quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O Telhado da Garagem do Laurindo

          Dizem que cada um precisa cuidar de seu telhado. Do meu telhado capilar, de que eu tanto gostava, cuidei muito. Mesmo assim o ventou o levou. Jogar pedras no telhado dos outros é fácil, mas é preciso cuidar do próprio telhado. Porém, onde há um telhado, tudo pode acontecer. Por sobre eles, passam pássaros e aviões.  Por debaixo deles, confidências, conflitos, intimidades...   Mas, quando passam através deles, o que pode acontecer?

         Telhados são todos telhados. De chapas de cimento amianto, de madeira, de peças de cerâmica, de concreto, de telhas de barro brasileiras, francesas, romanas. Ou de palha, fibras, latões, alumínio, zinco. Ou de vidro... Ah, esses são os mais vulneráveis...

          O Laurindo Biarzi foi caminhoneiro da Comercial Baretta desde a década d 1960, quiçá 50. Trabalhou com os caminhões da empresa do seu Severino, mas que as pessoas chamavam de Silvério. Era primo de meu avô Victório Baretta. O último caminhão era um daqueles Mercedes-Benz LP331, um brutamontes de caminhão para a época, trucado. Viajava para São Paulo. Asfalto, só depois de Curitibanos. Antes, só estrada de chão batido, com pouco cascalho. Em dias de chuva, correntes nos pneus traseiros.

          Já em 1970 ele trabalhava com uma carreta dois eixos, Scania-vabis 75, cor laranja, tanque tansportador de combustível do Posto Esso, dos Irmãos Dambrós. Ia a Porto Alegre, levando tábuas de pinho sobre o tanque. (Hoje isso é probido).  Retornava trazendo combustível: gasolina e óleo diesel. Para o Posto Ipiranga, com uma carretinha cor marfim, de apenas  um eixo, MB 1313, do Sr. João Flâmia,  fazia o mesmo o Valêncio José de Souza, liderança incontestável dos tempos autuais em Capinzal, empresário premiado.

          Nossa personagem,  Laurindo,  tinha um jipe Willys 54, verde-garrafa metálico, uma verdadeira relíquia. Ia às festas na colônia do Ouro, com a esposa. Sempre estava presente. Até faixa branca tinha nos pneus. Cuidava muito do jipe! Na maturidade, desfez-se do jipe, aposentou-se e comprou um automóvel. Tinha a garagem entre sua casa e a Escola Prefeito Sílvio Santos, onde eu lecionei até 2008.

        Mas foi lá pelo  início do novo milênio que nossos alunos estavam muito "impossíveis". Gostavam de  fugir da aula. Que novidade!!! Para eles, era um desafio enganar direção e professores. Acho que não era tanto por fugirem mas por sentirem o gosto de nos terem enganado...

         Pois bem, uma noite combinamos de que os professores iriam perfilar-se ao longo do muro para ver quem iria fugir. Era uma quarta-feira, dia de balada. E tivemos que rir muito: três  meninas levaram uma cadeira e duas conseguiram pular o muro. A mais "fofinha" não conseguiu e teve que voltar. Estava difícil  fazer o corpo ir para o lado da rua. Ela sentiu-se injuriada...  (Lembrei-me de uma vez em que fugi da aula de Inglês do Professor João Bronze e esqueci o guarda-chuva na sala. Tive que voltar, pedir dsculpas e ficar até o final da aula. Como é que eu iria explicar em casa que havia perdido o guarda-chuva? Em 1968 um bom deles custava uma baita  nota...)

          E os meninos? Bem, os pequenos varões foram para o  muro lateral, subiram, foram  sobre o telhado da garagem do Laurindo e... caíram dentro da garagem. Foi-se o telhado! Foi um escândalo.

          Houve pânico e preocupação na casa do homem. Telefonou para o 190, veio a Polícia que estava em ronda ali próximo e focou a lanterna na cara deles. Foi um desespero. Não sei se ficaram assim porque quebraram o telhado ou porque nós os vimos e os colegas zoavam deles.

          Serenados os ânimos, veio a negociação. Prometeram que pagariam o estrago. E o Laurindo, gente boa, estava a fim de aceitar. A esposa, não! Dizia ela: "Olha, velho, você sempre confiou nos outros e sempre levou na cabeça. Não tem acordo. Eles pagam o estrago e vão embora.  Se não, vão pra cadeia!"
          E os meninos, todos filhos de amigos e conhecidos do Laurindo?! E o Laurindo,  na dúvida: "Se deixar irem, a mulher briga comigo. Se não deixar, não confiar neles, como é que vai ficar sua situação perante os pais deles, seus amigos?"

          Somente depois de muito diálogo, algum choro, (muito choro falso), convenceram  a esposa dele a  liberá-los, sem cadeia, sem delegacia.  Dias depois, lá estava o Laurindo reclamando na escola que quebraram o telhado da garagem, até o carro ficou riscado na lata e ninguém pagou nada...

          Não sei bem qual foi o desfecho, mas os anos de exercício do magistério me fizeram presenciar muitas histórias desse tipo. E, hoje, quando encontro meus ex-alunos na rua, quanta alegria, quantas boas lembranças daqueles velhos e saudosos tempos! Ah, se os problemas do mundo fossem tão simples assim...

Euclides Riquetti
20-02-2013



         

         

   

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Nuvem Cinzenta

Não quero ser uma nuvem cinzenta
A confundir teu pensamento
Quero apenas diluir-me no firmamento
Vagar na atmosfera turbulenta.

Não quero ser apenas um relâmpago
A rabiscar a infinita escuridão
Apenas ser a relva a cobrir  o chão
Aparando a chuva que vem em cântaros.

E, mesmo no pisoteio dos passantes
Restar amassada para ressurgir
E, feita uma fênix emergir
Liberta do peso dos pisantes.

E, sorvendo a energia do sol que haverá de vir
Dizer-te: Vem e pisa em meu coração
Só não mates minha grande paixão
O grande amor que guardo dentro em mim...

Por ti, pra ti, para ti!

Euclides Riquetti
18-02-2013

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Dublê em entrevista

          Quando voltei para passear um casa, num  feriado de 1972, fui à missa na Matriz de Capinzal, no domingo à noite. Depois, era ir ao Cine Glória, comprar um pacotinho de pipoca do carrinho do Gigi Gramázzio, e pegar um filme. Era o costumeiro programa de domingo. Formava-se uma extensa fila defronte ao cinema, todo mundo querendo comprar ingresso na mesma hora. Os mais espertos, já compravam o seu na sessão do sábado, para não se procupar no domingo.

          Aquele domingo foi muito especial para mim, pois minha amiga Eloí Elisabete Santos, hoje Eloí Bocheco, escritora, colega na literatura, convidou-me para fazer uma das leituras da celebração. Deveria ler uma daquelas duas leituras que precedm o Evangelho, podia escolher a que quisesse. Tremi um pouco, mas procurei encorajar-me, pois sempre fora muito tímido. Teria de haver uma primeira vez. E eu não podia desapontar aquela bela e prendada colega, que cursava o Segundo Grau, recém inventado.

         Foi minha primeira leitura em público. Até uma freira veio conversar comigo, perguntou se eu sempre lia em missas, se eu queria fazer parte de um grupo litúrgico  formado por jovens. Agradeci, disse que não moarava mais na cidade. Eu era muito envergonhado, pois na escola sempre riam de mim quando eu lia. Mas aquela encarada ajudou-me a perder o medo, e já li milhares de vezes em público. Devo isso à Eloí, agora ela sabe!

         Tendo visto e ouvido minha leitura, após a missa,  vieram  o Márcio "Pimba" Rodrigues  e o Vilmar Nêne Matté e me fizeram uma proposta meio doida: O Arabutã tinha obtido uma bela vitória em Joaçaba, contra um time de lá, não lembro se o Comercial ou a ABCLESC e o Tio Pé, centroavante, tinha feito dois golaços. Queriam que eu desse uma entrevista dublando o Tio Pé para o programa de esportes  da Rádio Clube de Capinzal.

