sábado, 5 de setembro de 2020

Pra não ter mais volta



Corações quebrantados Sl 147



Amores desfeitos são pratos quebrados
São cacos de vidro espalhados
São corações dilacerados...

Amores desfeitos geram revoltas
São como as aves que se vão, sem escolta
Desprotegidas, ao vento, em ida sem volta...

Amores desfeitos que atormentam
Que abalam os que perdem e lamentam
Pensamentos firmes que se reinventam...

Assim, despem-se os corpos, desnudam-se
Choram as almas, transmudam-se
Passam os tempos e as situações se mudam!


Euclides Riquetti
05-09-2020





Quando a flor é transplantada







Quando uma flor é transplantada
E do jardim onde reina absoluta é retirada
E é transportada para um vaso isolado
Onde não tenha mais o sorriso estampado...

Quando os sentimentos perdem a sua liberdade
E os encantos naturais perdem a serenidade
Porque sua seiva da alma corre em tormentos
E não na tranquilidade em todos os momentos...

Quando já não se pisa em chão gramado
Mas em estradas de leitos duros, cascalhados
E já não se tem o rumo mais firme e certo
Porque parece que se vive num deserto...

Então é hora de voltar para um jardim
Misturar-se aos perfumes da rosas e jasmins
Porque o jardim é seu verdadeiro lugar
Onde possa receber e também possa dar

AMOR!

Euclides Rquetti

Mudar a cor da casa


Uma breve reflexão sobre a música Casinha Branca | Inspire

Eu resolvi mudar a cor de minha casa
Que já foi "vesper violet", foi "day dream"
Agora vai ficar branca, cor de paz  caiada
Mas vai ficar bonita, singela, bem assim!

Mudando para uma nova, clara, bela cor
Um brilho natural, decoração de paisagem
No jardim da frente, rosas de uma rósea cor
No de trás, laranjeiras com verde ramagem.

Mudanças fazem bem ao nosso digno ser
São ânimo para nossos dias, próprio ego-eu
Novos desafios nos motivam a melhor viver.

Caminhos sem volta podem ser entendidos
Mudar para despertar também os sonhos seus
Andar por caminhos novos e mais coloridos!

Euclides Riquetti
05-09-2020








Sabe, amor...

9 dicas românticas para escrever uma carta de amor | Familia


Sabe, amor...
Quando você disse que já não me amava
Desabaram sobre mim todas as tormentas
Foi como se eu tivesse uma febre virulenta
Foi como se o mundo já não me importava.

Sabe, amor...
Se eu aprendi a escrever poemas rimados
Eu também aprendi a escrever belas prosas
Que se você ler, verá que são minhas provas
De que eu ainda vivo em tempos abençoados.

Sabe, amor...
Esta canção eu fiz pra que você me entenda
Que há a vida me convidando a ir vivendo
Que há flores frágeis no campo a ir colhendo
Pra sentir que me importo e me compreenda...

Sabe, amor...
O ser humano não é dono de nada, nada
Nem mesmo pode dominar seus sentimentos
Muito menos controlar os vãos pensamentos
E não há como se desligar da vida passada!

Euclides Riquetti
05-09-2020










O som que vem da chuva

MARAVILHOSO som da chuva para dormir e relaxar - 2 HORAS!!! - YouTube


O mesmo som que vem da chuva
É o que refresca as brumas
O brilho que vem do olhar
Tem a cor verde do manso mar
O som que vem da natureza
Tem o cheiro nobre de uma realeza
Mas o som que chega aqui
Eu sinto que vem de ti!

O som grácil e prazenteiro
Anima meu sentimento fagueiro
O brilho do sol dourado
É meu aliado
As palavras que você escreve
São do amor que emerge
As negativas que saem de ti
Ricocheteiam em mim!

O som da nova primavera é maneiro
É contagiante e alvissareiro
Ele me anima em seguir em frente
A escrever versos em repentes.
O som que vem das plantas
A minha coragem agiganta
E meu mundo fica bem melhor
Pois se tinge de cor e de sol!

Euclides Riquetti
05-09-2020








O som que vem do tempo


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Escute, com seu coração, o som do tempo
Uma melodia agradável, afável, infinita
Uma música leve, divina, bonita
Escute, com seu coração, em cada momento
O som que vem... do tempo!

