domingo, 9 de fevereiro de 2014

Pensar em ti ( e se perder de amor...)

Em meio ao calor sufocante
A chuva se intimidou
E na tarde de sábado,  escaldante
Em que o vento silenciou
Um meio de me deleitar:
Pensar, querer, desejar, pensar!

Pensar em ti
Em te querer
Em te rever
Pensar em ti!

E meu pensamento desaprisionado
Abraçou-se na liberdade
Fez-se um pássaro alado
Que sobrevoou a cidade
Viajou pelos ares sobre as montanhas
Sobre florestas desconhecidas e por terras  estranhas.

Voou na calmaria
Meu pensamento
Sedento
De chegar até ti.
E, com muita ousadia
Pousar bem ali
Ao lado do teu coração...

E se perder de amor!

Euclides Riquetti
09-02-2014

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A música da noite

A música da noite
Veio embalando a brisa suave
Entrou em meu quarto
E pousou junto de mim.

Foi algo assim
Indescritível
Incrível
A música da noite...

A música da noite
Trouxe-me uma mensagem de amor
Uma mensagem de paz
Uma mensagem muito singela
Que veio pela janela
E me deu uma flor.

A música da noite
Trouxe-me a doce lembrança
De minha infância
E de  um rosto com traços suaves.

Ah, quantas saudades
Dessa mulher criança!

Trouxe-me o céu estrelado
A lembrança do passado
Dos anos dourados e dos sonhos sonhados
Mas não realizados.

A música da noite me trouxe você!
E eu me apaixonei...

Euclides Riquetti
08-02-2014

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Faltou luz!


          Posso considerar-me um sujeito privilegiado em termos de ter vivido, desde criança, em casas que tinham energia elétrica disponível. A partir de meus 13 meses de idade, já mencionei isso, fui morar com meus padrinhos no Leãozinho, João e Rachele (Vitorazzi) Frank,  à época uma colônia do Município de Capinzal, onde nasci. Lá tinham um rodão de água que acionava um dínamo. Alguns dos colonos daquela linha tinham desses rodões.

          Depois, aos oito anos, voltei a morar com meus pais, na sede do então Distrito de Ouro, onde havia energia. Na casa do Nono Victório Baretta e da Nona Severina, também tinham rodão, lá em, Linha Bonita. Havia aquelas lâmpadas incandescentes, de uma 25 "velas". O Nono Baretta tinha telefone na casa dele já na década de 1950, lá na colônia. Foi pioneiro. O aparelho está guardado com minha prima Celita Baretta Savaris, em Capinzal. É uma relíquia.  Na cidade, as de 60. Iluminavam mais que as velas e isso era um grande conforto.

          Na segunda-feira aconteceu um grande apagão por aqui, que chegou a atingir 11 estados brasileiros. Faltou luz! Em algumas cidades por alguns minutos, em outras por algumas horas. Assustei-me, pois vários equipamentos pararam de funcionar. Apenas as lâmpadas se mantiveram. Busquei informações num 0800 e a atendente, gentilmente, explicou-me que houvera um "apagão nacional".

          É nessas horas que a gente vê o quanto somos dependentes da energia elétrica em todos os nossos ambientes de convivência. Então, passei a lembrar-me dos tempos de infância em Capinzal em relação a isso, senão vejamos:

         Nossa cidade era atendida pela Usina da Família Zortéa, que se localizava ali no Ouro, no Rio do Peixe, à montane da Auto Mecânica Ouro. Havia uma edificação em alvenaria, que comportava uma turbina, acionada pela força hidráulica das águas que chegavam até ela através de um valo. Aos fundos da propriedade que hoje pertence ao Sr. Vitalino Bazzo, havia um muro de pedras que era chamado de "ladrão", por onde parte da água fugia do valo e voltava ao Rio do Peixe. A barragem, que chamávamos de açude, tinha uma comporta próximo de cada uma das margens do Rio. Este, embelezava nossas bucólicas cidades. Alguns botes, águas limpas, as senhoras, com seus lavadores, lavavam as roupas nas suas águas. E nós, nadávamos, pescávamos andavamos de bote. Qualquer moleque sabia nadar e pilotarbotes.

