terça-feira, 16 de maio de 2023

És meu fogo... sou tuas lenhas...

 


 



 




És meu fogo... sou tuas lenhas...

 



Meus sonhos transpõem a imensidão infinita
Na fria madrugada do outono insensato
Buscam te reencontrar formosa e bonita
Para levar-te meus beijos e meus abraços!

Meus sonhos navegam para além das paredes
Buscando encontrar teus afagos e carícias
Para encontrar, em ti, a água para minha sede
Para saber como estás, ter tuas boas notícias.

Meus sonhos não têm limites e nem fronteiras
Voam, livres, pelo incógnito espaço sideral
Para abraçar tua nudez inspiradora e faceira...

Eles vão para ter a ti e para que tu os tenhas
Para nosso colóquio amoroso e magistral
Pois tu és meu fogo e eu sou tuas lenhas.

Euclides Riquetti

Oração ao Monge São João Maria

 


 

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Estátua de João Maria, no Morro da Cruz, em Porto União - SC

Nas plagas de Taquaruçu
Nas grutas do Vale do Peixe
Nos morros e planaltos do Sul
E onde que a memória deixe
Ou nas raízes do Iguaçu
Neste chão catarinense
Os revoltosos exclusos
Mexeram com as almas das gentes.

Cruzes espalhadas nos morros
As fontes benzidas das águas
Gemidos pedindo socorro
Corações cheios de mágoas
O velho do cajado e do gorro
Pés descalços e mãos calejadas
São João Maria do bom povo
Abençõe minhas simples palavras.

O manto de trapo que cobre
Um corpo esguio e indefeso
Esconde as origens de um nobre
Que tem por justiça o desejo
São João Maria a esses  pobres
Dá tua bênção, teu conselho
Abençoa os caminhos em que corre
O rejeitado sertanejo.

Monge João Maria da oração
Olha pro céu anilado
Que tomou-me a casa e o pão
Que fez de mim um coitado
Dá alimento ao meu coração
Que anda nos caminhos jogado.

E, entre anjos e arcanjos
Nas imensidões de um além
Perdoa até mesmo os tiranos
Paz para eles também
São João Maria, Homem Santo
Homem que lutou pelo bem
Que reine a harmonia em todo o canto
E que Deus nos diga amém!


Euclides Riquetti

Num poema, no brilho do luar

 



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Num poema, no brilho do luar


Olhe para o universo vasto e estrelado
Contemple a beleza deste nosso céu
Olhe para o teto imenso e enluarado
Que se veste  com este santo véu.

Olhe para a beleza do medalhão prateado
Que compõe o cenário que nos cobre
Olhe todo este mundo santo e encantado
Que nos presenteia com seu retrato nobre.

Olhe, intensamente, para nunca mais esquecer
E marque cada canto de nosso belo espaço
Guarde, carinhosamente, enquanto você viver.

Abra sua janela, busque-me em algum lugar
Receba, com toda a paixão,  meu carinhoso abraço
Que lhe mando num poema, no brilho do luar.

Euclides Riquetti

Gradação romântica

 








Janela quadrangular, vidro escuro
Roseiras, plantas, calçadas
E, o que haverá além do muro
Atrás da alva parede levantada?

Quem sabe um corpo desnudo
Ou um mistério indecifrável
Uma voz suave, um olhar mudo
Um coração frágil, ou inabalável?

Quem sabe uma rua bem rústica
Ou uma via ricamente pavimentada
Quem sabe uma celestial  acústica
Na mágica imensidão azulada?

Ou montes de concreto armado
Cimento, aço, madeiras e azulejos
Tudo simetricamente desenhado
Em que escondes sonhos e desejos.

Mas que, mesmo assim, ali vicejam
Plantas bem acarinhadas e vistosas
Que tuas mãos delicadamente regam
Com flores multicores e perfumosas!

Euclides Riquetti

Na praia, de mãos dadas

 


 





Na praia, de mãos dadas

Vivendo a espera do verão

Energias já bem renovadas

Novos tempos de emoção.


Alimentando a fantasia

Sonhos buscados e vividos

Ah, é tanta minha euforia

Nada de corações partidos!


O pensamento meu em ti

Foi assim e assim o será

Foi assim quando era guri

Amor que veio para ficar!


Girou a roda do moinho

Água rolou, água desceu

E você no meu caminho

É só o que Deus me deu!


