sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Bons e maus exemplos no cotidiano


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Prefeito Claudinei de Paula Castilhos, de Bituruna -
PR - Adriana Nhoatto  (Primeira Dama), Raquel
Dalmas,  (Vice Dama) e Rodrigo Marcante (Vice-
prefeito) protagonizando a Primeira Festa da Erva-
mate.


Em todos os setores da atividade humana, temos pessoas boas ou más, lúcidas ou sem noção das coisas, acomodadas ou engajadas. Algumas são ótimos exemplos, outras nos envergonham. Teriam que ter vergonha na cara, mão não têm. Um bom exemplo é o que está sendo dado pelo Lions Clube de Joaçaba, que está distribuindo 5.000 envelopes contendo cada um 3 sementes de Jacarandá Mimoso, uma planta que produz uma flor azulada. Exatamente 2.668 crianças e adolescentes receberam nas suas escolas essas sementes que, se devidamente plantadas e cuidadas, deixarão nossa cidade muito mais bonita e atraente aos olhos da população local e dos visitantes.

       Neste fim de semana, estarei conduzindo um grupo de pessoas de Joaçaba, Herval D ´Oeste, Luzerna, Lacerdópolis, Ouro e Capinzal, à Primeira Festa do Mate, em Bituruna,  e ao Jardim Botânico Faxinal do Céu, este no município de Pinhão, no Paraná. Ali encontram-se plantadas todas as espécies de árvores do mundo, nativas ou exóticas, uma verdadeira suíça na América do Sul, distante 220 Km de Joaçaba. Muitos de meus convidados já visitaram o local por duas vezes, devido ao encantamento que a paisagem proporciona e à qualidade dos vinhos de Bituruna, produzidos com uvas europeias ou americanas, a partir de vinhas de altitude ou de clima tropical. E ainda pelo padrão das comidas coloniais oferecidas nos restaurantes. A cidade tem dois bons hotéis: Grezelle, onde costumamos nos hospedar; e Avenida.

       Bituruna, distante apenas 165 Km de Joaçaba, a exemplo de Lacerdópolis, vem asfaltando as estradas rurais que dão acesso às suas 5 vinícolas. Foram 6,5 Km neste ano. O Prefeito Claudinei de Paula Castilhos busca conhecimento e alternativas para melhorar seu Município. No carnaval de 2017, percorri com ele e sua equipe política, as estradas rurais asfaltadas de Lacerdópolis e, desde então, empenhou-se em obter verbas no Governo do Paraná para realizar seus projetos. E vem obtendo êxito em seus  intentos.  O calendário de eventos da cidade contempla, dentre outros diversos eventos, a Festa do Vinho.

       Segundo uma técnica florestal do Jardim Botânico, ali estão 43 variedades de azaleias floridas. Botânicos de todos os lugares buscam material genético no local para produzirem flores, inclusive para a Festa das Flores de Joinville. Considero que a região do Faxinal do Céu está com tantas hortênsias quanto Gramado, no RS. No domingo, 23, visitaremos os pontos turísticos de Porto União e União da Vitória.

       Plantar árvores no “dia da árvore” é uma simbologia, mas também uma ação muito meritória, pois é educativa. Chama a atenção, principalmente das crianças, que crescem conscientes da importância das árvores para a qualidade do ar que respiramos. Aqui em Joaçaba, presenciamos, na semana passada, o Festival de Danças, que nos mostrou cerca de 1.000 bailarinos entre locais e os de fora. Um espetáculo muito bonito e bem organizado.

       Por outro lado, vimos nesta semana que o  candidato ao Governo de Santa Catarina pelo PCO, Ângelo Castro, funcionário do Dataprev, teve sua candidatura impugnada pelo TRE  por ter apresentado uma nota fiscal de um hotel onde se hospedou com o valor adulterado para maior. Ele, em sua defesa, alegou que a Lei da Ficha Limpa é in constitucional. Agora, e isso já vem acontecendo a algum tempo, quando não têm como se defender alegam inconstitucionalidade! Há uma notícia de que ele alega ter fraudado a nota por protesto... E, se essa moda pega, como é que ficamos?! De qualquer forma, foi uma prática ilícita e um péssimo exemplo que nos deu.

