quinta-feira, 14 de junho de 2018

Sabor de uva rosada

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Beijo com sabor de uva tardia
Na tarde quente e ensolarada
Beijo de verdade, nada de utopia
Beijo com sabor de uva rosada.

Beijo com sabor de uva, beijado
Sabor sorvete gelatto napolitano
Beijo com o frescor, adocicado
Beijo de amor caliente e profano.

Beijo com abraço e carinho
Desde que com sabor de uva
Ou então com sabor de vinho
Mesmo que na noite de chuva.

Beijo com ardor e com abraço
De mergulho, gozo e perdição
Beijo pra aliviar meu cansaço
E volver meu poema em canção.

Mas sempre com sabor uva
Uva de mesa, rosada!

Euclides Riquetti

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Ousadia

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O toque gentil  de tuas mãos em meu rosto
O toque sutil de minhas mãos em teus ombros
O toque melódico de tuas palavras em meus ouvidos
O toque romântico de meu ser em teus sentidos...

O toque delicado de teus braços em meu corpo
O toque suave de minha pele em tua pele alva
O toque perfumado de teu peito em meu peito
O toque dadivoso de meu olhar em teu olhar.
O toque de teus beijos ardorosos em meus lábios
O toque de meus beijos em teus lábios rosados.

O toque sensível do tudo de mim em ti
O toque inimaginável do tudo de ti em mim
A perdição do momento desejado
A perdição no pecado
O amor consumado
Sem fim...

Tu estás em mim e eu estou em ti
Sem nenhum medo:
Apenas paixão, amor segredo!

Desejo de mim por ti, por ti, por ti
Desejo de ti por mim, por mim
Desejo imedível, ousado
Pecado, imersão, pecado!

Euclides Riquetti

Entregue-me seus sonhos, seus segredos!


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Entregue-me seus sonhos
Seus desejos
Seus medos
Entregue-me seu olhar
Seus cabelos
Seus seios
Seu corpo de modelo...

Entegue-me tudo sem pedir nada em troca
Faça-me perguntas sem esperar respostas
Faça-me carinhos e diga-me coisas que nos importam
E eu  darei amor, abrigo, agasalho, e tudo de que gosta.

Entregue-me seus sonhos juvenis
Ternos
Eternos
Sutis...
Mas entregue-os.

Entregue-me tudo sem nenhum temor
Como se me estivesse dando apenas uma flor
Entregue-me seus lábios de cor delícia e de sabor cereja
Entregue-me sua alma que me acalenta e deseja.

Coloque suas mãos entre minhas mãos
E entre meus dedos seus delicados dedos
Entregue-me com  paixão  seus grandes segredos!
Apenas seus segredos...
Para que eu possa
Compreendê-los!...

Euclides Riquetti

terça-feira, 12 de junho de 2018

Um outro sol


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Há um outro sol em nossos dias, pois...
É aquele que na tarde vai embora
Que no inverno vai antes da hora
E, no verão, um pouco depois...

Termina o dia amarelado
(Embora tenha nascido avermelhado, alaranjado)
Quando o céu deixa de ser azul
E se torna acinzentado
No leste e no sul.

Ah, dizem que é o mesmo que veio do Oriente
E que cumpre sua rotina de ir para o Ocidente!
Vem do Leste
Vai para o Oeste
(Eu digo que é para o Sudoeste).

Como acredito em ti
No google e no  dicionário
E nas doutrinas de Astronomia que já li
Nada posso dizer... em contrário!

Nosso Astro é um Rei
É uma divindade de escol
Cumpre, no universo, sua natural Lei:
Apenas ser um imponente astro-rei:
Nosso Rei Sol!

Sol da meia/noite lá,
Sol do meio/dia cá...

Euclides Riquetti

Vai, Cafu!

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          O Cafu era meu vizinho quando nossas meninas tinham apenas um ano de idade. Era  pedreiro, trabalhava aqui e ali, em Ouro. Morava num anexo a um açougue desativado, do Benjamim Mioqueloto, há uns 8 metros de minha casa. Pois o Cafu tinha duas paixões: Uma menina e um menino,  e um time de futebol: O Inter, de Porto Alegre.

