segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Mergulhar em você...

 



Eu queria mergulhar em você
Infinitamente...
Eu queria me jogar em você
Perdidamente...
E me inundar de seus  lábios  que atraem
Constantemente...
E olhar os seus olhos bonitos
Certamente...

Eu queria abraçar o seu corpo
Desejosamente...
E esquecer de meu mundo agitado
Num repente...
E gritar pra você que seus beijos
São ardentes...
E alimentar meus sonhos para que sejam reais
Para sempre...

E que você nem respondesse
Mas apenas dissesse:
"Eu também quero você!"

Euclides Riquetti

Política – manifestações – uso indevido das redes sociais: muito barulho e pouca consequência

 

 



       Bolsonaro e Lula são inteligentes e muito fortes. Ciro Gomes é, também, bem autêntico, pois tem suas convicções manifestadas claramente, e navega tanto na esquerda como na direita. Dória é simplesmente ridículo. O manifesto do dia  12 de setembro, uma espécie de “Fora Bolsonaro”, fracassou porque não teve o apoio do PT. Dória, Mandetta, Kim Kataguiri,  Ciro Gomes e outros, que agora buscam apoio dos políticos do grupo “do meio”, não conseguiram levar um público razoável à Avenida Paulista e nem ao Rio de Janeiro. Queiram ou não, as eleições, em 2022, a não ser que surja um “importante fato novo”, vão ficar nas contendas  entre os lulistas e os bolsonaristas.

      Dória é o mais ridículo político do momento, até mais populista do que   Bolsonaro e de quanto Lula foi lá atrás. No domingo, fez umas dancinhas em cima do palco das manifestações. Vive tentando chamar a atenção dos eleitores e da imprensa de alguma forma, bem ao estilo Jânio Quadros. Disputa com Eduardo Leite, governo do Rio Grande do Sul, a disputa da vaga do PSDB à presidência da República. Leite já tem a preferência dos diretórios de Minas Gerais, sob a batuta de Aécio Neves; do Ceará, com Tasso Jereissatti; e do seu estado, o Rio Grande do Sul.

       Os três colégios eleitorais somam, juntos, mais do que o eleitorado de São Paulo. E lá, segundo pessoas que têm presença em negócios naquele estado, João Dória é muito rejeitado. E isso deve-se, principalmente, a dois fatos: a) Embarcou e se elegeu na onda Bolsonaro, depois tornou-se oposição a ele, caracterizando-se como extremo oportunista; b) Administrou muito mal a pandemia em seu estado, usa a mesma como forma de se auto-propagandear e estabeleceu muito tempo com restrições a atividades econômicas, deixando muitas pessoas sem renda e o vírus fez grande estrago por lá. O PSDB é o rachadão da hora e os principais líderes, como Geraldo Alckmin, foram jogados para escanteio. Alckmin ainda seria o único que poderia pacificar aquele partido.

       Passadas as confusões do Sete de Setembro, o presidente Jair Bolsonaro, “assessorado” pelo ex-Presidente Michel Temer, emitiu uma carta aos brasileiros, e baixou o tom em seus pronunciamentos. A coisa estava ficando muito preta para ele. Pessoalmente, acho que foi uma estratégia dele essa do “morde e assopra”. Bolsa de Valores começou a se recuperar e o dólar a estabilizar. Sabe o presidente que o País e os brasileiros querem calmaria e que o mercado age e reage conforme as expectativas políticas.

        Marco regulatório da internet: A internet veio para ficar, cada vez mais surgirão novas tecnologias e ninguém pode duvidar que, depois do rádio, do telefone, da televisão e da internet, surja alguma novidade em alguma época da história. Lembro de que as professoras, minhas colegas, ficavam bravas quando um aluno burlava o ambiente da sala de aula, mexendo no seu celular. Agora, o aparelho, popularizado, é ferramenta de trabalho e salvou a situação de milhões de pessoas no Brasil e de bilhões no mundo, durante a pandemia. Alguns conseguiram preservar seus empregos e os negócios, e os estudantes a sua aprendizagem, embora não seja tão consistente quanto o “aprender fazer fazendo”. Vai ser muita discussão e tudo vai ficar como está. Até que um dia todos descubram que ninguém mais conseguirá controlar ninguém. Se liga nas informações da internet apenas quem quer.

