Sabe, leitor, quando você sai de casa no domingo para um almoço e ao voltar para casa pode dizer que valeu a pena?! Pois sim amigos, fomos ontem almoçar com os amigos e paraatletas da Associação Regional dos Atletas com Deficiência - a ARAD, evento que aconteceu no galpão da Associação dos Moradores do Bairro São Vicente, em Herval d ´Oeste. É um espaço físico que tem muita semelhança com o do CTG de Capinzal, localizado na Área de lazer Dr. Arnaldo Favorito. Construído em estrutura de madeira roliça, a diferença consiste em que o de Herval não possui paredes laterais. Muito espaço para estacionamento, igualmente à margem esquerda do Rio do Peixe, com um campinho de futebol suíço logo ao lado. A mesma distância do mesmo rio. Muitas árvores, deliciosa sombra, paisagem encantadora.
O Costelão da Arad estava uma delícia! Comandados pelo mestre Antônio Zulian, os churrasqueiros fazem do assadouro uma casa de artes em que preparar o costelão e a carne de leitão passa por todos os rituais, desde os cortes, passando pelo assar e chegando até o buffet, trazendo aquele aroma que atrai todos os passantes da redondeza. O outro Zulian, Luiz Carlos, e o Jardelino Danielli, que lideram a comunidade, fazem sua parte com maestria, cuidando da organização geral. Uma equipe de senhoras, na retaguarda, garante que tudo saia de maneira perfeita, Parabéns!
Ao chegarmos ao local, fomos recepcionados pelas amigas Eva Maria da Fonseca e a Meri Nunz, e logo pudemos abraçar nossa parceira de nossas novas jornadas por aqui, a educadora Josefina Boscia.
Com muita simpatia e a capacidade de atenção que lhes é peculiar, receberam-nos o treinador Fernando Orso e a paraatleta e Presidente da ARAD, nossa medalhista Aline Rocha, e a Maristela Orso, mãe do Fernando, sempre presente, o que faz já há oito anos. Também abraçamos a Aline Valmórbida e sua mãe e protetora Dona Irani Noel. Revimos o Daluan, o Valdir, a Regina, a Nádia e o marido, e outros. E, na sequência, fomos revendo todos os nossos queridos paraatletas, cada uma lá fazendo sua parte, todos receptivos, dóceis e simpáticos.
A forma como a ARAD vem crescendo e a força de seus componentes é surprendente. Começaram do nada, com a Maristela transportando paraatletas em seu próprio carro, mas hoje estão-se estruturando melhor do que muitas entidades que apenas sugam dinheiro do Poder Público. A comunidade os apoia porque sabe da seriedade com que os líderes estão conduzindo a educação e os treinamentos dos integrantes.
No aspecto técnico, a entidade vem preparando seus atletas para os PARAJASC 2013, que acontecerão na pista olímpica do Clube Comercial, aqui em Joaçaba, de 22 a 27 de outubro, e vai particiar nas modalidades de atletismo para pessoas com deficiência física, masculino e feminino, bocha paraolímpica e atletismo para deficiente visual masculino. O projeto "Pequenos Guerreiros" vem atendendo 9 crianças com deficiência física e 3 com deficiência visual de nossa região. Os deficientes visuais estão, agora, sendo integrados como atletas.
Ora, como é bom poder dizer que passamos momentos agradáveis e prazerosos ali, conhecendo novas pessoas, revendo antigos amigos e fazendo novos deles. E, estar presente, sentir que eles também ficam contentes com a presença de 400 pessoas que foram lá para prestigiá-los, partilhar de sua alegria e satisfação, ouvir os causos que nos contam, é, mesmo, muito gratificante. E ver que a Associação dos Moradores do Bairro São Vicente fez uma parceria "bem camarada" com nossos paraatletas para que o evento acontecesse, possibilita-nos ver que há muitas pessoas em que o sentimento de fraternidade e o calor humano dizem muito mais do que o dinheiro.
Um grande abraço a todos os paraatletas da ARAD!
Euclides Riquetti
07-10-2013
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
domingo, 6 de outubro de 2013
Faltou luz. Que bom!
No final da ensolarada tarde de sábado, o som da gaita do Adriano atravessava a rua, sobrepunha-se às roseiras que dão um especial e singelo colorido ao jardinzinho da frente de minha casa, varava as janelas, a porta da frente, a área de passagem lateral, e ia parar lá no quintal, onde os sabiás, pardais e canários estão dividindo os galhos de minhas fruteiras para (re)pousarem, e o gramado para ciscar.
A melodia me transporava para as estâncias gaúchas, para nossos pampas sulinos, onde as patas dos cavalos sulcam os carreiros em direção ao gado que pasta. O sol está-se escondendo atrás do morro, tornando nosso céu decorado por cores de indescritíveis matizes. Cada um de nós se ocupa com o que tem à mão: TV, telefone celular, computador, forno de microondas... De repente, tudo escurece e alguém gita: "Faltou luz!" - É a Jujuba, que ainda pouco presenciou em sua vida essa questão de "faltar luz".
Em poucos segundos, todos os recursos disponíveis acionados: fósforos, velas, lanterninha de celular, pires para grudar as velas. (Duvido que, em sua casa, você nunca tenha usado um pires ou um cinzeiro para colar uma vela nessas ocasiões...) E a volta à normalidade (ou anormalidade?) - sem luz nas lâmpadas! Hora de ir ao encontro da realidade!
A Jujuba ensaiou um pequeno choro, na verdade um resmunguinho de nada, fui logo imitando alguns animais, latindo, uivando, miando, fazendo "óinc", e ela foi adivinhando qual animal era. A Mama Ine e a Vó Mi começaram a mover as mãos, formatando e projetando sombras e bichos nas paredes, e ela, rindo, adivinhava que bicho era aquele. E falava: "Ih, sem luz não dá para ver desenho na TV! Nem dá pra tomar banho!" E, em poucos minutos, uma "brain storm" já estava instalada em nosso ambiente familiar. E a Jujuba, espreitando pelo janelão do poço de luz: "Olha lá, tem uma estrelinha lá no céu! Como é bonita!"
Pela sacada, pude ver que na parte baixa da cidade e nas bandas da Unoesc a luz retornara. Comentei: " É só aqui no alto que está faltando luz. Algum carro deve ter batido num poste. Quando isso acontece, ficamos sem luz por um tempo, mas logo ela volta!"
E a Julinha, com aquele seu jeitinho bem opinativo, me vem com essa: "Sabe, vovô, nas ruas tem muita gente comendo banana e jogando casca no chão. Se as pessoas pisam na casca, elas escorregam e caem. O pneu do carro deve ter escorregado na banana, derrubado o poste e daí ficamos sem luz!"
E agora, velho?! Bem, rimos, vivemos meia hora de encantos, de diálogo, de alegria, coisa inexplicável. E lembrei-me das vezes em que faltava luz em minha infância, quando eu, meus irmãos e meus pais ficávamos na varanda defronte de nossa casa, lá no tempo em que tudo era Capinzal, olhando para a ponte, esperando que algum carro passasse e nos trouxesse luz. Naquela época, naquela mesma ponte onde agora passam dezenas de carros por minuto, tínhamos que esperar, muitas vezes, até meia hora para que passasse um. E nós acreditávamos que os caminhões, principalmente o F-600 do Rozimbo Baretta, meu primo, nos traria de volta a luz, que muitas vezes demorava até dois dias para voltar. Mas, coincidência ou não, logo depois que o caminhão apontava lá perto do Cine Glória, no máximo quando se perdia lá na rua da cadeia, retornava a luz. Saudades disso também...
Bendita a falta de luz no anoitecer de ontem. Apenas meia hora, mas tempo suficiente para vermos que há outros modos de se viver mesmo sem termos à mão nossas comodidades e tecnologias. Como antigamente!