          Tinha bandeira do Inter, camisa vermelha do Inter, fotografias tiradas no Baira-Rio com os jogadores do Inter. Seu compadre, Dr. Vicente o levou lá para conhecer o estádio e os jogadores, e ele  tirou fotos com o Capitão Figuerôa, Falcão, Batista, Caçapava e Escurinho, todos craques daquele timão que fora campeão gaúcho numa grande sequência de vezes,  e ainda brasileiro. Numa das fotos tinha o Marcelo, um menino magrelinho, cabelos claros, filho do nosso médico. Até hoje esse menino, que agora já é bem adulto, posta fotos do Clube Gaúcho de seu coração na internet.

          O Dr. Vicente tinha um Fordeco. Um Fordeco, na década de 1970, inspirava charme e saudosismo. Equivalia a, hoje, ter um fusquinha daquele modelo que fabricaram até 1969, com aqueles parachoques cromados, que na hora de lavar davam mais mão-de-obra do que os que fizeram a partir de 1970. Gostava de desfilar com os filhos pelas ruas calçadas com paralelepípedos de Capinzal e Ouro. E, quando o Inter ganhava um campeonato, e ganhava muitos, comemoravam andando com o F-29.

          Mas, como não me propus a escrever sobre fuscas e sim sobre o Cafu, devo dizer que ele herdou o apelido graças ao de um ponteiro-direito muito veloz que jogava no Fluminense. Como ele trainava na mesma posição no Arabutã, o pessoal lá da Baixada Rubra, na antiga Siap, assim o apelidou. E, por uma acomodação da linguagem, uma corruptela da palavra, acabou se tornando o Cafu. "Cafú", pronunciado assim, mas sem acento, que a regra gramatical não permite.

          O Cafu recebia muitas visitas em sua moradia acanhada. Mas a esposa dele dava um jeito de tratar todos muito bem. Dona Eva resolvia tudo, até fazia o chimarrão. E o Cafu, na boa, sentava numa das cadeiras de palha, daquelas que o Fongaro produzia lá no Alto Algre, e acomodava o visitante. E, visita bem tratada, volta sempre. Quando chovia, era visita na certa, pois pedreiro que se preza não trabalha em dia de chuva, ainda mais se tem risco de asma. E outra coisa que não falta na caixa de ferramentas é o radio de  pilhas. Motorrádio, de preferência, com 4 pilhas médias. Pega de tudo. Até canarinhos, pombas, arapongas...

          Acomodado o visitante, a segunda parte era  a mostra do álbum  de fotografias. Virava cuidadosamente cada página, mostrava, explicava. Pois tinha até uma foto do Fordeco do Dr. Vicente, uma relíquea, com  bancos bonitos, lustrinho, rodas com raios cromados, até buzina tinha... E muitas dos jogadores do Inter.

        E, quando seu time perdia, abaixava a cabeça e ficava emburrado. Pegava um martelo e coitado  do prego que aparcesse na frente: era pancada em cima de pancada. A cerca da mangueira do açougue era o equipamento certo para suportar sua ira.

          Num em dia que foi fazer uma consulta, com o Dr. Vicente, é claro, me aparece em casa com uma caixa de papelão comprida. Eu não perguntei nada, pois cada um de nós cuidava de sua própria vida. No vidro de uma das janelas, colava santinhos do candidato adversário do meu nas eleições, provocava. Mas eu não entrava na dele... Nossa amizade era uma coisa, a política era outra. E ele era do Inter e eu do Vasco...Eles tinham o Falcão e nós tínhamos o Roberto Dinamite, que ainda não virara espoleta.

          No outro dia, quando volto da Escola onde lecionava, uma big de uma antena sobre o telhado. Pensei: "O Cafu comprou um televisor. Legal, agora a Eva vai ver novelas e as crianças vão ver o Balão Mágico. E ele o futebol".

          Na primeira oportunidade, entabulei conversa: "TV nova, Cafu?"

          "Não! É uma antena de FM. Não é de TV. Comprei um rádio FM e vou escutar a Transoeste FM, de Joaçaba. A antena é pro rádio!"

          Argumentei porque ele não comprou uma geladeira, então, que ainda não tinha. (Eu devia ter ficado quieto e não me metido na vida dele...)

         E ele respondeu-me: "A minha já tá chegando. Mais uma semana e você vai ver quanto frio vai fazer a partir de junho. Quem precisa de geladeira com um frio desses que vem aí?!"

         Esse era o Cafu!  Andei assuntando e me parece que se abriga  ali pelas bandas de Herval d ´Oeste. Ainda não obtive o endereço, mas vou encontrá-lo uma hora dessas. Quero ver aquele álbum com aquelas valiosas fotos dos maiores craques que o Inter já teve. E rever o Cafu e, de repente, reencontar suas crianças, que já devem estar bem grandes!

