quarta-feira, 13 de maio de 2020

És meu fogo...sou tuas lenhas...

 






Meus sonhos transpõem a imensidão infinita
Na fria madrugada do outono insensato
Buscam te reencontrar formosa e bonita
Para levar-te meus beijos e meus abraços!

Meus sonhos navegam para além das paredes
Buscando encontrar teus afagos e carícias
Para encontrar, em ti, a água para minha sede
Para saber como estás, ter tuas boas notícias.

Meus sonhos não têm limites e nem fronteiras
Voam, livres, pelo incógnito espaço sideral
Para abraçar tua nudez inspiradora e faceira...

Eles vão para ter a ti e para que tu os tenhas
Para nosso colóquio amoroso e magistral
Pois tu és meu fogo e eu sou tuas lenhas.

Euclides Riquetti

Você é meu sol, o sol de minha vida


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Você é meu sol, é o sol de minha vida
Que brilha e me dá o ânimo necessário
O sol que se estende na praia comprida
Onde caminho em meu trajeto diário...

Você é o sol que doura aqueles corpos
Que os deixa mais bonitos, desejáveis
Que ilumina galés paradas nos portos
Onde eu lembro de momentos afáveis.

E você sendo meu sol, me dá um norte
Um rumo seguro em que possa trilhar
Um aroma exalado, um perfume forte.

E eu, sendo um ser que precisa de amor
Preciso do sol que você está a irradiar
Absorver seu carinho, seu suave calor!

Euclides Riquetti

Love stories (Minha índole romântica)

 







     Histórias de amor, quem não gosta de ouvi-las? Histórias de todas as eras, buscadas nos livros os vistas nos filmes, sempre me encantaram e, acredito firmemente, até o mais rude ( e fingido) dos mortais, tem o seu lado romântico. Por conveniência, (ou por machismo), alguns o escondem, disfarçam, mas isso sempre acaba vindo à percepção das pessoas.

          Ah, quantos livros tu leste, leitor (a), em tua juventude, em que o foco romântico estava presente, em primeiro plano? Quantas revistas compraste ou trocaste, como as "Capricho", "Ilusão", ou "Sétimo Céu"? Depois, adiante, quantas garotas não leram "Sabrina"? E, quantos de nós, não lemos os livros de Camilo Castelo Branco, José de Alencar, ou os apimentados romances de Jorge Amado? Tu vais, certamente, lembrar de dezenas, centenas de outros autores...


          Mas, as histórias que vimos nos filmes, em nossa juventude, jamais esqueceremos. Além daqueles  românticos musicais, normalmente estrelados por jovens atores/cantores italianos, tu lembrarás de outros dois grandes sucessos do cinema: Romeo and Juliet (1968) e Love Story (1970), que viste no Cine Glória, de Capinzal, no Odeon ou no Ópera, de Porto União, no Avenida ou no Vitória, de Joaçaba, ou ainda no Marrocos, de Lages, nas salas de cinema de Curitiba ou Florianópolis.  Que belas histórias de amor esses cinemas nos ofereceram! Esses e outros, que em sua maioria viraram templos, lojas, supermercados ou até hotéis...

          Hoje, porém, quero  indicar-te  um filme muito bonito, para ti que gostas de romance, de paixões arrebatadoras, ou mesmo de tenros  contos românticos: Assisti, há instantes, ao filme do diretor franco-americano Iann Samuell, uma das revelações do gênero, a "My Sassy Girl", que tem tradução em Português como "Ironias do Amor", mas que poderia  ser mais ou menos assim: "minha garota doidinha".

           "Ironias do Amor", de 2008, é mais uma daquelas produções que os americanos fazem para encantar o mundo. Conta a história de Jordan (Elisha Cuthbert - 30-11-1982, canadense), e Charlie (Jesse Bradford - 28-05-1979, norteamericano). Charlie salva Jordan de morrer, atropelada por um  trem de metrô, fazem uma amizade de 33 dias e, depois, pactuam afastar-se por um ano... Depois de um ano e um dia, encontram-se, e vem uma grande surpresa.  Apesar de muito jovens, a bela Elisha e o tímido Jesse, têm uma filmografia que inclui mais de 20 trabalhos cada um entre cinena e TV.