Escute e perceba a carga de sentimentos
A sensibilidade que aguça e que envolve
Até as lembranças que a vida não nos devolve
E que nos trouxeram dilemas e tormentos
No som que vem do tempo...

Não se importe  se ele não se move célere como o raio
Não se aflija  se ele não corresponde aos seus anseios
Não se intimide se ele a olha de frente ou de soslaio
Se ele vem beijar os seus lábios ou afagar seus seios
Mas escute o som... que vem do tempo!

O som do tempo, sim!
Aquele que vem para acalmar seu coração
Abrandar sua alma cheia de paixão
O som do tempo. Apenas ele, sim!

Euclides Riquetti

Momentos de melancolia






Perco-me em lanços de melancolia exacerbada
Divago nos leitos barrentos das estradas
Mergulho nos pensamentos pecaminosos
Navego nos caminhos pedrentos e tortuosos.

Meus olhos buscam uma luz de brilho azul
No sorriso de quem saiu dos pampas do sul
Pra campear nos rastros das dúvidas e incertezas
Nas águas turvas dos ribeiros e suas correntezas.

Riscam os céus  as nuvens brancas alongadas
Como filetes de fina lã branca e algodoada
São meus desejos de te encontrar na imensidão
São mazelas que maltratam meu pobre coração.

Melancolia, estradas, pensamentos e caminhos
Luz, sorriso, rastros, dúvidas e incertezas
Desejos, imensidão, coração e correntezas
Confusão, abalos, impotência, rosas com espinhos...

Melancolia... apenas agonia...
Mas tudo pode ser melhor
E isso só depende de nós!


Euclides Riquetti

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Na subida da maré




Na subida da maré
Deixei-me levar
Fui buscar os seus encantos
Nas ondas do mar.

Por conta da maré
Comecei a me inspirar
Imaginei lugares tantos
Onde a fui procurar...

Procurei nos pensamentos
Nas florestas e gramados
Senti o seu corpo  nos ventos
Deliciosamente perfumados.

Na descida da maré
Você foi embora
Foi pro sul se esconder
Nas lembranças de outrora...

Foi como os sonhos vividos
De quem deseja e quem quer
Sonhos de hoje, sonhos antigos
De menina mulher!

Bem assim, apenas assim!

Euclides Riquetti

O Assalto Frustrado em Ouro há 40 anos - de como o Sargento Morosini frustrou o assalto!

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          Setembro de 1980, eu havia voltado há poucos meses ao Ouro.  Lecionava na Escola Sílvio Santos. Em setembro, a oportunidade de ganhar um dinheirinho extra. Fui contratado para trabalhar durante o mês  na execução do serviço de recenseamento de toda a área urbana do município. Lá fui eu, de casa em casa, mapa da cidade na mão, maletinha  do IBGE sob o braço.  Era a época ideal para isso, estávamos  fugindo do Inverno, prestes a chegarmos à Primavera.

          Meu supervisor era o Rogério Baretta. Fizemos, em agosto, o  treinamento nas dependências do antigo Ginásio Padre Anchieta, juntamente com o pessoal de Capinzal. Naquela cidade, lembro que havia o Bragato e o Régis Golin atuando. Eu tinha outros companheiros: o Dirceu Cadore, popular Cadorna, na ára rural, e Francisco Miquelotto, na região de Linha Sete de Setembro. Lembro bem desses.

          Eu havia ficado oito anos morando fora, entre Porto União da Vitória e Duas Pontes, hoje Zortéa. Muitas pessoas não me conheciam mais. Comecei pelo centro da cidade, fui para o Bairro Navegantes e depois para o Parque e Jardim Ouro. Havia, no máximo, trinta famílias somando-se os dois bairros.

          Tenho alguns  fatos que ficaram fortemente registrados em minha memória. Primeiro, quando fui fazer o censo na casa do João Tessaro, ali na Rua Pinheiro Machado, ao terminar, agradeci a atenção da Dona Jaci e ela foi cuidar de seus afazeres domésticos. Ao descer da escada, revestida com cacos de cerâmica, foi "um tombo só". Fui parar lá na rua. Olhei para todos os lados e não vi ninguém, graças a Deus. Ia ser uma vergonha para mim. Uns pequenos esfolões, mas o produto do meu trabalho estava salvo: a maleta preservada, com os formulários dentro. Os óculos, que voaram longe, também intactos. Bem, os esfolões seriam resolvidos com um pouco de mertiolate...