Euclides Riquetti
02-06-2013

Preciso do vento que vem do mar


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Eu preciso do vento que vem do mar
Preciso da lembrança para me embalar
Preciso do sol nas tardes e manhãs
Preciso de ti nas tardes e manhãs
E no sonho tenro que a noite me traz.

Preciso afirmar minhas convicções
Rever conceitos que me vêm e apago
Conter meus impulsos e frear emoções
Preciso do alento de teus afagos...

Sou como a mão que alinha tijolos
Dispondo-os siametricamente
Como o profeta que prediz os sonhos
Sonhadamente
Como poeta que empilha versos
Livremente, harmoniosamente!

Mas preciso de ti para formatá-los
E só para ti lê-los decerto
E só tu os ouças por certo.
Preciso...

Euclides Riquetti

segunda-feira, 11 de junho de 2018

No dourado do sol


Vitamina D. Quando o sol é mesmo uma fonte de saúde por excelência


No dourado do sol, eu vejo apenas um brilho
Igual ao  seu sorriso
Que como o seu rosto liso
Eu gostaria de apalpar...

Nas estrelas da noite, vejo  a prata brilhar
Igual aquele olhar
Que eu tanto admiro
E de que eu tanto preciso...

No luar que nos cobre e nos abençoa
E na voz que sorri e que diz que perdoa
Navega o meu pensamento...

Numa tarde quente e ensolarada
Caminhando absorto, numa longa estrada
Procurando-a no tempo...

Em todas as horas, em todos os momentos
Procurando-a no vento...
Sim!

Euclides Riquetti





O pós-greve e a mudança de comportamento dos consumidores



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       Passados os primeiros dias após a volta da circulação dos caminhões nas rodovias, vê-se a escalada de preços de alguns produtos, principalmente nos hortigranjeiros. Mas, também, pude observar o critério com que as pessoas procuram os produtos nos mercados, selecionando o que lhes é conveniente comprar. Olham os preços, fazem cara feia, não levam os produtos, ou compram bem menos do que são acostumadas, buscam alternativas, substituindo um produto por outro.

       Conversando com essas pessoas, é possível ver o quanto entendem de economia. Mais do que muitos economistas teóricos. Compreendem a Lei da Oferta e da Procura como poucos. Há a oferta já, normal, mas os preços estão acima dos que conheciam antes da crise. Então, compram menos do que costumavam, escolhem produtos que estão já há alguns meses nas prateleiras. Pequenas mudanças de hábito que lhes farão bem ao bolso.

       Ainda, é possível ver que há bem menos carros andando nas ruas. O preço alto da gasolina, para os postos onde abasteço quarenta centavos a maior, nos indicam aumento de 10%. Isso é muito. E, num ano, a gasolina ficou 50% mais cara. Se o dólar subiu 10 12 por cento, se o petróleo subiu 20 ou 25%, o reajuste do preço dos combustíveis foi desproporcional.

       O Brasil, segundo o ex-ministro Delfin Neto, incentivou, a partir de 2009, o crescimento da frota dos caminhões, facilitando os financiamentos com juros baixos e isentando impostos, prevendo um crescimento da economia em 4% ao ano, o que não aconteceu. Então, a oferta de fretes aumentou acima do que foi a necessidade de caminhões para transportar os produtos, fazendo com que houvesse a queda dos preços dos fretes. Agora, o Governo tenta ajustar a economia com intervenção legal, não de acordo com o comportamento do mercado. E isso poderá ser fatal para o Brasil.

       Em 1972, participei de palestras com um superintendente da Petrobras de São Mateus do Sul, onde se implantava a industrialização do xisto. Eu tinha vários colegas de classe, na faculdade, que trabalhavam na usina, tanto na operação quanto na administração. O Brasil buscava ser auto-suficiente, o planejamento era nesse sentido. Depois vieram os programas de produção de álcool, e a melhoria do padrão do transporte ferroviário e do de cabotagem. Mas houve um descuido governamental e o transporte rodoviário de cargas, consumindo o óleo diesel, passou para mais de 65%. Fala-se em até 80%. Erros de planejamento, decisões políticas erradas, má gestão da Petrobrás, corrupção, etc.