          Achei que isso era uma loucura, que as pessoas iriam ver que não era a voz dele e isso não ia dar certo. Argumentei também que eu não tinha visto o jogo, não sabia como foram os gols, etc. etc. Até me propus a dar uma orientação ao jogador, se eles me antecipassem as perguntas. Eu faria um treinamento com ele e era melhor uma entrevista fraca concedida pelo verdadeiro protagonista do que uma razoável respondida por um dublê. E os convenci a arrumarem outro dublê, mas ninguém aceitou esse desafio e acabaram eles mesmos, na segunda-feira, falanndo sobre a façanha do Tio Pé, filho do falecido Pé-de-angico.

          Pior que isso, somente aquela história que cotam sobre um jogador do Inter, o Claudiomiro, que costumava dar suas entrevistas recheadas de gafes. Uma vez, tendo jogado contra o Clube do Remo, no Pará, disse a um repórter que estava muito contente por ter jogado em Belém, a terra onde Jesus nasceu. Outra vez, escolhido melhor jogador em campo e tendo feito um gol, agradeceu à equipe esportiva de uma rádio de Porto Alegre por tê-lo escolhido como o melhor em campo, em especial por terem lhe dado uma "caixa de brahmas da Antáctica"...

Euclides Riquetti
22-02-2013





           

Breca lá, Riquetti!

          Jogadores de futebol são muito dados a falar gírias. Os boleiros estão sempre inventando expressões  ou modificando significados delas. Por exemplo, dizem "hoje tá uma lua muito doida", pra dizer que está fazendo muito sol durante o treino. Todo o treinador é chamado de "Professor", mesmo que não tenha concluído o antigo primário. Chamam também de professor o árbitro. E a galera o chama de ladrão e gaveteiro.

          Não há torcedor que tolere goleiro frangueiro, canela dura, e nem firuleiro.  Zagueiro furão ninguém quer. A galera não perdoa.  Zagueiro bom é aquele que, no apuro, dá bicuda. Atacante que dá bicanca é grossão, mas quando faz tento vale do mesmo jeito. Cartola "se achão", então, que se mude. A estrela tem que ser o da grama, não o da tribuna.

          Quando era pequeno jogava num campinho abaixo da ponte nova, no Ouro. E no campo da rede ferroviária, onde é a Praça da Rodoviária, em Capinzal. Jogava de conga porque não tinha grana pra chuteira. Depois, em União da Vitória, na república, tínhamos um campinho ao lado de casa onde jogávamos nos finais de semana. Ali aprendi a amolecer a canela, até consegui ter uma certa habilidade.

          O Gilmar Rinaldi jogou conosco no campinho ali do Ouro.  Já era goleiro. Tinha camisa amarela, igual à do Raul, goleiro do Cruzeiro. Ninguém achava que viraria astro, mas virou. Jogou no Inter, no São Paulo, na Udinese, num clube do Japão e no Flamengo. Agora é empresário de boleiros. Rompeu com o Adriano Imperador (isso dispensa comentários...).

          Voltando ao Paraná: Uma vez fomos jogar no Campo do São Bernardo, em União da Vitória. O Boles era nosso centroavante. Corria mais que lebre. Ele coiceava a esfera do meio para cima, então ela ia rolando. E ele corria atrás, às vezes chegando antes do que a bola.  Uma vez deu o chute e saiu correndo junto com a pelota. Correu tanto que chegou à  trave antes que ela.  Ela bateu atrás das canetas dele e voltou para a área, enquanto que ele foi para dentro das redes. E nós zoamos muito dele.

          Na república de estudantes tínhamos um colega que era nascido em Lacerdópolis, no tempo que este pertencia ao Distrito de Ouro e Município de Capinzal. Ele tinha jogado no Iguaçu como profissional Jogou numa célebre partida em que empataram com o Atlético Paranaense em Curitiba, em 1972, no estadual. Diz que o azar dele foi o tião Kelé, que voltou do México e fez gol nele do bico da área ao seu lado esquerdo. Chutou cruzado. Disseram que se ele tivesse 1,90 não tomaria o gol. O Kelé azarou a carreira dele. Jogou bem mas foi dispensado no final do ano. Alegaram que ele tinha pouca altura para goleiro. Foi jogar futsal e trabalhar na Casa do Bronze. Agora tem sua loja de carros.

          Quando fazíamos nossas peladas no campinho da Rua Professora Amazília, ele gritava: "Riquetti, breca lá!" E eu brecava, não deixava o adversário passar. Desde então apelidamos ele de Breca. Era a gíria do Bugão, do Nire, do Duda, do Jaime Rotta  e do Tanque Joaquim lá no Iguaçu. O Celso Lazarini é "Breca" até hoje.

          O Nivaldo "Bode" Dambrós foi goleiro da AMFO no campo da Linha Sagrado, no Ouro. Fomos inaugurar a ampliação. Um cara "da casa" chutou forte. Ele pensou que o balão de couro ia para fora e nem se mexeu. A bola deu no travessão, voltou, bateu atrás da cabeça dele e foi por cima da trave. Evitou o gol, sem querer. Foi saudado como herói.

          Uma vez, lá no Arabutã, eu estava jogando com raiva. Tinha um painel de propaganda do Besc às minhas costas. Estava há 60 metros da baliza, fiz  um gol do meio da rua. Enfiei um canhão com a gamba esquerda e o goleiro foi buscar a pelota no fundo da cozinha. Comemorei muito, pois eu era lateral direito. Em 22 de julho de 1984 quebrei a perna quando estava na quarta zaga. Saí pra deixar o Tita na banheira e o Vinte Cinco deu condições de jogo prum  pelego. Fui mandar a bola pro mato mesmo que o jogo não fosse do campeonato, e meu goleiro me atingiu. Foram três quebradas, uma de tíbia e duas de perônio. O Mafra e o Farid me levaram pro gesso em Jç. Muita dor e seis peses no estaleiro. Depois O Mafra foi pra Floripa e o Farid virou vice-prefeito de Capinzal. Mas quando eu era pequeno era muito perneta, canela seca e dura. Era um baita pé torto. Com a idade fui aprendendo a jogar. Mas da daí as pernas foram ficando muito curtas e o campo muito comprido.

          Próximo de decisões de classificação cuidam dos boleiros para que não aceitem nada dos malas pretas. É vergonhoso. Ninguém tolera quem dá migué, pois deixa os amigos no compromisso. Boleiro que se preza dá o sangue no campo, sua a  camisa e reza pro seu pai-de-santo. Mas a maioria tem fé em Nossa Senhora, de preferência a Aparecida.  Quando a coisa fica preta, no entanto, exclamam: "Santo Deus, joque sério!" ou "Jesus Cristo, mexa-se!" Mas quem tem que fazer isso é o jogador, não Deus nem Jesus. Quando tem  muita lua no céu, no verão, pedem: "São Pedro, manda umas gotas daí de cima!"

          Bem, lembrar de algumas das muitas histórias de boleirinho me traz saudades. Saudades do Caburé, do Paciência, do Jota Bronquinha, dos Coquiara, do Inferninho, do Foguete, do Flamenguinho, do Nêne, do Sapuca,  e de muitos outros. Alguma hora dessas me atrevo a dizer quem foram esses. Enquanto isso, "Breca lá, boleiro!"

Euclides Riquetti
18-02-2013





         

         
















domingo, 17 de fevereiro de 2013

Eu quero ser teu sol

Eu quero ser teu sol
Morenar teu corpo levemente
Dourar teus cabelos  infinitamente
Eu, apenas eu, teu sol...

Eu quero ser teu sol
Beijar teus lábios docemente
Acariciar tua pele suavemente
Eu, apenas eu, teu sol!

Quero me perder em ti e que tu te percas em mim
Quero me abraçar a ti e que tu te abraces a  mim.

Quero ser teu sol novamente
Beijar-te, ter-te, perdidamente
Brilhar  pra ti e que tu brilhes pra mim com afã
Em todas as  tardes  e em cada manhã
(Quero dar-te o que buscas incessantemente)
Apenas eu, teu sol...