          Dias depois, o maior e mais inesperado ( e inusitado) acontecimento da história de minha cidade: o assalto ao Banco Bamerindus. Lá trabalhavam alguns amigos e alunos, dentre eles: Minha futura cunhada, Marise Früauf, a Zanete Helt (Miqueloto), que virou minha comadre, O Ladir Reina, filho do Texaco, o Ivan Vitorazzi, sobrinho de minha madrinha Raquel, e o vigia, Onorino da Silva, irmão do Terto, e outros.

          Três bandidos, sendo um  menor em idade, que vieram de São Paulo para trabalhar na construção de um frigorífico em Capinzal, realizaram o assalto ao Banco, no horário de almoço.  Lembro que fecharam alguns funcionários no banheiro. Minha cunhada estava voltando do almoço com meu irmão, Piro,  e viram que o assalto estava acontecendo. Tiveram sorte. Funcionários, como o Texaco e o Onorino, foram feridos.

          A notícia espalhou-se em instantes pela cidade.As pessoas colocaram um caminhão atravessado em cada saída da Felip Schmidt para que os assaltantes não pudessem fugir. Lembro que algumas pessoas atiravam contra o Banco, como o Sr. Santo Segalin, com espingarda, e o Rangel, conhecido como  "Alemão da Carlota",  com seu 38.

          Mas a bravura maior veio com o então Delegado de Polícia, Sargento Pedro Morosini, que adentrou à agência dando tiros nos bandidos. Até saía fumaça pela porta, de tantos tiros trocados. Quando acabaram as balas, de ambos os lados, os assaltantes partiram de faca para cima do amigo  Mosorini, que acabou sendo projetado por sobre um banco de corvin preto (aquele em que a gente senta na frente do gerente para pedir empréstimo...) e ficou  defendendo-se com os pés.  Levou golpes de  faca na cabeça, tendo, inclusive, restado uma ponta de faca alojada ali  próximo do cérebro. E alguns chumbos de tiros de espingarda restaram cravados em seu pé.

          Foi um grande e sangrento combate: Ao final, dois assaltante mortos, estendidos ao chão. E o menor, sendo conduzido a pé, pelo Carleto Póggere, que o segurava pelo pescoço com o braço esquerdo e carregava seu revólver na mão direita. Encontrei-o e ele me disse: "Esse não vai incomodar mais ninguém", e o levou para a Cadeia do Ouro. Este, depois, foi recambiado para São Paulo, terra de origem.

          O Delegado Morosini teve muitos ferimentos. Mas, com coturno nos pés, defendeu-se bravamente dos golpes de faca desferidos contra ele. E teve muita sorte de sobreviver.

          Nos dias que se seguiram, o pânico rondava as casas. Mal escurecia e todos trancavam portas e janelas. O trauma levou muitos meses para ser amenizado. Eu lembro que, quando fui fazer o censo na casa do Serafim Andrioni, a esposa dele não queria abrir a porta porque não me conhecia. E, na época, a cidade tinha 6.000 habitantes. Só depois que eu disse que era o filho do Guerino Riquetti que havia estudado em Porto União e voltado para casa,  que ela concordou em abrir.

         Seguramente,o assalto  foi um fato que ficará registrado em nossa Hístória. Já são 40 anos passados. Mas, coisas assim, a gente não esquece nunca...

Euclides Riquetti

O site www.radiocapinzal.com.br  traz, hoje, 04-09-2020, uma bela entrevista com o advogado Dr. Pedro Morosini, onde ele relata os momentos dramáticos vividos por ele na ocasião. Leia!

Enquanto ouço teus mantras



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Chove na tarde cinzenta
Uma chuvinha entristecida
Que cai leve e lenta
Com cheiro de despedida.

Chove a chuva esperada
Para mais um mês de inverno
Uma garoinha abençoada
Como um abraço fraterno.

Uma chuvinha discreta
Sem ventos, na calmaria
Para animar o poeta
A escrever sua poesia.