Euclides Riquetti
06-10-2013
A melodia me transporava para as estâncias gaúchas, para nossos pampas sulinos, onde as patas dos cavalos sulcam os carreiros em direção ao gado que pasta. O sol está-se escondendo atrás do morro, tornando nosso céu decorado por cores de indescritíveis matizes. Cada um de nós se ocupa com o que tem à mão: TV, telefone celular, computador, forno de microondas... De repente, tudo escurece e alguém gita: "Faltou luz!" - É a Jujuba, que ainda pouco presenciou em sua vida essa questão de "faltar luz".
Em poucos segundos, todos os recursos disponíveis acionados: fósforos, velas, lanterninha de celular, pires para grudar as velas. (Duvido que, em sua casa, você nunca tenha usado um pires ou um cinzeiro para colar uma vela nessas ocasiões...) E a volta à normalidade (ou anormalidade?) - sem luz nas lâmpadas! Hora de ir ao encontro da realidade!
A Jujuba ensaiou um pequeno choro, na verdade um resmunguinho de nada, fui logo imitando alguns animais, latindo, uivando, miando, fazendo "óinc", e ela foi adivinhando qual animal era. A Mama Ine e a Vó Mi começaram a mover as mãos, formatando e projetando sombras e bichos nas paredes, e ela, rindo, adivinhava que bicho era aquele. E falava: "Ih, sem luz não dá para ver desenho na TV! Nem dá pra tomar banho!" E, em poucos minutos, uma "brain storm" já estava instalada em nosso ambiente familiar. E a Jujuba, espreitando pelo janelão do poço de luz: "Olha lá, tem uma estrelinha lá no céu! Como é bonita!"
Pela sacada, pude ver que na parte baixa da cidade e nas bandas da Unoesc a luz retornara. Comentei: " É só aqui no alto que está faltando luz. Algum carro deve ter batido num poste. Quando isso acontece, ficamos sem luz por um tempo, mas logo ela volta!"
E a Julinha, com aquele seu jeitinho bem opinativo, me vem com essa: "Sabe, vovô, nas ruas tem muita gente comendo banana e jogando casca no chão. Se as pessoas pisam na casca, elas escorregam e caem. O pneu do carro deve ter escorregado na banana, derrubado o poste e daí ficamos sem luz!"
E agora, velho?! Bem, rimos, vivemos meia hora de encantos, de diálogo, de alegria, coisa inexplicável. E lembrei-me das vezes em que faltava luz em minha infância, quando eu, meus irmãos e meus pais ficávamos na varanda defronte de nossa casa, lá no tempo em que tudo era Capinzal, olhando para a ponte, esperando que algum carro passasse e nos trouxesse luz. Naquela época, naquela mesma ponte onde agora passam dezenas de carros por minuto, tínhamos que esperar, muitas vezes, até meia hora para que passasse um. E nós acreditávamos que os caminhões, principalmente o F-600 do Rozimbo Baretta, meu primo, nos traria de volta a luz, que muitas vezes demorava até dois dias para voltar. Mas, coincidência ou não, logo depois que o caminhão apontava lá perto do Cine Glória, no máximo quando se perdia lá na rua da cadeia, retornava a luz. Saudades disso também...
Bendita a falta de luz no anoitecer de ontem. Apenas meia hora, mas tempo suficiente para vermos que há outros modos de se viver mesmo sem termos à mão nossas comodidades e tecnologias. Como antigamente!
Euclides Riquetti
06-10-2013
sábado, 5 de outubro de 2013
Meu primeiro texto - meu 500º texto!
Eu estava no último ano do antigo Ginásio, em Capinzal, ano de 1968. Ginásio Normal Juçá Barbosa Callado, formava professores para ensinar no Ensino Primário. Meus professores, em sua maioria, eram profissionais liberais. Outros haviam cursado o Segundo Ciclo Secundário, era assim que chamavam o antigo "Normal", hoje Magistério em nível de Ensino Médio.
Uma jovem professora fora contratada para nos ensinar Português. Não havia professores licenciados na cadeira naquela época na cidade. A professora era mais jovem do que a maioria dos alunos, uma vez que boa parte deles havia retomado os estudos com a introdução de uma Ginásio Noturno. Antes disso, apenas o Padre Anchieta e o Mater Dolorum ofereciam o ensino secundário em seus primeiro e segundo ciclos, ambos no período matutino. O início do ensino à noite abriu possibilidades para aqueles que precisavam trabalhar durante o dia. Eu fui um deles.
Acostumado a morder as pontas das canetas esferográficas, (que anos depois o professor Geraldo Feltrin ensinou-me que era uma "ball-point-pen", ou seja, uma caneta com ponta de bola, daí esferográfica), eu ficava com os lábios e a língua sujos de tinta azul. E os dedos da mão direita também. As canetas-tinteiro, então, faziam estragos em mim, inclusive nas roupas. Mas houve um dia daquele mês de março de 1968 em que algo mudou, definitivamente, em minha maneira de ser, e isso resultou no perfil que conservo até hoje: um apaixonado por ler e por escrever!
Minha mente remeteu-me, hoje, ao tempo de minha adolescência, fazendo-me voltar 45 anos atrás, às carteiras de Ginásio, ali onde hoje está nossa majestosa Escola de Educação Básica Belisário Pena. Aos professores João Bronze Filho, Paulo Bragatto Filho, Deoni Maestri, Adelino Frigo, Waldemar Baréa, Iria Flâmia, Holga Brancher, e à jovem e dinâmica Vera Lúcia Bazzo, estreante em ensinar-nos nosso Português.
Falou-nos a Vera da importância de as pessoas escreverem, dizerem o que sentiam, colocar no papel a opinião sobre as coisas e os fatos, escrever histórias. E nos deu um tema para que fizéssemos uma redação, não importando a modalidade, podia ser narração, descrição, dissertação, poesia, desde que dentro do tema indicado.
Peguei uma dupla folha de papel almaço, mentalizei uma história, narrei, descrevi ambientes e personagens, dei um cunho relativamente moral, fiz o bem sobrepor-se ao mal e lasquei-lhe um final feliz! Eu lera muitos livros, fotonovelas, gibis, revistinhas do Walt Disney, gostava de ler. Então encorpei uma espécie de conto utilizando as quatro páginas. Caprichei na letra, coloquei travessões nas interlocuções, respeitei o distanciamento na margem esquerda da página para indicar cada parágrafo, respeitei o traço de uma margem imaginária de uns dois centímetros à direita e três à esquerda, distribuí bem a matéria na página. Ficou bonitinho. Eu nunca entregara uma redação ou trabalho razoavelmente organizado em toda minha vida escolar. Mas, naquele dia, consegui!
Na aula seguinte, a professora foi devolvendo as redações aos alunos, tecendo comentários elogiosos a uns, fazendo observações pertinentes e pontuais a outros, tudo de maneira muito sutil, educada, jeitosa. E, por último, a minha redação. Eu já estava ficando assustado. Era acostumado a ver colegas zoando de mim, não ganhar elogios. ( E nem os merecia...)
"De onde você tirou isso, Euclides?" - "Ih, lá vem bomba de novo, pensei!" - Os colegas olhavam-me e eu estava apreensivo. A professora Vera começou a fazer as observações sobre a organização do meu texto, sobre a verossimilhança que nele havia, pois a história, embora inventada, parecia verdadeira, cativante, atrativa. Ortografia perfeita, pontuação ideal, uma ótima composição, uma nota que eu jamais ganhara na área. Mas, mais do que a nota, foi-me prazeroso ouvir, pela primeira vez, um elogio por algo que eu mesmo criei, que era meu, só meu, defitivivamente meu! E nunca mais parei. Este é meu 500º texto que estou publicando no meu blog. Escrevo porque gosto!
Obrigado, professora Vera!
