domingo, 13 de maio de 2012

Dia das (minhas) Mães

          Mesmo com a sedução comercial, que enseja presentes a serem dados ( e esperados), precisamos ver o Dia das Mães como uma das maiores (e para muitos,  melhores), comemorações de nosso calendário civil. Por ser no segundo domingo de maio, não é um feriado, mas, se fosse uma data fixa, e ocorresse em dia útil, mereceria sê-lo, muito mais que o 21 de abril ou o 7 de setembro. E, a condição ecumênica, nos coloca dúvidas quanto a feriados oficiais comemorativos a datas como, por exemplo, o Dia de Corpus Christi, que ocorre numa quinta-feira do mês de junho. Mas, com relação às mães, há quase que uma unanimidade: todos somos filhos de uma!

          Então, oportunamente, quero lembrar e agradecer minha mãe, nascida Dorvalina Adélia Baretta, que cuidou de todos nós, 6 filhos, e que muito chorou quando perdeu meu pai, Guerino, com 55 anos (1976),  e meu irmão Ironi, com 51 anos (1998). Ela lavou muitas roupas de outras  famílias de  para nos ajudar e, quando fui para a Faculdade, mandava-me blusas bonitas e gorros de lã, para que eu não passasse muito frio no nevoento inverno de União da Vitória. E também à Dona Anita, que virou minha sogra, e que me dava um prato de sopa bem quente, nas tardes/noites muito frias, quando ia para a casa dela. Também à Mirian, mãe de nossos filhos, Michele, Caroline, Fabrício, que sempre me compreendeu e apoiou.

          Mas há também aquelas outras mães que todos nós temos e que as outras pessoas têm. A Doutora Zilda Arns, que morreu no Haiti, e pode ser considerada a "Mãe das Crianças Carentes do Brasil", que tive o prazer de conhecer e conversar com ela pessoalmente, e isso é um dos maiores orgulhos que eu tenho. Foi uma "mãe" engajada, médica, bonita, simpática,  bondosa, caridosa, orgulho não só meu, mas de todos os brasileiros.

         Também à Comadre Vitória, que nos apoiou muito quando morávamos em Zortea, e nos apoiou e ajudou na orientação de como lidar com nossas gêmeas. Ainda à Dona Ézide, nossa vizinha, que com seu olhar protetor ajudáva-nos a cuidar de nossos filhos.

          E vou escolher outra mãe, para que represente,  em meu íntimo,  todas as outras mães, a quem considero dever e devo devotar o maior respeito: A "Vó Preta", mãe da Ilerene, , que, com seu Noninho Valduga, sempre foi muito simpática, afetiva, querida por todos.

          Não me esqueço de ti, ainda, que não tem filhos bioplógicos, mas que também te tornas mãe de sobrinhos, afilhados ou outras muitas crianças: teus gestos te dignificam e te tornam uma verdadeira mãe.

          E, num dia em que todas as mães choram, algumas de alegria por poderem abraçar ou receber o telefonema dos filhos ( e-mail não vale muito nesse caso...), e outras de tristeza,  porque o mundo violento e desajustado levou seus filhos, rezo algumas orações e volto meu pensamento para a imagem de minha mãe, que era minha fã, que chorou e que vibrou comigo em muitos momentos de minha vida.


Euclides Riquetti
13/05/2012


      

sábado, 12 de maio de 2012

Soneto da Madrugada

No inerte vaso, amarelos cravos em macetos
Cujo perfume em nenhum lugar do mundo há
Meus versos se emparelham  em dóceis sonetos
Nos lanços de palavras que se embalam no ar.

Na madrugada, vagam pensamentos desconexos
A mente voa, vai campear em algum lugar
Buscar espelhos planos, côncavos, convexos
Em mil faces, mil sorrisos se espelhar.

E eu me ambalo nesses sonhos encantados
E neles abraço o teu corpo desejado
Enquanto beijo os teus lábios delicados.

E nas manhãs de sol, vento ou calmaria
Em todos os momentos, noite tarde,  ou mesmo dia
Espero-te: vem juntar-te aos meus pecados.


