sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

É noite

É noite, dos pensamentos sem dono
É noite de novo...
É noite das estrelas prateadas
Das almas condenadas (perdoadas??).
Mas é noite!

É a noite dos namorados
É a noite dos sonhos encantados...
É a noite das orações
Das dores nos corações...
É, sim, é a noite!

A noite é  dos amantes
Dos beijos provocantes
A noite é dos aflitos
Dos versos escritos e ditos
A noite é apenas a noite...

E, atrás daquela  janela
Alguém se esconde.
Atrás da cortina singela
Uma voz responde:
Estou aqui...
Pensando em ti!
Somente em ti.
Em ti...
(Aqui...)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Tributo a um Campeão

          Não, não me refiro ao Aírton Senna, nem ao Guga Kurten, embora tenha sido  fã deles, nas memoráveis conquistas, nas pistas de Fórmula 1 e na Quadra de Roland Garros. O Rei de Mônaco foi num fatídico domingo de maio. O Rei do Saibro está ali, em Floripa, esperando o dia da chegada de um filho. Cada um Rei em seu Reino. Reinado construído sobre as bases da dedicação, do esforço, dos treinos.

          Minha personagem, como ele mesmo me ensinou, chama-se Nelson. Mas há tantos Nelsons por aí: O lendário Nelson Rodrigues, das crônicas; o Nelson Mandela, ficura carismática e legendária na África. O Nelson Piquet, trouxe-nos importantes títulos no Automobilismo, mesmo com seu sorriso-limão. O Nelson do Cavaquino, o "Nerso da Tapitinga",  e outros  "nelsons e nersons", que nos fizeram rir ou chorar.

          Falo do Nelson Sicuro, que no verdor de minha juventude foi meu professor, meu mestre na Faculdade, a FAFI, lá em União da Vitória. O professor Nelson Sicuro, marido da Neli, também professora universitária, ambos idealistas, carismáticos, bonachões. São daquelas almas que se encontram, se amam, se respeitam, e se propõem a superar todos os obstáculos que surgem em sua caminhada. Mencionei seu nome neste blog, no dia 06 de janeiro, Dia de reis, Dia da Gratidão. E eu nem sabia que ele partira em 28 de novembro último, dia do aniversário de meu filho, Fabrício, dia de aniversário do Ivan Casagrande, a quem telefonamos para parabenizar, pois que este sempre me ligava, parabenizando-me, em meus aniversários. A mim a aos nossos amigos. Obrigado,  Bianco...

          Nos últimos dias, resolvi buscar alguns de meus poemas 'perdidos". Liguei para a antiga FAFI, onde, solicitamente, a Rosane Torres enviou-me, escaneados, os meus primeiros poemas publicados, com ilustrações, em 1976, no livro Prismas, volume IV, da Coleção Vale do Iguaçu, organizado, articulado e publicado pelo Professor Nelson Sicuro. Não se pode dizer apenas "Professor Nelson", ou apenas "Professor Sicuro", tem que ser "Nelson Sicuro", nomes que se combinam, que combinam com a Literatura, a Gramática da Língua Portuguesa, a Fonética, a flauta, o francês, o latim, o inglês, o desenho... Nelson Sicuro foi juntar-se à amada Neli, que fora antes, em 25 de janeiro de 2010, exatos dois anos hoje, lá em cima....

          Há alguns anos convidei-o a vir palestrar-nos no Sílvio Santos, ali em Ouro. Veio ele e a Neli. Não quiseram cobrar nada, apenas amizade... O professor que  vem para atender um pedido de um ex-aluno, de quase duas décadas antes, para falar da língua portuguesa, mesmo depois de ter sofrido um derrame, do qual vinha se recuperando. Mas, mesmo assim, veio e deu o seu recado.

