sexta-feira, 20 de junho de 2014

Pobrezinho, mas bem perfumado!

          Tenho ótimas lembranças e saudades de meu amigo Padilha. Trabalhei com ele de 1972 a 1977 no Mallon, em União da Vitória. Iniciamos na Rua Clotário Portugal 974, e depois nos transferimos lá para a BR, um pouco depois do Café Primor, da família Krügger dos Passos. O Padilha era o perfeito "gente boa"! Ele o Sapo (Alcir Teixeira), eram os bambas em Caixa, Diferencial e Motor.

          O barracão da oficina, agência Mercedes-Bez, era enorme. Havia a parte que dava de frente para a rua, em que, no térreo, trabalhávamos na Seção de Peças eu, o Mauro (Iwanko) e o Altamiro (Beckert). No kardex, a Alvina (Nunes Lell).  Nosso chefe era o Silvestre Schepanski, um compridão  que viera de Canoinhas. Jogara futebol no Santa Cruz. Tinha uma Synca Chambord em que a bateria não ajudava muito. Vinha de biclicleta para o serviço. Na oficina, o Solon Carlos Dondeo, que tinha uma novíssima Variant verde-oliva, comandava a tropa. O Carlos Konart era o recepcionista, que tinha o cargo charmoso de "Consultor Técnico". O Polaco (Dionízio Horodeski), o Justino (Polzin), o Miguel (Semianko) e  o Ilmo, lidavam com caixas e diferenciais. O Sr. Luiz era ótimo chapeador. O Sr. Pedro, com o genro Airton, faziam a parte de ferraria.

          O Padilha vinha à janelinha da Seção de Peças: "Bom dia, Euclides! O Respeito é a chave de todas as portas!". Eu o cumpimentava, ria. O Padilha era um ótimo astral, sempre tinha uma palavra amiga, um jeito bom de motivar os colegas. Pegava no pé todos. E ainda perguntava: "Como está a bonitona lá de cima? Será que vai trazer a folha hoje (de pagamento)? Referia-se à Sandra (Probst), uma moça de uns 19 anos, do escritório.  E emendava; Ah, seu eu fosse mais novo!!!

          De certa vez, o Padilha cometeu uma gafe sem tamanho. Ficou um tempão envergonhado. Ocorre que tínhamos um freguês, proprietário de um caminhão Mercedes LP-321, um "cara chata", azul, o Luiz Carlos Daldin. O Daldin tinha cabelo raspado, cabeça bem calva. Pois naquele dia viera um gaúcho muito parecido com ele e do mesmo tamanho, usando calças US Top, e com um caminhão idêntico ao dele. Precisava trocar uma mola da suspensão. Caminhão consertando, ele sentou ali defronte à recpção, ao lado esquerdo da entrada da oficina e ficou tomando um chimarrão. Havia uns exemplares do "Jornal O Comércio" e "Traço de União" para lerem,  e algumas revistas. Pois o Padilha veio com a mão suja  de graxa lubrificante  Marfak e passou na cebeça careca do cara. Este, virou-se e olhou para o Padilha sem entender nada. O Padilha endoideceu! Passou a mãe engraxada na cabeça do cara errado.  Só faltou ajoelhar-se para pedir desulpas...  E os colegas vieram, todos, para ver o que acontecia.Uns zoavam e outros tentavam ajudar o mecânico a explica-se. Ainda bem que o gaúcho era "do bem e da paz", entendeu a brincadeira e foi lavar a careca com uma estopa embebida em gasolina...

          O Padilha era muito feliz. E nos fazia felizes. Muitas vezes chegava na janela faceiro, cantando ou assobiando e dizia: "Pobrete, mas alegrete! Café preto, mas bem doce! Pobrezinho, mas bem perfumado!" Assim era nosso colega Padilha, o simpático amigo de quem nunca mais tive notícias...

         Tenho muitas saudades de meus colegas lá da Mercedes da Rua Clotário Portugal. Depois, mudamos lá para a BR, onde novos funcionários foram contratados e a turma ficou bem maior...

         Lembro, sempre com muita alegria, dos bons momentos que vivemos ali!

Euclides Riquetti
20-06-2014

quinta-feira, 19 de junho de 2014

É noite...

É noite, dos pensamentos sem dono
É noite de novo...
É noite das estrelas prateadas
Das almas condenadas (perdoadas??).
Mas é noite!

É a noite dos namorados
É a noite dos sonhos encantados...
É a noite das orações
Das dores nos corações...
É, sim, é a noite!

A noite é  dos amantes
Dos beijos provocantes
A noite é dos aflitos
Dos versos escritos e ditos
A noite é apenas a noite...

E, atrás daquela  janela
Alguém se esconde.
Atrás da cortina singela
Uma voz responde:
Estou aqui...
Pensando em ti!
Somente em ti.
Em ti...
(Aqui...)

Euclides Riquetti

quarta-feira, 18 de junho de 2014

O Amílcar e o Zap-zap da Nena!