       CPI da Covid 19 chegando ao fim: A CPI fracassou mesmo no seu aspecto político, pois prendeu-se a investigações que não lhe deram as respostas que pretendiam ter, e pelo fato de o STF ter preservado os governadores e prefeitos, não se conseguiu seguir o caminho do dinheiro. Já se cogita em outro tipo de CPI, uma nova Comissão, para avançar em 2022. O tempo foi muito longo e não se obteve o essencial. Causou algum estrago ao Governo, mas na política acontecem coisas, de uma hora para a outra, que podem surpreender a todos. Quem vai ditar o ritmo do Brasil é o interesse de cada partido, das coligações que foram projetadas e das realmente efetivadas. Conheço razoavelmente os meandros da política e o comportamento histórico das velhas raposas nos mostra que tudo pode acontecer. Você acreditaria numa candidatura de Bolsonaro por um partido médio, tendo como vice um do MDB? Acha isso impossível?

       Preços altos da gasolina: Joaquim Silva e Luna, presidente da Petrobras, esteve na terça, 14, respondendo indagações dos deputados, na Câmara Federal. É mais um dos que acham que o ICMS é o culpado pelos preços altos. Pode ser, porém a estatal sempre esteve mais preocupada em agradar seus acionistas do que agradar os brasileiros. Foi emparedado pelos deputados e a opinião geral é a de que foi muito mal por lá. Aqui em Santa Catarina, com o acidente do ônibus da banda Garotos de Ouro, em que o seu principal, Airton Machado e a esposa Renata perderam a vida, veio à baila a questão da implantação de terceira pista em diversos pontos da BR 282, entre Lages e a BR 101. Sou usuário frequente da Rodovia e sempre que enfrento a lentidão do tráfego, principalmente do Trevo de Ida para  Urubici até a BR 282, onde caminhões carregados de toras de madeira descem as serras retendo o trânsito. Mesmo no retorno, fico imaginando o porquê da omissão das autoridades catarinenses em cobrar do Governo Federal a implantação das terceiras pistas. Agora que se sinalizou interesse, apenas porque o problema atingiu uma pessoa muito famosa aqui no Sul, começou-se a falar do assunto. E descobriu-se que nem sequer projetos para propor a execução...

 

Euclides Riquetti – Escritor – www.blogdoriquetti.blogspot.com

 

Sentimentos ocultos

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Sentimentos ocultos, protegidos
Sutilmente velados e escondidos
Na manhã cinzenta
Sonolenta...

Imagens que se perdem na sintonia
Na sincronia do Universo
Sem um trilho aparente, sem um rumo certo.

A vida é mais que um sistema, um dilema
Um conflito abstrato
E uma bela mulher num retrato.

A vida é o encontro
Que repele o que está pronto
E que, ousadamente, corajosamente
Busca encontrar a felicidade autêntica
Na parceria idêntica
Com o sorriso de luz
Que a melodia da orquestra conduz.

É a água bebida
A energia absorvida
E a flor da rosa, do gerânio e do cravo
Lindo, másculo, que eu trago
Na lapela de meu casaco.

A vida condiciona os sentimentos
Coleciona os momentos
E adiciona elementos.

Sentimentos que você teima em esconder
E que não quer deixar que transpareçam.

Porque num outro ser
Há um delicioso querer
Há um desejar
Há um sempre buscar
Um desejo ardente... de buscar você!

Euclides Riquetti

Seu perfume

 



Espalhe seu perfume no ar
Deixe-o impregnar-se  em mim
Deixe sua fragrância eu tragar
Para que a possa sentir bem assim.

Eu quero me perder calmamente
Poder me envolver em suas carícias
Me deixar seduzir levemente
Por seus beijos de sabores e delícias!

E, mesmo nesta manhã turbulenta
Me convide ao carinho e ao afago
Me dê sua alma faminta e sedenta.

Me abrace, me roube, me tenha
Me prenda, me segure ao seu lado
Me enlace, me amarre,  me queira.

Euclides Riquetti
16-10-2015

Com velhos amigos de União da Vitória!

 


"Encontrei este blog sem querer de cara reconheci o nome ,te admiro como pessoa e eu já sabia que você acabaria sendo um professor, só li um pouco e já gostei do que li mas vou ler mais ok. Meu amigo precisamos conversar mais um abração de seu amigo, Altamiro Beckert. em Com velhos amigos de União da Vitória "

          Tirei dois dias para visitar meus amigos de Porto União e União da Vitória, cidades onde morei de 1972 ao início de 1977. Foram cinco anos de muitas ralizações, muitas conquistas, as mais importantes de minha vida. Deram-me a base para tudo o que fiz, senti, vivi e realizei nos últimos 36 anos.

          Reencontrei minha irmã e seu marido, o Luiz Fernando Ghidini a as filhas Rafaela e Roberta, no Restaurante X-Burger, que há 35 anos está lá estabelecido, provavelmente o mais antigo das cidades gêmeas do Iguaçu. Sempre é bom rever pessoas em bons momentos, não em ocasiões que se impõem. Depois, iniciei uma via-sacra: Fui à FAFI, onde formei-me em 1975 e à Mercedes-Benz, onde trabalhei durante todos os anos que lá morei.