Uma chuvinha deliciosa
Que me inspira a poetar
Pensar na mulher carinhosa
Que me faz sentir e  sonhar.

Chove, sim, a chuva redentora
Que reanima almas e plantas
Que torna a vida promissora
Enquanto ouço teus mantras...

Euclides Riquetti

Capinzal - terna, doce, amada...



Concurso Prefeitura de Capinzal - SC •




Capinzal - terna, doce, amada...

Capinzal - terna, doce, amada, sedutora
Palco da harmonia nas veredas matizada
Repousa em paisagem sutil, encantadora
Nos lábios de teus rios, és musa abençoada.

Capinzal - mãe a abrigar todas as gentes
Palco em teto de céu anil, de um paraíso
Magnífica urbe sob raios reluzentes
Bendiz a todos com teu vívido sorriso.

Capinzal - formidável, real e altaneira
Em tuas artérias se movem corpos e almas
Do teu âmago emerge a história verdadeira.

Capinzal - Rainha Nossa, do abraço franco
Reverenciada Senhora, serena e calma
Protege-nos, todos, com teu Divino Manto.

Euclides Riquetti





(Soneto que compus especialmente para a contracapa do meu livro "Crônicas dos Antigos
Rio Capinzal, Abelardo Luz/Ouro e Arredores" - edição de 2020 - lançamento programado para 18-03-2020 - mas adiado sine die em razão da Pandemia do Novo Coronavírus. 

Mimosa


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Mimosa potranca buenaça
Baita chinoca, macanuda, conservada
Tu me levas a afundar-me na cachaça
Mimosa potranca buenaça.

Tu que jogas no meu corpo o vil cansaço
Tu que espantas a tristeza do galpão
Espreitas o manejo de meu laço
Mas recusas entregar-me o coração.

Tu bem sabes que és a dona do pedaço
Sabes ser de qualquer taura a perdição
Teu olhar reprovador é um talagaço
Fere mais do que o tapa de tua mão.

Gauchona pra ti olho e te tenteio
Gauchona olha pra mim, deixa de estória
Vem me abraçar, vem pra mim sem mais rodeio
Vem me querer, ou te pego qua gibóia.

Sou um cabra atucanado e provocado
Pelos olhos da gaúcha mui viçosa
Essa potranca vai levar todo o meu gado
Vai me deixar coçando a pança essa mimosa.

Vai embora, vai mulher de tentação
Vai te  fartar com outro trouxa que não eu
Suma, te percas na cinzenta imensidão
Deixa que a paz venha seivar meu coração.


Euclides Riquetti

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Lenda de São João Maria, o monge andante


