segunda-feira, 15 de maio de 2023

Revisitando o Deus Negro - boas memórias! (reedição)

 


 



          Não sei o porquê de hoje ter-me voltado à década de 1970, uma das mais produtivas de minha vida. Mas algo me impeliu a retornar a ela e, por conseguinte, relembrar de como era a vida dos jovens. Eu queria estudar, fazer uma carreira, construir uma vida digna, ter confortos que não tive antes, "ser alguém". E então  lembrei-me de pessoas que me apoiaram, me ajudaram... e também dos que me jogavam na vala da "ninguenzada".

           Quanta coisa contabilizei naquela década: Fiz 18 anos, terminei o curso de Técnico em Contabilidade, passei no vestibular, mudei de cidade, de estado, de trabalho, badalei muito, namorei,  terminei meu curso de Letras/Inglês, casei-me, tirei carteira de motorista, comprei meu primeiro carro, fiz concurso para professor, fiz minha casa, tive duas filhas, gêmeas. Ah, e escrevi algumas poesias que acabei jogando no lixo. Como gostaria de reavê-las! Apenas duas salvei, porque foram publicadas num livro, em União da Vitória e me restaram "Tu" e "Uma Oração para Você", esta muito significativa, que compus no verdor de meus 20 anos...

          Naquela década,  usávamos cabelos compridos, calças boca-de-sino e mais adiante pantalonas, camisa xadrez ou com estampas florais,  meias vermelhas, perfume Lancaster ou Pretty Peach. E, quem conseguia obter,  calça Lee ou Levi´s importada, indigo-blue. Era bacana ter jaquetas Lee ou então verde-oliva, a cor do Exército Brasileiro. Comprávamos distintivos "US Army" ou "Marinner", que aplicávamos nos ombros das jaquetas,  e isso era marca de prestígio perante a galera. Alguns conseguiam umas camisetas de malha de algodão que tinham a inscrição: "University of Californy" ou "Columbus University". Isso significava sucesso garantido.

          E as mulheres? Bem, a maioria delas também usava roupas assim, unissex. E a minissaia dos anos 1960 e as saint tropez  acabaram  substiuídas  por shorts curtos, aquelas meias "cabaret" e botas de cano médio ou longo. E, a partir de 72,  aquela onda de, no inverno, usar blusa de tricô e meia da mesma lã e das mesmas cores.

          Nos cinemas Guiliano Gemma fazia o Ringo derreter os corações das mulheres e as múscas italianas e  francesas que vinham nos compactos simples ou duplos e nos long-pays imperavam nas rádios.  A onda "inglês" veio meio junto, com  "The Beatles" em seu rock.

          Mas a grande onda da década veio por conta de uma ofensiva da Igreja Católica no sentido de mobilizar as novas lideranças jovens e reanimar as já maduras para suas lides religiosas.  Começaram com o cursíhos, obra iniciada na Espanha bem antes do que no Brasil.  Nunca participei de um, mas muitos amigos meus fizeram parte de ações cursilhistas. Jovens que optaram por deixar o seminário passaram a atuar como professores ou engajando-se nas atividades da Igreja. Inteligentes e com boa formação,  eram bons exemplos a serem seguidos.

         Foi nessa época que o corumbaense que foi para São Paulo aos 16 anos, Neimar de Barros, deixou o trabalho de junto à TV do Sílvio Santos, onde dirigiu os programas "Cidade Contra Cidade" e "Boa Noite Cinderela" e converteu-se de ateu para Católico Apostólico Romano. Tornou-se escritor poeta e pensador,  e passou a ter forte liderança dento da Igraja Católica. Visitou mais de 4.000 comunidades religiosas e vendeu mais de 4 milhões de exemplares de seus mais de 10 livros que escreveu nas línguas portuguesa e espanhola.

          Em 77, quando eu me iniciava efetivamente no Magistério Catarinense, na Comunidade de Duas Pontes, hoje município de Zortéa, em Santa Catarina, a moda  era ler "Deus Negro", de Neimar de Barros. Logo depois surgiram outros livros dele e o que mais chamava  atenção era "O Diabo é Cor-de-rosa". Todos liam, recomendavam, iam passando adiante a idologia, o pensamento do convertido autor. E, em seu rastro,  também vinha o Artur Miranda, que conheci lá na Casa Paroquial de Capinzal.
          Em 1986 Barros concedeu uma entrevista à Revista Veja que fez grandes estrondos nos meios religiosos brasileiros. Declarou que estava infiltrado na Igreja a serviço da maçonaria ( o que nunca foi comprovado, acho que foi invencionismo dele), que estava descobrindo os podres da mesma e disposto a revelá-los para o mundo. E declinou diversas "vergonhas" que estariam acontecendo nos meios eclesiásticos. A repercussão foi das piores.