          Entretanto, a história romântica vivida pelos dois, não vou tirar o prazer de que a descubras, tu mesmo (a), no google ou nas locadoras. É de mexer com os corações mais duros,  e de roubar lágrimas de todas as que ao filme  assistirem.

         É, os tempos passam para todos nós. Mas as  coisas bonitas ficam. Alguém, numa poesia que escrever, num romance que editar, num filme que produzir, vai remeter-te ao sensível e profundo mundo do amor, do sentimento, da percepção romântica. Eu, estou nessa há muito, muito tempo...

Euclides Riquetti
02-07-2012

terça-feira, 12 de maio de 2020

Sol de outono ... que saudade!

 

 

Sol de outono
Resteia no teu acanhado e belo corpo
Secando o orvalho do gramado
Reativa teu pensamento absorto
E reconforta  meu  ânimo abalado.

Sol de outono
Não é apenas mais um sol que brilha
Não é um sol comum do verão:
Reanima uma alma maltrapilha
Aquece o frágil e tímido coração.

Sol de outono
Sol de dimensão universal
Astro Rei semi-hibernado
Da natureza és o  Deus maioral
Tu  clareias o Universo iluminado.

Sol de outono
Oculto nas frias manhãs de inverno
Reinarás  na primavera ainda ameno
E, no verão, com teu Poder Eterno
Virás de novo:  Rei-Deus, Soberano Extremo!

Sol de Outono, brilha no teu amado coração
Faze penetrar, nele, toda a minha paixão!

Euclides Riquetti

O político inquieto e o noviço rebelde


Um casamento que não deu certo!


       As querelas entre o Presidente Jair Bolsonaro, os três Poderes e a Imprensa seriam cômicas se não fossem trágicas. Mais recente, é a encrenca com seu ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, o ex-juiz Sérgio Moro. Bolsonaro é um político inquieto e Moro um noviço muito rebelde. Os dois estão errados, ao meu ver.

      O presidente erra feio ao soltar o verbo desenfreadamente, falando coisas que não combinam com sua condição de mandatário mor da Nação. Dá maus exemplos ao misturar-se a seus seguidores ao não usar máscara protetora contra o coronavírus. E ainda cometeu duas impropriedades imperdoáveis: a primeira quando falou que isso não passava de uma gripezinha e a segunda quando falaram que estava morrendo bastante gente e ele falou “E daí?”  A situação atual mostra que foram duas escorregadas feias, pois o número de mortes e de casos de contaminação está crescendo assustadoramente. E, qualquer ser humano, da estirpe que seja, não pode fazer uma pergunta tão descabida e idiota como a tal “E daí?”, algo muito elíptico e sintético, mas de uma significação muito grande. Em meu curso Universitário aprendi que “a comunicação é o ato de influenciar os outros”. Por isso mesmo, aquilo que a gente fala precisa ser bem medido. E muito mais por quem ocupa importante função pública.

      Quanto ao ex-ministro, colocou-se igualzinho àquelas pessoas que perdem o namorado ou namorada para a concorrência e começam a lavar sua roupa suja através da internet, protagonizando barracos horríveis. Publicar mensagens que trocou com uma deputada, sua afilhada de casamento, é imperdoável. Até um ignorante poderia ser perdoado por um deslize assim, mas um advogado, uma pessoa de fama mundial, merece as críticas dos que se revoltaram contra ele. E, sendo ele um assessor de governo, se em algum momento foi coagido pelo presidente a intervir ou a fazer algo ilícito, na hora teria que pedir demissão, denunciar seu ex-chefe,  e não o fez: prevaricou!