Euclides Riquetti – Escritor – Membro da ALB/SC    www.blogdoriquetti.blogspot.com

Sorriso que me faz bem






Sorriso que me alegra e me faz bem
Dá ânimo ao meu dia, torna-o melhor
Sonoro, tímido, ou vibrante também
Já o conheço bem, conheço-o de cor...

Seus movimentos leves e desenvoltos
O balanço de seus abraços é elegante
Seus cabelos macios, secos e soltos
Delineiam seu olhar meigo e cativante.

Mulher idealizada, corpo de menina
Mulher imaginada, jovem,  mulher
Paixão que se incendeia e se ilumina...

Sorriso jovial, harmonia deslumbrante
É tudo o que me coração almeja e quer
Encantadora criatura, bela e cativante!

Euclides Riquetti
25-04-2016

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Viver o sonho dos apaixonados




Quisera te carregar com braços fortes
Beijar teus lábios róseos e formosos
Perder-me nos teus seios deliciosos
Esperar que de manhã sempre me acordes...

Quisera viver o sonho dos apaixonados
Dos amados, desejados, pecadores
Poder entregar muitos ramos de flores
Pra namorada que me faz agrados...

Quisera em todos os momentos breves
Realizar as nossas doces fantasias
E envolver-me em teus afagos leves

E alojar meu pensamento no teu ser
Mergulhá-lo em ti todos os dias
E no teu corpo esbelto me perder!

Euclides Riquetti

Lembranças do Mater Dolorum


Dizem que "recordar é viver". Então, recordemos... 


 

 
 
          O Mater Dolorum chegou há 6 décadas e pouco...  Chegou antes de mim. E, quando me dei por gente, estava ali, no alto do mesmo morro, impondo-se, sutilmente, sobre Capinzal. Um casarão de madeira com dois pavimentos, um sótão e um "porão". Um edifício muito estiloso, de elevado padrão de arquitetura para a época.

          Em 1961,  adentrei pela primeira vez pelas portas do Mater. Conhecia muitas histórias sobre ele. Meu irmão mais velho e meus primos me contavam sobre isso. Era um educandário particular, de posse e administração das Irmãs Servas de Maria Reparadoras. Justamente naquele ano, iniciara convênio com o Governo Federal, e eu pude entrar ali como aluno, com 8 anos feitos já. Viera de "Linha Leãozinho", que na época ainda pertencia a Capinzal. E, tão logo aprendi a ler, identifiquei uma placa enorme, em que se podia ver: "Plano de Metas do Governo''. Era o plano do Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, que tinha como slogan "50 anos em cinco", ou seja, estava dando uma sacudida no País para que deixasse de "dormir em berço esplêndido". Atacava na indústria e na educação. Começavam a fabricar carros e nós a frequentar boas escolas, gratuitamente.

          Minha primeira professora foi Judite Marcon, uma interna do Convento das Irmãs, que havia em anexo. Ela foi embora para continuar seus estudos e veio, em seu lugar, Noemia Zuanazzi. Adiante, passei pelas mãos generosas de Marisa Calza,  Marlene Matos, Tarsila Boff, Marli Sartori,  Marilene Lando e outras. Pelo menos estas foram as mais presentes, pois as outras atuavam temporariamente. Havia a Almeri Pasin, que lecionava para outra turma, onde estudava um primo.

          Algumas lembranças tenho bem claras na memória: Ao lado do casarão de madeiras, edificava-se o prédio do  Mater Dolorum  em seu corpo principal. Lembro-me bem que um dos mestres da obra era o Sr. Valdomiro Viganó.  Adiante, o casarão deu lugar ao auditório, que na nossa memória ficou registrado como "palco". Daquele velho casarão, os medos que vinham com os rumores: No sótão, numa sala bem aos fundos, haveria o fantasma de algumas freiras já falecidas. As histórias que nos contavam eram horripilantes. E nós nos pelávamos de medo das assombrações. Acho que queriam assustar-nos para que não fôssemos meter o nariz onde não devíamos. E nós éramos tão xeretas quanto são os adolescentes de hoje, talvez piores que eles.