Euclides Riquetti
17-02-2013

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Fogo na cueca e outras babaquices

          Não, isso não é um conto erótico. É fogo ateado com fósforos mesmo!

          Os noticiários recentes, após as tragédias que ocuparam os noticiários brasileiros e a mídia internacional, seguidamente nos trazem notícias hilárias. Seriam dramas trágicos, pois que mostram infortúnios com características de humor. Perfeitas tragicomédias, eu diria. O exemplo mais doido do ano é o do adolescente que pôs fogo na cueca, em Goiás. Para ele outorgo a "Taça Otário do Ano"!

          Aconteceu agora, no início de janeiro, quando um menino da cidade de Jaraguá, próxima a Goiânia, daqueloes doidos para aparecerem, combinou com os amigos para fazer algo que marcasse as férias dele. faria um vídeo (filmado pelos celulares dos colegas), e postaria no you-tube. Queria ser premiado num provável concurso de "as maiores besteiras das férias" ou algo que lhe valha. Então, embebeu suas cuecas com álcool e ateou-lhe fogo. Filmaram parte da cena, pois acabou a bateria do celular durante o ato desvairado. Nem para isso tiveram competência...

         Com queimaduras graves no ilíaco e no seu "pistorius", o babaquinha mor, digo menor, está hospitalizado para recuperar-se.

        Isso me remete a ver quanta bobagem as pessoas conseguem fazer, como por exemplo a do "Padre Louco do Balão" que,  em 2008,  saiu com aquele balão de Paranaguá, no Paraná, (na verdade um conjunto de 1.000 balõezinhos de festa enchidos com gás hélio),  como o objetivo de ir para Ponta Grossa. Tenho parentes e amigos em Ponta Grossa, mas só vou de carro para lá, recuso-me a ir de balão.

           E o padre acabou morto, caído no mar. Erro de cálculo, de rota, e, pasmem: acabou a bateria do celular e ele não pode comunicar ao socorro o ponto onde estava. Resultado, como diz o comediante: "Mór...rrrrreu!!! Pois Padre foi levado pelo vento, com seus balões, para o norte e não para o oeste. Parte de seu corpo foi encontrada no litoral de Macaé, há cerca de 100 Km da costa, no mar.

          Tiro a taça dele e dou para o filho do Fagundes, que queimou a cueca e estragou suas  férias.

          Mas, como é fácil de rir das desventuras dos outros, então, por uma questão de justiça, conto uma das minhas: Em 1971, terceiranista da CNEC, trabalhava no Posto Ipiranga, em Capinzal. Meus colegas, Dário, Tonico e Antenor, disseram-me que para o cabelo ficar bonito como o deste último, era bom passar óleo diesel no cabelo. Eu tinha um cabelão. Passei diesel neles e amarrei-os com um pano. Deixei meia hora, como me ensinaram. Depois, fui tomar banho. Com sabonete Lux, que shampoo era só "quem podia" que comprava. Lavei bem o cabelo e fui para o Colégio, onde os colegas da sala me pediam o que havia de errado comigo, se eu tomara algum remédio, pois estava com um "perfume esquisito". E o "Lancaster" se misturava ao cheiro do óleo diesel...

          No outro dia, no trabalho, foi muita zoação pelo  meu mico. O cabelo do Antenor Rodrigues era bonito porque ele usava "Brilhantina Glostora".  Bem feito pra mim!

          Mas, a taça, vou deixar para o menino da cueca!

Euclides Riquetti







     

     

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

As lições do Papa

          Nosso Papa,  Joseph Ratzinger, que esteve no Brasil em 2007 e encantou nossa nação, enclusive os não-católicos, monopolizou os noticiários televisivos e as imprensas falada, escrita e digital em todo o mundo, desde a segunda-feira, quando anunciou sua renúncia para o dia 28 de fevereiro. A partir de ontem, divide os espaçõs midiáticos  com o  paraatleta sul africano   Oscar Pistorius, conhecido como "Blade Runner", que conquistou duas medalhas de ouro na Paraolimpíada de Londres no ano passado.

         O atleta, cujas pernas foram amputadas ainda quando criança, hoje com 26 anos, namorava  a     belíssima  modelo nascida na Cidade do Cabo e que fez carreira em Joanesburgo, Reeva Steenkamp, 30 anos, matando-a a tiros na mansão dele em Pretória.  Alega que pensou que ela fosse um ladrão... Steenkanp era muito conhecida em toda a África do Sul, já que estava atuando como apresentadora de Televisão. Agora Postorius passa a ter outra qualificação: "Blade Gunner".

          Não é a primeira vez que pessoas bem sucedidas cometem asneiras do gênero, estragando a vida de outros e de si próprias.  Muitos casos rumorosos já marcaram a história de pessoas famosas que, inconformadas com a perda de suas companheiras ou mesmo por razões de ciúme assasinaram-nas.

          Mas, o que me chamou a atenção, em especial, foi a renúncia do sucessor de São Pedro. Ratzinger fez o anúncio no momento certo, antes do término do carnaval, dando matéria para a imprensa, principalmente no Brasil, onde o evento de diversão é o mais noticiado do início de cada ano. Não é por mesnos que dizem que, no Brasil, a vida começa somente depois do carnaval.

          As lições que o Papa nos deixa são  a do despreendimento, a da humildade, a da não ambição. E, num tempo em que ditadores lutam para manter-se no Poder, subjugando populações que vivem em condições miseráveis, em que boa parte da classe política desonra seus mandatos, apegando-se a eles, querendo o "Poder pelo Poder", simplesmente, governando "por telefone", não querendo largar o "osso" de forma alguma,  ele dá essa demonstração de honestidade, de se fundamentar em princípios pessoais valiosos e coloca os interesses de sua Igreja e de sua religião acima de tudo.

          E, sua atitude foi tão inesperada, tão inusitada,  surpeendente, que a cúpula do Vaticano anda buscando interpretar sua Constituição, pois não têm certeza, por exemplo, se ele se tornará novamente Cardeal ou Padre, se usará roupas brancas, como Papa Emérito,   vermelhas, como Cardeal, ou pretas, como Padre.

          Recolher-se-á à clausura. Tenho certeza de que ele não está-se importando com a cor da roupa que usará, nem com o título que ostentará, Mas nós, certamente, sabemos que ele deu uma grande lição a muita gente poderosa que precisava disso...

Euclides Riquetti
15-02-2013

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O Texaco e o Gasolina

          Apelido, quem já não teve um, pelo menos?  Há algum forma de esquecê-los?  Duvido!

          Para que esqueçam os apelidos da gente, só tem um jeito: mudar de cidade, voltar somente um bom tempo depois, bem mudado. Fiz isso e quase que se esqueceram dos meus. Embora tenha ficado conhecido pelo meu sobrenome, ainda há os que me identificam por eles. Na semana passada fiquei muito contente ao reencontrar os amigos lá de União da Vitória e ouvir eles me chamarem de "Alegria".

          Porém  havia uns que me chamavam de "Sorriso". E eu me acostumei com isso, à época. Ser reconhecido pelo sorriso ou por estar sempre em franca alegria era muito massa. Com os incômodos da vida muitas vezes viramos tristes. Mas sempre encontramos uma maneira de voltar a ser "alegria".

          E lembro que,  na minha adolescência,  o cara que não tivesse um apelido razoável ( se é que ter apelido possa ser  coisa razoável...) era fora do contexto. Começava pelos colegas de Colégio, isso se estendia para o campinho de futebol e ia parar lá na catequese. Não tinha jeito mesmo, e quanto mais o cidadãp esbravejava, mais o apelido pegava!