       A briga entre o inquieto e o noviço rebelde vai render muitos capítulos folhetinescos nos próximos meses. Desgaste para ambos os lados, embora muito maior para Moro, pois de Bolsonaro tudo se pode esperar. E também de seus seguidores.  É dito que nos processos da Lava Jato Moro  deixou acontecerem vazamentos que lhe convinham. Comportou-se, visivelmente, como um antipetista, não agindo com a mesma severidade com os psdebistas. Imitou um Juiz Italiano, aquele da operação Mãos Limpas, admitiu isso publicamente. A vaidade o levou a aceitar ser ministro e não devotou fidelidade a quem o convidou. Devia ter medido o comportamento do Capitão quando de sua atuação na Câmara dos Deputados. Moro tem suas ambições políticas, agiu midiaticamente, buscou sempre os holofotes e tem traços de egocentrista.  Como político, perde de longe para Luiz Henrique Mandetta  que, quando saiu do cargo de ministro, agiu com esperteza, não gerou confusão e não atraiu a ira contra si. Conheci pessoas que tinham o comportamento que o juiz teve e se deram muito mal na política. Em 5 anos, conseguiu inimizar-se com a esquerda, pela obstinação em condenar Lula, com o centro, por colocar na cadeia seus patrocinadores e os a eles aliados para obtenção de vantagens financeiras, e com a direita bolsonarista. Pode até ser que o futuro lhe seja muito favorável, mas não tenho  nenhuma confiança nisso.

      Os jornalistas de ar-condicionado e os de necrotério passaram a dar muita importância à política, dando trela a quem quer se promover. Há muitos assuntos que estão sendo esquecidos pela mídia. Os feminicídios estão acontecendo, as mortes no trânsito também, a violência em assassinatos, os homicídios por causa do comércio das drogas e as apreensões de grandes volumes de drogas ilícitas e lícitas estão acontecendo aqui no Sul.  Quando as atenções se voltam todas para um lado, o outro lado passa a ser despercebido. Não se fala em estatísticas das ocorrências, mas quem acompanha os sites regionais e estaduais aqui do Sul sabe muito bem quantas mortes e quantos crimes estão ocorrendo. Enquanto isso, silenciosamente, as candidaturas a prefeito e vereador seguem sendo articuladas. Também sou daquele que a retirada de circulação de políticos indesejáveis deve ocorrer pelo voto. Aguardemos e veremos...

Euclides Riquetti – Escritor – www.blogdoriquetti.blogspot.com




Alegria de sentir saudade

 





A cor do teu beijo
É de tom vermelho
E brilham os olhos teus
Que seduzem os meus.

O sabor do teu sorriso
E o cheiro de teu cabelo liso
Me encantam, me embriagam 
E, meus pensamentos, divagam...

Se hoje é dia de comemorar
À vida devemos brindar.
Enquanto o sol vem e vai
Bronzeia tua pele e sai...

Feliz seja nosso novo dia!
Que venham montes de alegria
Alegria pura, alegria de verdade
Alegria de sentir saudade!

Euclides Riquetti

Eu e meus pecados - o último poema

 

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Aqui estou, meu Senhor
Eu e meus pecados
Não queremos muito, não
Apenas sermos perdoados.

Eu, por havê-los cometido
Por ter perdido,  às vezes,  a razão
Por não ter escutado meu coração.
Eles, por me terem seduzido.

Somos,  ambos,  duas almas descuidadas
Merecemos, assim, o incondicional  o perdão
Não somos da história o vilão
Queremos nossas culpas deletadas!

Preciso em minh' alma toda a alvura
Inicar 2013 novinho em folha
Então, peço perdão, não tenho escolha
Perdoa-me, Bom Senhor lá das Alturas!

Falo por mim e por meus pecados
E por isso mesmo já vou escrevendo
Não podemos terminar dezembro
Sem que sejamos perdoados
Eu... e meus pecados...

Perdão, Senhor, perdão!!!
Euclides Riquetti

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Eu queria te falar das rosas

 

Eu queria te falar das rosas
Bonitas, vermelhas, cheirosas...
Falar de suas múltiplas cores
Falar das paixões e dos amores...

Eu poderia falar dos cravos
De valentias, de feitos bravos
Falar de seus odores suaves
Falar de coisas fugazes...

Eu falaria de belas camélias
Ou de gerânios e bromélias
Mas prefiro falas das singelas
Flores do campo amarelas...

Flores amarelas atraentes
Doces como lábios envolventes
Amargas como as despedidas
E as desilusões de nossa vida...