          Na FAFI, procurei pela Biblioteca, onde fui recebido pela atenciosa Juliana e a Sra. Rosana, que há alguns meses me enviou dois poemas meus que constam no livro Prismas, volume IV, editado pelo saudoso Nelson Sicuro, meu professor de Português. Não fiquei com nenhum exemplar desse livro porque os distribuí. E, na época, meu dinheiro permitiu-me apenas comprar cinco volumes...  Peguei na mão, há um lá. Desfolhei as páginas, revi poemas de meus colegas de turma. Também obtive uma relação dos formandos de Letras/Inglês de 1975, facilidade que a informática nos proporciona.

          Visitei a Mercedes-Benz, lá na BR, onde fui recebido pela Ildemara Bet, atenciosa. E reencontrei o Chuiquinho, amigo que trabalhou lá comigo há 40 anos. Está lá ainda como ferramenteiro, com limitação na vista, mas firme e forte. Agora é o "Seu Chico", não mais o Chuiquinho, irmão do Altamiro Beckert, com quem eu trabalhava também.  É muito gratificante que uma pessoa simples como ele continue ali, tenha o carinho dos colegas. Também andei pela seção de peças, atendido pelo Anderson e pelo Karpinski, este trabalhando lá há mais de 30 anos. E revi o Toni Tonet, depois de 18 anos. Se as pessoas ficam tanto tempo assim numa empresa,  é porque elas fizeram sua parte e por isso são valorizadas.

          Tanto na FAFI quanto na empresa,  fiquei emocionado e feliz ao mesmo tempo. Chegar lá e sentir a energia que deixamos há mais de três décadas, olhar para livros, objetos ou mesmo prateleiras, é voltar ao passado, trazer de volta aquele sentimento saudosista que se escondre em nossa alma.  E isso, para mim, é impagável. Cada um valoriza as coisas pelo que sente por elas, e tenho forte sentimentos ligando-me àqueles lugares...

          Depois, comecei minha peregrinação para encontrar amigos que trabalharam comigo. Reencontrei o Silvestre Schepanski, que me dicas de onde estão, agora, o Alcir Teixeira e o Osni Vila Nova e o Vilmar dos Santos. Marquei para fazermos um encontro com todos os outros colegas e vamos fazer isso logo.

          Quando procurei pelo Alcir, fui até onde ele tem sua oficina mecânica e perguntei a umas pessoas que estavam ali: ´"Vocês poderiam me informar onde é a oficina do Sapo"? Fui colega dele, antigamente. Um me disse: "Ih, você chegou tarde, ele morreu faz um mês!"  "Três meses", disse o outro!  E começaram a teimnar entre eles, seriamente. Eu, entristecido, pensava: "Se tivesse vindo um pouco antes, o teria encontrado!"

          Depois de encenarem bastante, um deles falou: "Olha, não é bem assim, ele não morreu mas é a mesma coisa que tivesse morrido. Veja, está ali embaixo daquele caminhão fazendo um conserto. Olhe bem e veja se ele não tem cara de morto!"  - Ri muito!!! Ele estava lá, envolvido em consertar um velho caminhão, com seu costumeiro macacão azul marinho sujo de graxa, como nos velhos tempos. Abraçamo-nos, rimos muito. Foi bem do jeito que costumávamos brincar em nosso tempos de jovens, quando tínhamos 40 anos a menos cada um e ele jogava bola no São Bernardo.  Uma grande alegria reencontrá-lo...

          Visitei outro colega que o Silvestre me indicou, o Osni Vila Nova. Cheguei em sua oficina e lá estava ele, com a mesma cara de 1977, quando vim embora, naturalmente que marcada por todos esses anos. E fui seguindo uma orientação que o Silvestre me deu: Era para chegar lá me apresentando como "Inspetor de Qualidade da Mercedes-Benz". Ele jamais iria me reconhecer, pois da última vez que nos vimos eu era um palito de magro e tinha aquele cabelão, bem diferente do que agora.

          Pedi licença para falar com ele. Estava lidando com um caminhão, fazendo consertos mecânicos, com um ajudante. Lasquei, sério: " Boa tarde, estou realizando um estudo para avaliar o desgaste que ocorre nas coroas e pinhão do diferencial dos caminhões L-1113, aquele conjunto de nº 322 350 18 39, o senhor se dispõe a me ajudar? Não o atrapalho? Ele limpou as mãos com uma estopa e fez menção de deixar o serviço para me atender. Falei: "Não quero que pare seu serviço, pois sei que as horas são preciosas, pode continuar a trabalhar que eu faço as perguntas.... Mas não aguentei. Pus-me a rir, e ele disse que conhecia minha voz de algum lugar, mas que não sabia quem eu era. Identifiquei-me, nos abraçamos e rimos muito. Apresentou-me dois de seus três filhos que estavam lá trabalhando com ele, falou-me do irmão Vilson, que está em Joiville e que era meu colega. Foram minutos memoráveis para mim.

