quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Lembranças do Mater Dolorum - Vale a pena ler de novo!

 




 

 
 
          O Mater Dolorum chegou há 6 décadas e pouco...  Chegou antes de mim. E, quando me dei por gente, estava ali, no alto do mesmo morro, impondo-se, sutilmente, sobre Capinzal. Um casarão de madeira com dois pavimentos, um sótão e um "porão". Um edifício muito estiloso, de elevado padrão de arquitetura para a época.

          Em 1961,  adentrei pela primeira vez pelas portas do Mater. Conhecia muitas histórias sobre ele. Meu irmão mais velho e meus primos me contavam sobre isso. Era um educandário particular, de posse e administração das Irmãs Servas de Maria Reparadoras. Justamente naquele ano, iniciara convênio com o Governo Federal, e eu pude entrar ali como aluno, com 8 anos feitos já. Viera de "Linha Leãozinho", que na época ainda pertencia a Capinzal. E, tão logo aprendi a ler, identifiquei uma placa enorme, em que se podia ver: "Plano de Metas do Governo''. Era o plano do Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, que tinha como slogan "50 anos em cinco", ou seja, estava dando uma sacudida no País para que deixasse de "dormir em berço esplêndido". Atacava na indústria e na educação. Começavam a fabricar carros e nós a frequentar boas escolas, gratuitamente.

          Minha primeira professora foi Judite Marcon, uma interna do Convento das Irmãs, que havia em anexo. Ela foi embora para continuar seus estudos e veio, em seu lugar, Noemia Zuanazzi. Adiante, passei pelas mãos generosas de Marisa Calza,  Marlene Matos, Tarsila Boff, Marli Sartori,  Marilene Lando e outras. Pelo menos estas foram as mais presentes, pois as outras atuavam temporariamente. Havia a Almeri Pasin, que lecionava para outra turma, onde estudava um primo.

          Algumas lembranças tenho bem claras na memória: Ao lado do casarão de madeiras, edificava-se o prédio do  Mater Dolorum  em seu corpo principal. Lembro-me bem que um dos mestres da obra era o Sr. Valdomiro Viganó.  Adiante, o casarão deu lugar ao auditório, que na nossa memória ficou registrado como "palco". Daquele velho casarão, os medos que vinham com os rumores: No sótão, numa sala bem aos fundos, haveria o fantasma de algumas freiras já falecidas. As histórias que nos contavam eram horripilantes. E nós nos pelávamos de medo das assombrações. Acho que queriam assustar-nos para que não fôssemos meter o nariz onde não devíamos. E nós éramos tão xeretas quanto são os adolescentes de hoje, talvez piores que eles.

          Uma grande expectativa na cidade foi com a chegada do Caminhão "Caçamba" das Irmãs para ser utilizado na remoção de terras das escavações, que foram muitas e geraram grande volume de material a ser retirado para a construção do prédio novo e os pátios, inclusive o a quadra, que exigiu muito trabalho. Trator e carregadeira de esteiras da Prefeitura, que davam apoio. E o caminhão com carroceria basculante, amarelo, Ford F 600 novinho e brilhoso, enfim chegou. Eu nem era aluno ainda quando isso aconteceu. Dizia meu irmão Ironi, que ali estudava, que seria dirigido pela Irmã Terezinha. Mas, na verdade, o motorista acabou sendo o Sr. Loid Viecelli. Este, além de motorista do caminhão, muitas vezes animava as festas juninas com sua gaita para que dançassem a quadrilha.

         Irmã Fermina, Irmã Marinella, Madre Prisciliana são algumas das freiras que muito marcaram a minha vida e a história dali. A primeira, moreninha , franzina, delicada. Marinella, alta, jeito de italiana, dócil. Prisciliana era chamada somente de "Madre", uma mulher magra, de média estatura. e a Irmã Terezinha tinha fama de "braba".  Era bonitona, pele do rosto bonita, usava óculos clássicos. Bem, nunca ninguém viu nenhuma que não estivesse envolta em seu hábito preto e branco, que deixava mostrar apenas o rosto e as mãos. Sapatos pretos com meias. Ninguém nunca lhes viu os pés. Ficávamos imaginando como podiam passar calor nos dias de verão. Mas, não muito tempo depois, mudaram as convenções da Igreja católica e padres e freiras passaram a vestir-se como os cidadãos comuns. Aliás,  a população ficou dividida em relação a isso, pois uns achavam que estavam certos e outros de que deveriam manter-se com as vestimentas características, para facilmente serem identificados e não serem confundidos.