A fé no Monge João Maria – E a Canonização popular | Click Riomafra

      Ao longo dos dois últimos séculos, era normal se verificarem pessoas andantes das estradas, a maioria sem identificação, que levavam em si segredos os mais diversos. Eu mesmo conheci algumas, em minha adolescência. Despertavam a curiosidade dos moradores das cidades e mesmo das comunidades interioranas. Além desses, outras figuras religiosas marcaram época no Vale do Rio do Peixe, como Frei Bruno, na região de Joaçaba; e Frei Crespin Baldo, no antigo Rio Capinzal, em Linha Sete de Setembro, no local onde está instalado hoje do Distrito de Santa Lúcia, em Ouro.
       Tanto Frei Bruno como Frei Crespin têm atribuído a si a prática de milagres, especialmente pela realização de curas. Sobre Frei Bruno, é dito que ele andava pelas ruas com seu cajado, cumprimentando a todos e dando conselhos a quem os pedisse. Era um andante urbano. Contam que, deslocando-se entre Joaçaba e Luzerna, seguia sem interromper a viagem em que se aprofundava a meditar, e era possível que fosse localizado em ambos os lugares ao mesmo tempo.  Depois de sua morte, as pessoas passaram a pedir a ele a intercessão para operar curas de seres portadores de doenças graves, quando que em estado quase que terminal. Relatos nos dão conta de que muitas foram as graças alcançadas por seus fiéis seguidores que, cada vez mais, lhe devotam a Fé.
       Frei Crespin, morreu num acidente de jipe, na Linha Entrada, em Capinzal, quando ia com outros frades a Curitiba para um encontro religioso. O jipe tombou sobre ele e sua boca acabou calcada num pequeno buraco de uma valeta, tendo morrido afogado, após a ingestão de água e barro. Igualmente, é venerado por todos os que o conheceram. Eu mesmo fui abençoado por ele quando criança, nas proximidades da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, em Leãozinho, Ouro, quando este ainda pertencia a Capinzal. O processo de canonização de Frei Bruno está em fase bem adiantada, enquanto que, com relação a Frei Crespin, há uma tentativa inicial, ainda incipiente.
       Mas é certo que, muito além do que consta nos relatórios escritos, há muitas histórias sobre ambos andando de boca em boca, de coração em coração. Algumas revestidas de acréscimos em razão do entusiasmo de pessoas que acreditam em ambos, e no seu poder de curar.
       Lá em Leãozinho, Ouro, uma vez, ainda à época de Crespin, um andarilho esteve na gruta de Nossa Senhora de Lourdes e, por ser época de inverno, ao final da década de 1950, ele se alojou numa benfeitoria da Capela local, um pequeno galpão perto do rio que dá nome à comunidade, acendendo um fogo, de repente com alguma técnica que conhecia, uma vez que não portava fósforos nem isqueiros. Estive lá com uma das filhas de meu padrinho, João Frank, que me criou a partir de meus 13 meses de vida, até meus oito anos, quando voltei à família de meus pais, para frequentar a escola rudimentar. À época, houve muita especulação sobre a identidade daquele homem, que nada pedia, pouco falava, e muito rezava. Um saco velho de algodão, com alguns pertences, era tudo o que possuía. Meu padrinho, um homem justo e de bom coração, mandou-nos que lhe levássemos comida, frutas, açúcar mascavo, pão, vinho, salame e café com leite. Fomos lá, entregamos e percebemos uma tênue alegria no rosto sofrido daquele senhor, que nos agradeceu e abençoou.
       Histórias de andantes pelas estradas também ouvi de meu avô, Victório Baretta, em Linha Bonita, em minha adolescência. Ele era bodegueiro no interior de Rio Capinzal, no Distrito de Ouro, e recebia pessoas em seu casarão de nove quartos, uma sala comercial e duas outras, um escritório, uma cozinha e o compartimento do lavador de louças. O banheiro ficava instalado num galpão à parte, onde se localizava o tanque de lavar roupas, que recebia água de bica. Um chuveiro de campanha, em zinco galvanizado, um paiol capaz de armazenar mais de mil sacas de milho em espigas, cerca de três mil dessas, um considerável armazém, estábulos e chiqueiros completavam o conjunto da propriedade. Era normal ver andantes de alojando em alguma das benfeitorias. Os viajantes, mascates, que deixavam seus animais na casa de pasto, eram acomodados em quartos do casarão. Eu mesmo vi muitos desses andarilhos, que andavam me parecia sem rumo, mas que todos sabiam rezar e agradeciam, respeitosamente, pelo abrigo e comida que nossa família lhes dava.
