quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Ser poeta, ser poema, ser canção


 


Ser poeta, ser poema, ser canção

Ser poeta, ser poema, ser a nota da canção

Entender a vida, sentir o ser humano 

Venerar o sacro e aceitar o profano

Ter palavras certas, dizer com o coração!


Ser poeta, fazer-se entender, compreender

Olhar para o céu, admirar o infinito azul 

Enaltecer os mares aqui de nosso Sul

Produzir versos, estrofes, poemas escrever!


Ser poeta, espalhar o romance pelo mundo

Mostrar que o amor é um sentimento universal

Fazer o bem triunfar sempre sobre o mal

Pregar a paz e a harmonia neste planeta rotundo!


Euclides Riquetti

Poeta no Dia do Poeta

Quando me deste o céu

 


 


 



Quando me deste o céu, eu te dei o mar
Quando me  deste o sol, eu te dei meu sorriso
Quando me deste as estrelas, eu te dei o luar
E descobri que tu és tudo de que eu tanto preciso.

Quando me propuseste sonhos, eu te permiti sonhar
Quando me disseste adeus, eu permiti o teu retorno
Quando me ofereceste carícias, te permiti me amar
E vi que tu és mais do que um simples adorno...

Quando a chuva molha as gramíneas e as plantas
Quando a chuva molha as pétalas das roseiras
Quando a chuva molha o corpo com que me encantas

Eu me entrego em divagações ternas e saudosas
Eu me inspiro em suas risadas doces e faceiras
Eu me perco em suas curvas belas e formosas.

Euclides Riquetti

Brilhou, de novo, o sol

 


 


 


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Brilhou, de novo, o sol


Brilhou, de novo, o sol que se ofuscara
Que se escondera ao final da Primavera
O sol fugidio  que  tanto me preocupara
Que me torturou pela angustiante espera.

Seu brilho pôs-me alegria no meu coração
Deu entusiasmo a este ser que se abalara
Reconduziu-o ao caminho da inspiração
Ao verso romântico que já se ausentara.

Brilhou o sol, brilharam a estrela e o luar
Fizeram com que voltasse toda a alegria
Depois que a busquei  para me confortar.

Então, os últimos dias do ano se salvaram
E vi dissipar-se a dúvida que me afligia 
E voltaram-me os sonhos que me faltaram.

Euclides Riquetti

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Gente do bem não pode, jamais, ser esquecida. Homenagem a Dr Paulo Gonçalves do Nascimento

 


 




       O jovem médico gaúcho Dr. Paulo Roberto Gonçalves do Nascimento, natural de Uruguaiana, RS,  chegou em nossas cidades em fins de 1988 para trabalhar na área de Ginecologia e Obstetrícia. Seus primeiros trabalhos foram junto à então Perdigão Agroindustrial, de Capinzal, e no Hospital Nossa Senhora das Dores, da mesma cidade, onde trabalhou por 32 anos. Faleceu na madrugada deste 15 de abril de 2021, depois de ter sido internado desde 11 de março no Hospital Universitário Santa Terezinha, o HUST, em Joaçaba. Mais um ser humano vitimado pela perversidade da Covid 19.            

        Em 01 de janeiro de 1989 assumi o cargo de Prefeito em Ouro e o amigo Pedro Nunes, o Kiko, que trabalhava naquela empresa, me indicara o mesmo para que atendesse em nossa Unidade Sanitária Central, ali em Ouro. Sempre foi muito correto em seu compromisso profissional, um marido e pai exemplar. Como médico, foi o responsável por trazer à luz a grande maioria dos nascidos em Capinzal nos últimos 32 anos. Extremamente ético, profissional muito competente, tornou-se Diretor Técnico do Hospital Nossa Senhora das Dores. Fazendo parte do Grupo de Amigos do Hospital, desenvolvemos atividades em prol daquele nosocômio filantrópico cuja entidade mantenedora é a congregação das Servas de Maria Reparadora. Para o Município de Ouro, prestou serviços durante toda a sua vida em nossas cidades, quer como funcionário, quer como médico terceirizado. 

       Como empreendedor, Dr. Paulo, como era conhecido, tornou-se lavoureiro, agropecuarista e avicultor. Juntamente com a esposa Rosane e o filho Filipe, tocaram negócios de grande movimentação econômica para Capinzal.  Tinha também uma filha, Laura, e uma neta. 

       Segundo a irmã Adelaide Frigo, Diretora do Hospital, "o  médico chegou a ficar no corredor do hospital, (HUST),  pois não havia vagas na UTI Covid. No sábado, dia 13 de março, foi entubado, depois de 15 dias extubado e ao sofrer novas complicações foi entubado novamente. Passado os efeitos da  doença, o profissional foi encaminhado para a UTI geral para ser tratado de uma pneumonia. Como apresentava melhora a equipe médica começou a retirar os sedativos, mas teve nova piora e não resistiu". Segundo a mesma, o seu grande sonho era ver em funcionamento o novo centro cirúrgico do nosso hospital. 

