O Sabonete e a Orora
O ano era 1972. Plena juventude, cidade nova, novos amigos, morada nova. A vontade de conhecer novos lugares, novos ambientes. Fiz grande amizade com o Sabonete, meu colega de República Esquadrão da Vida e de Letras na Fafi. Ex-seminarista e muito bem empregado, costumávamos sair juntos nos finais de semana para "explorar a cidade". Fomos ao Aeroporto José Cleto e conseguimos tirar fotos ao lado de um avião. Fomos ver o "Cristo", no alto do Morro, em União da Vitória, que estendia seus braços e olhar sobre o Rio Iguaçu e as cidades gêmeas. Andávamos a pé, gastávamos nossos sapatos.
Mas também gostávamos de ir a Bailes no Clube Apollo, do qual ficamos sócios. E, nos domingos, tarde dançante no 25 de Julho. Imperdível. De vez em quando, uma saidinha para São Miguel, em Porto União. E, naquele tempo, só entrávamos lá de terno e gravata. Ainda bem que tínhamos nossos ternos fa formatura do então Segundo Grau. No final do domingo, o Cine Ópera. Tudo para compensar a semana de muito estudo na Faculdade e no Yázigy, onde fazíamos Inglês para desenvolver nossa fluência na conversação.
Mas tínhamos tambérm nosso lado "sinistro" das coisas. Só que o sinistro da época era bem light, soft. Era um sinistrinho brando... No domingo, iamos ao Estádio Enéas Muniz de Queiroz ver o Iguaçu, torcer. " Chuta, Joaquim! Corre, Rotta! Corta, Chavala! Defende, Roque! Juiz ladrão!!! Muita gritaria, reclamação com o juiz. E, em muitos de nossos sábados, a ida para as gafieiras, levados pelos "mais antigos", que sabiam tudo disso, eram experientes no assunto e na ára. Tinham lá o Primavera, que era um "meia-boca", o Farinha Seca, o Boneca do Iguaçu, ao lado da ponte férrea, e o Poeira. Estes três eram "boca inteira".
Éramos muito tímidos, mas nossos companheiros nos encorajavam e acabávamos indo para "dar uma espiadinha". Lembro bem de uma vez que nos levaram para o Boneca do Iguaçu. O Sabonete, que era muito "liso", tinha alta formação religiosa. O apelido, uma conformação fonética e semântica, contando seu sobrenome e sua inteligência. Como bom de "argumento", sabia Latim e Grego, ia na frente e pedia para que deixassem "dar uma olhadinha", sem pagar entrada. Cheio de falas, prometia que se gostássamos pagaríamos ingresso e ficaríamos, viraríamos fregueses. Ao contrário, iríamos para casa.
Pois que em nossa primeira incursão, tão logo passamos por uma cortina de fumantes, adentramos ao salão e lá tinha de tudo. Cheiro de cerveja e conhaque. Cadeiras de várias cores e modelos, mesas de múltiplas cores e estampas. E genrosas senhoras, de todos os padrões: altas, baixas, esquálidas, obesas, loiras, morenas, ruivas. E os homens: de todos os padrões: pobres, ricos, feios, bem feios, mais feios, carecas, mais carecas, obesos, bem obesos, solteiros (nós e mais alguns) e... casados! Mais casados do que solteiros! Todos tinham bons motivos para ali starem.
Até aí tudo bem não fosse o susto do Sabonete: "Vamos sair já daqui! Não podemos ficar! Tá louco, cara!... O meu chefe tá aqui. O que ele vai pensar de mim? Vai pensar que eu sou um depravado. E estou no estágio probatório... - Argumentei que quem tinha que se preocupar era o chefe dele, "bem casado", que estava ali fazendo festa, amassando uma "bem fornida, teúda e manteúda". Mas não teve jeito, o Sabonete ficou apavorado, dando graças a Deus que o chefe não o viu. Ainda bem que entramos na "condi"!sem pagar o ingresso!
Passado o susto, demos umas caminhadas pelas ruas centrais, olhamos as vitrinas da Loja do Zípperer, da Loja Olga, dos Domit, das lojas do Magazine Jacobs, passamos pelo Bar do Bolívar no outro lado dos trilhos, vimos os cartazes dos filmes do Odeon, do Ópera e do Luz, este bem perto de casa. Ainda passamos pela Willy Reich, bem pertinho de casa. Era época do "Sesquitecentenário da Independência" e estavam inaugurando a transmissão de TV em cores no Brasil, até transmitindo a "Mini Copa" de Futebol. Nos embasbacamos com a beleza das imagens coloridas no aparelho.
Chegamos em casa e contamos para o Frarom sobre a decepção que o Sabonete teve ao encontrar seu chefe, um exemplo de chefe, um homem honrado, lá com sua teúda amarrada ao pescoço no "Boneca".
E ele veio com essa: "Olha, cheguei agorinha. Fui dar uma olhadinha no "Poeira", mas nem entrei. Só dei uma esticada de pescoço pela porta. Estava no intervalo, porque lá a dança já começa pelas oito horas. E o vocalista da bandinha estava dando um aviso: "Queremos dizer para a sociedade portuniense que aqui comparece que temos em nossas mãos uma aliança de casamento que foi encontrada no chão de nosso tradicional salão, tendo se grudado na sola do sapato de borracha daquele amigo ali, ó..." E ninguém se manifestou, ninguém que estava lá queria mostrar seu verdadeiro estado civil, "casado". Com o precioso objeto na mão, pegou-o entre os dedos e foi adiante: "Olha, aqui estão gravadas as iniciais da dona dessa preciosa jóia: Começa com " Ó", deve ser da... "Órora"! E lá não havia Ororas nem Auroras...
Nem precisou ele continuar com a história. Ríamos mais do jeito com que ele nos contava das histórias do que com a graça que traziam. E começava uma rodada de histórias e piadas que nos faziam esquecer das tristezas. Tudo muito divertido. Melhor que ter ido ao bailinho! Diversão com economia de dez cruzeiros. Dava para pagar a lavadeira na semana.
E o respeito entre o Sabonete e o Chefe dele nunca foi abalado...
Euclides Riquetti
17-05-2013
sábado, 18 de maio de 2013
sexta-feira, 17 de maio de 2013
O Sapo da Juju
O Sapo da Juju
Ali no latão tem um sapo.
Não é grandão, nem grandinho.
Se fosse pequeno, seria um sapinho
E caberia no seu sapato!
Dizem que sapo não guarda mágoa
Dos meninos malvados que o chutam
Nem das meninas que não o escutam
Quando coacha lá na água!
Quando passo no banhado
Ali pertinho do matão
Eu fico muuuuuito assustado
Com os gemidos do sapão.!
Não importa a cor do sapo
E seu tamanho não importa, não
Não é branco como o pato:
É verde como limão!
O sapo da Juju
Está querendo uma sapeta
Pra lhe fazer bilu-bilu
E dormir com a chupeta!
Se é sapo, sapinho, ou sapupu
Não dá pra ver ele, não
Por que o sapo da Juju
Ela guardou no coração!
Euclides Riquetti
16-05-2013
Ali no latão tem um sapo.
Não é grandão, nem grandinho.
Se fosse pequeno, seria um sapinho
E caberia no seu sapato!
Dizem que sapo não guarda mágoa
Dos meninos malvados que o chutam
Nem das meninas que não o escutam
Quando coacha lá na água!
Quando passo no banhado
Ali pertinho do matão
Eu fico muuuuuito assustado
Com os gemidos do sapão.!
Não importa a cor do sapo
E seu tamanho não importa, não
Não é branco como o pato:
É verde como limão!
O sapo da Juju
Está querendo uma sapeta
Pra lhe fazer bilu-bilu
E dormir com a chupeta!
Se é sapo, sapinho, ou sapupu
Não dá pra ver ele, não
Por que o sapo da Juju
Ela guardou no coração!
Euclides Riquetti
16-05-2013
quinta-feira, 16 de maio de 2013
O Santo sim; o nome, não!
Na Capinzal e Ouro, na década de 1960 morava um cidadão que tinha muitas atividades. Era polivalente e "se virava" de muitos modos. Não deixava faltar nada para a a família.
Em tempos em que nós nem sabíamos direito "de que lado se situava o mar", ele já conseguia levar sua "tropinha" para as praias no verão. E o cara também gostava de fazer piadas, de zoar com vida dos outros. Era só alegria!
Gostava de falar palavras novas que aprendia. Guardava as mais difíceis e, quando surgia a oportunidade, usava nas suas falas. Fez o "ginásio" já bem madurão. Precisava estudar e trabalhar muito porque tinha que garantir o jabá da prole. Queria acompanhar a evolução dos tempos. Em seu estabelecimento, sempre tinha uma grande cuia para o chimarrão. Sabia como agradar seus fregueses. Era chimarrão e conversa, muita conversa. (Naquele tempo, cliente era só medico e dentista que tinham, os demais eram todos "fregueses"...). E me dizia: "Olhe, Cride, o negócio é usar a Psicologia Aplicada ao Trabalho!"
Ah, sim! O amigo, a quem chamarei de Zé da Kombi, foi meu colega de aula no Juçá Barbosa Callado. Era bastante aplicado, até. Não faltava às aulas. E lotava a furgona de gente na saída da aula, que ia despejando pela cidade, principalmente em dias de chuva. Nossos professores de Psicologia foram o Dioni Maestri e o Paulo Bragatto Filho. E gostávamos de Psicologia. Tínhamos isso no ginásio na época. Um privilégio!
Nosso "gente boa", alíás muito boa por sinal, tinha umas "manias". Tantas que sua "vècchia" lhe deu as malas quando achou que o que ele fazia estava demais. E gostava de contar-nos as histórias de suas aventuras. Quando queria dar um "chego" na gandaia, saía de casa para jogar baralho. Ia a pé, deixava a Kombi na garagem. Mas tomava outro rumo.
Uma das que bem me lembro era de suas escapadelas para os bailecos nas periferias da cidade. Contava-nos e dava risada. Ia para o salão do "Sete Facadas", era muito amigo dele e bom freguês. Não deixava pendura, embora até crédito fácil tivesse se fosse preciso. Dançava umas "marcas", tomava umas cervejas, investia num abraços (hoje chamam isso de amassos), e mais nada. E cuidava bem para que a camisa branca, de colarinho, não ficasse com marcas de rouge ou battom. O cheiro de cigarro dizia que era por causa dos palheiros que os companheiros tragueavam no jogo das cartas.