          Uma grande expectativa na cidade foi com a chegada do Caminhão "Caçamba" das Irmãs para ser utilizado na remoção de terras das escavações, que foram muitas e geraram grande volume de material a ser retirado para a construção do prédio novo e os pátios, inclusive o a quadra, que exigiu muito trabalho. Trator e carregadeira de esteiras da Prefeitura, que davam apoio. E o caminhão com carroceria basculante, amarelo, Ford F 600 novinho e brilhoso, enfim chegou. Eu nem era aluno ainda quando isso aconteceu. Dizia meu irmão Ironi, que ali estudava, que seria dirigido pela Irmã Terezinha. Mas, na verdade, o motorista acabou sendo o Sr. Loid Viecelli. Este, além de motorista do caminhão, muitas vezes animava as festas juninas com sua gaita para que dançassem a quadrilha.

         Irmã Fermina, Irmã Marinella, Madre Prisciliana são algumas das freiras que muito marcaram a minha vida e a história dali. A primeira, moreninha , franzina, delicada. Marinella, alta, jeito de italiana, dócil. Prisciliana era chamada somente de "Madre", uma mulher magra, de média estatura. e a Irmã Terezinha tinha fama de "braba".  Era bonitona, pele do rosto bonita, usava óculos clássicos. Bem, nunca ninguém viu nenhuma que não estivesse envolta em seu hábito preto e branco, que deixava mostrar apenas o rosto e as mãos. Sapatos pretos com meias. Ninguém nunca lhes viu os pés. Ficávamos imaginando como podiam passar calor nos dias de verão. Mas, não muito tempo depois, mudaram as convenções da Igreja católica e padres e freiras passaram a vestir-se como os cidadãos comuns. Aliás,  a população ficou dividida em relação a isso, pois uns achavam que estavam certos e outros de que deveriam manter-se com as vestimentas características, para facilmente serem identificados e não serem confundidos.

          Muitas histórias boas de meus quatro anos de estudos no Mater Dolorum ainda estão em minha cabeça. E também de minha atuação como professor de Inglês nos seus últimos anos de funcionamento enquanto escola particular, da Congregação Servas de Maria Reparadoras. O educandário legou-me uma educação de alto nível. Aprendi muito do primeiro ao quarto ano, entre 1961 e 1964.  E, sobretudo, aprendi muito em termos de educação e formação pessoal. Mais do que aprender a ler, escrever e calcular, aprendi a ser gente ali! E isso me orgulha muito!

Parabéns, Mater Dolorum, palco de grandes acontecimentos, memórias, eventos, lembranças!

Euclides Riquetti
31-08-2014

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Minha Senhora, a poesia






Boa noite, minha Senhora
Boa noite, minha Divindade
Tiro-lhe o chapéu, não vou mais embora
Fico esperando, já fiquei outrora...

Espero você, em chegada triunfal
Espero-lhe ansioso para lhe dizer "Bom dia"
Aguardo a hora do encontro formal
Não quero que seja um momento banal
Me abrace, me curta, me envolva e sorria...

Venha logo, depressa, minha dama singela
Venha com o ímpeto de um vendaval
Num andor, secundada por cavalos em sela
Parecendo um cortejo de soldados em guerra
Anime meu dia, me levante o astral...

E eu, seu servo e fiel escudeiro
Liberto meus versos com toda a alegria
Dedico-os a Deus, o meu nobre Guerreiro
Levanto meus braços, sou seu companheiro
Me pegue e me afague, minha boa poesia!

Euclides Riquetti

terça-feira, 18 de setembro de 2018

A música da noite...




 

A música da noite
Veio embalando a brisa suave
Entrou em meu quarto
E pousou junto de mim.

Foi algo assim
Indescritível
Incrível

A música da noite
Trouxe-me uma mensagem de amor
Uma mensagem de paz
Uma mensagem muito singela
Que veio pela janela
E me deu uma flor.

