quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Poder Sonhar a liberdade


 



A liberdade é como o vento:
Sopra, ora para esta, ora para outra direção...
Liberdade é o fogo que queima a lenha, vira brasa e aquece a água e as almas.
É como o pássaro que voa no ar
A água que corre pelo vale
O canto da gaivota que plana, sem cansar
Sobre o mar.

Liberdade é um dia de sol:
É quando as nuvens  se escondem atrás do azul infinito
Ou a noite matizada por estrelas.
E, quando perco o rumo de meus olhos para vê-las
Se perdem na imensidão.

Liberdade é como o grito da vitória
O Soco no ar
O abraço comovido.
É o olhar sobre o vasto campo florido
Colorido!

Liberdade é poder não ter que  levantar-se cedo
É poder deslizar os pés descalços
No verde gramado
É poder sentar no banco da praça e dizer: Este lugar é meu, aqui é o meu lugar!

Liberdade é andar com a pessoa que se ama
Sem ter hora pra chegar
Em nenhum lugar.
E apenas poder...
Continuar a sonhar!

Euclides Riquetti

Choveu na madrugada

 







Choveu na madrugada
Um chuvinha fresca
Bem pitoresca
Que molhou minha calçada
Quando choveu
Na noite de breu
Na madrugada...

Choveu e molhou os gramados
Molhou as plantinhas
Mesmo as ervas daninhas...

Molhou os telhados
Molhou as florinhas
Todas as plantas minhas...

E, enquanto chovia
Alimentei os sonhos meus...
Senti saudades
De andar pela cidade
Buscando reencontrar
Os olhos seus!

Choveu a chuva do alento
Que mexeu com meu pensamento
Irrequieto
Mas discreto:

Aquele que a procura
Na noite escura
Apenas porque
Quer reencontrar você...

Choveu na madrugada

Mas, depois, veio, de novo, o sol
O bendito e abençoado sol!

Euclides Riquetti

Emendando Latas - crônica aos funileiros de Rio Capinzal


 


   Emendando Latas - crônica aos funileiros de Rio Capinzal

          Certamente que você, sessentão (ona), já inserido na sociedade consumista,  não olha com bons olhos toda aquele montoeira de lixo que sai de sua casa, diariamente, para que o caminhão a leve para o lixão, o aterro, ou a usina. E você passa a verificar, (e analisar)  quanta coisa boa está indo para o lixo.

          Já fomos da geração dos hippies, da  coca-cola, do chicletes, do x-burger... Mas já fomos da geração das latinhas emendadas, lembra?  Aquela em que, nas casas, todos zelosamente faziam furinhos nos cantos extremos da lata de azeite, retangular, com um preguinhos, para não estragar o vasilhame e aproveitá-lo para alguma coisa? Ah, duvido que não!

        Meu lado "antigamente" levou-me, hoje, para os tempos do óleo "Primor" e do "Sol Levante", produzidos com o legítimo caroço de algodão, embalado em latas, que "quem podia", comprava para compor os temperos das saladas. Sim, só para isso,  porque, para cozer, somente usavam  banha. Até lembrei-me que, em 84, no dia 7 de setembro, encontrei o Saul Parisotto, ali na XV, em Capinzal e eu estava de muletas, perna direita com gesso. E ele: "E aí, Riquetti, o que aconteceu?" - Expliquei-lhe que quebrara a perna, dois rachos no perônio, um na tíbia, ali no Arabutã, jogando futebol na friíssima  manhã de 22 de julho, o dia mais gelado de 1984. E, ele, prontamente: "Sempre digo que os ossos das pessoas estão ficando fracos. É o óleo de soja! Quando cozinhavam com banha isso quase que não acontecia! De repente que ele tenha razão.


          A partir da década de 1970, com a introdução das plantações de soja nos estados do Sul, o óleo comestível passou a  ocupar o lugar que antes era da banha, mas não é essa a questão que quero abordar...

