sábado, 1 de setembro de 2012

Rosas de setembro


E setembro chegou...
O arvoredo ficou bem tinturado de verde natural
Os ipês amarelos coloriram a primeira tarde da pré-primavera
O roxos contrastaram com o alaranjado das corticeiras
O outono esqueceu-se de derrubar algumas folhas que já feneceram
E o perfume das flores das pereiras, laranjeiras e pessegueiros colore cada quintal:
Setembro chegou!

E, com ele, as roseiras abriram seus brotos e nos contemplaram com as rosas
Seus espinhos desapareceram, ficaram ocultos atrás de pétalas e folhas
Rosas champanhe, vermelhas, rosadas e majentas
Cravos vinhos, brancos, rosa-branco, matizados
Azaleias rosa-vivas,  brancas e  beijos multicores
Cravilhas  e  calanchuês esperam, ansiosos, pelas margaridas!

Já vieram as florinhas amarelas do campo, as sempre-vivas
As orquídeas se grudaram nos troncos apodrecidos
Os copos-de-leite se avolumaram junto aos agriões do riacho...
Calêndulas e crisântemos enfeitam jardins e girâneos as floreiras das sacadas
Mas  eu espero os girassóis, os girassóis são meus sóis...

É setembro
É tempo de alegria, vibração
É tempo de agitar o coração
Setembro, é apenas setembro
O meu setembro, o teu setembro, o nosso setembro...


Euclides Riquetti
01-09-2012

domingo, 26 de agosto de 2012

Noites de agosto

Agradáveis noites de agosto
Escondem corpos alados
Que abrigam corações almados
Amados,  no mês de agosto...

Agradáveis noites estreladas
Dos amantes e dos apaixonados
Dos namorados e namoradas
Dos sonhos acalentados.

Agradáveis noites das nuvens que flutuam
De Alpha e de Centauro, e do Cruzeiro do Sul
Do sol escondido que prateia a lua
Da negritude que sombreia  o universo azul.

Agradáveis noites dos sonhos relembrados
Dos nossos, (dos meus, dos teus...)
De nossos sonhos e pecados
Dos sonhos das Julietas e Romeus...

Euclides Riquetti
26-08-2012


Décima Nona Crônica do Antigamente

          Em 1970  muitas transformações ocorreram em minha vida. E muitos acontecimentos marcaram-me profundamente. Era uma época em que eu vivia as incertezas sobre meu futuro e tinha qua trabalhar, arduamente,  durante todo o dia, inclusive aos sábados. E, descanso, apenas dois domingos por mês. Isso já faz tanto tempo...  A notável Sarah Michelle Gellar ainda nem havia chegado. Somente sete anos depois  é que Nova York iria conhecer uma bebezinha prodígio que, quatro anos depois iria começar a maravilhar  os americanos por suas atuações no meio artístico. E, hoje, com seus olhos belíssimos, também nos encanta nas telas dos cinemas. São dois formosos diamantes tinturados por azul, verde e cinza que nos brindam com uma nova cor: Não é cor de céu, não é cor de mar. É apenas a cor dos olhos de Sarah Michelle. Só ela os tem e só ela pode nos presentear  com seu olhar  encantador. As Michelles e Micheles, todas, têm olhos bonitos, inclusive uma que mora em meu coração...

          Como eu dizia, 1970 foi um ano marcante. O Brasil, que há 12 anos não conquistava uma Copa, conquistou, definitivamente, a Taça Julles Rimet, no México. Guadalajara, Guadalajara!!!...

          Nesta semana, um dos ícones desta conquista, integrante do grupo mais unido e que mais  se notabilizou no futebol brasileiro, nos deixou, foi morar no céu, aos 74 nos. Sim, porque o céu existe,  e pessoas como o Goleiro Félix, que, além de desportista correto, dedicado, defendeu a classe dos atletas, e deu muito de si pelos amigos e companheiros, merecem ter compensações na morada eterna.

          Aquela geração de Ouro do futebol brasileiro, que nas elimionatórias, em 1969, sob a batuta de João Saldanha, e 1970, na Copa, sob o comando de Zagalo, o "velho lobo", merece nosso reconhecimento. Do grupo, composto por Félix, Ado, Leão, Brito, Piazza, Carlos Alberto, Baldochi, Fontana, Everaldo, Joel Camargo, Zé Maria, Clodoaldo, Gerson, Rivelino, Paulo César Caju, Jairzinho, Tostão, Pelé, Roberto Miranda, Edu, e Dario (Dadá Maravilha), perdemos o Everaldo, lateral que pertencia ao Grêmio de Porto Alegre, ainda jovem. Fontana nos deixou logo depois. O Joel, vi atuar pelo Santos, mas dois ficaram muito bem fixados em minha memória: Paulo César Caju e Edu. O primeiro pertencia ao Botafogo, mas atuou também pelo Grêmio, Vasco, Fluminense, Flamengo, Paris San German e outros clubes. Edu fez sua carreira praticamente no Santos, onde  está até hoje, é cartola, dirige segmentos da base santista. Eles tinham 18 anos quando disputaram as eliminatórias e atuaram com muito bom desempenho.