Euclides Riquetti
05-10-2013
Uma jovem professora fora contratada para nos ensinar Português. Não havia professores licenciados na cadeira naquela época na cidade. A professora era mais jovem do que a maioria dos alunos, uma vez que boa parte deles havia retomado os estudos com a introdução de uma Ginásio Noturno. Antes disso, apenas o Padre Anchieta e o Mater Dolorum ofereciam o ensino secundário em seus primeiro e segundo ciclos, ambos no período matutino. O início do ensino à noite abriu possibilidades para aqueles que precisavam trabalhar durante o dia. Eu fui um deles.
Acostumado a morder as pontas das canetas esferográficas, (que anos depois o professor Geraldo Feltrin ensinou-me que era uma "ball-point-pen", ou seja, uma caneta com ponta de bola, daí esferográfica), eu ficava com os lábios e a língua sujos de tinta azul. E os dedos da mão direita também. As canetas-tinteiro, então, faziam estragos em mim, inclusive nas roupas. Mas houve um dia daquele mês de março de 1968 em que algo mudou, definitivamente, em minha maneira de ser, e isso resultou no perfil que conservo até hoje: um apaixonado por ler e por escrever!
Minha mente remeteu-me, hoje, ao tempo de minha adolescência, fazendo-me voltar 45 anos atrás, às carteiras de Ginásio, ali onde hoje está nossa majestosa Escola de Educação Básica Belisário Pena. Aos professores João Bronze Filho, Paulo Bragatto Filho, Deoni Maestri, Adelino Frigo, Waldemar Baréa, Iria Flâmia, Holga Brancher, e à jovem e dinâmica Vera Lúcia Bazzo, estreante em ensinar-nos nosso Português.
Falou-nos a Vera da importância de as pessoas escreverem, dizerem o que sentiam, colocar no papel a opinião sobre as coisas e os fatos, escrever histórias. E nos deu um tema para que fizéssemos uma redação, não importando a modalidade, podia ser narração, descrição, dissertação, poesia, desde que dentro do tema indicado.
Peguei uma dupla folha de papel almaço, mentalizei uma história, narrei, descrevi ambientes e personagens, dei um cunho relativamente moral, fiz o bem sobrepor-se ao mal e lasquei-lhe um final feliz! Eu lera muitos livros, fotonovelas, gibis, revistinhas do Walt Disney, gostava de ler. Então encorpei uma espécie de conto utilizando as quatro páginas. Caprichei na letra, coloquei travessões nas interlocuções, respeitei o distanciamento na margem esquerda da página para indicar cada parágrafo, respeitei o traço de uma margem imaginária de uns dois centímetros à direita e três à esquerda, distribuí bem a matéria na página. Ficou bonitinho. Eu nunca entregara uma redação ou trabalho razoavelmente organizado em toda minha vida escolar. Mas, naquele dia, consegui!
Na aula seguinte, a professora foi devolvendo as redações aos alunos, tecendo comentários elogiosos a uns, fazendo observações pertinentes e pontuais a outros, tudo de maneira muito sutil, educada, jeitosa. E, por último, a minha redação. Eu já estava ficando assustado. Era acostumado a ver colegas zoando de mim, não ganhar elogios. ( E nem os merecia...)
"De onde você tirou isso, Euclides?" - "Ih, lá vem bomba de novo, pensei!" - Os colegas olhavam-me e eu estava apreensivo. A professora Vera começou a fazer as observações sobre a organização do meu texto, sobre a verossimilhança que nele havia, pois a história, embora inventada, parecia verdadeira, cativante, atrativa. Ortografia perfeita, pontuação ideal, uma ótima composição, uma nota que eu jamais ganhara na área. Mas, mais do que a nota, foi-me prazeroso ouvir, pela primeira vez, um elogio por algo que eu mesmo criei, que era meu, só meu, defitivivamente meu! E nunca mais parei. Este é meu 500º texto que estou publicando no meu blog. Escrevo porque gosto!
Obrigado, professora Vera!
Euclides Riquetti
05-10-2013
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
João Libório - o vendedor de bananas
Pessoas podem ocupar generosos espaços em nosso imaginário. E, mesmo que esse espaço seja compactado e armazenado lá no fundo da nossa consciência, é possível que, de um momento para outro, ele nos volte à memória, como se as personagens, os ambientes, os fatos, esteivessem, de novo, desfilando em nossa frente. E, para determinados seres, não importa se a fortuna os contemplou, se seus nomes ocuparam os noticiários ou as páginas dos jornais ou livros de história. Importa, mesmo, é que essas personagens nos tenham deixado boas lembranças e que, quando elas nos voltam, a realidade parece refazer-se e nos trazer a alegria de uma saudosa e maravilhosa lembrança.
É possível viver dignamente, estar bem, ficar bem, continuar bem, ter o carinho dos familiares, amigos e vizinhos, quando se tem a bondade na alma, a simpatia se estampando no semblante, a elegância nos gestos. É possível, sim, marcar a presença na cidade, mesmo sendo um quase que anônimo cidadão, ter a admiração das pessoas, construir uma biografia simples mas recheada de méritos. E o mérito principal ser o de ter vivido e deixado os outros viverem.
Na minha infância, em muitas de minhas tardes e manhãs, eu presenciava a passagem de um cidadão de altura mediana, magro, rosto fino, pele morena (como diria o Dr. Vítor Almeida, cor de cuia!) que, alçando alternadamente nos braços uma cesta de vime, oferecia no comércio, nas casas, ou mesmo para os que andavam despretenciosamente nas ruas, pequenas pencas de bananas, João Libório. Belas e saudosas lembranças de sua fala calma e macia, de seus gestos delicados, da singeleza de seus modos.
(Não, não é preciso ser "poderoso" para cativar ou influenciar os outros. É preciso ter, em si, algo que nos caracterize, que nos dê uma marca, que nos identifique, que faça com que os outros nos percebam...)
Pois o Seu João Libório, com seu nome inteiro, assim, não apenas João, nem apenas Libório, vendia-nos bananas, em pencas com oito, nove, dez, onze bananas, dependendo do tamanho de cada uma delas. Mas pencas que dificilmente tinham seu peso distanciado de 1 Kg. Ora, tinha ele tanto conhecimento de seu afazer, que apenas pelo olhar ou por segurar nas mãos uma das pencas, sabia dizer exatamente o seu peso, nem prcisava usar de uma balança para verificar isso. Ninguém duvidava dele. E vendia uma cestinha de bananas pela manhã e outra à tarde. Apanhava-as em dois pontos de abastecimento: o Depósito de Bananas do Augusto Hoch ou a Bodega do tio Adelino Casara, em Capinzal. Saía à rua e já tinha os fregueses certos. E, ainda, havia os colonos que estavam a visitar a cidade nas bandas do Ouro ou do Capinzal, e que compravam uma, até duas pencas, para levar para casa. Não era uma fruta rara, mas na época tudo era difícil, não havia os supermercados, os sacolões, como há hoje, onde pudesse ser comprada.
E, nesta manhã, ao acordar bem cedo, não sei se para sugerir-me o escrever de uma crônica, não sei realmente por qual motivo, mas algo me trouxe à tona a imagem do João Libório. De origem simples e humilde, um homem honesto, um pai zeloso, um cidadão exemplar, nunca teve telefone, provavelmente não teve aparelho de tevê em casa, jamais imaginou que pudesse ter um carro... Mas nunca perdeu sua credibilide, jamais deixamos de confiar na decência e seriedade com que nossa personagem levava a vida e nos deixava bons exemplos, dentre eles o de como tratar bem as pessoas com quem convivemos ou com que nos relacionamos!
Minha homenagem ao João Libório, de cujos descendentes não tenho nenhuma notícia, mas que devem estar por aí vivendo honrosamente como ele viveu.
Euclides Riquetti
04-10-2013
É possível viver dignamente, estar bem, ficar bem, continuar bem, ter o carinho dos familiares, amigos e vizinhos, quando se tem a bondade na alma, a simpatia se estampando no semblante, a elegância nos gestos. É possível, sim, marcar a presença na cidade, mesmo sendo um quase que anônimo cidadão, ter a admiração das pessoas, construir uma biografia simples mas recheada de méritos. E o mérito principal ser o de ter vivido e deixado os outros viverem.