          Bem, no meu antigamente, década de 1960, havia pelo menos três funilarias no antigo Rio Capinzal: a do Santo Segalin (com o filho Nilton), na Felip Schmidt, próxima ao Clube Floresta; a do Valdomiro Morosini, na Rua Narciso Barison, em que trabalhavam com ele o Paulino Teixeira e seus filhos, inclusive o que virou "Sargento Teixeira", e o Nelson Morosini. E, na Rua Dona Linda Santos, um pouco depois, a do Carlos Segalin, que também estabeleceu-se por conta própria. Todos originários da do Santo.

          Todos eles eram mestres em emendar latinhas. As pessoas guardavam as latas de óleo  vazias, levavam para eles, e eles faziam-lhes utensílios. Aparavam as bordas de cima, rebitavam e estanhavam-lhes os cabos, e tínhamos belos canecos, para usar na tirada do leite, para beber água na fonte, ou para apanhar a água que fervia na panelona de alumínio, a qual  descansava na chapa do fogão a lenha e jogar sobre a louça na pia. Ah, quantos canecos "Primor e Sol Levante".

          Mas outras coisas bem mais valiosas também eram feitas com as chapas das latas abertas e justapostas: chuveiros de campana, banheirinhas para bebês, bacias para amassar o pão, e  formas para assar pães, redondas, retangulares, onduladas.  E, com isso, além de se ter economia, não se produzia o incontável lixo que hoje se produz.

          Lembro bem  do preciso trabalho desses artesãos. Soldavam,  utilizando estanho, a ponta do soldador envolvida em brasas para ficar superaquecida, o fole acionado com as mãos ou os pés para soprar o oxigênio e manter os carvões bem acesos. E o capricho, o carinho empregado em cada peça produzida, como se fora para si próprio!

          Hoje tudo é prático. Os produtos vêm com as mais criativas e bem desenhadas embalagens e, ao fim do dia, temos todo aquele lixo para jogar fora. Olhamos para tudo aquilo: garrafas, copos, pacotes, pratos, bandejas, cordões, fitas, tudo coisa muito bonita, usados somente uma vez, e indo para o lixo... Quanto desperdício! E pensar que, antigamente, vivíamos sem tudo isso. Mas também sem ficar, a toda a hora, escutando notícias de que lá, em algum lugar, choveu muito e a água levou todas as garrafas pet e pacotes de plástico para as valetas, trancou as bocas dos bueiros e deu aquela inundação...

Euclides Riquetti
22-03-2013

Olha as estrelas


 






Vai lá pra fora
Olha as estrelas
É possível vê-las
Bem agora.!

Olha pro céu infinito
Negritude prateada
Noite abençoada
Firmamento bendito.

Pensa comigo:
A noite é dos sonhadores
Dos  sentimentos avassaladores
E eu me perco contigo.

As estrelas, o céu, os sonhos
Os teus olhos risonhos
Os teus pensamentos (medonhos?)
Me tornam menino, menino!

E alguém imprime um destino:

Quem?

Euclides Riquetti

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Aquele céu de final de tarde

 






Aquele céu de final de tarde é encantador
Tão belo como nosso amanhecer colorido
Parece um Deus  no firmamento esculpido
Ou desenhado com pinceladas de amor...

O céu de final de tarde do sábado de inverno
Até parecia ser de o de uma plena  primavera
Parece até aquele poema que eu lhe dissera
Parece  ser a descrição do pensamento eterno...

O céu,  que foi colorido pela mão Divina
Me transporta pela vastidão universal
Até sua alma que me encanta e que me anima.

É o nosso céu, céu de nosso mais belo sonho
Algo que nos aproxima, algo sem igual
É a descrição do amor em seu rosto risonho....

Euclides Riquetti

Quando eu ouço aquela canção (vontade de chorar)

 


 



Quando eu ouço aquela canção

Que você cantava

E, com meu frágil coração

Eu a escutava...


Quando eu ando pela rua sinuosa

Em que você andava

Batendo seus tamancos de cortiça

Com cara de freirinha noviça

Mas eu já a amava!


Quando escrevia  palavras desconexas

Versos sem métrica

Poesia romântica ou tétrica

Pouco importava a semântica ou a léxica

Mas eu a amava...


Então, agora, quando me sinto solitário



Mas dedilho os teclados com certa habilidade

Eu sinto algumas...  muitas saudades

E os sentimentos já não fervilham em meu ideário

Como no tempo em que eu... eu...simplesmente a amava!