          Em 1987, já tendo interrompido sua carreira profissional, vieram jogar contra um combinado do Arabutã e do Penharol, na Baixada Rubra, em Ouro. Vieram pela Seleção Paulista de Masters, em ônibus leito. Reunimos meia dúzia de carros e viemos apanhá-los em Joaçaba, na Rodoviária. Coube-me transportar o Paulo César, o Edu e o Chicão, da Portuguesa de Desportos. Além de ser uma honra muito grande para mim, foi a oportunidade de conhecer um pouco sobre a personalidade daquelas personalidades. O Edu, quieto, no banco traseiro, era monossilábico. O Chicão estava "na dele". E o Caju, no Banco da frente, contava-nos muitas belas histórias, inclusive de sua vida pessoal. Tinha aquela fama de boçal, que alguns setores da imprensa brasileira lhe rotulara, mas percebi que ele era outra pessoa, simples, educado, atencioso. estava com um agasalho Adidas bem surradinho, azul com listras brancas, e um  "boné Milton Nascimento". Queria saber como eram as pessoas, o que faziam, onde trabalhavam, se gostavam muito de futebol. E eu ia contando algumas históriasd, algumas piadas. Em Lacerdópolis, parei em frente a um bar, na  esquina, para ele cumprimentar os "italianos",queria saber como era seu sotaque, sua maneira de falar. Depois,  contou-nos que estava namorando a Leonora, irmã do Jaime, zagueiro do Flamengo, daquela famosa defesa: Raul,  Leandro, Jaime, Mozer e Júnior.  Na descida da serrinha para Santa Bárbara, tivemos que parar porque havia um cachorrinho mancando e ele quis dar um afago nele, ver se era caso grave ou não. Ao chegar no Arabutã, mostrei-lhe o Orlando Santiago, um de nossos goleiros do Veteranos do Arabutã, e ele achou que o Orlando deveria jogar, que o jogo deveria ser para "velhos" e não contra os jovens do Arabutã e Penharol.

          Mostrou-me, realmente, que a imagem que a imprensa nos passava sobre ele era falsa, era mentira que ele trocava várias vezes o calção ao dia, para mostrar-se na praia de Ipanema. Bem, quem sabe isso foi apenas coisa de quando tinha 16 anos e já era titular no Botafogo. E o Edu, com 16, titular no Santos. Agora, já estavam com 37 para 38 anos, eram "velhos", maduros. E gostavam de jogar por prazer, viajar de ônibus, andar em carros de pessoas diferentes, conversar com as pessoas, almoçar embaixo de árvores, comer churrasco na Churrascaria do Pedro Beviláqua e dormir em seu Hotel...

          É, tenho muito orgulho em dizer que  conheci, de maneira diferente do que os meios de comunicação nos passavam na época, essas personagens da história do futebol brasileiro. Gente que jogava muito, que deu muita alegria aos seus fãs, que não eram movidos pelo marketing atual, que não recebiam "direitos de imagem", apenas jogavam futebol, e muito. O resultado do jogo: 1 a 0 para o time da casa, formado por atletas de 18 a 32 anos, jogando contra senhores acima de 36.

          Boas lembranças dos anos 70, que guardo comigo e que quero dividir com você, leitor.

Euclides Riquetti
26-08-2012

         



         

domingo, 19 de agosto de 2012

O Árbitro

          Arbitar, em qualquer circunstância, é um ato que exige isenção, habilidade e muita competência. Mas, o que vi no filme "O Árbitro", hoje, às 6,00 da manhã, é algo muito inusitado e hilário. Nele, o papel (muito informal) de árbitro,  é composto pelo ator Denis Leary que, justamente ontem, completou 55 anos. É norteamericano do Massachusetts, com 17 filmes, dentre os quais as sequências de "A a do Gelo", e dezenas de participações na TV.

          Em "O Árbitro", de 1994, ele é Gus, um assaltante que rouba jóias numa joalheria de uma pequena cidade americana, na noite de Natal. Como a cidade tem todas as saídas controladas por forte aparato policial, acaba rendendo um casal briguento, em vias de divorciar-se, e os obriga a levá-lo, em seu carro, para a casa deles. O casal, formado por Caroline Chasseur (Judy Davis), e Lloyd (Kevin Spacey), tem um filho, jovem pra lá de maluquinho, além de rebelde e revoltado. E ainda esperam a mãe de Loyd, e outro casal, cunhados, com seus filhos, para a ceia de Natal. E acabam todos na mesma casa, para onde vai também um Papai Noel Bêbado, e, ao final muitos policiais, alguns aloprados. É uma verdadeira terapia ver os fatos que se sucedem na fita. O casal é tão briguento  que acaba envolvendo completamete o assaltante, que passa a mediar os conflitos entre o marido, a esposa, o filho, a sogra (agiota), a cunhada, o cunhado. Ninguém fica de fora da "dança". E o bandido é apresentado aos parentes como Dr. Wong, um terapeuta de casais, loiro, que nada tem de "Wong".