Na minha infância, em muitas de minhas tardes e manhãs, eu presenciava a passagem de um cidadão de altura mediana, magro, rosto fino, pele morena (como diria o Dr. Vítor Almeida, cor de cuia!) que, alçando alternadamente nos braços uma cesta de vime, oferecia no comércio, nas casas, ou mesmo para os que andavam despretenciosamente nas ruas, pequenas pencas de bananas, João Libório. Belas e saudosas lembranças de sua fala calma e macia, de seus gestos delicados, da singeleza de seus modos.
(Não, não é preciso ser "poderoso" para cativar ou influenciar os outros. É preciso ter, em si, algo que nos caracterize, que nos dê uma marca, que nos identifique, que faça com que os outros nos percebam...)
Pois o Seu João Libório, com seu nome inteiro, assim, não apenas João, nem apenas Libório, vendia-nos bananas, em pencas com oito, nove, dez, onze bananas, dependendo do tamanho de cada uma delas. Mas pencas que dificilmente tinham seu peso distanciado de 1 Kg. Ora, tinha ele tanto conhecimento de seu afazer, que apenas pelo olhar ou por segurar nas mãos uma das pencas, sabia dizer exatamente o seu peso, nem prcisava usar de uma balança para verificar isso. Ninguém duvidava dele. E vendia uma cestinha de bananas pela manhã e outra à tarde. Apanhava-as em dois pontos de abastecimento: o Depósito de Bananas do Augusto Hoch ou a Bodega do tio Adelino Casara, em Capinzal. Saía à rua e já tinha os fregueses certos. E, ainda, havia os colonos que estavam a visitar a cidade nas bandas do Ouro ou do Capinzal, e que compravam uma, até duas pencas, para levar para casa. Não era uma fruta rara, mas na época tudo era difícil, não havia os supermercados, os sacolões, como há hoje, onde pudesse ser comprada.
E, nesta manhã, ao acordar bem cedo, não sei se para sugerir-me o escrever de uma crônica, não sei realmente por qual motivo, mas algo me trouxe à tona a imagem do João Libório. De origem simples e humilde, um homem honesto, um pai zeloso, um cidadão exemplar, nunca teve telefone, provavelmente não teve aparelho de tevê em casa, jamais imaginou que pudesse ter um carro... Mas nunca perdeu sua credibilide, jamais deixamos de confiar na decência e seriedade com que nossa personagem levava a vida e nos deixava bons exemplos, dentre eles o de como tratar bem as pessoas com quem convivemos ou com que nos relacionamos!
Minha homenagem ao João Libório, de cujos descendentes não tenho nenhuma notícia, mas que devem estar por aí vivendo honrosamente como ele viveu.
Euclides Riquetti
04-10-2013
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Um eterno poema!
O mundo é uma grande tenda
Que nos cobre com um manto sagrado
É é bem mais do que uma antiga lenda
Mais que um planeta bem desenhado.
O mundo não é uma convenção de gentes
Nem uma cadeia de montanhas
Em que há lugar para crentes e descrentes
Há muitos caminhos em suas entranhas.
E onde quer que nele estejamos
Sempre estaremos em sintonia
Pode estar perto quem nós procuramos
Junto de nós ao curso do dia.
Nossas histórias, cidades e costumes
Tudo envolto num grande sistema
Há os dias de sol, e há noites de negrume
Mas será sempre um eterno poema!
Euclides Riquetti
03-10-2013
Que nos cobre com um manto sagrado
É é bem mais do que uma antiga lenda
Mais que um planeta bem desenhado.
O mundo não é uma convenção de gentes
Nem uma cadeia de montanhas
Em que há lugar para crentes e descrentes
Há muitos caminhos em suas entranhas.
E onde quer que nele estejamos
Sempre estaremos em sintonia
Pode estar perto quem nós procuramos
Junto de nós ao curso do dia.
Nossas histórias, cidades e costumes
Tudo envolto num grande sistema
Há os dias de sol, e há noites de negrume
Mas será sempre um eterno poema!
Euclides Riquetti
03-10-2013
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Andando pela cidade - uma reflexão
Enquanto lavavam meu carro num posto de serviços aqui da Vila Pedrini, em Joaçaba, aproveitei para fazer uma caminhada pelas ruas adjacentes. Andei por mais de uma hora e pude curtir a alegria de um fim de tarde com a temperatura amena, até um sol delicioso nos acariciou a pele neste dia. Passei, em dado momento, defronte uma escola, Passos Maia, que foi desativada e que até foi invadida, recentemente, por um casal que não tinha onde morar. Isso me remeteu a observar melhor todo o ambiente.
No pátio abandonado, uma quadra de esportes e um campinho com gramado, o mato crescendo. Lembrei-me de quando morava em União da Vitória e, numa tarde de domingo, fui com umas crianças jogar uma bolinha no PREMEN e, tão logo adentramos à quadra, vieram lá e nos expulsaram: um bem público, ocioso, e lá, intocável... Que decepção!
Adiante, o Ginásio de Esportes Ivo Silveira, o Silveirão, palco de tantas emoções dos desportistas joaçabenses: vai ser demolido, dizem que está fora dos padrões para a prática do esporte, que é mais barato demolir e fazer um novo do que recuperar. Lembrei-me que, em Lages, vão recuperar um Silveirão com a mesma idade ao custo de R$ 200.000,00. Do mesmo tamanho. Lá o padrão serve, aqui...
Caminhei pelo gramado do Estádio Oscar Rodrigues da Nova, que pretendem desativar também. Olhei para aquelas arquibancadas de alvenaria, para as cabines de rádio, para a cobertura das arquibancadas, pisei o gramado que foi tapete para os pés do Glorioso "Doutor Sócrates" num amistoso do Joaçaba com o Santos, uma vez, e onde joguei bola contra ex-craques do JAC como Juarez, Bahiano, Valmir, Edinho e outros, e fiquei pensando: "Querem demolir. Quanto custou para que isso fosse construído?"
Gente que diz pensar no futuro e que, VERGONHOSAMENTE, fala que quem gosta de história e coisa velha é museu, está fora da realidade histórica e contextual. Pode conquistar todas as medalhas que puder, pode tirar fotografia de sua equipe e por no jornal, na internet, onde quiser, mas para mim tem um conceito, uma definição, como dizem os dois Vilson Duarte lá do Ouro: "É um pranada", ou seja, um sujeito que não serve "para nada"! Egocentismo puro, lamentavelmente.
Adiante, vejo mais um campo de futebol tomado pelo mato. Encontro um amigo, o conterrâneo Dirceu Bazzo, advogado, pergunto se é área pública ou privada, diz-me que é particular... Fico pensando: Não jogam mais bola? Será que o esporte popular, comum, jogado nos campinhos, não tem mais lugar? Será que foi substituído pelos de computador, pela internet, pelo celular? Então, tanto áreas públicas como particulares ali passivas, adubando o mato!
Ah, acho que estou mesmo "por fora" da nova realidade das coisas, devo ser muito careta. Estou inserido no meio digital, tenho facebook, blog, e-mail, escrevo minha coluna "Do Alto da Cidade", aqui no Jornal Cidadela, em Joaçaba, leio jornais impressos e revistas, escrevo poemas, crônicas, tenho sentimentos e emoções e, por ser saudosista, então, minhas ideias e pensamentos deveriam ir "para um museu?"