A música da noite
Trouxe-me a doce lembrança
De minha infância
E de  um rosto com traços suaves.

Ah, quantas saudades
Dessa mulher criança!

Trouxe-me o céu estrelado
A lembrança do passado
Dos anos dourados e dos sonhos sonhados
Mas não realizados.

A música da noite me trouxe você!
E eu me apaixonei...

Euclides Riquetti

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Deixe-me beijar seus ombros






Deixe-me beijar seus ombros morenos
Tocar de leve na pele de seu belo rosto
Olhar em seus olhos lindos e serenos
Poder fazer isso com prazer e com gosto...

Deixe-me segurar as suas mãos  finas
Apertar,  firmemente,  seus longos dedos
Admirar seu semblante terno de menina
E ajudá-la a afastar-se de seus medos...

Deixe-me mostrar que posso dar carinho
Querê-la com desejo e toda a sedução
Nada de dramas e nenhum espinho...

Mostrar que você é quem eu tanto espero
E poder entregar-lhe meu inteiro coração
Dar-lhe meu amor, só isso é que eu quero!


Euclides Riquetti

Meu coração e eu (poema-canção)


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'Vamos sair por aí
Meu coração e eu
Andar por aí e sorrir
Meu coração e eu!

Vamos rir e cantar
Viver a vida com cor
Na rua ou outro lugar
Viver com todo amor!

Vamos sair por aí
Meu coração e eu
De mãos dadas sair
Para encontrar o teu!

Vamos rir e cantar
Viver a vida com cor
Vamos sair e sonhar
E reviver nosso amor!

Podemos ir pela rua
Ou pela beira do mar
Min´alma é toda tua
Então quero sonhar!

Euclides Riquetti
17-09-2018


domingo, 16 de setembro de 2018

Quando o relógio marcar oito horas

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Quando o relógio marcar oito horas
A manhã estará  apenas começando
Meu pensamento irá te procurando
Espera ver teu sorriso sem demora.

Oito horas, em sábado de inverno
Ansioso eu espero pela primavera
É ansiosa, é dolorosa essa espera
É um esperar tão delicioso, terno!

Oito horas, início de uma jornada
Uma perspectiva de outra vitória:
Um dia a ser gravado na memória
Uma boa lembrança a ser gravada.

Então há, em cada manhã de sábado
Um desejo de renovar a esperança
Um desejo a atiçar uma lembrança
De que preenchas um coração vago.

Euclides Riquetti
16-09-2018



No silêncio escuro da noite



O silêncio escuro da noite provoca os sentimentos
Enquanto tu dormes o teu sono angelical
E os anjos abençoados dissipam teus tormentos
Enquanto eu os procuro no espaço sideral!

No silêncio escuro da noite enegrecida
Os anjos velam pelo teu sono e te protegem
Zelam por teu corpo, pela tua alma e pela tua vida
Enquanto que a orquestra universal eles regem.

No silêncio harmônico do universo santo e calmo
Espalha-se uma terna e silenciosa melodia
Secundada pelo doce canto daquele antigo salmo
Que de minha voz tímida  tu já ouviste um dia.

Mas, na claridade do dia que vem tão prazeroso
E que dissipa a escuridão pela noite trazida
Reina teu sol dourado, jaz gigante e formoso
E tu te deleitas em cada minuto, cada hora vivida!

Euclides Riquetti
16-09-2018



sábado, 15 de setembro de 2018

"A virtude está no meio" - o Epitáfio


  


 
 
 
          Quando, em minha juventude, entrei para o curso de Letras da Fafi, em União da Vitória, depois de ter vivido toda minha vida em Ouro e Capínzal (só fui conhecer Joaçaba aos 16 anos), fiquei deslumbrado por estar numa cidade maior que a minha, ter feito muitos novos amigos e colegas. Minha Lee,  meu  Samello e meus cabelos longos  me levavam para lugares que até então  eu não estava acostumado a frequentar. Era um mundo novo e poucas pessoas eu conhecia naquele lugar. Meus primeiros meses se resumiam a ir para a aula à noite, estudar um pouco durante o dia, assistir aos treinos do Iguaçu e, aos finais de semana, junto com o colega Samonek, irmos explorar alguns lugares e tirar umas fotografias, tipo ao lado de aviões  no Aeroporto José Cleto, no monte do Cristo, ou andar pelas redondezas do Iguaçu. Também algumas incursões em bailinhos nas cidades e comunidades dos arredores faziam parte de nossa agenda de final de semana. E, no domingo à tarde, dançar no "25".