          Não posso deixar de dizer o quanto foi importante para mim e meus colegas: ao final do curso de Letras, costumava convidar os acadêmicos a entregar-lhe uns poemas para editar um livro... Certamente, mais de 200 ex-acadêmicos iniciaram-se nas letras por suas mãos. E eu, orgulhosamente, desde o dia em que selecionou "Uma Oração para Você" e "Tu", para fazerem parte do livro "Prismas  - volume IV",  senti que eu poderia, sim, tornar-me escritor. E, com hiatos temporários, continuo a escrever até hoje. Aprendi com ele a importância de "sentir" a poesia, a escrever sonetos, compor versos livres e brancos, alexandrinos, redondilhas maiores e menores. Que,  lá no céu,  junte-se ao Boni, o Geraldo Felltrim, o Abílio Heis,  e ao Filipak, que também está por lá... Que ele, com sua Neli, enturme-se com anjos e arcanjos! O mundo das artes literárias ficou menor sem o querido Nelson Sicuro, meu verdadeiro campeão. Minha sincera homenagem com o último verso de um poema que lhe entreguei, em 1975: "Ouço anjos cantando uma canção de acalanto"

Euclides Riquetti - Um seu criado!...
         
25-01-2012

Na chuva

Anda, na chuva
Caminha, na curva
Anda, no dia desensolarado
Cinzento, nublado
Mas anda na chuva.

Deixa que a água fresca encantarada
Molhe tua alma esbranquiçada.
Deixa que teu  pensamento navegue,  solto
Sobre um mar confuso e revolto
Mas anda na chuva.

Anda, na chuva da tarde, da noite, da madrugada
Caminha na manhã, esperançada.
Abre tua alma (alva) jazida em incertezas
Pensa em mim, pensa com leveza.
Pensa em mim, na curva, na chuva.

Mas pensa em mim!


Euclides Riquetti
25-01-2012

Eu te amo

O dia está nublado:
Eu te amo!
O dia parece encantado:
Eu te amo.
O dia parece emburrado:
Eu te amo...

O dia promete ser quente:
Eu te amo!
O dia é dia da gente:
Eu te amo.
O dia é o que a alma sente:
Eu te amo...

Cada dia é sempre um dia:
Eu te amo...
Cada dia é uma ousadia:
Eu te amo.
Cada dia é amor e alegria:
Eu te amo!

O dia, e cada dia, cada dia
Remetem a uma nova lembrança
A um mundo mágico, (uma dança)
Uma gostosa nostalgia...


Euclides Riquetti
25-01-2012

Uma Oração para Você

Quando o céu parecer mais azul, atrás dos montes,
E as tímidas árvores receberem os primeiros raios de sol,
E as flores fizerem a vida mais colorida,
E até mais azuis ficarem as águas das fontes...
Então estarei pensando em você, menina!

Quando quente o tempo estiver em dezembro,
E eu estiver um pouco mais velho do que agora,
E minhas noites ficarem tristes sem seu calor,
Mesmo que eu não saiba onde você esteja vivendo,
Eu estarei pensando em você, querida!

Mas o tempo não para e chegará o outono!
As folhas,  já pálidas como eu, cairão sobre a terra,
Virá o vento e nuvens escuras cobrirão o céu,
A chuva fria molhará o meu rosto sofrido...
Mas estarei pensando em você, meu bem!

E quando o inverno chegar novamente,
E eu andar pelas ruas ao encontro do nada,
E como hoje o vento soprar fortemente,
Pensarei em você sem rancor, com saudes...
Pois quem errou fui eu, meu amor!


Euclides Riquetti
Composto em julho de 1973
e publicado no livros "Pismas - volume IV, da Coleção
Vale do Iguaçu", em União da Vitória - PR - em 1976,
(com ilustração).

domingo, 22 de janeiro de 2012

Parodiando o poeta louco...

De poeta e de louco
Eu também tenho, sim, um pouco!
Tenho um pouco de cantador
Tenho um pouco de compositor
Apenas um pouco...

Tenho um pouco de profeta
Tenho um pouco de poeta:
O profeta prediz
O poeta diz
O louco -  desdiz
Mas é feliz!

Euclides Riquetti
22-01-2012

E eu, que sou poeta
Nos poemas que eu já fiz
Escrevi as palavras certas
Pra mim e pra ti.
Escrevi!.

Oitava Crônica do Antigamente

          Sobre ser antigo ainda há muito a dizer. E, se tu ainda não o és, ainda o serás. A Marjorie Estiano, daqui a 30 anos, será bem antiguinha. Eu e a Vera Fischer também, porém um pouco mais do que ela. Seremos antigones.