          Tiramos fotos juntos, na oficina, e em frente a um caminhão seu. Fiquei contentíssimo em ter reencontrado aqueles amigos e nos prometemos fazer um encontro futuro. Disse-lhe que, quando trabalhávamos na Mercedes, ele era o único dos mecânicos que ia para a aula, fazia em então segundo grau. Com essa formação, ficou diferenciado e hoje possui sua própria empresa,  bem estruturada.

          Ele me mostrou o caminho para uma loja de peças onde trabalha o Vilmar dos Santos, meu colega de seção de peças lá no Mallon. Cheguei, reconheci-o. Não mais o menino de cabelo preto e comprido. Agora, um senhor grisalho, de óculos, que atendia com muito conhcimento os clientes que chegavam Combinei com o que me recebeu que ele não falaria quem eu era até que o Vilmar me atendesse. Saí pedindo peças pelo número delas, que guardo na minha memória até hoje. Ele não me reconheceu de imediato, mas depois acabou lembrando-se, disse que pela minha voz. Mudamos muito, todos nós, afinal, saí de lá em fevereiro de 1977, há exatos 36 anos. E só agora tive tempo para reencontrá-los. Fui matar a saudade...
          As horas que passei com meus antigos colegas de trabalho foram gratificantes. Lembramos, com o Silvestre, dos  mecânicos Miguel, Padilha, Justino, do chapeador Luiz Ribeiro, do ferreiro Pedro e seu genro Aírton, do Altamiro, do Mauro, do Eloi Cachoeira, do Solon Dondeo, do Carlos Konart, do Romeu da Silva, do patrão Jorge Mallon, do torneiro Mário, que tinha poucos cabelos mas que puxava os do lado para sobre o teto, para esconder sua careca. Lembramos das meninas, a Margarete, a Sueli, a Ivonete e até da  Sandra Probst, a musa do escritório, que foi para fazer sua vida em Curitiba.

          Foi só alegria o tempo que passei com meus colegas. E, na sexta-feira à noite, reuni-me com seis amigos da República Esquadrão da Vida. Relembramos e rimos muito das sacanagens que fazíamos uns com os outros. Mas isso é uma história que vai ter seu capítulo especial, em breve...


Euclides Riquetti
11-02-2013

Gotinhas de cristal

 


 

Um dia você chorou, vibrou, vibrou, chorou
Seus belos olhos encheram-se de gotinhas de cristal
Você que calou, sofreu, sofreu, calou
Seu grito de alegria se fez explodir, afinal.

Você esteve lá, elegante, glamorosa
De seu rosto moreno brotou um sorriso sensual
De seus lábios saíram as palavras mais carinhosas
Você vibrou com a conquista colossal!

Na madrugada silenciosa me veio seu doce sorriso
As palavras mágicas se embalaram no meu ser
E seu rosto comovido, bonito,  me encantou...

Então, meu coração bateu mais forte, mais preciso
E, no papel, pus este soneto pra dizer:
Você é o algo belo com que Deus me presenteou!

Euclides Riquetti

domingo, 19 de setembro de 2021

Todos os poemas que eu te fiz

 


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Todos os poemas que eu te fiz durante anos
Com os versos verdadeiros e  sentimentais
Um poema cor de rosa e todos os demais
Alguns bem românticos, outros mundanos...

Todos os poemas com rosas lindas, amarelas
E aqueles em que as rimas bem se definem
Ou em que elas se escondem, se comprimem
Guarda-os, não os jogues pelas tuas janelas...

Atrás da janela do tempo deves guardá-los
Como eu os guardo dentro de meu coração
Pois com rosas champanhe eu quero  dá-los
Para quem me legou a mais forte paixão...

Porque ninguém irá  te amar como te amei
E ninguém te fará todos os versos que eu fiz
Ninguém te dará as doces palavras que te dei
Ninguém te desejará tanto que sejas feliz!

Euclides Riquetti

Santa Evita e a Catedral do Tango (Em Buenos Aires)



 
          Participamos, há oito anos,  de um espetáculo digno de uma Broadway em Buenos Aires. Estivemos na casa de espetáculos "Señor Tango", talvez o mais  sofisticado templo da música da América do Sul. Funciona num antigo casarão construído inicialmente por imigrantes italianos para abrigar um armazém de secos e molhados. Em 1996, seu novo proprietário, o cantor e dançador de tangos Fernando Soler o transformou na "Catedral do Tango". É, depois do jazigo da Evita Perón, o lugar mais visitado da capital Argentina. Abriga, confortavelmente, 1.500  pessoas em cada espetáculo.