          Como minha família não tinha telefone, minha comunicação com casa se dava por cartas, que eu escrevia semanalmente e obtinha resposta em no máximo 10 dias. Minha mãe aderira ao costume de escrever, tornou-se até hábito. Eu escrevia relatando minhas "façanhas", com o entusiasmo de quem via em tudo novidade. Meu pai ficou preocupado com o que eu escrevia e pensou que seu filho regrado poderia estar se enveredando por caminhos tortuosos e, na dúvida, escreveu-me uma cartinha, que carinhosamente veio no mesmo envelope que a de minha mãe. Poucas palavras, praticamente um bilhete, em que se sobressaía uma frase: "In medio virtus".

          Como vinha estudando Latim e até já havia comprado um dicionário, busquei entender aquilo. (Naquele tempo não existia google,  e  Barsa só algumas escolas tinham). Confesso que o Latim não era meu forte nem minha matéria preferida, apenas me esforçava para obter a média exata para ser aprovado sem Exame Final. E não entendi direito o que ele queria dizer, embora a tradução eu tivesse conseguido: "A virtude está no meio". Fiquei a matutar, matuto que eu era, com dificuldade para pronunciar os "erres" adequadamente e outras inconveniências fonéticas. Mas não cheguei ao objetivo do "meu velho".

          Com o tempo, numa de suas raras visitas, perguntei-lhe o que quisera dizer com aquilo e ele me respondeu: "Primeiro,  queria fazer você buscar respostas por si mesmo e, segundo, quis dizer-lhe que não é pra você ser muito "prafrentex", mas nem ficar atrás dos outros. Não queira ser um adiantado mas também não seja um atrasado, busque o meio termo".

          Somente os anos vieram a me elucidar bem isso que no princípio me pareceu uma muito enigmática afirmação do filósofo e pensador grego Sócrates, quatro séculos antes de Cristo. A virtude e a verdade  estão no equilíbrio, no meio termo, no desprezo do radicalismo. E entendi que muitos conflitos poderiam ter sido evitados entre os povos se isso tivesse sido levado em consideração. Realmente, nosso triunfo está em parar para ouvir e decidir com sabedoria, ter cuidado no que se diz e se faz, pois nossas verdades não são, necessariamente, as verdades dos outros. Poderia até metaforizar, dizendo que um time de futebol que só tem jogadores habilidosos, mas que pouco correm, não obtém  bons resultados. É preciso que haja nele também aqueles menos técnicos, mas que desenvolvem melhor sua condição física, que correm e se disciplinam taticamente, ajudando os outros, em equipe, a lograrem resultados favoráveis. Ah, também a mescla de jogadores mais experientes com outros mais jovens ajuda muito. E você obtém um futebol de bom padrão, com o time bem postado e organizado.

          Então, a afirmação socratiana é bem atual, revestida de muita  universalidade. E pode ser aplicada numa sala de aula, onde os indivíduos, professores e alunos, são diferentes, pensam diferente e, se bem articulados, podem obter sucesso na aprendizagem e na formação pessoal.

          Em 18 de junho de 1977 perdi meu pai. Tinha 55 anos. Era um professor bem informado, atualizado, inteligente. E, minha forma de eternizar minha homenagem a ele foi mandar produzir uma placa de bronze com sua foto em porcelana, assentada em granito, onde está gravado seu epitáfio: "In medio virtus".

Euclides Riquetti
12-12-2012

A canção da tarde






Quando a canção da tarde de sol  chegou até mim
Trazendo-me  os acordes das ondas espumantes
E o verde  das águas turbulentas  fundiu-se no anil
Divaguei em sonhos de amor, em desejos extasiantes
Que saíram para se perder  sobre o mar sem fim.