          Spacey 53 anos, de New Jersey, ator e diretor do cinema americano premiadíssimo, dezenas de filmes e participações na TV,  faz de Lloyd   uma figuraça. Judy Davis, que faz "Caroline", no alto de seus 57 anos, 32 filmes e 17 trabalhos para a TV em 35 anos de carreira, tendo vivido um papel como "Nancy Reagan", é uma mulher que se considera pouco valorizada pelo marido, quer o divórcio, mas ele não lhe quer concedê-lo. A trama é extraordinária e mostra, mais uma vez, a competência e a criatividade americana em produzir filmes. Judy Davis, a bela Caroline, é mesmo fenomenal.

          Imagine um grupo que se forma com um casal, evolui para mais de uma dezena de pessoas, todos dando muito trabalho para o assaltante, que vira árbitro na situação conflituosa.

          Num fim de semana em que eu me propunha "não fazer nada", dentre muitas coisas boas que fiz,  foi ver "O Árbitro", que recomendo para uma dia em que você estiver dispoto a "vivere un dolce far niente" Vale a pena assistir.


Euclides Riquetti
19-08-2012

sábado, 18 de agosto de 2012

Hora de não fazer nada

É hora de não fazer nada
De dar trela pro ócio e mais nada
É hora de jogar as pernas pro ar
Deixar os braços por conta,  na rede deitar.

Hoje é dia de não fazer nada
De ser um  dia de apenas lembrar
E quem sabe lavar a calçada
E no seu rosto pensar e pensar.

Pisar na grama, molhada, molhada
Olhar pro céu na manhã deste agosto
Jogar água nos pés, e  na escada
Deixar o resto e ficar absorto.

Agora é hora de escrever poesia
Ficar lembrando da vida passada
Lembrando de boleros que dão nostalgia
Quem sabe lembrando de antiga jornada...

É apenas hora de não fazer nada
De curtir a lembrança da amada
De escrever poesia e sentir alegria
De sentir alegria e escrever poesia..
(E mais nada!.

Euclides Riquetti
18-08-2012


sábado, 11 de agosto de 2012

Loba mulher

Loba mulher dos sonhos cor-de-rosa
Loba mulher dos pensamentos que anuem
Dos lábios que me retribuem
Dos pecados que os meus diluem.

Loba mulher dos cabelos molhados
Desalinhados
Perfumados...

Loba mulher de cabelos e olhos encastanhados
Delicados
Encantados...

Loba mulher
Dos sonhos e encantos
Que provocam meus prantos
(Prantos nada santos...)

Loba mulher fervilhosa
Deliciosa
Dos sonhos azuis, dos sonhos cor-de-rosa:
Loba mulher!


Euclides Riquetti
11-08-2012



quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O primeiro sol


Nos dias em que perdi minha inspiração
Perdi o rumo, meu norte foi pro sul...
Havia sumido o costumeiro céu azul
E minha estrada ficou sem direção.

A semana me trouxe o primeiro sol de agosto.
Foi-se embora a chuva que molhou os meus dias acanhados
Foi-se embora a chuva que pintou  meus dias  tão nublados.
Voltou  tua mão a acariciar meu rosto.

A semana me devolveu  o ânimo que estava  escondido
E  procurei  meus sonhos nos hiatos da imaginação
Reencontrei-os nas lembranças da tenra paixão
Que mexe com minha alma e me devolve os sentidos.

Ah, meu primeiro sol, prenúncio de uma nova era
O aguardo do setembro das flores coloridas
O reencontro das palavras que ficaram escondidas
Permitem-me  saudar a nova primavera.


Euclides Riquetti
08-08-2012





segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Nado sincronizado - A maravilha das Olimpíadas

          O Brasil obteve, hoje, o seu segundo Ouro nas Olimpíadas de Londres. Arthur Zanetti conseguiu o Ouro Olímpico nas argolas. É a primeira vez que conquistamos um Ouro em Ginástica. Tentamos chegar, na anteriormente, com Diego Hipólito e com Daiane dos Santos, a pequena gaúcha, mas não logramos o resultado esperado. Lesões os atrapalharam já por deiversas vezes. Agora, sim, foi nossa vez. Ficamos orgulhosos com nosso representante e haveremos de ter outros resultados positivos, em outras modalidades na competição,  embora o quadro não se configure muito animador. Para um país que se dispôs a sediar a próxima edição, é muito pouco. Pecamos em algumas modalidades que tínhamos quase certeza de que conquistaríamos medalhas. Mas não vamos lamentar as perdas. Vamos, sim enaltecer as conquistas. E torcer para que a Chana Masson, de nossa cidade, conquiste uma  medalha para nós. Ela, que está nos representando muito bem, e que já mostrou ao mundo  sua habilidade, talento  e garra. Já nos orgulhamos em 1984, quando, em Los Angeles, o Gilmar Rinaldi, que nasceu em Mariano Moro, ali perto de Erechin, (e viveu muitos de seus dias de adolescência ali em Ouro), conquistou, para nosso orgulho, a medalha de prata no futebol, tendo defendido duas penalidades máximas na semifinal. Eu costumava vender-lhe  "dois cruzeiros em doces" , no Armazém do Arlindo Baretta, em 1969. E jogávamos bola no campinho ali abaixo da "ponte nova", que depois foi aterrado para a construção do  Posto de Combustíveis Dambrós. Ele já era goleiro, tinha camisa amarela, igual à do Raul Plasmann, goleiro do Cruzeiro de Minas. E não é que, anos depois, ele foi suceder ao Raul no Flamengo? Viram, realizar sonhos é possível, basta dedicação e seriedade naquilo que se faz. Pessoas com talento podem estar escondidas em qualquer cidade, pequena ou grande, em cada escola, pública ou particular.
    
