a quem chamarei de Zé da Kombi, foi meu colega de aula no Juçá Barbosa Callado. Era bastante aplicado, até. Não faltava às aulas. E lotava a furgona de gente na saída da aula, que ia despejando pela cidade, principalmente em dias de chuva. Nossos professores de Psicologia foram o Dioni Maestri e o Paulo Bragatto Filho. E gostávamos de Psicologia. Tínhamos isso no ginásio na época. Um privilégio!

          Nosso "gente boa", alíás muito boa por sinal, tinha umas "manias". Tantas que sua "vècchia" lhe deu as malas quando achou que o que ele fazia estava demais. E gostava de contar-nos as histórias de suas aventuras. Quando queria dar um "chego" na gandaia, saía de casa para jogar baralho. Ia a pé, deixava a Kombi na garagem. Mas tomava outro rumo.

        Uma das que bem me lembro era de suas escapadelas para os bailecos nas periferias da cidade. Contava-nos e dava risada. Ia para o salão do  "Sete Facadas", era muito amigo dele e bom freguês. Não deixava pendura, embora até crédito fácil tivesse se fosse preciso. Dançava umas "marcas", tomava umas cervejas, investia num abraços (hoje chamam isso de amassos),  e mais nada. E cuidava bem para que a camisa branca, de colarinho, não ficasse com marcas de rouge ou battom. O cheiro de cigarro dizia que era por causa dos palheiros que os companheiros tragueavam no jogo das cartas.

          Naquele tempo, nas redondezas do lugar, do outro lado do rio, havia outros salões: "O Bota Preta", o Sovaco da Cobra" e o "Alegria do Touro". Na entrada deles, sobre a porta, um aviso: "Tire o chapéu e entregue sua arma para o proprietário". Por uma questão de respeito...  Eram os clubes "alternativos" da época. Concorriam, com muitas dificuldades, com o Ateneu Clube, o Floresta e o Primeiro de Maio.

          Tinha um problema, principalmente nos dias de chuva. Não era por causa do guarda-chuva com as hastes de madeira e o cabo de chifre. Era o barro na rua. A rua que levava até o salão do Sr. Fontoura não tinha calçamento e precisava  ter cuidado para não sentar-se ao chão. Não havia tampouco lâmpadas nos postes. E não podia levar lanterna junto porque senão a patroa desconfiava. Mas o problema maior era com os sapatos. Não podia sair  de casa com galochas para ir jogar baralho ali pertinho, ela não iria compreender isso, pensaria que ele estaria aprontando...

          Então, quando ele voltava, mais de meia-noite, lavava os sapatos no riacho Coxilha Seca, ali em frente à Marcenaria São José. Em casa, deixava-os lá fora. No outro dia estavam secos e limpos, não davam  pista pra desconfiança.

          Como na época que não havia televisão nas casas,  as pessoas tinham muito tempo para pensar e bolar sacanagens. Uns amigos dele, uma noite, foram lá e passaram barro nos seus sapatos. E, de manhã, a "Dona Braba" viu aquilo e ficou furiosa. E o acordou dando-lhe chineladas. Ele, sem entender nada, começou a se confundir, pensando que esquecera de lavar os sapatos. Parecia que os tinha lavado. Será que bebera demais e não lembrava direito?! E isso lhe custou uma semana dormindo no sofá da sala...

          Tenho saudade dos causos que o amigo me contava e que nem posso escrever aqui, mas rio sozinho quando lembro deles. Levou azar alguns anos adiante, quando veio a TV. A patroa foi vendo muitas novelas, muitos filmes, por muito tempo,  e começou a ficar esperta na questão. Então a  história não teve um final feliz. Duas malas cheias de roupas e sapatos. E morar na Kombi... Deu-se mal nosso santo. Falo do santo, mas não digo o nome. Nem o apelido!


Euclides Riquetti
16-05-2013

terça-feira, 3 de junho de 2025

Depois da chuva... um sol adocicado!

 




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Depois da chuva veio um sol adocicado
Com gosto forte de canela e cravo...
O sol que veio com os seus raios dourados
Falou-me pra ficar sempre ao teu lado...

Depois da chuva ele foi voltando de mansinho
Mas atiçou deveras minha mente...
E mesmo por chegar assim devagarinho
Causou em mim um rebuliço de repente...

E cada vez que chove e cai aquela chuva fina
Eu olho para as nuvens e fico pensando
Então eu lembro de teu corpo de mulher menina.

E, depois que volta o sol com rosto de menino
Meu coração continua te procurando
Porque ser teu e seres minha é nosso destino!