         Eu tinha lido justamente os dois livros que mencionei, entrei na onda da época, era imaturo, não tinha propriedade sobre minha opinião ainda. Fiquei muito revoltado com ele e mesmo os comentários que li sobre ele, oriundos de seus admiradores internautas, não me fizeram mudar em relação ao péssimo conceito que formei a seu respeito. Acho que ele foi ou oportunista, ganhando muito dinheiro e se promovendo em cima da de nossa Fé, ou  um baita enganado,  que usou de meios pouco legítimos para atingir  seus nebulosos objetivos.

          Acho que de bom alguma coisa restou nessa história:  muitos jovens, na época, foram surgindo como lideranças nas cidades, alguns que se conheceram nesses encontros até constituíram família, tornaram-se importantes gestores públicos e privados, emprendedores, educadores. Enfim, essa geração teenager que tornou-se adulta  naquela década, deixou filhos com elevado nível de formação pessoal e intelectual que estão espalhados pelo Brasil e pelo mundo,  fazendo sua parte no contexto de nossa história.

          No ano passado, dia 06 de maio, bastante debilitado em função do Alzaimer de que estava acometido, Neimar de Barros veio a falecer. Sua morte passou em branco. Não pela doença, mas por ter sido rejeitado pelos eus fãs em razão da falta de coerência entre o que pregou e o que deixou de concreto como exemplo. Caiu no ostracismo e os brasileiros o esqueceram. Só lembram de seu nome os pré-idosos que viveram em seu tempo. Os outros, só conhecem o Neymar que joga no Santos, baita craque de bola!

Euclides Riquetti
27-02-2013

No Após Dia das Mães

 

 
                                           Miriam, mãe da Caroline, avó da Júlia, e Euclides

No Após Dia das Mães

       No domingo, 14, e nos dias que o precederam, vimos e ouvimos, por todos os meios de comunicação possíveis, mensagens de carinho e reconhecimento de filhos às suas mães. E muito mais das filhas que já são mães, e homenagearam suas genitoras. Bonito, oportuno e aplaudível! Também aqueles chavões tão conhecidos, como "todo o dia é dia das mães"!

       E hoje, apenas um dia depois, você já deu ao menos um "Bom Dia"  para a sua?  E, se já a perdeu, fez uma oração por ela? Lembrou dos velhos tempos, em que ela cuidou e protegeu você, educou,  encaminhou para a vida, até mesmo cuidou de seus filhos, netos dela?

         Lembrar dos pais, manifestar o seu carinho para com eles, (rezar por eles),  cuidar e proteger na velhice, é até mais do que cumprir um dispositivo constitucional que está na nossa Constituição Cidadã, no que diz respeito ao Direito da Família, onde se estabelece que os pais cuidarão dos filhos na infância e estes terão que retribuir, até prover, na velhice.

         Ora, para quem tem bom coração, bom caráter, senso humanitário e, sobretudo respeito com o Ser Humano, nem Lei é necessário! Então seu pai, mãe, irmãos, filhos, merecem e precisam de seu carinho, de seu abraço, de seu alô, presencial ou não. Um carinhoso e afetivo abraço, uma voz ao telefone, em mão dupla, com empatia, tudo é muito positivo, tudo é animador. 
 

       Tenham um feliz Pós Dia das Mães!

Euclides Riquetti - Poeta e cronista

15-05-2023

Beijo com sabor de vinho

 





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Quero um beijo com sabor de vinho
Com sabor frutado de madrugada
Um beijo sonhado
Desejado, esperado
Da mulher desejada!

Quero um beijo com muito carinho
Com o seco sabor do cabernet
Um beijo bem roubado de você
Daqueles que a gente rouba
E não consegue esquecer!

Um beijo que liberte os instintos
Que me incite, me energize
De vinhos de todos os matizes
Brancos, bordôs, rosados
De todas as varietais
Para eu não esquecer... jamais!

O seu beijo com sabor infinito
Com o delicioso sabor do Sanber
Que me faz sonhar onde eu ande
De dia, de noite, em todas as horas
Com a deliciosa cor de amora
Um beijo de vinho tinto
Mas que seja seu!