          Mas, o que mais tem me encantado na maior competição esportiva do planeta, além da ginástica, é o nado sincronizado. Deliciei-me ao final da tarde de domingo, com as apresentações do Nado Sincronizado na TV. Que maravilha, que encantamento. Os corpos se jogam na água verde/azul da piscina e movem-se, harmonicamente, como se estivessem sendo acionados por um computador. E pensar que os patrocinadores e o público se encantam muito mais com uns brutamontes que ficam se esmurrando diante de câmaras de TV, numa onda de pancadaria que tem ocupado preciosos espaços na Televisão Brasileira!!!

          Encantei-me, sim, com as russas Natalia Ishchenko e Svetlana Romashina; com Marie-Pier Bordreau e Elise Marcotte, do Canadá; com as chinesas Huang Tuechen e Liu Ou, mas, sobretudo, com a elevada performance das espanholas Ona Carbonell Ballestero e Andrea Fuentes Fache.  Pode ter certeza, leitor (a), que se não ocorrerem acidentes de percurso, as espanholas estarão no pódio. Quanta beleza! Quanta perfeição! Elas fazem com que o mundo seja mais bonito...

Euclides Riquetti
06-08-2012
         

domingo, 5 de agosto de 2012

Guerra do Contestado - o que temos a ver com ela?

       
          O tema "Guerra do Contestado", pelas características da mesma e pela data de seu início,  cujo centenário se aproxima, vai trazer-nos de volta muitas informações que um dia ouvimos, mas que nem sempre demos muita bola para o assunto. Sempre tive muita paixão por isso, é um assunto que me atrai profundamente.

          A data fatídica é 22 de outubro de 1912, quando ocorreu a Batalha do Irani e, tanto o jovem  Coronel Gualberto quanto o líder dos revoltosos, Monge José Maria, foram mortos. Brevemente, dedicarei um escrito exclusivamente para o que ocorreu nos dias que antecederam e sucederam esta importante data para nós, catarinenses, principalmente moradores das áreas que serviram de palco para a Guerra. Tenho informações exclusivas que obtive na Fazenda Nossa Senhora de Belém, com o Sr. Alceu Saporite, no interiorzão de Água Doce, num final de  ano em que acampamos, com nossa família, uns 50 metros  abaixo de uma Cachoeira existente na propriedade, e que ali ocorreu um fato que ajudou a mudar a história da Grande Batalha entre os liderados por José Maria e os soldados do jovem Coronel Gualberto.

          Mas, hoje, vou-me dedicar a repassar algumas informações que obtive em minha vida,  e outras que li em  "O Oeste Catarinense - Memórias de um Pioneiro", escrito pelo saudoso José Valdomiro Silva, (tio da Leda Sílva Kerber, Soprano de nosso Teatro Alfredo Sigwalt, de Joaçaba, e   dos seus manos  Cláudio e João, meus amigos). Valdomiro construiu uma biografia irretocável, nascido em 21 de junho de 1902, na Fazenda Umbu, interior, na época, de Campos Novos, próximo de Duas Pontes, hoje Zortéa, e que viveu sua adolescência em lidas com seu pai, durante a construção da Estrada-de-Ferro São Paulo/Rio Grande.

          Em 1914, quando a Guerra do contestado estava  no ápice, 500 soldados da Força Federal estiveram acampados, por muitos meses, próximo à Estação Férrea de Capínzal, com a finalidade de guarnecer a cidade e impedir que os classificados como "fanáticos jagunços", tomassem o rumo do Sul.

           Nossa cidade armou-se antes antes de os soldados chegarem, conforme descreve José Valdomiro Silva, na página 18 de sua obra: "À vista de  tal situação, o farmacêutico Cavalcanti, que era solteiro, resolveu organizar uma guarda-civil, para o que convidou diversos homens e rapazes, entre os quais eu também fui incluído, na qualidade de seu empregado. Não houve problema para armar o pessoal, pois, na época havia muita Winchester e revólver Smith & Wesson que apareceram no comércio logo após a passagem da estrada de ferro. Até eu com meus doze anos, também mereci uma Winchester 44 que mantinha na farmácia, para enfrentar os jagunços. E como a dita guarda foi organizada em caráter amador, não havendo recursos para sua alientação, requisitavam porcos e galinhas das casas abandonadas pelas família fugitivas".

          Pela descrição, você, leitor (a), pode ter noção de o quanto a situação estava complicada. E o adolescente José Valdomiro Silva, que a meu ver merecia ter sua vida retratada em documentário cinematográfico, é figura marcante em nossa história. Há muitos fatos interessantes em sua publicação, de 1987, e que você pode encontrar nas bibliotecas da região e sebos de Florianópolis.

