quinta-feira, 4 de junho de 2026

Corpus Christi de 1973 - Porto União da Vitória - um dia inesquecível!

 


                                           Júlia, Miriam, Euclides, há 6 anos, em Joaçaba.


              Era dia de Corpus Christi. Era 21 de junho de 1973. O meu professor de Latim, Padre Leo Horst, nos ensinara que o termo significava Corpo de Cristo, um caso genitivo daquela língua. Eu tinha duas amigas com as quais muito me afinava: Maria de Fátima Caus, colega de turma de Letras da FAFI, e Valéria Velozzo, a primeira a chamava de Polaca. 

        No dia 02 de junho eu dancei com uma menina muito bonita, de cabelo longo e escuro, que fizera 15 anos três semanas antes. Isso foi na Festa Junina do Colégio cid Gonzaga, no seu auditório. Eu a havia conhecido recentemente, era amicíssima de Doraci, uma amiga que tínhamos em comum. Eu me encantara com aquela garota alta, magra, elegante, bonita...Me encontrara com ela nos dois fins de semana seguintes. E combinamos que eu iria buscá-la, na casa dela, na Rua Santos Dumont, 924, em Porto União. Eu morava na Professora Amazília, 322, no lado Paraná, União da Vitória. 

       Naquela bela quinta-feira, feriado religioso, saí com os colegas Odacir (Giaretta)  e Osvaldo (Bet), e o cabo Maciel,  para os lados da atual Catedral. Na rua, encontrei a Fátima e a Valéria, que me convidaram para seguir com elas pela procissão, que saía dali, ia pela Avenida Manoel Ribas e depois Rua Matos Costa. Eu imaginava que encontraria a garota com quem estava iniciando namoro, mas isso não aconteceu. Então fui até a casa dela, mas a esta altura a procissão estava findando. Ao chegar, a garota linda estava com uma saia de fundo branco, com estampas florais de um verde e azul claros, sapatos vermelhos, e uma combinação muito usual da época: Blusa amarela e meias três quartos de tricô...

       Minutos depois, passamos descemos a Sete de  Setembro e fomos tomar um frapê na Leiteria "Sete", ao lado do Bradesco. Subimos de volta para a Igreja Nossa Senhora das Vitórias , fizemos uma oração e ao Hospital São Braz, onde visitamos uma amiga que cursava História na FAFI, a biturunense Vanilda Neumann. Ela havia colidido seu fusca com uma carroça, em sua ida para Irineópolis, onde atuava como professora. Por pouco não perdeu a vida. 

       A Vanilda estava lá, lúcida, porém com gesso em pernas e braços, pendura por ganchos a um suporte elevado, parecia uma daquelas cenas das revistinhas da Disney. Apresentei a Miriam para a colega, sorriram, era a única aproximação possível. Mas conseguimos entabular uma ótima conversa, elas acabaram por tornar-se amigas. 

       No feriado de Sete de Setembro eu vinha de Porto União para Capinzal-Ouro, e no mesmo ônibus viajava a Vanilda. Ia para Tangará, encontrar-se com a colega dela, Narcisa, que mais adiante casou com o meu amigo Adelmir Costenaro, de Capinzal. Indiquei que procurasse meu pai, Guerino Riquetti, que era diretor do então Grupo Escolar Prefeito Sílvio Santos, em Ouro. Resultado: Vanilda fez carreira no Magistério Catarinense, atuando naquela escola e no Belsário Pena, em Ca´pinzal, até aposentar-se.

       E eu? Depois de muito estudo e 4 anos de trabalho no Álvaro Mallon e Filhos, formei-me, e casei com a moça, que era aluna do Cid Gonzaga. A Vanilda casou-se com um amigo e colega de trabalho na Zortéa  Brancher, o Ademir Romani, e tiveram as filhas Franciele e Francine, que acabaram sendo amigas de nossas filhas Michele e caroline. Em 1977 fui morar em Zortéa onde ingressei no Magistério Catarinense. A Miriam acabou professora, foi primeira dama em Ouro, está aposentada, temos as duas meninas gêmeas e o Fabrício Guilherme, casado com Luana.  E a neta Júlia, 16 anos, filha da Carol. Ângelo, de 8, e Beatriz de 6, do Fá e da Luana. Miriam é escritora e eu também. Moramos em Joaçaba e gostamos de viajar. Deu tudo certo! 53 anos depois, ela ali compondo em soneto para publicar em seu blog "Buscando o Sol", e eu escrevendo esta crônica para o Blog do Riquetti.


Euclides Riquetti - 04 de junho de 2026 - 53 anos depois.

       


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