Ah, e isso era muito bom

Pois que agora a canção volta pelo ar

Talvez venha das montanhas

Talvez venha do mar

E entre pela janela ou pela porta

(Mas isso pouco importa)

E eu tenho vontade de chorar!


Pois eu..eu.. eu já a amava..


Euclides Riquetti

Nas invernadas da alma

 



Nas invernadas da alma


Busco seu sorriso de sol nas invernadas da alma

Mergulho nos oceanos da mais infinita paixão

Um impulso indizível é a força motriz que me salva

Que me guia a navegar pelo universo da imensidão.


O desconhecido é um vale prateado longo e ignoto

A me desafiar como o gigante forte e provocador

E eu preciso reencontrar o trajeto por onde vou e volto

O destino que me foi traçado pelo sofrer e pela dor.


Que me venham os remédios de sabor mais amargo

Que não me faltem as esperanças para a superação

Que eu suporte os obstáculos do caminho inóspito e largo

E reencontre toda a alegria que caiba no meu coração.


E, mesmo que trotem lentos os cavalos alados da noite

Galopeio nos prados e me sobreponho às vastas campinas

Eu não precisarei de relhos nem de um doloroso açoite

Pois tenho em mim os meios para dar a volta por cima.


Você verá que sempre haverá uma luz num ponto distante

Um inefável dia de descanso em que eu me possa refazer

E mesmo que tudo não me possa voltar a ser como foi antes

Ao menos terei o direito de amar e de estar junto de você!


Sim, eu amo você!


Euclides Riquetti

28-08-2024


Todas as rosas do mundo

 


 

( De meu cultivo)



Todas as rosas do mundo 


Imaginei que se eu te mandasse
Todas as rosas que há no mundo
De todas as cores que eu encontrasse
Dos solos mais férteis, mais fecundos
Quem sabe, tu te lembrasses
Que um dia te dei meu amor profundo...

Imaginei que as mais perfumadas
Todas as que estão nos vasos
As amarelas, as brancas, as rosadas
As que se misturam aos cravos
São todas flores abençoadas
Que libertam  os corações escravos.

Mas de que adiantaria
Mandar-te todas as flores
Se tu não as perceberias
Mesmo com seus perfumes e cores?

Assim, dou-te uma única rosa
Dou-ta com amor e paixão
E, quem sabe, com isso eu possa
Conquistar teu coração?

Ah, mas se eu pudesse
Mesmo que tu não quisesses
Eu ter mandaria um montão
De rosas, amor e paixão!

Euclides Riquetti

Visite o Blog do Riquetti
www.blogdoriquetti.blogspot.com 

Rabisca-se o céu

 


 





Rabisca-se em penas brancas o céu
Na tarde de sábado pré-primaveril
Nos campos e nas cidades sou réu
Aqui do Sul do meu Brasil...

Como uma garça, tu  campeias nos ares
Vais buscar as respostas ao que não tem
Como eu já fui te buscar nos mares
Onde fui pra te procurar também...

O que será do amanhã que nos espera
O que será de nosso domingo insólito
Será o amanhã uma doce primavera
Ou apenas mais um dia melancólico?

Euclides Riquetti

Feliz novo dia!

 


 


 



Feliz novo dia

Quando, de manhã, você tiver constatado
Que tudo o que fez ontem foi altamente produtivo
Que o caminho que você percorreu foi bem pavimentado
Para que sua luz intensifique seu brilho antigo...

Quando, de manhã, você tiver já planejado
Ter um dia junto com as pessoas que você quer
Ter um dia magnífico, um dia bem abençoado
Fique esperançosa com tudo o que lhe vier...

Quando, na manhã, o sol ressurgir, depois do dia chuvoso
E os ventos já estiverem totalmente acalmados
E você puder receber um abraço sutil e carinhoso
Terá as recompensas pelos sonhos sonhados...

E, quando os dias se mostrarem mais claros e bonitos
Porque a primavera florida já se aproxima
Verá que há mais azul a cingir o firmamento infinito
Porque sua alma é a luz que a todos ilumina!