          Felizmente, hoje vivemos outros tempos, enfrentamos outros tipos de problemas, frutos da organização social atual. Mas, naquela época, a realidade era bastante cruel com os moradores de Rio Capinzal, localizado à margem esquerda do rio do Peixe, e o "Distrito de Abelardo Luz", à margem direita. Naquela época, desde 20 de outubro de 1906, com esse nome, pertencíamos à Colônia de Palmas, do Estado do Paraná. e era comum, em minha infância e juventude, colegas de Capinzal "inticarem" comigo, dizendo que nós, os abobreiros, do Ouro, éramos argentinos, e que eles, de Capinzal, os porungueiros, eram os brasileiros.


          Intrigas e rivalidades à parte, a realidade é que Ouro pertenceu a Capinzal apenas por 14 anos, de 1948 a 1963. E que, se buscarmos profundamente a nossa verdadeira história, vamos descobrir muitas coisas interessantes, inclusive que tivemos ativa participação na Guerra do Contestado, pela nossa localização e pelas disputas de Paraná e Santa Catarina pela região Contestada.


Euclides Riquetti
05-08-2012


        

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A greve dos caminhoneiros

          "Sem caminhão o Brasil para", era a frase usada há alguns anos pelos caminhoneiros para chamar a atenção das autoridades sobre as dificuldades que a classe encontra para sobreviver nas estradas. E, convenhamos, as estradas brasileiras, apinhadas de veículos e a maioria de seus trechos não duplicados (duplicação é raridade) não tendo sequer a terceira faixa nos aclives, apresentam-se assustadoramente perigosas.

          . É uma aventura para ti e para mim, leitor (a), andar em nossas estradas. Isso sem contar a precariedade de muitas delas, com buracos nas pistas de rolamento, acostamentos precários ou inexistentes, sinalização horizontal e vertical deixando muito a desejar. Ah, e ainda há os condutores  malucos nas rodovias, , principalmente aqueles que realizam perigosas ultrapassagens em dupla faixa amarela, sinal impeditivo para que vocês desloquem o veículo para a outra faixa. E os que dirigem desatentos. E os que dirigem após ingestão de álcool...

          Mas, o que chamou a atenção dos brasileiros e do mundo, nos últimos dias, foi a greve dos caminhoneiros. A greve é inevitável. É um recurso legal que permite que os brasileiros recusem-se a fazer aquilo que não desejam quando se sentem prejudicados. Falo de uma maneira simplista, deixo as conotações jurídicas para quem tem conhecimento e desejar fazê-lo. Fui grevista também, tendo liderado, na condição de presidente da APROC - Associação dos Professores de Ouro e Capinzal, a greve de 1987, quando paramos por 58 dias todas as escolas de Ouro, Capinzal, Lacerdópolis, Zortéa, Piratuba e Ipira. Apenas uma professora voltou ao trabalho depois de duas semanas, os demais continuaram firmes. Lutamos e, apesar de não termos obtido  muitas conquistas, nossa classe mostrou-se  unida e conseguimos mostrar para a sociedade o quanto éramos desvalorizados.

         Agora, no presente episódio, em que houve paralisação dos caminhões em grande número de estados brasileiros, principalmente nas regiões onde se situam as agroindústrias, vimos o quanto têm de importância para a economia brasileira. Aqui em Catanduvas, a 25 Km de minha casa,  concentrou-se uma manifestação na BR 282, rodovia pela qual é escoada a produção do Grande Oeste Catarinense. E isso também serviu para mostrar para as autoridades o quanto é importante o asfaltamento da Rodovia Ouro-Jaborá como estrada alternativa para o transporte de mercadorias em casos emergenciais.

         Os caminhoneiros estão cansados de pagar a conta. Pagam um valor elevado pelo óleo diesel, realizam pesados investimentos para adquirir ou substituir seus caminhões, estão sejeitos a todo o tipo de risco com relação a sua segurança nas estradas, e ainda têm que se submeter a leis que os que as elaboram desconhecem a lida do motorista, quer seja patrão, quer seja empregado.

         E, ainda, há os pedágios para lhes infernizar a vida ( e o bolso...). Em Santa Catarina, acredito que se limitam à Rodovia BR 101 e têm custo razoávelmente pequeno. Mas, no Paraná e outros estados,  estão tirando o couro dos caminhoneiros e mesmo condutores de veículos de passeio. Na Rodovia entre Curitiba e Ponta Grossa, por exemplo, um carro popular bem conduzido gasta mais em pedágio do que  com combustível. Para quem utiliza eventualmente, tudo bem, é possível suportar. E, para aqueles que precisam da estrada para seu trabalho diário, como é que fica?

          O que as autoridades deixaram de considerar é que as concessões foram efetuadas tendo-se em conta uma quantidade x de veículos trafegando diariamente, mas com os incentivos oficiais o número de carros emplacados anualmente cresceu acima do que estava programado. E não se vê nenhum idicativo de que isso esteja por mudar. E muita gente está ganhando muito dinheiro com essa insensatez.

          A questão das 8 horas de trabalho diárias, e o intervalo de meia hora para descanso para os caminhoneiros, foi a tônica do movimento e da  pauta reivindicatória. Os condutores vão parar ao lado da rodovia, vão ser multados, assaltados e, se não fizerem isso, os proprietários vão receber pesadas multas. Isso é risível. Fazem leis para não serem cumpridas, mesmo. Criam um monte de leis que atrapalham a vida dos cidadãos e não preveem as condições de  aplicabilidade.