Flores, eu queria falar delas
Mas nunca poderei me esquecer
Enquanto minha vida eu viver
Das florezinhas amarelas!

Euclides Riquetti

Preciso do vento que vem do mar

 




Eu preciso do vento que vem do mar
Preciso da lembrança para me embalar
Preciso do sol nas tardes e manhãs
Preciso de ti nas tardes e manhãs
E no sonho tenro que a noite me traz.

Preciso afirmar minhas convicções
Rever conceitos que me vêm e apago
Conter meus impulsos e frear emoções
Preciso do alento de teus afagos...

Sou como a mão que alinha tijolos
Dispondo-os simetricamente
Como o profeta que prediz os sonhos
Sonhadamente
Como poeta que empilha versos
Livremente, harmoniosamente!

Mas preciso de ti para formatá-los
E só para ti lê-los decerto
E só tu os ouças por certo.
Preciso...

Euclides Riquetti

Como um beija-flor

 





Qual beija-flor, vou planando por aí
De planta em planta, de flor em flor
Qual beija-flor, preciso e quero sentir
Da rosa e do cravo o delicioso sabor.

Qual beija-flor, busco seus lábios
E trago-lhe os néctares mais divinos
Busco-me inspirar em velhos adágios
Para lhe compor versos bambinos.

Qual beija-flor, degusto suas plantas
Todas elas, das cravilhas  às roseiras
Ouço a canção que você ouve e canta
Pois quero amá-la pela vida inteira.

E, quando andar, animada nas ruas
Sinta que sou um beija-flor presente
Alimentado pelas lembranças suas
Uma avezinha solta, feliz e contente!

Euclides Riquetti

Zina e Breca - Cachucha e Cride - uma história real!

 
Estação Central de Porto União da Vitória - à esquerda do leitor,  União da Vitória, Paraná. À direita, Porto União - Santa Catarina - cenário desta história real. 





Neuzina Fischer - a Zina - faleceu em Porto União - SC _
dia 13-09-2018 - É uma personagem desta crônica da nossa
vida real!
          Dois de junho de 1973 - sábado. Dia de Festa Junina em Porto União, no Colégio Cid Gonzaga. Toda a juventude das cidades gêmeas do Iguaçu estava ansiosa para que esse dia chegasse. É que acontecia uma festa muito badalada por lá. Além dos folguedos, dança na sala do auditório. Talvez que essa fosse a parte mais esperada da festa...

          O Professor Welcedino, um "serra-abaixo" catarinense gostava de ter tudo bem organizado. A festa era muito esperada. Quadrilhas de danças, quentão, pipoca, pinhão, doce de abóbora, amendoim, pé-de-moleque... Foguetes espocando no ar. As rádios Colmeia, Difusora e União com seus locutores falando do evento. Os jornais "O Comércio", "Caiçara" e "Traço de União" dando força. E nós, jovens, na expectativa.

          Mandei uma carta para minha irmã Iradi convidando-a. Veio com a prima Salete Baretta. Foram hospedar-se na casa da prima Gena Casara que estava estudando por lá. Chegaram na sexta à tarde. Tudo preparado para irmos à Festa no sábado. Imperdível.

          Mas um imprevisto quase que atrapalha nossos planos. Nosso colega da República Esquadrão da Vida, o Celso Lazarini, o Breca, nascido no hoje Lacerdópolis (quando ainda petencia a Capinzal) e que  morou na casa do Serafim Andrioni, no Ouro, e em 1968 trabalhava nas Casas Eduardo, em Capinzal, estava machucado.  Agora era o melhor goleiro de futsal em União da Vitória, fora profissional no futebol de campo. Pois na  sexta levou  um chute no nariz, na Quadra do Túlio de França.  O Dorinho  ia fazer o gol, o Breca foi brecar e o pé do artilheiro arrebentou o nariz de nosso colega. Emergência, cirurgia. Ficamos todos muito preocupados. Víamos o sofrimento do amigo e tínhamos nossa programação de lazer. Não queríamos perder a festa,  nem deixar o amigo sozinho em casa naquele sábado. Precisava de cuidados. Ele dizia que podíamos ir, que ele mesmo se cuidava. Gentil como sempre. É assim até hoje.