          No final da  década de 1950 havia dois postos de gasolina que eu conhecia, um em Capinzal, bem ali na Rua XV de Novembro, pouco antes do início da subidinha para o alto da XV. Não havia nem calçamento na rua ainda. No Distrito  de Ouro havia um bem no meio da Rua da Praia, onde ela se encontrava com a Felip Schmidt e, dali, havia uma subida para a Coxilha Seca. A  Rua do Comércio, hoje, chama-se  Presidente Kennedy. A Rua da Praia se transformou em Governador Jorge Lacerda na década seguinte, uma homenagem ao Governador que contruiu a Ponte Irineu Bornhausen, que liga Capinzal e Ouro, e aquela defronte à propriedade do Marcos Penso e do João Flâmia, na hoje Rua Ernesto Hachmann, centro de Capinzal. Mais tarde fecharam os dois e o João Flãmia abriu um com a bandeira da Ipiranga. Trabalhei lá em 1971, meu chefe era o Ivan Ramos, que está em Floripa. Éramos nós dois,  mais o Dário Novello, o Tonico Flâmia, O Alcides Venâncio, o Valêncio de Souza, o Antenor Rodrigues, o Nego, irmão do Ivan, o Mingo Barbina e o Tio Nica, o borracheiro.

          O Posto localizado em Capinzal pertencia às famílias Sartori e Lancini e tinha como atendente o Gasolina. O do Ouro  era atendido pelo conterrâneo lá do Leãozinho, o Texaco. Herdou o apelido por causa da Bandeira do Posto, que pertencia às Indústrias Reunidas Ouro.  O outro, acho até que era da Esso, por causa da cor das bombas.

          Essas lembranças me voltaram hoje pela manhã quando estava no centro de Joaçaba. Encontrei o Gasolina sentado num banco no Ponto de Táxi. Eu sempre o via e achava que ele era taxista. Não é. É representante da Bitter Águia, de Capinzal, há uns 35 anos.  O bitter da família do "Laco" tem muita história, tradição e qualidade. Perguntei-lhe se estava aposentado, disse que estava. E passei a perguntar sobre o Posto em que trabalhava. Disse-me que foi da Barra do Leão para Capinzal com 15 anos, em 1955. E que trabalhava dia e noite.  Perguntei-lhe sobre óleo diesel e disse-me que os caminhões eram todos a gasolina, então só vendiam gasolina. À noite vinham muitos caminhões para abastecer. Eram os das madeireiras que levavam tábuas e toras. E os porcadeiros.

          O Texaco, após trabalhar no posto,  virou caminhoneiro. Tinha um Mercedes LP 321 "cara chata". Depois foi trabalhar na Prefeitura do Ouro até se aposentar. Era uma pessoa muito honesta e bondosa. Dirigia um FORD F 13000 plataforma, para transportar máquinas pesadas. Uma vez fomos para  União da Vitória  buscar areia, isso em 1990. Estávamos construindo o Centro Comunitário de Novo Porto Alegre. Estourou um pneu a atrasamos a volta. Chegamos em casa tarde da noite. Íamos e voltávamos contando histórias e relembrando de passagens da vida. Era, realmente, um bom papo.

          Hoje, ao encontrar o Gasolina, muitas lembranças me vieram à mente. Ah, ele tinha o nome do Ivo Faccin. O Texaco, Itacir Oneido Reina. E, como trabalhei no Posto Dambrós e no Ipiranga, não posso deixar de dizer meu apelido da época, que também foi o de escola, do campinho de futebol, da catequese, da Boate Cabana. Até porque estaria sendo injusto com os que me leem no blog e não lembram quem eu era:  Eu era o "Pisca"!

Euclides Riquetti
14-02-2013



        


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A Volta do Esquadrão da Vida - (primeira parte)

          O Esquadrão da Vida voltou! Que alegria! Sentimos isso num pequeno encontro que ralizamos na última sexta-feira, 08, em União da Vitória. Fomos celebrar  nossa amizade, nossa história, nossa vida. Encontramo-nos na Lanchonete Rika, numa esquina da Avenida Manoel Ribas com a Rio Branco, no centro da cidade, às 18,30. Dos seis que convidamos, apareceram  cinco e eu: Boles Myzka, Osvaldo Bet, o  Leoclides Fraron, Celso "Breca" Lazarini, João Luiz "Milbe" Agustini e Eu(clides) "Alegria" Riquetti. Apenas o Carlinhos (Fedelho, segundo o Cabo Maciel à época), irmão do Milbe,  não veio. Acho que pensou que depois eu iria escrever alguma coisa dele no blog. O que posso dizer que ele é um bem sucedido empresário naquela cidade. Parabéns, amigão!

           Não sei porque o Osvaldo e o Fraron não tinham apelido, foram a exceção. O Aderbal Tortato, que casou-se com a "Moça da Fotográfica", era o "Pala Dura - Impencável", pela elegância com que se vestia.

          Foram cinco horas de lembranças seguidas de gargalhadas. Rimos de nossas alegrias e de nossos infortúnios. Fazer parte da República Esquadrão da Vida foi  o máximo para mim, quando entrei para a FAFI. Nossa turma era da pesada. Lembrava Leo Fra do dia em que passou numa viatura do Exército e gritou-me: "Riquetti, Rua Professora  Amazília, 408. Passe lá amanhã no fim da tarde!" E, em menos de 48 horas eu já era "do esquadrão".

          Lembro que ficamos em dez, a casa tinha cinco quartos. Uma cozinheira, Dona Lídia, fazia uma comida de que até hoje temos saudades. Era feijão, arroz, um bifinho cada um, uma salada e,  com sorte um ovo frito! E como era bom isso...

          Um dos primeiros assuntos vindo à tona foi  trazido pelo Osvaldo. Lembrava de que quando fechava o mês o Fraron chegava no almoço do primeiro sábado do mês com um caderninho embaixo do braço e dizia: "Fechei os cálculos!" Vinha com aquela cara calma de milico (era Cabo do Exército) e ia dizendo: "Não deu muito!"  Silêncio na sala, todo mundo aguardando: "Cento  trinta e seis cruzeiros!"  Noooossa, que susto! O salário mínimo era de CR$ 250,00 e isso representava mais de metade, era muito. Então, absorvido o impacto, ele tecia: "Olha, foi trocado um vidro da sala, a luz está cara... e vocês como muito!"   Daí a gente começava a pensar e concluía que, qualquer pensãozinha da cidade custava muito mais e não tínhamos todas aquelas regalias. !

          Intiquei com um que era bem cotado com a filha da cozinheira, que era bonita. Lembramos   que a mãe do Neomar Roman, Dona Elide Roman,  tia do Odacir Guiaretta, nosso colega, deixava a janela da sala aberta para que pudéssemos assistir às vitórias do Emersom Fittipaldi na F1, pois não tínhamos TV. De que um de nós tinha que sentar num botijão de gás por falta de cadeiras. E da vez que fomos ao Cine Ópera todos de blusa vermelha, que era nossa marca,  e me orientaram a peitar dois caras que estariam falando de meu cabelo. Era pra chamar pra os caras pra briga que eles me ajudariam. Peitei-os e eles ficaram com medo e fugiram. Alguns anos depois o Odacir Contini me visitou e contou que eles iam deixar que eu apanhasse, que seria meu "batismo". Já pensou se  os caras me tivessem escorado? Eu ia correr, naturalmente, pois não era de briga! O que que uma turma não faz!...

          Depois o Boles começou a contar sobre o tempo em que trabalhava no Hotel Luz, de quando comprou um táxi (Corcel I,  4 portas), de quando virou hoteleiro do Rio Hotel, até se tornar transportador. O João Luiz, que virou dono do escritório "Milbe", contava de uma briga que houve entre o Contini e o Ernani por causa de um negocio mal feito entre eles quando e primeiro comprou deste um fusca azul.  Deu um monte de tralhas e um pouco de dinheiro e o Ernani se arrependeu. Então brigaram sozinhos em casa. Quando os outros chegaram extavam exaustos.

