quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Se as flores falassem







Se as flores falassem
Contar-te-iam minha história
Guardariam em tua memória
Para que ali restassem
Se elas falassem...

Se as flores pudessem falar
E dizer aos passantes sobre mim
Talvez fosse melhor assim
Porque você iria me procurar
Se as flores pudessem falar...

Se as flores me ouviram e me ouvem
No hoje, como me ouviram no ontem
E. de novo, me ouvirem amanhã
Sejam as amarelas ou as brancas das maçãs
Certamente que a ti também ouvem...

E elas poderiam levar nossos recados
Recados de carinho, de namorados
Para que misturassem nossos perfumes
Para que direcionassem nossos lumes
Para que misturassem os nossos pecados!

Euclides Riquetti

Leio, portanto escrevo!


 

 



 
Euclides Riquetti - Declamando para crianças no Centro de Educação Infantil Mundo Encantado - Joaçaba - SC

 Declamando num dos eventos de Canto, Arte e Poesia - Capinzal - Ouro - SC 
 
          De tanto me chamarem de  escritor, acabei até acreditando que o fosse. Ou que o seja ..  Não sou lá de dar muita importância a publicar livros, até tive poemas editados em coletâneas, mas nunca tirei o tempo para organizar um sequer, embora tenha material para pelo menos uma dúzia deles: uns oito de poemas, três de crônicas e um de História, esta relatando acontecimentos do Município de Ouro desde a sua colonização, época em que seu território era denominado Distrito de Abelardo Luz, pertencendo à Colônia de Palmas, Paraná.

           Minha predileção, em termos de poemas, é pelo soneto. Fui influenciado pelo meu saudoso e competentíssimo professor Nelson Sicuro, na FAFI, em União da Vitória, em que me formei em Letras/Inglês no ano de 1975.  Influenciado pelo também saudoso professor Francisco Boni, li dezenas de livros de Literatura Inglesa e Norte-americana. Tudo foi-me ajudando a formar meus conceitos e meu estilho. Escrevi, em 1974, um soneto "Uma Canção de Acalanto". Não guardei cópia, não memorizei. Tinha conseguido compor um "alexandrino" com rimas ricas, raras e métrica perfeita, isorrítmico. Que pena! Até compus um poema com o mesmo título, mas nunca próximo daquele.

          Em 1960 eu estava prestes a completar 8 anos e não ia à aula regular ainda. Eu voltara a morar com a família, já disse aqui no blog, depois de ter saído de casa (levado, né?...) com menos de 14 meses de vida, quando nasceu minha irmã,  Iradi. Meu pai me levava com ele,  uma ou duas vezes  por semana,  até a Escola de Linha Savóia, em Capinzal, onde ele lecionava. Era a maneira que a família tinha de me tirar de casa. E ele me ensinava a escrever minhas primeiras sílabas.  Eu gostava de ouvir os alunos lerem a cartilha em voz alta e achei que iria aprender a ler também. E isso de ler me aconteceu nos dois primeiros anos de aula no Mater Dolorum, em Capinzal também.

      Pois que, no dia 25 de julho daquele ano, houve a  realização do primeiro Festival do Escritor Brasileiro, acredito que em São Paulo, organizado pela  União Brasileira de Escritores. O escritor  João Peregrino Júnior era o seu presidente, e Jorge Amado o vice-presidente, e eles criaram, então,  o Dia do Escritor, numa homenagem a todos aqueles que têm habilidades ( e vocação...) para, através das palavras articuladas, escrever  relatos, histórias, fantasias, sentimentos e vivências. Sou sentimentalóide e saudosista. Imaginei, um dia, tornar-me escritor. Acho que estou conseguindo.  Li e  escrevo muito, Sou, portanto, escritor!