          Muitas histórias boas de meus quatro anos de estudos no Mater Dolorum ainda estão em minha cabeça. E também de minha atuação como professor de Inglês nos seus últimos anos de funcionamento enquanto escola particular, da Congregação Servas de Maria Reparadoras. O educandário legou-me uma educação de alto nível. Aprendi muito do primeiro ao quarto ano, entre 1961 e 1964.  E, sobretudo, aprendi muito em termos de educação e formação pessoal. Mais do que aprender a ler, escrever e calcular, aprendi a ser gente ali! E isso me orgulha muito!

Parabéns, Mater Dolorum, palco de grandes acontecimentos, memórias, eventos, lembranças!

Euclides Riquetti
31-08-2014

Loba mulher (Mais uma vez!)

 



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Loba mulher dos sonhos cor-de-rosa
Loba mulher dos pensamentos que anuem
Dos lábios que me retribuem
Dos pecados que os meus diluem.

Loba mulher dos cabelos molhados
Desalinhados
Perfumados...

Loba mulher de cabelos e olhos encastanhados
Delicados
Encantados...

Loba mulher
Dos sonhos e encantos
Que provocam meus prantos
(Prantos nada santos...)

Loba mulher fervilhosa
Deliciosa
Dos sonhos azuis, dos sonhos cor-de-rosa:
Loba mulher!


Euclides Riquetti

Eu, você, nós dois apenas... E o mar!

 


 



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Eu, você, nós dois apenas...
E o mar!

O mar das ondas revoltas
Que leva embora as folhas soltas
Que o vento traz....
Sim, ele, o mar!

Eu, você, nós dois apenas...
E o mar!

Olhe para ele e sua imensidão
Olhe com os olhos do seu coração...
Para seu balanço que barulha
Enquanto você mergulha!

Eu, você, nós dois apenas...
E o mar!

E escute a sua canção
Aquela que vem junto com o vento
E, que por um momento,
Me enche de inspiração!


Eu, você, nós dois apenas...
E o mar!



Euclides Riquetti

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Gotinhas de orvalho

 




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Gotinhas de orvalho queimam
Quando caem na madrugada
São como princesinhas que reinam
Na terra dos sonhos e encantada.

Gotinhas de orvalho tão delicadas
Também podem causar avarias
Podem ser como pedras nas estradas
Ou como espinhos nas cercanias.

Gotinhas de orvalho também ferem
Ferem de dor, ferem  uma paixão
São como flechas que se desferem
E podem machucar meu coração.

Gotinhas de orvalho, ora inofensivas
Outras vezes vorazes e impetuosas
Caíram nas relvas de minha vida
Transformadas em gotas lacrimosas!

Bem assim...

Euclides Riquettu

Meu pai, meu professor: Guerino (Richetti) Riquetti - Início de minha história...

 


 


 



    