Como é triste ver que muitas pessoas, que ainda não conseguiram por sobre si o verniz da maturudade, possam achar que elas estão certas e que os outros estão errados! Bem, pelo menos a caminhada valeu para mim, pois também reencontrei o Tito Sartori,( irmão do Hermes de saudosa memória, dos "doutores em motores", ) marido da antiga vizinha Angelina Masson, caminhando nas margens do Rio Tigre, apenas para manter a forma e curtir a vida saudável. Feliz, diz-me que parou, definitivamente, de trabalhar. Sua oficina, agora, está adaptada para as festas da família e dos amigos, ali perto do Estádio.
Minhas caminhadas, por todos os lugares, me permitem ver pessoas, sentir mais de perto o que elas pensam, reencontrar conterrâneos e fazer novos amigos. Até me permitem reformular conceitos. Mas, há alguns, bem arraigados, de que não abro mão: a história e os costumes fazem parte da condição humana e não podem, jamais, serem relegados a segundo plano.
Euclides Riquetti
02-10-2013
No pátio abandonado, uma quadra de esportes e um campinho com gramado, o mato crescendo. Lembrei-me de quando morava em União da Vitória e, numa tarde de domingo, fui com umas crianças jogar uma bolinha no PREMEN e, tão logo adentramos à quadra, vieram lá e nos expulsaram: um bem público, ocioso, e lá, intocável... Que decepção!
Adiante, o Ginásio de Esportes Ivo Silveira, o Silveirão, palco de tantas emoções dos desportistas joaçabenses: vai ser demolido, dizem que está fora dos padrões para a prática do esporte, que é mais barato demolir e fazer um novo do que recuperar. Lembrei-me que, em Lages, vão recuperar um Silveirão com a mesma idade ao custo de R$ 200.000,00. Do mesmo tamanho. Lá o padrão serve, aqui...
Caminhei pelo gramado do Estádio Oscar Rodrigues da Nova, que pretendem desativar também. Olhei para aquelas arquibancadas de alvenaria, para as cabines de rádio, para a cobertura das arquibancadas, pisei o gramado que foi tapete para os pés do Glorioso "Doutor Sócrates" num amistoso do Joaçaba com o Santos, uma vez, e onde joguei bola contra ex-craques do JAC como Juarez, Bahiano, Valmir, Edinho e outros, e fiquei pensando: "Querem demolir. Quanto custou para que isso fosse construído?"
Gente que diz pensar no futuro e que, VERGONHOSAMENTE, fala que quem gosta de história e coisa velha é museu, está fora da realidade histórica e contextual. Pode conquistar todas as medalhas que puder, pode tirar fotografia de sua equipe e por no jornal, na internet, onde quiser, mas para mim tem um conceito, uma definição, como dizem os dois Vilson Duarte lá do Ouro: "É um pranada", ou seja, um sujeito que não serve "para nada"! Egocentismo puro, lamentavelmente.
Adiante, vejo mais um campo de futebol tomado pelo mato. Encontro um amigo, o conterrâneo Dirceu Bazzo, advogado, pergunto se é área pública ou privada, diz-me que é particular... Fico pensando: Não jogam mais bola? Será que o esporte popular, comum, jogado nos campinhos, não tem mais lugar? Será que foi substituído pelos de computador, pela internet, pelo celular? Então, tanto áreas públicas como particulares ali passivas, adubando o mato!
Ah, acho que estou mesmo "por fora" da nova realidade das coisas, devo ser muito careta. Estou inserido no meio digital, tenho facebook, blog, e-mail, escrevo minha coluna "Do Alto da Cidade", aqui no Jornal Cidadela, em Joaçaba, leio jornais impressos e revistas, escrevo poemas, crônicas, tenho sentimentos e emoções e, por ser saudosista, então, minhas ideias e pensamentos deveriam ir "para um museu?"
Como é triste ver que muitas pessoas, que ainda não conseguiram por sobre si o verniz da maturudade, possam achar que elas estão certas e que os outros estão errados! Bem, pelo menos a caminhada valeu para mim, pois também reencontrei o Tito Sartori,( irmão do Hermes de saudosa memória, dos "doutores em motores", ) marido da antiga vizinha Angelina Masson, caminhando nas margens do Rio Tigre, apenas para manter a forma e curtir a vida saudável. Feliz, diz-me que parou, definitivamente, de trabalhar. Sua oficina, agora, está adaptada para as festas da família e dos amigos, ali perto do Estádio.
Minhas caminhadas, por todos os lugares, me permitem ver pessoas, sentir mais de perto o que elas pensam, reencontrar conterrâneos e fazer novos amigos. Até me permitem reformular conceitos. Mas, há alguns, bem arraigados, de que não abro mão: a história e os costumes fazem parte da condição humana e não podem, jamais, serem relegados a segundo plano.
Euclides Riquetti
02-10-2013
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Menino matreiro
Corre pra lá
Vira pra cá
Pula que pula
Volta a pular
Criança marota
Criança feliz
Adora nas plantas
Fazer seu xixi.
Sobe que sobe
Desce que desce
A noite vem logo
O céu escurece
Sorri como o sol
Sorriso matreiro
Mordendo o lençol
E o seu travesseiro.
Canta que canta
Cantigas de roda
Se finge de santa
Criança dengosa
Me conte piada
Me conte menino
Você vai traçando
Seu jeito ladino.
Dorme que dorme
Bonito menino
Come que come
Vagar, vagarinho
Você é o anjo
Que me faz feliz
Você é o sonho
Que eu construí!
(Composta quando o Fabrício
tinha 8 anos)
Euclides Riquetti
09-03-1995
Vira pra cá
Pula que pula
Volta a pular
Criança marota
Criança feliz
Adora nas plantas
Fazer seu xixi.
Sobe que sobe
Desce que desce
A noite vem logo
O céu escurece
Sorri como o sol
Sorriso matreiro
Mordendo o lençol
E o seu travesseiro.
Canta que canta
Cantigas de roda
Se finge de santa
Criança dengosa
Me conte piada
Me conte menino
Você vai traçando
Seu jeito ladino.
Dorme que dorme
Bonito menino
Come que come
Vagar, vagarinho
Você é o anjo
Que me faz feliz
Você é o sonho
Que eu construí!
(Composta quando o Fabrício
tinha 8 anos)
Euclides Riquetti
09-03-1995
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Escrever: viver, sentir, sonhar...
Pouco me importo com coisas banais
Porque a vida não me permite perda de tempo
Gosto de expressar meus sentimentos
Escrever poemas e lançá-los ao vento
Mostrá-los a todos, dizer dos meus ais!
Gosto de escrever crônicas, brincar com a escrita
Jogar palavras no papel, articular meus textos
(Rejeito alguns temas pois não tenho cabrestos
Recuso se quiser, tenho lá meus pretextos)
Escrevo pra gente que, ao ler, se sente bonita.
Sim, escrevendo eu me deleito e posso deleitar!
Compor é uma arte que me dá satisfação
Escrevo com alegria e desmedida paixão
Enquanto dou asas a minha imaginação
Ajudo a viver, a sentir, e sonhar, sonhar!...
Euclides Riquetti
30-09-2013
Porque a vida não me permite perda de tempo
Gosto de expressar meus sentimentos
Escrever poemas e lançá-los ao vento
Mostrá-los a todos, dizer dos meus ais!
Gosto de escrever crônicas, brincar com a escrita
Jogar palavras no papel, articular meus textos
(Rejeito alguns temas pois não tenho cabrestos
Recuso se quiser, tenho lá meus pretextos)
Escrevo pra gente que, ao ler, se sente bonita.
Sim, escrevendo eu me deleito e posso deleitar!
Compor é uma arte que me dá satisfação
Escrevo com alegria e desmedida paixão
Enquanto dou asas a minha imaginação
Ajudo a viver, a sentir, e sonhar, sonhar!...
Euclides Riquetti
30-09-2013
domingo, 29 de setembro de 2013
Eu queria que o sol brilhasse
Eu queria que o sol brilhasse (todos os dias)
Principalmente nas manhãs e tardes de inverno
E que no verão, inclemente e severo
Fosse mais ameno, nos desse alegria
E também o ânimo por que eu tanto espero.
