terça-feira, 15 de abril de 2025

O mar que nos manda a brisa...

 






O mar é colossal
Move-se em suas ondulações francas
Gera e extingue as espumas brancas
De água e de sal.

O mar é imenso e colossal
É um oceano de águas turbulentas
Que balamça as mais  doces emoções
Que se quebram nas ondas que chegam lentas
Aos pés, corpos, peles, almas e corações.

O mar que me traz dos tempos de criança
As mais ternas lembranças
É o mar de todas as idades.

O mar que nos manda a brisa generosa
É aquele que embala a alma esperançosa
E que nos faz sentir saudades... saudades... saudades!

Euclides Riquetti

Sou apenas o verso...

 


 


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Imagino ser, na madrugada, a estrela da vastidão infinita
Ser apenas o verso tímido que teimas em não escrever
Ser uma folha de papel branco que espera pela tua escrita
Ser  a resposta à pergunta que fiz e não queres responder.

Imagino ser uma das árvores tristes da imensa floresta
Que apenas contempla o alegre passaredo em revoada
Que vai de galho em galho comemorar, em grande festa
Que se harmoniza em orquestra na manhã abençoada.

Imagino que bem que poderias me dar um breve aceno
Dizer-me: estou aqui, estou esperando-te com saudade
Dizer-me: espero sempre por ti e por tua doce amizade...

Imagino poder pegar em tuas mãos e dizer bem sereno:
Segura meu coração que eu também quero segurar o teu
Dá-me todo o teu amor, pois quero que seja somente meu!

Euclides Riquetti

www.blogdoriquetti.blogspot.com 

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Permite-me cortejar-te...



Permite-me "cortejar-te" doravante

Como se tudo fosse a primeira vez

Deixa que tudo seja como se fora antes

Como se o "não" se tornasse um talvez.


Permite-me cortejar-te calmamente

Como se fôssemos dois adolescentes

Deixa que tudo venha delicadamente

Como se não houvesse precedentes.


Permite-me cortejar-te com um poema

Que venha de seu âmago inspirador

Algo que me atrai, sem nenhum dilema

Que vem de teu corpo belo e sedutor.


Permite-me cortejar-te, que delícia

Dizer de teus dons e encantamentos

Na tarde fresca, tênue e tão propícia

Levar a ti meus doces pensamentos.


Permite-me mostrar-te quão verdadeiro

É o amor que brota de dentro de mim

Algo sincero, num dia tão prazenteiro

Divina paixão que está dentro de mim!


Apenas isso... bem assim!


Euclides Riquetti


www.blogdoriquetti.blogspot.com


Visite!

Bem perto de você

 





Bem perto de você 
É bom  estar bem perto de você
De seu perfume, de seu corpo, de seus braços
E, sem nenhum cansaço
Me perder, me aquecer, me envolver
É bom estar bem perto de você...

Voltei para bem perto de você
De sua vida, suas palavras, de seus beijos
Pra ter o seu carinho que eu desejo...
Eu quero mergulhar e me esquecer
Mas me lembrar somente de você...

Não quero ficar longe de você
De nenhum jeito, pois preciso muito, muito
Preciso  conversar, eu  tenho muito assunto
E nem sequer precisarei me convencer
Pois não quero ficar longe de você!

Euclides Riquetti

www.blogdoriquetti.blogspot.com 


 






Sorria, sorria!

 


 



Sorria, sorria com seu sorriso de menina-moça
Com vestidinho de chita, com sandálias brancas
Sorria com o rosto desenhado da boneca de louça
O sorriso de menina-moça-mulher que encanta!

Sorria, desde o amanhecer do dia mais ensolarado
Sorria em todas as horas e em todos os lugares
Sorria ao fim do dia, mesmo tendo sido atribulado
Sorria contemplando a lua, pensando nos mares!

Permita-se sorrir com seu rosto e com seu corpo
Com seus movimentos cândidos, leves, sensuais
Faça  nascerem flores no caminho pedregoso e torto.

O sorriso natural é uma dádiva santa, dádiva divina
Vem de dentro de você, como os instintos naturais
É aquele que nos acalma, nos motiva e nos anima!