Euclides Riquetti

Quando fecho os olhos

 


 






Quando fecho os olhos, vejo você, sinto você , sinto...
Vejo quão deliciosamente você sorri
Quão alegremente você fala:
Fala com os lábios e com as mãos delicadas!

Quando fecho os olhos, sinto um perfume discreto, sinto...
E vejo quão docemente você sorri
Quão suavemente você fala:
Fala com seu coração e sua voz delicada!

Quando fecho os olhos, e faço isso porque eu gosto...
Porque gosto do cheirinho de sua pele que vem a mim
Porque gosto do que você diz, do que faz, enfim!

Fecho os olhos para imaginá-la altiva e contente
Acenando-me delicadamente...
Ou eu acariciando-a levemente.

E, falando de nossos amores
Falando em cultivarmos flores
Porque é disto que eu gosto..

Apenas gosto, nada mais:
Gosto muito de flores
De todas as cores.

Mas, eu gosto mesmo´..
É  de você!

Euclides Riquetti

segunda-feira, 2 de junho de 2025

Quando a lua prateada voltar

 


 






Quando a lua cheia de novo chegar
Para por romance nos corações dos namorados
E voltar-nos o seu  brilho lunar prateado
Estarei esperando por seus olhos encantados
Que me fazem viver, sentir, respirar...

Quando, solitário,  eu ouço a suave sinfonia
Da natureza que repousa abençoada
Que me cobre com seu manto sagrado
E eu olho para a imensidão estrelada
Sou arrebatado por tênue nostalgia.

Ah, doce sensibilidade de poeta
Vem me confortar com sua inspiração
Vem me animar a alma e o coração
Vem trazer-me a palavra certa
Que me faz rimar amor com paixão.

Vem ensinar-me a esperar
A lua prateada  voltar!
 
Euclides Riquetti

domingo, 1 de junho de 2025

Zina e Breca - Cachucha e Cride - uma história real! Hoje, 52 anos depois, exatamente

 









Personagens principais 
Neuzina Fischer - a Zina - faleceu em Porto União neste
dia 13-09-2018 
Miriam Carmignan Riquetti - É escritora - detentora do
Blog Buscando o Sol e autora do livro (que está no mercado)
"Há vida em cada verso"
Celso Breca Lazarini - tem uma loja de carros em União da
Vitória e exerce múltiplas atividades
Euclides Riquetti - Poeta, cronista e editor de crônicas
Administrador do Blog do Riquetti


          Dois de junho de 1973 - sábado. Dia de Festa Junina em Porto União, no Colégio Cid Gonzaga. Toda a juventude das cidades gêmeas do Iguaçu estava ansiosa para que esse dia chegasse. É que acontecia uma festa muito badalada por lá. Além dos folguedos, dança na sala do auditório. Talvez que essa fosse a parte mais esperada da festa...

          O Professor Welcedino, um "serra-abaixo" catarinense gostava de ter tudo bem organizado. A festa era muito esperada. Quadrilhas de danças, quentão, pipoca, pinhão, doce de abóbora, amendoim, pé-de-moleque... Foguetes espocando no ar. As rádios Colmeia, Difusora e União com seus locutores falando do evento. Os jornais "O Comércio", "Caiçara" e "Traço de União" dando força. E nós, jovens, na expectativa.

          Mandei uma carta para minha irmã Iradi convidando-a. Veio com a prima Salete Baretta. Foram hospedar-se na casa da prima Gena Casara que estava estudando por lá. Chegaram na sexta à tarde. Tudo preparado para irmos à Festa no sábado. Imperdível.

          Mas um imprevisto quase que atrapalha nossos planos. Nosso colega da República Esquadrão da Vida, o Celso Lazarini, o Breca, nascido no hoje Lacerdópolis (quando ainda petencia a Capinzal) e que  morou na casa do Serafim Andrioni, no Ouro, e em 1968 trabalhava nas Casas Eduardo, em Capinzal, estava machucado.  Agora era o melhor goleiro de futsal em União da Vitória, fora profissional no futebol de campo. Pois na  sexta levou  um chute no nariz, na Quadra do Túlio de França.  O Dorinho  ia fazer o gol, o Breca foi brecar e o pé do artilheiro arrebentou o nariz de nosso colega. Emergência, cirurgia. Ficamos todos muito preocupados. Víamos o sofrimento do amigo e tínhamos nossa programação de lazer. Não queríamos perder a festa,  nem deixar o amigo sozinho em casa naquele sábado. Precisava de cuidados. Ele dizia que podíamos ir, que ele mesmo se cuidava. Gentil como sempre. É assim até hoje.