          Hoje, durante todo o dia, foi possível ver os caminhões nas estradas, em fileiras indianas, tentando recuperar o tempo perdido... E isso poderia ter sido evitado se as autoridades não tivessem substimado a força dos caminhoneiros. É, sim, "sem caminhão o Brasil para". Não podemos, nunca, querer pagar para ver. É tiro no pé (das autoridades brasileiras).


Euclides Riquetti
01-08-2012

domingo, 29 de julho de 2012

O jantar dos torcedores do Internacional em Joaçaba

          Na última sexta-feira, 27, participei, a convite do amigo Denir Zulian, Engenheiro da AMMOC, de um jantar promovido pela Associação dos Torcedores do Internacional em Joaçaba e Herval D ´Oeste, que tem como presidente o Manuel Traverso, professor da Unoesc e irmão da amiga Luciana Traverso, que atua a Universidade Federal do Paraná em Silveira Martins, RS. O pai deles, o João, Veterinário da Cidasc, estava lá com uma camisa do Inter daquelas mais antigas, branca, com uma faixa diagonal vermelha. Lá revi  muitos amigos de Ouro e Capinzal: O Vander Rech, o Maikel e o Fábio Bebber, o Jorge Soldi, o Janecir, dentre outros. Aproximadamente 1.000 torcedores estiveram no jantar e dezenas deles não puderam adentrar ao Pavilhão Frei Bruno, por falta de lugar, voltando para frustrados. Ninguém estava ali para comer, apenas para abraçar seus antigos ídolos.

          Na oportunidade, fui com minha camisa do Vasco, aquela com a faixa vertical dourada e a cruz de malta bem no peito. Conheci o Caçapava, o Cludiomiro e o Fabiano (este de geração mais recente). Conversei com o simpático Caçapava, disse-lhe que estava ali representando a "grande nação vascaína", ele sorriu, deu-me boas vindas, um abraço. Lembro-me de quando ele participava  daquela "máquina colorada", que meu compadre Anibal Bess Formighieri e meu saudoso vizinho Leopoldo Minks tanto enalteciam quando morávamos no Zortéa, e da qual faziam parte o goleiro Manga, Falcão, Figueiroa, Valdomiro, Flávio (Peito de Aço),  Lula, e outros craques que foram bicampeões  brasileiros em 1975 e 1976. Na década de 70 o Inter  reinou absoluto no Sul do Brasil e foi a sensação dos campeonatos de nível nacional. Foi muito bom ter podido participar.

          Jantamos com o Dante D ´Agostini, filho do Osvaldoni e da Tere, pai do João, amiguinho da Júlia, minha neta. Também nos enturmamos com o Betinho Wesoloski e sua simpática esposa, o André Dalsenter, o Ruaro (irmão do Roberto) e o papo sobre boas lembranças correu solto. Revi o Roni Fabro, que falou-me sobre seu pai, advogado conceituado de Joaçaba, que está com dificuldades de movimentos. Contei para o Dante sobre o tempo em que eu estudava com o Osvaldino, no Juçá Barbosa Callado e fizemos o Ginásio Normal. Tínhamos como colegas o Chascove, os irmãos Andrioni  (Nelci, Terezinha e José Carlos), o Valdir Caresia, o Júlio Rodrigues, qu veio de fora trabalhar no Banco do Brasil, o Ivan Ramos, que trabalhava no Posto do João Flâmia, o Celito Baretta, a Erondina Moro, a Nelcinda Savi. O Osvaldino Vinha com uma Kombi e dava carona para nós, meninos. O Júlio tinha um fusquinha bordô e todos os outros iam para a escola a pé, com exceção dos saudosos professores Valdemar Barea, (que tinha uma aero-willys, e o João Bronze, que tinha uma fusca). Relembrar  daqueles difíceis mas muito bons tempos é uma das minhas predileções...(De vez em quando aparecia o Frei Adelino frigo, com a Rural dos padres, ou o Dioni Maestri, .com aquela aero-willys bordô, modelo arredondado, do Benjamim Barison.

          Ocasiões assim permitem nossa interação com a comunidade, o reencontro com amigos antigos e atuais, o bom papo, a zoação, a flauta, tudo no maior respeito. E havia os candidatos às eleições, quase todos com a camisa do Inter. (Entendemos, né??)

Parabéns, Manuel e sua turma. Vocês conseguiram motivar, muito, os torcedores do colorado gaúcho.