          A Señhor Tango é um prédio de 100 anos, construído com tijolos maciços, paredes espessas, e uma estrutura composta de madeiras e metais. São três andares de galerias. Ao meio, um palco redondo, que gira, e oscila para cima e para baixo, onde o show de tangos é aberto com dois cavaleiros, um nativo e um imigrante uruguaio que se encontram, montados em dois belos cavalos brancos. Ficamos a dois metros do palco e bem ao lado de uma das rampas por onde circulavam os atores. É um show indescritível.

          Um cenário oferecido pela moderna tecnologia, numa tela enorme, à direita, frente da qual se posta a orquestra mesclada por músicos experientes e outros jovens, já nos primeiros lances emociona os visitantes. Executam clássicos e motivos nativistas da América do Sul, e  em especial os tangos.

          O show, inicialmente,  é aberto por duas senhoras muito semelhantes, gêmeas, que brindam os presentes com seu indizível talento. Depois, seis casais de jovens muito bonitos coreografam tangos e  valsas, com uma forte expressão facial, olhar contundente e leveza de corpos que flutuam no palco. Estamos lá, estamos na Señor Tango!

          Voltando atrás, as pessoas chegam de forma muito organizadas. Saímos em 50 ônibus diretamente do Magnifica e fomos adentrando ao local sem nenhum desvio de percurso, sem atropelos. As pessoas todas elegantemente vestidas e, mais importante, discretas e educadas. À direita, na entrada, um retrato  em que o cantor Fernando Soler posou quabdo da visita na casa da aprsentadora de TV brasileira Hebe Camargo, talvez a comunicadora que mais abriu espeço ao tango nos meios televisivos brasileiros. lembro que ela era uma exímia dançadora de tangos...

          É difícil que alguém que tenha visitado Buenos Aires para lazer ou turismo que não tenha estado nauela casa de shows. Só para citar, o ator Lando Buzanca, o presidente da Fifa Joseph Blatter, Bill e Hilary Clinton, o maior jogador de futebol de toda a história da Alemanha, Franz Beckenbauer, Alberto de Mônaco, Gabriela Sabatini, Ivanna trump, Victório Gassman e Lisa Minelli já estiveram lá. E, claro, muitos de nossos brasileiros, em especial gaúchos, catarinenses e paranaenses, pela proximidade geográfica.

          Mas, voltando ao espetáculo, o Fernando Soler é o maior representante  da segunda geração tanguista da Argentina e o "Embaixador do Tando no Mundo", já com shows realizados em todos os continenses e nas mais famosas casas de espetáculos. Sua voz estridente e marcante e a maneira calma com que se comunica com os presentes são sua própria marca, além de sua grande capacidade de interpretação, não só de tangos mas também de canções espanholas e mexicanas.

          Ao alto, uma galeria de fotos dos tangistas de primeira geração argentina, capitaneados pelo maestro Astor Piazzola.

          E, as canções interpretadas por Soler são todas acompanhadas pelos seis pares de bailarinos que, no chão do palco, ou impulsionados ao ar por trapézios, parecem voar rumo ao céu estrelado e voltam repentinamente à terra. É um paraíso  dentro de de uma casa de shows.

          Finalmente, o ápice das apresentações: enquanto os jovens dançarinos embasbacam a plateia, voltam as duas mulheres da abertura  e abrem a voz para a canção mais marcante daquele país: "No llores por mí, Argentina"!
E entra uma terceira voz, o poderoso Fernando Soler, e o trio nos contempla com  melhor interpretação possível da canção que traduz os sentimentos de todos para com  Maria Eva Duarte de Perón.  E termina o espetáculo. Nada mais há que se esperar, nada mais há que se possa querer, nem que possa superar a reverência de todos os atores e cantores que, com a mão direita colada ao  peito e os olhos voltados ao céu, a oura mão tocando a bandeira de azul, branca e amarela, cantam: "Não chores por mim, Argentina"! E aplaudimos em pé... e choramos!

Euclides Riquetti
02-02-2013

Teu segundo sol

 

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Teu segundo sol

Eu quero ser o teu segundo sol
E que tu sejas minha segunda lua
Ficar garboso como um girassol
E ter o charme e a confiança tua.

Eu quero ser elemento importante
E fazer parte de tua vida agitada
Não um desassossego delirante
Mas a harmonia por ti desejada.

Ser teu sol em momento carente
Ser a inspiração para tua poesia
Ser a seiva que te deixa contente
Ser o responsável por tua alegria.

E, sendo teu segundo sol dourado
Poder contar com a reciprocidade
Ter o prazer de viver ao teu lado
Uma vida plena de felicidade!