Eu queria que o sol nos cobrisse com seus raios dourados
Para que pudéssemos andar pelas ruas distribuindo sorrisos
E que todos ficassem contentes por serem escolhidos
A andar pelas calçadas com os braços enlaçados
Nos caminhos traçados neste meu paraíso.
Mas tem sido turbulenta nossa primavera
Turbulenta nas intempéries e nas almas fragilizadas
Tem sido a expectativa simplesmente frustrada
E não a dos dias que há muito se espera
De ver a estação das flores definitivamente chegada.
Ah, eu queria, sim, que o sol brilhasse
E que por aqui ficasse para nos acalentar.
Trazendo de Deus sua energia estelar.
Que viesse, nos aquecesse e nos animasse
Viesse radiante, brilhante, para nos confortar...
Euclides Riquetti
29-09-2013
Principalmente nas manhãs e tardes de inverno
E que no verão, inclemente e severo
Fosse mais ameno, nos desse alegria
E também o ânimo por que eu tanto espero.
Eu queria que o sol nos cobrisse com seus raios dourados
Para que pudéssemos andar pelas ruas distribuindo sorrisos
E que todos ficassem contentes por serem escolhidos
A andar pelas calçadas com os braços enlaçados
Nos caminhos traçados neste meu paraíso.
Mas tem sido turbulenta nossa primavera
Turbulenta nas intempéries e nas almas fragilizadas
Tem sido a expectativa simplesmente frustrada
E não a dos dias que há muito se espera
De ver a estação das flores definitivamente chegada.
Ah, eu queria, sim, que o sol brilhasse
E que por aqui ficasse para nos acalentar.
Trazendo de Deus sua energia estelar.
Que viesse, nos aquecesse e nos animasse
Viesse radiante, brilhante, para nos confortar...
Euclides Riquetti
29-09-2013
sábado, 28 de setembro de 2013
Aprendendo a fazer queijos com a Jujuba
Numa dessas manhãs que voltamos a contemplar o sol, saí para levar minha neta Júlia, nossa Jujuba, até a Escola Girassol, aqui em Joaçaba, que funciona nas instalações do antigo Colégio Cristo Rei. Ela já pegou a mania de querer ficar aqui em casa para que depois a levemos para a sua aula em período integral.
Pois que, na quinta-feira, coube-me levá-la. Já conheço todos os procedimentos, até a senha do portão da escola, e nos entendemos como dois adultos. Eu sempre querendo ensinar-lhe algumas coisas para que aprenda a viver a vida como ela é. Então, cada vez que tenho que fazer algo, convido-a a ajudar, pois assim também aprende. Como vão asfaltar umas ruas aqui do Bairro e ela já viu como fazem a base com bueiros e brita graduada, estamos esperando que nos próximos dias coloquem a camada de CAUQ (Concreto Asfáltico Usinado a Quente) e depois a compactação e a sinalização. Ela está na expectativa de aprender como se faz isso...
Mas, naquela manhã, surpreendeu-me por demais. Quando passamos por um outdoor da Bortoluzzi, ela apontou e disse: "É a placa da loja que o Tio Fá trabalha, lá com a Tia Tânia!" Falei-lhe que ele não trabalha mais lá, fez alguns serviços para mim por uns dias, mas apareceu uma oportunidade de trabalho e foi atuar numa empresa que vende leite, queijo, iogurte... E perguntei-lhe se ela sabia que o queijo era feito com leite.
Pois ela, com aquele seu jeitinho delicado, foi-me dizendo: " Sei, sim! Vovô, sabia que lá no sítio da Vovó Marlene ela faz queijo com leite das vacas? Eu sei fazer queijo!
Como nada mais me surpreende, fiquei imaginando como poderia ela saber fazer queijo! Então, mais alguns segundos e ela: "Vovô, tá ficando maluquinho? Era ali a rua que a gente vai pra escola!" (Ih, distraído como de costume, passei do ponto, mas virei na esquina seguinte e mostrei que há mais de um caminho possível para chegar até sua "Girassol"). E perguntei-lhe: "Então, como é que a gente faz queijo? Você me ensina?"
E a Jujuba: "É bem fácil. A gente tira o leite das vacas e põe uma panela grande bem cheia em cima do fogão. Depois, quando o leite esquenta e coalha, a gente põe pra escorrer o soro. Daí pega aquele queijo bem mole e aperta num pano pra sair o resto do soro. E depois coloca numa forma que nem um ralador. Pra que o queijo fique bom tem que deixar na tábua, porque queijo muito mole não é muito bom de comer."
Fiquei contente em ver que, com três anos e meio, ela guarda todas as experiências que vive. Até lembrei-me de um quadro que havia lá na Escola Major Cipriano Rodrigues Almeida, em Zortea, no ano de 1977, quando iniciamos nossa atividade definitiva como professor, onde, na sala da Diretora Vitória Brancher Formighieri, estava escrito: "Los niños aprenden lo que viven!"
Nos anos 80, veio um ciclone e derrubou a escola, destruiu o prédio, os materias, os livros da biblioteca, o mobiliário, tudo. Mas não destruiu nossas lembranças, que estão aqui, firmes em meu imaginário. E, realmente, as crianças aprendem o que vivem. Desde então, sempre procurei aprender e ensinar vivenciando. Foi escrevendo poesias ao mesmo tempo que os meus alunos lá da Escola Sílvio Santos escreviam em nossas aulas que criei o hábito de compor e conservo até hoje. Realmente, como a Jujuba, os adultos também aprendem aquilo que vivenciam. E eu, agora, aprendo muito com nossa Jujubinha!
Abraços!
Euclides Riquetti
28-09-2013
Pois que, na quinta-feira, coube-me levá-la. Já conheço todos os procedimentos, até a senha do portão da escola, e nos entendemos como dois adultos. Eu sempre querendo ensinar-lhe algumas coisas para que aprenda a viver a vida como ela é. Então, cada vez que tenho que fazer algo, convido-a a ajudar, pois assim também aprende. Como vão asfaltar umas ruas aqui do Bairro e ela já viu como fazem a base com bueiros e brita graduada, estamos esperando que nos próximos dias coloquem a camada de CAUQ (Concreto Asfáltico Usinado a Quente) e depois a compactação e a sinalização. Ela está na expectativa de aprender como se faz isso...
Mas, naquela manhã, surpreendeu-me por demais. Quando passamos por um outdoor da Bortoluzzi, ela apontou e disse: "É a placa da loja que o Tio Fá trabalha, lá com a Tia Tânia!" Falei-lhe que ele não trabalha mais lá, fez alguns serviços para mim por uns dias, mas apareceu uma oportunidade de trabalho e foi atuar numa empresa que vende leite, queijo, iogurte... E perguntei-lhe se ela sabia que o queijo era feito com leite.
Pois ela, com aquele seu jeitinho delicado, foi-me dizendo: " Sei, sim! Vovô, sabia que lá no sítio da Vovó Marlene ela faz queijo com leite das vacas? Eu sei fazer queijo!
Como nada mais me surpreende, fiquei imaginando como poderia ela saber fazer queijo! Então, mais alguns segundos e ela: "Vovô, tá ficando maluquinho? Era ali a rua que a gente vai pra escola!" (Ih, distraído como de costume, passei do ponto, mas virei na esquina seguinte e mostrei que há mais de um caminho possível para chegar até sua "Girassol"). E perguntei-lhe: "Então, como é que a gente faz queijo? Você me ensina?"
E a Jujuba: "É bem fácil. A gente tira o leite das vacas e põe uma panela grande bem cheia em cima do fogão. Depois, quando o leite esquenta e coalha, a gente põe pra escorrer o soro. Daí pega aquele queijo bem mole e aperta num pano pra sair o resto do soro. E depois coloca numa forma que nem um ralador. Pra que o queijo fique bom tem que deixar na tábua, porque queijo muito mole não é muito bom de comer."