Naquele tempo, nas redondezas do lugar, do outro lado do rio, havia outros salões: "O Bota Preta", o Sovaco da Cobra" e o "Alegria do Touro". Na entrada deles, sobre a porta, um aviso: "Tire o chapéu e entregue sua arma para o proprietário". Por uma questão de respeito... Eram os clubes "alternativos" da época. Concorriam, com muitas dificuldades, com o Ateneu Clube, o Floresta e o Primeiro de Maio.
Tinha um problema, principalmente nos dias de chuva. Não era por causa do guarda-chuva com as hastes de madeira e o cabo de chifre. Era o barro na rua. A rua que levava até o salão do Sr. Fontoura não tinha calçamento e precisava ter cuidado para não sentar-se ao chão. Não havia tampouco lâmpadas nos postes. E não podia levar lanterna junto porque senão a patroa desconfiava. Mas o problema maior era com os sapatos. Não podia sair de casa com galochas para ir jogar baralho ali pertinho, ela não iria compreender isso, pensaria que ele estaria aprontando...
Então, quando ele voltava, mais de meia-noite, lavava os sapatos no riacho Coxilha Seca, ali em frente à Marcenaria São José. Em casa, deixava-os lá fora. No outro dia estavam secos e limpos, não davam pista pra desconfiança.
Como na época que não havia televisão nas casas, as pessoas tinham muito tempo para pensar e bolar sacanagens. Uns amigos dele, uma noite, foram lá e passaram barro nos seus sapatos. E, de manhã, a "Dona Braba" viu aquilo e ficou furiosa. E o acordou dando-lhe chineladas. Ele, sem entender nada, começou a se confundir, pensando que esquecera de lavar os sapatos. Parecia que os tinha lavado. Será que bebera demais e não lembrava direito?! E isso lhe custou uma semana dormindo no sofá da sala...
Tenho saudade dos causos que o amigo me contava e que nem posso escrever aqui, mas rio sozinho quando lembro deles. Levou azar alguns anos adiante, quando veio a TV. A patroa foi vendo muitas novelas, muitos filmes, por muito tempo, e começou a ficar esperta na questão. Então a história não teve um final feliz. Duas malas cheias de roupas e sapatos. E morar na Kombi... Deu-se mal nosso santo. Falo do santo, mas não digo o nome. Nem o apelido!
Euclides Riquetti
16-05-2013
Em tempos em que nós nem sabíamos direito "de que lado se situava o mar", ele já conseguia levar sua "tropinha" para as praias no verão. E o cara também gostava de fazer piadas, de zoar com vida dos outros. Era só alegria!
Gostava de falar palavras novas que aprendia. Guardava as mais difíceis e, quando surgia a oportunidade, usava nas suas falas. Fez o "ginásio" já bem madurão. Precisava estudar e trabalhar muito porque tinha que garantir o jabá da prole. Queria acompanhar a evolução dos tempos. Em seu estabelecimento, sempre tinha uma grande cuia para o chimarrão. Sabia como agradar seus fregueses. Era chimarrão e conversa, muita conversa. (Naquele tempo, cliente era só medico e dentista que tinham, os demais eram todos "fregueses"...). E me dizia: "Olhe, Cride, o negócio é usar a Psicologia Aplicada ao Trabalho!"
Ah, sim! O amigo, a quem chamarei de Zé da Kombi, foi meu colega de aula no Juçá Barbosa Callado. Era bastante aplicado, até. Não faltava às aulas. E lotava a furgona de gente na saída da aula, que ia despejando pela cidade, principalmente em dias de chuva. Nossos professores de Psicologia foram o Dioni Maestri e o Paulo Bragatto Filho. E gostávamos de Psicologia. Tínhamos isso no ginásio na época. Um privilégio!
Nosso "gente boa", alíás muito boa por sinal, tinha umas "manias". Tantas que sua "vècchia" lhe deu as malas quando achou que o que ele fazia estava demais. E gostava de contar-nos as histórias de suas aventuras. Quando queria dar um "chego" na gandaia, saía de casa para jogar baralho. Ia a pé, deixava a Kombi na garagem. Mas tomava outro rumo.
Uma das que bem me lembro era de suas escapadelas para os bailecos nas periferias da cidade. Contava-nos e dava risada. Ia para o salão do "Sete Facadas", era muito amigo dele e bom freguês. Não deixava pendura, embora até crédito fácil tivesse se fosse preciso. Dançava umas "marcas", tomava umas cervejas, investia num abraços (hoje chamam isso de amassos), e mais nada. E cuidava bem para que a camisa branca, de colarinho, não ficasse com marcas de rouge ou battom. O cheiro de cigarro dizia que era por causa dos palheiros que os companheiros tragueavam no jogo das cartas.
Naquele tempo, nas redondezas do lugar, do outro lado do rio, havia outros salões: "O Bota Preta", o Sovaco da Cobra" e o "Alegria do Touro". Na entrada deles, sobre a porta, um aviso: "Tire o chapéu e entregue sua arma para o proprietário". Por uma questão de respeito... Eram os clubes "alternativos" da época. Concorriam, com muitas dificuldades, com o Ateneu Clube, o Floresta e o Primeiro de Maio.
Tinha um problema, principalmente nos dias de chuva. Não era por causa do guarda-chuva com as hastes de madeira e o cabo de chifre. Era o barro na rua. A rua que levava até o salão do Sr. Fontoura não tinha calçamento e precisava ter cuidado para não sentar-se ao chão. Não havia tampouco lâmpadas nos postes. E não podia levar lanterna junto porque senão a patroa desconfiava. Mas o problema maior era com os sapatos. Não podia sair de casa com galochas para ir jogar baralho ali pertinho, ela não iria compreender isso, pensaria que ele estaria aprontando...
Então, quando ele voltava, mais de meia-noite, lavava os sapatos no riacho Coxilha Seca, ali em frente à Marcenaria São José. Em casa, deixava-os lá fora. No outro dia estavam secos e limpos, não davam pista pra desconfiança.
Como na época que não havia televisão nas casas, as pessoas tinham muito tempo para pensar e bolar sacanagens. Uns amigos dele, uma noite, foram lá e passaram barro nos seus sapatos. E, de manhã, a "Dona Braba" viu aquilo e ficou furiosa. E o acordou dando-lhe chineladas. Ele, sem entender nada, começou a se confundir, pensando que esquecera de lavar os sapatos. Parecia que os tinha lavado. Será que bebera demais e não lembrava direito?! E isso lhe custou uma semana dormindo no sofá da sala...
Tenho saudade dos causos que o amigo me contava e que nem posso escrever aqui, mas rio sozinho quando lembro deles. Levou azar alguns anos adiante, quando veio a TV. A patroa foi vendo muitas novelas, muitos filmes, por muito tempo, e começou a ficar esperta na questão. Então a história não teve um final feliz. Duas malas cheias de roupas e sapatos. E morar na Kombi... Deu-se mal nosso santo. Falo do santo, mas não digo o nome. Nem o apelido!
Euclides Riquetti
16-05-2013
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Um Poema de Amor
Não há manhã sem sol que não seja agradável
Não há noite de luar que não o seja também
Não há tarde de chuva que seja interminável
Que não se possa parar pra pensar em alguém.
Não haverá mais amor numa carta chorosa
Não haverá mais amor que em minha poesia
Não há, mas espero você, carinhosa
No canto que eu canto e que lhe leva a magia.
Não há nenhum dia que eu não componha um poema
Não há um só momento que eu não pense em lhe ver
Não há uma semana em que eu não escreva
Um poema de amor, só de amor por você!
Euclides Riquetti
15-05-2013
Não há noite de luar que não o seja também
Não há tarde de chuva que seja interminável
Que não se possa parar pra pensar em alguém.
Não haverá mais amor numa carta chorosa
Não haverá mais amor que em minha poesia
Não há, mas espero você, carinhosa
No canto que eu canto e que lhe leva a magia.
Não há nenhum dia que eu não componha um poema
Não há um só momento que eu não pense em lhe ver
Não há uma semana em que eu não escreva
Um poema de amor, só de amor por você!
Euclides Riquetti
15-05-2013
terça-feira, 14 de maio de 2013
A Inclusão das Crianças com Limitações e sua Avaliação
A Avaliação no Processo de Inclusão
Já me referi, na publicação "As Apaes e a Inclusão", sobre o importante papel destas no apoiamento às pessoas portadoras de necessidades especiais. E mencionei sobre a importância da escola de ensino regular dar o atendimento que elas precisam, bem como as obrigações do Poder Público e os deveres da sociedade para com esses seres inteligentes e iluminados. E uma das questões que precisa de um tratamento diferenciado, justamente no ensino regular, é a da avaliação.
A criança especial que está freqüentando essa escola e que é portadora de alguma deficiência que a limita de ter um desempenho mental igual às demais, precisa, certamente, ter uma maneira especial de ser avaliada. E mesmo as que têm limitações físicas que lhe causam desconforto físico e psicológico. Por isso, alguns fatores precisam ser observados cuidadosamente. Primeiro, é preciso que o avaliador tenha conhecimento das condições de cada criança, saber do que elas são capazes, o que conseguem realizar. Naturalmente que sua avaliação não pode ser objetiva e ela não pode ser medida com números, até porque sua sensibilidade e sua maneira de ver o mundo também é diferente e isso precisa ser respeitado.
As qualidades, inúmeras, que ela tem em si, já são um ponto altamente positivo a ser considerado. Ela age com amor, carinho e espera retribuição, imaginando que os outros seres sejam iguais a ela, pensem como ela. Sua avaliação também precisa ser muito dinâmica, pois o dinamismo, a mudança de comportamentos e de atitudes é uma constante nela. A criança inclui, involuntariamente, isso já é de sua maneira de ser. As avaliações convencionais na educação e a sociedade, em si, costumam excluir, retirar. Nossa criança especial precisa receber, ter sua capacidade de incluir valorizada e retribuída, enquanto que as avaliações convencionais marginalizam e excluem.
Podemos, no entanto, dizer que os professores, de uma forma geral, evoluíram muito nesse sentido, estando melhor preparados para fazer a avaliação da melhor maneira, contemplando a criança diferente. Bem melhor que há poucos anos, quando havia dificuldade em se assimilar modalidades que não fossem as de conceder notas e de querer que todos, num mesmo ambiente de aprendizagem, no caso a sala de aula, tivessem seu desempenho medido quantitativamente, com números, considerando apenas erros e acertos.