Por isso eu quero apenas ser
O teu segundo sol
E que tu sejas
Minha segunda lua!

Euclides Riquetti

Barbeiros e topetes- boas memórias de Capinzal-Ouro e Porto União da Vitória

 




           Não sei por que chamam os barbeiros de barbeiros. Ora, poucos são os que vão às barbearias para cortar a barba. Vão, sim, para cortar o cabelo. Antigamente havia preconceitos contra cabeleireiros, acho que era por isso. E a maioria dos homens, hoje, prefere cortar seus cabelos com as cabeleireiras. Muitas mulheres preferem cabeleireiros. Então tudo está empate. Eu pouco me importo, corto o meu pelo menos duas vezes por semana, sagradinho, eu mesmo, enquanto tomo banho. Às vezes três, é uma questão de hábito...

          Antigamente, e eu sou bem antigo, eu não gostava de ir ao barbeiro por alguns  motivos: primeiro, porque cortavam os cabelos com aquelas máquinas metálicas, e doía. Pouco usavam as tesouras. Tesoura era mais  para quem tinha cabelão de galã. Nós, crianças, tínhamos que nos contentar com um corte bem raso. E deixavam um topete na frente, este sim moldado pela tesoura. Era um corte militar, como o dos soldados. Os italianos, lá da roça, chamávamos esse topete de "sthufet. Para mim, um sthufet é um montinho de cabelos na frente, na testa. E também porque eu tinha medo da navalha que usavam para o acabamento, os aparos finais. Parecia que iriam cortar meu pescoço fora. Eu tinha medo.

          O mais famoso topete de que se ouviu falar foi o do Presidente Itamar Franco. Uma vez o topete dele ficou muito comentado  porque, junto com o topete, esticou os olhos para olhar para uma certa modelo que estava com ele  num camarote de carnaval, acho que no Rio de Janeiro. (Ele não faria isso em Juiz de Fora...) Um fotógrafo,  esperto, flagrou uma pontinha, só uma pontinha bem tiquitinha de uma peça da roupa de baixo da "peça", e foi uma azaração só. Zoaram muito daquela situação, mas a moça teve seus minutos de fama. E não foram apenas quinze, porque, adiante ela tirou umas fotos para uma revista...e ficou famosa até que ele deixou o cargo.

          Lembro com saudades dos meus  barbeiros: O Estefenito, no Leãozinho. Meu pai, na Linha Bonita e na cidade, cortava os cabelos dos amigos por puro amadorismo, não cobrava nada.  Quando cresci, fui cliente do Alcides Spielmann e do Surdi, que atendia lá no "redondo", perto da Igreja de Capinzal. Na Barbearia do Spielmann, ele tinha um quadrinho na parede com uma gravura em que aparecia o "Amigo da Onça", personagem assinada pelo Stanislaw Ponte Preta. O Amigo da Onça era um barbeiro e estava com a navalha na mão, cortando a barba de um cliente, que olhava asustado. Pudera, ele olhava para um totó e dizia: "Calma, Totó, vai sobrar um pedaço de orelhinha pra você também"!  Era mais ou menos isso. O Spielmann nos contava belas histórias, entretinha os que estavam na espera da vez.

          Em Capinzal, ali na esquina da XV com a Ernesto Hachmann, havia a Barbearia do Eurides Gomes da Silva. Era um barbeiro muito gentil também. Dava conselho para nós, jovens e sempre tinha uma filosofia nova para incutir. Seu auxiliar era o Maneco. Mais tarde, o Schwantes, que era nosso inquilino, foi trabalhar com eles. Aos fundos havia uma sala de jogos de mesa. O melhor jogador era o Roque Manfredini. Visitei ele aqui em Porto União nesta tarde. Está vizinho de seu irmão Alvadi e do Fernando Martini, meu colega de chapa no Diretório da Fafi. Sua alma está lá em cima. Mas eles agora são vizinhos aqui. A Barbearia do Eurides era  um lugar simples,  mas muito bom para passar o tempo. Os anos passaram e essas pessoas também passaram, foram morar lá em cima. Que pena!

          Quando vim morar em União da Vitória, meus colegas da República Esquadrão da Vida já foram me orientando: Melhor lugar para cortar cabelo, aqui, é no Salão dos Estudantes, perto do Hotel Flórida. Recebi trote atrasado na Faculdade e no outro dia, cedo, fui raspar o cabelo naquele salão. Virei cliente. Foi bom porque meu cabelo deixou de ser liso e ficou encaracolado. Eu me sentia o tal! Até arrumei uma namorada e casei com ela. Passei por lá hoje e conversei com um barbeiro. Está trabalhando do Salão do Estudante desde 1977, justamente o ano que saí da cidade. 

