Evandro era um jovem inquieto, ágil, simpático e feliz. Inticava com os colegas, sorria, corria, fazia o que uma criança gosta de fazer. Foi assim na adolescência e na juventude. Formou-se Engenheiro, casou-se, teve uma filha, trabalhou, chegou a maturidade. E, com ela, uma patologia que o fez sofrer: sofreu e dor física e a emocional. Lutou!
Perdeu o pai, que ficou com problemas clínicos nos últimos anos. Teve que, primeiro, ajudar a sua mãe, Marlene (Leal), nas lides da empresa da família. Lutou bravamente contra sua doença. Reconstruiu sua vida pessoal, sempre teve o amor da família e da linda e amável filhinha. Na terça, 20, depois de duas semanas internado no Hospital da Unimed, aqui em Joaçaba, seu coração parou. Já vinha conseguindo respirar somente com ajuda de aparelho. Na manhã de terça-feira, me veio o recado de sua mãe: "O Evandro faleceu".
O pai, Nilton, foi meu colega no Ensino Médio, jogou no Palmeirinhas da Rua da Cadeia, no Juvenil da São José, no campinho da família Bazzo. Sua família teve oficina de funilaria no centro do Ouro, seu Santo Segalin e outros familiares, mais Waldomiro Morosini, eram hábeis na lida com zincos, estanhos, latas de alimentos. O próprio Nilton, desde menino, ajudou o pai e aprendeu o ofício. Da menina Marlene, lembro dela junto com o primo Chico Ribeiro, em jogos de futsal que aconteciam na quadra do Ginásio Padre Anchieta, onde Edvino Dacás narrava os jogos,
Imaginei a dor de sua mãe, da irmã Alessandra, da esposa Cassiane, da filhinha amada, da esposa que esteve ao seu lado nos últimos dias. Ele queria a presença dela em todos os momentos, tinha esperança em sua cura, na superação. Mas não foi assim! Sua filhinha não queria que virasse mais uma estrelinha no céu.
Por uma semana tentei dar forças para a mãe, passei-lhe recomendações, sugeri que buscasse a opinião de profissionais da saúde, de familiar es, de amigos. Em momentos assim as pessoas mais próximas têm dificuldades em tomar decisões. Ficam sob forte abalo emocional, o ambiente de vivência é de tristeza. A prima Vânia esteve presente, a irmã, sobrinhos, todos os familiares, enfim, queriam dar força. Mas a situação era difícil, insustentável. O desespero da mãe, a aflição dos familiares, tudo muito difícil de suportar.
Mas os desígnios da vida se cumprem, acontecem não pela nossa vontade, mas pela forma como a alma se conecta ao corpo,. Os elementos desfalecem, a energia some, o espírito tenta reagir, mas há forças contrárias de poder infinito que se tornam indomáveis.
Evandro foi morar no céu. O menino que foi colega de minhas filhas na escola não está mais entre nós. Lembrei-me da atenção da última vez que o vi. Estive na empresa, conversei com o Valmir Inácio, meu querido aluno, que me levou ao escritório dele. Eu buscava informações que me levassem a encontrar o primeiro carro da família, o fusca azul de meu irmão Ironi. Um de seus funcionários, que já não trabalhava mais com eles fora um de seus últimos proprietários. Mas isso pouca importância tem. Importa-me que quando o encontrei, perguntou-me sobre as nossas filhas, perdera o contato com elas. A vida é assim mesmo, ´pessoas chegam, convivem, depois partem...
Costumo dizer que precisamos, sempre, viver bem a vida, e que enquanto as pernas nos levam, andemos.
Com as condolências mais sentidas de toda a nossa família!
Euclides Riquetti - Escritor - www.blogdoriqueti.blogspot.com
25-10-2027

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