          Tenho meus ídolos. Não leio livros badalados, leio aqueles cujos autores considero que merecem ser lidos. Desde  a Condessa de Ségur, passando por  Machado de Assis, Jorge Amado, Cecília Meirelles, Charles Dickens, Edgar Alan Poe, Camões e Camilo Castello Branco,  Abílio Diniz, Ivonisch Furlani, José Cleto, Eloí E. Bochecho,  e Vítor Almeida, não importa se famosos ou não, leio-os. E por ler muito, escrevo muito.

         Então, neste Dia do Escritor Brasileiro, desejo homenagear a todos os que, de uma ou outra forma, expressam seus sentimentos e relatam os fatos que lhes são ditados pela vivência e o conhecimento. Ainda veremos o povo brasileiro transformado em leitor, mesmo morando num país onde até um ex-presidente disse, uma vez, que não gostava de ler...

Euclides Riquetti
25-07-2015

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Quero que a luz de seu sorriso volte






Quero que a luz de seu sorriso velho volte
Quero que a luz de seu sorriso novo brote
Quero que você sorria em todas as horas
Quero que comece a sorrir bem agora...

Apenas quero pra você o melhor
Apenas quero ajudar você
As palavras a dizer já sei de cor
Apenas quero ajudar você.

Quero que a luz de seu sorriso velho volte
Quero que a luz de seu sorriso novo brote
Quero que você sorria em todas as horas
Quero que comece a sorrir bem agora...


Apenas quero pra você o melhor
Apenas quero ajudar você
As palavras a dizer já sei de cor
Apenas quero ajudar você.

Euclides Riquetti
22-07-2016

Paixões desordenadas




Paixões desordenadas
Insensatez emocional
Reações desequilibradas
Desamor natural...

Paixões avassaladoras
Amor, amor de verdade
Perdições encantadoras
Doçura e sensualidade...

Paixões, todas as paixões
Afagos, muito carinho
Emoções, muitas emoções
Este é o caminho!

Paixões ordenadas
Ou desordenadas
Mas puras e bem
Vivenciadas...
Que nos incendeiam!

Apenas isso...
Bem assim!

Euclides Riquetti

Há um horizonte azul a nos esperar

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Há um horizonte azul a nos esperar
E corpos que  flutuam embalados em canções
Nas ruas da terra , através das gerações.
No azul da cor do céu, no  azul da cor do mar.

Há um horizonte azul  a nos amparar
Em todas planícies verdes deste mundo
Nos mares que cobrem do sol  rotundo
E ombros que me esperam pra chorar.

Havia um horizonte azul no teu olhar
Que me buscou entre os andantes do universo
E um doce abraço teu a me chamar:

Agora, em cada nova manhã de invernos e verões
O Poeta   te exalta  em prosa e verso
Ó  musa de meus encantos e paixões!

Euclides Riquetti

Vem afagar-me na noite de janeiro


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Vem tua alma encontrar-se com a minha
Alegremente
E teu corpo encostar-se ao meu
Vem sutilmente...
Acariciam-me as tuas mãos
Suavemente
Beijam-me teus lábios
Docemente!

Vêm teus olhos fitar os meus
Com toda a tua candura
E tuas palavras encontrar as minhas
Com brandura...
És a musa que Deus me concedeu
De alma pura
A flor que colho e beijo
Com ternura!

Vem, alma escondida em corpo escultural
Vem afagar-me na noite de janeiro
Vem me levar contigo, pra qualquer lugar
Vem pra tornar-me teu amado companheiro

Vem, afaga-me
Leva-me
Ama-me

Na noite de janeiro!

Euclides Riquetti

Meu primeiro poema (Só pra ti...)