          Ainda na década de 1960 a cidade passou a receber energia da Companhia Hidrelétrica Piratuba. A usina dos Zortéa foi transformada pelo Clemente Zortea numa fábrica de pasta para papelão.  O Frigorífico Ouro, hoje BRF, tinha usina própria, na margem direita do Peixe. Adiante, com a chegada das portentosas redes de distribuição da Celesc, foi desativada. E o que é feito da usina dos Zortéa? -- Foi soterrada, está no mesmo lugar, embaixo da terra. Havia, lá bem embiaxo, um "carneiro", que impulsionava água para o clube Floresta nos anos 60, quem é do tempo sabe o que era isso. E a barragem continua ali, ligando Ouro e Capinzal, parcialmente destruída... Uma pena!!!

          A partir de 1967 a cidade ganhou ares de cidade importante. Os postes quadrados de madeira, que comportavam luminárias simples de lâmpadas incandecentes, passaram foram substituídos por postes de eucalipto tratado e receberm luminárias com lãmpadas fluorescentes, de 200 watts no mímino. A primeira rua a receber o benefício foi a Dona Linda Santos, a do Belisário Pena. "Parecia um  dia"  aquela rua. E nós, que saíamos da escola a pé, à noite, vibrávamos com aquela estupenda iluminação. Em menos de dois anos, as duas cidades, Ouro e Capinzal, contavam com a moderna e belíssima iluminação.

          Os anos se passaram, o Brasil possui um sistema "interligado", controlado por um operador nacional, um sistema "quase perfeito". Bah, não fosse esse quase e teríamos segurança em receber energia em casa e nas empresas sem riscos de faltar.

          A realidade é que ficamos muito dependente de suas formas de energia: a originada pelo petróleo, que movimenta os veículos; e a originada pelas hidrelétricas, alimentadas pela água em desnível, que gera força e é limpa e renovável. Consumimos mais do que precisamos. Fomos doutrinados a nos tornarmos consumidores de produtos e serviços que se acionam por energia. E não mais abrimos mão disso. Paralelamente, deveria haver a expansão da produção. Mas isso não vem ocorrendo, há entraves burocráticos e legaus a impedir. Além da flata de dinamismo dos órgãos de Governo, que até têm planejamento, mas são dirigidos por políticos de competência duvidosa... Laantável!

         Então, ter paciência, compreender as mudanças, entender a história e saber que sempre há uma possibilidade bastante razoável de termos imprevistos...

Euclides Riquetti
07-04-2014

Buscar-te na noite, embalado ao vento...

O vento que move as folhas das aroeiras arredias
É o mesmo que me acaricia com seu dileto açoite
Que me traz as estrelas e o frescor da noite
Após as chuvas ditosas do final do dia...

O vento que beija teus lábios de vermelho maçã
É o que me inspira na noite sedutora
Que me acalma com sua aragem redentora
E alenta meu corpo e minha alma sã.

Ah, noite de verão que meus medos esconde
No aguardo do outono que derruba a folha
Noite para pensar em quem está longe.

Pensar, sim, viajar pelo ignoto  firmamento
Que essa seja a nossa melhor escolha
Buscar-te  na noite, embalado ao vento...

Euclides Riquetti
06-02-2014

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

No campo dos girassóis (eu te encontrei)

Procurei-te nas manhãs azuis de meu imaginário
Nas manhãs de ontem, de hoje e de amanhã
Procurei-te nas granas deliciosas da romã
Que têm o terno gosto de teus lábios...

Procurei-te por debaixo de teus tenros lençóis
Nos gramados, bosques e colinas
Procurei-te em todas as praças e avenidas
Mas só te encontrei no campo dos girassóis...

Procurei-te,  mulher do sorriso contagiante
Que alimenta meus sonhos e pecados
E te encontrei moça, mulher, amada e amante...