Euclides Riquetti

Revisitando o Deus Negro - reedição

 

 





          Não sei o porquê de hoje ter-me voltado à década de 1970, uma das mais produtivas de minha vida. Mas algo me impeliu a retornar a ela e, por conseguinte, relembrar de como era a vida dos jovens. Eu queria estudar, fazer uma carreira, construir uma vida digna, ter confortos que não tive antes, "ser alguém". E então  lembrei-me de pessoas que me apoiaram, me ajudaram... e também dos que me jogavam na vala da "ninguenzada".


           Quanta coisa contabilizei naquela década: Fiz 18 anos, terminei o curso de Técnico em Contabilidade, passei no vestibular, mudei de cidade, de estado, de trabalho, badalei muito, namorei,  terminei meu curso de Letras/Inglês, casei-me, tirei carteira de motorista, comprei meu primeiro carro, fiz concurso para professor, fiz minha casa, tive duas filhas, gêmeas. Ah, e escrevi algumas poesias que acabei jogando no lixo. Como gostaria de reavê-las! Apenas duas salvei, porque foram publicadas num livro, em União da Vitória e me restaram "Tu" e "Uma Oração para Você", esta muito significativa, que compus no verdor de meus 20 anos...


          Naquela década,  usávamos cabelos compridos, calças boca-de-sino e mais adiante pantalonas, camisa xadrez ou com estampas florais,  meias vermelhas, perfume Lancaster ou Pretty Peach. E, quem conseguia obter,  calça Lee ou Levi´s importada, indigo-blue. Era bacana ter jaquetas Lee ou então verde-oliva, a cor do Exército Brasileiro. Comprávamos distintivos "US Army" ou "Marinner", que aplicávamos nos ombros das jaquetas,  e isso era marca de prestígio perante a galera. Alguns conseguiam umas camisetas de malha de algodão que tinham a inscrição: "University of Californy" ou "Columbus University". Isso significava sucesso garantido.


          E as mulheres? Bem, a maioria delas também usava roupas assim, unissex. E a minissaia dos anos 1960 e as saint tropez  acabaram  substituídas  por shorts curtos, aquelas meias "cabaret" e botas de cano médio ou longo. E, a partir de 72,  aquela onda de, no inverno, usar blusa de tricô e meia da mesma lã e das mesmas cores.


          Nos cinemas Guiliano Gemma fazia o Ringo derreter os corações das mulheres e as músicas italianas e  francesas que vinham nos compactos simples ou duplos e nos long-pays imperavam nas rádios.  A onda "inglês" veio meio junto, com  "The Beatles" em seu rock.


          Mas a grande onda da década veio por conta de uma ofensiva da Igreja Católica no sentido de mobilizar as novas lideranças jovens e reanimar as já maduras para suas lides religiosas.  Começaram com o cursilhos, obra iniciada na Espanha bem antes do que no Brasil.  Nunca participei de um, mas muitos amigos meus fizeram parte de ações cursilhistas. Jovens que optaram por deixar o seminário passaram a atuar como professores ou engajando-se nas atividades da Igreja. Inteligentes e com boa formação,  eram bons exemplos a serem seguidos.


         Foi nessa época que o corumbaense que foi para São Paulo aos 16 anos, Neimar de Barros, deixou o trabalho de junto à TV do Sílvio Santos, onde dirigiu os programas "Cidade Contra Cidade" e "Boa Noite Cinderela" e converteu-se de ateu para Católico Apostólico Romano. Tornou-se escritor poeta e pensador,  e passou a ter forte liderança dento da Igreja Católica. Visitou mais de 4.000 comunidades religiosas e vendeu mais de 4 milhões de exemplares de seus mais de 10 livros que escreveu nas línguas portuguesa e espanhola.


          Em 77, quando eu me iniciava efetivamente no Magistério Catarinense, na Comunidade de Duas Pontes, hoje município de Zortéa, em Santa Catarina, a moda  era ler "Deus Negro", de Neimar de Barros. Logo depois surgiram outros livros dele e o que mais chamava  atenção era "O Diabo é Cor-de-rosa". Todos liam, recomendavam, iam passando adiante a ideologia, o pensamento do convertido autor. E, em seu rastro,  também vinha o Artur Miranda, que conheci lá na Casa Paroquial de Capinzal.

          Em 1986 Barros concedeu uma entrevista à Revista Veja que fez grandes estrondos nos meios religiosos brasileiros. Declarou que estava infiltrado na Igreja a serviço da maçonaria ( o que nunca foi comprovado, acho que foi invencionismo dele), que estava descobrindo os podres da mesma e disposto a revelá-los para o mundo. E declinou diversas "vergonhas" que estariam acontecendo nos meios eclesiásticos. A repercussão foi das piores.