       Além da complexidade de todo o sistema de prospecção, retirada e produção do petróleo, há a logística da distribuição dos combustíveis, a alta tributação, os lucros e uma série de interesses contabilizáveis. Certas, estão as donas de casa que estão comprando com muito critério. Certos estão os que estão andando um pouco mais a é ou de ônibus, para comprar menos combustível. E o Governo que faça sua parte, replanejando a produção de energia, cuidando dos programas de implantação de usinas hidrelétricas, abrindo a possibilidade de implantação de ferrovias através de PPPs, repactuando os contratos de concessão de rodovias pedagiadas, e as montadoras produzindo caminhões o em número adequado às necessidades brasileiras. Há outras medidas que você, leitor, deve conhecer e que sabe que podem a ajudar. Estamos presenciando uma severa mudança de comportamento da sociedade.

Euclides Riquetti – Escritor – Membro da ALB/SC

Tu tens a mim e eu tenho a ti


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Entrego-te meu corpo e minha alma
Sem ressalvas
Para que os uses
E abuses.
Reservo-me a parte negra,  e dou-te a alva...

E te ofereço  meus beijos
Que se perdem com os teus
Que satisfazem teus desejos
E os desejos meus
Os que se avivam agora e os que hão de vir:
Tu tens a mim e eu tenho a ti!

Entrego-te,  de olhos fechados
Meu coração flechado
Despido
Livre, ou
Atingido
Pelo cupido!

Entrego-me o que tenho de mais sagrado:
A parte de min´alma sem pecado
E fico com o lado carvão.
(O lado escuridão)!

Entrego-te o melhor de mim:
Entrego-te meus versos, minhas estrofes e meus sonetos
Os limitados e os perfeitos
Os livres e os alexandrinos
Que só têm um destino:
Dizer que tu podes ter a mim
E que eu posso ter a ti!

Euclides Riquetti

domingo, 10 de junho de 2018

Aquela estrela que cintila no céu

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Aquela estrela que cintila no céu e me vê
Que me olha mansamente
Com seu olhar sensual
Com seu brilho atraente
Que me faz sentir-me contente
Feliz, disposto, jovial
É você! Só pode ser você...

Aquela estrela por quem me importo
Com a  qual me preocupo sempre e  sempre
E que diz importar-se comigo também
Que está sempre presente em minha mente
Para quem declamo meus repentes
Precisa ser minha e de mais ninguém
Pois nela me animo, revivo e conforto...

Aquela estrela que faz brotar a faísca da paixão
Aquela estrela deixa o perfume no ar
Aquela estrela que mexe com meu coração
Que vai e que volta mas vem me encontrar...

Aquela estrela vem no pensamento e não sai
Aquela estrela que chega até mim e não passa
Aquela estrela pendurada no céu que não cai
Que me olha, me beija, me encanta e me abraça...

Euclides Riquetti

sábado, 9 de junho de 2018

Falam as rosas

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Falam as rosas
Palavras perfumadas de veludo
Rosas formosas
Que dizem que eu te amo,  sobretudo.
Falam as rosas
E eu as escuto com o coração aberto
Pois que, ao certo
Elas me dizem muito, dizem tudo...

Falam as rosas
E dizem das canções que já ouvimos
Sobre nossos destinos
Sobre outras flores perfumosas
Que tocam nossos corações cheios de ternura.

Falam-nos as rosas
Delicadas, brancas,  cor-de-rosa...
Mas falam as rosas
Vermelhas, amarelas, delicadas
Como o som da brisa
Ou o brilho das estrelas prateadas
Falam as rosas!

Falam do amor
Que o destino resolveu manter distante
Das lágrimas que se transformaram em diamantes
Das mãos que tocaram minhas mãos
E dos lábios que beijaram os meus lábios
Como nunca antes!

Falam as rosas o ano inteiro
Como aquelas   que falaram em janeiro
E as que virão, certamente, encher-nos de perfume
Para acalmar a consciência que nos pune
No calor de todas as tardes de fevereiro:
Falam, suavemente
Falam, delicadamente
Falam as rosas!

Euclides Riquetti

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Loba mulher


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Loba mulher dos sonhos cor-de-rosa
Loba mulher dos pensamentos que anuem
Dos lábios que me retribuem
Dos pecados que os meus diluem.

Loba mulher dos cabelos molhados
Desalinhados
Perfumados...

Loba mulher de cabelos e olhos encastanhados
Delicados
Encantados...

Loba mulher
Dos sonhos e encantos
Que provocam meus prantos
(Prantos nada santos...)