          Pertinho de casa havia um salão de estética, o "Silhueta". A Zina, a Célia comandavam. A Ivone, cunhada da irmã da Zina, estava sob seus cuidados. Eram minhas amigas. A Zina estava chorosa, de mal com a vida, deprimindo-se. Pedi-lhe um favor. Perguntei-lhe se poderia cuidar do Breca naquela noite para que pudesse participar da festa junina no Cid. Disse-lhe que ele estava machucado e precisava de cuidados. Pensei que um podia cuidar do outro. Aceitou que eu o deixasse em sua casa. Cuidaria dele. E assim o fez.

          Fomos com os colegas, o Osvaldo e os dois  Odacir, o Giaretta e o Contini, mais  minha irmã  e a prima para a festa. Eu de braços dados com minha irmã. O Boles não foi, tinha que ficar no ponto de táxi com seu Corcel 4 portas. Era um horário bom pra ganhar uma graninha.
Na chegada, percebi que havia uma bela garota com quem eu tinha dançado no "Clube 25"  duas semanas antes. Ela deve ter-se decepcionado comigo, pois eu estava de braços dados com uma de quase minha altura. Não sabia ela que era minha irmã que estava comigo.  Adiante, contou-me que pensou que era minha namorada...

         Na dança, muita animaçao na sala do auditório. Um colega meu era Cabo do Exército Brasileiro, do 5º BE, de Porto União, Odacir Contini. Educado, respeitava as regras dos militares. Quando íamos ao cinema, com os Cabos Frarom, Backes, Godói, Figueira ou Maciel, tínhamos que sentar atrás de qualquer oficial superior deles. Então, no Cine Ópera, entrávamos olhando para as cadeiras e precisávamos  ir ao fundo do cinema ver os filmes e respeitar essa regra hierárquica. Nenhum subalterno podia sentar à frente de um superior.  Pois bem, o Contini falou-me: "Vou tirar aquela morena que está com a Dora pra dançar. E, educadamente, deu a volta por detrás dos  presentes, pois havia um sargento no local.

          Quando vi que era a garota que eu conhecera poucas  semanas antes, cortei caminho pelo meio do salão. Eu não era militar, não  tinha superior, podia ir por onde bem entendesse. E, quando ele lá chegou, eu já estava com ela. E dançamos. Dançamos, dançamos  muito, rimos, contei-lhe piadas.

           Hoje, mais de 40 anos depois, continuamos a dançar, juntos. Temos três  filhos, uma neta, um neto... Dois genros, uma nora!

           E o Breca e a Zina?    Bem, ela está cuidando dele há  40 anos também. Têm uma filha, a Marcela, que voltou recentemente para Porto Uni'ao depois de estudar na Austrália. O Breca  vende carros em sua loja numa bela esquina da ida para o Estádio do Ferroviário. A Zina tem seu salão ali perto do Clube Concórdia. Continua igual há  40 anos. A mesma disposição, a mesma silhueta, a mesma amabilidade e a mesma simpatia. Visitei-os recentemente. Rimos muito, contei para duas amigas dela essa história. Disseram-me que eu deveria escrever sobre isso. Então aqui está.

           Duas histórias que começaram no mesmo dia. E, mesmo com as dificuldades do dia-a-dia, com todas as barras enfrentadas, formamos nossas duas famílias. A Zina e o Breca, a Cachucha e o Cride.


Euclides Riquetti
24-03-2013

Beleza, romance, sensualidade

 


 


Beleza, romance, sensualidade

Amor com carinho, muito desejo

Substâncias bem além da amizade

A nossa sedução, o prazer do beijo...


Há um horizonte a ser conquistado

Uma planície a ser sobreposta

Um mundo de prazer e pecado

Uma montanha a ser transposta.


Um reencontro em novo lugar 

Carícias, afagos, calor e paixão

Deitar na areia ao lado do mar!


Ah, sonhos... sonhos dourados

Do afeto, da ilusão e da perdição

Dar-te o amor, dormir abraçados!


Euclides Riquetti


www.blogdoriquetti.blogspot.com

Acesse!

Há pessoas que muito importam! (Você, por exemplo...)

 


 


                                                            Rosas de meu cultivo

Há pessoas que muito importam

Pelo pelo que fazem, pelo que são

Há aquelas que nos confortam

Que mandam em nosso coração!


Há flores de todas as cores

Brancas, amarelas ou vermelhas

Exalam perfumes, expandem olores

Como os morangos e as cerejas...


Há uma luva para cada mão

Há lábios para a reciprocidade

Também realidade na doce ilusão

O que importa é a felicidade!