Encontrei-te, fonte de meus sonhos e desejos
Encontrei-te,  musa de meus versos declamados
Encontramo-nos, eu, os girassóis e nossos beijos.

Euclides Riquetti
05-02-2014

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O Dilema do Galo Velho diante da Franga Poderosa

          Diz que o Galo Velho é sempre o mais respeitado, ainda mais se for Galo de Terreiro. Terreiro dos arredores das casas, não daquele que você provavelmente pensou. Lá ele canta de galo de dia e de noite. De dia, para mostrar-se imponente e majestoso diante das galinhas, das frangas, pintainhas, das galináceas, enfim. Se for Galo de Rabichos, então, com toda aquela elegência, crista elevada e bem vermelha, olhos curiosos e radarizados, pescoço de periscópio, penachos brilhantes que partem das cores do cavalo zaino até a negritude das pelagens dos mais velozes puros-sangue, então ninguém segura. Meta-se com ele e vai ver o que é bom pra tosse! Se estiver pensando em sacá-los, os rabichotes, para por numa peteca de palha de milho, vá com cuidado. Esporas afiadas esperam por você!

          Pois que um galo desses houve de morrer e... morreu.  E, morrendo, foi parar num lugar que não era céu nem inferno. Era uma "Casa da Mãe Joana" acho, mas não tenho certeza. Lá cada galinha e cada galo fazia o que queria, era uma democracia bagunçada em que quem falava mais alto mandava e "quem tinha  juízo" obedecia, como diz o ditado. O Galo Eusébio, lá chegando, deixou sua mochila cheia de quireras de milho por sobre um tronco de madeira. Começou a estudar a situação e viu que cada galo já tinha seu feudo bem dominado. E, os mais vistosos, eram assediados por muitas frangas e galinhas. As pintainhas que morreram precocemente eram respeitadas, nenhum cocó velho queria ser tachado de pedófilo.
 
          Pois o Eusébio deu umas "bisoiadas" pelos cantos e viu que havia uns terreiros desocupados naquele latifúndio improdutivo. Reconheceu a Tiloca, uma franguinha deliciosa com quem já "contracenara em vida". Pensou em "ficar" com ela. Namorar sério não, pois vai que apareça alguma novidade, uma nova carne branca no pedaço, sem colesterol, e tenha que assumir compromisso maior. Melhor não se comprometer com a Tiloca, companheira de outras jornadas.

          "Você aqui, seu velho turrão?! Pensou que ia ser eterno?", falou a gracinha. Eusébio disse que falasse baixinho, que era pra não dar vexame, que iam pensar que eles eram caipiras, gente criada no mato, à base de radicci e de morder cascas de melancia. Por comum convenência acertaram de respeitar-se, "para o bem de todos e felicidade geral da nação", como diria o Galo Pedro.

          Mas isso não impediu a moçoila de tirar umas casquinhas: "Sabe, Galo Velho, escutei na Rádio Catarinense, no Programa da Alegria, do Amarildo Monteiro, lá de Joaçaba, uma propaganda que tinha "Galo Velho" em promoção num supermercado a R$ 1,49 ao quilo. Vocês estão em baixa, é uma vergonha pra vocês, que sempre se acham tão soberanos e absolutos. Coxinha de franga jovem como eu, bonita, teudinha, vale, no mínimo, uns R$ 7,00. Até as asinhas nossas, que antigamente chamavam de Tulipas, e que agora chamam de "meio-da-asa", estão pra mais de Dez Reais. Estamos muito valorizadas".

          Eusébio ficou indignado com o que a raça humana vinha fazendo com sua classe, desmoralizando-a. Pois os perus estão aí valendo uma nota e os galos totalmente desvalorizados. Uma afronta à dignidade "humana" dos galináceos de grande porte. Se um dia voltar à terra, vai criar um sindicato que os defenda no pós-morte.  Desde pintinho,  o Galo Cidadão precisa ir sendo educado, preparado e protegido, sindicalizado,  para que não façam piadas com ele.