Quando as crianças sorriram seus sorrisos florais
E, sentadas na areia, construíram seus castelos
Com suas mãos delicadas e movimentos magistrais
Me contagiando com seus olhinhos ternos e singelos
Eu vi você presente em seus rostos angelicais.

Quando o balanço das  marés replainou as areias
Também apagou os versos que nelas eu houvera escrito
E meu poema foi espalhar estrofes para as belas sereias
Que se refugiam nas águas do largo  oceano infinito
Que na noite se ilumina com a luz das tímidas candeias.

Euclides Riquetti
05-04-2015

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

O voo da gaivota





Plana a gaivota sobre o mar azulado
Quebrando o vento nas lufadas de outono
Na manhã  de abril do sábado morno
Na ilha da magia de meu Sul amado.

Vai a gaivota cortando o infinito
Imerge na nau  de meu pensamento
Busca se esbaldar por todo o firmamento
Em seu lento planar pelo céu bonito.

Voa a gaivota de branco e de princesa
Soberana,  charmosa, doce e elegante
Voa a gaivota vestida de deusa.

E meus olhos a contemplam com carinho
Em sua viagem pela trilha provocante
Enquanto volta ao seio de seu ninho.

Euclides Riquetti

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Zina e Breca - Cachucha e Cride - uma história real!



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Neuzina Fischer - a Zina - faleceu em Porto União neste
dia 13-09-2018 - É a personagem desta crônica da nossa
vida real!




          Dois de junho de 1973 - sábado. Dia de Festa Junina em Porto União, no Colégio Cid Gonzaga. Toda a juventude das cidades gêmeas do Iguaçu estava ansiosa para que esse dia chegasse. É que acontecia uma festa muito badalada por lá. Além dos folguedos, dança na sala do auditório. Talvez que essa fosse a parte mais esperada da festa...

          O Professor Welcedino, um "serra-abaixo" catarinense gostava de ter tudo bem organizado. A festa era muito esperada. Quadrilhas de danças, quentão, pipoca, pinhão, doce de abóbora, amendoim, pé-de-moleque... Foguetes espocando no ar. As rádios Colmeia, Difusora e União com seus locutores falando do evento. Os jornais "O Comércio", "Caiçara" e "Traço de União" dando força. E nós, jovens, na expectativa.

          Mandei uma carta para minha irmã Iradi convidando-a. Veio com a prima Salete Baretta. Foram hospedar-se na casa da prima Gena Casara que estava estudando por lá. Chegaram na sexta à tarde. Tudo preparado para irmos à Festa no sábado. Imperdível.

          Mas um imprevisto quase que atrapalha nossos planos. Nosso colega da República Esquadrão da Vida, o Celso Lazarini, o Breca, nascido no hoje Lacerdópolis (quando ainda petencia a Capinzal) e que  morou na casa do Serafim Andrioni, no Ouro, e em 1968 trabalhava nas Casas Eduardo, em Capinzal, estava machucado.  Agora era o melhor goleiro de futsal em União da Vitória, fora profissional no futebol de campo. Pois na  sexta levou  um chute no nariz, na Quadra do Túlio de França.  O Dorinho  ia fazer o gol, o Breca foi brecar e o pé do artilheiro arrebentou o nariz de nosso colega. Emergência, cirurgia. Ficamos todos muito preocupados. Víamos o sofrimento do amigo e tínhamos nossa programação de lazer. Não queríamos perder a festa,  nem deixar o amigo sozinho em casa naquele sábado. Precisava de cuidados. Ele dizia que podíamos ir, que ele mesmo se cuidava. Gentil como sempre. É assim até hoje.