         Eu tinha lido justamente os dois livros que mencionei, entrei na onda da época, era imaturo, não tinha propriedade sobre minha opinião ainda. Fiquei muito revoltado com ele e mesmo os comentários que li sobre ele, oriundos de seus admiradores internautas, não me fizeram mudar em relação ao péssimo conceito que formei a seu respeito. Acho que ele foi ou oportunista, ganhando muito dinheiro e se promovendo em cima da de nossa Fé, ou  um baita enganado,  que usou de meios pouco legítimos para atingir  seus nebulosos objetivos.


          Acho que de bom alguma coisa restou nessa história:  muitos jovens, na época, foram surgindo como lideranças nas cidades, alguns que se conheceram nesses encontros até constituíram família, tornaram-se importantes gestores públicos e privados, empreendedores, educadores. Enfim, essa geração teenager que tornou-se adulta  naquela década, deixou filhos com elevado nível de formação pessoal e intelectual que estão espalhados pelo Brasil e pelo mundo,  fazendo sua parte no contexto de nossa história.


          No ano passado, dia 06 de maio, bastante debilitado em função do Alzheimer de que estava acometido, Neimar de Barros veio a falecer. Sua morte passou em branco. Não pela doença, mas por ter sido rejeitado pelos eus fãs em razão da falta de coerência entre o que pregou e o que deixou de concreto como exemplo. Caiu no ostracismo e os brasileiros o esqueceram. Só lembram de seu nome os pré-idosos que viveram em seu tempo. Os outros, só conhecem o Neymar que joga no Santos, baita craque de bola!


Euclides Riquetti

O nada... o amor sem fim!


 


 





O nada

Que se contrapõe ao tudo

O ócio

Da depressão o entrudo

O papel em branco

Sem lápis

Sem caneta

Como água sem rio

(Um grande e solitário vazio)

Sem valeta!


O não ter

O tudo faltar

A noiva sem altar

A casa sem goivos

A noiva sem noivo

O velho que não teve o novo

O novo envelhecido pelo tempo

Impuro

Prematuro!


O básico que falta

O silêncio do ostracismo

A vilania do consumismo

O poema sem rimas

A pobreza literária

A agonia primária

As confissões íntimas...


O cãozinho adestrado

Obediente

Inteligente

Educado.

O cabelo bem arrumado

As unhas aparadas

Delicadamente pintadas

Os sonhos sonhados

Os desejos frustrados

Abortados.


A vida é o movimento

O branco das nuvens intensas

Densas.

O azul do firmamento

O vão e frágil sentimento

A saudade

A reciprocidade

A flor sem jardim

O amor sem fim!


E eu, pensando em você:

Bem assim!


Euclides Riquetti

O Mash e o Cabo Maciel : lembranças de Porto União

 


 


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5º BE - Porto União - SC

          A Finlândia é um país muito bem desenvolvido. Tem consideráveis indicadores sociais e solidez econômica. Situa-se entre a Suécia, a Rússia, a Noruega  e a Estônia. Dizem que lé existem ruivas de olhos bem azuis...

          O Cabo Maciel servia no 5º BE, em Porto União. Era natural de Concórdia e moramos na República Esquadrão da Vida, em União da Vitória, em 1973. Nessa época, meu Inglês já estava com uma base razoável, pois, além de Letras na FAFI eu estudava no Yázigy, com o Professor Geraldo Feltrin.  Quando o Maciel chegou ao nosso convívio, estava muito interessado em praticar a língua dos britânicos e americanos.

          O Maciel não havia feito nenhum curso de Inglês. Tinha estudado o Técnico em Contabilidade, na CNEC de Concórdia. Mas era um autodidata. Aprendera a chave de pronúncia do dicionário do MEC, aquele verde, que pesava pelo menos uns três quilos, e se afundava nos estudos. Tinha um livro básico, fazia os exercícios, traduzia, verificava a pronúncia, seguindo as orientações que teve de seus professores. No Exército, passara no concurso para Cabo e já estava se preparando para o de Sargento. Pouco saía de casa, ficava estudando.