        E eu lembrei que em 1973 o Celso "Breca" Lazarini tinha um fusca verdinho claro, ano 69. Num domingo pela manhã combinamos que nós daríamos o dinheiro da vaquinha e o Breca iria buscar o vinho pro almoço. Entrou no carro e ele não virava a chave. Pegou a Tribuna do Paraná que estava no acento do carona e começou a ler. Olhava para fora e via que nós estávamos rindo. Olhava para o vizinho, funcionário da Copel e ele ria. Começou a pensar que estavam rindo porque não conseguia fazer o carro pegar. Depois começou a se perguntar como que o jornal estava ali antes das 10 horas se costumava chegar à  cidade depois das 11. E ficou preocupado. Até que nós lhe gritamos que o carro dele ele ainda nem havia tirado da garagem. Entrara no carro do vizinho, que viera de Curitiba pela manhã e trouxera o jornal, por isso a chave não virava.  Que vergonha! Hoje ele tiraria isso de letra, mas naquele tempo a gozação durava dias.

          O Osvaldo falava das conquistas dele no Judô, quando chegou à  faixa preta. o Lazarini só escutava... O Osvaldo lembrou da sacanagem que fez com o Ernani, trocando os pés da cama turca por pedaços de cabo de vassoura que ele serrou e colocou nos lugar dos pés. o Ernani costumava tomar banho e se jogar na cama sem se enxugar. Quando ele se jogou, a cama foi ao chão e foi um escândalo no prédio do Zípperer.

         O Boles só escutava...

        Lembramos que o Funilha (vamos preservar o nome dele  que agora já deve ser um Senhor respeitável e deve ter tomado jeito) quando tomava banho,  não costumava enxugar-se e vestia as meias vermelhas ou amarelas, cor da moda da época, com os pés molhados e as meias de uma semana de uso sem lavar. E isso dava um baita chulé. Coitado do seu colega de quarto.

         Também lembramos do Dionízio Ganzala que fez 13 pontos num bolão da Loteria Esportiva. Chegou em casa e mandou a filha da cozinheira escolher uma bicicleta nova na Willy Reich que ele ia pagar. Depois pediu para o Boles mudar de quarto que ele não iria mais dormir com pobre! E, quando veio o resultado, foram tantos os ganhadores que ainda teve que tirar um pouco de seu soldo de Cabo do Exército pra pagar a bicicleta.

          Lembramos do Samonek, que sabia tudo de Latim, que falava pouco mas  escutava muito. Foi embora pro Norte e é meu amigo do facebook. Do Godoy, que fez carreira Militar e que um dia um menino que vinha lá na república foi servir e achou que ia ter moleza, mas  levou uma invertida porque o Godoy era rígido no 5º BE, verdadeira linha dura. E não deu moleza pro amigo. E, enquanto isso, o Fraron contava piadas. Não me davam chnces de falar...

           Depois, o Boles nos contou sobre um infarto que teve, três dias de UTI, intervenção nas coronárias e agora já está tomando sua cervejinha. E, com muita alegria, presenteou-me com um CD de seu filho "Paco Gaitista" e um livro do outro filho, Marcus Vinícius Myzka, o Vlad MySZka,  "Tipologia dos Desavisados", revisado pela minha professora Fahena Porto Horbatiuk, que recomendo . É um jovem ecritor de quem ainda muito ouviremos falar. E o Osvaldo me executou duas dezenas de músicas com sua gaitinha de boca: começou com Imagine e terminou adivinhe com o quê?

Don´t cry for me, Argentina! Quanta emoção, quanta alegria, quanta felicidade!

Euclides Riquetti
130-3-2013








  

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O pós-carnaval em Joaçaba - Aliança é a Campeã

          Ontem à noite aconteceu a segunda noite de desfiles em Joaçaba. O tempo ajudou e isso facilitou a beleza do espetáculo. Tirei para fotografar muito nesse carnaval. Andei por todos os cantos, no sábado e na segunda. Voltei hoje ao local do evento. O pós-carnaval é triste...

          Estive no Hotel Joaçaba, aqui perto de casa. Disse-me a atendente que na noite de sábado houve lotação e, pelo que se viu de carros no estacionamento, o mesmo aconteceu na que passou. Mas que o movimento do ano anterior foi maior, que as pessoas ficaram 4 ou 5 noites. Neste ano vieram nos dias específicos somente.

          Encontrei muitos amigos no desfile, já que andei por diversas vezes na concentração das 4 escolas. Muitos de Capinzal e Ouro. Casais jovens com os filhos pequenos já desfilam, todos.  Durante o dia fui às compras e identifiquei muitos turistas de fora. A Dirlei Rofner, de Treze Tílias, disse-me que trouxe  turistas estrangeiros que estavam lá hospedados. Aquela cidade trouxe muitos integrantes para a Aliança, que conta com o patronício de um laticínio de lá, dentre outros. Reencontrei também o Elmir Bender, o Gorduchão, locutor da Rádio Catarinanese. Ele me abordou, chamou-me pelo nome. Só o reconheci pela voz. Conversamos rapidamente e eu fiquei muito contente em revê-lo.

          Todas as escolas estão  com um altíssimo nível. Veremos, daqui a pouco, qual será a campeã de 2013. As que não têm o poder que a Aliança tem, compensam tudo com muita criatividade. E com muito samba no pé. Aliás, as baterias são todas excelentes.

          Com o Carnafolia sendo realizado nas proximidades do Campus II da UNOESC, muitos jovens nem assistem ao desfile, o que quer dizer que estava muito fácil trafegar por todos os lugares, a pé, naturalmente. E só vi dois bebuns em estado "avançado". Conversei com policiais, muitos vindos de outras regiões do estado para garantir a segurança,  e disseram que estava tudo tranquilo. Os daqui  acham que com o Carnafolia em outro local, não mais na Praça da Catedral, o centro e as avenidas ficaram mais para os "comportados".

          Por falar em comportados, eu estava preocupado em ver como ficou o desfecho daquele casal em que a mulher fez uma baita cena de ciúmes. Pareceu-me que vira  ela que estava lá no "bolo" da largada. E era mesmo. Tinha um aparelhinho luminoso na cabeça, pareciam duas orelhas de coelho levantadas. Acho que a situação fez parecer que eram dois chifrinhos... estava o casal de mãozinhas dadas, faceirinho. Mas adiante, fui até o carro alegórico onde o marido tinha a função de empurrador.

         Perguntei aos colegas dele sobre o final da história e me disseram que ele a convenceu a continuar com o seu casamento. Ainda bem!  Em seguida ele apareceu e disse-me que "foi apenas uma brincadeirinha", mas que o episódio estava superado. Flauteei com ele também, disse-lhe que o elegera o "azarado do carnaval". Tirei uma foto dele com os amigos. Ficaram contentes porque os outros  só fotografam as pessoas com fantasias e os carros. E ele acabou virando meu amigo, mas quer uma foto...

          Vou fazer uma seleção das melhores fotos que obtive, das partes bonitas e também das  não tanto bonitas. Fotografei umas beldades e os carros alegóricos, todos.  As madrinhas das baterias eram as mais requisitadas para fotos. Todas as pessoas estavam com suas fantasias impecáveis, inclusiva as centenas de crianças que desfilam. Para todos eles o carnaval é parte integrante de sua história.

         Hoje pela manhã fui "dar uma banda" no centro. Com a filha Carol e a neta Júlia. As escolas tinham levado quase todos os carros embora. Mas os que restavam encantaram a Júlia. Queria tocar nas alegorias, ficou encantada. Algumas pessoas  estavam retirando adereços  componíveis dos carros para deslocá-los para seus barracões. E fiquei imaginando quanto trabalho tiveram, durante um ano, para deixar eles assim, tão bonitos. E, agora, guardar o material, comemorar ou reclamar dos resultados.

           Havia, nesta manhã, muitos jovens na cidade. Três garotas de São Lourenço do Oeste estavam defronte o Príncipe Hotel, conversei com elas. Disseram-me que pouco viram dos desfiles porque o objetivo delas era estar no Carnafolia. Havia muita gente de  óculos escuros nas lanchonetes, mesmo sem sol.

