terça-feira, 25 de junho de 2019

A chuva que cai

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A chuva que cai
Transparente
Levemente
Molha corações e almas
Peles morenas e peles alvas.

A chuva que cai
Na relva verde, sensível
Que lembra seus olhos brilhantes
Fascinantes...
Traz-me a lembrança indizível!

A chuva  cai
E você me inspira
Como os acordes na lira
E embala meu pensamento
Que se perde no vento
Que se vai no tempo...

A chuva que cai
E rola na calçada
Leva  embora o presente
E meu coração traz à mente
As ternas lembranças passadas.

A chuva que cai
Molha você, molha a terra
Molha o sonho da espera
Pois logo vem a primavera
Mas a chuva cai!

( E eu penso em você...)

Euclides Riquetti

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Vento moreno de outono


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Venta o vento moreno de outono
Venta e venta...
Cai a pálida folha, vencida no tempo
E venta o vento.

Brilha o brilho do sol brilhante
É maio, maio de mês
É a noiva que noiva, que sonha
Sonha com a noite da primeira vez...

Cintila a estrela prateada
Na madrugada
E sibila o vento na gélida  noite
Embala a noite, adentro avançada...

Escreve o poeta o poema, e a noite
É a moça, a musa
E os versos, dispersos, não rimam: fascinam
E a noite provoca, encanta, abusa!

E viva você, tema do canto
Viva, viva!
Como o barco que vai, flutuando, leve
Na noite breve
Festiva!

Euclides Riquetti

A Ferrovia do Contestado

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Estação Ferroviária -  1930 - presença do Presidente Getúlio Vargas em Capinzal - SC

       A Ferrovia do Contestado foi parte de um grande projeto concebido pelo engenheiro mineiro João Teixeira Soares, em 1887 e teria 1.403 Km de extensão. Ia de Itararé, SP, a Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Iria permitir também uma conexão com o Rio de Janeiro e com a Argentina e o Uruguai. Teixeira Soares obteve a concessão da construção da ferrovia em 9 de novembro de 1889, pelo Imperador D. Pedro II.
         De 1887 até 1905 foram construídos os primeiros 264 Km de ferrovia, deste Itararé até Rio Iguaçu, hoje Porto União.
       Em 1908, o empreendedor norte-americano Percival Farquhar adquiriu o controle acionário da parte denominada Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, através de uma holding, a Brazil Railway Company. O empresário visionário via o potencial de território muito forte, possibilitabdo-lhe muitos lucros, pois era povoado com densas florestas de araucárias e imbuias. Era proprietário da Southern Brazil Lumber & Colonization Company, a famosa Lumber. Colocou o engenheiro Achilles Stenghel para comandar o grande empreendimento. Contratou, inicialmente, 4.000 operários para a construção e mais 4.000 posteriormente, chegando aos 8.000 para a implantação de 372 Km de ferrovia.

       A ferrovia via foi inaugurada em 17 de dezembro de 1910, mas a enchente de maio de 1911 derrubou a ponte provisória, de madeira, que estava construída sobre o Rio Uruguai, entre Estação Uruguai e Marcelino Ramos. E, em 1912, a ponte de aço e concreto foi concluída, restando até hoje.
O engenheiro Achilles Stenghel  construiu  a estrada-de-ferro utilizando homens, pás, picaretas e dinamites,  conseguindo executar 516 metros por dia. O Governo repassava 30 contos de réis por Km construído para a construtora. E os investimentos garantiam juros de 6% ao ano aos empreendedores até que a mesma passasse a operar e gerar lucros. O investimento da São Paulo/Rio Grande foi de 30.000 contos de réis.