Para os pais e para as próprias crianças, ir à escola e enturmar-se com os demais alunos, interagindo e fazendo novas amizades, já é uma realização. Para o aluno, sentindo-se amado também por pessoas que não sejam apenas as de sua própria família é muito positivo e animador. E com isso a recuperação da autoestima, fator determinante para a felicidade desses seres, que são normais dentro de suas limitações, muito mais do que alguns que não têm nenhum problema e se portam inconvenientemente. A grande evolução e partilha de conhecimentos relativamente ao assunto é resultado de muito estudo, observação, análise e de boa vontade dos entes do contexto. Mas nunca nos esqueçamos que o trabalho e o carinho oferecido nas APAEs é fundamental para crianças, jovens e adultos, pois as equipes que as compõem realizam ações que exigem, além da atuação profissional, aquela dedicação que só as apaeanas (os) oferecem.
Portanto, parabéns a vocês, pais, que querem o melhor para seu amado filho. Parabéns a você, professor (a), que sabe compreender e apoiar esses pais e seus filhos. Parabéns apaeanas (os). Parabéns a você, criança, que tem o amor dos pais e o carinho dos professores!
Euclides Riquetti
Para os pais e para as próprias crianças, ir à escola e enturmar-se com os demais alunos, interagindo e fazendo novas amizades, já é uma realização. Para o aluno, sentindo-se amado também por pessoas que não sejam apenas as de sua própria família é muito positivo e animador. E com isso a recuperação da autoestima, fator determinante para a felicidade desses seres, que são normais dentro de suas limitações, muito mais do que alguns que não têm nenhum problema e se portam inconvenientemente. A grande evolução e partilha de conhecimentos relativamente ao assunto é resultado de muito estudo, observação, análise e de boa vontade dos entes do contexto. Mas nunca nos esqueçamos que o trabalho e o carinho oferecido nas APAEs é fundamental para crianças, jovens e adultos, pois as equipes que as compõem realizam ações que exigem, além da atuação profissional, aquela dedicação que só as apaeanas (os) oferecem.
Portanto, parabéns a vocês, pais, que querem o melhor para seu amado filho. Parabéns a você, professor (a), que sabe compreender e apoiar esses pais e seus filhos. Parabéns apaeanas (os). Parabéns a você, criança, que tem o amor dos pais e o carinho dos professores!
Euclides Riquetti
14-05-2013
segunda-feira, 13 de maio de 2013
De novo o Amílcar
No sábado, estava eu muito pensativo. Tinha que serrar uns toretes de madeira para garantir o churrasco do Dia das Mães. E retirar todas aquelas folhas caidas da pereira e que estavam a matizar de marrom o verde das gramas. E lavar as calçadas, muitas.
Meu rádio de pilhas no volume, ouvindo todas aquelas filhas ligando para o locutor, escolhendo música e oferecendo para as suas mães, de cada uma delas, é claro. E, todas, dizendo que a sua era a melhor do mundo...A minha também, mas, infelizmente, depois de ter feito sua parte, foi morar com Deus. Todo o filho que se preza sabe que sua mãe é a melhor do mundo, a minha, a sua, a do Amílcar e até a Lady Laura, mãe do Roberto Carlos, que foi pro céu.
Toca meu telefone celular, aquele bem simplesinho que, quando você esquece sobre a mesa do restaurante e liga para o mesmo tentando recuperá-lo, alguém atende e lhe diz: "Sim, você deixou aqui. Guardei para o Senhor!" Vou deixar aí no caixa, pegue quando quiser! Também um "basico", sem câmera, sem aplicativos sofisticados, quem vai querer?
Uma voz: "Riquetto, buon giorno, é o Amílcar! Sabe que outro dia passei lá pelo Porto e encontrei um róspo que disse que era teu amigo e tinha o teu telefone?! Digo, tinha o teu número de telefone, Riquetto! Vim do litoral e ia pra General Carneiro ver a filha, vim pelo Porto e parei pra almoçar lá e, conversando, eu disse que tinha um amigo que estudou no Porto 40 anos pra trás e o bicho disse que te conhecia, que morou junto contigo numa pensão e me deu o número!"
Fiquei muito contente, até porque fazia muito que ninguém me chamava mais de "Riquetto". Demonstrei isso. E a conversa foi longe: "Sabe, amigo Riquetto, tó ficando preocupado... Até pra comer já tá caro. A cebola e o tomate com o preço lá no São Pedro. E não é que nas quitanda tá tudo treis e noventa e nove na promoçom do sacolom. E nos outro lugar tem até de sete real. Até o pinhom, que eu pagava dois real agora me pedem quatro! Ainda bem que a erva aqui tá mais barata do que nos outro lugar, dá pra conttinuar cevando um mate. (Eu compro no preço de custo porque tenho amizade com o dono do soque)!"
Rimos muito, eu e ele. Amigo a gente tem que ouvir, mas que o Amílcar é engraçado, ah, isso é! Às vezes, até penso que esse talian está se fingindo de doido só pra me enrolar, ele não era assim quando jovem Mas, como o vi pouco nas últimas três décadas, nem sei o que dizer.
E conversa vai, conversa vem, ele me diz mais uma das boas: "Olha, esses dias quando saí de General e ia voltar pra Palmas, tinha carona garantida com um ervateiro. Comprei uma dúzia de pintinho de poedeira e não é que o caminhãozinho da erva estragou e tive que ir de ônibus? Coloquei os bichinho numa caixa de papelón vazia e fiz uns furinho com prego de caibro pra que eles não morresse. Embarquei no busão e, quando estava lá perto do Trevo do Horizonte, não é que os pinto começarum a piá. E ninguém sabia de onde vinha o barulho. Até que o motorista parou pra que embarcasse mais um casal e ia dizendo pros que tavam de pé: "Mais um passinho pra trás, amigos, mais um passinho... E vão entopetando a linha de gente. E não é que ele escutou os piozinho e quis saber quem que tava levando animal e não pode?
Tive que me identificar e dizer que era eu mesmo e ele queria me tirar do ônibus. Pedi mil desculpa, do jeito que minha querida mãe me ensinou, mas não teve jeito, ele não aceitava nenhuma explicação e nenhuma desculpa. E, depois de muita, muita conversa ele aceitou que ficaria a caixinha lá na frente e quando chegasse em Palmas me devolveria e, no final, assim fez e não perdi os doze pintinho da raça dos pescoço pelado."
Disse-lhe que ele estava ficando doido, que isso não jeito de transportar animais, que é proibido. Perguntei-lhe diversas coisas ainda para satisfazer minhacuriosidade e obtive respostas que dava gosto ouvir. Falou-me que ainda vai me visitar quando o caminhão da erva vier para nossos lados. O motorista é seu genro e prometeu trazê-lo.
Pois que o Amílcar me deixou muito feliz com seu contato. A primeira vez depois de nosso reencontro em Canasvieiras, no início de abril Agora tenho o número do fone dele. E sei que quando eu lhe ligar tenho que estar sem nenhum compromisso porque a ligação não fica por menos de uma hora. Ainda bem que inventaram as promoções de "fale infinitamente por vinte cinco centavos"!
Euclides Riquetti
13-05-2013
Meu rádio de pilhas no volume, ouvindo todas aquelas filhas ligando para o locutor, escolhendo música e oferecendo para as suas mães, de cada uma delas, é claro. E, todas, dizendo que a sua era a melhor do mundo...A minha também, mas, infelizmente, depois de ter feito sua parte, foi morar com Deus. Todo o filho que se preza sabe que sua mãe é a melhor do mundo, a minha, a sua, a do Amílcar e até a Lady Laura, mãe do Roberto Carlos, que foi pro céu.
Toca meu telefone celular, aquele bem simplesinho que, quando você esquece sobre a mesa do restaurante e liga para o mesmo tentando recuperá-lo, alguém atende e lhe diz: "Sim, você deixou aqui. Guardei para o Senhor!" Vou deixar aí no caixa, pegue quando quiser! Também um "basico", sem câmera, sem aplicativos sofisticados, quem vai querer?
Uma voz: "Riquetto, buon giorno, é o Amílcar! Sabe que outro dia passei lá pelo Porto e encontrei um róspo que disse que era teu amigo e tinha o teu telefone?! Digo, tinha o teu número de telefone, Riquetto! Vim do litoral e ia pra General Carneiro ver a filha, vim pelo Porto e parei pra almoçar lá e, conversando, eu disse que tinha um amigo que estudou no Porto 40 anos pra trás e o bicho disse que te conhecia, que morou junto contigo numa pensão e me deu o número!"
Fiquei muito contente, até porque fazia muito que ninguém me chamava mais de "Riquetto". Demonstrei isso. E a conversa foi longe: "Sabe, amigo Riquetto, tó ficando preocupado... Até pra comer já tá caro. A cebola e o tomate com o preço lá no São Pedro. E não é que nas quitanda tá tudo treis e noventa e nove na promoçom do sacolom. E nos outro lugar tem até de sete real. Até o pinhom, que eu pagava dois real agora me pedem quatro! Ainda bem que a erva aqui tá mais barata do que nos outro lugar, dá pra conttinuar cevando um mate. (Eu compro no preço de custo porque tenho amizade com o dono do soque)!"
Rimos muito, eu e ele. Amigo a gente tem que ouvir, mas que o Amílcar é engraçado, ah, isso é! Às vezes, até penso que esse talian está se fingindo de doido só pra me enrolar, ele não era assim quando jovem Mas, como o vi pouco nas últimas três décadas, nem sei o que dizer.
E conversa vai, conversa vem, ele me diz mais uma das boas: "Olha, esses dias quando saí de General e ia voltar pra Palmas, tinha carona garantida com um ervateiro. Comprei uma dúzia de pintinho de poedeira e não é que o caminhãozinho da erva estragou e tive que ir de ônibus? Coloquei os bichinho numa caixa de papelón vazia e fiz uns furinho com prego de caibro pra que eles não morresse. Embarquei no busão e, quando estava lá perto do Trevo do Horizonte, não é que os pinto começarum a piá. E ninguém sabia de onde vinha o barulho. Até que o motorista parou pra que embarcasse mais um casal e ia dizendo pros que tavam de pé: "Mais um passinho pra trás, amigos, mais um passinho... E vão entopetando a linha de gente. E não é que ele escutou os piozinho e quis saber quem que tava levando animal e não pode?