       O Dr. Paulo não foi apenas mais um médico brasileiro. Foi um cidadão que escolheu trabalhar em sua vocação, a Medicina. Um médico que se preocupava muito com suas clientes. Que telefonava para ver como estava a recuperação delas após os internamentos. Atendia homens e mulheres em nossa Unidade Sanitária, fazia atendimento clínico. Era respeitado porque sabia respeitar. Era admirado porque era um bom exemplo como profissional da Medicina e como chefe de família. 

       Lembro de em  quantos almoços e jantares participamos juntos, na Sede da AMFO e mesmo nas dependências de nosso Ginásio Municipal de Esportes André Colombo.  Até jogamos uma bolinha juntos, uma vez. Vinha, se enturmava com as pessoas, desde os operários mais simples até os agentes políticos com os maiores cargos. Era humano, uma pessoa boa, que recebeu muitas orações durante o período de sua doença. Lamentavelmente perdemos mais um amigo, mais um ser humano sensacional. No dia    de abril de 2019, no lançamento de meu primeiro livro de crônicas, esteve lá no Clube Esportivo Floresta. Autografei um livro para ele, disse-me que precisava ir para o hospital, pois estavam esperando por ele. No início de março do ano passado, estive lá no novo consultório dele, deixei um convite para o lançamento de meu novo livro, mas não o vi, pois estava atendendo cliente. 

       À Rosane, aos filhos, nora e neta, nossas mais sentidas condolências. Deus o compensará por ter feito o bem a tantas pessoas aqui no plano terreno. E que os anjos lhe toquem as mais belas melodias para recebê-lo. Um abraço fraterno também aos milhares de amigos que fez em nossas cidades. 

Euclides Riquetti

15-04-2021 - reeditado em 29-09-2026


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A nau negra

 


 


 



Vai, espumando as verdes águas 

A nau negra movida por motor

Leva a alegria, leva as mágoas 

Leva corpos de bronzeada cor...


Vai,  e leva os seres cantantes

Embalados por ondas agitadas

Protegidos por deuses gigantes

Pessoas por Ele abençoadas...


E a moça zelosa estende o olhar

Contempla a nau que parte

Que vai singrar por aquele mar

Num cenário de pintura e arte!


E meu pensamento voa célere

Para te encontrar nas areias frias

Deste inverno cujo frio te fere

Em tempos de dúvidas a cada dia.


Euclides Riquetti

Nas brancas areias das dunas

 





Nas brancas areias das dunas

Vêm as ondas verde-esmeralda banhar meus pés
Enquanto o vento atiça as brancas areias das dunas
Lá nas águas jazem as negras galés
Quando as vagas se requebram em alvas espumas.

Nas cinzentas manhãs do pré-verão
As verdades rebatem à minha porta
E uma dor leve açoita meu coração
Que já não tem certeza de que você se importa.

E em cada grãozinho de areia trazido
O despertar de um sentimento já adormecido
Reanimado pelas águas que balançam.

E em cada corpo que baila, bronzeado
Está você em seu presente e seu passado
Enquanto os anos avançam...

Euclides Riquetti

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Voa, pensamento...

 


 


 


Voa, pensamento...


Sagaz inspiradora de palavras e  versos
Mergulha-se  em devaneios e ilusão
Escravos pensamentos estão despertos
Companheiros na  sua solidão.

Olhos brilhantes e meigos que  censuram
As palavras nos seus lábios pronunciadas
As mãos graciosas outras mãos seguram
O sonho que rouba as  madrugadas.

Vaga pisoteando pedras entre a verde relva
Vaga sem cuidados, sem limites, sem reservas.
Entre sucessos, tropeços  e conquistas.

Voa o pensamento entre as nuvens alvas
Voa no firmamento sua dileta alma
Enquanto a névoa lhe embaraça as vistas.

Euclides Riquetti

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Amor e versos...

 


 

 



Cada vez que escuto a  canção do  vento
Entendo porque as pessoas são diferentes
Indago-me se estou certo ou estou  errado
Livre é o meu, também é o seu pensamento
E não sei se estão certas todas as outras gentes.

Prefiro acreditar  que o destino foi traçado
Em linhas planas,  mas na terra arredondada
Riscado sem se saber por qual estrada
Ou por qual raio de sol se deve andar
Na busca por um porto sem se ter um mar.

Talvez seja maior o meu, o seu querer
Imagino quão difícil lhe deve ser.

Inspira-me a compor meus versos e canções
Nas noites estreladas e nas madrugadas
Sempre a imaginar dois belos corações
Presentes um no outro, as mãos dadas
Instantes de avivar nossas paixões...