Euclides Riquetti
25-09-2004
Revisado em 12-05-2012.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Mãe

Mãe - das dadivosas mãos, mãe
Mãe - das caridosas bênçãos, mãe.

Mãe dos filhos gerados e amados
Mãe dos filhos cuidados e guiados.

Mãe - da vida dedicada, mãe
Mãe - da lida abnegada, mãe.

Mãe das manhãs azuis, esperançosas
Mãe das noites negras e chorosas.

Mãe - do filho perfeito e bem nascido
Mãe - do sagrado leito ali estendido.

Mãe do olhar bondoso mas austero
Mãe do falar que assusta mas sincero.

Mãe - do amor em plena difusão
Mãe - da flor, da alma e coração.

Mães são apenas mães:
Não dependem de elogios
Não dependem de flores
Não esperam por presentes.

Apenas rezam por seus filhos.
E eu rezo por elas.

Felicidades a todas as mães:
À minha, à tua, às mães das outras mães.

Euclides Riquetti
09-04-2012

terça-feira, 8 de maio de 2012

Re-ação

Pensamentos vãos
Povoam mentes insanas
Mancham almas mundanas
Pensamentos vãos.

Argumentos vãos
Defendem causas perdidas
Ladeiam-se com forças vencidas
Argumentos vãos.

Pensamentos e argumentos
Calcados em causas perdidas
Aliados  às forças vencidas
Restam-se  inúteis ordenamentos.

Porém,  mesmo os  frágeis elementos
Com a  soma  dos  infortúnios  da vida
Podem reagir e tornar-se,  em momentos
Medalhistas  na empreitada aguerrida.


Euclides Riquetti
09-05-2012









domingo, 6 de maio de 2012

Filme da Semana

          Na semana, com feriadão e tudo o mais, foi-me possível, dentre outras coisas, assistir a vários filmes. Hoje, os canais que recebemos em nossas casas "por assinatura", nos permitem ver filmes extraordinários, ler as sinopses, verificar os nomes dos diretores e atores, enfim, com o contole remoto você opera muitas regalias que os que contam somente com a TV aberta não podem contar. (Sem nos esquecermos que  a TV aberta nos dita o que quer ) e, com as pouquíssimas boas opções de programação, acabamos buscando outras formas de entetenimento.

          Justamente  há cerca de uma hora, acabei de ver "Amizade Colorida". Na minha juventude, quando se falava esse termo, nos vinha à mente algo escandaloso, uma coisa descabida, um despudor. Com os anos passando, nossos conceitos sobre os seres também mudaram, não é possível determinar se para melhor ou pior, pois isso vai ficar no entendimento de cada um de nós, leitora.

          Mas, "Amizade Colorida" somou-se a outros bons filmes que vi e este selecionei como o melhor deles nesta semana. É um filme atualíssimo e que nos traz o Justin Timberlake e a Mila Kunis como protagonistas. Aliás, a Kunis, nascida Mila Kurkovna Kunis, é ucraniana desde 14/08/1983, quando veio ao mundo, belíssima, mas radicou-se nos EUA. Namorou o problemático Macaulay Culkin, de "Esqueceram de Mim" que,  como o "Lagoa Azul", já nos cansaram de tantas reprises na TV (aberta). Mas Mila Kunis é demais. Tem um rosto e corpo de Juliana Paes, um olhar de Angelina Jolie e algo de Rummer Willis, a filha da Demi Moore com o Bruce Willis. Mila Kunis, mesmo jovem, 29 anos, já tem uma filmografia para Cinema e TV de mais de 20 produções, em que participa como atriz, desde seus 11 anos. Pessoas talentosas são assim mesmo. Não basta ser um corpo e um rosto bonitos. Tem que ter o talento, e ela tem de sobra. Aliás, talento têm os americanos,  os franceses e os italianos para produzirem bons filmes. Alguns canais "por assinatura", que passam filmes brasileiros,  são uma lástima. Quanta porcaria já se produziu no Brasil. E quanto patrocínio oficial ajudou a queimar dinheiro público financiando produções que nem se nos pagassem nos dariam a coragem de assistir a elas.