Fiquei contente em ver que, com três anos e meio, ela guarda todas as experiências que vive. Até lembrei-me de um quadro que havia lá na Escola Major Cipriano Rodrigues Almeida, em Zortea, no ano de 1977, quando iniciamos nossa atividade definitiva como professor, onde, na sala da Diretora Vitória Brancher Formighieri, estava escrito: "Los niños aprenden lo que viven!"
Nos anos 80, veio um ciclone e derrubou a escola, destruiu o prédio, os materias, os livros da biblioteca, o mobiliário, tudo. Mas não destruiu nossas lembranças, que estão aqui, firmes em meu imaginário. E, realmente, as crianças aprendem o que vivem. Desde então, sempre procurei aprender e ensinar vivenciando. Foi escrevendo poesias ao mesmo tempo que os meus alunos lá da Escola Sílvio Santos escreviam em nossas aulas que criei o hábito de compor e conservo até hoje. Realmente, como a Jujuba, os adultos também aprendem aquilo que vivenciam. E eu, agora, aprendo muito com nossa Jujubinha!
Abraços!
Euclides Riquetti
28-09-2013
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Belos, puros, sentimentais...
Existem pessoas especiais, muito especiais
Que marcam os lugares por onde passam
Deixando rastros que muito nos atraem
Rastros de perfume a da seiva que exalam...
Existem, sim, corpos que flutuam
Divindades carnais que nos levam a pecar
Almas negras, cinzas, brancas, que cultuam
O singelo hábito de me fazer sonhar.
Ah, existem, sim, corações que flecham
Corações que flecham e que são flechados
Corações abertos que nunca se fecham.
Flechas que buscam alvos bem especiais
Alvos que retribuem quando são flechados
Belos, puros, sentimentais...
Euclides Riquetti
27-09-2013
Que marcam os lugares por onde passam
Deixando rastros que muito nos atraem
Rastros de perfume a da seiva que exalam...
Existem, sim, corpos que flutuam
Divindades carnais que nos levam a pecar
Almas negras, cinzas, brancas, que cultuam
O singelo hábito de me fazer sonhar.
Ah, existem, sim, corações que flecham
Corações que flecham e que são flechados
Corações abertos que nunca se fecham.
Flechas que buscam alvos bem especiais
Alvos que retribuem quando são flechados
Belos, puros, sentimentais...
Euclides Riquetti
27-09-2013
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Ansiedade
Ansiedade
Sofrimento por antecipação
Realidade
Sentimento de frustração
Ou apenas falta de... solução??
Ansiedade
Causa dores morais
Abalos emocionais
Atitudes anormais
Por quê?
Ansiedade
Como curar?
Ler, correr, rezar?
Ou apenas pensar
Que dá para superar...
Mas, de que forma?
Ansiedade
Constante preocupação
Emoção
Escuridão
O que fazer?
Para onde ir?
Como fugir?
Ansiedade
Só a buca da verdade
Só o tempo das descobertas
É que podem ajudar-me!
Euclides Riquetti
26-09-2013
Sofrimento por antecipação
Realidade
Sentimento de frustração
Ou apenas falta de... solução??
Ansiedade
Causa dores morais
Abalos emocionais
Atitudes anormais
Por quê?
Ansiedade
Como curar?
Ler, correr, rezar?
Ou apenas pensar
Que dá para superar...
Mas, de que forma?
Ansiedade
Constante preocupação
Emoção
Escuridão
O que fazer?
Para onde ir?
Como fugir?
Ansiedade
Só a buca da verdade
Só o tempo das descobertas
É que podem ajudar-me!
Euclides Riquetti
26-09-2013
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Não há amanhã sem que haja o hoje!
Não há nenhuma amanhã sem que haja o hoje
E nenhum hoje sem que tenha havido um ontem
Se souberem de algo diferente, por favor me contem
Se for algo triste, por favor me poupem.
Em cada lugar em que eu andasse ou fosse
Desejaria saber apenas novidades boas
Nada de coisas que ferem ou magoam
Nada de tragédias, nem de coisas à toa.
Eu gostaria de ver um mundo formidável
E que nele tudo ficasse em harmonia
Em que cada ser fosse terno e amável.
Mas sonhos são apenas sonhos, nada mais
Que às vezes se apagam no decorrer do dia
E fenecem no ar para não voltarem jamais...
Euclides Riquetti
25-09-2013
E nenhum hoje sem que tenha havido um ontem
Se souberem de algo diferente, por favor me contem
Se for algo triste, por favor me poupem.
Em cada lugar em que eu andasse ou fosse
Desejaria saber apenas novidades boas
Nada de coisas que ferem ou magoam
Nada de tragédias, nem de coisas à toa.
Eu gostaria de ver um mundo formidável
E que nele tudo ficasse em harmonia
Em que cada ser fosse terno e amável.
Mas sonhos são apenas sonhos, nada mais
Que às vezes se apagam no decorrer do dia
E fenecem no ar para não voltarem jamais...
Euclides Riquetti
25-09-2013
terça-feira, 24 de setembro de 2013
A Enchente de São Miguel e a Romaria de Salette
Desde meus tempos de criança é que ouço falar na Enchente de São Miguel. Aqui no Vale do Rio do Peixe e no do Rio Uruguai, tem-se a data como referência pela realização da Romaria de Nossa Senhora da Selette, que acontece em Marcelino Ramos, ao final de setembro de cada ano. Coincidentemente, no de 2013, a Romaria, para a qual acorrem milhares de sulbrasileiros, acontece no dia 29, justamente no dia consegrado a São Miguel Arcanjo, o defensor dos cristãos, assim considerado a partir do Século V pelo Romanos.
Em todas as cidades do Vale do Peixe, na década de 1960, havia grande expectativa tanto com relação à enchente quanto com a conhecida Festa de Marcelino Ramos. Um trem de passageiros originário de Porto União da Vitória serpenteava pelo Vale, levando centenas de pessoas até a fronteira de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul. No vizinho Estado, a localização do Santuário de Salette, no alto de um monte, em Marcelino Ramos. Dessa festa, tenho três fatos que me marcaram: Numa oportunidade, a salada de maionese, produzida em tachos inadequados, causou uma grande indisposição gástrica em muitas pessoas, correndo a notícia para todos os lados. Em outra, um colega meu, o Vilmar Adami, que em 1970 caiu do trem na região de Piratuba, esfolando o corpo, mas nada ocorrendo de grave com ele. E, Adiante, nos primeiros anos da década de 1970, também, um acidente com o trem, com muitos feridos, quando quatro jovens perderam a vida, sendo dois de Caçador e dois de Ouro, Jamir Rech, filho do Alberto Rech, e Selvino Rech, filho de Guilherme Rech, primos entre si. Segundo o primo e amigo idnei Baretta, seu pai, Izalino Baretta, estava no vagão mais avariado e o clima foi de um verdadeiro horror. Na época o fato teve repercussão nacional devido à importância da Romaria no contexto religioso brasileiro.
Outro fato que sempre me chama a atenção é o de que centenas de romeiros, de toda a região, dirigem-se para lá a pé, pagando suas promessas diante de graças alcançadas. Ainda, alguns sobem todos os degraus de acesso ao Santuário, em joelhos. Na semanma que a precede, a celebração de muitas missas, inclusive a Procissão Luminosa, à noite.
E o fato conectado a este evento, que praticamente ocorre em todos os anos, é a famosa Enchente de São Miguel. O mês de setembro, em sua normalidade, é muito chuvoso no Planalto e no Meio-oeste Catarinense, o que leva a acontecerem as enchentes no Rio Itajaí-açu e no Itajaí-mirim, com as águas dirigindo-se ao litoral, onde causam grandes estragos em cidades como Rio do Sul, Ilhota, Gaspar, Brusque e Itajaí. Nesta, um risco muito forte de inundação em razão das marés do Oceano Atlântico. Causam muita preocupação, mobilizam autoridades, as Comissões Municipais de Defesa Civil, Bombeiros e os cidadão voluntários. Obras que poderam minimizar os impactos naquela região, como algumas barragens de contenção com grandes reservações de água, estão empacadas em razão de recusos jurídicos por empresas que não tiveram sucesso nas licitações. Muitos entraves burocráticos, além do essencial dinheiro, retardam as necessárias ações.