Euclides Riquetti

O balanço solitário nas areias

 



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O balanço solitário nas areias


Balança numa árvore suspenso
Um balanço de cordas, solitário
Enfeitando um magnifico cenário
Embalado pelo vento intenso.

Dependurado na árvore altaneira
Resiste às águas oceânicas
Que agridem as pedras vulcânicas
Ali onde se balançou
Ali por onde andou
Aquela mulher inquieta e faceira
Que pisou as brancas areias
Da praia de Canasvieiras!

E o vento agita a maré
Que traz as águas para baterem
E o barrancos ofenderem
Sob o olhar do homem e da mulher.

Viva o mar que busca o que foi seu!
Que enquadra a ganância humana
Que pega de volta o que não é teu.

Viva a paisagem soberana
Da ilha da magia
Onde eu, um dia
Vi uma santa  musa profana
Conduzindo seu corpo de sereia
A sombrear  a areia!

Euclides Riquetti

Gotas de cristal

 




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As lágrimas que rolam pelo seu rosto se transformam em pequenos cristais
Que, ao encontrarem as minhas, fundem seu brilho prateado
Enquanto seus lábios róseos, macios e adocicados
Desejam acariciar os meus ainda mais.

As lágrimas que brotam de seu ser carregam  seivas densas de emoções
Que, ao contato com as minhas, ensejam ternos sentimentos
Enquanto reúnem os mais puros e tênues elementos
Que se misturam às mais frágeis emoções.

O cálice do amor recolhe as lágrimas santas, já santificadas
Na realeza de seus olhos de azul mar
Que se tornam esmeraldas brancas e  cristalizadas.

E eu me faço e desfaço em lágrimas de desejos
Deleitando-me em seu choro e seu sonhar
Oferecendo-lhe meus abraços e meus beijos.

Euclides Riquetti

domingo, 14 de maio de 2023

Querer-te



Querer-te


Querer-te em todas as horas do dia

Querer-te na fresca madrugada

Para que eu possa matar a nostalgia

Querer-te para que te sintas amada.


Querer-te porque és muito atraente

Querer-te porque és bela e sensual

Porque isso me soa bem normal

Querer-te deliciosa e envolvente.


Querer-te, apenas por muito desejar-te

Querer-te porque é bom te querer

Querer-te comigo em toda a parte...


Querer-te abraçada, olhando o mar

Apenas pelo prazer de te beijar e ter

Pelo gosto de ter, pelo prazer de amar!


Euclides Riquett

Vidas que se perdem – Acidentes – Violência – Negligência?

  


Vidas que se perdem – Acidentes – Violência – Negligência?

       É assustador o número de pessoas que são vitimadas por acidentes de trabalho, ou de qualquer outra forma, principalmente na atividade agropecuária, aqui em nossa microrregião. A toda hora vemos ou lemos notícias sobre tragédias que envolvem pessoas, muitas vezes nossas conhecidas, que levam a vida dos seres e deixam no desespero os familiares que ficam.

       É comum saber-se sobre pessoas que se acidentam operando máquinas agrícolas ou industriais, quedas de telhados, choques elétricos, intoxicação por uso inadequado de venenos, tombamento de tratores agrícolas, quedas de árvores, quedas em árvores, ferramentas perigosas como motosserras, e outras causas letais. Infelizmente, perdem-se vidas preciosas, são as famílias que choram as perdas de seus entes queridos. Some-se a isso toda a violência contra as mulheres, as crianças e os velhos, mais os acidentes do trânsito, e se têm números alarmantes.

       Na semana anterior, um jovem de 25 anos, morador de Ouro, foi pego por uma máquina agrícola que operava, ao realizar a retirada de cipós que atrapalhavam o seu funcionamento, estando ela com o motor ligado. Imaginei o sofrimento de seu pai, de sua mãe, de seus irmãos, esposa e filho pequeno. Rezei por eles, nada mais haveria que pudesse ser feito. Há um mês, encontrando com uma autoridade daquele município, sugeri que quando da realização de sua Festa do Colono, em julho, durante seminário técnico que sempre acontece, fossem realizadas palestras ministradas por pessoas que conhecem a área, do corpo de bombeiros, ou de algum instituto que tenha pessoal qualificado, quando fossem relatados os casos costumeiros aqui em Santa Catarina, e mostrados os modos adequados de se trabalhar nas mais variadas situações, quando as fatalidades podem acontecer. E isso vale para todas as cidades, pois em todos os lugares infelizmente, coisas assim podem acontecer. Deus proteja todas as pessoas!