          Mas o Maciel, moço bem apessoado,  num daqueles anúncios de pessoas que queriam "manter correspondência" com outras, que as revistas de fotonovelas traziam, retirou o nome de uma garota e mandou uma proposta de amizade. Bem mais difícil do que hoje, em que as pessoas se jogam numa ferramenta da internet e arrumam quantos amigos queiram ter. (Não é o meu caso, que aceito as solicitações de amizade,  mas só convido para ser meu amigo pessoas que tenham um pensamento próximo do meu ou sejam meus amigos "na real").

          Mandou carta, pediu-me para ajudar na primeira e, depois, pegou o tranco e seguiu independente. Iam e vinham cartas, em Língua Inglesa. Ele me mostrava as cartas, pedia-me para ajudá-lo em algumas expressões idiomáticas que não entendesse. E me mostrou a foto da sua amiga. Não lembro o nome dela, acho até que era Emmy, mas não tenho certeza disso. Mas, sei, perfeitamente, como ela era, isso ficou muito bem marcado: cabelo ruivo, corte meio chanel, razoavelmente liso, blusinha azul piscina e, o mais importante e harmônico: um belo par de olhos azuis, dois diamantes brilhantes bem da cor de sua blusa. A inveja, lá na Rua Professora Amazília, 322, foi geral.

          Num domingo fomos ao cinema Ópera, íamos assistir ao M.A.S.H. Era um filme que versava sobre a Guerra da Coréia, lançado em 1970, do Diretor Robert Altman, que tinha no elenco, dentre outros, o então jovem Donald Sutherland. O cenário era um bagunçado Posto Médico, em meio ao campo de guerra, onde os médicos militares atendiam os soldados feridos. Havia uma menina, lembro que era amiga de um cabo do Exército Americano, Mac Bee, me parece. E ela chamava: "Corporal  Mac Bee! Corporal  Mac Bee"! E os médicos acudiam, aqueles soldados de maneira muito louca. O filme, na verdade, era uma sátira àquela guerra e à do Vietnã, numa só tacada.

          A milicada, lá da nossa república, foi toda: Os Cabos Godoy, Figueira, Maciel, Frarom, Backes... E nos levaram. Até o japa, Mineo Yokomizzo, que também nos influenciou e  levou a ver "Tora Tora" deve ter ido.

          Chegamos em casa, o Maciel foi para o dicionário, pesquisou, procurou, bateu na porta do meu quarto, meu e do Osvaldo Bet, e perguntou-me: "Riquetti, como é Cabo, em Inglês". Falei-lhe: "Bem Cabo é cable, mas, dependendo do que você quiser significar,  pode ser outra coisa. Você viu que menina do filme chamava o personagem de Corporal Mac Bee?"  -  E o Maciel: "Tô frito!!! Que vergonha!!! Cara, não é que escrevi para a ruiva  da Finlândia que eu era "Cable of the Army" e agora você diz que cabo do Exército é Corporal? Bah, será que ela entendeu? O que ela vai pensar de mim?..."   - Disse-lhe: "Calma, colega, tem uma pequena chance de ela pensar que você seja o encarregado de mandar "cabogramas" do Exército, uma prática muito comum em tempos de guerra...

          Desde 1975 não mais tive notícias dele. Como nunca aprendi o seu primeiro nome, não sei localizá-lo. Pela dedicação aos estudos e sua disciplina, certamente que fez bela carreira militar Vou ter que pedir para o Leoclides Frarom que me informe sobre ele pelo facebook. Muito mais fácil do que escrever o manuscrito, por no envelope, selar e, ainda arrumar lugar para estacionar lá perto do Correio!

Euclides Riquetti
26-04-2013

          A Finlândia é um país muito bem desenvolvido. Tem consideráveis indicadores sociais e solidez econômica. Situa-se entre a Suécia, a Rússia, a Noruega  e a Estônia. Dizem que lé existem ruivas de olhos bem azuis...

          O Cabo Maciel servia no 5º BE, em Porto União. Era natural de Concórdia e moramos na República Esquadrão da Vida, em União da Vitória, em 1973. Nessa época, meu Inglês já estava com uma base razoável, pois, além de Letras na FAFI eu estudava no Yázigy, com o Professor Geraldo Feltrin.  Quando o Maciel chegou ao nosso convívio, estava muito interessado em praticar a língua dos britânicos e americanos.