Euclides Riquetti

Na noite em que choveu




Na noite em que choveu, perdi o luar
Perdi as estrelas, perdi a estrada
Só não perdi a madrugada
Que ficou para me afagar...

Afagaram-me o miados da gata
Os latidos da fêmea desconsolada
Os  relinchos da zaina domada
Na noite chuvosa e... ingrata!

Afagou-me a mulher sem nome
Que me desejou bons sonhos
Leves, coloridos, rionhos
Que falou-me ao telefone

Mas, sobretudo, afagou-me quem me acariciou
Me abraçou, beijou, amou
E me fez feliz!


Euclides Riquetti

Beijo com sabor de uva rosada

 





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Beijo com sabor de uva tardia
Na tarde quente e ensolarada
Beijo de verdade, nada de utopia
Beijo com sabor de uva rosada.

Beijo com sabor de uva, beijado
Sabor sorvete gelatto napolitano
Beijo com o frescor, adocicado
Beijo de amor caliente e profano.

Beijo com abraço e carinho
Desde que com sabor de uva
Ou então com sabor de vinho
Mesmo que na noite de chuva.

Beijo com ardor e com abraço
De mergulho, gozo e perdição
Beijo pra aliviar meu cansaço
E volver meu poema em canção.

Mas sempre com sabor uva
Uva de mesa, rosada!

Euclides Riquetti

O seu sorriso, o meu sorriso...

 



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          Tenho muitas amigas, conheço muitas pessoas. Vou a muitos lugares, converso com muita gente. De todos os tipos e comportamentos. Sou muito observador, tiro minhas conclusões sobre elas. Cada ser é um ser, cada pessoa é uma pessoa. Fico imaginando se são felizes, infelizes, se o que aparentam ser é o que realmente são. Não sou psicólogo, nem filósofo. Sou um cidadão comum, que sente, pensa, tem opinião sobre as coisas, escreve.

          Assim, procurei lembrar de pessoas e de como elas sorriem. Algumas, nem as conheço pessoalmente. Mas minha imaginação me permite até criar personagens com características que, se eu tivesse o domínio da arte de desenhar ou pintar, poderia dar-lhes o devido retrato. Então, estou propondo a meus leitores que tentem se enquadrar num dos tipos de sorriso que estou sugerindo. Mas não escolha a primeira opção, simplesmente. Procure ler todas e,  depois,  escolha as três que mais combinam com você. Então, dentre estas, escolha a primeira, aquela que "fecha" com seu perfil de sorrir. É uma atividade que pode empolgar, pois você pode até "classificar", pelos dados apresentados, pessoas que você conhece ou com quem mantém relações de trabalho, amizade, ou mesmo pessoais:

1. angelical: sorriso terno, mas não ingênuo, de moça que tem uma luz oculta na expressão de seus olhos e de seu rosto.

2. felino: sorriso de gata, normalmente nos olhos verdes e azuis, sobrancelhas bem delineadas, cílios
vistosos, jeito de quem está sempre pronta a dar o bote, unhas bem afiadas.

3.sutil: olha com graça, os músculos do rosto se movimentam levemente, há um charminho escondido propositalmente, como se fosse uma criança a sorrir.

4. provocador: o mesmo que provocante, a gatona sabe o que quer, sabe atrair o outro, vem e vai, ora olha, ora finge que não vê, mas quando olha procura chamar a atenção. O seu sorriso se alia a repentinos e estudados movimentos  do corpo.

5. praia-sol: sorrisão aberto, olhos escondidos por um óculos grande, de belo desenho. A condição dos cabelos ajuda a compor o quadro visual e a definir o conceito de mulher poderosa.

6. terno-apaixonado: muito tender, dócil, cordato, sem no entanto ser submisso. Olhares e sorrisos dirigidos somente para o amado.

7. loucamente apaixonado: tipo saia de perto que esse cara é meu, entusiasmado, arrojado, combina com movimentos rápidos do corpo em mulher desenvolta e que sabe defender o que é seu.

8. rebelde: mostra contrariedade se algo lhe é subtraído, quer exclusividade do outro e se vê que há perigo de concorrência mostra as garras e se rebela.

9. lascivo: olhar pecaminoso, sorriso que atrai, quer, deseja ardentemente possuir, não importa onde e quando e nem quais as consequências que podem advir.

10 - pecaminoso: cheio de pecado, convida a pecar ainda mais, esbanja desejo, perfuma o ar do entorno, está disposto a levar o outro à perdição.