Tive que me identificar e dizer que era eu mesmo e ele queria me tirar do ônibus. Pedi mil desculpa, do jeito que minha querida mãe me ensinou, mas não teve jeito, ele não aceitava nenhuma explicação e nenhuma desculpa. E, depois de muita, muita conversa ele aceitou que ficaria a caixinha lá na frente e quando chegasse em Palmas me devolveria e, no final, assim fez e não perdi os doze pintinho da raça dos pescoço pelado."
Disse-lhe que ele estava ficando doido, que isso não jeito de transportar animais, que é proibido. Perguntei-lhe diversas coisas ainda para satisfazer minhacuriosidade e obtive respostas que dava gosto ouvir. Falou-me que ainda vai me visitar quando o caminhão da erva vier para nossos lados. O motorista é seu genro e prometeu trazê-lo.
Pois que o Amílcar me deixou muito feliz com seu contato. A primeira vez depois de nosso reencontro em Canasvieiras, no início de abril Agora tenho o número do fone dele. E sei que quando eu lhe ligar tenho que estar sem nenhum compromisso porque a ligação não fica por menos de uma hora. Ainda bem que inventaram as promoções de "fale infinitamente por vinte cinco centavos"!
Euclides Riquetti
13-05-2013
domingo, 12 de maio de 2013
Obrigado mãe, obrigado a todas as mães!
Mãe:
Não escreverei uma bela mensagem de amor, nem direi que a minha foi a melhor mãe do mundo. Apenas direi que a perdi há treze anos, tão logo entramos no novo milênio. E que ela me deu boa educação e ajudou-me nos momentos mais difíceis. Vibrou quando nasceram minhas filhas e meu filho. Chorou quando perdemos meu pai e meu irmão. Comemorou comigo as minhas vitórias e chorou comigo os meus reveses. Foi minha mãe, foi o que um filho pode esperar dela. E sei que sempre morei em seu coração!
Mas, nesta data tão especial, fico a lembrar daquelas mães que perderam seus filhos, contrariando a lógica de que são os filhos que devem enterrar os pais. Rezo por elas porque sei o quanto sofreram com as perdas que não podem ser compensadas por serem definitivas. Rezo por elas e sempre que posso lhes manifesto meu afeto, carinho e meu sentimento humano. Mas sei que, apesar de tudo, elas não esquecem jamais dos filhos que geraram, amaram e perderam.
Rezo para aquelas que foram mãe e pai, pois perderam o companheiro e tiveram que dar conta de prover seus filhos de educação, instrução e sustento. E por aquelas cujos filhos foram para longe dizendo que voltariam e que se esqueceram de voltar...
Rezo também para que meus filhos e os dos outros pais possam ter-nos por muito tempo. E nós também possamos tê-los da mesma forma. E me sinto como um menino frágil que sente as coisas com o coração, mas impossibilitado de evitar que a dor esteja presente no coração das mães.
Rezo pelas mães jovens para que, no mundo difícil, intolerante e constantemente mutável, possam ter energia para cuidarem dos filhos que geraram. Rezo pelas mães que são minhas amigas pessoais e virtuais que, no Dia das Mães, postam nas redes sociais as fotos de seus amados filhos sorridentes que as deixam felizes e orgulhosas. Rezo pelas mães já avós, pois são mães duplamente.
Rezo! Rezo porque acredito que um Ser Supremo pode ajudar a amenizar os sofrimentos, pode dar esperanças de que um dia todos se encontrarão novamente e para que haja a vida eterna, quando as mães e os filhos possam estar todos juntos, um dia, no céu!
Obrigado, mãe, obrigado a todas as mães!
Euclides Riquetti
12-05-2013
Dia das Mães
Não escreverei uma bela mensagem de amor, nem direi que a minha foi a melhor mãe do mundo. Apenas direi que a perdi há treze anos, tão logo entramos no novo milênio. E que ela me deu boa educação e ajudou-me nos momentos mais difíceis. Vibrou quando nasceram minhas filhas e meu filho. Chorou quando perdemos meu pai e meu irmão. Comemorou comigo as minhas vitórias e chorou comigo os meus reveses. Foi minha mãe, foi o que um filho pode esperar dela. E sei que sempre morei em seu coração!
Mas, nesta data tão especial, fico a lembrar daquelas mães que perderam seus filhos, contrariando a lógica de que são os filhos que devem enterrar os pais. Rezo por elas porque sei o quanto sofreram com as perdas que não podem ser compensadas por serem definitivas. Rezo por elas e sempre que posso lhes manifesto meu afeto, carinho e meu sentimento humano. Mas sei que, apesar de tudo, elas não esquecem jamais dos filhos que geraram, amaram e perderam.
Rezo para aquelas que foram mãe e pai, pois perderam o companheiro e tiveram que dar conta de prover seus filhos de educação, instrução e sustento. E por aquelas cujos filhos foram para longe dizendo que voltariam e que se esqueceram de voltar...
Rezo também para que meus filhos e os dos outros pais possam ter-nos por muito tempo. E nós também possamos tê-los da mesma forma. E me sinto como um menino frágil que sente as coisas com o coração, mas impossibilitado de evitar que a dor esteja presente no coração das mães.
Rezo pelas mães jovens para que, no mundo difícil, intolerante e constantemente mutável, possam ter energia para cuidarem dos filhos que geraram. Rezo pelas mães que são minhas amigas pessoais e virtuais que, no Dia das Mães, postam nas redes sociais as fotos de seus amados filhos sorridentes que as deixam felizes e orgulhosas. Rezo pelas mães já avós, pois são mães duplamente.
Rezo! Rezo porque acredito que um Ser Supremo pode ajudar a amenizar os sofrimentos, pode dar esperanças de que um dia todos se encontrarão novamente e para que haja a vida eterna, quando as mães e os filhos possam estar todos juntos, um dia, no céu!
Obrigado, mãe, obrigado a todas as mães!
Euclides Riquetti
12-05-2013
Dia das Mães
sábado, 11 de maio de 2013
Maio
Fria manhã cinzenta de maio
Mês da mãe, da noiva, da mulher
Manhã que inspira o desejo da noite
Da cama, do lençol, de alguém que se quer...
Fria manhã dos pensamentos perdidos
Dos sentimentos doridos
Do amor escondido
Do olhar proibido!
Fria manhã das almas confusas
Das palavras difusas
Das mensagens escusas...
Fria manhã do encontro casual
Do olhar fatal
Do tratamento legal!
Bom dia!!!
Com muta alegria
Com carinho, amor, nostalgia...
Euclides Riquetti
(Poema publicado no Livro "Santa Catarina Meu Amor"
Coletânea da Academia de Letras do Brasil para
Santa Catarina) em 2010
Mês da mãe, da noiva, da mulher
Manhã que inspira o desejo da noite
Da cama, do lençol, de alguém que se quer...
Fria manhã dos pensamentos perdidos
Dos sentimentos doridos
Do amor escondido
Do olhar proibido!
Fria manhã das almas confusas
Das palavras difusas
Das mensagens escusas...
Fria manhã do encontro casual
Do olhar fatal
Do tratamento legal!
Bom dia!!!
Com muta alegria
Com carinho, amor, nostalgia...
Euclides Riquetti
(Poema publicado no Livro "Santa Catarina Meu Amor"
Coletânea da Academia de Letras do Brasil para
Santa Catarina) em 2010
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Mergulhar em você
Eu queria mergulhar em você
Infinitamente...
Eu queria me jogar em você
Perdidamente...
E me inundar de seus lábios que atraem
Constantemente...
E olhar os seus olhos bonitos
Certamente...
Eu queria abraçar o seu corpo
Desejosamente...
E esquecer de meu mundo agitado
Num repente...
E gritar pra você que seus beijos
São ardentes...
E alimentar meus sonhos para que sejam reais
Para sempre...
E que você nem respondesse
Mas apenas dissesse:
"Eu também quero você!"
Euclides Riquetti
10-05-2013
Infinitamente...
Eu queria me jogar em você
Perdidamente...
E me inundar de seus lábios que atraem
Constantemente...
E olhar os seus olhos bonitos
Certamente...
Eu queria abraçar o seu corpo
Desejosamente...
E esquecer de meu mundo agitado
Num repente...
E gritar pra você que seus beijos
São ardentes...
E alimentar meus sonhos para que sejam reais
Para sempre...
E que você nem respondesse
Mas apenas dissesse:
"Eu também quero você!"
Euclides Riquetti
10-05-2013
quinta-feira, 9 de maio de 2013
O "Zico Show"
Nos primeiros anos da década de 1980, apareceu lá em Ouro um jovem muito dinâmico oriundo da cidade de Tubarão-SC. O Prefeito da época, Ivo Luiz Bazzo e eu, seu Secretário, o recebemos em seu Gabinete. Moço simpático, aquele rapaz de tez morena, cabelos escuros e olhos um tanto claros mostrava bons modos ao falar e na postura das mãos. Viera à cidade para exercer a função de Exator da Fazenda Pública Estadual, concursado que fora. Seu nome: Selézio Guido Lopes.
Pois que o Selézio enturmou-se nas cidades gêmeas em pouco tempo. Além de sua comptência profissional, tinha algumas habilidades que o destacavam: Tocava muito bem o seu violão, cantava e jogava futebol, de campo e de salão. Praticava tênis. Nós o convidamos para jogar em inaugurações de quadras de futsal e campos de futebol e ele ia, entusiasmado. Depois, passou a disputar os campeonatos no Ginásio Municial de Esportes e a atuar no Penharol Esporte Clube, um time amador local, mas que costumava ir às finais do estadual. E, a outra paixão, o violão e a voz, o tornavam conhecido em toda a região. Construiu sua casa ali na Rua Senador Pinheiro Machado. Branca, com janelas de madeira, venezianas de arco, estilo colonial, pintadas de verde. As portas, idem. Casou-se com uma bela jovem de Tangará, mas diferentes estilos de vida não combinaram e veio o divórcio.