Alunos da Escola Municipal Professor Guerino Riquetti - Ouro - SC

           Fui privilegiado, sim! Quando eu nasci, em 23 de novembro de 1952, em Linha Leãozinho, então município de Capinzal, (hoje Ouro - SC), meu pai, Guerino Riquetti,  era professor numa escola de ensino primário.  E estava lendo "Os Sertões", de Euclides da Cunha. Ele havia estudado até o primeiro ano de Filosofia, pouco antes da Segunda Guerra Mundial, no Seminário São Camilo, em São Paulo. Ali, hoje, funciona o hospital denominado Instituto São Camilo.
         Meu pai era leitor contumaz. Aos 40 anos, já não lia clássicos da Literatura, mas o Pato Donald, o Mickey, o Tio Patinhas.... Vidrava-se nas criações de Walt Disney. E passou o costume para nós, os filhos. Somos leitores e até escrevemos....
         Ao voltar para a casa dos pais, depois de quase que uma década fora, casou-se e voltou a estudar. Como não tinha documentos, em razão de haver "desertado" do Seminário, teve que fazê-los de novo. Então, abandonou a grafia de "Ricchetti" e mudou a sobrenome para Riquetti, que adotamos até hoje, embora nosso original, de descendência italiana, seja diferente. E, para obter documentos de escolaridade, frequentou o ensino complementar e o antigo "Normal", que equivale ao Magistério, em nível de Ensino Médio, hoje.
           Para quem já tinha estudado o início do curso superior, com formação em Latim e Francês, tocado piano e órgão ainda no Seminário, aulas de línguas e música eram diversão. E começou a lecionar em escolas "isoladas", como Leãozinho, Pinheiro Baixo, Linha Caçador, Barra do Pinheiro, Nossa Senhora da Saúde, Linha Savóia. Depois lecionou no Grupo Escolar Belisário Pena, em Capinzal e no Escolar Joaquim D´agostini, em Lacerdópolis, em 1964. Em 1960, quando lecionava na Savóia, levou-me junto com ele  algumas vezes nesta e aprendi a escrever algumas letras e palavras. Em 1961, com 8 anos de idade, entrei para a escola, efetivamente, no Colégio Mater Dolorum, no primeiro ano.
          Meu pai foi meu primeiro professor, informalmente. E, mesmo quando eu cursava o primário, no Mater, me dava lições d uso dos pronomes oblíquos e aritmética. Aprendi a fazer cálculos para trabalhadores da roça que vinham em nossa casa pedir ajuda a ele. Empreitadas de roçadas ou carpidas eram pagas por "quartas de terra", ou seja, 6.050 m2, um quarto de um alqueire, que tem 24.200 m2. Me ensinava que se multiplicava a base pela altura e se obtinha a área roçada ou carpida.
Para triângulos, fazíamos base vezes altura, divididos por 2. Toda essa prática me ajudou muito na vida. Até hoje gosto de fazer cálculos enquanto faço minhas caminhadas diárias. Ou crio poemas enquanto caminho. Coloco minha mente para funcionar....
          Meu pai me ensinou muitas coisas. Como professor e como pai. Então hoje, lembrando dele, do Ebenezer  Brasil, que lecionava em Linha Bonita, do Thomás (Thomasin) Pilatti, que lecionava em Leãozinho e Linha Bonita, rendo minha homenagem a todos os meus professores, vivos ou de saudosa memória. Grande abraço em todos, aos que foram uma oração sincera e sentida, e aos que restam uma saudação muito carinhosa.

Deus abençoe todos os professores!

Euclides Riquetti
15-10-2016

O tempo que passou (Marcas de saudades...)

 


 



O tempo que passou
Deixou rastros, deixou marcas.
Rastros nos caminhos, nas estradas
Marcas nos corações e nas almas.

O tempo que passou deixou-me lições:
O tempo que passou mostrou-me que as ilusões
São vãs e fugazes.
Mostrou-me que há  o bem, ou o mal
Em todos os lugares.
Mostrou-me que há as certezas
Mas também as incertezas
O ganhar e o perder
Os reais e os imaginários
Mas, todos, muito necessários.

Muitas vezes perdi, outras ganhei
Mas nunca desanimei.
Levantei-me em cada tropeço
E, por isso, meu Deus a quem tanto louvei
Eu vos agradeço.

A quem amei com paixão
A reafirmação
A quem me estendeu a mão
Minha eterna gratidão
E a quem me quis tanto bem
Agradeço também.

E, nas marcas que ficaram
Nas ilusões que se apagaram
Nos ânimos e desânimos
A constatação:
Viver é amar
É ser amado
No desejar
Também ser desejado!

É pedir a bênção de Deus...
E ser por Ele abençoado!

Euclides Riquetti

Voa, pensamento...

 






Sagaz inspiradora de palavras e  versos
Mergulha-se  em devaneios e ilusão
Escravos pensamentos estão despertos
Companheiros na  sua solidão.

Olhos brilhantes e meigos que  censuram
As palavras nos seus lábios pronunciadas
As mãos graciosas outras mãos seguram
O sonho que rouba as  madrugadas.