Euclides Riquetti
29-07-2012




         

sábado, 28 de julho de 2012

Outros medos, muito bregas

Medo paranóico: de ficar sem créditos no celular
Medo politifágico: de perder eleição considerada ganha
Medo ex-tanque: de ficar com o abdomem volumoso, protuberante
Medo gástrico: de ficar sem (gas) olina no meio do trânsito
Medo moleque: de comer muito pé-de-moleque e ficar com dor de barriga
Medo diabólico: de comer muita paçoquinha e ficar diabético
Medo vulg(ar): de respirar para não acordar o outro quando dorme e ronca
Medo leviano: de sonhar que está flutuando, leve, indo para o céu antes da hora.
Medo infernal: de imaginar que está condenado  a arder em chamas na boate do Lúcifer
Medo gelado: de pensar que ficou preso dentro de uma câmara fria
Medo do escuro:  de ser atropelado por um fuscão preto
Medo de mensagem auditiva: de mandarem um carro de mensagem  na frente de sua casa, no dia do aniversário, com um texto musicado, bem meloso
Medo de saia: de estar dando entrevista e começarem a fazer perguntas indiscrtetas, deixando-o em saia justa.
Medo de correr: de achar que o Rubens Barrichello vai podar seu golzinho na reta do Motel Eros e você precisa chegar antes que ele
Medo de criança:  de errar a letra do Parabéns a Você na festinha de aniversário dos netos
Medo de ficar velho: de chegar na fila da lotérica e indicarem pra você a fila "exclusiva para gestantes e idosos"
Medo de ter vergonha:  de virar um sem-vergonha, convencido, metido a besta, com o nome no Serasa, cartão de crédito  vencido e ainda ter de dar explicações em casa por ter chegado  tarde e com perfume estranho impregnado na roupa

"O medo de não ter assunto para escrever me deixou com muito medo, daí escrevi  umas bobagenzinhas, só para descontrair e tomar um pouco de seu tempo ocioso, (precioso???), neste sábado, em que não deixaram você ir para o trabalho e por isso ficou muito zangado, revoltado..."

Abraços a todos, neste sábado de céu emburrado.

Euclides Riquetti
28-07-2012




quinta-feira, 26 de julho de 2012

Meus oito medos

Meu primeiro medo: Medo de te perder.
Meu segundo medo: Medo de me perder.
Meu terceiro medo: Medo de não te perder.
Meu quarto medo: Medo de não me perder.
Meu quinto medo: Medo de te perder e não te encontrar.
Meu sexto medo: Medo de me perder e não me encontrar.
Meu sétimo medo: Medo de que nos percamos e não nos encontremos mais.
Meu último medo: Medo de perder o medo.

Não quero que te percas de mim
Não quero me perder de ti
Jamais!...

Euclides Riquetti
26-07-2012

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Homenagem ao amigo que se foi

          Ontem, ao ouvir o sino da Matriz de Capinzal, liguei para a Casa Paroquial para ver do que se tratava. Informaram-me que era a celebração do Alcir José Spielmann. Fiquei chocado. Foi meu colega do curso de Contabilidade no Padre Ancheita. Meu antigo vizinho, em Ouro. Meu colega de futebol no tempo do Palmeirinhas. Trabalhou  no Organização Contábil Luther King, hoje sucedido pela Êxito Contadores, capitaneada pelo Osvaldo Federle, o Machadinho. Fomos, os três, da turma de Técnicos em Contabilidade de 1971. Afastou-se do trabalho por motivos de saúde, há duas décadas.

          Tenho muitas boas lembranças do Alcir. Tinha um jeito calmo e simples de falar. Como a mãe, Doralice (falecida) e o pai, o Alcides "Barbeiro" Spielmann, que tinha barbearia na área central de Ouro e que faleceu num belo domingo, depois de ir à missa na Festa de São Paulo Apóstolo.

          Quando era criança ele morava ali na Rua Santo Antônio, aquela que sobe ao lado da casa do Aquilino Baretta. Depois, vieram morar próximo do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Fui colega de Mater Dolorum  de seus irmãos Dalvir e Almir (Frei). Trabalho como Geraldo, seu irmão. Sou amigo do Eugênio, que trabalha no Banco do Brasil, e da Ana Lúcia, que casou com o Itamar Homem do Amaral, o Mineirinho do Banco do Brasil, que também foi nosso colega no CNEC. Tenho boas recordações de todos eles.

          Nos últimos anos, permaneceu recluso em sua casa, morando com o Geraldo. Era um flamenguista convicto e fervoroso. O rubro-negro era a sua primeira paixão. Ensinou o Prefeito Miqueloto a jogar xadrez quando ele ia entregar leite na sua casa. Falava pouco, mas pensava muito. Quando jogava bola, movimentava-se com elegância e habilidade, sabia tocar a bola com perfeição, não reclamava. Mas parou muito cedo.

          Lembro de quando, em 1971, desfilamos pela CNEC no Sete de Setembro, com calça preta, de tergal, e camisa de algodão,  vermelha. Foi ideia do Dr. Maliska, nosso Diretor: "Se nossa escola nunca desfilou, então vamos desfilar a primeira vez com camisa vermelha, que é para aparecer, mesmo!" E desfilamos. O Alcir se sentia mais rubro-negro ainda. Eu, vascaíno, achava a camisa apenas  bonita...

          Lá na Igreja, de seus colegas de turma, estávamos eu e o Machadinho. Ele comentou: "Foi-se nosso colega! Tomei a liberdade der publicar uma nota em nome da nossa turma". Fiquei agradecido ao amigo Osvaldo, achei uma atitude muito louvável a dele. Os freis Danilo e Valdir, mais seu irmão Frei Almir fizeram a celebração.