          Ah, a belíssima "love sotory" entre as personagens da Kunis e do Timberlake, deixarei para que você encontre uma maneira de ver também. Não lhe tiro esse prazeroso privilégio.

Euclides Riquetti
06/-5/2012.

sábado, 5 de maio de 2012

Dia Muito Feliz

         O dia 05 de maio nos traz as melhores lembranças. Foi em 1979, num sábado, como hoje, que, às 3,00 e 3,05 horas, respectivamente, nasceram nossas filhas gêmeas, Michele e Caroline.

          Na sexta-feira à noite, depois de dar aulas na Escola Básica Major Cipriano Rodrigues Almeida, no então Distrito de Duas Pontes, Campos Novos, hoje Zortea, uma notícia: estava para nascer nosso filho, meu e da Mirian. Naquele tempo só uma minoria tinha  acesso aos exames de ultrassom, não se sabendo, assim, se seria menino ou menina que viria. Foi uma confusão: pegamos o Fusca, descemos para o Hospital Nossa Senhora das Dores, onde chegamos quase à meia-noite para a internação. O Dr. Acióli Viecelli, que realizou o pré-natal, dizia que o parto seria no dia do aniversário dele, e que ele estaria viajando, e isso se confirmou.

          As mãos habilidosas do então jovem médico, Dr. Tatin, cuidaram de fazer com que o bebê  nascesse saudável e que nada acontecesse com a mãe. O pai, nervoso, (Eu),  sapateava de um lugar para outro, no corredor. A enfermeira vem e pergunta: "Onde está a faixinha, que não tem nenhuma na sacola?". Bah, começou a agradável confusãozinha: pegamos uma emprestada da mulher de um amigo, o Bérgamo. Logo depois, voltou e avisou: "É uma menina!" Fiquei contentíssimo. Minha mãe já estava por lá e vibramos muito. Daí a pouco, volta a enfermeira: "Precisamos de mais uma faixinha, pois tem mais um bebê!" E veio outro bebê. E foi assim, pegamos uma segunda faixinha,  com a mulher do Bérgamo. Era uma segunda menina.

          Mais tarde, nasceram, no mesmo hospital, a Gisele Bérgamo, a quem já ficamos devendo obrigação antes mesmo de ter  nascido, e a Sionara Formentão.

          Ao amanhecer, fui para as Casas Pernambucanas comprar faixinhas, fraldas de algodão, cueiros, toucas, babeiros, etc., pois eram duas lindas meninas, com 2,9 kg cada uma. E o Marcos Ceigol, que me vendeu as roupinhas, e seus colegas de trabalho, inclusive o Vilmar, meu querido irmão, vibraram muito, lá nasd Pernambucanas, em Capinzal.

          E, depois, começou a tarefa de definir os nomes:  A Mirian tinha sugerido Michele. O tio Vilmar dizia que tinha que ser Caroline, por causa da Princesa de Mônaco, que era bonita. Mas,  como vieram duas, tudo foi muito fácil: a primeira a nascer foi a Michele e a senda, Caroline.

          Hoje, numa tarde e noite especial, estamos comemorando, aqui em Joaçaba, em nossa casa, juntamente com a Fabrício e a Luana. o Daniel, marido da Michele, o Buja, da Caroline, e a adorável Júlia, filha destes e nossa netinha. (Vai ter churrasco no porão!!!).

Longa vida às duas e a todos nós!!!

Euclides Riquetti
05-05-2012

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Obra-prima

Pensei em produzir uma obra-prima
Algo que marcasse, que ficasse eternizada.
Quem sabe uma poesia com boa rima
Quem sabe uma foto envernizada.

Pensei em produzir uma obra-prima
Algo que ninguém houvesse ainda feito.
Podia ser uma escultura pequenina
Podia ser um monumento perfeito.

Pensei em buscar  uma obra-prima
Algo raro, quem sabe inimaginável.
Podia ser uma  composição divina
Uma ópera de lírica admirável.