          Matutou: "Pensando bem, elas têm razão. Na vida terrena, os galos são "os tais". A palavra galinha é usada muito pejorativamente, e tantas vezes injustamente, enquanto os galos são laureados. Há as exceções, os caras galinhas, da raça humana, metidos a querer todas... mas isso é problema deles. Melhor não confundir a cabeça, deixar a crista tomar sol e ar fresco..."

           E lembrou-se de que há coisas ainda piores. No domingo pela manhã, no Programa do Tchê Mendes, na mesma emissora, este falou: "Cada ovo comido é um pinto perdido!"  É uma criativa e cheia de lógica filosofia de parachoque de caminhão. Mas, pensando bem, melhor ser um Galo Velho vendido em promoção na velhice do que um ovo comido!

Euclides Riquetti
04-02-2014         

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Deixa que o perfume dos ventos...

Deixa que o perfume dos ventos te acaricie
Afague tua pele e beije teus  lábios que eu tanto desejo
Erice  teus cabelos macios  e aplaque  teus medos
Permite  que o perfume dos ventos se delicie...

Deixa que a brisa da noite refresque teu corpo fogoso
Apalpe teus seios, teus braços, com toda a ternura
Que leve pra ti  os aromas  e toda doçura
E que a noite se transforme em algo sublime  e gostoso.

Deixa-te navegar na distância numa  viagem bonita
Ultrapassar as barreiras que te impedem de ser feliz
Voa pelos ares da mente na imensidão infinita

Deixa  que teu rosto receba o carinho de minhas mãos
E sente  o seu  toque sensual que você sempre quis
Deixa-te trazer até mim, embalada pelo som da minha canção!

Euclides Riquetti
02-02-2014



sábado, 1 de fevereiro de 2014

Houve um dia um sol

Huve um dia um sol que brilhou pra você
Mas que, talvez, por alguma razão
Com o tempo apagou-se e foi embora
Um sol que nasceu em seu coração
Isso já faz tanto tempo, é coisa de outrora...

Houve um dia um sol que cativou você
Mas que se traduziu apenas numa mera ilusão
Talvez seus raios não fossem tão fortes
E acabaram deixando-a sem chão
Assim perdida, sem rumo e sem norte...

Acho que foi um sol de inverno com raios tímidos
Ou de verão com os raios agressivos
Só não foi o sol que aqueceu você...

Acho que foi um sol falso, sem firmeza, nem cor
Não foi o da beleza, nem  o da franqueza
Que não lhe deu amor, que não lhe deu amor
Apenas dor, decepção,  muita dor...

Mas poderão vir outros dias de sol e de fulgor
Trazendo alegria, carinho e  afeto
Nas manhas amenas e nas tardes de calor!
O carinho esperado, o afago certo:
O sol que vai merecer você!

Euclides Riquetti
01-02-2014

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

De repente, a saudade...

De repente, a saudade:
Saudade da infância
Das bolicas de vidro
Do meu primeiro livro
De ser criança!

Saudade, saudade:
Saudade do pão caseiro
Do mel e da nata
Do marmelo e do marmeleiro
E da marmelada.
Do café na caneca esmaltada
Do leite quente e das torradas.

Saudade, sempre saudade:
Saudade dos chinelos de couro
Das valetas de água correndo
Do joelho esfolado e doendo
De brincar de caça ao tesouro.

Saudade, muita saudade:
De brincar de couboy
Com revolvinho de espoleta de rolo
De gritar "camóin"
"Está preso, levante as mãos, seu tolo"!

Saudade, doce saudade:
De levantar cedo pra ir pra escola
De encontrar os amigos na rua
De gritar de noite pra lua
E de jogar muita bola.

Saudades, cada um sente de um jeito:
Pouca, muita, quase nada, demais
Mas todo mundo sente!