Já na chegada, fez grande amizade com os Riquetti da Alfaiataria e da Churrascaria, o Sérgio, o Ovídio e o Hélcio, conhecido como o "Fantasma". Meu primo Sérgio, costumava chamar todos os rapazes de "Zico". Era o vocativo que empregava para chamar qualquer pessoa de que não conhecesse o nome. Com o tempo generalizou e passou a usar esse nome como se quisesse significar: "Cara!, Moço!, Amigo! e equivalências. E o Selezio era o cara certo pra ser mais um "Zico", até porque isso poderia representar uma corruptela de seu nome. E o Selézio virou nosso "Zico".
E o Zico animou-se com sua popularidade como bom cnator e aprendeu a cantar em italiano. Cantava todas, os boleros românticos, as marchas, as valsas, e até os vanerões em dialeto vêneto. E começou a fazer pequenos shows pelo Vale do rio do Peixe. Mandou até imprimir cartazes em "off set", coloridos, a melhor tecnologia da indústria gráfica na época.
Frequentemente, no início dos anos de 1990, o cantor Valdir Anzolin, de Veranópolis - RS, que tinha um vozeirão e gravava LPs em italiano, autor e intérprte de "Filton", era contratado para realizar bailes por aqui. Animou pelo menos duas Noites Italianas no Centro Educacional Celso Farina, em Capinzal. Com exceção de Capinzal, ele trazia uma equipe que preparava os jantares italianos nos bailes. Vinha com uma carreta enorme e um ônibus trazendo a banda e os cozinheiros. Fui a bailes em que ele tocou em Treze Tílias, Tangará e Campos Novos. Em Tangará, quando lá fomos, tivemos uma bela surpresa: O Show de Abertura de seu baile era protagonizado pelo amigo Selésio, nosso Zico. E o locutor, animadamente, anunciava: "E agooooora, Senhoras e Senhoooreeesss: Zico Show". E ele fazia um show muito bonito, cantando as músicas em italiano.
Nessa época, nosso Zico pediu transferência e veio morar em Herval D´oeste. Comprou um terreno, fez nova casa e aquilo que mais gostava e queria ter: uma quadra de futsal, com iluminação. Angariou uma nova legião de amigos e ainda convidava os da nossa cidade para lá jogar.
Fatalmente, após um desses jogos, ao desligar a chave da iluminação da quadra, eletrocutou-se e morreu...E seu corpo foi levado para sua cidade natal, Tubarão.
A lembrança desse rapaz, que se tornou nosso amigo e companheiro em muitas de nossas jornadas esportivas e políticas, nunca mais me saiu da cabeça. E, há dez anos, uma vez em que eu passava por Tubarão, conversei com um senhor que me perguntou de onde e eu era e, ao saber, falou-me que tinha perdido um amigo aqui na região, o Selésio. Era vizinho deles, amigo dele e de sua famíla. Levou-me para conhecê-los: estavam lá sua mãe, uma irmã e um sobrinho.
Ficaram emocionados quando lhes falei que não poderia passar pela cidade e, sabendo que ali residiam os familiares de um amigo que se foi, deixar de visitá-los. Sua mãe abraçou-me carinhosamente, jamais esquecerei disso. Aquele senhora simpática, meiga e de olhar benevolente e marejados mostrava-me, nas paredes, orgulhosamente, fotos do filho, com as camisas dos times em que jogou, ali de Capinzal e Ouro, Penharol, Arabutã, CME. Lá estavam muitos rostos de amigos nossos que conosco jogaram uma bolinha. E, bem ao meio de uma parede da sala, um daquele cartazes em que aparecia caracterizado para cantar em italiano e a sua marca grafada: "Zico Show".
Não sei por que hoje me veio à mente as lembranças do Selézio. Tive vontade de chorar. Não poderia deixar de homenageá-lo, amigo Zico. Zico foi, realmente, muito show!
Euclides Riquetti
09-05-2013
Pois que o Selézio enturmou-se nas cidades gêmeas em pouco tempo. Além de sua comptência profissional, tinha algumas habilidades que o destacavam: Tocava muito bem o seu violão, cantava e jogava futebol, de campo e de salão. Praticava tênis. Nós o convidamos para jogar em inaugurações de quadras de futsal e campos de futebol e ele ia, entusiasmado. Depois, passou a disputar os campeonatos no Ginásio Municial de Esportes e a atuar no Penharol Esporte Clube, um time amador local, mas que costumava ir às finais do estadual. E, a outra paixão, o violão e a voz, o tornavam conhecido em toda a região. Construiu sua casa ali na Rua Senador Pinheiro Machado. Branca, com janelas de madeira, venezianas de arco, estilo colonial, pintadas de verde. As portas, idem. Casou-se com uma bela jovem de Tangará, mas diferentes estilos de vida não combinaram e veio o divórcio.
Já na chegada, fez grande amizade com os Riquetti da Alfaiataria e da Churrascaria, o Sérgio, o Ovídio e o Hélcio, conhecido como o "Fantasma". Meu primo Sérgio, costumava chamar todos os rapazes de "Zico". Era o vocativo que empregava para chamar qualquer pessoa de que não conhecesse o nome. Com o tempo generalizou e passou a usar esse nome como se quisesse significar: "Cara!, Moço!, Amigo! e equivalências. E o Selezio era o cara certo pra ser mais um "Zico", até porque isso poderia representar uma corruptela de seu nome. E o Selézio virou nosso "Zico".
E o Zico animou-se com sua popularidade como bom cnator e aprendeu a cantar em italiano. Cantava todas, os boleros românticos, as marchas, as valsas, e até os vanerões em dialeto vêneto. E começou a fazer pequenos shows pelo Vale do rio do Peixe. Mandou até imprimir cartazes em "off set", coloridos, a melhor tecnologia da indústria gráfica na época.
Frequentemente, no início dos anos de 1990, o cantor Valdir Anzolin, de Veranópolis - RS, que tinha um vozeirão e gravava LPs em italiano, autor e intérprte de "Filton", era contratado para realizar bailes por aqui. Animou pelo menos duas Noites Italianas no Centro Educacional Celso Farina, em Capinzal. Com exceção de Capinzal, ele trazia uma equipe que preparava os jantares italianos nos bailes. Vinha com uma carreta enorme e um ônibus trazendo a banda e os cozinheiros. Fui a bailes em que ele tocou em Treze Tílias, Tangará e Campos Novos. Em Tangará, quando lá fomos, tivemos uma bela surpresa: O Show de Abertura de seu baile era protagonizado pelo amigo Selésio, nosso Zico. E o locutor, animadamente, anunciava: "E agooooora, Senhoras e Senhoooreeesss: Zico Show". E ele fazia um show muito bonito, cantando as músicas em italiano.
Nessa época, nosso Zico pediu transferência e veio morar em Herval D´oeste. Comprou um terreno, fez nova casa e aquilo que mais gostava e queria ter: uma quadra de futsal, com iluminação. Angariou uma nova legião de amigos e ainda convidava os da nossa cidade para lá jogar.
Fatalmente, após um desses jogos, ao desligar a chave da iluminação da quadra, eletrocutou-se e morreu...E seu corpo foi levado para sua cidade natal, Tubarão.
A lembrança desse rapaz, que se tornou nosso amigo e companheiro em muitas de nossas jornadas esportivas e políticas, nunca mais me saiu da cabeça. E, há dez anos, uma vez em que eu passava por Tubarão, conversei com um senhor que me perguntou de onde e eu era e, ao saber, falou-me que tinha perdido um amigo aqui na região, o Selésio. Era vizinho deles, amigo dele e de sua famíla. Levou-me para conhecê-los: estavam lá sua mãe, uma irmã e um sobrinho.
Ficaram emocionados quando lhes falei que não poderia passar pela cidade e, sabendo que ali residiam os familiares de um amigo que se foi, deixar de visitá-los. Sua mãe abraçou-me carinhosamente, jamais esquecerei disso. Aquele senhora simpática, meiga e de olhar benevolente e marejados mostrava-me, nas paredes, orgulhosamente, fotos do filho, com as camisas dos times em que jogou, ali de Capinzal e Ouro, Penharol, Arabutã, CME. Lá estavam muitos rostos de amigos nossos que conosco jogaram uma bolinha. E, bem ao meio de uma parede da sala, um daquele cartazes em que aparecia caracterizado para cantar em italiano e a sua marca grafada: "Zico Show".
Não sei por que hoje me veio à mente as lembranças do Selézio. Tive vontade de chorar. Não poderia deixar de homenageá-lo, amigo Zico. Zico foi, realmente, muito show!
Euclides Riquetti
09-05-2013
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Dia de poesia
Todo o dia é dia
De fazer poesia
De escrever lembranças saudosas
De dizer palavras carinhosas.
Todo o dia é dia
De fazer poesia
De falar de sonhos vividos
De falar de amores sentidos.
Todo o dia é dia
De fazer poesia
De pensar nas breves ilusões
Que flecham os corações.
Todo o dia é dia
De lembrar com nostalgia
Dos momentos de nossos sonhos
De seus olhos morenos, risonhos.
Todo o dia...
Euclides Riquetti
23-03-2004
De fazer poesia
De escrever lembranças saudosas
De dizer palavras carinhosas.
Todo o dia é dia
De fazer poesia
De falar de sonhos vividos
De falar de amores sentidos.
Todo o dia é dia
De fazer poesia
De pensar nas breves ilusões
Que flecham os corações.
Todo o dia é dia
De lembrar com nostalgia
Dos momentos de nossos sonhos
De seus olhos morenos, risonhos.
Todo o dia...
Euclides Riquetti
23-03-2004
segunda-feira, 6 de maio de 2013
A Implantação do Alvorada/Costa do Sol
Alvorada é um lugar de vista maravilhosa, de onde se pode contemplar um belíssimo cenário. Olhando-se para o Norte visualiza-se o serpenteio de nosso Rio do Peixe, que nasce em Calmon, perto de Matos Costa-SC. Nosso rio tem suas formosas corredeiras, algumas ilhotas e muito verde em suas margens. Ao chegar em Ouro, faz uma curva acentuadíssima, como o desenho de uma ferradura. Participei ativamente das lidas de implantação do Alvorada e do Costa do Sol, ali ao lado do Parque e Jardim Ouro.
Em 1988, na época do Prefeito Domingos Boff, na cidade de Ouro - SC, idealizou-se um projeto para a construção de um conjunto habitacional através da COHAB, órgão vinculado ao Ministério da Habitação. Vivia-se uma turbulência econômica no país, a inflação causando muitos transtornos e a população de baixa renda vendo seus salários corroídos. Dar casa para as famílias morarem era uma grande ajuda que o Poder Público podia fazer. Até porque a inflação facilitava a vida dos Estados e Municípios, que não podem pagar juros sobre débitos empenhados. Mas torturava trabalhadores de baixa renda!