       A Brazil Railway Company, de Percival  Farquhar, construiu a estrada acompanhando as curvas do Rio do Peixe, com isso ganhando mais quilômetros e mais dinheiro, e evitando gastar com túneis, cortes,  aterros, pontes e viadutos. Também recebeu do Governo a concessão de uma faixa de 30 Km de terras, que o Governo Brasileiro considerava devolutas,  sendo quinze quilômetros para cada lado da ferrovia, num total de 6.696 Km2 de terras ou 276.694 alqueires ou 669.600 hectares.  As terras já eram ocupadas por posseiros. Entretanto, sabe-se que o povoamento da região já ocorrera a partir do século XVIII, com muitos locais de pouso para tropeiros que levavam gado bovino do Rio Grande do Sul para São Paulo. Os primeiros moradores criavam gado e extraíam a erva-mate nativa que vendiam para a Argentina e o Uruguai.
       A venda das terras para colonizadores, em especial de origem alemã e italiana, vindos da Serra Gaúcha, causou vários conflitos entre os antigos e os recentes proprietários. Inclusive, alguns de nossos colonos italianos tiveram que pagar duas vezes pelas mesmas terras, pois os proprietários antigos, como os familiares de Honório Cassiano, por exemplo, obtiveram na Justiça o direito de retomada de suas terras.
       Enquanto houve emprego disponível na construção da ferrovia não ocorreram maiores problemas. Ao término das obras, a Brazil Railway Company, por razões que se desconhece, não cumpriu seu compromisso de pagar a viagem de volta às suas cidades de origem para pelo menos  4.000 operários de sus 8.000 operários que arregimentara Brasil afora. Esses, desempregados, e sem meios para retornar a seus lares, juntaram-se aos demais nativos que foram demitidos da obra e começaram a perambular pela região, carentes de meios de subsistência. Foi lançada aí a primeira semente do que acabaria se tornando a Guerra do Contestado.
       A Brazil Railway Company foi tomada pela corrupção e entrou em concordata em 1917. Já em 1940,  o governo Getúlio Vargas encampou todos os bens da Brazil Railway Company, passando o seu patrimônio à Rede Viação Paraná-Santa Catarina, sendo que esta, em 07 de dezembro de 1957, foi incorporada à RFFSA -  Rede Ferroviária Federal S/A ( que foi sua proprietária até 1999). O valor da obra de Porto União a Marcelino Ramos chegou a 30.000 contos de réis;
       O cronograma de inauguração da ferrovia teve datas marcantes:
- Em outubro de 1909 ocorreu o primeiro assalto ao trem pagador, próximo ao túnel de 100 metros localizado em Pinheiro Preto, por bando liderado por Zeca Vacariano e Fabrício das Neves, levando 300 contos de réis e isso representava o valor de 10 Km de ferrovia construída;
- Em 01 de maio de 1910 foram inauguradas as estações de Caçador, Rio das Antas e Pinheiro Preto;
- Em 01 de setembro de 1910 as estações de Tangará, Luzerna e Herval D ´Oeste;
- Em  20 de outubro de 1910 a de Capinzal;
- Em 29 de outubro de 1910 as de Piratuba, Rio Uruguai e Marcelino Ramos;
-Em 17 de dezembro de 1910 inaugurou-se uma ponte de madeira sobre o rio Uruguai, em ligação com Marcelino  Ramos; Nesta data é dada como inaugurada a estrada de ferro;
-Em maio de 1911 ocorreu uma enchente que atingiu e destruiu alguns trechos da estrada de ferro, ponte, e a ponte de madeira que ligava Uruguai e Marcelino Ramos;
- Em 1912 foi inaugurada a ponte construída em concreto de cimento e metal ligando Rio Uruguai a Marcelino Ramos.
- Em 1940 o Presidente Getúlio Vargas passou a ferrovia para a Rede Viação Paraná/Santa Catarina;
- Em 1957 criaram a RFFSA - Rede ferroviária Federal S/A, que foi proprietária por 40 anos;


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- Após a Enchente de 1983 foi sendo desativada aos poucos. Pararam primeiro os trens de passageiros e depois foram parando os de carga.
- Entre 1992 e 1999, obedecendo a um programa de desestatização, a ferrovia foi provatizada, passando a pertencer à América Latina Logística - ALL. Até 1998 ficou totalmente paralisada para cargas.

Euclides Riquetti
24-06-2019


       

Loba mulher



Loba mulher dos sonhos cor-de-rosa
Loba mulher dos pensamentos que anuem
Dos lábios que me retribuem
Dos pecados que os meus diluem.

Loba mulher dos cabelos molhados
Desalinhados
Perfumados...

Loba mulher de cabelos e olhos encastanhados
Delicados
Encantados...

Loba mulher
Dos sonhos e encantos
Que provocam meus prantos
(Prantos nada santos...)