          O Maciel não havia feito nenhum curso de Inglês. Tinha estudado o Técnico em Contabilidade, na CNEC de Concórdia. Mas era um autodidata. Aprendera a chave de pronúncia do dicionário do MEC, aquele verde, que pesava pelo menos uns três quilos, e se afundava nos estudos. Tinha um livro básico, fazia os exercícios, traduzia, verificava a pronúncia, seguindo as orientações que teve de seus professores. No Exército, passara no concurso para Cabo e já estava se preparando para o de Sargento. Pouco saía de casa, ficava estudando.

          Mas o Maciel, moço bem apessoado,  num daqueles anúncios de pessoas que queriam "manter correspondência" com outras, que as revistas de fotonovelas traziam, retirou o nome de uma garota e mandou uma proposta de amizade. Bem mais difícil do que hoje, em que as pessoas se jogam numa ferramenta da internet e arrumam quantos amigos queiram ter. (Não é o meu caso, que aceito as solicitações de amizade,  mas só convido para ser meu amigo pessoas que tenham um pensamento próximo do meu ou sejam meus amigos "na real").

          Mandou carta, pediu-me para ajudar na primeira e, depois, pegou o tranco e seguiu independente. Iam e vinham cartas, em Língua Inglesa. Ele me mostrava as cartas, pedia-me para ajudá-lo em algumas expressões idiomáticas que não entendesse. E me mostrou a foto da sua amiga. Não lembro o nome dela, acho até que era Emmy, mas não tenho certeza disso. Mas, sei, perfeitamente, como ela era, isso ficou muito bem marcado: cabelo ruivo, corte meio chanel, razoavelmente liso, blusinha azul piscina e, o mais importante e harmônico: um belo par de olhos azuis, dois diamantes brilhantes bem da cor de sua blusa. A inveja, lá na Rua Professora Amazília, 322, foi geral.

          Num domingo fomos ao cinema Ópera, íamos assistir ao M.A.S.H. Era um filme que versava sobre a Guerra da Coréia, lançado em 1970, do Diretor Robert Altman, que tinha no elenco, dentre outros, o então jovem Donald Sutherland. O cenário era um bagunçado Posto Médico, em meio ao campo de guerra, onde os médicos militares atendiam os soldados feridos. Havia uma menina, lembro que era amiga de um cabo do Exército Americano, Mac Bee, me parece. E ela chamava: "Corporal  Mac Bee! Corporal  Mac Bee"! E os médicos acudiam, aqueles soldados de maneira muito louca. O filme, na verdade, era uma sátira àquela guerra e à do Vietnã, numa só tacada.

          A milicada, lá da nossa república, foi toda: Os Cabos Godoy, Figueira, Maciel, Frarom, Backes... E nos levaram. Até o japa, Mineo Yokomizzo, que também nos influenciou e  levou a ver "Tora Tora" deve ter ido.

          Chegamos em casa, o Maciel foi para o dicionário, pesquisou, procurou, bateu na porta do meu quarto, meu e do Osvaldo Bet, e perguntou-me: "Riquetti, como é Cabo, em Inglês". Falei-lhe: "Bem Cabo é cable, mas, dependendo do que você quiser significar,  pode ser outra coisa. Você viu que menina do filme chamava o personagem de Corporal Mac Bee?"  -  E o Maciel: "Tô frito!!! Que vergonha!!! Cara, não é que escrevi para a ruiva  da Finlândia que eu era "Cable of the Army" e agora você diz que cabo do Exército é Corporal? Bah, será que ela entendeu? O que ela vai pensar de mim?..."   - Disse-lhe: "Calma, colega, tem uma pequena chance de ela pensar que você seja o encarregado de mandar "cabogramas" do Exército, uma prática muito comum em tempos de guerra...

          Desde 1975 não mais tive notícias dele. Como nunca aprendi o seu primeiro nome, não sei localizá-lo. Pela dedicação aos estudos e sua disciplina, certamente que fez bela carreira militar Vou ter que pedir para o Leoclides Frarom que me informe sobre ele pelo facebook. Muito mais fácil do que escrever o manuscrito, por no envelope, selar e, ainda arrumar lugar para estacionar lá perto do Correio!

Euclides Riquetti
26-04-2013

Quando o céu prateou



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Quando a super lua o céu prateou
Na noite dos enamorados
Quando o seu coração chorou
Por causa dos sonhos frustrados
O condor voou...

Quando você foi à janela espiar
Para ver o colorido do entardecer
E uma paisagem de beleza singular
Prenunciava o enluarado anoitecer
Eu fui sonhar...