          O ator Jim Sturgees tem 30 anos, nasceu em Londres. Em meio ao "fog londrino". E, nem por isso virou "foggy". Foi aceito para alguns filmes nos Estados Unidos. A Evan Rochel Woods nasceu no Canadá, tem 24 anos, onde tem neve em todos os invernos. No Canadá. Aqui tem sol em todos os verões, em todos os meses do ano. A dupla estrelou o musical  "Across the Universe", em que se apaixonam. Interpretam canções dos Beatles, o garotos de Liverpool que nos encantaram, a nós, antigos, e ao mundo, no início dos anos 60. Foram condecorados pela Rainha Elisabeth, da Inglaterra.

          A Gabriela é muito educada. E bonita. Toca piano. E nos deliciamos com os acordes que ela tira dele. De graça para nós, seus vizinhos, que escutamos, (e nos deliciamos), sem sair de casa! E toca belas músicas clássicas. O Heitor toca violino. O Fernando Spessatto tira belas composições de seu teclado. Ele  e o Heitor, juntos, são imbatíveis. O Pablo Rossi está melhorando sua condição de pianista no exterior, é um catarinense que nos orgulha muito.

          Uma mulher que tem o nome Gilberta Tedeschi pouco nos  diz. Mas se, seu prenome for Carla, aí a coisa melhora. Se disser que tem Bruni no primeiro sobrenome, tu já começas a pensar coisas. E,  se descobrires que ela é filha de mãe e pai músicos, industriais, ricos, e que foi modelo de sucesso e cantora, tem o italiano como língua materna, fala e canta em inglês e francês, é atriz, tem 54 anos, estudou na França e na Suíça, cursou a Sorbone, tu já concluis que é ela mesma, a fera,  casada com o Presidente da França, o Sarcozi: Carla Bruni, que não chegou onde chegou apenas por ser bonita, mas por ter alguns talentos e por ter frequentado as melhores escolas do mundo, orgulha os italianos e é bem quista pelos franceses.

          O Negão toca gaita.O Valdir Bonato também.  O Loide Viecelli também ajudava a animar as quadrilhas do Mater Dolorum nos invernos de minha adolescência. O velho Todeschini tocava uma Todeschini, lá na "Siap", que convencionaram chamar de Parque, mas que a maioria chama de Siap. Tem uma Senhora, amiga, lá na Linha Sete, que convencionaram chamar de Santa Lúcia, que toca gaita.

          Ah, o Michel Teló também toca gaita. O Borghetti toca gaita-ponto. O Luan Santana nem precisa de gaita, só canta. Outros tocam por ele. Eu nem toco flauta, porque respeito os outros. Não toco flauta nem em flamenguista. Só quero que percam os jogos para o Vasco, mas não temos tido muito êxito contra eles.

          O Teló arrumou uns padrinhos: O Neymar, jogador bem marqueteado; o Cristiano Ronaldo, jogador português que atua  na Espanha, e está enfernizando os ouvidos deles, lá. Ainda bem que eles nem entendem bem aquelas letras chulas, bregas, que mais desdizem do que dizem. O Luan Santana tem uma rede de TV que é sua madrinha, faz sucesso. O Negão, Olindo Esganzerla, nosso, tocava de graça. O Bonato  ainda ganhou uns dinheirinhos que lhe possibilitaram montar sua vidraçaria. O Todeschini morreu pobre, mas feliz. O Loide também foi morar no andar de cima. Tem o Tio Valério, meu vizinho, que  dedilha o teclado com maestria, animou os bailinhos de antigamente no interior do Ouro e em Nova Petrópolis.

          Acho que os compositores, aqui, têm contra si o Sol que,  em vez de iluminá-los, cozinha-lhes os miolos, e dali saem muitas composições que não nos orgulham em nada. Lá com o "fog" ou a neve, os cérebros se ativam para coisas mais "bem elaboradas".