Vaga pisoteando pedras entre a verde relva
Vaga sem cuidados, sem limites, sem reservas.
Entre sucessos, tropeços  e conquistas.

Voa o pensamento entre as nuvens alvas
Voa no firmamento sua dileta alma
Enquanto a névoa lhe embaraça as vistas.

Euclides Riquetti

Uma estrela na escuridão

 



 


 

Há uma estrela singular em meio à escuridão
Uma nuvem branca em meio à turbulência
Uma doce musa que me traz a inspiração
Uma presença que compensa todas as ausências.

Há um gemido de prazer que vem de uma janela
Um sussurro no ar que me chama à atenção
Um reencontro provável depois de longa espera
Um aceno de olhar, uma provável paixão.

Há uma esperança renovada, uma nova luz que brilha
Uma retomada de caminho, uma possibilidade
Para uma alma frágil, débil, maltrapilha.

Mas há uma força que me levanta, impele e anima
E que me devolve a uma bela realidade:
A de lutar por quem meu coração sugere e determina!

Euclides Riquetti

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Que bom reencontrar-te

 


 



Que bom reencontrar-te

Saber que ainda vives

Que teus anos não foram perdidos...

Que teve momentos bem vividos.


Que bom reencontrar-te

Saber que tu existes

Que não foste uma página vazia

Que cultivaste tua alegria.


Que bom reencontrar-te

Ter notícias tuas

O mundo é um labirinto infinito

E, contigo, é ainda mais bonito...


Que bom reencontrar-te

Num lugar de sinuosas ruas

E ver que também gosta de flores

Brancas, vermelhas, de todas as cores...


Que bom reencontrar-te!


Euclides Riquetti

Pra ti, minhas melhores energias

 



 



Pra ti, minhas melhores energias

Tudo o que eu possa liberar de meu ser

A confiança e o otimismo que faz crescer

A motivação que nos traz só a alegria!


Nem todos os dias são ensolarados

Há aqueles que nos deixam depirimidos

Mas eles podem ficar animados

E para isso, muito amor é preciso!


Conte com o meu em todas as horas

Rezo por você desde que me levanto

O rosto que sorri é da alma que não chora

Escrevo-lhe este poema com amor e encanto!


Euclides Riquetti

Pare... pense...recomece!

 



Pare, pense, e se tiver que chorar, então chore
Cante, encante, e se tiver que sorrir, sorria
Faça tudo o que tiver que fazer, não demore
Sempre é tempo de recuperar a alegria!

Lembre, relembre, e talvez precise recomeçar
Volte, revolte-se, e se não está se sentindo bem
Procure novas formas de reviver e de amar
Pois, se estiver, alguém pode estar também.

Busque a harmonia em tudo o que for fazer
Exale leveza e cortesia em todas as suas ações
Não machuque corações, não os faça sofrer.

Jamais esqueça de que retroceder é virtude
Melhor voltar atrás do que sofrer desilusões
Melhor ver o mundo com a devida amplitude.

Euclides Riquetti

domingo, 25 de outubro de 2026

A canção que vem das estrelas

 


 

 






Ouça a canção melódica que vem das estrelas
Que brota dos sentimentos e vai pelas estradas
Você pode, sim, facilmente percebê-las
Porque elas se deitam no céu nas madrugadas...

Ouça e preste bem a devida atenção
Cuide de cada nota por ela propagada
Guarde a melhor delas em seu coração
Fiz para você, minha eterna namorada...

A canção que vem das estrelas é meu presente
É algo que lhe dou para que sempre guarde
E, quando a alma de meu corpo estiver ausente
Ouça-a na manhã fresca  e na suave tarde!

Euclides  Riquetti

Cheiro de chuva e mato

 





Sinto, em você, o cheiro de chuva e mato
Os odores da paixão que se traduzem
Os sabores da ilusão que se misturam
Com meu cheiro, seu cheiro e o do mato!

Sinto, em você, o frescor da tarde chuvosa
A cor da flor, da semente que foi guardada
E que se tornou planta da mesma germinada
O odor da flor perfeita, do cravo,  da rosa! 