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Depois da noite ruidosa
Muitíssimo ruidosa
Dos fogos, dos brilhos nos céus
Para continentais
Florestais
E ilhéus
Veio a noite silenciosa!
A noite calorenta também foi chuvosa
Para os solitários, morosa
E passou num átimo para os amantes
Também para os perdidos, errantes
Os sem destino, pobres andantes.
A noite calorenta podia ter sido estrelada
A noite passada.
Mas as estrelas, escassas
Não foram vistas pelas almas devassas
Regadas em champanhe.
E foram encontradas pela mente amorosa
Do poeta
Que as viu de olhos fechados
Na contemplação de seu imaginário.
E, quando a noite silenciosa voltou
Já era hora de os pássaros nos acordarem
Pois precisávamos, todos, festejar
Todos deveriam comemorar
Cada um à sua maneira
O ano novo que chegou!
Então, embalado no frescor da manhã que chega
Escrevo, pra ti, mulher solitária
Este meu primeiro poema!
Só pra ti!
Euclides Riquetti

A gente só chora por quem ama, amou, ou foi amado!

Relembrando:

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          Os cristãos católicos do mundo todo celebram, no dia 2 de novembro, o Dia de Finados, que também é conhecido como o Dia dos Mortos. Há, ainda, a denominação de "Dia dos Fiéis Defuntos". Isso ocorre desde o Século II, mas foi somente no Século XIII que a Igreja Católica impôs, através de Roma, que ele fosse dedicado, obrigatoriamente, para que os viventes visitassem os túmulos de seus entes queridos. Foi secundar o Dia de Todos os Santos, que acontecem no dia primeiro do mês de novembro. Dizem que a Igreja Católica baseou-se em em informações Bíblicas para fundamentar a data coomemorativa de finados.

          Mas, hoje, mais do que a presença do ser humano que visita os seus entes queridos num cemitério, tem-se que o que vale é a intenção de se prestar o reconhecimento a pessoas que queremos bem, o que me vem como algo  muito certo. Mas, rememorar as pessoas que amamos e nos deixaram, é uma prática que cultivamos em quaisquer de nossos dias.

          A prática de se visitar os túmulos dos entes queridos no dia 2 de novembro, porém, traz um pouco de "protocolo social". Enquanto que alguns acendem uma vela com a intenção de "dar mais luz" a quem já a a tem, e o fazem com muito respeito e carinho, e lhes levam pelo menos um flor, a mais bonita que possam colher no jardim de sua casa, outros compram belíssimos buquês, que vão adornar os túmulos nos cemitérios. Ainda, observa-se que, durante o mês de outubro, há intensa atividade laboral nos "campos santos", uma vez que as pessoas costuman fazer reformas em jazigos, pintar ou lavar túmulos. Há, em cada lugar, desde os montinhos de terra com uma velha cruz indicando que ali há um corpo enterrado, bem como verdadeiros mausoléus revestidos com mármores ou granitos.

          Algo também que deve ser considerado, aqui no Brasil, é o fato de que os cemitérios, públicos ou privados, precisam adequar-se à Legislação Ambiental, devendo passar por rigoroso processo de licenciamento para funcionar. Isso para evitar que os corpos em decomposição venham a contaminar os lençóis de água subterrâneos e os rios e lagos. Um processo de licenciamento envolve profissionais gabaritados, inclusive é de suma importância a participação de um geólogo no procedimento de avaliação do solo em que se localiza. Participei do licenciamento de um, junto com o amigo geólogo Jorge Augusto da Silva. Todo o processo somou mais de 50 folhas de papel com memoriais descritivos e plantas.

          O aspecto histórico dos cemitérios tem muito valor cultural, também. Aqui na região, o de Campos Novos tem centenários jazigos, com toda a sorte de arquitetura. Em Capinzal, há o cemitério redondo, pouco utilizado mas de muito valor histórico, segundo o saudoso historiador  Dr. Vítor Almeida. No interior de Água Doce, ali próximo à Fazenda Nossa Senhora de Belém, há um cemitério com belos jazigos construídos com muita arte.