11. clear eyes: muito atraente, encanta mesmo sem provocar, na dele, sabe que tem muito poder, mas demonstra ingenuidade e desproteção. Porém, é uma arma que pode tanto fazer feliz quanto destruir.

12. tímido: ligeiramente acanhado, dá a impressão de fragilidade, mas não de fraqueza, parecendo de bebê ingênuo, mas tem alto poder de contaminação de almas e corações.

13. ousado: capaz de arrasar quarteirões, parte para a ofensiva, não está preocupado com as consequências, o que importa é o resultado imediato.

14. debochado: muito dirigido à concorrência, demonstrando que a bela é muito segura de si, não permite que ousem sequer chegar perto do que é seu.

15. dissimulado: o disfarce está sempre presente, há perigo na área, muita culpa no cartório, a mentira é uma arma poderosa e ferina.

16. diabinho: sempre pronta a levar para o inferno, a queimar a alma de alguém, não sem antes tirar proveito do corpo da vítima, é uma tentação que deleita, mas que pode dar dor de cabeça depois.

17. namoradinha apaixonada: características  de estreante nas lidas do coração, alto índice de fidelidade, muito carinho e amor a dar, mas há um longo caminho a percorrer ainda.

18. cínico: reveste-se de intolerância, com olhar de desdém, faz qualquer coisa para mostrar insatisfação com a situação presente, é uma agressora em potencial.

19: abundante: largo sorriso, generoso, encantador, abre espaço para a chegada, mas isso não significa entrega. está mais para simpatia do que para convites...

20. generoso: o sorriso de quem costuma agradecer, de quem dá e recebe, de quem valoriza pequenas coisas, por mais simples que sejam.

21. anjo azul: sorriso de sereia, cheio de mistérios, mas inspira alguma confiança e até ingenuidade, fragilidade e necessidade de proteção.

22. sedutor: reúne muitas qualidades num único sorriso, sensualidade constante, movimentos do corpo que atiçam os olhos e instigam as mentes.


          Bem, agora minha parte está feita. Faça a sua: complete a lista, veja quais deixei de mencionar e escreva em algum lugar onde as pessoas possam ver.

Grande abraço! Sorria, ame, seja feliz sorrindo e recebendo sorrisos em troca dos seus!

Euclides Riquetti

Num poema, no brilho do luar

 



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Olhe para o universo vasto e estrelado
Contemple a beleza deste nosso céu
Olhe para o teto imenso e enluarado
Que se veste  com este santo véu.

Olhe para a beleza do medalhão prateado
Que compõe o cenário que nos cobre
Olhe todo este mundo santo e encantado
Que nos presenteia com seu retrato nobre.

Olhe, intensamente, para nunca mais esquecer
E marque cada canto de nosso belo espaço
Guarde, carinhosamente, enquanto você viver.

Abra sua janela, busque-me em algum lugar
Receba, com toda a paixão,  meu carinhoso abraço
Que lhe mando num poema, no brilho do luar.

Euclides Riquetti

segunda-feira, 15 de maio de 2023

Aquele céu de final de tarde

 




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Aquele céu de final de tarde é encantador
Tão belo como nosso amanhecer colorido
Parece um Deus  no firmamento esculpido
Ou desenhado com pinceladas de amor...

O céu de final de tarde do sábado de inverno
Até parecia ser de o de uma plena  primavera
Parece até aquele poema que eu lhe dissera
Parece  ser a descrição do pensamento eterno...

O céu,  que foi colorido pela mão Divina
Me transporta pela vastidão universal
Até sua alma que me encanta e que me anima.

É o nosso céu, céu de nosso mais belo sonho
Algo que nos aproxima, algo sem igual
É a descrição do amor em seu rosto risonho....

Euclides Riquetti

Com o calor de seu corpo (...e beijos de cereja)

 





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Com o calor de seu corpo (...e beijos de cereja)

Quero que me aqueça com o seu calor
Que me alegre com suas palavras amáveis
Que me abrace com seus braços adoráveis
Que me ame com volúpia e com ardor.

Quero que me beije com beijos de cereja
Que me afague com a mão suave e  macia
Que me olhe com seus olhos de alegria
Que me diga que me quer e me deseja.

Quero ainda que nunca se esqueça de mim
Que reze por mim nas noites enluaradas
Que me envolva em seus pijamas de cetim.