          No pós-carnaval temos sempre pelo menos uma semana de lamentações dos que não foram campeões. Acham defeitos nos jurados, na Liga, na Imprensa, em São Pedro. Neste ano não vão poder culpar nosso primeiro Papa por nada, pois ele até que ajudou muito, não mandando chuva na hora do espetáculo. Então, vamos "incluir ele fora dessa!" No anos passado as reclamações foram durante pelo menos um mês, com promessas de desistência dos desfiles. Mas, como sempre, voltam no ano seguinte!

          Cinco carretas e uns 20 homens estavam desmontando arquibancadas e camarotes nesta manhã. A cidade quase deserta. No ar um cheiro horrível, apodrecido,  de cerveja. Em todos os lugares. Caminhamos, livremente, pela avenida XV. Agora, só lembranças.

           A apuração dos resultados foi finalizada há instantes. Lembro que a "Acadêmicos do Grande Vale", estreante, não compete, apenas faz sua apresentação. A diferença entre o segundo e o terceiro colocados foi de apenas dois décimos.

Terceiro lugar:  Escola Unidos do Herval
Vice-campeã: Escola Vale Samba
Campeã: Escola Aliança



Euclides Riquetti
12-02-2013





         

     

       

Eu sou o vento

Eu sou o vento
Que acaricia seu rosto
Que alisa seus cabelos
E afaga seu pensamento.

Eu sou um  vento profeta
Que venta em todas as estações
Que sopra em toas as direções
Sou um  vento que se disfarça de poeta...

Eu sou o vento que sabe o que você pensa e  diz
Que se porta como um mago  adivinho
Que vem e vai de mansinho
E que, sendo profeta, prediz!

Sou vento, sim, apenas um vento assim
Assim,  com mãos para acariciar
Com lábios para te beijar
E coração pra te querer pra mim...

Euclides Riquetti
12-02-2013

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A Renúncia do Papa Bento XVI

          O Papa Bento XVI surpreendeu o mundo com o anúncio de sua renúncia, prevista para o dia 28 de fevereiro. Com isso, dá uma demonstração de despreendimento, maturidade e aumenta sua credibilidade perante o mundo, ao contrário das pessoas que se agarram, incondicionalmente, ao poder.

          Bento XV, nascido Joseph Ratzinger em 14 de abril de 1927, em Marktl, na Alemanha, está no comando do Vaticano desde 1º de setembro de 2005, quando substituiu o Papa João Paulo II.

        Ratzinger, com doutorado em Teologia, fala seis idiomas: Alemão, Italiano, Francês, Latim, Inglês e Castelhano. E tem conhecimentos de Português, Grego Antigo e Hebraico.

         Como justificativa para a renúncia, diz estar com a saúde um tanto debilitada, sem energia suficiente para comdar a Igreja Católica e Apostólica Romana no mundo. É um tapa na cara de todos os ditadores e maus políticos que lutam para se perpetuarem do poder, mesmo sacrificando seus compatriotas.

          Nosso pianista  Sumo Pontífice assumiu o cargo em meio a denúncias de abusos sexuais de crianças por sacerdotes, os padres pedófilos que envergonham a classe.

          E anuncia num momento muito apropriado, a época do Carnaval.Vamos iniciar a Quaresma com fortes motivos para a reflexão. E sua renúncia vai povoar os noticiários de todos os veículos de comunicação do mundo.

          De minha parte, espero que as pessoas, de uma forma geral, venham a refletir muito sobre as péssimas condutas de pessoas comuns e de autoridades em nosso país. Vamos propor a preservação da vida, a seriedade, o respeito para com nossos semelhantes. E espero que todos os ditadores, e mesmo os democraticamente eleitos que não honram o voto que lhes foi conferido por seus eleitores, também imitem o corajoso ato de nosso Papa Bento XVI. Mas duvido que isso aconteça, embora que seria o momento para uma grand faxina ética!

Euclides Riquetti
11-02-2013

Com velhos amigos de União da Vitória

          Tirei dois dias para visitar meus amigos de Porto União e União da Vitória, cidades onde morei de 1972 ao início de 1977. Foram cinco anos de muitas ralizações, muitas conquistas, as mais importantes de minha vida. Deram-me a base para tudo o que fiz, senti, vivi e realizei nos últimos 36 anos.

          Reencontrei minha irmã e seu marido, o Luiz Fernando Ghidini a as filhas Rafaela e Roberta, no Restaurante X-Burger, que há 35 anos está lá estabelecido, provavelmente o mais antigo das cidades gêmeas do Iguaçu. Sempre é bom rever pessoas em bons momentos, não em ocasiões que se impõem. Depois, iniciei uma via-sacra: Fui à FAFI, onde formei-me em 1975 e à Mercedes-Benz, onde trabalhei durante todos os anos que lá morei.

          Na FAFI, procurei pela Biblioteca, onde fui recebido pela atenciosa Juliana e a Sra. Rosana, que há alguns meses me enviou dois poemas meus que constam no livro Prismas, volume IV, editado pelo saudoso Nelson Sicuro, meu professor de Português. Não fiquei com nenhum exemplar desse livro porque os distribuí. E, na época, meu dinheiro permitiu-me apenas comprar cinco volumes...  Peguei na mão, há um lá. Desfolhei as páginas, revi poemas de meus colegas de turma. Também obtive uma relação dos formandos de Letras/Inglês de 1975, facilidade que a informática nos proporciona.

          Visitei a Mercedes-Benz, lá na BR, onde fui recebido pela Ildemara Bet, atenciosa. E reencontrei o Chuiquinho, amigo que trabalhou lá comigo há 40 anos. Está lá ainda como ferramenteiro, com limitação na vista, mas firme e forte. Agora é o "Seu Chico", não mais o Chuiquinho, irmão do Altamiro Beckert, com quem eu trabalhava também.  É muito gratificante que uma pessoa simples como ele continue ali, tenha o carinho dos colegas. Também andei pela seção de peças, atendido pelo Anderson e pelo Karpinski, este trabalhando lá há mais de 30 anos. E revi o Toni Tonet, depois de 18 anos. Se as pessoas ficam tanto tempo assim numa empresa,  é porque elas fizeram sua parte e por isso são valorizadas.

          Tanto na FAFI quanto na empresa,  fiquei emocionado e feliz ao mesmo tempo. Chegar lá e sentir a energia que deixamos há mais de três décadas, olhar para livros, objetos ou mesmo prateleiras, é voltar ao passado, trazer de volta aquele sentimento saudosista que se escondre em nossa alma.  E isso, para mim, é impagável. Cada um valoriza as coisas pelo que sente por elas, e tenho forte sentimentos ligando-me àqueles lugares...

          Depois, comecei minha peregrinação para encontrar amigos que trabalharam comigo. Reencontrei o Silvestre Schepanski, que me dicas de onde estão, agora, o Alcir Teixeira e o Osni Vila Nova e o Vilmar dos Santos. Marquei para fazermos um encontro com todos os outros colegas e vamos fazer isso logo.

          Quando procurei pelo Alcir, fui até onde ele tem sua oficina mecânica e perguntei a umas pessoas que estavam ali: ´"Vocês poderiam me informar onde é a oficina do Sapo"? Fui colega dele, antigamente. Um me disse: "Ih, você chegou tarde, ele morreu faz um mês!"  "Três meses", disse o outro!  E começaram a teimnar entre eles, seriamente. Eu, entristecido, pensava: "Se tivesse vindo um pouco antes, o teria encontrado!"

          Depois de encenarem bastante, um deles falou: "Olha, não é bem assim, ele não morreu mas é a mesma coisa que tivesse morrido. Veja, está ali embaixo daquele caminhão fazendo um conserto. Olhe bem e veja se ele não tem cara de morto!"  - Ri muito!!! Ele estava lá, envolvido em consertar um velho caminhão, com seu costumeiro macacão azul marinho sujo de graxa, como nos velhos tempos. Abraçamo-nos, rimos muito. Foi bem do jeito que costumávamos brincar em nosso tempos de jovens, quando tínhamos 40 anos a menos cada um e ele jogava bola no São Bernardo.  Uma grande alegria reencontrá-lo...