           Ouvir canções dos Beatles, principalmente tendo o privilágio de conhecer suas letras, onde há canções de protestos, clamor pela paz e a propagação do amor, mesmo num rock pesado (para a época, pois agora isso já é clássico), e comparar com as bobagens gravadas atualmente no Brasil dispensa comentários. "Dear Prudence, see the sunny sky", (Querida Prudence, veja o céu ensolarado) cantaram Lucy  e Jude (Evan e Jim), no "Across the Universe". E eu, antigo que sou, lembrei de "Lucy in the  sky with diamonds", "Hei Jude", "Imagine", "Help" (I need somebody=Eu preciso de alguém) . E até chorei...

Euclides Riquetti
22-01-2012        

sábado, 21 de janeiro de 2012

Amar

Mar...
Luar....
Olhar...
Sonhar! (Querer)

Flor...
Amor...
Calor...
Dor! (Sofrer)

Navegar
Divagar...
Namorar...
Amar! (Pretender)

Canção...
Paixão...
Emoção...
Coração! (Viver, viver!, viver!)

E, entre verbos e substantivos
Te ver... tecer... te ter...
E, entre versos (re) sentidos:
Teu ser...
Apenas te querer.
(Jamais te perder!)


Euclides Riquetti
21-01-2012

Pra ti

Saí por aí
Sem ti...

Saio por aí
Sem ti...

Sairei por aí
Sem ti...

Saí por aí sem ti
E senti!

Sairei sem ti por aí...
E apenas pensarei em ti:
Em ti!

Depois retornarei
Pra ti
E mergulharei
Em ti
E então escreverei
Pra ti...

E tu lembrarás
De mim.

Euclides Riquetti
21-01-2012

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Sétima Crônica do Antigamente

          O Doutor Google me informa que "antigo" significa que é "aquilo que existe ou que data de longo tempo, ou velho". Então, tô frito, cara!
 
          E eu que achava que, por conseguir correr até 90 minutos na Pista Olímpica do Clube Comercial, não era um velho... Claro, corri isso diversas vezes já, mas em algumas delas acabei com os músculos distendidos. Aliás, correr, exercitar-se, todos os cientistas, médicos, professores de Educação Física e outros afins, dizem que é estimulador para o aparecimento de células novas em lugar das células velhas.

          Fiquei contente em ouvir, ontem à tardinha, na sonzeira do carro, do Nelson Paulo,  o Amarildo Monteiro e mais um colega deles, que as células antigas, diante dos exercícios, tornam-se autofágicas. Massa, cara! Isso me anima muito e você, amigo ou amiga, pode fazer com que suas células, mesmo aquelas que deixam você meio (a) pançudinho (a), possam autofagiar-se, ou seja, matarem a si mesmas, , devorarem-se. É animador porque surgirão outras, novinhas, envernizadas, virgenzinhas ainda, não crismadas e nem batizadas, que poderão deixar-nos, todos, mais jovens e joviais. Sim, joviais, porque os joviais são mais animados, alegres, entusiasmados do que os apenas jovens, pois estes, muitas vezes, já nascem velhos, embora não antigos. Quero ser cada vez mais antigo, sim, mas ficar velho é uma tarefa penosa que deixo para quem quiser ser...

          E, quando falo em antigo, lembro-me de alguns personagens que ficaram bem registrados em minha mente, minha alma e meu coração: O Joaquim Casara, que rezava terços na Linha Bonita, com sua barba branca, cabelo branco, semblante angelical. A Vó Preta e o Vovozinho, nossos vizinhos ali em Ouro, pais da Ilerene, com sua simpatia e bondade infinita.Igualmente a dona Ézide, terceira  avó de minhas filhas. Meu pai, Guerino e minha mãe, Dorvalina, pois pais são pais, dispensam comentários. O Novo Vitório e a Nona Severina, o Seu Ivo e a Dona Iracema (Bazzo), a Dona Noemia Sartori,  o seu Oziris D´Agostini. O Pimba e a Doralva, filho e mãe unidos pela alma. Todos esses figuras simples mas bondosas. O tio Valentin e a tia Marietina, o tio Ambrozim e da tia Margherita, dois Barettas e duas Riquettis, o Seu Idalécio Antunes, e tantos outros. Ah, do Bijuja, do Rozimbo e do Bonissoni, essas figuraças, usarei um texto só para eles, oportunamente.