       No início dos anos setenta, me deparei com um volume de histórias muito interessantes sobre um monge que teria vivido no Vale do Rio Iguaçu, que andou pela região da Lapa, Ponta Grossa, Guarapuava, e Porto União da Vitória, na região em que fervilhou a Guerra do Contestado, e vindo mais ao Sul, propriamente em Lages, Curitibanos e Campos Novos, e no Norte do Rio Grande do Sul. O Monge João Maria, como era chamado, que pode ter sido apenas um homem ou dois, ou mesmo três, segundo contam, certamente que com o sobrenome de Agostini, depois Agostinho; ou João Maria de Jesus. As informações, no entanto, nos levam a crer que era o mesmo homem, com características bem peculiares. Seria um curandeiro, um místico, um conselheiro, um contador de histórias, um religioso, ou um fugitivo da Lei? Imagino, pelo que ouvi sobre ele, ao longo de minha vida, ser um misto de tudo isso, um ser humano de grande alma e coração, capaz de operar milagres, de influenciar positivamente e psicologicamente as pessoas que acreditavam nele, um receitador de chás de ervas, incentivador de que rezassem a Jesus, um andarilho capaz de fazer andarem os paralíticos e de repor o sorriso no rosto dos deprimidos. E assim é construída uma aura em torno dele. É o herói humilde, com muito caráter, o benfeitor e defensor dos fracos e oprimidos, muitas vezes adorado, e por alguns rejeitado, pois representaria perigo para os poderosos, em razão de verdades pronunciadas em suas palavras.
       Por outro lado, é dito que, nos lugares onde era mal recebido, lançava pragas que, em pouco tempo, se concretizavam. Monge ou profeta, predisse muitas coisas que calaram na mente das pessoas, em especial dos sertanejos do Sul do Brasil, e que foram sendo passadas adiante, oralmente. Um monge leigo, que usava roupas velhas, talvez uma túnica de sacerdote muito desgastada, um gorro na cabeça, sandálias muito rústicas, um saco velho, de algodão encardido, uma velha Bíblia e um cajado. Seus discursos ou sermões encantavam os ouvintes, humildes, falando do fim do mundo, de coisas que iriam acontecer. Profetizou: “Chegará um tempo em que ninguém saberá quando será inverno nem verão”, e isso se verifica, hoje, nas constantes anormalidades climáticas.  “Plantem o que dá debaixo da terra”. “As mulheres tomarão uso da vestimenta dos homens”. “Filhos e filhas não obedecerão seus pais, haverá filhos contra os pais e pais contra filhos”. “Haverá uma águia de aço carregando gente” (avião). “Haverá um burro preto carregando gente” (carro). “Um gafanhoto de aço roncador destruirá as florestas” (motosserra). “Uma cobra preta cruzará toda a região e engolirá muita gente, por ela só caminharão pés de borracha” (asfalto e carros).
       Também é dito que, quando das tempestades, o Monge ficava sentado ao relento, mas não se molhava. Ainda, que era capaz de estar, ao mesmo tempo, em dois lugares, rezando numa gruta e curando um doente numa casa. Jamais os índios ou os animais selvagens o atacavam. Fazia surgir olhos d´água nos lugares em que pousava. Curava doentes com infusões da planta conhecida como vassourinha, e suas rezas. Ainda, dizem que, uma vez, após jejuar por dois dias, dois anjos o levaram para o céu. No entanto, muitas são as versões sobre a data e o local de seu desaparecimento.
       As histórias contadas sobre o Monge são muitas e são propagadas ao longo dos últimos dois séculos. A mais recente, surgiu em União da Vitória, após a Enchente de 1983, que fez subirem muito as águas de três rios que banham Santa Catarina: Iguaçu, na divisa de nosso estado com o Paraná; Rio do Peixe, que corre de Norte a Sul; e Rio Itajaí, que vai do Planalto ao leste, desaguando no Atlântico. Dizem que, numa das passagens de João Maria por União da Vitória e Porto União, passou pela casa do Coronel Amazonas Mendes Marques, proprietário de embarcações que transportavam gente e mercadorias pelo Rio Iguaçu. Com sede e fome, foi recebido pelo Coronel, que residia à margem Norte da Ferrovia denominada, à época, Rede Viação Paraná-Santa Catarina, no hoje Bairro São Cristóvão. Recebeu da família do Coronel Amazonas comida para matar sua fome e água para saciar sua sede. Disse, então, ao Coronel, que um dia haveria uma grande inundação, e que as cidades gêmeas, Porto União e União da Vitória, iriam ficar submersas às águas do Rio Iguaçu, parando de subir quando chegasse ao último degrau da escada com que as pessoas chegavam a sua residência. Pois, na Enchente de 1983, a maior da história e que causou danos irreparáveis a catarinense e paranaenses, isso se concretizou: quando a água chegou ao último degrau, seu nível parou de subir. E, dias depois, foi lentamente se normalizando, com o Iguaçu voltando, normalmente, ao seu leito. Visitei, pessoalmente, algumas das fontes abençoadas pelo Monge, que costumava acampar-se ao lado delas: a da Água Santa, em Zortéa; uma num mato no acesso à fazenda Nossa Senhora de Belém, de Alceu Saporite, nos campos de Água Doce; e o “pocinho” de “São João Maria”, no Morro da Cruz, em Porto União. Ali, muitas crianças são até hoje batizadas, inclusive alguns de meus familiares o foram.
       Sempre que conduzo turistas para o Vale do Rio Iguaçu, na condição de condutor cultural, tenho passagem obrigatória pelo Pocinho de São João Maria, onde pelo menos duas esculturas talhadas em madeira o mostram com a imagem com que as pessoas verdadeiramente o conhecem. Ali são feitas orações e há muitas imagens de santos levadas a ele. São a simbologia dos supostos milagres que ele realiza. Eu mesmo compus a “Oração do Monge São João Maria”, que tem sido espalhada para o mundo através da internet:

       Oração ao Monge São João Maria


Nas plagas de Taquaruçu
Nas grutas do Vale do Peixe
Nos morros e planaltos do Sul
E onde que a memória deixe
Ou nas raízes do Iguaçu
Neste chão catarinense
Os revoltosos exclusos
Mexeram com as almas das gentes.

Cruzes espalhadas nos morros
As fontes benzidas das águas
Gemidos pedindo socorro
Corações cheios de mágoas
O velho do cajado e do gorro
Pés descalços e mãos calejadas
São João Maria do bom povo
Abençoe minhas simples palavras.

O manto de trapo que cobre
Um corpo esguio e indefeso
Esconde as origens de um nobre
Que tem por justiça o desejo
São João Maria a esses  pobres
Dá tua bênção, teu conselho
Abençoa os caminhos em que corre
O rejeitado sertanejo.

Monge João Maria da oração
Olha pro céu anilado
Que tomou-me a casa e o pão
Que fez de mim um coitado
Dá alimento ao meu coração
Que anda nos caminhos jogado.

E, entre anjos e arcanjos
Nas imensidões de um além
Perdoa até mesmo os tiranos
Paz para eles também
São João Maria, Homem Santo
Homem que lutou pelo bem
Que reine a harmonia em todo o canto
E que Deus nos diga amém!

       São João Maria, líder espiritual do sertanejo sul-brasileiro, para onde quer que tenha ido parar seu corpo, em algum lugar da América do Sul, deixou sua alma vagando para alojar-se em muitas das fontes onde repousou. Um curandeiro, milagreiro ou um místico andarilho, o Monge Andante, a quem respeito como Santo, por quem já rezei, a quem já pedi proteção, abençoa o povo brasileiro!

Euclides Riquetti – Joaçaba – SC – novembro de 2018 - publicado somente em 03-09-2020

A generosidade que me encanta


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A sua generosidade não me surpreende, me encanta
Assim como me encanta o céu na negritude estrelada
E isso provém de quem tem uma alma doce e santa
Porque você é digna, nobre, divinamente abençoada!

A generosidade que vem da sua alma bondosa e pura
Atribui-lhe as virtudes singelas que eu mais aprecio
Os seus gestos de amor trazem-me carinho e ternura
Quando você me sorri feliz, igualmente eu lhe sorrio!

Em tempos de Natal e das suas festas tão esperadas
Algo ainda maior toma conta de seu belíssimo ser
E sua bondade deixa as pessoas ainda mais animadas.

Então, o filme da vida me reprisa todos os momentos
E me mostra como é bom poder cantar, sorrir e viver
E ver nossos sonhos se eternizando através do tempo!

Euclides Riquetti

O Voo dos Condores no Vale Nevado


Condor andino Banco de Imagem | k33395678 | Fotosearch


Sobrevoam os condores os altos e montanhosos Andes
Onde a neve colore as rochas com sua espuma branca
Onde o cobre mineral cinge de verde os pétreos gigantes
E os esquis deslizam céleres por sobre a nívea manta.

Os condores voam e revoam em bandos sobre o casario
Poucos prédios que alojam os curiosos visitantes
O sol queima aqui fora, lá dentro impera o gélido frio
E eu contemplo a paisagem branquicenta à nossa jusante!

Ficam pra trás as marcas fundas de meus curtos passos
Ficaram para trás as marcas profundas de minha vivência
Histórias que envelhecem meu rosto, cansam meus braços...

Olho para o futuro enquanto admiro o extenso vale nevado:
O que será de mim no contexto da efêmera existência?
Miro o futuro revendo todo o contexto do meu passado!

Euclides Riquetti
03-09-2020