          O Cemitério da Recoleta, construído pelo Padres Recoletos, em Buenos Aires, é um dos mais importantes e imponentes do mundo, seguramente o mais visitado da América do Sul, como atrativo turístico da bela Capital Portenha. Visitei-o no início do ano, pois queria conhecer o lugar onde repousa o corpo de Eva Maria Duarte de Perón, a Santa Evita dos argentinos. Sou simplesmente fissurado em Evita. Já li tudo o que me apareceu à frente sobre a vida da Primeira Dama da Argentina, que faleceu no ano em que eu nasci, aos 33 anos. Uma arquitetura fantástica, baseada na melhor arte parisiense e londrina.  Lá também visitei o túmulo do Ex-presidente Raúl Alfonsín, que o amigo Juca Santos dizia-nos que seria o salvador, pela democracia, do povo argentino. (E também dizia que viriam as eleições diretas e que Ulisses Guimarães iria ser o maior presidente da história de nosso país.)

         Na semana, fui levar velas e flores para meu pai, Guerino Riquetti, minha mãe, Dorvalina Adélia Baretta Riquetti, e meu irmão Ironi Vítor Riquetti, cujos corpos descansam lá no cemitério municipl em Ouro. Todas as vezes que vou para aquela cidade costumo visitá-los. Estar próximo de seus corpos aviva minha memória, faz-me lembrar de muitas e saudosas passagens que vivi com eles. E, hoje, só no ato de escrever este último parágrafo, não consigo conter minhas lágrimas. Isso acontece sempre que escrevo algo sobre eles. A gente só chora por quem ama, amou, ou foi amado!

Euclides Riquetti
02-11-2013         

Sonhos errados?






Sonhos errados que se tornam pesadelos
Sempre que sejam por nós sonhados
E, depois, não haverá como desfazê-los
Não haverá como serem apagados...

Sonhos errados, caminhos e rumos errados
Trajetória incerta, viagem sem direção
Decepção nos corações já abandonados
Perda da lógica, do equilíbrio, da razão...

Sonhos errados,  geram o arrependimento
Como fincarem-se estacas em areia movediça
Confusão nas ideias e nos pensamentos.

Sonhos errados, que geram os lamentos
Prisão perpétua com janelas de treliça
Sonhos herdados que nos legam sofrimentos!
 
Será assim?

 Euclides Riquetti

Um novo tempo

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Espero  por um novo tempo, um terno  novo dia
Uma nova e bela manhã, uma nova esperança
Um tempo de muito  amor, um tempo de alegria
Um tempo de colher, um  tempo de bonança...

Um belo novo ano, com êxito e sucesso
Saúde, paz e flores, rosas perfumadas
Poemas sem dilemas, versos e mais versos
Pecados absolvidos, almas perdoadas.

Um novo ano feliz,  com abraços e muitos beijos
Uma rosa vermelha, champanhe ou amarela
Lábios de cereja, de doce e de desejo...

Manhãs ensolaradas, tardes de céu azulado
Pensamentos profanos passando pela janela
Indo juntar aos teus, todos os meus pecados...

Euclides Riquetti

Cabelos de tranças

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Mulher dos cabelos de tranças
Que já foi menina, que já foi criança
Que já encantou meninos
E deixou lembranças...
Mulher da pele da cor do pinhão
Dos olhos da cor da noite
Que já teve todos sonhos
Do coração...

Mulher dos talentos incontáveis
Das palavras amáveis
Dos gestos irretocáveis...

Mulher das tardes nubladas e das manhãs ensolaradas
Mulher das noites estreladas
Que sonhou nas madrugadas...

Mulher que já foi menina, que já foi criança
Que já encantou meninos
E deixou lembranças...

Mulher: menina, moça, senhora
Hoje avó, criança outrora
Mas sempre mulher!

Mulher de sentimentos profundos
Da voz maviosa
Declamadora talentosa
Que nos sensibiliza:
Amiga, humilde, despreendida:
Amiga Amiga!

Euclides Riquetti

Anjo do olhar azul

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Anjo do olhar azul de céu,  na manhã ensolarada
Dou-lhe  todos os meus versos e os meus poemas
Por você componho-os na noite e na madrugada
Trazendo-lhe alento e amenizando seus dilemas
Doce musa inspiradora, doce mulher amada
Rainha, princesa, da alma alva e das faces serenas...