          Quando o Spielmann morreu, seu salãozinho passou a ser atendido pelo Sr. Calgaro, que veio de Curitiba. O Calgaro também era muito calmo e tinha boas histórias para nos contar. Ficamos amigos. Quando ele partiu, jovem, seu filho Neguito, o Adriano,  o sucedeu. Ele e a sua mãe atendem até hoje.

          Uma das características indispensáveis para um barbeiro ou uma cabelereira é ser um bom papo. Estar atualizado (a) ajuda a manter uma boa conversa. Mas não é só isso, tem ser muito bom em seu serviço. Precisa ser um bom exemplo, estar bem cuidado, elegante.  Quem os procura vai porque quer ser sentir mais atraente, mais bonito. Isso vale tanto para ele quanto para ela.

          As mulheres sabem que um lugar para ficar sabendo "o que vai pela cidade" é nos salões de estética. Lá se sabe de tudo. O que elas não sabem é que nos salões para os homens  ou barbearias  os assuntos são os mesmos! Nós também ficamos sabendo muito sobre elas...

Euclides Riquetti
Redigido em União da Vitória, PR, em
 07-02-2013

A liberdade e o vento

 




A liberdade é como o vento:
Sopra, ora para esta, ora para outra direção...
Liberdade é o fogo que queima a lenha, vira brasa e aquece a água e as almas.
É como o pássaro que voa no ar
A água que corre pelo vale
O canto da gaivota que plana, sem cansar
Sobre o mar.

Liberdade é um dia de sol:
É quando as nuvens  se escondem atrás do azul infinito
Ou a noite matizada por estrelas.
E, quando perco o rumo de meus olhos para vê-las
Se perdem na imensidão.

Liberdade é como o grito da vitória
O Soco no ar
O abraço comovido.
É o olhar sobre o vasto campo florido
Colorido!

Liberdade é poder não ter que  levantar-se cedo
É poder deslizar os pés descalços
No verde gramado
É poder sentar no banco da praça e dizer: Este lugar é meu, aqui é o meu lugar!

Liberdade é andar com a pessoa que se ama
Sem ter hora pra chegar
Em nenhum lugar.
E apenas poder...
Continuar a sonhar!

Euclides Riquetti

Que bom rever você, amigo!

 



          Sou muito feliz por cultivar amizades. Imagino que eu tenha uma compreensão muito particular para essas coisas. Perco-me em viajar no tempo, imagino os lugares, o rosto das pessoas com quem convivi em minha vida, mesmo aquelas que estiveram presentes desde a minha infância até a juventude. E, de vez em quando, com muita alegria, reencontro amigos, ou mesmo colegas de escola e de trabalho, de quem guardo saudosa e terna memória.
   
          Nesta semana, recebi um comentário no blog, em que um amigo que não vejo há quase 40 anos me passava um recado. Então, reeditei uma crônica em que ele figurou, sobre colegas de meu tempo de juventude: Altamiro Beckert, ( primo do Tachinha), com que trabalhei por pelo menos 4 anos em União da Vitória, nos meus 19 a 21 anos.

           Joguei-me a pesquisar e vi que agora ele mora em Sarandi, uma cidade da região metropolitana de Maringá. Ora, estive nesta cidade há menos de dois meses, fui com o Fabrício à casa de um amigo dele. Sarandi está com cerca de 90.000 habitantes e só quem conhece a Geografia de lá pode saber onde termina uma cidade e começa a outra, são cidades geminadas, assim como Porto União e União da Vitória, Capinzal e Ouro, Joaçaba, Luzerna e Herval d Oeste apenas citando as cidades onde eu já morei.

          Dia desses, tive contato virtual com o antigo colega Hélio Hanel, que mora em Guarapuava e estudou em Ponta Grossa. Fomos colegas de ginásio e jogamos bola num campinho em Capinzal. Ligou-me, também,  o (Severino) Mário Thomazoni, de Araruna, convidando-me a visitá-lo quando for a Maringá ver meu filho e minha nora. E, agora, descubro que o Altamiro também está na mesma região. Acho que vou ter que tirar um pouco de meu tempo em uma de minhas viagens para dar um abraço nesse povo...