          Pertinho de casa havia um salão de estética, o "Silhueta". A Zina, a Célia comandavam. A Ivone, cunhada da irmã da Zina, estava sob seus cuidados. Eram minhas amigas. A Zina estava chorosa, de mal com a vida, deprimindo-se. Pedi-lhe um favor. Perguntei-lhe se poderia cuidar do Breca naquela noite para que pudesse participar da festa junina no Cid. Disse-lhe que ele estava machucado e precisava de cuidados. Pensei que um podia cuidar do outro. Aceitou que eu o deixasse em sua casa. Cuidaria dele. E assim o fez.

          Fomos com os colegas, o Osvaldo e os dois  Odacir, o Giaretta e o Contini, mais  minha irmã  e a prima para a festa. Eu de braços dados com minha irmã. O Boles não foi, tinha que ficar no ponto de táxi com seu Corcel 4 portas. Era um horário bom pra ganhar uma graninha.
Na chegada, percebi que havia uma bela garota com quem eu tinha dançado no "Clube 25"  duas semanas antes. Ela deve ter-se decepcionado comigo, pois eu estava de braços dados com uma de quase minha altura. Não sabia ela que era minha irmã que estava comigo.  Adiante, contou-me que pensou que era minha namorada...

         Na dança, muita animaçao na sala do auditório. Um colega meu era Cabo do Exército Brasileiro, do 5º BE, de Porto União, Odacir Contini. Educado, respeitava as regras dos militares. Quando íamos ao cinema, com os Cabos Frarom, Backes, Godói, Figueira ou Maciel, tínhamos que sentar atrás de qualquer oficial superior deles. Então, no Cine Ópera, entrávamos olhando para as cadeiras e precisávamos  ir ao fundo do cinema ver os filmes e respeitar essa regra hierárquica. Nenhum subalterno podia sentar à frente de um superior.  Pois bem, o Contini falou-me: "Vou tirar aquela morena que está com a Dora pra dançar. E, educadamente, deu a volta por detrás dos  presentes, pois havia um sargento no local.

          Quando vi que era a garota que eu conhecera poucas  semanas antes, cortei caminho pelo meio do salão. Eu não era militar, não  tinha superior, podia ir por onde bem entendesse. E, quando ele lá chegou, eu já estava com ela. E dançamos. Dançamos, dançamos  muito, rimos, contei-lhe piadas.

           Hoje, mais de 40 anos depois, continuamos a dançar, juntos. Temos três  filhos, uma neta, um neto... Dois genros, uma nora!

           E o Breca e a Zina?    Bem, ela está cuidando dele há  40 anos também. Têm uma filha, a Marcela, que voltou recentemente para Porto Uni'ao depois de estudar na Austrália. O Breca  vende carros em sua loja numa bela esquina da ida para o Estádio do Ferroviário. A Zina tem seu salão ali perto do Clube Concórdia. Continua igual há  40 anos. A mesma disposição, a mesma silhueta, a mesma amabilidade e a mesma simpatia. Visitei-os recentemente. Rimos muito, contei para duas amigas dela essa história. Disseram-me que eu deveria escrever sobre isso. Então aqui está.

           Duas histórias que começaram no mesmo dia. E, mesmo com as dificuldades do dia-a-dia, com todas as barras enfrentadas, formamos nossas duas famílias. A Zina e o Breca, a Cachucha e o Cride.


Euclides Riquetti
24-03-2013

As rosas amarelas...

 





O primeiro frio do ano intimidou as roseiras
As rosas vermelhas, as brancas, todas elas
Também amedrontou as rosas amarelas
Que se ocultaram por detrás das laranjeiras...

O outono não foi, digamos, avassalador
Tampouco desanimou os meus hibiscos
Que, florescidos desde os tempos priscos
Vingaram,  soberanos, nos meses de calor...

O primeiro frio, que veio no pré-inverno
Nos dias em que se finda o mês de abril
Me transportou pelo céu retinto de azul anil
E  me fez chegar ao seu aconchego terno...

E, em seus braços finos, longos e elegantes
Me entreguei com a volúpia do enamorado
Em seu corpo esbelto, sutilmente mergulhado
Deliciei-me como nunca houvera antes!