Que aqueça,  com seu calor,  o corpo meu
Que viaje nas nuvens esbranquiçadas
Porque eu, docemente,  aquecerei o seu!

Euclides Riquetti

Sentir o teu perfume no ar



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Sentir o teu perfume no ar

Na manhã,  depois da tempestade
Volta o vento calmo do Sul
E lembro-me,  com muita saudade
De teu rosto de divindade
De teu  olhar verde-azul...

Na manhã, depois da tormenta
Volta-me toda a alegria
Meu coração já não  lamenta
E minha alma deseja, sedenta
Navegar nesta calmaria...

Na manhã do dia que chega
O canto dos pássaros a me alegrar
Para mandar embora a tristeza
E, no despertar da natureza
Sentir teu perfume no ar...

Euclides Riquetti

Quando o céu prateou

 




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Quando o céu prateou


Quando a super lua o céu prateou

Na noite dos enamorados
Quando o seu coração chorou
Por causa dos sonhos frustrados
O condor voou...

Quando você foi à janela espiar
Para ver o colorido do entardecer
E uma paisagem de beleza singular
Prenunciava o enluarado anoitecer
Eu fui sonhar...

Quando a super lua monopolizou
A atenção de toda a gente
Das pessoas a quem encantou
Com seu brilho fulgurante
Uma andorinha voou...

Voou pra levar um recado:
Foi pra dizer que em algum lugar
Vive um poeta inspirado
Que escreve poemas "de amar"
Pra você!

Euclides Riquetti

Como um jogo de sedução

 


 


 



Não quero que me vejas como um fútil galanteador

Nem  quero despertar em ti uma faísca de paixão

Quero apenas que sinta em mim um poeta sonhador

Não como alguém vulgar que faz o jogo da sedução...


Não imagino que possamos dar luz a uma realidade

Apenas que possamos surfar nas ondas de uma ilusão

Em cada verso far-te-ei  uma jura de lealdade

Em cada um de meus poemas um recado ao teu coração...


Quero, sim, que penses em mim, como quero pensar em ti

Quero, sim, que tu me queiras, como eu quero te querer

Quero, sim,  que escrevas na noite, como quero escrever aqui...


Quero, sim, te seduzir, com palavras de amor e paixão

Quero, sim, que tu te percas, como quero me perder

Quero, sim, que guardes pra mim, a tua alma e teu coração...

Euclides Riquetti

Revisitando o Deus Negro - boas memórias! (reedição)

 


 



          Não sei o porquê de hoje ter-me voltado à década de 1970, uma das mais produtivas de minha vida. Mas algo me impeliu a retornar a ela e, por conseguinte, relembrar de como era a vida dos jovens. Eu queria estudar, fazer uma carreira, construir uma vida digna, ter confortos que não tive antes, "ser alguém". E então  lembrei-me de pessoas que me apoiaram, me ajudaram... e também dos que me jogavam na vala da "ninguenzada".

           Quanta coisa contabilizei naquela década: Fiz 18 anos, terminei o curso de Técnico em Contabilidade, passei no vestibular, mudei de cidade, de estado, de trabalho, badalei muito, namorei,  terminei meu curso de Letras/Inglês, casei-me, tirei carteira de motorista, comprei meu primeiro carro, fiz concurso para professor, fiz minha casa, tive duas filhas, gêmeas. Ah, e escrevi algumas poesias que acabei jogando no lixo. Como gostaria de reavê-las! Apenas duas salvei, porque foram publicadas num livro, em União da Vitória e me restaram "Tu" e "Uma Oração para Você", esta muito significativa, que compus no verdor de meus 20 anos...

          Naquela década,  usávamos cabelos compridos, calças boca-de-sino e mais adiante pantalonas, camisa xadrez ou com estampas florais,  meias vermelhas, perfume Lancaster ou Pretty Peach. E, quem conseguia obter,  calça Lee ou Levi´s importada, indigo-blue. Era bacana ter jaquetas Lee ou então verde-oliva, a cor do Exército Brasileiro. Comprávamos distintivos "US Army" ou "Marinner", que aplicávamos nos ombros das jaquetas,  e isso era marca de prestígio perante a galera. Alguns conseguiam umas camisetas de malha de algodão que tinham a inscrição: "University of Californy" ou "Columbus University". Isso significava sucesso garantido.