          Visitei outro colega que o Silvestre me indicou, o Osni Vila Nova. Cheguei em sua oficina e lá estava ele, com a mesma cara de 1977, quando vim embora, naturalmente que marcada por todos esses anos. E fui seguindo uma orientação que o Silvestre me deu: Era para chegar lá me apresentando como "Inspetor de Qualidade da Mercedes-Benz". Ele jamais iria me reconhecer, pois da última vez que nos vimos eu era um palito de magro e tinha aquele cabelão, bem diferente do que agora.

          Pedi licença para falar com ele. Estava lidando com um caminhão, fazendo consertos mecânicos, com um ajudante. Lasquei, sério: " Boa tarde, estou realizando um estudo para avaliar o desgaste que ocorre nas coroas e pinhão do diferencial dos caminhões L-1113, aquele conjunto de nº 322 350 18 39, o senhor se dispõe a me ajudar? Não o atrapalho? Ele limpou as mãos com uma estopa e fez menção de deixar o serviço para me atender. Falei: "Não quero que pare seu serviço, pois sei que as horas são preciosas, pode continuar a trabalhar que eu faço as perguntas.... Mas não aguentei. Pus-me a rir, e ele disse que conhecia minha voz de algum lugar, mas que não sabia quem eu era. Identifiquei-me, nos abraçamos e rimos muito. Apresentou-me dois de seus três filhos que estavam lá trabalhando com ele, falou-me do irmão Vilson, que está em Joiville e que era meu colega. Foram minutos memoráveis para mim.

          Tiramos fotos juntos, na oficina, e em frente a um caminhão seu. Fiquei contentíssimo em ter reencontrado aqueles amigos e nos prometemos fazer um encontro futuro. Disse-lhe que, quando trabalhávamos na Mercedes, ele era o único dos mecânicos que ia para a aula, fazia em então segundo grau. Com essa formação, ficou diferenciado e hoje possui sua própria empresa,  bem estruturada.

          Ele me mostrou o caminho para uma loja de peças onde trabalha o Vilmar dos Santos, meu colega de seção de peças lá no Mallon. Cheguei, reconheci-o. Não mais o menino de cabelo preto e comprido. Agora, um senhor grisalho, de óculos, que atendia com muito conhcimento os clientes que chegavam Combinei com o que me recebeu que ele não falaria quem eu era até que o Vilmar me atendesse. Saí pedindo peças pelo número delas, que guardo na minha memória até hoje. Ele não me reconheceu de imediato, mas depois acabou lembrando-se, disse que pela minha voz. Mudamos muito, todos nós, afinal, saí de lá em fevereiro de 1977, há exatos 36 anos. E só agora tive tempo para reencontrá-los. Fui matar a saudade...
          As horas que passei com meus antigos colegas de trabalho foram gratificantes. Lembramos, com o Silvestre, dos  mecânicos Miguel, Padilha, Justino, do chapeador Luiz Ribeiro, do ferreiro Pedro e seu genro Aírton, do Altamiro, do Mauro, do Eloi Cachoeira, do Solon Dondeo, do Carlos Konart, do Romeu da Silva, do patrão Jorge Mallon, do torneiro Mário, que tinha poucos cabelos mas que puxava os do lado para sobre o teto, para esconder sua careca. Lembramos das meninas, a Margarete, a Sueli, a Ivonete e até da  Sandra Probst, a musa do escritório, que foi para fazer sua vida em Curitiba.

          Foi só alegria o tempo que passei com meus colegas. E, na sexta-feira à noite, reuni-me com seis amigos da República Esquadrão da Vida. Relembramos e rimos muito das sacanagens que fazíamos uns com os outros. Mas isso é uma história que vai ter seu capítulo especial, em breve...


Euclides Riquetti
11-02-2013


         


         

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Carnaval em Joaçaba - Primeira noite

          Foi realmente um grande espetáculo o desfile das escolas de samba de Joaçaba e Herval D ´Oeste que aconteceu na noite deste sábado, 09, na Avenida XV, em Joaçaba. Aproximadamente 4.300 sambistas "passearam pela avenida". Considerando as equipes de apoio e cobertura, o número pode chegar a 5.000.

          O desfile iniciou-se às 22 horas de sábado e foi até depois das 03  da madrugada de domingo.Foi aberto perlo rei Mom  Luiz Girão,  e pela Rainha do Carnaval Jenifer Nascimento, que encantaram os presentes  saudando-os e conclamando-os  a entrar no clima de carnaval.  Jenifer é uma bela jovem que contagia a todos.  Depois, vieram as autoridades presentes.

 Observou-se muita agilidade em tudo e diminuiu o tempo de intervalo entre a apresentação de uma escola e outra, pois foi introduzido um segundo carro de som, não havendo necessidade de se esperar que o utilidado por uma escola tivesse que voltar para apoiar a outra. É visível a melhoria da capacidade de organização da LIESJHO, entidade responsável pelo desfile. O jovem Engenheiro Felipe D ´Agostini, que sucedeu  Gilmar  Bonamigo na presidência da entidade,  mostrou maturidade, grande capacidade de articulação, organização e muito dinamismo. Se houve falhas, elas foram imperceptíveis.

          Sem atrasos, sem improvisações, tudo muito bem planejado. E, por sorte, a chuva antecipou-se e veio à tarde. Na noite, no céu, apenas a beleza dos quatro shows pirotécnicos que precederam a largada de cada uma das escolas. A Poderosa Aliança fez o céu colorir-se por demais. É uma escola liderada por pessoas muito influentes aqui em Joaçaba. Chamam de "a escola dos médicos", mas ela congrega também fortes lideranças empresariais. Seu poder de fogo é estupendo. Adquirem boa parte dos seus materiais para a confecção de fantasias no Rio de Janeiro, cidade de onde vêm os jurados.
          A primeira escola a adentrar a avenida foi a Vale Samba. Fundada em 1979, com 15 títulos de campeã já conquistados, é a atual bicampeã. Levou 1.200 sambistas, distribuídos em 21 alas, e colocou 5 belíssimos carros alegóricos. A Vale tem o samba no pé há muitos anos. Seus integrantes já são tarimbados. Rapazes e belas mulatas chamam a atenção da platéia.  É a que tem o maior número de torcedores, seguramente. O enredo "Por toda Santa Catarina, com muito amor, rogai por nós", homenageou a padroeira do Estado e nossas belezas naturais. Também o clube de Futebol Avaí, da Capital Catarinense, que tem as mesmas cores que a Vale.  A escola perdeu integrantes que conhecem muito de carnaval e fundaram, para este ano, uma nova escola, a Acadêmicos. Mas seus torcedores são muito apaixonados por ela e, nas arquibancadas, sabem a letra de seu samba-enredo de cor.

          Por volta de meia-noite, saiu a Unidos de Herval, que está na área desde 1981, oficialmente. É a que tem que ralar muito, todos os anos, para ter seu desfile bancado. Não têm a estrura das duas grandes, mas sabem de samba como poucos. São todos uns verdadeiros malabaristas. Embora não tenha abocanhado títulos, em termos de notas ela fica sempre bem colada na Vale e na Aliança. Seu enredo "Alquimia curativa, a luta para a vida", faz referência aos poderes das ervas medicinais, que já curavam as pessoas muito antes de se criarem os fármacos. A escola que representa a cidade de herval D ´Oeste apresentou 1.200 sambistas em 15 alas e 4 carros alegóricos. Tudo muito harmonioso, muito bonito. Justamente por não terem muito dinheiro para bancar sua participação, usam de mais criatividade no aproveitamento de materias simples, baratos, mas comnpondo peças muito bem desenhadas.