Do amor que nem bem chegou
E já se foi...
Da personagem que nos cativou
Marcou
E foi-se logo depois.
Saudade, tão vaga como uma oração
Sem sujeito
Que invade meu peito
Mas que ocupa extenso lugar no meu, no teu
No nosso coração!

Euclides Riquetti
31-01-2014

A visita do Amílcar e o fim da novela

          Promessa feita, promessa cumprida! O amigo Amílcar, companheiro de festanças na nossa juventude em Porto União da Vitória, finalmente veio me visitar. Foi com o genro fazer uma entrega de erva-mate em Erechim e passarm por aqui na volta. Vieram no furgãozinho do genro. Enquanto o marido da filha foi fazer um conserto na bomba injetora do veículo,  veio almoçar conosco. Como o serviço ia demorar, tomamos um chima. Ofereci-lhe mate  e ele aprovou, disse que é muito bom, que ele entende bem de mate. Sei disso também...

          Resolvi levar  o cara para dar uma banda na city. Mostrei nosso novo cartão postal, a "nova rodoviária de Joaçaba", apontei para o imponente monumento de Frei Bruno, uma espécie de "Cristo Redentor" aqui na cidade, localizado no alto de um morro, abençoando, ele e seu cajado, nossas cidades de Joaçaba e  Herval D ´Oeste. Conheceu nosso teatro, o Alfredo Sigwalt,  achou muito bonita a majestosa edificação. Falei-lhe que tenho alguns amigos que fazem parte da Direção do teatro, que são grandes animadores de seus eventos, o Bolinha Pereira e o Jaime Telles.  Depois andamos pelo centro, tomamos sorvete. Mas o que mais frustrou o amigo foi uma passagem por uma bodeguinha, onde resolveu comprar umas balinhas para levar  para a netinha, lá de  General. 

         Perguntou o preço, três reais cada pacotinho.  Remexeu no bolso, tirou uma nota de dez e pediu dois, ia dar um pra nena e outro pra neta, que mora no Bode, em General Carneiro. Disse que lá, por alguma razão, chamam a cidade de "Bode"! Acho que está bem evidente isso. Passou a nota para a bela atendente, uma moça de cabelo claro, aparelho nos dentes, que lhe conferia um certo charme. E foi dizendo: "Trêis com trêis, seis!" Ela não falou nada, retirou da gaveta uma calculadora, somou R$ 3,00 mais R$ 3,00 e disse: "Está certo, são seis reais". Depois, numa nova operação, diminuiu os seis da nota de dez, e devolveu-lhe 4 moedas de um real. Perguntou-lhe se não era mais fácil dar-lhe duas notas de dois e ela assim o fez.

         Saímos de lá e fomos tomar sorvete e ele manifestou sua indignação: "Veza só, Riquetto, ela teve que fazê as conta na máquina pra sabê quanto dava a despesinha e ainda  devolveu nas moeda". Depois dizem que o loco é o Amílcar!!!

          Tive que dar razão para ele. Falei que uma vez uma senhora bem empregada, com carrão, muito charme e carteira cheia de reais,  foi num salão de uma cidade aqui perto  e teve que pegar a calculadora para ver quanto dava o custo de arrumar o cabelo e pintar as unhas, que nem todo mundo é prático como a gente, que as pessoas estão muito dependentes de tudo o que é geringonça eletrônica...

          Depois,  começamos a falar de novelas. Falei que sempre fui noveleiro, desde o tempo da Novela "Estúpido Cupido", quando a Elisabete Savala fez o papel de Irmã Angélica, em 1976. Ela era uma freira muito bonita, que deixava os jovens da novela muito doidos. Agora ela é a Márcia, de "Amor à Vida", vendedora de hot-dogs, a ex-"Tetê-parachoque-e-paralama" vovó da Mary Jane. .  Eu acho que ela e o Mateus Solano, o Félix, são os dois melhores intérpretes de seus personagens. Salvaram a novela, que até há um mês era muito chata.