Motivo do desejo que invade todo o meu ser
Causa de minha  alegria e tanta felicidade
Cor de meus sonhos, da vontade de lhe ver
Ancora que me prende com toda a tenacidade...

Traga seus lábios rosados para que eu possa beijar
Motive-se para a vida que brilha com luz e cor
Voe com suas asas até onde elas a possam levar
Delicie-se com a vida, viva um mundo de amor...

Euclides Riquetti

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Reflexão para final de ano (crônica)


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          Quando criança ainda, numa de minhas férias escolares, fui passar um mês com meus avôs em Linha Bonita. Os Baretta  eram comerciantes, tinham um casarão que mais atrás servira também de pousada. E, naqueles idos de 1961, eu era bastante observador, cuidava dos movimentos das pessoas e daquilo que faziam. Lembro que,  nos domingos à tardinha, após os jogos de futebol, vinham os jovens de toda a redondeza para jogar baralho. E tomar umas "birotas". Naquele tempo não tinham geladeira, pois não tinham energia elétrica suficiente, embora a maioria das casas tivessem  um rodão d´água, que acionava um dínamo, que permitia clarear os ambientes apenas para umas duas, no máximo três lâmpadas. Então, a cerveja era resfriada num tanque de alvenaria, construído sob o assoalho de madeira, com água do poço, retirada com baldes de madeira também. E pediam para minha nona, Severina, cozinhar ovos na água, em dúzias, para matarem a fome no final de tarde.

          Lembro que um dos jovens senhores que vinham até lá era o Vitalino Bazzo, com chapéu de feltro cinza, terno da mesma cor, de um xadrez discreto. (Foi na década de 1970 que os paletós "xadrezão" entraram na moda. Combinavam com aquelas calças boca-de-sino e os cabelos longos das pessoas).  baldes do poço. E havia o Américo Módena, o Fernande Maziero, o Dirceu Viganó, o Nézio e o Vilson Rech, o Alcides Antonietto, o Nelson Falk, o Itacir Dambrós, o Valdir Baretta, que se misturavam com outros mais jovens e com meus tios. Tinham chapéu de feltro, que eram os chiques. Alguns, de palha. Comprei um aos 9 anos, quando já estava moranda na cidade e trabalhava. Lavava louça e lustrava a casa para uma prima. Com meu primeiro salário, comprei um belo chapéu.... Ah, e trabalhar não tirou nenhum pedaço de mim, não me queixo disso, mas me orgulho, pois aprendi a valorizar todas as minhas coisas.

          Na época, havia um cidadão que vinha da Estação Avaí, que ficava do outro lado do Rio do Peixe ,o Nelson Martins, e ia ver a namorada, filha de um dos muitos Barettas que ali moravam, do Serafim. E tinha algo que dava inveja a todos os outros: um par de galochas de borracha, pretas. Era um material bem elástico e flexível, um "sapato maior que envolvia um sapato menor", que não deixava que o de couro embarrasse, nem que nele entrasse umidade. E ainda tinha um guarda-chuva com as varetas de madeira, bem grande. Vinha a pé, passava pela balsa ou bote, vinha de uma distância de dois quilômetros e meio para ver a namorada. Quando passava defronte à bodega, todos o invejavam. Naquele tempo não conhecíamos ainda as capas  chuva, de nylon, que apareceram por lá apenas uns cinco anos depois. Imagine o sucesso dele se tivesse também uma capa de chuva. Ter uma, foi um de meus sonhos de adolescência, que não pude realizar, pois só "quem podia" conseguia ter uma. (Só consegui comprar um chapéu...)

          Era o tempo em que não havia tratores para trabalhar. Colhíamos trigo com foicinhas, usávamos as enxadas para carpir, as máquinas pica-paus para plantar milho. E trilhadeira alugada para colher o trigo. Havia máquinas acionadas a mão para debulhar ou moer milho. Depois vieram equipamentos a gasolina e os elétricos. Foi uma "revolução na roça".