          Pertinho de casa havia um salão de estética, o "Silhueta". A Zina, a Célia comandavam. A Ivone, cunhada da irmã da Zina, estava sob seus cuidados. Eram minhas amigas. A Zina estava chorosa, de mal com a vida, deprimindo-se. Pedi-lhe um favor. Perguntei-lhe se poderia cuidar do Breca naquela noite para que pudesse participar da festa junina no Cid. Disse-lhe que ele estava machucado e precisava de cuidados. Pensei que um podia cuidar do outro. Aceitou que eu o deixasse em sua casa. Cuidaria dele. E assim o fez.

          Fomos com os colegas, o Osvaldo e os dois  Odacir, o Giaretta e o Contini, mais  minha irmã  e a prima para a festa. Eu de braços dados com minha irmã. O Boles não foi, tinha que ficar no ponto de táxi com seu Corcel 4 portas. Era um horário bom pra ganhar uma graninha.
Na chegada, percebi que havia uma bela garota com quem eu tinha dançado no "Clube 25"  duas semanas antes. Ela deve ter-se decepcionado comigo, pois eu estava de braços dados com uma de quase minha altura. Não sabia ela que era minha irmã que estava comigo.  Adiante, contou-me que pensou que era minha namorada...

         Na dança, muita animaçao na sala do auditório. Um colega meu era Cabo do Exército Brasileiro, do 5º BE, de Porto União, Odacir Contini. Educado, respeitava as regras dos militares. Quando íamos ao cinema, com os Cabos Frarom, Backes, Godói, Figueira ou Maciel, tínhamos que sentar atrás de qualquer oficial superior deles. Então, no Cine Ópera, entrávamos olhando para as cadeiras e precisávamos  ir ao fundo do cinema ver os filmes e respeitar essa regra hierárquica. Nenhum subalterno podia sentar à frente de um superior.  Pois bem, o Contini falou-me: "Vou tirar aquela morena que está com a Dora pra dançar. E, educadamente, deu a volta por detrás dos  presentes, pois havia um sargento no local.

          Quando vi que era a garota que eu conhecera poucas  semanas antes, cortei caminho pelo meio do salão. Eu não era militar, não  tinha superior, podia ir por onde bem entendesse. E, quando ele lá chegou, eu já estava com ela. E dançamos. Dançamos, dançamos  muito, rimos, contei-lhe piadas.

           Hoje, mais de 40 anos depois, continuamos a dançar, juntos. Temos três  filhos, uma neta, um neto... Dois genros, uma nora!

           E o Breca e a Zina?    Bem, ela está cuidando dele há  40 anos também. Têm uma filha, a Marcela, que voltou recentemente para Porto Uni'ao depois de estudar na Austrália. O Breca  vende carros em sua loja numa bela esquina da ida para o Estádio do Ferroviário. A Zina tem seu salão ali perto do Clube Concórdia. Continua igual há  40 anos. A mesma disposição, a mesma silhueta, a mesma amabilidade e a mesma simpatia. Visitei-os recentemente. Rimos muito, contei para duas amigas dela essa história. Disseram-me que eu deveria escrever sobre isso. Então aqui está.

           Duas histórias que começaram no mesmo dia. E, mesmo com as dificuldades do dia-a-dia, com todas as barras enfrentadas, formamos nossas duas famílias. A Zina e o Breca, a Cachucha e o Cride.


Euclides Riquetti
24-03-2013

Transcendendo




 

 
 
Transcendo
Saio do conforto daqui
Liberto-me de meu céu imaginário
Navego no mundo, solitário
E vou pra perto de ti., de ti, de ti...

Transcendo
Busco as respostas que ainda não tenho
Volto no tenro  passado
Projeto-me o  futuro desejado
Viajo, vou e venho...

Transcendo
Porque acomodar-me é covardia
Porque omitir-me  é vergonhoso
Não combina com meu ser impetuoso
Há a desafiar-me, sempre, a ousadia.

Transcendo
É a maneira que tenho para estar contigo
De tocar tuas mãos e beijar teus lábios
De dizer-te os versos mais raros
De chorar em teu ombro amigo.

Transcendo
Para exercitar minha rebeldia
Para dizer-te de meu encantamento
Para, com todo o arrebatamento
Abrir-te minha  alma, guria...

Transcendo...

Euclides Riquetti