          Ele concordou comigo e também fez algumas considerações: "Aquele Dr. César deveria ser samado de Dotor Corno, isso que sim. Porque só ele que num vê as coisa que a Aline apronta".  Falei que é apenas o papel do Antônio fagundes que o torna assim, que é exigência de quem escreve e de quem dirige a novela, embora que eu também ache  o César um babacão. E o Amílcar emendou: "Como dizem os taliani lá de Bituruna, é um poro pintcho!"

          O celular dele tocou, era o genro que tinha terminado de arrumar o caminhão. Marcamos de nos encontrarmos perto da Lanchonete Trevo, do Batatinha. É lá onde a gente come polenta com tilápia e o atendimento é nota dez. Dele, da Kiara e dos meninos e cozinheiras.  No trevo da Rodoviária Nova.

          O Amílcar foi embora quando o céu ensaiava mais uma chuvinha. Uma daquelas muito agradáveis destas tardes de verão. Sempre bom reencontrá-lo. E, como dizia o Faé: "Obrigado, volte sempre"!

Euclides Riquetti

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O sol da noite escura

O sol da noite brilhou de repente
Intensamente
Depois  foi embora
Suavemente
Com seus raios transparentes.

Ele veio apenas para clarear os espaços
Pavimentar a avenida do amor e da paixão...

Foi o amor-sol que brilhou
E que me aliciou
Dentro de seu coração
E que me guiou até  seus braços.

O sol da noite escura  se fez sol de prata
E, no encanto da serenata
Brilhou!
Brilhou na noite como brilha no dia
Por pura magia...

O sol da noite
Forte, magnânimo
Reenergizou o meu ânimo
E fez rebrotar em mim plantinhas que estavam amedrontadas.

Agora, pedir que nossas almas sejam reconfortadas
Iluminadas pelo sol da noite
E por Deus abençoadas!
Euclides Riquetti
30-01-2014

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Busque encontrar um porto seguro...

Quando em seu coração houver turbulência
Estiver abalada, ferida de agonia
Busque reencontrar a calmaria
Faça seu pensamento navegar com maestria
E vá  buscar motivação para a existência.

Quando sentir que o céu de seu dia ficou escuro
E que o chão parecer ter-se aberto de repente
Cuide de analisar o que seu íntimo sente
Tome a atitude que precisar, firmemente
Para ir de volta ao seu porto seguro.

Busque encontrar quem lhe dê apoio
Irrestrito, amplo, incondicional
Pois quem ama, a ninguém quer o mal.

Procure agir de modo simples e natural
Na tarefa de separar o trigo do joio...

E se a tarefa lhe parecer difícil e espinhosa
Pense em mim, delicie-se com meus beijos
Na noite silenciosa, longa, silenciosa...

Euclides Riquetti
28-01-2014

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

"O Cadorna" - homenagem ao amigo e companheiro!

          A gente vai perdendo pessoas porque o tempo passa e nossa juventude e energia também vai-se indo. Nesta segunda-feira, pela manhã, foi a vez do Cadorna. O Cadorna teve este apelido que se derivou de seu verdadeiro nome. Uma corruptela de "Dirceu", do Dirceu Cadore. Sessenta e nove anos de muita amizade, muito carisma, muito trabalho, muita alegria distribuída por aí...

          Quando na minha adolescência, o Cadorna passava pela nossa Avenida Felip Schmidt com uma pick up Willys, das Indústrias Reunidas Ouro. Faltavam-lhe pelo menos uns três dedos da mãe esquerda, mas isso não o impedia de trabalhar. Sempre foi muito trabalhador. Era o lateral esquerdo do Arabutã Futebol Clube. Mais adiante, foi sucedido pelo Elói Dambrós. Depois, veio o Joe Bertola. E, muitos laterais esquerdos depois, o Cadorna foi lá pra Estância de São Pedro.