A Prefeitura adquiriu e loteou uma área em local alto e relativamente plano, de propriedade da família Campioni, representada pelo Sr. Aldecir. Organizaram e apresentaram projeto ao Governo Federal, obtendo uma boa soma de recursos para a compra de materiais para o início da sua execução. O regime a ser adotado para a construção das casas foi o de "mutirão", com os beneficiários executando a construção das casas.
Vieram as eleições e, logrando resultado favorável, coube-nos, após nossa posse como Prefeito, dar andamento a isso. De imediato reunimos a equipe de trabalho: o Secretário de Obras Ademar Zócolli, o de Administração Caio Zortéa , a Secretária de Educação e Saúde Celita Colombo e os Diretores Neri Miqueloto e Amantino dos Anjos. Esta era a equipe que o Município comportava e que nos assessorava, conjuntamente, na execução dos projetos. E os beneficiários tinham seus representantes: Antônio Vilmar Varela, Antoninho Coeli, Itamar Zanchet, Airton Lorega Duarte e Antoninho Córdova, dentre outros. Este contratado como funcionário da Prefeitura e se constituindo em seu primeiro morador. Fizeram a primeira casa e o colocaram lá parar morar, acompanhar os trabalhos e cuidar dos materiais.
Quando assumimos, havia muito trabalho a ser feito e o desafio era grande: Dar continuidade a algo iniciado pela administração anterior, sem alterar os rumos e o planejamento. As pessoas que estavam sendo contempladas trabalhavam aos sábados e domingos, e muitas vezes à noite, para erguer suas casas. Foram valentes e determinados. Uns ajudavam aos outros.
Ao final da obra, faltaram recursos para a compra de outros materiais necessários à conclusão do projeto, mas com os esforços do Poder Público e dos interessados, tudo foi resolvido da melhor maneira e, ao final, as 50 casas foram concluídas, algumas já com ampliações. Pusemos rede de água em parceria com o Simae e de energia elétrica com a Celesc. Com recuros do Município de Ouro, implantamos a iluminação pública. E, junto à antiga Telesc, conseguimos a instalação de um telefone público. Na época não existiam ainda os telefones celulares e nem havia cabo telefônico até o local. Apenas um fio para o fone público.
Mas o novo Bairro precisava de um local para os eventos sociais e culturais. Fizemos um projeto e apresentamos ao então Secretário de Estado da Habitação, Afonso Dresch, que liberou a verba com que foi construído o Centrinho Comunitário e uma cancha de bochas. Fundaram um time de Futebol, o Grêmio Alvorada, organizaram-se, melhoraram o padrão de suas casas e, no início da década de 1990 suas ruas receberam pavimentação com pedras irregulares, na Administração do Prefeito Sérgio Durigon. Também houve a implantação, em anexo, o Bairro Costa do Sol I. E, da Administração de José Camilo Pastore, o Costa do Sol II, concluído na da Neri Luiz Miqueloto. Miqueloto, por sua vez, implantou ali o Centro de Apoio ao Trabalhador da Agricultura Familiar - Pronat - e iniciou a execução de um projeto de asfaltamento da rua principal.
Das pessoas mais "maduras" dentre os primeiros moradores, lembro, pelos nomes como eram chamados, da Dona Júlia, que era benzedeira; do Seu Juca, do Guerino Coeli e do Carmozino de Jesus; do Tio Bila; do Dinarte João Pedro; do Seu Nelson; do Auri BR; do Marianinho; do Alemão Schmitt, pai da Rose dos Anjos; da Tonha; da Ero Schwantes; da Dora e do Laerci Duarte; do Rovaldino.
O Bairro Alvorada/Costa do Sol está com cerca de 100 famílias atualmente. Passaram-se 25 anos desde o início dele até o presente momento. Muitas famílias venderam suas casas e mudaram de cidade. Pessoas idosas faleceram e vieram seus sucessores. Mas podemos asseverar que o pdrão de vida de todos foi melhorando desde a fundação. Os filhos foram para a escola, tornaram-se profissionais em diversas áreas e, com isso, a sociedade local se fortaleceu. Gente humilde, mas determinada. Gente que não esperou que nada caísse do céu. Trabalharam num sistema muito bom de mutirão e hoje ainda se unem para fazerem as promoções para algumas melhorias. Se o mesmo sistema fosse utilizado em todo o país, certamente que com o dinheiro gasto em Habitação se teria o dobro do número de casas construídas.
Euclides Riquett07-05-2013
Em 1988, na época do Prefeito Domingos Boff, na cidade de Ouro - SC, idealizou-se um projeto para a construção de um conjunto habitacional através da COHAB, órgão vinculado ao Ministério da Habitação. Vivia-se uma turbulência econômica no país, a inflação causando muitos transtornos e a população de baixa renda vendo seus salários corroídos. Dar casa para as famílias morarem era uma grande ajuda que o Poder Público podia fazer. Até porque a inflação facilitava a vida dos Estados e Municípios, que não podem pagar juros sobre débitos empenhados. Mas torturava trabalhadores de baixa renda!
A Prefeitura adquiriu e loteou uma área em local alto e relativamente plano, de propriedade da família Campioni, representada pelo Sr. Aldecir. Organizaram e apresentaram projeto ao Governo Federal, obtendo uma boa soma de recursos para a compra de materiais para o início da sua execução. O regime a ser adotado para a construção das casas foi o de "mutirão", com os beneficiários executando a construção das casas.
Vieram as eleições e, logrando resultado favorável, coube-nos, após nossa posse como Prefeito, dar andamento a isso. De imediato reunimos a equipe de trabalho: o Secretário de Obras Ademar Zócolli, o de Administração Caio Zortéa , a Secretária de Educação e Saúde Celita Colombo e os Diretores Neri Miqueloto e Amantino dos Anjos. Esta era a equipe que o Município comportava e que nos assessorava, conjuntamente, na execução dos projetos. E os beneficiários tinham seus representantes: Antônio Vilmar Varela, Antoninho Coeli, Itamar Zanchet, Airton Lorega Duarte e Antoninho Córdova, dentre outros. Este contratado como funcionário da Prefeitura e se constituindo em seu primeiro morador. Fizeram a primeira casa e o colocaram lá parar morar, acompanhar os trabalhos e cuidar dos materiais.
Quando assumimos, havia muito trabalho a ser feito e o desafio era grande: Dar continuidade a algo iniciado pela administração anterior, sem alterar os rumos e o planejamento. As pessoas que estavam sendo contempladas trabalhavam aos sábados e domingos, e muitas vezes à noite, para erguer suas casas. Foram valentes e determinados. Uns ajudavam aos outros.
Ao final da obra, faltaram recursos para a compra de outros materiais necessários à conclusão do projeto, mas com os esforços do Poder Público e dos interessados, tudo foi resolvido da melhor maneira e, ao final, as 50 casas foram concluídas, algumas já com ampliações. Pusemos rede de água em parceria com o Simae e de energia elétrica com a Celesc. Com recuros do Município de Ouro, implantamos a iluminação pública. E, junto à antiga Telesc, conseguimos a instalação de um telefone público. Na época não existiam ainda os telefones celulares e nem havia cabo telefônico até o local. Apenas um fio para o fone público.
Mas o novo Bairro precisava de um local para os eventos sociais e culturais. Fizemos um projeto e apresentamos ao então Secretário de Estado da Habitação, Afonso Dresch, que liberou a verba com que foi construído o Centrinho Comunitário e uma cancha de bochas. Fundaram um time de Futebol, o Grêmio Alvorada, organizaram-se, melhoraram o padrão de suas casas e, no início da década de 1990 suas ruas receberam pavimentação com pedras irregulares, na Administração do Prefeito Sérgio Durigon. Também houve a implantação, em anexo, o Bairro Costa do Sol I. E, da Administração de José Camilo Pastore, o Costa do Sol II, concluído na da Neri Luiz Miqueloto. Miqueloto, por sua vez, implantou ali o Centro de Apoio ao Trabalhador da Agricultura Familiar - Pronat - e iniciou a execução de um projeto de asfaltamento da rua principal.
Das pessoas mais "maduras" dentre os primeiros moradores, lembro, pelos nomes como eram chamados, da Dona Júlia, que era benzedeira; do Seu Juca, do Guerino Coeli e do Carmozino de Jesus; do Tio Bila; do Dinarte João Pedro; do Seu Nelson; do Auri BR; do Marianinho; do Alemão Schmitt, pai da Rose dos Anjos; da Tonha; da Ero Schwantes; da Dora e do Laerci Duarte; do Rovaldino.
O Bairro Alvorada/Costa do Sol está com cerca de 100 famílias atualmente. Passaram-se 25 anos desde o início dele até o presente momento. Muitas famílias venderam suas casas e mudaram de cidade. Pessoas idosas faleceram e vieram seus sucessores. Mas podemos asseverar que o pdrão de vida de todos foi melhorando desde a fundação. Os filhos foram para a escola, tornaram-se profissionais em diversas áreas e, com isso, a sociedade local se fortaleceu. Gente humilde, mas determinada. Gente que não esperou que nada caísse do céu. Trabalharam num sistema muito bom de mutirão e hoje ainda se unem para fazerem as promoções para algumas melhorias. Se o mesmo sistema fosse utilizado em todo o país, certamente que com o dinheiro gasto em Habitação se teria o dobro do número de casas construídas.
Euclides Riquett07-05-2013
Palavras bonitas...
Não vou poder te dizer palavras bonitas
Não vou poder atiçar a tua imaginação
Não vou entender as palavras já ditas
Não vou alimentar uma doce ilusão.
Não vou poder dizer dos teus olhos bonitos
Não vou poder elogiar dos cabelos a cor
Não vou rimar co´s teus doces conflitos
E nem te dizer mil palavras de amor.
Não vou entender o que se passa comigo
E nem o que vai em teu pensamento
Não quero mudar o caminho que sigo...
Só quero teus beijos, teu corpo moreno
Nem que seja por um breve, curto momento
Quero sentir os teus lábios que tanto desejo...
Euclides Riquetti
18-03-2004
Não vou poder atiçar a tua imaginação
Não vou entender as palavras já ditas
Não vou alimentar uma doce ilusão.