Loba mulher fervilhosa
Deliciosa
Dos sonhos azuis, dos sonhos cor-de-rosa:
Loba mulher!


Euclides Riquetti

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Sem caminhão, o Brasil para! E para mesmo: parou!


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Minha coluna no Jornal Cidadela, de Joaçaba - SC
em 01-06-2018:


       A frase “Sem caminhão o Brasil para”, há muito usada pelos caminhoneiros brasileiros nas ocasiões de seus protestos contra os preços que consideram altos e abusivos nos litros de óleo diesel e pedágios, nunca esteve tão evidente como nas duas últimas semanas. E soma-se a uma nova: Intervenção militar já!

       Durante 11 dias estive ausente da cidade, em viagem particular. Fui por terra e ar, e pude presenciar a greve e a angústia em pelo menos 4 estados e o Distrito Federal. E nunca vi tanto jogo de informação e contrainformação em toda a minha vida. Vi a realidade de perto e pude sentir as mentiras de conveniência.  Jamais imaginei que eu fosse presenciar tantas cenas de desolação em tão poucos dias!

       O Governo Federal tem sido fraco, desacreditado e mentiroso. Ver figuras como Eliseu Padilha, Moreira Franco e Marum juntos numa mesma mesa para responder perguntas a jornalistas sobre a crise gerada por causa da greve dos caminhoneiros, nos causa ojeriza. E o Presidente da República, Michel Temer, reunido com Eunício de Oliveira e Rodrigo Maia, presidentes, respectivamente, do Senado e da Câmara, nos dá a impressão de que estamos vendo três trapalhões reunidos, tentando buscar solução para um problema que o Governo causou a si mesmo, porque foi majorando os preços dos combustíveis absurdamente e frequentemente, com três objetivos bem claros: a) agradar aos acionistas da Petrobras; b) recuperar a estatal dos prejuízos que teve em razão de desastrada gestão realizada por políticos corruptos; e c) arrecadar mais impostos decorrentes do alto valor praticado na venda dos produtos pelos postos de abastecimento.

       Vi manifestações pacíficas e filas de caminhões parados ao lado de rodovias na região de São Luís, no Maranhão.  Rodovias desertas na região metropolitana de São Paulo e de Brasília. Vi filas quilométricas em postos de abastecimento onde chegou o combustível. Vi o Presidente Temer dizer aos brasileiros que havia feito um acordo com os transportadores rodoviários de cargas, no quarto dia da greve, e depois tivemos a constatação de que havia negociado apenas com um segmento dos caminhoneiros, com os autônomos dizendo que não se sentiam representados por aqueles. Vi pessoas com carros parados nos acostamentos por falta de gasolina. Um motociclista empurrando uma moto com o intuito de chegar até um declive para poder voltar a sua cidade. Vi a indignação das pessoas que chegavam para comprar uma dúzia de ovos por treze reais, enquanto que o valor médio praticado no mercado é metade disso. Vi pessoas muito honestas e vi também muitos aproveitadores.

       Ouvi jornalistas a serviço “não sei de quem”, fazendo comentários nos meios de comunicação que estão muito longe da realidade. E o Governo tentando convencer os brasileiros de que a greve, após o aceite das propostas apresentadas pelos manifestantes, estava continuando apenas porque há infiltrados entre os caminhoneiros, apenas com intenções políticas. Ora, estive no meio dos manifestantes e vi o semblante de tristeza neles. Na região entre Araucária e União da Vitória, no Paraná, milhares de motoristas com seus caminhões, e de agricultores com suas máquinas de arar, plantar e colher, ocupavam áreas ao lado da rodovia federal, na terça-feira, 29. Não se pode dizer que aquelas pessoas, até fragilizadas em razão da situação por que estão passando, sejam malfeitores. Ou infiltrados, Cheguei a percorrer 25 Km num trecho entre General Carneiro e Água Doce sem encontrar um único veículo sequer, na tarde da última terça-feira.

        Em momentos assim, de crise institucionalizada, cada um tem seu discurso, segundo seu interesse.  Não acredito que os militares queiram pegar o rojão para segurar, nem a ponta torta para endireitar. Mas é assombroso o número de pessoas que estão se manifestando em favor deles, em todos os cantos do Brasil.  Estamos vivendo dois Brasis: o Brasil dos políticos desacreditados, com sua visão fora da realidade, e o Brasil dos que trabalham para sustentar os aproveitadores. Estes já estão cansados de carregarem o fardo sozinhos!