Sinto, em você, o cheiro doce da saudade
Das horas, dos dias e meses que passaram
Ainda  o cheiro das estrelas que apagaram
Que se reacenderam em sua real majestade!

Sinto, em você, o cheiro puro e indizível
E me delicio, em você, tão perdidamente
E me envolvo, com você, alegremente
No cheiro de chuva, de mato, indescritível!

Euclides Riquetti

Capinzal e Ouro em luto: Perdemos Evandro Segalin

 



       Evandro era um jovem inquieto, ágil, simpático e feliz. Inticava com os colegas, sorria, corria, fazia o que uma criança gosta de fazer. Foi assim na adolescência e na juventude. Formou-se Engenheiro, casou-se, teve uma filha, trabalhou, chegou a maturidade. E, com ela, uma patologia que o fez sofrer: sofreu e dor física e a emocional. Lutou! 

       Perdeu o pai, que ficou com problemas clínicos nos últimos anos. Teve que, primeiro, ajudar a sua mãe, Marlene (Leal), nas lides da empresa da família. Lutou bravamente contra sua doença. Reconstruiu sua vida pessoal, sempre teve o amor da família e da linda e amável filhinha. Na terça, 20,  depois de duas semanas internado no Hospital da Unimed, aqui em Joaçaba, seu coração parou. Já vinha conseguindo respirar somente com ajuda de aparelho. Na manhã de terça-feira, me veio o recado de sua mãe: "O Evandro faleceu". 

       O pai, Nilton, foi meu colega no Ensino Médio, jogou no Palmeirinhas da Rua da Cadeia, no Juvenil da São José, no campinho da família Bazzo. Sua família teve oficina de funilaria no centro do Ouro, seu Santo Segalin e outros familiares, mais Waldomiro Morosini, eram hábeis na lida com zincos, estanhos, latas de alimentos. O próprio Nilton, desde menino, ajudou o pai e aprendeu o ofício. Da menina Marlene, lembro dela junto com o primo Chico Ribeiro, em jogos de futsal que aconteciam na quadra do Ginásio Padre Anchieta, onde Edvino Dacás narrava os jogos, 

       Imaginei a dor de sua mãe, da irmã Alessandra, da esposa Cassiane, da filhinha amada, da esposa que esteve ao seu lado nos últimos dias. Ele queria a presença dela em todos os momentos, tinha esperança em sua cura, na superação. Mas não foi assim! Sua filhinha não queria que virasse mais uma estrelinha no céu. 

       Por uma semana tentei dar forças para a mãe, passei-lhe recomendações, sugeri que buscasse a opinião de profissionais da saúde, de familiar es, de amigos. Em momentos assim as pessoas mais próximas têm dificuldades em tomar decisões. Ficam sob forte abalo emocional, o ambiente de vivência é de tristeza. A prima Vânia esteve presente, a irmã, sobrinhos, todos os familiares, enfim, queriam dar força. Mas a situação era difícil, insustentável. O desespero da mãe, a aflição dos familiares, tudo muito difícil de suportar. 

       Mas os desígnios da vida se cumprem, acontecem não pela nossa vontade, mas pela forma como a alma se conecta ao corpo,. Os elementos desfalecem, a energia some, o espírito tenta reagir, mas há forças contrárias de poder infinito que se tornam indomáveis. 

        Evandro foi morar no céu. O menino que foi colega de minhas filhas na escola  não está mais entre nós. Lembrei-me da atenção da última vez que o vi. Estive na empresa, conversei com o Valmir Inácio, meu querido aluno, que me levou ao escritório dele. Eu buscava informações que me levassem a encontrar o primeiro carro da família, o fusca azul de meu irmão Ironi. Um de seus funcionários, que já não trabalhava mais com eles fora um de seus últimos proprietários. Mas isso pouca importância tem. Importa-me que quando o encontrei, perguntou-me sobre as nossas filhas, perdera o contato com elas. A vida é assim mesmo, ´pessoas chegam, convivem, depois partem...

       Costumo dizer que precisamos, sempre, viver bem a vida, e que enquanto as pernas nos levam, andemos. 

Com as condolências mais sentidas de toda a nossa família!


Euclides Riquetti - Escritor - www.blogdoriqueti.blogspot.com 

25-10-2027