          E ele foi morar com o pai e a mãe. Pessoas boas como eles têm um merecido lugar ao lado do Senhor, no Paraíso. O mundo precisa de pessoas sensíveis e bondosas como ele e seus familiares. Viva feliz na Glória Eterna, Alcir!

Euclides Riquetti
25-07-2012

         

domingo, 22 de julho de 2012

Festa Italiana de Capinzal

         Participamos, neste sábado, 21, da XXVIII Noite Italiana de Capinzal. É a oportunidade que temos de rever amigos, alguns que a gente não vê há muito tempo.

         A Noite Italiana de Capinzal, que também chamam de "Festa", foi criada na gestão municipal do saudoso e muito competente Prefeito Celso Farina. Dona Zélia, a Primeira Dama, Marlene Zanchet, que respondia pela Educação e Cultura em Capinzal, mais a Marília Dambrós, Diretora da APAE, foram  as pessoas que iniciaram a festa cultural que tem como principal característica servir boa comida e vinho. Ao longo dos anos foi sendo repaginada. Os altos investimentos em contratação de bandas de alto custo e decoração foram dando lugar a outros moldes, sem cair o padrão de qualidade. Como o objetivo é angariar recursos para a escola especial Vanda Meyer, não podia ser de outro jeito: a sofisticação dando lugar à praticidade e os objetivos atingidos.

          A festa é apoiada pela comunidade e, desde os primeiros tempos, foi teve como grande parceira a Perdigão, hoj BRF. O Sr. Altair Zanchet deu o pontapé inicial de apoios, com o respaldo da família de Saul Brandalize. O formato atual, com simplicidade, música de alta qualidade e diversidade (Banda Essência), bons vinhos coloniais (uvas americanas) e também de altitude (uvas de origem europeia, viníferas). Há uma década o vinho disponibilizado era gratuito, mas havia esbanjamento, muitos bebiam além da conta, faziam fiascos. Agora, ao meu ver, foi atingido o padrão ideal para o público que a frequenta. E os preços cobrados pelo vinho está abaixo dos praticados  em restaurantes com médio requinte.

          Bem, como o bom da festa é rever amigos, a noite nos foi muito auspiciosa. Os locais, a gente revê com regular frequência, mas mesmo assim é bom coversar com eles. E costumamos ficar analisando as mudanças nas pessoas: a amabilidade é sempre a mesma, até melhora, pois os anos que pesam nas costas de cada um as tornam mais dóceis. Mas nossos cabelos... quanta diferença!!! O orgulho que muitos tinham quando jovens é substituído pela maturidade. Os cabelos da maioria dos homens tornam-se prateados, alguns os perdem, como o meu caso. No princípio, tenta-se identificar algumas pessoas que " a gente viu em algum lugar, algum dia". E sai de lá sem saber quem era, pois não dá pra sair perguntando pra todo mundo: "Quem é você?"

          Na chegada, revi o Hilarinho Zortéa, a Vera, de nosso saudoso Caio, a Jane Serena. Depois a Márcia Dambrós Peixer, com o marido, a Dona Iolanda, o Sérgio Riquetti, meu simpático primo e que o Remi Mattos, que agora mora no Mato Grosso do Sul,  chamava de "Van Johnson". A simpatia da Márcia e do marido é muito grande, sabemos muito bem o quanto ela recebeu de bons exemplos  de sua mãe. Depois fui abordar o Tio Dero, (como o Caio e a Vera o chamavam), e a Ana Rosália. Conheci-a num churrasco na fazenda dos Zortea, em 1968, quando o seu pai, Hilário, foi nosso paraninfo de formatura do Ginásio Normal Juçá Barbosa Callado. Era tímida, agora parece mais alegre, madura. O Deroci sempre foi muito atencioso e competente, nos poucos contatos que tive com ele, desde os tempos em que eu trabalhava na Zortea Brancher, me ajudou em ocasiões que precisei de suas orientações.  É um cidadão que se aliou a uma família de pessoas boas, por isso está aí, de bem com a família e a vida. Depois o Maurício Brancher, filho da Dona Holga e do amigão Sadi, a quem já me referi em outras ocasiões. O Rubens Bazzo, que estava com a esposa, está com a cara do pai dele, o amigo Plínio, simpático cidadão que foi morar na Capital. Também revi o Bogoni, pai da Fernanda, que vinha na minha casa quando tinha uns seis anos de idade, era coleguinha de minhas filhas. Sabe, amigo (a) leitor (a), há pessoas como Tio Plínio, que nunca deveriam envelhecer, deveriam ficar esbanjando simpatia mundo afora, ajudando a vida de todos a ser melhor...

          E tinha lá um monte de outras pessoas que eu ficava tentando saber quem eram. E a tribo local, numerosa, mas que a gente sempre acaba reencontrando: A comadre Alias dançando com o Onair (Ticão), a Elba com o Adelir, sempre esperando que a banda execute um tango para que possam curtir suas habilidades.

          Ah, foi muito bom estar lá, em meio a tantos e tantas, volvendo o pensamento para o passado, lembrando de quantas vezes "arrastamos o pé" no Centro Educacional.

Euclides Riquetti
22-07-2012