          E, relembrando dessas coisas, das galochas que caíram em desuso, lembrei-me do cinzeiro que meu pai ganhou de uma aluna, lá do Belisário Pena, do 4º ano, a Cássia.  Isqueiro  era um presente bonito para um aniversário, dias dos pais, formaturas. (Agora, eu não daria cinzeiros ou isqueiros para ninguém).  E davam também abotoaduras, algumas combinadas com um filete metálico que prendia a gravata, tudo ornando e combinando. E, antes ainda, as mulheres usavam luvas e  chapéus, que as tornavam mais elegantes. Bonitas não, pois bonitas elas já eram, apenas que os ornamentos as deixavam mais atraentes, chamativas, engraçadas.

         Hoje os sonhos de consumo são outros, criaram outrs necessidades para nós, encontraram outras formas de nos atrair, contagiar. As máquinas de escrever foram substituídas por computadores com impressoras. Muitos deixaram de fumar e dar um isqueiro ou um cinzeiro de presente é coisa muito brega e deselegante. Luvas, agora, para o trabalho,  para pilotar motos, ou proteger contra o frio. As máquinas fotográficas convencionais foram substituídas por digitais. Os filmes de pelícola 35 mm estão dando lugar a sistemas digitalizados. As vitrolas , os gravadores de rolo ou fita, os toca-discos, deram lugar a mídias moderníssimas, chegando-se aos blue rays.

          Muitos  acessórios clássicos, tão presentes nas novelas e filmes de época e revistas  podem voltar à nossa mente nesses dias em que paramos para refletir a chegada de mais um final de ano. Pensar nos chapéus de feltro, nas abotoaduras, nas luvas das senhoras, nos isqueiros, nos cinzeiros, nas galochas, nas agulhas dos toca-discos e nos discos de vinil. Quanta coisa mudou e quanto ainda tudo vai mudar. Até as bodegas das colônias desapareceram, junto com a energia da juventude de muitos amigos que se foram ou que estão aí, resistindo ao tempo. Olhamos para trás e vemos um filme que nos traz simples, mas saudosas lembranças.  E nos resta pedir saúde a Deus, e que nossas ideias não caiam de uso, não se tornem obsoletas também!

Euclides Riquetti

A chama da paixão que arde





Quando a chama da paixão arde
Não importa se é noite, dia, ou fim de tarde....
Quando um coração transborda amor
Pouco conta se faz frio, neva ou faz calor...

Quando um sorriso num rosto se estampa
Porque a alegria vem dele brotando...
Quando, na manhã azul, o sol se levanta
 E seus raios as areias da praia vão bordando...

Quando os namorados fazem juramentos
E querem  misturar pra sempre os sentimentos...
Quando a poeira estiver se assentando na estrada
Depois do trote galopante da boiada...

Quando minhas rimas facilmente se combinam
Porque as palavras se foram campear ao vento...
Quando a melodia das canções nos fascinam
Mesmo que a alma se fira em sofrimento...

O coração arde em paixão
Sim, de verdade, é  a chama da paixão que arde!

Euclides Riquetti

Meus braços estendidos

Meus braços estendidos





Não derrames lágrimas que não sejam por alegria
Não deixes que te atormentem por motivos banais
Não aceites que te insultem em nenhum de teus dias
Não permitas que te entristeçam nunca, jamais!

Anda, vai em busca do que te possa fazer muito feliz
Anda, vai realizar nos horizontes azuis o teu sonhar
Anda, vai encontrar  a voz doce que sempre te diz:
Que na vida há muitas  formas de querer e de  amar.

Saiba que em todas as estradas haverá espinhos
Que a maioria dos  problemas podem ser superados
Que o mundo te dará  oportunidades e novos caminhos...

E que,  tanto no céu azul,  quanto nos campos floridos
Sempre haverá canções bonitas, ou sonetos rimados
Um coração muito aberto,  e meus braços estendidos!

Euclides Riquetti