          É, ser antigo nos possibilita termos mais lembranças. E mais lembranças ensejam mais histórias. Mais histórias nos incitam a lembrar de nossas próprias histórias, e assim o mundo gira, anda...e eu escrevo... e você lê. Ainda bem!

          Ah, hoje nada direi sobre a Marjorie Estiano, a Manu. Nem sobre a Demi Moore, nem sobre a Sheron Stone. Nem sobre o Michel Teló.   A(teló)go! Vejo vê outro dia.

Euclides Riquetti
19-01-2012
     

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Flor-de-lis

Um dia você sonhou que era livre
Que voava como o pássaro feliz
Que seu mundo era tão grande, era infinito
Era paz, amor tão puro, Flor-de-lis...

Um dia você sonhou que era feliz
E andou pelos caminhos da paixão
De repente veio a sua decepção
E deixou murchar a bela Flor-de-lis.

Um dia você sonhou o impossível
Para um tempo em que convinham certas normas
E tornou sua vida um sonho tão sofrivel
E deixou que Flor-de-lis caísse fora.

Flor-de-lis foi das paixões a mais querida
Que tomou caminhos novos, diferentes
E a paixão que foi outrora amor ardente
Virou cinza, virou mágoa tão sentida.

Seus caminhos, Flor-de-lis, são diferentes
Mas alguma coisa forte ainda os prende
Ainda acende o seu romance tão bonito
Amor de amor, amor de sonho, sem conflito...

E eu, que nessa história tenho um pouco
Não me conformo em ver o rumo que tomou
Onde um amor de juventude, muito louco
Virou apenas a lembrança que ficou.

Euclides Riquetti
18-08-1993
(Poema para Sheila)

domingo, 15 de janeiro de 2012

Mr. Safik

          Saudade é um sentimento nobilíssimo. Pessoas que sentem saudades e medo estão sempre vivas, atentas ao derredor.

          Os anos 50 não restam apenas em tua nostalgia, mas na minha, no verdor de minha infância. Boas lembranças dos tempos em que se tomava o bote e se buscava a Ilha da Siap, da malandragem dos mais velhos: primos, irmãos, amigos... na escusa busca de frutas naquelas paragens e, da subida nos cipós, nas brincadeiras de Tarzan, no armar de linhas de pesca nos sarandis, nas brincadeiras de virar o bote, na procura de lugar em que "desse pé", no leito das límpidas águas do Rio do Peixe.

          Juro-te, peloas goiabas, caquis e melancias afanados, que foram os grandes anos de minha vida. Juro-te, pelos lambaris, carás, joanas,  mandis e jundiás pescados, que foram as melhores aventuras de minha vida. Juro-te, pelas águas transparentes das corredeiras da Ilha, que quando avistávamos as meretrizes banhando-se nas margens do lado esquerdo, cobríamos os olhos para não fazer pecado... e quando, por deslize, os dedos se abriam e nossos olhos buscavam, furtivamente, o corpo daquelas banhistas, íamos, na primeira oportunidade, ao confessionário de nossa suntuosa Matriz São Paulo Apóstolo, onde, nos meses de janeiro, gastávamos nossos trocados na pescaria e nos cavalinhos da Grande Festa em que, não raro, bandas animavam o ambiente e o chope animava o povo, que era muito feliz. Não procurávamos o Frei Lourenço, o mais severo dos freis, mas o outro Frei, aquele que vivera as agruras da Segunda Guerra Mundial, viera da Itália, que era mais condescendente e impunha penitências mais leves. Diziam as Senhoras que era o confessor preferido, parcimonioso, atencioso, compreensivo, além de outros "oso" e talvez "ivos".

          Como são boas as lembranças. Boas lembranças do tmpo em que, ma ponte pênsil, trafegavam alguns automóveis, dizem que até o caminhãozinho FORD Gigante (ou era Chevrolet), das Indústrias Reunidas Ouro! Depois, o orgulho de ver a Ponte Irineu Bornhausen ali, imponente e formosa, sombreando as águas e ligando as duas cidades gêmeas do Baixo Vale.