       IPTU caro – aluguel caro!  -  De vez em quando ouço pessoas comentarem sobre a quantia de salas comerciais fechadas em prédios, lojas com acesso direto às ruas, apartamentos, casas, residências uno-familiares, barracões, pátios, terrenos, etc. Não vou relatar os números porque não tenho comprovação, mas tomo conhecimento das causas: valor dos aluguéis muito altos, UPTU com valor estratosférico, legislação impeditiva, queda no poder aquisitivo das pessoas e no faturamento das empresas, teimosia de proprietários não adequarem seus imóveis à realidade legal e às condições de acessibilidade.

       Joaçaba é uma boa cidade, temos orgulho dela, mas está difícil para as classes pobre e média darem conta de seus compromissos. Bem que nossos vereadores poderiam propor a realização de levantamentos junto aos órgãos competentes para mostrar os números, para as pessoas exporem o seu pensamento, melhorarem a visão da realidade presente e, quem sabe, encararmos melhor os problemas. Sobre a famigerada LEI do IPTU de 2014, em que meteram a faca nos joaçabenses, muito se explica, mas pouco se justifica! A realidade é que pagamos impostos em elevada monta e aqui em meu bairro, por exemplo, ainda estamos aguardando que nossas ruas sejam pavimentadas e melhoradas. O discurso de que o dinheiro está sendo bem arrecadado é válido para quem tem os benefícios. Mas, para quem aguarda há anos pelas melhorias, fica sem nenhuma consistência.

       Brasil, país do mimimi, da política forte e da população fraca – Dá muito nojo ver como a política é enaltecida, como os políticos ganham tanto espaço na mídia, como os comentaristas emitem suas opiniões tendenciosas, como dão importância ao desimportante, como se deixa de cuidar do real para se alavancar o virtual e o fantasioso.  Nossa realidade presente é que pessoas estão perdendo o emprego, empreendedores estão cautelosos em investir e não vêm perspectivas positivas. O cenário pintado é um, mas o real é bem outro. Vendemos um país maravilhoso lá fora, mas aqui dentro sabemos muito bem das dificuldades que as pessoas têm para manterem sua família. Enquanto isso, há duas décadas estamos incentivando quem não trabalha a continuar acomodado, enquanto que quem produz é explorado e pouco considerado.

Euclides Riquetti – Escritor – www.blogdoriquetti.blogspot.com


Minha coluna no Jornal Cidadela - Joaçaba SC - em 12-05-2023

Esperando você passar!



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Fico esperando você passar
Seus pés marcando-se na areia
Molhando-se na água do mar
Inspiradora musa qual sereia
E eu, aqui, esperando você voltar...

Fico rezando pra que volte logo
E espalhe pelo vento seu perfume
Você é o jogo que eu mais jogo
Na noite escura é o vagalume
Por você não sei se canto ou choro!

E, na minha breguice mulamba
Vou escrevendo este poema novo
Pra reordenar a minha mente bamba
Pra que eu não me torne um louco
E possa navegar em onda branda.

Penso em você e olho pras galés
Que flutuam segurando os sonhos
Meu coração já não suporta um revés
Nem comportamentos medonhos
Apenas quer você, quer muito, quer!

Euclides Riquetti

Como a mordida da maçã

 






Eu quero ser como a sua mordida na maçã
Sentir a caliência de seus lábios vermelhos
Seus dentes brancos refletidos num espelho
Ou a avermelhada grana da fresca romã...

Eu quero ser de suas frases as reticências
O pensamento interrompido, a sua dúvida
O gostoso néctar das ameixas e das uvas
Ou breves hiatos de sua vida em turbulência...

Eu quero ser a nota da canção que você canta
Naqueles momentos de saudade, nostalgia
Pra devolver a você toda aquela alegria
Ser seu esteio, o seu norte, a sua segurança...

Eu quero, mesmo, é fazer parte de sua vida
Ser como a água que sempre mata sua sede
A mão que a afaga quando deita na sua rede
A resposta a suas questões não respondidas!

Euclides Riquetti

Que legado uma mãe pode deixar para uma filha? (Crônica para o Dia das Mães)

 


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Que legado uma mãe pode deixar para uma filha? (Crônica para o Dia das Mães)

 


          "Que legado uma mãe pode deixar para uma filha? Que tipo de lembranças, de lições, ensinamentos?"