Euclides Riquetti

domingo, 10 de maio de 2020

O voo da gaivota

 





Plana a gaivota sobre o mar azulado
Quebrando o vento nas lufadas de outono
Na manhã  de abril do sábado morno
Na ilha da magia de meu Sul amado.

Vai a gaivota cortando o infinito
Imerge na nau  de meu pensamento
Busca se esbaldar por todo o firmamento
Em seu lento planar pelo céu bonito.

Voa a gaivota de branco e de princesa
Soberana,  charmosa, doce e elegante
Voa a gaivota vestida de deusa.

E meus olhos a contemplam com carinho
Em sua viagem pela trilha provocante
Enquanto volta ao seio de seu ninho.

Euclides Riquetti

Transcendendo

 




 

 
 
Transcendo
Saio do conforto daqui
Liberto-me de meu céu imaginário
Navego no mundo, solitário
E vou pra perto de ti., de ti, de ti...

Transcendo
Busco as respostas que ainda não tenho
Volto no tenro  passado
Projeto-me o  futuro desejado
Viajo, vou e venho...

Transcendo
Porque acomodar-me é covardia
Porque omitir-me  é vergonhoso
Não combina com meu ser impetuoso
Há a desafiar-me, sempre, a ousadia.

Transcendo
É a maneira que tenho para estar contigo
De tocar tuas mãos e beijar teus lábios
De dizer-te os versos mais raros
De chorar em teu ombro amigo.

Transcendo
Para exercitar minha rebeldia
Para dizer-te de meu encantamento
Para, com todo o arrebatamento
Abrir-te minha  alma, guria...

Transcendo...

Euclides Riquetti

Obrigado, mãe! Obrigado a todas as mães!

 


 

           Mãe:

          Não escreverei uma bela mensagem de amor, nem direi que a minha foi a melhor mãe do mundo. Apenas direi que a perdi há treze anos, tão logo entramos no novo milênio. E que ela me deu boa educação e ajudou-me nos momentos mais difíceis. Vibrou quando nasceram minhas filhas e meu filho. Chorou quando perdemos meu pai e meu irmão. Comemorou comigo as minhas vitórias e chorou comigo os meus reveses. Foi minha mãe, foi o que um filho pode esperar dela. E sei que sempre morei em seu coração!

          Mas, nesta data tão especial, fico a lembrar daquelas mães que perderam seus filhos, contrariando a lógica de que são os filhos que devem enterrar os pais. Rezo por elas porque sei o quanto sofreram com as perdas que não podem ser compensadas por serem definitivas. Rezo por elas e sempre que posso lhes manifesto meu afeto, carinho e  meu sentimento humano.  Mas sei que, apesar de tudo, elas não esquecem jamais dos filhos que geraram, amaram e perderam.

          Rezo para aquelas que foram mãe e pai, pois perderam o companheiro  e tiveram que dar conta de prover seus filhos de educação, instrução e sustento. E por aquelas cujos filhos foram para longe dizendo que voltariam e que se esqueceram de voltar...

          Rezo também para que meus filhos e os dos outros pais possam ter-nos por muito tempo. E nós também possamos tê-los da mesma forma. E me sinto como um menino frágil que sente as coisas com o coração,  mas impossibilitado de evitar que a dor esteja presente no coração das mães.

          Rezo pelas mães jovens para que,  no mundo difícil, intolerante e constantemente mutável,  possam ter energia para cuidarem dos filhos que geraram. Rezo pelas mães que são  minhas amigas  pessoais e  virtuais que, no Dia das Mães, postam nas redes sociais  as fotos de seus amados filhos sorridentes que as deixam felizes e orgulhosas. Rezo pelas mães já avós, pois  são mães duplamente.

           Rezo! Rezo porque acredito que um Ser Supremo pode ajudar a  amenizar os sofrimentos, pode dar esperanças de que um dia todos se encontrarão novamente  e para que haja a vida eterna, quando as mães e os filhos possam estar todos juntos, um dia, no céu!

Obrigado, mãe, obrigado a todas as mães!

Euclides Riquetti