Aqui no Vale do Rio do Peixe, embora possam ocorrer grandes prejuízos, é impossível evitar-se o evento adverso. Há, porém, como remediar a situação. Há edificações, muitas, construídas nas margens do Rio do Peixe, antigamente, e que com apenas 5 metros de elevação do nível das águas já restam inundadas. Na enchente de 1983, as águas do Peixe elevaram-se em mais de 10 metros, ocasionando uma catástrofe. Mas enchentes, aqui, não são novidades. Tivemos a de 1911, a de 1939, a de 1972 e a de 1983 como sendo as maiores. Seguramente, a que mais causou danos, foi a de julho de 1983, que atingiu também todo o Vale do Rio Iguaçu. Porto União da Vitória e as principais cidades do Vale do Peixe foram fortemente atingidas, não escapando da catástrofe o do Itajaí.
A Enchente de São Miguel, embora seja indesejada, é previsível para os meses de setembro. É mais regra do que exceção. Então, infelizmente, temos que conviver com isso, mas há maneiras de se reduzir seus impactos, que exigem competência técnica, decisão política e investimentos. E é uma atribuição não apenas do Poder Público, mas também de toda a sociedade. Nossas cidades estão-se cobrindo de concreto e pavimentação asfáltica, reduzindo-se as áreas permeáveis. É preciso encontrar meios de compensar isso, como o plantio de milhões de árvores em toda a bacia do rio, melhorando o nível de permeabilidade do solo, prejudicado pelo pisoteio de animais e rodas de equipamentos. De qualquer forma, precisamos nos adaptar para viver com isso. Mas não podemos nos acomodar...
Euclides Riquetti
24-09-2013
Em todas as cidades do Vale do Peixe, na década de 1960, havia grande expectativa tanto com relação à enchente quanto com a conhecida Festa de Marcelino Ramos. Um trem de passageiros originário de Porto União da Vitória serpenteava pelo Vale, levando centenas de pessoas até a fronteira de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul. No vizinho Estado, a localização do Santuário de Salette, no alto de um monte, em Marcelino Ramos. Dessa festa, tenho três fatos que me marcaram: Numa oportunidade, a salada de maionese, produzida em tachos inadequados, causou uma grande indisposição gástrica em muitas pessoas, correndo a notícia para todos os lados. Em outra, um colega meu, o Vilmar Adami, que em 1970 caiu do trem na região de Piratuba, esfolando o corpo, mas nada ocorrendo de grave com ele. E, Adiante, nos primeiros anos da década de 1970, também, um acidente com o trem, com muitos feridos, quando quatro jovens perderam a vida, sendo dois de Caçador e dois de Ouro, Jamir Rech, filho do Alberto Rech, e Selvino Rech, filho de Guilherme Rech, primos entre si. Segundo o primo e amigo idnei Baretta, seu pai, Izalino Baretta, estava no vagão mais avariado e o clima foi de um verdadeiro horror. Na época o fato teve repercussão nacional devido à importância da Romaria no contexto religioso brasileiro.
Outro fato que sempre me chama a atenção é o de que centenas de romeiros, de toda a região, dirigem-se para lá a pé, pagando suas promessas diante de graças alcançadas. Ainda, alguns sobem todos os degraus de acesso ao Santuário, em joelhos. Na semanma que a precede, a celebração de muitas missas, inclusive a Procissão Luminosa, à noite.
E o fato conectado a este evento, que praticamente ocorre em todos os anos, é a famosa Enchente de São Miguel. O mês de setembro, em sua normalidade, é muito chuvoso no Planalto e no Meio-oeste Catarinense, o que leva a acontecerem as enchentes no Rio Itajaí-açu e no Itajaí-mirim, com as águas dirigindo-se ao litoral, onde causam grandes estragos em cidades como Rio do Sul, Ilhota, Gaspar, Brusque e Itajaí. Nesta, um risco muito forte de inundação em razão das marés do Oceano Atlântico. Causam muita preocupação, mobilizam autoridades, as Comissões Municipais de Defesa Civil, Bombeiros e os cidadão voluntários. Obras que poderam minimizar os impactos naquela região, como algumas barragens de contenção com grandes reservações de água, estão empacadas em razão de recusos jurídicos por empresas que não tiveram sucesso nas licitações. Muitos entraves burocráticos, além do essencial dinheiro, retardam as necessárias ações.
Aqui no Vale do Rio do Peixe, embora possam ocorrer grandes prejuízos, é impossível evitar-se o evento adverso. Há, porém, como remediar a situação. Há edificações, muitas, construídas nas margens do Rio do Peixe, antigamente, e que com apenas 5 metros de elevação do nível das águas já restam inundadas. Na enchente de 1983, as águas do Peixe elevaram-se em mais de 10 metros, ocasionando uma catástrofe. Mas enchentes, aqui, não são novidades. Tivemos a de 1911, a de 1939, a de 1972 e a de 1983 como sendo as maiores. Seguramente, a que mais causou danos, foi a de julho de 1983, que atingiu também todo o Vale do Rio Iguaçu. Porto União da Vitória e as principais cidades do Vale do Peixe foram fortemente atingidas, não escapando da catástrofe o do Itajaí.
A Enchente de São Miguel, embora seja indesejada, é previsível para os meses de setembro. É mais regra do que exceção. Então, infelizmente, temos que conviver com isso, mas há maneiras de se reduzir seus impactos, que exigem competência técnica, decisão política e investimentos. E é uma atribuição não apenas do Poder Público, mas também de toda a sociedade. Nossas cidades estão-se cobrindo de concreto e pavimentação asfáltica, reduzindo-se as áreas permeáveis. É preciso encontrar meios de compensar isso, como o plantio de milhões de árvores em toda a bacia do rio, melhorando o nível de permeabilidade do solo, prejudicado pelo pisoteio de animais e rodas de equipamentos. De qualquer forma, precisamos nos adaptar para viver com isso. Mas não podemos nos acomodar...
Euclides Riquetti
24-09-2013
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Segundo Dia de Primavera - Soneto
Veio, da Primavera, o segundo dia
Foi-se embora a chuva que caiu inclemente
Volta o nosso sol, mesmo que timidamente
Trazendo-nos o ânimo e uma indizível alegria.
Veio, enfim, nossa Primavera animadora
Que vai cobrir nossos campos de verde no Sul
Que vai-nos trazer na manhã o céu azul
E em cada dia uma tarde promissora.
Na flor branca da pereira flutua o beija-flor
Embaixo da laranjeira, na espreita, a sabiá
E em cada planta do jardim o matiz multicor.
Em cada rosto de criança, um semblante risonho
Primavera - tempo de sorrir, tempo de cantar
Primavera - tempo de reviver ... mais um sonho!
Euclides Riquetti
23-09-2013
Foi-se embora a chuva que caiu inclemente
Volta o nosso sol, mesmo que timidamente
Trazendo-nos o ânimo e uma indizível alegria.
Veio, enfim, nossa Primavera animadora
Que vai cobrir nossos campos de verde no Sul
Que vai-nos trazer na manhã o céu azul
E em cada dia uma tarde promissora.
Na flor branca da pereira flutua o beija-flor
Embaixo da laranjeira, na espreita, a sabiá
E em cada planta do jardim o matiz multicor.
Em cada rosto de criança, um semblante risonho
Primavera - tempo de sorrir, tempo de cantar
Primavera - tempo de reviver ... mais um sonho!
Euclides Riquetti
23-09-2013
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