Há uma estrela para cada observador

Ela cintila na noite enluarada

Nas escuras, no frio ou calor

No anoitecer e nas madrugadas.


Euclides Riquetti

Revisitando o Deus Negro (e os anos 70) - ( crônica de memórias)

 


 


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Ponte do Arco - União da Vitória - PR


          Não sei o porquê de hoje ter-me voltado à década de 1970, uma das mais produtivas de minha vida. Mas algo me impeliu a retornar a ela e, por conseguinte, relembrar de como era a vida dos jovens. Eu queria estudar, fazer uma carreira, construir uma vida digna, ter confortos que não tive antes, "ser alguém". E então  lembrei-me de pessoas que me apoiaram, me ajudaram... e também dos que me jogavam na vala da "ninguenzada".

           Quanta coisa contabilizei naquela década: Fiz 18 anos, terminei o curso de Técnico em Contabilidade, passei no vestibular, mudei de cidade, de estado, de trabalho, badalei muito, namorei,  terminei meu curso de Letras/Inglês, casei-me, tirei carteira de motorista, comprei meu primeiro carro, fiz concurso para professor, fiz minha casa, tive duas filhas, gêmeas. Ah, e escrevi algumas poesias que acabei jogando no lixo. Como gostaria de reavê-las! Apenas duas salvei, porque foram publicadas num livro, em União da Vitória e me restaram "Tu" e "Uma Oração para Você", esta muito significativa, que compus no verdor de meus 20 anos...

          Naquela década,  usávamos cabelos compridos, calças boca-de-sino e mais adiante pantalonas, camisa xadrez ou com estampas florais,  meias vermelhas, perfume Lancaster ou Pretty Peach. E, quem conseguia obter,  calça Lee ou Levi´s importada, indigo-blue. Era bacana ter jaquetas Lee ou então verde-oliva, a cor do Exército Brasileiro. Comprávamos distintivos "US Army" ou "Marinner", que aplicávamos nos ombros das jaquetas,  e isso era marca de prestígio perante a galera. Alguns conseguiam umas camisetas de malha de algodão que tinham a inscrição: "University of Californy" ou "Columbus University". Isso significava sucesso garantido.

          E as mulheres? Bem, a maioria delas também usava roupas assim, unissex. E a minissaia dos anos 1960 e as saint tropez  acabaram  substiuídas  por shorts curtos, aquelas meias "cabaret" e botas de cano médio ou longo. E, a partir de 72,  aquela onda de, no inverno, usar blusa de tricô e meia da mesma lã e das mesmas cores.

          Nos cinemas Guiliano Gemma fazia o Ringo derreter os corações das mulheres e as múscas italianas e  francesas que vinham nos compactos simples ou duplos e nos long-pays imperavam nas rádios.  A onda "inglês" veio meio junto, com  "The Beatles" em seu rock.

          Mas a grande onda da década veio por conta de uma ofensiva da Igreja Católica no sentido de mobilizar as novas lideranças jovens e reanimar as já maduras para suas lides religiosas.  Começaram com o cursíhos, obra iniciada na Espanha bem antes do que no Brasil.  Nunca participei de um, mas muitos amigos meus fizeram parte de ações cursilhistas. Jovens que optaram por deixar o seminário passaram a atuar como professores ou engajando-se nas atividades da Igreja. Inteligentes e com boa formação,  eram bons exemplos a serem seguidos.

         Foi nessa época que o corumbaense que foi para São Paulo aos 16 anos, Neimar de Barros, deixou o trabalho de junto à TV do Sílvio Santos, onde dirigiu os programas "Cidade Contra Cidade" e "Boa Noite Cinderela" e converteu-se de ateu para Católico Apostólico Romano. Tornou-se escritor poeta e pensador,  e passou a ter forte liderança dento da Igraja Católica. Visitou mais de 4.000 comunidades religiosas e vendeu mais de 4 milhões de exemplares de seus mais de 10 livros que escreveu nas línguas portuguesa e espanhola.

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          Em 77, quando eu me iniciava efetivamente no Magistério Catarinense, na Comunidade de Duas Pontes, hoje município de Zortéa, em Santa Catarina, a moda  era ler "Deus Negro", de Neimar de Barros. Logo depois surgiram outros livros dele e o que mais chamava  atenção era "O Diabo é Cor-de-rosa". Todos liam, recomendavam, iam passando adiante a idologia, o pensamento do convertido autor. E, em seu rastro,  também vinha o Artur Miranda, que conheci lá na Casa Paroquial de Capinzal.
          Em 1986 Barros concedeu uma entrevista à Revista Veja que fez grandes estrondos nos meios religiosos brasileiros. Declarou que estava infiltrado na Igreja a serviço da maçonaria ( o que nunca foi comprovado, acho que foi invencionismo dele), que estava descobrindo os podres da mesma e disposto a revelá-los para o mundo. E declinou diversas "vergonhas" que estariam acontecendo nos meios eclesiásticos. A repercussão foi das piores.