Tenha um dia bastante abençoado
Um FELIZ NOVO DIA!

Euclides Riquetti

terça-feira, 27 de agosto de 2024

Na noite em que choveu

 









Na noite em que choveu, perdi o luar
Perdi as estrelas, perdi a estrada
Só não perdi a madrugada
Que ficou para me afagar...

Afagaram-me o miados da gata
Os latidos da fêmea desconsolada
Os relinchos da zaina domada
Na noite chuvosa e... ingrata!

Afagou-me a mulher sem nome
Que me desejou bons sonhos
Leves, coloridos, rionhos
Que falou-me ao telefone

Mas, sobretudo, afagou-me quem me acariciou
Me abraçou, beijou, amou
E me fez feliz!


Euclides Riquetti

Momentos de melancolia

 






Perco-me em lanços de melancolia exacerbada
Divago nos leitos barrentos das estradas
Mergulho nos pensamentos pecaminosos
Navego nos caminhos pedrentos e tortuosos.

Meus olhos buscam uma luz de brilho azul
No sorriso de quem saiu dos pampas do sul
Pra campear nos rastros das dúvidas e incertezas
Nas águas turvas dos ribeiros e suas correntezas.

Riscam os céus  as nuvens brancas alongadas
Como filetes de fina lã branca e algodoada
São meus desejos de te encontrar na imensidão
São mazelas que maltratam meu pobre coração.

Melancolia, estradas, pensamentos e caminhos
Luz, sorriso, rastros, dúvidas e incertezas
Desejos, imensidão, coração e correntezas
Confusão, abalos, impotência, rosas com espinhos...

Melancolia... apenas agonia...
Mas tudo pode ser melhor
E isso só depende de nós!


Euclides Riquetti

Poder sonhar (a liberdade)

 






A liberdade é como o vento:
Sopra, ora para esta, ora para outra direção...
Liberdade é o fogo que queima a lenha, vira brasa e aquece a água e as almas.
É como o pássaro que voa no ar
A água que corre pelo vale
O canto da gaivota que plana, sem cansar
Sobre o mar.

Liberdade é um dia de sol:
É quando as nuvens  se escondem atrás do azul infinito
Ou a noite matizada por estrelas.
E, quando perco o rumo de meus olhos para vê-las
Se perdem na imensidão.

Liberdade é como o grito da vitória
O Soco no ar
O abraço comovido.
É o olhar sobre o vasto campo florido
Colorido!

Liberdade é poder não ter que  levantar-se cedo
É poder deslizar os pés descalços
No verde gramado
É poder sentar no banco da praça e dizer: Este lugar é meu, aqui é o meu lugar!

Liberdade é andar com a pessoa que se ama
Sem ter hora pra chegar
Em nenhum lugar.
E apenas poder...
Continuar a sonhar!

Euclides Riquetti

Perdi o poema...

 


 





Perdi o poema, não sei onde coloquei
Eu não o jogaria fora, certamente
Mas já não me lembro se o guardei
Ou se me desfiz dele, simplesmente.

Quem sabe ele não tinha importância
Ou não lhe foi dado o devido valor
Ou ele tinha apenas pouca substância
Não expressava um verdadeiro amor.

Mas, certamente, que está perdido
E já não tenho como o encontrar
A não ser que estivesse num arquivo
Ou  se espalhado nas águas do mar.

Não, não tenho o poema na memória
Ali guardo apenas as boas lembranças
Se algo me entristece, na vida inglória
Procuro trocar por bem-aventuranças.

Perdi o poema, faço outro, bem bonito
Que possa encantar um terno coração
Jogo palavras no papel ou no infinito
Tudo o que faço, faço com  paixão...

Apenas isso
Bem assim!

Euclides Riquetti

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Eu sou o mar


 



Eu sou o mar

Sou o grão que teima

Sou a areia que queima

Sou o sol que arde

Até o fim da tarde!


Eu sou o mar

Que baila revolto

Como um madeiro solto

Livre a flutuar

Sob o sol a queimar!


Eu sou o mar

E sofreria se não me ouvisses

E lamentaria se não repetisses

Meus versos ao declamar

Na tarde sem par!


Sim, eu sou o mar!