          Quando estávamos terminando o "Ginásio", no Juçá Barbosa Callado (no mesmo prédio do Grupo Escolar Belisário Pena, de Capinzal), ele foi nosso colega de aula. Havia o Chascove, o Osvaldino D ´Agostini, a Maria de Lourdes Savassi, a Erondina Moro, o Ivan Ramos, o Valdir Caresia, o Jair Nunes, o Jarmino Freitas, a Nelcinda Savi, a Soeli Penso (Moresco), os irmãos Nelci, José Carlos e Terezinha Andrioni, a Reanir, e muitos outros. Apareceu lá por uns tempos, mas não durou muito. Estudar não era com ele. Gostava, mesmo, era de dirigir carro. Mas era muito divertido, contava causos engraçados e piadas. Fazia piadas de sua mão em que faltavam dedos. Ria muito de si mesmo. Era uma pessoa bondosa, foi isso em toda a sua vida.

          As pessoas de minha geração, que viveram em Capinzal e Ouro, e muitos, muitos outro, conheceram muito bem o Cadorna. Sabem o que estou dizendo!

          Quando voltei de União da Vitória, onde fui morar para estudar, reencontrei-o. A partir de 1980, quando voltei ao Ouro, tornamo-nos companheiros na política. Foi militante em minha eleição, ajudou-me muito. Tinha muita amizade em todos os lugares do Município. Nunca pediu so  Poder Público nada para si. Viveu de seu trabalho, trabalhou até três dias antes de ser internado no Hospital e nos deixar. Nos últimos anos, trabalhou com a Família Cremonini, na Agropecuária Capinzal. Vendedor de produtos e insumos para a agropecuária, tinha as portas abertas em todas as casas da área rural onde  ia. Receber o Cadorna numa casa era só alegria. As crianças gostavam muito dele. Ele as chamava pelo nome.

          Poucas vezes o vi nos últimos cinco anos, depois que vim embora para Joaçaba. Antes, costumava encontrá-lo no Posto Dambrós,  no domingo pela manhã, ali no Ouro. Sempre tinha algo novo pra contar, tinha oipinião sobre tudo, principalmente sobre política. Sabia respeitar a todos e era muito admirado por isso.

          O Cadorna fez a sua parte, não foi uma folha em branco. Escreveu sua história com trabalho, honradez e honestidade. Deixou os filhos Ana Paula, Dirceu Júnior e Ricardo. Os três foram meus alunos. Também a neta Letícia, as irmãs Margarida Salete, Irene e Ana Maria, e o  mano Alfeu.  Foi alegrar os companheiros e amigos que já estão no céu.

          Esteja com Deus, amigo!

Euclides Riquetti
27-01-2014

         

Busque encontrar seu porto seguro

Quando em seu coração houver turbulência
Estiver abalada, ferida de agonia
Busque reencontrar a calmaria
Faça navegar o pensamento com maestria
Indo buscar motivação para a  existência.

Quando sentir que o céu de seu dia ficou escuro
E que o seu chão parecer ter-se aberto de repente
Cuide de analisar o que seu íntimo sente
Tome a atitude que precisar, firmemente
Para ir de volta ao seu porto seguro.

Busque encontrar quem lhe dê o apoio
Irrestrito, amplo e incondicional
Pois quem ama a ninguém quer o mal.

Procure agir do modo simples e natural
Na tarefa de separar separar o trigo do joio...

E, se a terefa lhe parecer difícil e penosa
Pense em mim, delicie-se com meus beijos
Na noite silenciosa, silenciosa, silenciosa...

Euclides Riquetti
28-01-2014

Despertando amor e paixão

Um encontro pode ser casual
Na rua, na praça, no cinema
Num shopping da área central
Ou apenas num telefonema...

Pessoas podem ter tropeços
Sonhos virando decepção
Mas pode  haver um recomeço
Após uma grande desilusão.

O que já  pareceu improvável
Algo inimaginável
Pode vir a acontecer:
O  mundo tem sutilezas
Que podem tornar-se boas surpresas...
Surpresas pra  mim, pra você.

Então, quando menos se espera
Surge alguém,  do nada
Que atiça o fogo apagado
Que anima o ser magoado
Despertando amor e paixão!

Euclides Riquetti
27-01-2014