Radiantes, alegres, sorrisos eternos
Almas cruzadas, vozes cativantes
Dias de turbulência, outros doces, ternos
Onde quer que esteja, sonhos consoantes
Rumos incertos, com pouca clareza
Amor  e versos, nossa a única certeza!

Euclides Riquetti

O vento que sopra na tarde

 


 





O vento que sopra na tarde
E que move as folhas da planta
Traz-me paz, sem mais alarde
E faz-me sentir qual criança.

Quando a primavera  chegou
Começou a mudar a paisagem
A flor se abriu, desabrochou
No vaso que abrigou a folhagem.

A juventude é assim:
Surge bela, como a flor
Ocupa os canteiros do jardim
Abre-se em sonhos de amor.

Ah, setembro - primavera!
Tempos de vida e de cor
Vem o sol que a gente espera
Traz na  tarde seu fulgor.
 
Euclides Riquetti

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Diamante negro

 


 



Diamante negro


Diamante Negro
Um olhar acanhado, uma sutil timidez
A discrição, a virtuosa e doce sensatez
Uma lembrança, um sorriso,  um segredo!

Diamante que se enobrece com o passar dos anos
O mais singelo, magistralmente  lapidado
Soprepôs-se a tudo pelo tempo já passado
E ainda  resplandece e povoa meus sonhos profanos!

Diamante que exala elegância, charme, sensualidade
Mas que esconde, em si, mistérios indecifráveis
Sentimentos ocultos e infindáveis
Que esbalda a fragrância, o perfume, a veleidade...

Diamante de beleza singular
Diamante negro como a noite mais morena
Divindade cândida, dócil, serena
Preciosidade rara e sem par!

Diamante negro, mais do que um corpo bem esculpido
Mulher amada, musa, anjo deslumbrante
Mulher desejada, tal qual raro diamante
Mulher do sorriso de luz, do olhar eternecido!

Mulher diamante
Amada
Distante
Segredo
Que me traz medo!
Tão rara quanto...
Diamante Negro!

Euclides Riquetti

Se os diamantes são eternos

 

 




Se os diamantes são eternos

Durarás para sempre

E, como os sonhos de inverno

Serás eterna, eternamente!


Euclides Riquetti


domingo, 27 de setembro de 2026

Seus pés descalços


 





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Pés descalços
Acariciam as calçadas
Abandonadas.
Corações em percalços
Com batidas descompassadas
Retumbam em almas maltratadas
Rejeitadas, mutiladas.


Pés nus buscam caminhos de luz
E pisam na relva umedecida
Adormecida
Sustentando o corpo que seduz.

O corpo que atrai
E que distrai
Furta meus pensamentos pecaminosos
Libidinosos...
E me mergulha nas águas
Me afoga nas mágoas.

Algo me atira às incertezas do momento
Que vaga lento, lento
Como a nau que vai
E se perde no infinito
Bonito...
Bonito, mas cheio de ruelas obtusas
Confusas
Como eu!

Euclides Riquetti

Muralhas também desabam

 


 

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Muralhas também desabam

Muralhas também desabam com os tremores
Como desabam os corações despedaçados
Cimento e pedras quando amassam as flores
Ferem qual lágrimas em rostos desesperados.

A turbulência nos céus amedronta os viajores
As turbulências da alma nos atormentam
A fúria dos mares apavoram os navegadores
As desilusões nos abatem e nos violentam.

Caminhos desertos maltratam e torturam
Como o sol ardente nos queima e devora
Quando vozes sufocadas apenas sussurram.

Mas quando as luzes do amor nos acenam
E a força da esperança brilha e se renova
Nos campos do sul flores amarelas vicejam.

Euclides Riquetti

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No sábado de sol e de cor

 



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   No sábado de sol e de cor
Sábado de sol e de cor
Dia de alegria desmedida
De andar livre na vida
Nada de trizteza, nem dor.

Sábado com muita euforia
Dia das doces sensações
De dar asas às emoções
Nada de melancolia.

Sábado dos corpos sarados
Dos corações atirando setas
Dos corações sendo flechados.

Dia de comemoração
Nas almas de todos os poetas
Que escrevem com amor e paixão!

Euclides Riquetti

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Águas salgadas de Marte - poema

 


 


 





Diz a N.A.S.A
Que em Marte tem
Água salgada!

Não sei se ali vão erigir hotéis
Nem se construirão bordéis
Se asfaltarão as estradas!

Não sei se alojarão profetas
Nem sei se será destino de poetas
Se haverá noites e madrugadas!

Dizem que a água aparece na primavera
Corre nas encostas no verão
E, no outono, vai desaparecendo

Eu não tenho tempo pra ficar na espera
Não posso esperar um tempão
Pois que irei envelhecendo...

Enquanto isso, escrevo poemas arretados
Enquanto correm as águas de setembro
Enquanto me inspiro e relembro.
E os ventos arrancam telhados
Das eiras e das beiras
Como na última quinta-feira!

Euclides Riquetti