          Por terceiro desfilou a poderosa Aliança. É visível o grande poder aquisitivo de seus adeptos, embora, como as outras, tenha grande contingente de integrantes "da base". Seus arros alegóricos e fantasias têm acabamentos perfeitos. Usam material de altíssima qualidade, inovam muito. Observava-me um simples espectador sobre os detalhes do acabamento das alegorias. Tudo muito perfeito. Querem recuperar o título que não veem há dois anos. Seu sentimento de união, na largada, era infinito. Diziam-me amigos que por ela desfilam que só detalhes técnicos ou eventuais atrapalhos tiram deles o cobiçado título neste ano. Mais de 1.300 integrantes distribuídfos em 17 alas e 7  carros alegóricos de muito luxo, apresentaram o enredo: "Sou o sete... meus mistérios não são tão sérios", em que fazem referência a uma série de analogias em torno do número 7. Já foi 7 vezes campeã, embora seja mais jovem que a Vale e a Unidos, tendo sido fundada em 1984.

          A última escola a desfilar foi a estreante Acadêmicos do Grande Vale. Já em seu primeiro desfile, colocou 550 sambistas em 14 alas e 2 carros alegóricos, um deles uma espécie de teatro ambulante. A Acadêmicos é capitaneada pelo carnavalesco Jorge Zamoner, seguramente o homem que mais conhece carnaval em Joaçaba. É um faz-tudo: Professor, ator, carnavalesco. Pega a caminhonetinha e corre atrás de costureiras para que produzam as fantasias que seu time cria. O enredo "Pintando o sete, fazendo arte, a acadêmicos promete um espetácuilo à parte", homenageou as outras escolas. Uniu experientes e jovens. Fizeram bonito e vão ficar muito fortes. Em meu ver, em menos de cinco anos estará  igual às demais, disputando o título. Homenageou também um de seus fundadores, o jornslista João Paulo Dantas, que faleceu em 20 de janeiro, em  acidente precedido de ataque  cardíaco, quando voltava de Itá, onde tinha ido tratar  de carnaval. Aliás, a própria Liga homenageou o carnavalesco que deixou saudades...

          As baterias, o conjunto de puxadores de samba, os casais de mestre-salas e porta-bandeiras são de primeira linha. E os sambistas estão sempre sorrindo, posando para fotos, mostrando que estão muito bem preparados e orientados pelas suas escolas.

          Não observei incidentes, apenas um caso em que a esposa, morena e forte, flagou seu marido querendo fazer gracejos para uma loira e a mulher dele chegou bem na hora. Estava na equipe de apoio do último carro e ela veio lá do meio daquela multidão de pessoas a passou ali bem na horinha. Para ele, o troféu de "azarado 2013". Enquanto ele tentava se justificar, com a ajuda de dois amigos, havia uns outros 12 para zoar. Ela dizia que, na manhã de domingo, ia jogar todas as roupas dele pela janela.... Não sei como conseguiu se sair dessa...

          De qualquer forma, nosso carnaval, agora indiscutivelmente "o melhor de Santa Catarina", é um espetáculo que encanta a nós, a nossa região, e aos turistas que nos visitam.

          Agora é esperar pelo desfile de amanhã, valendo nota para os jurados. E vamos ver se aparecem as surpresas. Para a noite das avaliações, costumam trazer atores globais e outros famosos. Vamos aguardar. E rezar para que o azarado possa reverter a situção inglória em que se meteu...

Euclides Riquetti
10-02-2013
         



         

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Carnaval em Joaçaba

          Acontece esta noite mais um pomposo espetáculo de carnaval em Joaçaba. Quatro escolas estarão na avenida,  daqui a pouco,  para brindar as cerca  15.000 pessoas que estarão ocupando os camarotes e arquibancadas da Avenida XV de Novembro. Ainda haverá centenas de pessoas acotoveladas nas janelas dos prédios ou confortavelmente abrigadas nas suas sacadas. E, talvez, umas duas mil pessoas que ficam perambulando por debaixo das arquibancadas, que não adquirem ingressos, mas assistem da mesma forma. Alguns chegam lá antes, levam seus banquinhos e cadeiras, seus isopores cheios de latinhas de bebida, salgadinhos, e fazem sua  festa. Ninguém os impede, pois o carnaval recebe recursos públicos. Neste ano foram R$ 600.000,00 da Prefeitura e R$ 1.200.000,00 do Governo do Estado. É certo que as esolas, os foliões e a Liga colocam muito dinheiro na parada. Têm um eficiente método de comercialização de ingressos e camarotes e ainda muitos patrocínios publicitários de empresas que têm suas placas de propaganda fixadas nos lugares onde é possível. Duvido que se faça um carnaval assim com menos do que R$ 4.000.000,00. Mas pode ir para muito mais do que isso, não menos.


 Durante a semana, emissoras de rádio vinham divulgando anúncios que ofereciam vagas para três pessoas para uma sacada bem localizada, somente para a noite de sábado, por R$ 1.500,00, ou R$ 4.200,00 para uma sacada em que caberiam cerca de 25 pessoas, também somente para a noite de sábado. Casas para serem utilizadas durante bo evento por R$ 3.000,00 de aluguel. Provavelmente que, para segunda, esses preços dominuam, uma vez que o sábado é a noite em que as escolas apresentam atores globais, principalmente a Aliança e a Vale Samba. A Unidos do Herval, de Herval D ´Oeste,  e a estreante Acadêmicos  do Grande Vale não têm o poder de fogo das duas escolas maiores, mas contam com coordenadores e artistas com muita experiência. E pessoas muito talentosas para desfilar. Vamos ver quem serão as surpresas deste ano. A Acadêmicos foi fundadas por dissidentes da Vale Samba e das outras escolas. Seu principal nome é o professor, ator e carnavaleco Jorge Zamoner. Seu companheiro João Paulo Dantas perdeu a vida recentemente, em acidente de carro precedido de problemas cardíacos. Eu, pessoalmente, o considero Zamoner o mais experiente na área.

         Os jurados, a exemplo dos anos anteriores, vieram do Rio de Janeiro. As arquibancas  e os camarotes metálicos  se extendem nos dois lados da XV. Observei detalhes da segurança e verifiquei que os encaixes estão com sobreposição de reforço de arame para que não aconteça o caso de qualquer soltura. O Presidente da Liga Independente das Escolas de Samba de Joaçaba e Herval D ´Oeste, Engenheiro Felipe D ´Agostini, está surpreendendo em sua capacidade de articulação e liderança. E o item segurança é sempre a sua principal preocupação.

          A concentração se dá na Avenida Rio Branco e Rua Francisco Lindner. Estive lá durante a tarde, fotografando os carros alegóricos. Naquele  momento havia cessado uma chuva e acabavam de retirar as lonas que cobriam os carros. Mas havia alguns que foram molhados da mesma forma. Equipes de apoio das escolas davam os retoques finais na maquiagem das alegorias. Um colava flores nas bordas de um enfeite. Outro soldava ferros. Outro conferia o sistema de iluminação do carro alegórico. Carrinhos conduziam fardos de bebidas para serem colocadas para gelar.

          Neste momento, quase 20 19 horas, o céu está um tanto escuro. Há visível ameaça de chuva. Tomara que não aconteça isso. Seria uma maldade para com todas aquelas milhares de pessoas que estarão desfilando e os que pagaram ingressos para assistir. E com os que, carinhosamente, confeccionaram fantasias, ensaiaram e estruturaram tudo.

          Acompanhei já mais de uma dezena de eventos desses em Joaçaba e, a cada ano, estão melhores. Assisti ontem ao desfile de São Paulo. Posso garantir a você, leitor (a), que nosso carnaval tem alegorias melhores do que os de lá. E os sambistas daqui são espetaculares. Há uma avassaladora paixão pelo carnaval aqui. As pessoas que não puderem fazer-se presente poderão acomapnhar pela TV Bandeirantes do âmbito estadual. É claro que Joaçaba também será notícia em nível nacional porque em Florianópolis não haverá desfile.  Querelas políticas levaram a isso.

          Vamos torcer para que o nosso seja um sucesso. Amanhã estarei relatando mais sobre isso.

          Bom divertimento  a todos, com serenidade, calma e evitando os excessos de todas as formas.

Euclides Riquetti
09-02-2013