         O Altamiro me ensinou muitas coisas. Ele, o Silvestre (Schepanski), e o Mauro (Iwanko?), em 1972, no Mallon, na Rua Clotário Portugal, 974, em União da Vitória, me ensinaram a conhecer peças. A Sandra Probst (Bugus), fazia nossa folha de pagamento, era bonita e simpática. O Solon Carlos Dondeo era o chefe da oficina. Havia os colegas:  Seu Luiz, da chapeação, com ajudante que apelidamos de Guarapuava, e o Sampaio; o Polaco (Dionízio), o Padilha, o Justino Polzin e um irmão mais jovem,  o Miguel Semianko, o Carlos Konart, o Ilmo, o Alcir "Sapo" Teixeira, o Pedro Ferreiro e o seu genro Airton. Havia o Vilmar Teixeira, o Vilson Villanova e o Osni, o irmão dele; o torneiro Mário, o Elói Cachoeira, o Jarson R Mello, o patrão Jorge Ricardo Mallon, o Chiquinho Beckert (ferramenteiro), o Ronaldo R Realli, o Armindo Checozzi, a Alvina Nunes Lell, a Margarete, a Sueli, o Sérgio, o Carlos Clausen e outros.

          Tenho que fazer uma deferência especial ao Altamiro Beckert. Ele comprara um dicionário de bolso, um daqueles do Robert Dickson, impresso em Londres. E, em 27 de novembro de 1973, 4 dias depois de meu aniversário dos 21 anos, ele me falou: "Olha, Euclides, comprei este dicionário, mas acho que ele vai ser muito mais útil para você do que para mim. Fez uma dedicatória na última página e me deu. Ele tinha um sonho: ter uma motocicleta. Servia uma "cinquentinha" da Yamaha, mesmo! Preciso descobrir se ele realizou este sonho. Acho que, hoje, ele sonha com coisas mais sofisticadas, talvez um ultraleve, um jet-ski coisas do gênero.


          Não imagina ele o quanto o pequeno dicionário me foi útil. Era prático e fácil de tê-lo sempre junto comigo. Utilizei-o por mais de 20 anos. Na Zortéa Brancher, em Duas Pontes, escrevi nele o nome, em inglês, das madeiras com que produzíamos os compensados e sarrafeados (plywood e blockboard): cedar (cedro), brazilian walnut (imbuia), parana pine (pinho araucária), mahogany mogno), etc. Desenvolvi meu próprio glossário, o CIF &  FOB (Cost, Insurance, Freight & Free on Board), para os preços e os fretes. E a vida foi-se tornando aprendizagem, o dicionário me acompanhou por todo  esse tempo, foi-se desintegrando, pois as páginas estavam se desintegrando quando parei de usá-lo.

          Há coisas que me marcaram e, por isso mesmo eu as deixo aqui registradas, como foi o caso do livro de Inglês Básico que meu colega de república, o então Cabo do 5o. BE, de Porto União, Dionísio Ganzala, me deu de presente  para que pudesse fazer os exercícios e melhorar meu conhecimento daquela língua, em 1972.

          Ao Altamiro, que promete tornar-se meu novo leitor, um grande e afetuoso abraço! A gente ainda vai se ver por aí...

Euclides Riquetti
16-10-2015

Com meu corpo e minha alma

 



Amar-te com meu corpo e minha alma
Querer-te com a força do desejo
Beijar teus lábios com meu doce beijo
Andar de mãos dadas pela praia calma...

Entregar-te os sonhos e os sentimentos
Tudo aquilo que já acumulamos
Alimentarmos tudo o que amamos
Eternizar todos os bons momentos...

Ganhar de ti o melhor dos abraços
Sentir teus dedos me acariciando o rosto
Fazer de teus seios meu porto de encosto
Buscando em ti alento ao meu cansaço...

E em cada música que eu ouvir no dia
Em cada verso que eu te escrever
Mostrar-te o quanto invades meu ser
E eu me embriago de tanta euforia...

Porque há mil razões para eu dizer "te amo"!

Euclides Riquetti

sábado, 18 de setembro de 2021

Se não for preciso partir

 




Sorria, enquanto lhe for possível sorrir

Cante, enquanto lhe for possível cantar

Ame, enquanto lhe for possível amar 

E lhe venha um novo dia,  se tiver que vir.


Ande, enquanto lhe for possível andar

Corra, enquanto lhe for possível correr

Fale, enquanto lhe for possível falar

E escreva um poema se tiver que escrever.


Reze, sempre que lhe for preciso rezar

Peça, sempre que lhe for preciso pedir

Implore, sempre que for preciso implorar

Mas nunca parta, se não for preciso partir!


Euclides Riquetti

18-09-2021



Perdas ensejam saudades...

 


 

Perdas são sempre sentidas
Ensejam  as saudades
Aguçam a sensibilidade
Ferem os corações e as almas doridas...

As perdas dilaceram os ânimos
E mutilam os pensamentos
Fazem a mente viajar pelo tempo
Perder-se em dias, meses e anos...

As perdas deixam marcas que não se apagam
Que ficam conosco eternamente
E que nos destroem  lentamente.

As perdas acontecem e as vidas passam
Fica a dor a matar quem já tanto sofreu
Fica o tempo a lembrar-nos de quem se perdeu...

Euclides Riquetti