Loba mulher fervilhosa
Deliciosa
Dos sonhos azuis, dos sonhos cor-de-rosa:
Loba mulher!


Euclides Riquetti

Olha o trem!



Reeditado:





Estação de Rio Capinzal, década de 1930 - população esperando o Presidente Getúlio Vargas na estação ferroviária da então Rede Viação Paraná - Santa Catarina, rumando dali para Porto União.

          As pessoas de minha geração certamente que tiveram muitos contatos com trens. Lembro de quando, em minha infância, ficávamos com meus amiguinhos, subidos nos barrancos, gritando: "É meu! É meu! Aquele azul é meu! O vermelho é meu!"  - É que o trem passava, do outro lado do Rio do Peixe, levando luxuosas lemousines e jipes, com destino ao Rio Grande do Sul. Carrões  importados que costumávamos ver nas revistas, e que eram transportados nos vagões abertos, para nosso encanto. Vinham do Norte para o Sul, destino provável Porto Alegre e Caxias do Sul. Diziam os mais velhos: Vão pro Rio Grande! E iam as Mercury Monterrey, Os Buick Skylark, os Jeep Willys, as Pick ups, os DKW e Vemaguetes,  Os Ford Mustang e Thunderbird, os Chevrolet Cadillac, Bel Air e Impala, as Aero Willys. As Simca, acho, eram de menor custo, porque passavam muitas delas: as Chambord, Jangada e Presidence. Diziam que essas eram uma dor-de-cabeça...

          Mas também vinham e iam os trens de carga, traziam areia de Porto União, levavam madeiras da Santos Almeida, da Pagnoncelli Hachmann e da Zortéa Brancher para os grandes centros, principalmente São Paulo, e para as exportações via Paranaguá, São Francisco, Itajaí e mesmo Santos. E gado bovino para Sorocaba, porcos para Ponta Grossa. Bergamotas e laranjas que os irmãos Teixeira levavam da Linha Bonita e do Avaí para Caçador. O trem, realmente, fez parte de minha história, de nossa história. Até mudanças de gente que ia embora.

          Essa alegria acabou em 1983 quando, após a grande enchente, houve a paralisação desse tipo de transporte no Vale do Rio do Peixe. A América Latina Logística, que adquiriu a "Rede", não cumpriu com aquilo a que se propôs, não melhorou a ferrovia, e nossa Estrada de Ferro está uma vergonha. Em algumas cidades, poucas, onde há muito interesse na promoção da atividade  turística, as Prefeituras até ajudam a conservar a via férrea. Em outras, só a lamentar... Ah, não esqueçamos: De vez em quando ficamos sabendo dos tais de "Trens da Alegria", mas esses só levam gente privilegiada, não os mais simples mortais...

          Saudades do Trem. Porém, algumas pessoas, sabiamente, dizem que "quando as coisas não acontecem pelo amor, acontecem pela dor". E, parece-nos, a dor vai salvar o transporte ferroviário. Bendita a dor que Deus manda para acordar algumas pessoas que não se movimentam apenas pelo combustível do amor! Então, que lhes venha o método pelo qual melhor entendem as coisas.

          Com a expansão das atividades da agroindústria em todo o Oeste e Meio Oeste Catarinense, acrescido  o  fato de muitos agricultores terem abandonado o trabalho na lavoura, mais a impossibilidade de trabalhar na terra por questão das declividades, das áreas de preservação, etc. etc., e também porque o investimentos em insumos,  maquinários e mesmo mão-de-obra ficaram impraticáveis, nossa produção de milho parou de crescer. Melhorou a produtividade,  mas não temos suficientes áreas disponíveis para o plantio mecanizado. Todos esses fatores e outros que qualquer técnico em agropecuária enumeraria e justificaria bem melhor do que eu, fizeram soar o sinal de alerta: Temos grande capacidade industrial instalada, temos conhecimento, vocação, mercado,  disposição para o trabalho, dominamos as melhores tecnologias, mas nos falta o milho.

