quinta-feira, 25 de março de 2021

Gotinhas de orvalho

 




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Gotinhas de orvalho queimam
Quando caem na madrugada
São como princesinhas que reinam
Na terra dos sonhos e encantada.

Gotinhas de orvalho tão delicadas
Também podem causar avarias
Podem ser como pedras nas estradas
Ou como espinhos nas cercanias.

Gotinhas de orvalho também ferem
Ferem de dor, ferem  uma paixão
São como flechas que se desferem
E podem machucar meu coração.

Gotinhas de orvalho, ora inofensivas
Outras vezes vorazes e impetuosas
Caíram nas relvas de minha vida
Transformadas em gotas lacrimosas!

Bem assim...

O grito da sua alma

 




O grito de sua alma ecoa, livremente, no universo

Vem para encontrar o meu, sua ressonância
Enquanto meu pensamento jaz, ali submerso
Sob os eufemismos da matéria em substância!

O grito de sua alma, quando encontra a voz rouca
Da noite, dos lençóis de algodão, de travesseiro
Funde-se nas delícias de uma sensualidade louca
Para buscar em meus braços o afeto verdadeiro.

O grito de sua alma que me seduz afetuosamente
Move as imensidões, sobrepõe-se às montanhas
Cala em mim o desejo, que vem silenciosamente...

Vem para se juntar aos pingos da chuva fria
Vem para atiçar nossas vontades mais estranhas
Vem para me trazer amor, pra me trazer alegria!

Euclides Riquetti

Como um cusco esquecido...

 




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Sinto-me como um cusco esquecido
Pobre, feio, maltratado
Um cusco desaparecido
Que gostaria de ser encontrado
Um velho cusco ferido
Deprimido e abandonado!

Um cusco triste e sem dono
Como guaipeca judiado
Animal já velho e nono
Pra todo o canto jogado
Neste mundo mui medonho
Um cão que foi  rejeitado!

Sinto-me assim de repente
No dia em que chove demasiado
Eu deveria  estar contente
Mas estou dilacerado
Se for picado por serpente
Vou  morrer envenenado!

Fiz esta canção campeira
Na verdade um desagravo
Pra dizer pra companheira
Que mesmo estando chateado
Viverei uma vida faceira!

Euclides Riquetti

Não há estradas sem pedras

 




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Não há estradas que não tenham pedras
Poucas das roseiras não têm espinhos
Mesmo se o céu não mostrar as estrelas
Ainda assim haverá um bom caminho.

Não há mares sem águas revoltosas
Nem calmaria durante as tempestades
Atitudes precipitadas são desastrosas
E não haverá amor sem cumplicidade.

Para os conflitos haverá sempre saídas
Para as dificuldades haverá  solução
A regra é  andar de cabeça erguida
E manter a mente centrada na razão.

Equilíbrio, postura e perseverança
Asas para que voe toda a imaginação
Acreditar no amanhã e ter esperança
E colher os resultados que lhe virão!

Euclides Riquetti

Componho pra ti todos os meus poemas

 



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Componho pra ti todos os meus poemas
Quando ouço canções que me fazem sonhar
Já escrevi muitos deles, dezenas, centenas
Enquanto tu escutas os barulhos do mar...

Tento desenhar teu rosto claro e alongado
Usando os pincéis de minha imaginação 
Minha tela é o céu imensamente azulado
Emoldurado com os traços de teu coração...

Reconstruo meus versos antes carpintados
As palavras confusas realinho sutilmente 
Doou norte e rumos aos poemas cantados...

E, finalmente, eu te apresento a minha arte
O produto concreto gerado pela minha mente
Que vai pelo céu, na noite fria, a encontrar-te!

Euclides Riquetti

Tarde de sol, noite de sonhos ternos...

 


Manhã de céu desanimado

De sol se resignando, enfraquecido
Do vento triste, frio, acabrunhado
Dos rostos sóbrios, dos semblantes abatidos...

Tarde de gente altiva e animada
Rostos contentes e radiantes ressurgindo
Tarde doce, linda, ensolarada
O mundo inteiro está sorrindo.

Os corações tristes da manhã bem fria
Se alegraram na tarde redentora
E bailaram com as almas em harmonia.

De volta toda a energia reconfortante
Na espera pela noite promissora
Dos ternos sonhos e do sono deleitante.

Euclides Riquetti

quarta-feira, 24 de março de 2021

Dona da noite prateada




Dona da noite prateada
Enluarada
Dona da noite imaginada
Acalentada
Dona das noites e dos dias
Dona das noites e de minhas poesias
Dos dias encalorados e das noites frias
Dona de todas as noites
Minhas e tuas
Nuas...

Dona das manhãs claras
Das nuvens raras
E das lembranças caras...

Dona das notas das canções
Dos abandonados e dos encontrados
Dos sussurros amordaçados
Dos perdidos ... e de nossas perdições...

Dona...
Apenas dona|
Dona, assim
Dona de mim
Dona do meu livre verso
Dona do universo
Sem fim...
Dona de mim!

Euclides Riquetti

Quero beijar teus olhos sedutores

 



Quero beijar teus olhos sedutores
Apalpar as maçãs de teu rosto, avermelhadas
Quero  fitar teus lábios tentadores...
Acariciar as tuas madeixas onduladas.


Quero que cada beijo seja como o da primeira vez
E mergulhar no teu corpo que me alenta 
Mordiscar o perfume de tua tez
E cheirar tua pele doce  que me tenta.

Quero, sobretudo, ver teu belo sorriso
E sentir que sou amado, sou correspondido
Porque és tudo o que há de bom e de que eu  preciso!