         Eu tinha lido justamente os dois livros que mencionei, entrei na onda da época, era imaturo, não tinha propriedade sobre minha opinião ainda. Fiquei muito revoltado com ele e mesmo os comentários que li sobre ele, oriundos de seus admiradores internautas, não me fizeram mudar em relação ao péssimo conceito que formei a seu respeito. Acho que ele foi ou oportunista, ganhando muito dinheiro e se promovendo em cima da de nossa Fé, ou  um baita enganado,  que usou de meios pouco legítimos para atingir  seus nebulosos objetivos.

          Acho que de bom alguma coisa restou nessa história:  muitos jovens, na época, foram surgindo como lideranças nas cidades, alguns que se conheceram nesses encontros até constituíram família, tornaram-se importantes gestores públicos e privados, empreendedores, educadores. Enfim, essa geração teenager que tornou-se adulta  naquela década, deixou filhos com elevado nível de formação pessoal e intelectual que estão espalhados pelo Brasil e pelo mundo,  fazendo sua parte no contexto de nossa história.

          No ano passado, dia 06 de maio, bastante debilitado em função do Alzaimer de que estava acometido, Neimar de Barros veio a falecer. Sua morte passou em branco. Não pela doença, mas por ter sido rejeitado pelos eus fãs em razão da falta de coerência entre o que pregou e o que deixou de concreto como exemplo. Caiu no ostracismo e os brasileiros o esqueceram. Só lembram de seu nome os pré-idosos que viveram em seu tempo. Os outros, só conhecem o Neymar que joga no Santos, baita craque de bola!

Euclides Riquetti
27-02-2013

Busque encontrar um porto seguro

 


 



Quando em seu coração houver turbulência
Estiver abalada, ferida de agonia
Busque reencontrar a calmaria
Faça seu pensamento navegar com maestria
E vá  buscar motivação para a existência.

Quando sentir que o céu de seu dia ficou escuro
E que o chão parecer ter-se aberto de repente
Cuide de analisar o que seu íntimo sente
Tome a atitude que precisar, firmemente
Para ir de volta ao seu porto seguro.

Busque encontrar quem lhe dê apoio
Irrestrito, amplo, incondicional
Pois quem ama, a ninguém quer o mal.

Procure agir de modo simples e natural
Na tarefa de separar o trigo do joio...

E se a tarefa lhe parecer difícil e espinhosa
Pense em mim, delicie-se com meus beijos
Na noite silenciosa, longa, silenciosa...

Euclides Riquetti

Preciso encontrar o sonho

 


 


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Preciso encontrar o sonho que não consegui sonhar
Aquele que desejei, mas não voltou na noite passada
E todos os outros antigos sonhos eu preciso resgatar
Todos os que eu sonhei ao longo de minha estrada.

Todos os sonhos bonitos eu os sonhei intensamente
Criei jardins onde coloquei você, jardins imaginários
Pintei-os com as cores mais lindas, pintei suavemente
Idealizei e coloquei você em todos os meus cenários.

Relembro com muito carinho dos sonhos e da realidade
Revivo cada momento em minha imaginação atiçada
Revivo beijos e abraços,  de tudo tenho muita saudade.

Relembro e quero a sonhar, ter sonhos simplesmente
Revivo porque quero sentir a emoção já vivenciada
Revivo porque quero sonhar, amar você eternamente!

(Bem assim...)

Euclides Riquetti

Para a felicidade, há receita?

 


 











Para a felicidade há receita?
Há alguma fórmula possível?
Por que é que você não tenta
Você e sua alma sensível?

Poderia ser seu belo sorriso
Ou um abraço terno também
Ponha seu olhar de paraíso
Em tudo o que nos faz  bem!

Misture um pouco do carinho
E de toda sua amabilidade
O amor que vem devagarinho
Que se transforma em saudade.

Coloque o doce de seus lábios
Acrescente seu jeitinho natural
Adicione os bons  presságios
E faça com seu encanto jovial.

Então, sorva tudo alegremente
Mas antes enfeite com flores
Sinta os aromas deliciosamente
De seu mundo de lindas cores!

Para a felicidade, amor e vida
E seu otimismo que contagia
A melhor receita redigida
É aquela que dá brilho ao dia!

Euclides Riquetti