Pensei, repensei, tentei, retentei...
Busquei tirar algo de minha inspiração
Fui longe, longe, mas sabes quem eu encontrei?
Foste tu, bem escondida...no fundo de meu coração!

Euclides Riquetti
03-04-2012



quarta-feira, 2 de maio de 2012

Final de Noite

Final de noite, prenúncio de um belo dia
O silêncio toma conta de meu parco universo
Procuro entender as palavras do antigo verso
Procuro afastar de mim a tediosa  letargia.

Final de noite, a espera de uma nova manhã
Quando estrelas cintilam  nos espaços do infinito
Brandos  passos  trilham  um caminho  restrito
E minha alma se ancora  na esperança vã.

Final de noite, de apenas mais uma noite que veio
Quando escritos antigos, perdidos,  recomponho e releio
Poemas com versos diversos,  livres e brancos.

Final de noite, de renovadas e animadoras esperanças
De canções que se ouvem e que embalam saudosas lembranças
De melodias que atiçam meus pensamentos francos.


Euclides Riquetti
03-05-2012


segunda-feira, 30 de abril de 2012

Coração desnudo

Coração desnudo
Fragilizado
Coração mudo
Desacalentado.

Coração desnudo
Desprotegido
Coração escondido
No abismo escuro.

Desnudo  a  flutuar
Desnudo no abandono
Sem um porto para ancorar
Sem rumo e  sem dono.

Coração a navegar
Sem destinatário
Sem um corpo para ocupar
Desconsolado e solitário.

Coração em stand by
Relembra o  que já senti
Vai e vem, vem e vai
Apenas esperando por ti
Por ti
Por ti!
(E tu nãos vens...)


Euclides Riquetti
30-04-2012

sábado, 28 de abril de 2012

Manhã de saudosas lembranças...

Chuvosa manhã de sábado do mês de abril
Os pássaros se acocoram sob as últimas folhas
Espesso nevoeiro oculta o céu cor  anil:
A sábia natureza determina todas as escolhas.

Tu escolheste  ficar absorta em tua casa
E eu escolhi por-me na inóspita rua
As araras escolheram encolher as suas formosas asas
A planta desfolhou-se e escolheu  apenas tornar-se  nua.

O pastor escolheu abrigar as frágeis ovelhas
A mãe escolheu cuidar do ninar de seu filho
A água escolheu deslizar nas telhas vermelhas
E o sol escolheu disfarçar o poder de seu brilho.

O gramado escolheu adormecer e esperar por setembro
O vidro embaçou-se e escolheu tornar-se boreal
E cada coração pulsou por um novo momento
E molhou-me a chuva  ocasional da manhã outonal.

Foi apenas mais uma manhã, como outras manhãs tantas
A manhã de um outono chuvoso como outros outonos tantos
Mas meu coração navegou em saudosas lembranças
Saudosas lembranças, saudosas lembranças
De ti, de ti!!!

Euclides Riquetti
28-04-2012

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Pés descalços

Pés descalços
Acariciam as calçadas
Abandonadas.
Corações em percalços
Com batidas descompassadas
Retumbam em almas maltratadas
Rejeitadas, mutiladas.


Pés nus buscam caminhos de luz
E pisam na relva umedecida
Adormecida
Sustentando o corpo que seduz.

O corpo que atrai
E que distrai
Furta meus pensamentos pecaminosos
Libidinosos...
E me mergulha nas águas
Me afoga nas mágoas.

Algo me atira às incertezas do momento
Que vaga lento, lento
Como a nau que vai
E se perde no infinito
Bonito...
Bonito, mas cheio de ruelas obtusas
Confusas
Como eu!

Euclides Riquetti
26-04-2012

domingo, 22 de abril de 2012

É Outono!

As folhas envelhecidas, enfenecidas
Vão-se desprendendo dos galhos cinzentos:
Esperam as singelas lufadas dos ventos
Nas tardes de abril, nas noites enegrecidas.