          E as mulheres? Bem, a maioria delas também usava roupas assim, unissex. E a minissaia dos anos 1960 e as saint tropez  acabaram  substiuídas  por shorts curtos, aquelas meias "cabaret" e botas de cano médio ou longo. E, a partir de 72,  aquela onda de, no inverno, usar blusa de tricô e meia da mesma lã e das mesmas cores.

          Nos cinemas Guiliano Gemma fazia o Ringo derreter os corações das mulheres e as múscas italianas e  francesas que vinham nos compactos simples ou duplos e nos long-pays imperavam nas rádios.  A onda "inglês" veio meio junto, com  "The Beatles" em seu rock.

          Mas a grande onda da década veio por conta de uma ofensiva da Igreja Católica no sentido de mobilizar as novas lideranças jovens e reanimar as já maduras para suas lides religiosas.  Começaram com o cursíhos, obra iniciada na Espanha bem antes do que no Brasil.  Nunca participei de um, mas muitos amigos meus fizeram parte de ações cursilhistas. Jovens que optaram por deixar o seminário passaram a atuar como professores ou engajando-se nas atividades da Igreja. Inteligentes e com boa formação,  eram bons exemplos a serem seguidos.

         Foi nessa época que o corumbaense que foi para São Paulo aos 16 anos, Neimar de Barros, deixou o trabalho de junto à TV do Sílvio Santos, onde dirigiu os programas "Cidade Contra Cidade" e "Boa Noite Cinderela" e converteu-se de ateu para Católico Apostólico Romano. Tornou-se escritor poeta e pensador,  e passou a ter forte liderança dento da Igraja Católica. Visitou mais de 4.000 comunidades religiosas e vendeu mais de 4 milhões de exemplares de seus mais de 10 livros que escreveu nas línguas portuguesa e espanhola.

          Em 77, quando eu me iniciava efetivamente no Magistério Catarinense, na Comunidade de Duas Pontes, hoje município de Zortéa, em Santa Catarina, a moda  era ler "Deus Negro", de Neimar de Barros. Logo depois surgiram outros livros dele e o que mais chamava  atenção era "O Diabo é Cor-de-rosa". Todos liam, recomendavam, iam passando adiante a idologia, o pensamento do convertido autor. E, em seu rastro,  também vinha o Artur Miranda, que conheci lá na Casa Paroquial de Capinzal.
          Em 1986 Barros concedeu uma entrevista à Revista Veja que fez grandes estrondos nos meios religiosos brasileiros. Declarou que estava infiltrado na Igreja a serviço da maçonaria ( o que nunca foi comprovado, acho que foi invencionismo dele), que estava descobrindo os podres da mesma e disposto a revelá-los para o mundo. E declinou diversas "vergonhas" que estariam acontecendo nos meios eclesiásticos. A repercussão foi das piores.

         Eu tinha lido justamente os dois livros que mencionei, entrei na onda da época, era imaturo, não tinha propriedade sobre minha opinião ainda. Fiquei muito revoltado com ele e mesmo os comentários que li sobre ele, oriundos de seus admiradores internautas, não me fizeram mudar em relação ao péssimo conceito que formei a seu respeito. Acho que ele foi ou oportunista, ganhando muito dinheiro e se promovendo em cima da de nossa Fé, ou  um baita enganado,  que usou de meios pouco legítimos para atingir  seus nebulosos objetivos.

          Acho que de bom alguma coisa restou nessa história:  muitos jovens, na época, foram surgindo como lideranças nas cidades, alguns que se conheceram nesses encontros até constituíram família, tornaram-se importantes gestores públicos e privados, emprendedores, educadores. Enfim, essa geração teenager que tornou-se adulta  naquela década, deixou filhos com elevado nível de formação pessoal e intelectual que estão espalhados pelo Brasil e pelo mundo,  fazendo sua parte no contexto de nossa história.

          No ano passado, dia 06 de maio, bastante debilitado em função do Alzaimer de que estava acometido, Neimar de Barros veio a falecer. Sua morte passou em branco. Não pela doença, mas por ter sido rejeitado pelos eus fãs em razão da falta de coerência entre o que pregou e o que deixou de concreto como exemplo. Caiu no ostracismo e os brasileiros o esqueceram. Só lembram de seu nome os pré-idosos que viveram em seu tempo. Os outros, só conhecem o Neymar que joga no Santos, baita craque de bola!

Euclides Riquetti
27-02-2013