          Assim, depois de muita enrolação e embromação, no país onde todos podem comprar carros mas poucos conseguem comprar uma casa para morar, descobre-se que "dormimos em berço muuuuito esplêndido", e precisamos reativar as existentes ou costruir novas ferrovias. E as auspiciosas notícias: Vem aí a Ferrovia Norte Sul, que nos permitirá trazer milho e soja do Mato grosso e Goiás. E vem aí a Leste/Oeste, que ligará o Porto de Itajaí a Dionísio Cerqueira, cortando todo o Grande Oeste. Em discussão, duas alternativas: Restabelece-se a ligação de São Francisco do Sul/Mafra/Porto União/Herval D ´Oeste,  com a substituição dos trilhos e dormentes existentes, ampliando-se a bitola para 1,60 metros e se constrói o trecho a partir de Herval em direção à  Argentina; ou constrói-se novo leito, vindo pelo Vale do Itajaí, cortando Curitibanos, Campos Novos, Herval D´Oeste/Jaçaba, até atingir a fronteira Oeste, passando por Chapecó.

           Cara, não é que perceberam que nosso Oeste, aqui onde tem bastante gringo grosso, é importante!!

          Estamos felizes. Antes tarde do que nunca. Os governos Estadual e Federal estão tentando entender-se. E vão. Pelo amor (interesse político), ou pela dor (necessidade efetiva e inadiável), irão entender-se. Isso mesmo: antes tarde do que nunca! O Oeste merece isso! Que venha o trem! E quem sabe as cegonhas também sejam substituídas pelos vagõs de trem e as crianças possam embarranquear-se e ficar gritando: "É Meu! Aquele branco é meu!...

Euclides Riquetti
22-04-2013

domingo, 23 de junho de 2019

A poesia inspirada na canção da alma



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Tenho muitos anos de estrada
Mas são os mesmos que a vida me deu
Tenho uma alma calejada
E sonhos como os sonhos seus..

Tenho o tempo dos anos que já vivi
Horas de poemas escritos
Horas de noites que eu não dormi
E de pensamentos perdidos no infinito...

Tenho todos os poemas que compus
Menos o que lhe dei e ficou esquecido
Que se escondeu atrás da pouca luz
De uma penumbra onde fiquei perdido...

Foi o poema dos sapatos vermelhos
Um poema ricamente rimado
Com meus versos refletidos no espelho
Com seu corpo ali por mim retratado...

Foi um poema e foram muitos outros
A poesia inspirada na canção da alma
Onde revivo os encontros e desencontros
Onde me perco e só você me salva!

Euclides Riquetti
24-06-2019





Natureza Colossal



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Eu amo as plantas verdes de meu vale
Os belos girassóis, os cândidos cinamomos
Contemplo as águas dos riachos e das sangas
Que vagam entre as pedras rumo ao rio.

Encanto-me com os pássaros que cantam
E as borboletas entre as flores coloridas
Me perco em  ver crianças que sorriem
Com seus rostos inocentes  feitas anjos.

Admiro os jovens belos e sadios
Que buscam ideais de vida pura
A nobreza da alma das pessoas
Os rostos que irradiam muita alegria.

A  natureza  é a vida plena , é colossal.
É a dança harmônica do Universo
Que se move consoante a grande orquestra
Sem rimas, só com notas musicais.


Euclides Riquetti

Sorrir, cantar, sorrir, amar!


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É preciso sorrir
Como é preciso beber água
E respirar o puro ar
É preciso sorrir!

Sorrir o sorriso belo
Sem angústia, sem mágoa
O sorriso no cantar
Apenas o sorriso belo!

Sorrir com os olhos
Sorrir com os lábios rosados
Sorrir os sonhos idealizados
Sorrir com os olhos!

É preciso cultivar
O sorriso prazenteiro
Nosso melhor companheiro
Aquele que nos faz cantar!

Sorrir o bem-estar
Sorrir para a vida
Sorrir a alegria sentida
Sorrir, cantar, sorrir, amar!

Euclides Riquetti

Me dê um motivo...



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Me dê um motivo decente
Apenas um, qualquer que seja
Mas algo que me convença
Que não me quer, nem me deseja...

Me dê um motivo plausível
Uma prova incontestável
Para algo tão impossível
Que não seja refutável...

Me dê um motivo sério
Algo que possa ser aceito
Não quero nenhum mistério
Talvez seja meu defeito...

Então, apenas me dê um motivo
Um argumento bem forte
Talvez seja algo proibido
Ou apenas falta de sorte...

Apenas um..
Apenas isso...
Não é nada demais!

Euclides Riquetti