(Foi-se o verão
Foram-se as areias
Foi-se o mar)

As flores se escondem, timidamente...
O sol reserva seu charme para as primaveras e verões
Enquanto os corpos,  cobertos,  abrigam almas,  intimamente
Namorados e amantes pausam paixões, contêm as emoções.
E há um leve sentimento de abandono:
É Outono!

É o Outono das noites frescas que se prolongam
É o Outono  das tardes amenas que se encurtam
É o Outono da inspiração que não vem:
É o Outono das palavras que se buscam e não se as têm.

Então, restam apenas lembranças.

A inspiração do poeta, do Eu, foi embora!
Plumou no ar
Planou no mar...

Restam as lembranças, sim!
Agradáveis lembranças de teus lábios!
E a inspiração volta, agora...

Euclides Riquetti
22-04-2012

sábado, 21 de abril de 2012

Décima Sexta Crônica do Antigamente

         Lembrar de coisas de antigamente me anima e revigora. Sempre que faço uma pausa para meditar ou reingressar no passado, lembro de fatos de que participei diretamente, ou de outros que alguém me contou. O primo Rozimbo me contava fatos interessantes sobre a vida do Guerino,  meu querido pai.   Eles foram mais que tio e sobrinho, foram verdadeirtos amigos. Já escrevi algo sobre meu pai ter vivido a juventude dele em São Paulo, no São Camilo, um seminário de padres italianos, todos palmeirenses.

         Um fato que sempre me ficou na memória foi o do contato que meu pai e seus colegas seminaristas tinham com a família do Comendador Francesco Matarazzo, o maior empreendedor da História do Brasil. O Comendador era um homem muito religioso, também. Empresário visionário e determinado, em tudo via oportunidade de ganhar dinheiro. Ganhava tanto que, após o término da Primeira Guerra Mundial mandou dinheiro para o Governo da Itália salvar o país onde nascera. As Indústrias Reunidas Matarazzo eram compostas por 365 empresas no Brasil. Francesco Matarazzo tinha uma fortuna avaliada, hoje, em 20 bilhões de dólares. Trabalhador nato e filho de pai culto, veio jovem para o Brasil e aqui fez sua fortuna. Era  bom em cálculos matemáticos.

          De 1936 a 1937, quando morreu, ele esteve praticamente paralítico, pois sofria de um reumatismo crônico. Sua mansão ficava e poucos minutos do Seminário São Camilo e, nessa época, todas as manhãs, antes do clarar do dia, dois seminaristas eram escalados para ir à casa dele e trazê-lo à Capelinha para assistir à Santa Missa. Meu pai foi, com um colega, por diversas  vezes buscá-lo.  Nos primeiros tempos da enfermidade conseguia mover-se com auxílio de bengala e, nos últimos meses, só com cadeira de rodas. Era um homem simplório, íntegro e bem intencionado, bondoso. Perdeu um filho na Europa, em desastre de automóvel. Fora para lá ainda criança, estava sendo preparado para ser seu sucessor.  Seus negógios passaram às mãos de um filho, Francisco,  e de uma filha, a Maria Pia. Os descendentes não conseguiram entender-se e o patrimônio deixado não se manteve. A propriedade da família ocupava uma área muito grande no centro de São Paulo. Perderam quase tudo.

          Meu pai viveu pelo menos dois anos por lá, após a saída do seminário. Mais adiante, conheceu um mascate português, que disse conhecer o Vale do Rio do Peixe, o Município de Cruzeiro, que depois tornou-se Joaçaba, e do qual o Distrito de Ouro fazia parte. Prometeu trazê-lo de volta para sua família e assim o fez.

          A volta de filhos para casa nem sempre é possível. Quantos saem para estudar ou trabalhar,  acabam tomando outro rumo na vida, mantendo-se distantes do seu lugar de origem, de seus familiares. Eu, felizmente, saí após os 18 anos e voltei para perto deles 6 anos depois. Há uma pessoa querida que sempre me diz: Os filhos foram feitos para o mundo. Ela tem razão!

Euclides Riquetti
22-04-2012

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Muita alegria, Júlia

Com muito contentamento,  estamos comemorando, hoje, o aniversário  da Júlia Riquetti Mattos da Silva, filha do Elisandro Rafael (Buja) e da Caroline Riquetti.