Não vou poder dizer dos teus olhos bonitos
Não vou poder elogiar dos cabelos a cor
Não vou rimar co´s teus doces conflitos
E nem te dizer mil palavras de amor.
Não vou entender o que se passa comigo
E nem o que vai em teu pensamento
Não quero mudar o caminho que sigo...
Só quero teus beijos, teu corpo moreno
Nem que seja por um breve, curto momento
Quero sentir os teus lábios que tanto desejo...
Euclides Riquetti
18-03-2004
domingo, 5 de maio de 2013
Quinze anos sem meu irmão
Houve algo que mexeu muito comigo neste sábado, 4 de maio: Aniversário da perda de meu irmão mais velho, Ironi, há exatos 15 anos. Parece-me que foi ontem...
Lembro-me bem daquele dia. Vim antes do meio-dia para Joaçaba visitar meu irmão que estava doente, no Hospital Santa Terezinha. Ele estava ali internado fazia alguns dias. Muito debilitado, fragilizado. Naqueles dias havia falecido o Leandro, da dupla Leandro e Leonardo. Um radinho a pilhas tocava as músicas deles e os locutores comentavam sobre o falecimento do cantor. Nós escutávamos e falávamos sobre isso. Era uma surpresa, pois houve pouco tempo entre o dia da descoberta da doença e o falecimento do Leandro.
No último dia de vida de meu irmão, ele foi transferido para a UTI. Os médicos devem tê-lo colocado lá para nos poupar de mais sofrimento. Passamos o dia entre o quarto e as escadas do hospital que permitiam ir para o andar de cima. Bem ao final da tarde, liguei para a Escola Prefeito Sílvio Santos, onde eu deveria lecionar à noite. Justifiquei, disse que não poderia ir para lá. Orientei sobre o que os alunos deveriam fazer de atividade. Depois, comecei a relembrar de nossa vida...
Na adolescência, o Ironi era muito forte. Muito mais do que os outros da mesma idade. Orgulhava-se em exibir os músculos dos braços e das costas. E também de seus olhos azuis claros, como os da Nona Baretta. Gostava de jogar futebol, jogou e foi treinador do Palmeirinhas, ali da Rua da Cadeia, no Ouro. Torcia para o "Palestra", de São Paulo, e para o Botafogo, no Rio de Janeiro, coisa rara na nossa cidade. Mostrava-me que o Bota tinha um elenco fabuloso, era a base da Seleção Brasileira. Tinha o Garrincha, que era fenomenal. Manga, o Goleiro. O jovem Jairzinho, que depois foi o "Furacão da Copa do Tri", em 1970. Tinha Didi, o Folha-seca. Amarilo, que substituiu Pelé em 62, no Bi. E ele me mostrava as fotos, comprava a "Revista dos Esportes" e me falava sobre os jogadores e os times.
Foi pelas mãos dele que recebi os primeiros gibis. Ia, aos domingos, fazer trocas, antes das sessões de matiné do Cine Glória, do Tex, do Pato Donald, do Mickey, do Búffalo Bill, do Fantasma, do Tarzan e outros.
Tenho eterna gratidão por ele. Quando fui definitivamente para a Fafi, em União da Vitória, foi comigo procurar uma pensão. Ficamos o primeiro dia num hotel e, no dia seguinte, depois que me acomodou numa pensão, ele retornou. Todas as vezes que eu ia passear em casa ele me dava uma calça nova, de "Tergal", que mandava confeccionar, sob medida, na Alfaiataria do tio Ivo Baretta. Para minha irmã, quando ela foi estudar na mesma cidade que eu, deu uma máquina de costura, para que ela pudesse costurar e sustentar-se. Ele fez apenas parte do Ginásio, mas nos incentivava a estudar. Repassa o filme em minha cabeça, lembro de tudo como seu fosse hoje.
Ao anoitecer, ele faleceu, naquele 04 de maio de 1978, há 15 anos...
O Ironi partiu na véspera do aniversário de minhas filhas. Quando chega esta data, aguça-se por demais minha sensibilidade. No dia 05 de maio, comemoro a aniversário das filhas gêmeas. Por outro lado, tenho aquela lembrança... Que Deus o tenha em sua Glória Eterna!
Euclides Riquetti
04-05-2013
Lembro-me bem daquele dia. Vim antes do meio-dia para Joaçaba visitar meu irmão que estava doente, no Hospital Santa Terezinha. Ele estava ali internado fazia alguns dias. Muito debilitado, fragilizado. Naqueles dias havia falecido o Leandro, da dupla Leandro e Leonardo. Um radinho a pilhas tocava as músicas deles e os locutores comentavam sobre o falecimento do cantor. Nós escutávamos e falávamos sobre isso. Era uma surpresa, pois houve pouco tempo entre o dia da descoberta da doença e o falecimento do Leandro.
No último dia de vida de meu irmão, ele foi transferido para a UTI. Os médicos devem tê-lo colocado lá para nos poupar de mais sofrimento. Passamos o dia entre o quarto e as escadas do hospital que permitiam ir para o andar de cima. Bem ao final da tarde, liguei para a Escola Prefeito Sílvio Santos, onde eu deveria lecionar à noite. Justifiquei, disse que não poderia ir para lá. Orientei sobre o que os alunos deveriam fazer de atividade. Depois, comecei a relembrar de nossa vida...
Na adolescência, o Ironi era muito forte. Muito mais do que os outros da mesma idade. Orgulhava-se em exibir os músculos dos braços e das costas. E também de seus olhos azuis claros, como os da Nona Baretta. Gostava de jogar futebol, jogou e foi treinador do Palmeirinhas, ali da Rua da Cadeia, no Ouro. Torcia para o "Palestra", de São Paulo, e para o Botafogo, no Rio de Janeiro, coisa rara na nossa cidade. Mostrava-me que o Bota tinha um elenco fabuloso, era a base da Seleção Brasileira. Tinha o Garrincha, que era fenomenal. Manga, o Goleiro. O jovem Jairzinho, que depois foi o "Furacão da Copa do Tri", em 1970. Tinha Didi, o Folha-seca. Amarilo, que substituiu Pelé em 62, no Bi. E ele me mostrava as fotos, comprava a "Revista dos Esportes" e me falava sobre os jogadores e os times.
Foi pelas mãos dele que recebi os primeiros gibis. Ia, aos domingos, fazer trocas, antes das sessões de matiné do Cine Glória, do Tex, do Pato Donald, do Mickey, do Búffalo Bill, do Fantasma, do Tarzan e outros.
Tenho eterna gratidão por ele. Quando fui definitivamente para a Fafi, em União da Vitória, foi comigo procurar uma pensão. Ficamos o primeiro dia num hotel e, no dia seguinte, depois que me acomodou numa pensão, ele retornou. Todas as vezes que eu ia passear em casa ele me dava uma calça nova, de "Tergal", que mandava confeccionar, sob medida, na Alfaiataria do tio Ivo Baretta. Para minha irmã, quando ela foi estudar na mesma cidade que eu, deu uma máquina de costura, para que ela pudesse costurar e sustentar-se. Ele fez apenas parte do Ginásio, mas nos incentivava a estudar. Repassa o filme em minha cabeça, lembro de tudo como seu fosse hoje.
Ao anoitecer, ele faleceu, naquele 04 de maio de 1978, há 15 anos...
O Ironi partiu na véspera do aniversário de minhas filhas. Quando chega esta data, aguça-se por demais minha sensibilidade. No dia 05 de maio, comemoro a aniversário das filhas gêmeas. Por outro lado, tenho aquela lembrança... Que Deus o tenha em sua Glória Eterna!
Euclides Riquetti
04-05-2013
sábado, 4 de maio de 2013
Quem vestia (bem) as mulheres?
Cresci em meio a homens e mulheres que lidavam com tecidos e máquinas de costura. Algumas tias minhas eram costureiras. E, nas famílias de origem italiana, fazia parte da formação das filhas o "saber costurar". Desde a adolescência, as meninas eram ensinadas a pregar botões e a fazer barras em saias e calças. Mas, quando moças, tinham a obrigação em colocar, dentre suas habilidades de jovens prendadas, o aprender do manejo da máquina de costura.
Mas, sabemos, é sempre mais fácil aprender a costurar com "uma estranha", que tem mais paciência para ensinar, do que com a mãe ou a irmã mais velha. E as jovens buscavam aprender com alguma vizinha. Outras, até procuravam as melhores costureiras de sua comunidade ou cidade e pagavam para aprender. Os aprendizes de alfaiate faziam o mesmo. Tinham que pagar para aprender.
Quando noiva, a moça recebia como dote, para seu casamento, uma máquina de costura, uma vaca de leite e um baú cheio de peças enxoval. Uma bela colcha para cama de casal, lençóis e sobrelençóis, travesseiros e fronhas. Toalhas de banho, feitas com sacos de algodão alvejados e com franjas e bordados. Toalhas de mesa e toalhas de pratos impecavelmente trabalhados. A preparação do enxoval era um ritual sagrado...
As mães compravam tecidos com o dinheiro da venda de queijos e ovos. Compravam peças inteiras de tecidos de algodão, um tricolines para camisas para o serviço, normalmente xadrez. Com o mesmo tecido faziam fronhas, lençóis e até toalhas de mesa. Para o serviço pesado dos homens, peças de brim Diamantino, de fibras mais grossas de algodão, com entrelaces de fios brancos, cinzas e pretos. Para forros de roupas compravam o Morim. Mas também usavam a cambraia, tecidos em crepe de lã, seda ou algodão, cretones, e casimiras. Estas, só os alfaiates ou as boas costureiras sabiam utilizar. Os alfaiates faziam ternos. As costureiras, tailleurs.
A História nos conta que as vestimentas mais antigas no mundo eram constituídas de peles de animais. A lã das ovelhas e outros animais, o algodão, o linho e a seda são materiais utilizados na confecção de tecidos dentre 2.500 e 3.000 anos aC. A partir da revolução industrial, começaram a desenvolver tecidos a partir de moléculas, os fios sintéticos. Hoje estes estão presentes abundantemente no mercado, através do nylon e do poliéster.
A necessidade de as pessoas se protegerem e, mais ainda, esconderem seu corpo, ou mesmo para "aparecer bem no meio social", fizeram com que os tecidos fossem inventados e reinventados em toda a história da Humanidade. Hoje temos uma grande variedades disponível, de todas as qualidades, cores, estampas, origens e padrões.