Quando a super lua monopolizou
A atenção de toda a gente
Das pessoas a quem encantou
Com seu brilho fulgurante
Uma andorinha voou...

Voou pra levar um recado:
Foi pra dizer que em algum lugar
Vive um poeta inspirado
Que escreve poemas "de amar"
Pra você!

Euclides Riquetti

domingo, 13 de abril de 2025

Todos os sonhos possíveis







Quero dividir com você todos os sonhos possíveis
A magia de viver, a beleza contemplada
Os momentos mais belos, mais intensos e incríveis
 A alegria de querer o simples a vida desejada...

Quero compartilhar com você os sonhos singelos
Ouvir com você as mais doces canções
Cheirar rosas champanhe e cravos amarelos
Deliciar-me com o prazer e viver emoções.

Dividir os sonhos com você, saciar-me nos beijos
Mergulhar em seu corpo, ah, que delícia
Abraçar você e ser abraçado, ter mil desejos...

Sermos dois em um, um em dois, sermos nós apenas
Num mundo de amor, afagos e muitas carícias
Viver a vida plena, ter noites quentes, tardes amenas...

Euclides Riquetti

Jeito de pecado

 







Foi de madrugada
Que pensei em você:
Senti algo no peito
Foi assim, do meu jeito
De gostar, de beijar, de querer.

Desejei o seu corpo
Elegante, maroto.
Beijei os seus lábios quentes
Acariciei seu cabelo envolvente
Amei você, perdidamente!

Fui atrevido, incontido bastante
Encantei-me com seu jeito elegante
E, entre pensamentos profanos
Meu coração cigano
Ficou transportado
Para o mundo desejado!

Desejei, ousei...
Pequei. Quis.
Quis ser feliz!...
E foi muito, muito bom!
Bom, mas com jeito de pecado!...

Euclides Riquetti

A ética banalizada e a estética ressaltada

 





 A ética banalizada e a estética ressaltada


       Cresci tendo uma orientação educacional e familiar pautada no respeito aos outros. Respeito aos mais velhos, sobretudo, especialmente às pessoas idosas. Quando via desrespeitarem quaisquer pessoas eu ficava indignado. Ao longo dos anos, as coisas foram mudando, os conceitos éticos evoluindo, para pior.

       A partir da década da metade da década de 1980, há 40 anos, portanto, a coisa ficou feia, progressivamente. As pessoas passaram a cuidar mais da sua estética, mas a ética, infelizmente, passou a pautar-se na depravação, ofensas, desrespeito mútuo. Em nome da democracia e da liberdade de expressão, sacramentada na Constituição de 1988, as pessoas passaram a achar-se no direito de ofenderem, tripudiarem do semelhante, como se isso fosse o normal. E, nos meios políticos, especificamente, a situação está vergonhosa. Não vejo que isso possa melhorar no futuro! Hoje a estética conta muito e a ética, coitada, está às traças.

Ação política – a direita que se organiza e se fortalece

      A direita brasileira, após a redemocratização do País, sempre foi bagunçada e infiel. Conheço bem e posso afirmar isso. Interesses, ciumeira, ambições, vaidade, infidelidade...  Não falarei em traições porque traem por interesses e não pelo simples motivo de querer enganar. Um politico até me dizia que era melhor perder do que ganhar. Se o companheiro perdesse e sucumbisse, sobrava espaço para ele...

       A eleição de Tancredo Neves, com José Sarney de Vice, na modalidade indireta, eleitos pelo Congresso Nacional, já nos mostrava isso. Houve um movimento muito grande, o “Diretas Já”, que não deu resultados imediatos, mas que se consolidou em 1989 e que produziu desastres. Itamar Franco assumiu a Presidência da República em razão do impedimento de Fernando Collor de Mello. E foi um de nossos melhores presidentes, não pela capacidade de governar, mas porque estava com uma grande força política em favor dele. As raposas aquele ofício estavam todas com ele.

       2018 – O entusiasmo e o desejo de mudança  - Em 2018 os brasileiros queriam mudanças e elegeram Jair Bolsonaro para Presidente. Este carregou um monte de deputados estaduais e federais com ele. Também alguns governadores e senadores. Depois boa parte deles já começou a se achar auto-suficiente e acabaram não se reelegendo. O próprio, pelas falas mal postas e algumas atitudes inconvenientes,  perdeu para Lula da Silva.