          Como era bom ir à Comercial Baretta e comprar anotando "na caderneta", ir à loja das Indústrias Reunidas Ouro comprar sabão e banha "Ouro", e vinagre "Horizonte"! Tomar gasosas de framboesa no engarrafamento da Indústria de Bebidas Prima, comprar capilé no Bar Avenida, no Bar do Adelino Beviláqua, jogar bola nos campinhos esparramados por aí, como aquele do "Morrinho do Pão-duro", onde hoje é a Central telefônica da cidade, ou no Municipal, nosso "terrão", onde jogavam Vasco, Arabutã, São José, Ouro, Operário do Mandu, Botafoguinho dos Baratieri, Flamenguinho do Coquiara, Fluminense do Rogério Caldart, Palmeirinhas da Rua da Cadeia (o do meu irmão Ironi), Vasquinho dos filhos do Ernesto Zortéa, Ameriquinha dos riquinhos da área central, e outros, que, "pelo conjunto da obra", não deixavam a grama crescer. E havia ainda os recessos, como quando o Circo Robattini veio e instalou-se no campo, com picadeiro vestido de maravalha da Zortéa ou dos Hachmann.

          Realmente, foi de comoção o passamento de Maria Lúcia, que devia ter a sua idade, que ia ao Mater Dolorum com casacão xadrez verde e branco, alguns detalhes em preto. Fora a Dona Linda Santos e depois ela. Depois foram outros. O Juca, o Sr. Sílvio Santos, o Moretto, todos grandes amigos. Que pena! Quanta gente boa se foi... Dos Santos e de tantas outras famílias que ajudaram a construir nossa História.

          Também foi o  de tua professora Julieta, que perdeu a vida em General carneiro, em fevereiro de 1980, em acidente de carro, juntamente com seus pais. Mas a outra professora tua, continua aqui, participando de eventos culturais de nossa cidade.

          Nossas cidades, Ouro e Capinzal, mudaram muito. Uns foram embora, vieram outros. Restaram lembranças, vieram acontecimentos, desenvolvimento, eventos, acontecimentos com perdas e ganhos.

          Assim, Mr Safik, ajudo-te a relembrar algumas coisas: os cinemas deram lugar às locadoras de vídeo, as lojas aos supermercados, as canetas-tinteiro aos computadores, os telefones pretos aos celulares, os jipes e as rurais aos carros modernos. Mas não podemos esquecer da Aero Willys do Barison, das lemosines do Fleck, dos jipes dos colonos, dos DKWs do Atolini e do Carleto Póggere, nem dos ônibus a gasolina da "União da Serra", todos de nossa infância. Abraços!
Touareg - Nascido em 23 de novembro de 1952.

(Publicado no Jornal A Semana - Capinzal-SC, em 25-04-2007, na Columa do Ademir Belotto, com a utilização do pseudônimo "Touareg", em  resposta a uma carta publicada anteriormente, por um autor que utilizou o pseudônimo "Mr Safik", que viveu a juventude em Ouro, trabalhou nos Estados Unidos,  e voltou para Florianópolis após a ataque de 11 de setembro às torres gêmeas.

Euclides Riquetti - o Touareg...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Sexta Crônica do Antigamente

          "Se tomar mais que dois sorvetes, morre?"
          "Morre, sim, respondiam para mim". E, para tantos outros, que gostavam de sorvete, principalmente do "sorvete de uva", que o Sr. Pedro Beviláqua, os Santini, o Casagrande, do Bar Avenida,  o Bar do Carletto,  o Bar do Canhoto, ou mesmo o do Arlindo Henrique faziam, nos anos 60.

          Misturar uva com melancia mata? Uva com leite dá congestão? E se for melancia com leite, pode?
Essas indagações povoavam as mentes confusas de crianças e adolescentes de minha época, que gostariam de devorar tudo o que aparecia pela frente, ficarem  pançudinhos, "matar a bruta" de tanto comer...(Eu era bem  esquálido, porque não tinha dinheiro para ficar pançudinho...)

          Bem, quem, em sua vida, não foi, pelo menos uma vez, "vítima" das boas e bem intencionadas mentiras engendradas pelos pais, com o objetivo de livrar-se do incômodo e desconforto de ver os filhos toda a hora deixando-os de saia justa, porque queriam que queriam dinheiro para comprar "mais" sorvete, e o pediam diante de outras pessoas? A clássica resposta: "faz mal, pode matar", ou: "faz mal, dá uma baita congestão", ou, simplesmente, uma "c....neira", estava sempre pronta.