          Imagino que a amiga leitora deve estar  remetendo seu pensamento de volta ao seu tempo de criança. Às   saudosas lembranças daquele ser que a pôs  no mundo, deu-lhe educação, orientou-a, ajudou-a  de alguma fora. Até a amparou na hora em que teve  filhos. Muitas, felizmente, ainda as têm por perto, muitas vezes dividindo  com elas o mesmo teto. Mas mesmo meninos e  rapazes seguem os ensinamentos de suas mães, pois são elas que estão presentes na maioria do nosso "tempo de criança".

          Perguntei a uma jovem senhora que lembranças ela tinha de sua mãe, que hoje já está velhinha:

         "Minha mãe teve uma presença muito forte e marcante em minha vida, embora eu tenha saído de casa muito jovem, antes de meus dezoito anos. Ela me deixou alguns princípios e valores que sempre procuro seguir. Respeitar as pessoas e dar-lhes o devido valor. Não ter nada do que não é legitimamente nosso. E, se alguém nos der algo, fazer um serviço para retribuir. Oferecer-se para fazer-lhe alguma coisa. Todos podem pagar por aquilo que recebem".

          Certamente que, seguindo essas orientações, ela se deu bem, constituiu sua familia, estudou, trabalhou e pode-se considerar uma pessoa realizada e feliz.  Claro que também aprendeu os afazeres do lar, os cuidados com a casa, com a comida, com as roupas. E, aquilo que se aprende com a mãe se internaliza, fixa, preserva-se.

          Ora, como é bonito ver uma pessoa dizer:  "Esta cuca me faz lembrar das cucas que minha nona fazia. E que, depois, minha mãe também fazia!"  E, agora, certamente que esta mãe, que pode já estar também sendo avó, ensinará suas filhas ou netas a fazer. Mas também poderia dizer em relação à macarronada  com seu delicioso e incomparável molho, o bolo de aniversário carinhosamente preparado ou enfeitado, a bolacha pintada com açúcar cristal colorido ou  com aqueles chumbinhos de confeitos. Ou a toalha bordada, o jogo de cama bordado e crocheteado, a blusa tricoteada, a toalha franjeada.

           Por falar em toalha, quando fui para a Faculdade e mudei-me para Porto União, minha mãe me fez uma toalha de algodão com uma belas franjas bem  trabalhadas. Era macia, gostosa, linda! Mas, naquele tempo, eu não entendia muito desse valor que as coisas têm, que trazem na sua elaboração o carinho das mãos dadivosas ou mesmo as lágrimas de uma saudade que ainda virá... E, para mim, veio, muitas, muitas vezes, fazendo brotarem-me lágrimas de saudades!

          Ah, cara leitora, que bom ter tido uma mãe presente, mesmo que morando longe dela!  Ou podido partilhar com ela todas as emoções de ter gerado os filhos, ver chegarem  os netos!

          Pois convido você a meditar. A voltar ao passado. A lembrar, relembrar. A analisar, com profundidade, quantas e quantas belas lições ela lhe deixou. Quantas vezes foi ombro para você chorar e, com sabedoria, ensinou-lhe a dar tempo ao tempo, aguardar a chegada de soluções para os problemas, respostas para suas angústias?  E, se ela não está mais aqui, faça-lhe uma bela e silenciosa oração. Deixe seu coração rezar por você. Se ainda vive, ligue pra ela, agradeça por aquilo que ela lhe deixou e lhe ensinou. Ou, se ela está perto de você, dê-lhe um abraço, entregue-lhe uma flor, deixe que ela perceba que você é aquela filha que ela quis ter.

          Hoje, em especial, da forma que for possível, dê-lhe seu mais profundo carinho!

Euclides Riquetti

Eu queria que o sol brilhasse

 





Eu queria que o sol brilhasse

Em todas as manhãs

Para que o céu mostrasse seu azulado

Para que seu beijo continuasse mentolado

Pra que sua silhueta se eternizasse

Em todas as manhãs!


Eu queria que tu ficasses ao meu lado

Nas nossas tardes e nas nossas noites

Que os anjos tocassem seus clarinetes

E que o glossário me desse todos os verbetes

Para te escrever os versos apaixonados

Nas nossas tardes e nossas noites!