Na década de 1960 , nas alfaiatarias, começaram a aparecer, em nossas cidades, os tecidos denominados "Tropical ou "Tergal", sintéticos, uma revolução na região, pois eram tecidos que não se amassavam, fáceis de serem passados a ferro. E os alfaiates fizeram sucesso e alimentaram nossa vaidade masculina. Era o sonho de todos ter uma roupa que não amassasse.
Mas, e as mulheres, que opções tinham, quando precisassem comprar algo pronto, bem produzido, bem acabado?
Bem, ou tinham suas costureiras ou buscavam comprar algo da moda nas casas de comércio então existentes. E, em minha memória, voltam-me as casas comerciais que atendiam minha mãe sempre que precisava de algo: O Bazar da Dona Maria Fávero e a Casa Marilu, na antiga Capinzal, e a Loja da Dona Serafina Andrioni, pelas bandas do Distrito de Ouro.
Minha mãe comprava o que precisava para vestir-nos nessas lojas. Ela gostava de blusas de bouclê, que comprava da Dona Carmen Bridi, na Marilu Modas. Dizia que gostava do atendimento e da simplicidade daquela mulher que, mesmo numa "loja chique", atendia a todas com muito carinho e distinção. Sua loja ficava ali na XV de Novembro, um pouco acima do "Bananeiro", Augusto Hoch, defronte à casa da Dona Tosca Viecelli, por ali.
E, para nós, na loja da Dona Maria Girardi Fávero, (a amiga e vizinha da Tia Clarinda), um bazar com produtos diversificados, em que também vendia "roupas prontas". Ali comprava para si blusinhas de Bon-lon. E, depois, para nós, as camisas "Volta ao Mundo". E, na Dona Serafina Andrioni, as blusas de lã. Eu lembro que, aos 15 anos, fui na Dona Maria, ali logo abaixo do cinema, comprar uma camisa para mim: de cor marfim, com detalhes em azul xadrez. Fiz sucesso com ela... E, na Dona Serafina, precisei de uma blusa, e fui sábado à tarde à casa dela, e ela saiu da cozinha para ir vender-me um blusa cor canela, de gola olímpica. A prestação...
Hoje, os tempos mudaram, os costumes mudaram, há grande ofertas de produtos do vestuário já prontos, para todos os gostos, todas as preferências, todos os bolsos... As famílias de Dona Maria e de Dona Carmen foram embora. A primeira está em Ponta Grossa, a outra em Curitiba. Os filhos saíram para as universidades e não voltaram. As mães foram atrás deles. E a sucessão familiar acabou acontecendo apenas na loja da Dona Serafina Andrioni. Quando faleceu, deixou seu comércio para uma das filhas, a Miraci. Ela a transformou na "Boutique das Lãs". E continua ali, no mesmo lugar, na Felip Schmidt, em Ouro. Construiu uma sala em separado, atrás de seu casarão, entrada pelo lado de uma loja existente.
E a filha de Dona Serafina, a Miraci, continua ali, atendendo, colocando novelos de lã e outros fios nas mãos de nossas trocoteiras e crocheteiras, que produzem peças maravilhosas. Sempre amável, educada, discreta. Uma pessoa confiável que herdou a simplicidade e a honestidade de sua mãe. Perdeu o marido ainda jovem e encaminhou muito bem a vida de seus filhos, está honrando a memória de sua mãe.
De todas as personagens, ficam-me as lembranças. Foram senhoras que ajudaram muitas mulheres a se apresentarem bonitas, elegantes. Talvez que o resultado de terem-se vestido bem tenha ajudado muitas jovens a chamar a atenção dos rapazes, que acabaram encantando seus namorados, que viraram maridos, e hoje são os avôs que estão por aí, colocando as fotos dos netos no facebook. Essas senhoras ajudaram a fazer a história e, quem sabe, a felicidades de muitas outras. Por isso, minha homenagem a elas. Que Deus guarde bem a Dona Serafina, lá no céu, e dê saúde a longevidade à Dona Maria e à Dona Carmem.
Minha homenagem a elas!
Euclides Riquetti
04-05-2013
Mas, sabemos, é sempre mais fácil aprender a costurar com "uma estranha", que tem mais paciência para ensinar, do que com a mãe ou a irmã mais velha. E as jovens buscavam aprender com alguma vizinha. Outras, até procuravam as melhores costureiras de sua comunidade ou cidade e pagavam para aprender. Os aprendizes de alfaiate faziam o mesmo. Tinham que pagar para aprender.
Quando noiva, a moça recebia como dote, para seu casamento, uma máquina de costura, uma vaca de leite e um baú cheio de peças enxoval. Uma bela colcha para cama de casal, lençóis e sobrelençóis, travesseiros e fronhas. Toalhas de banho, feitas com sacos de algodão alvejados e com franjas e bordados. Toalhas de mesa e toalhas de pratos impecavelmente trabalhados. A preparação do enxoval era um ritual sagrado...
As mães compravam tecidos com o dinheiro da venda de queijos e ovos. Compravam peças inteiras de tecidos de algodão, um tricolines para camisas para o serviço, normalmente xadrez. Com o mesmo tecido faziam fronhas, lençóis e até toalhas de mesa. Para o serviço pesado dos homens, peças de brim Diamantino, de fibras mais grossas de algodão, com entrelaces de fios brancos, cinzas e pretos. Para forros de roupas compravam o Morim. Mas também usavam a cambraia, tecidos em crepe de lã, seda ou algodão, cretones, e casimiras. Estas, só os alfaiates ou as boas costureiras sabiam utilizar. Os alfaiates faziam ternos. As costureiras, tailleurs.
A História nos conta que as vestimentas mais antigas no mundo eram constituídas de peles de animais. A lã das ovelhas e outros animais, o algodão, o linho e a seda são materiais utilizados na confecção de tecidos dentre 2.500 e 3.000 anos aC. A partir da revolução industrial, começaram a desenvolver tecidos a partir de moléculas, os fios sintéticos. Hoje estes estão presentes abundantemente no mercado, através do nylon e do poliéster.
A necessidade de as pessoas se protegerem e, mais ainda, esconderem seu corpo, ou mesmo para "aparecer bem no meio social", fizeram com que os tecidos fossem inventados e reinventados em toda a história da Humanidade. Hoje temos uma grande variedades disponível, de todas as qualidades, cores, estampas, origens e padrões.
Na década de 1960 , nas alfaiatarias, começaram a aparecer, em nossas cidades, os tecidos denominados "Tropical ou "Tergal", sintéticos, uma revolução na região, pois eram tecidos que não se amassavam, fáceis de serem passados a ferro. E os alfaiates fizeram sucesso e alimentaram nossa vaidade masculina. Era o sonho de todos ter uma roupa que não amassasse.
Mas, e as mulheres, que opções tinham, quando precisassem comprar algo pronto, bem produzido, bem acabado?
Bem, ou tinham suas costureiras ou buscavam comprar algo da moda nas casas de comércio então existentes. E, em minha memória, voltam-me as casas comerciais que atendiam minha mãe sempre que precisava de algo: O Bazar da Dona Maria Fávero e a Casa Marilu, na antiga Capinzal, e a Loja da Dona Serafina Andrioni, pelas bandas do Distrito de Ouro.
Minha mãe comprava o que precisava para vestir-nos nessas lojas. Ela gostava de blusas de bouclê, que comprava da Dona Carmen Bridi, na Marilu Modas. Dizia que gostava do atendimento e da simplicidade daquela mulher que, mesmo numa "loja chique", atendia a todas com muito carinho e distinção. Sua loja ficava ali na XV de Novembro, um pouco acima do "Bananeiro", Augusto Hoch, defronte à casa da Dona Tosca Viecelli, por ali.
E, para nós, na loja da Dona Maria Girardi Fávero, (a amiga e vizinha da Tia Clarinda), um bazar com produtos diversificados, em que também vendia "roupas prontas". Ali comprava para si blusinhas de Bon-lon. E, depois, para nós, as camisas "Volta ao Mundo". E, na Dona Serafina Andrioni, as blusas de lã. Eu lembro que, aos 15 anos, fui na Dona Maria, ali logo abaixo do cinema, comprar uma camisa para mim: de cor marfim, com detalhes em azul xadrez. Fiz sucesso com ela... E, na Dona Serafina, precisei de uma blusa, e fui sábado à tarde à casa dela, e ela saiu da cozinha para ir vender-me um blusa cor canela, de gola olímpica. A prestação...
Hoje, os tempos mudaram, os costumes mudaram, há grande ofertas de produtos do vestuário já prontos, para todos os gostos, todas as preferências, todos os bolsos... As famílias de Dona Maria e de Dona Carmen foram embora. A primeira está em Ponta Grossa, a outra em Curitiba. Os filhos saíram para as universidades e não voltaram. As mães foram atrás deles. E a sucessão familiar acabou acontecendo apenas na loja da Dona Serafina Andrioni. Quando faleceu, deixou seu comércio para uma das filhas, a Miraci. Ela a transformou na "Boutique das Lãs". E continua ali, no mesmo lugar, na Felip Schmidt, em Ouro. Construiu uma sala em separado, atrás de seu casarão, entrada pelo lado de uma loja existente.
E a filha de Dona Serafina, a Miraci, continua ali, atendendo, colocando novelos de lã e outros fios nas mãos de nossas trocoteiras e crocheteiras, que produzem peças maravilhosas. Sempre amável, educada, discreta. Uma pessoa confiável que herdou a simplicidade e a honestidade de sua mãe. Perdeu o marido ainda jovem e encaminhou muito bem a vida de seus filhos, está honrando a memória de sua mãe.
De todas as personagens, ficam-me as lembranças. Foram senhoras que ajudaram muitas mulheres a se apresentarem bonitas, elegantes. Talvez que o resultado de terem-se vestido bem tenha ajudado muitas jovens a chamar a atenção dos rapazes, que acabaram encantando seus namorados, que viraram maridos, e hoje são os avôs que estão por aí, colocando as fotos dos netos no facebook. Essas senhoras ajudaram a fazer a história e, quem sabe, a felicidades de muitas outras. Por isso, minha homenagem a elas. Que Deus guarde bem a Dona Serafina, lá no céu, e dê saúde a longevidade à Dona Maria e à Dona Carmem.
Minha homenagem a elas!
Euclides Riquetti
04-05-2013
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