          O constatável, hoje, pela minha antiguidade, (já disse que sou antigo, muito antigo), é que as pessoas tinham  que encontrar uma forma de se livrar dos filhos pedunchos, e as respostas vinham dos adultos, e de todos os outros que compactuavam com eles, da família ou não. E não havia, naquele tempo, o dinheiro das "bolsas do governo", que pudessem regar um dinheirinho na conta da família.

          Ah, mas como era bom um sorvete de uva, que vinha com aquela cor roxa, bem forte, muito doce, carinhosamente preparado por pessoas que ficavam segurando uma pá colocada obliquamente num cilindro giratório, este mergulhado em água bem gelada e com sal, para que o sorvete se produzisse e pudesse compor-se com aquele conezinho de massa, muito massa, que a gente ia devorando...

          E "gasosa", então... Era mais difícil ainda de comprar. Nós ainda tínhamos o privilégio de morar ao lado da "Indústrias de Bebidas Prima", bem ali defronte à Ponte Nova, no Ouro, que fazia a gasosa de Framboesa, em garrafinhas em ou garrafas, e eram uma gostosura, bem melhor que as tubaínas artificializadas ao extremo e que estão por aí, nas prateleiras dos mercados, para engordar pançudinhos e pançudões...

          É, sim, hoje os tempos são outros. O Zeca Pagodinho ganha uma nota preta para tomar cerveja de graça, a Juliana Paes também, tem aquela que desce redondo, tem o refrigerante que é bom para tomar comendo pipoca, aquele da "pipoca com guaraná". E tudo está mais  fácil, tem dinheiro pra tudo, tem calorias para todos os tipos e gostos, coisa que nós não tínhamos antigamente, naquele tempo em que a Marjorie Estiano ainda não havia nascido. (Agora ela é a Manu, de Vida da Gente, da Globo)

          E, por falar em sorvete, com apenas R$ 10,79 você compra um pote de dois litros, da Italiana, especialmente aquele "leite condensado com frutas do bosque". E, se você tomar todo ele na mesma tarde, desde que não seja numa única golpeada, você não morre!!!  E, se você o comprar,  com esse dinheiro, equivalente a três litros e meio de gasolina, e andar a pé o tanto que você andaria de carro, não comprando a gasosa (lina),  você vai queimar todas as calorias que ganhar. Pode acreditar: sou antigo, sei de algumas coisas! Bem, agora, vou pra geladeira ver se tem um "nata com morango"...
         

       

Imensidão

É nossa toda essa imensidão
É nosso o vento que acaricia minha pele
É nossa toda essa imensidão
É nosso o luar que prateia a madrugada
É nossa toda essa imensidão
É nosso o poema que a alma concebe
É nossa toda essa imensidão
É nosso o canto, sinfonia da passarada.

É nosso o infinito do céu matizado
E também são as cores do arco-íris
É nosso o desenho da planta, articulado
E também o sorriso dos rostos felizes.

É nosso esse mundo de verde, de azul, de infinito
É nosso o frescor no dia que amanhece
É nosso esse vale encantado, bonito
É nosso o sonho que a alma aquece...

São nossos a alma, o sonho, o sorriso
É meu, muito meu, o prazer de estar contigo!

Joaçaba, 13-01-2012
(Pista Olímpica do Clube Comercial)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Amor e Paixão

O que eu sinto por ti,  é amor do mais profundo
É algo tão simples, simples, mas do tamanho do mundo
O que eu sinto por ti, eu nem sei como explicar
É algo pequeno, pequeno, mas é do tamanho do mar.

O que eu sinto por ti, não se mede, não se diz
É algo tão irrisório, mas que me deixa feliz
O que eu sinto por ti, é um sentimento exultante
É algo de pouca importância, mas que me torna gigante.

O que eu sinto por ti, não há palavras que expressem
É algo tão misterioso, como se tu não soubesses
O que eu sinto por ti, está escrito em meu coração
É o que mais importa: Amor, Saudade, Paixão...

Euclides Riquetti
Composto em 25-05-1998