Quero te querer, te desejar,  te quero
Quero te flechar e ser o  teu cupido
Quero te entregar todo o amor sincero!

Euclides Riquetti

Rezei por você

 


Rezei por você, adorável mulher
Pedi a Deus que realize seus sonhos
Escrevi as orações em folhas de papel
Para ler e reler nos momentos tristonhos.

Rezei orações singelas e poéticas
Orações para Deus e Nossa Senhora
Pronunciei as palavras ternas e diletas
E que possam ajudá-la em todas as horas.

Rezei, pedindo pela sua felicidade
Pela sua saúde, pelo seu bem-estar
Rezei porque sempre eu sinto saudades
Você que já  mora  no meu pensar

Rezei, rezei  muito,  infinitamente
Já perdi a conta de tantas orações
Quero que viva feliz e contente
E que possamos viver belas emoções.

Euclides Riquetti

Eu te fiz tantos poemas...

 



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Eu te fiz tantos poemas que nem me lembro
Gastei muita tinta em muito papel
Tentando ser um romântico menestrel
Inspirado pela tua perda ou pelo medo.

Eu escrevi milhares de versos, todos pra ti
Que nem sequer sei se tu já os leste
Mas, que não os lendo, talvez pouco perdeste
Alguns rabiscados de cuja letra esqueci.

Eu sonhei, nas noites, os sonhos dourados
Andei por ares remotos nas turbulências
Busquei sóis, luas, estrelas nas adjacências
Encontrei teu universo lindo e encantado!

E, como que num trono celestial, iluminado
Tu estavas lá com toda a tua elegância
Desafiando-me com toda a tua exuberância
Olhando pro mar revolto, escuro, abençoado!

Euclides Riquetti

Cuidemos bem de nossos filhos

 






Cuidemos bem de nossos filhos amados
Porque o amor deles é muito verdadeiro
Amemo-los com nosso coração inteiro
Eles que foram alegremente esperados.

Cuidemos dos filhos como das roseiras
Pois o belo precisa ser sempre cultivado
Nosso bem maior, então bem cuidados
Para que sigam as trilhas verdadeiras.

Cuidemos deles, dando-lhes a proteção
Rezemos por eles em todas as horas
Os pais que os amam os querem agora
E os quererão sempre em seu coração.

Euclides Riquetti

terça-feira, 23 de março de 2021

Mulher guerreira

 




Mulher decididamente guerreira
Alma bondosa, bela, carinhosa
Vence obstáculos e as barreiras
No caminho e na estrada sinuosa.

Doa o coração aos entes amados
Canta-lhe doces canções de ninar
Espera realizar o sonho sonhado
E banha os pés nas águas do mar.

Musa a inflamar versos ao poeta
Ao atiçar a sua mente criativa
Mulher segura, firme e discreta.

Musa mulher, tema de canção
Modelo emoldurada na pintura
Leva meu sonho na imensidão!

Euclides Riquetti

Triste...

 







Triste...
Porque a tristeza é melancólica
Real, não metafórica!

Triste..
Porque a tristeza existe!

Triste...
Porque mesmo a manhã ensolarada
Não foi suficiente
Para, na tarde acanhada
Ficar bem contente!

Triste...
Porque há um algo inexplicável
Que me detona, implacável
E me deixa triste
Porque você resiste...

Euclides Riquetti

Se eu soubesse pintar...

 


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Se eu soubesse pintar
Começaria pelo teu rosto contente
Pincelaria teu corpo envolvente
Poria vermelho nas unhas de  teus pés...

Se eu pudesse pintar
Pintar-te-ia com roupas pretas
Que te tornam bonita, atraente
Que te deixam morena fascinante...

Se eu soubesse pintar
Pintar-te-ia como és:
Com toda a tua exuberância
Com tua beleza e elegância.

Se eu pudesse pintar
Pintaria teu rosto com tinta clara
Cor da primavera que chegara
E o próprio verão cobrir-te-ia com verniz...

Mas,  todo o teu corpo
Idealizado, desejado
Eu jamais conseguiria concretizar!
Não eu, nem outro:
Ninguém conceberia o ideal de tua perfeição...

Mas teu beijo
Sensual, gostoso, (ardoroso?)
Eu levaria!
Tuas palavras
Doces, amáveis, (adoráveis?)
Eu também as levaria!

E teus olhos fugidios teriam que fitar os meus e dizer:
"Eu te amo!"

Euclides Riquetti

O nada... o amor sem fim!




O nada

Que se contrapõe ao tudo

O ócio

Da depressão o entrudo

O papel em branco

Sem lápis

Sem caneta

Como água sem rio

(Um grande e solitário vazio)

Sem valeta!


O não ter

O tudo faltar

A noiva sem altar

A casa sem goivos

A noiva sem noivo

O velho que não teve o novo

O novo envelhecido pelo tempo

Impuro

Prematuro!


O básico que falta

O silêncio do ostracismo

A vilania do consumismo

O poema sem rimas

A pobreza literária

A agonia primária

As confissões íntimas...


O cãozinho adestrado

Obediente

Inteligente

Educado.

O cabelo bem arrumado

As unhas aparadas

Delicadamente pintadas

Os sonhos sonhados

Os desejos frustrados

Abortados.


A vida é o movimento

O branco das nuvens intensas

Densas.

O azul do firmamento

O vão e frágil sentimento

A saudade

A reciprocidade

A flor sem jardim

O amor sem fim!


E eu, pensando em você:

Bem assim!


Euclides Riquetti