Sim, como nas manhãs

Também nas tardes

Também nas noites!


Euclides Riquetti

14-05-2023









Faço rimas, faço poesia!

 


Faço rimas!

Ricas, pobres, femininas

Ou, quem sabe, masculinas...

Talvez eu tenha alguma habilidade

Pois faço poesia...com  facilidade!


Tanto quanto o chapeiro

Faz o x-salada

Ou quanto o poeta tenteia

E, assim, homenageia

A sua namorada!


Faço minhas rimas!

Para moças e meninas

Para crianças ladinas...

Até para senhoras sonhadoras

Que têm a alma encantadora!


Tanto quanto o sanfoneiro

Que deixa  toda a galera animada

Gente que na pista requebra

Música antiga ou moderna

E deixa o dia mais faceiro!


Faço rimas

Todo o dia:

Faço poesia!


Euclides Riquetti

14-05-2023



Sol, onde você se escondeu?


 



Sol, por que você se escondeu?

Onde você  foi parar?

O que foi que lhe aconteceu

Que teima em não retornar?


Fugiu de mim, talvez ofendido...

Provavelmente com razão

E eu fico desprotegido

Esperando por sua compaixão!


Então, volte, sol dos meus dias

Volte, ilumine os meus sonhos

Traga-me somente alegrias

E dias ensolarados, risonhos!


Apenas isso...

Bem assim!


Euclides Riquetti

Bom dia, mamãe...

 


   






Bom dia, mamãe!
Bom dia pra você que cuidou de seus filhos, que os educou com carinho, que teve o apoio do esposo com quem dividir as tarefas de cuidar, educar e prover...

Bom dia pra você que, por uma ou outra razão, teve que cuidar deles sozinha, sem um companheiro leal e digno com quem dividir as responsabilidades (porém com quem não precisou dividir o mérito e o êxito da tarefa bem cumprida...), foi mãe e pai...

Bom dia pra você, que não teve como ficar junto ao filho ou à filha, não por questões de preferência, mas por causa de circunstâncias que levaram a isso, causando-lhe dor e sofrimento...

Bom dia pra você, que perdeu seus filhos, cuja vida tornou-se um recordar de bons momentos, sem a condição da presença deles, mas que sabe que os amou e foi por eles amada, e que um dia se reencontrarão num outro plano...

Bom dia pra você que teve que ralar, teve que trabalhar desde o amanhecer de cada dia, até tarde da noite, mas que o fez sem queixar-se, sabendo que como resposta e prêmio terá sempre o amor incondicional de filhos e dos demais descendentes...

Bom dia pra você que partiu cedo, foi morar com Deus, mas que ficou confortada pelas orações dos filhos que ficaram, e que sempre sentirão saudades...

Bom dia pra você que abre mão de seu conforto, de seu próprio lazer, para dedicar aos filhos e netos o seu tempo, provendo-os de amor e, muitas vezes, de seu sustento...

Bom dia pra você que pode orgulhar-se de seus filhos, de tê-los amado sempre, lhes dado a maior atenção e digno apoio, e que os viu seguirem seus ensinamentos e buscado propagar o bem...

Bom dia a você, criatura adorável, que teve o coração do tamanho do mundo, que fez caber neles tanta gente, que conseguiu dar-lhes amor incondicional e sem tamanho, foi uma verdadeira mãe...

Bom dia a você, que de alguma forma, com sua  complexidade ou simplicidade, com seu orgulho ou sua humildade, com sua força ou fraqueza, com sua determinação ou timidez, mas que, sempre, foi uma verdadeira mãe!

Parabéns a vocês, queridas Mães!

Euclides (Celito )Riquetti

Esperando você passar!

 



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Esperando você passar!


Fico esperando você passar
Seus pés marcando-se na areia
Molhando-se na água do mar
Inspiradora musa qual sereia
E eu, aqui, esperando você voltar...

Fico rezando pra que volte logo
E espalhe pelo vento seu perfume
Você é o jogo que eu mais jogo
Na noite escura é o vagalume
Por você não sei se canto ou choro!

E, na minha breguice mulamba
Vou escrevendo este poema novo
Pra reordenar a minha mente bamba
Pra que eu não me torne um louco
E possa navegar em onda branda.

Penso em você e olho pras galés
Que flutuam segurando os sonhos
Meu coração já não suporta um revés
Nem comportamentos medonhos
Apenas quer você, quer muito, quer!

Euclides Riquetti