Euclides Riquetti – Escritor – Membro da ALB/SC

Eu te amo!

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O dia está nublado:
Eu te amo!
O dia parece encantado:
Eu te amo.
O dia parece emburrado:
Eu te amo...

O dia promete ser quente:
Eu te amo!
O dia é dia da gente:
Eu te amo.
O dia é o que a alma sente:
Eu te amo...

Cada dia é sempre um dia:
Eu te amo...
Cada dia é uma ousadia:
Eu te amo.
Cada dia é amor e alegria:
Eu te amo!

O dia, e cada dia, cada dia
Remetem a uma nova lembrança
A um mundo mágico, (uma dança)
Uma gostosa nostalgia...


Euclides Riquetti

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Pão quente! Saudosas lembranças

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Foto meramente ilustrativa
     
          O dia  não vira, ainda, os primeiros claros do sol que deveria vir de Leste. As pessoas já andavam pelas ruas em sua ida para o trabalho, quando a fábrica da Pagnoncelli Hachmann abria sua estrondosa buzina a vapor, anunciando à cidade e a seus funcionários a hora do início de seu trabalho. Algumas senhoras emoldurando a cabeça com uma fita vermelha ao pescoço, que pertenciam ao "Apostolado da Oração", dirigiam-se à Matriz São Paulo Apóstolo para a Missa das Seis que seria celebrada pelo Frei Gilberto. As crianças nem tinham saído de suas casas para tomarem o caminho de suas escolas.. O frio da noite inibira até os animais de emitirem seus uivos, piados, grasnados  e mugidos. Apenas um ou outro galo liberava o canto na garganta. Era ainda madrugada...

         O silêncio era quebrado apenas pelo toque-toque das ferraduras nos cascos de um cavalo zaino que vinha em marcha bem ritmada pela "ponte nova", tracionando uma charrete. E algumas senhoras desciam até as proximidades da ponte, ali defronte a Indústria de Bebidas Prima,  portando suas cestinhas ou esportas confecionadas com palha de trigo. Objetivo: comprar pão sovado, da Padaria do  Cadorim, a única existente no primeiro quarto da década de 1960.

          Lembro da época como se fosse hoje. Fiz até amizade com o padeiro, que depois virou meu colega de aula na Escola Técnica de Comércio Capinzal: Artêmio Tonial, o Padeiro. Adiante, foi sucedido pelo Alcebides Soccol. A cidade se habituava a essas pessoas que traziam alegria em forma de pão quentinho...

          E lembrar do pão que vinha na  caixa de madeira portada pela charrete faz-me volver  o pensamento para aquela cidade bucólica de nosso Vale do Rio do Peixe, com a praticamente ausência de veículos nas ruas naquelas horas da manhã. Apenas um ou outro caminhão carregado de toras de madeira para alimentar as serrarias. Quando acabava nossa fornada de pão caseiro meu pai ia,  às sextas-feiras, esperar pelo pão de padeiro. Era uma alegria comer aquele "sovadinho". Depois,meu pai e eu tomávamos o mesmo rumo naquelas saudosas manhãs: o Colégio Mater Dolórum, onde eu frequentava o Terceiro Ano Primário, tendo como professora a Dona Marli Sartori. E meu pai o Normal, em nível do atual Ensino Médio, que naquela tempo chamavam de Segundo Ciclo Secundário.

       E ele era o único dentre duas dezenas de mulheres. Ainda lembro de seu quadro de formatura e de algumas pessoas que tinham sua foto nele: Vanda Faggion Bazzo, Dr. Nelson de Souza Infeld e algumas freiras. E, como colegas, Luinês Soares, Inês Dalpisol, Estela Flâmia, Lourdes Eide Fronza, Doraci Infeld, dentre outras.

          Os anos foram passando, as coisas mudaram muito. As cidades entopetaram-se de carros, multiplicaram-se as padarias, mercearias, mercados. Inventaram mil e uma receitas, todas muito deliciosas. A cada dia inventam maravilhosos novos produtos nas confeitarias e padarias.  Mas há duas coisas insubstituíveis em minha cabeça e meu coração: O cheirinho do pão quente saído do forno a lenha que minha mãe fazia  e a maciez do pão sovado do Cadorim, que o Artêmio e o Bide nos traziam na charreta do cavalo zaino. Isso é impagável...

Euclides Riquetti
22-05-2013