A fofinha chegou faz dois anos e  trouxe muita alegria para todos nós. Morena, cabelos e olhos negros, espertinha, já fala centenas de palavras e rabisca desenhos no papel. Há um ano vira as páginas dos livrinhos de histórias infantis, identifica os bichinos que vê. Com ajuda, canta algumas musiquinhas que os familiares e o pessoal da Escolinha Girassol, aqui de Joaçaba, lhe ensinam. A Julinha gosta muito do Vovô Careca. E do Vovô Adão, também.

Hoje vai ter churrasco na laje do porão.

Euclides Riquetti
19-04-2012

domingo, 15 de abril de 2012

Voltar pra casa

          Voltar pra casa é sempre muito bom. Foi assim no mês de fevereiro quando passamos uns dias fora, conhecendo Maceió, Salvador, Ilha Bela e Santos. Em março passamos um final de semana conhecendo Vila Velha e Castrolanda, nas imediações de Ponta Grossa. E, em abril,  saímos a trabalho na Capital e emendamos  dois dias de lazer, em Canasvieiras. Passamos a Sexta-feira Santa e a Páscoa por lá. Sair de casa é sempre muito bom. Conhecem-se pessoas, lugares, coisas. E também alguns costumes. Agora, vou comentar algo muito salutar, que já presenciei por dois anos em Canasvieiras: "A Semana do Uruguai".

          N semana que antecede à  Páscoa, os Uruguaios têm um costume muito bom. Fazem um feriadão de uma semana. Chamam a isso de "Semana do Turismo". No Brasil chamam de "Semana dos Uruguaios". Saem das cidades uruguaias em carros, ônibus, aviões ou navios, e deslocam-se para outros  países. Grande parte deles vem para o Brasil e o litoral catarinense, em especial Florianópolis ( e mais ainda Canasvieiras), é um dos destinos mais procurados. Embora o câmbio não lhes favoreça muito, ainda assim lhes vale a pena vir ao Brasil, porque é país próximo e, sendo a Semana da Páscoa,  considerada Baixa Temporada para o Turismo de Praias no Brasil, os preços tornam-se convidativos: A maioria dos hotéis trabalha com uma tabela cerca de 50% menor do que na alta temporada. Pacotes envolvendo grupos de pessoas, então, obtêm melhores preços ainda. E os restaurantes também estão operando com valores entre 20 e 30 % abaixo do que nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Como dizem os ilhéus: a vinda dos Uruguaios é a "raspa do tacho", ou seja, a última oportunidade que os comerciantes e prestadores de serviço têm para ganhar um dinheirinho.

          Até a vendedora de chapéus disse-me que a temporada foi excelente, que nunca vendeu tanto, e que a vinda dos uruguaios ajudou muito.

          Bacana essa modalidade de feriadão no Uruguai. As pessoas, que muito trabalharam, por um ano inteiro, saem para descansar durante uma semana. E fazem muitas festas culturais por lá. Acho que outros países deveriam imitar isso: haver uma época em que todos fechassem as portas de suas lojas, as escolas, os bancos, e funcionassem apenas os serviços de segurança e saúde. E nãao no verão, mas no outono.  A economia e as pessoas iriam ganhar muito com isso. Claro que nosso comodismo vai nos levar a dizer que isso é impraticável no Brasil, que já temos muitos feriados, etc. Mas, você já viu quantas pessoas  "nunca tiram férias" ou não viajam porque os feriados em meio à semana não permitem isso?  Apenas os funcionários públicos têm privilégios nos chamados feriadões. Mas, quem trabalha no sábado, nunca tem chances de poder sair.

          Mas, o que me encanta, nos uruguaios, são pequenas e simples coisas: estão lá as famílias com seus filhos, são educados, não têm prepotência, não são afeitos à arrogância, gastam com muito critério o seu dinheirinho e demonstram serem honestos. Bem diferente do que alguns outros "hermanos". Parabéns a eles por serem assim. Respeito-os muito!

          Euclides Riquetti
          15-04-2012