       A encrenca continua e não vai parar. O judiciário, leia-se STF, não ajuda a pacificar. Juízes precisam julgar e não ficar antecipando na imprensa o que pretendem fazer. Precisam lembrar que devem atuar na condição de magistrados e não de simpatizantes.  Aquele Poder tem apenas um dos ministros, Luiz Fux, que é de carreira. Os demais são advogados que chegaram pela condição política. Da forma como as coisas são, se não houver alguém com coragem para mudar a sistemática de escolha, apenas se permitindo nomear juízes de carreira, vamos continuar  a presenciar situações horríveis e com as quais a maioria da população não concorda.

       Ações de Governo nas rodovias estaduais no Vale do Rio do Peixe – O Governador Jorginho Mello inaugurou, no fim de semana, a revitalização da Rodovia que liga Capinzal a Piratuba. Uma obra muito bem feita, bem dimensionada e que era esperada por duas décadas ao menos. Os reparos e contenções no trecho de Joaçaba a Ouro passando por Lacerdópolis, também estão sendo executados com serviço de qualidade. Parabéns ao Governador e sua equipe.

       O Futuro vai sorrir para a amada Vale Samba – A Vale vai ressurgir, mais uma vez, das próprias cinzas, literalmente. O incêndio que destruiu o seu barracão, que já esteve interditado no passado, que esteve em polêmicas, que sediou a escola de samba mais tradicional de Joaçaba, não será impeditivo para que ela continue sua trajetória de sucesso. Nas veias de seus simpatizantes corre o sangue mais forte, puro, autêntico, do verdadeiro samba de carnaval. A Vale vive, é acostumada a grandes desafios e voltará a repetir seus feitos na sua história futura. A fibra daqueles que a tiraram do “nada” para torná-la Campeã do Desfile da LIESJHO em 2025, a sua liderança incontestável, tudo conspirará em seu favor. O que lhe aconteceu é apenas mais um capítulo de sua gloriosa história, mas não é irreversível.

Euclides Riquetti – Escritor – www.blogdoriquetti.blogspot.com

Uma chuva fresca

 


 

 


 




Uma chuvinha  fresca caiu na tarde quente

E colocou tudo em seu devido lugar

Só não apagou as mágoas da gente

Nem reduziu os conflitos que se sente

Nem me permitiu acalmar-me para ninar!


Foi uma chuvinha tristemente silenciosa

Que parecia estar com medo de cair

Molhou a roseira da rosa mais formosa

Animou as folhas da dália branca, cheirosa

Fez até a flor amarela do hibisco sorrir!


Ah, chuva da tardinha que veio abençoada

Que vai tornar minha noite muito mais amena

Que lavou os pecados da alma manchada

E confortou-me da tristeza ora alojada

Para devolver-me a alegria mais serena!


Euclides Riquetti

Dance comigo

 


 


 


 


Dance comigo, me abrace, me conduza
Dance a música tocada pelo nosso coração
A que vem orquestrada pelo pensamento
Que nos faz flutuar nas ondas do firmamento
E que me faz chorar em cada refrão!

Dance comigo, me abrace, me seduza
Viaje comigo, embale-se no mundo da paixão
Quero ter esse delicioso privilégio
Quero cometer esse pecado, o sortilégio
Entregar-me com o frenesi da perdição!

Jogue-se na pista dos sonhos, vem dançar
Perca-se, entregue-se a mim por inteiro
Porque estoy estonteamente  enamorado,
Porque amar é o verbo mais sagrado
Faz brilhar a luz dos sonhos, do ser amado.

Euclides Riquetti

Um calar-se que faz sofrer


 



Havia um sol a aquecer a tua  aura serena

Um sol que migrou e foi brilhar lá bem longe
Pra encantar uma tímida e frágil falena
Que além do meu vale verde se esconde.

Havia um brilho lunar a pratear teus encantos
Um luar que amenizou a aflição de tua alma
Pra acalmar os teus ais, teus choros e prantos
E fazer-te mais doce, mais terna e  mais calma.

Havia um pedido de perdão e um desculpar-se
Pois um de nós dois, certamente que errou
Um pergunta sem resposta, apenas um calar-se.

Um calar-se que faz sofrer, que nos fere e pune
Mas que não apaga um sentimento que ficou
Pois o tempo que apaga é o mesmo que une....

Euclides Riquetti