          Liguei para o Amílcar. Eu estava preocupado com as enchentes em Porto União e União da Vitória, onde tenho familiares e convivi com ele na juventude. O Celular da Tim está uma calamidade. Mais calamidade do que nas cidades onde choveu e os rios transbordaram. Então ele me retornou ligação por um telefone convencional. Disse-lhe que estava preocupado com a situação calamitosa, que vi fotos no facebook dos amigos de lá. O Bairro São Cristóvão totalmente coberto por águas. Assim o Rio da Areia, o São Bernardo, o Santa Rosa e os arredores da "Ponte do Arco". Na Manoel Ribas,  havia água num longo trecho, bem depois do Túlio de França. Eu morei no número 1.000, em frente ao Posto do Zeca Ravanello e dos irmãos dele. A água estava uma quadra abaixo do Posto Ipiranga.

          O Amílcar falou-me que até desistiram de entregar erva-mate nos mercados de lá. Muitos deles estão invadidos pelas águas. "Sabe, Riquetto, a Avenida Bento Munhoz, aquela que nóis costumava andá de bicicleta, tá tudo alagada. Mais de um metro de água. Lá onde tinha o campo do São Bernardo, tudo debaxo da água. As oficina mecânica, posto de gasolina, escolas, capela, madereras, tudo feio. Até o Governo anda por lá de alicópitro. Mais nóis sabemo, vai sê sempre assim. O rio vem sempre buscá o que é dele, o cisco que deixô na otra inchente."

          Falei-lhe que tenho comunicação na internet com amigos que me relatam, a todo o momento, sobre a situação. E que aqui, graças a Deus, não aconteceu nada de grave, que o Rio do Peixe é violento, mas que, comparado com o Iguaçu, onde as águas andam lentas, não houve elevação em níveis preocupantes. Perguntei-lhe como está sua Nena, a neta, a filha, o genro, o pessoal  de General Carneiro e de Palmas.

          "Óia, Riquetto, tirando que o precio da erva baxô um poquinho, o resto  a zente resolve. A netinha tá que é uma lindinha. A Nena tá grudada naquele zapezape do telefone que se iscuta e se vê gente. Otro dia, por causo desse zapezape fiquei sem gasolina no Gól. A bateria tava fraca porque tava frio e dexei o auto ligado e disse que era pra ela cuidá inquanto eu ia busca um Melhoral na farmácia e um pacote de Rinso no armazém. Lá eu incontrei o amigo Albino e ficamos falando de futebol. Quando cheguei in casa o motor do carro tava parado cum a save ligada. Funcionô mais de uma hora e ela num se alembrô de desligá. Resultado: foi-se a gasolina... Tudo por causa daquele zape-zape que ela num larga de mexê."

          Tive que rir muito da indignação dele. Perguntei o que estava achando da Copa, do time brasileiro. Disse-me: "O Filipon percisa dá de "reio ou de soitera"  nos jogador. Cambada de medroso. Contra o Méssico, ficarum o primero tempo lá atráis cum medo dos otro.  E despois, só quando o zogo tava no fim é que foro pra cima deles. Bem feito que num ganharum. Mais asso que vamo ficá im primero no nosso grupo. Veza bem o que tá aconteceno quá Ispanha: ganharum a mala de vorta antes do tempo!"

         Convidei-o a nos visitarem. Disse que é difícil porque a Nena, se é pra sair de Palmas, só pra General ver a neta ou para fazer umas compras em União da Vitória. Agora, com a situação tão anormal, nem isso.

          Despedimo-nos combinando que, certamente, vamo nos encontrar em Canasvierias lá por setembro ou outubro. É sempre bom reencontrar amigos, não importa como são. Mas amigos  de verdade, são verdadeiros mesmo em sua simplicidade.

          Abração, amigão Amílcar!

Euclides Rquetti

         

Abençoa, meu Deus, as pessoas de bem

Abençoa, meu Deus, as pessoas de bem
Homens e mulheres que, com muita nobreza
Ajudam animais e crianças indefesas
E aquelas que ajudam os velhinhos também.

Abençoa, meu Deus, os que sentem fome e frio
Os que, sem lar nem família, dormem ao relento
Ou, deprimidos e doentes, vivem em tormento
E também os flagelados da beira do rio.

Abençoa, meu Deus, as mães que choram de saudades
Pelos filhos distantes,  ou os que não vão mais voltar
Também os pescadores que partem pro mar
E os operários que produzem para as nossas cidades.

Abençoa, meu Deus, este  povo brasileiro
Que se  honra com o trabalho e que cresce no estudo
Todos aqueles que sonham e que, acima de tudo
Defendem seus ideais com  força de guerreiros.

Abençoa, meu Deus, as pessoas de bem!

Euclides Riquetti
17-06-2014


segunda-feira, 16 de junho de 2014

Anda, na Chuva!

Anda, na chuva
Caminha, na curva
Anda, no dia desensolarado
Cinzento, nublado
Mas anda na chuva!

Deixa que a água fresca encantarada
Molhe tua alma esbranquiçada.
Deixa que teu  pensamento navegue,  solto
Sobre um mar confuso e revolto
Mas anda na chuva!

Anda, na chuva da tarde, da noite, da madrugada
Caminha na manhã, esperançada.
Abre tua alma (alva) jazida em incertezas
Pensa em mim, pensa com leveza.
Pensa em mim, na curva, na chuva.

Mas pensa em mim!

Euclides Riquetti

domingo, 15 de junho de 2014

Zortéa - Memórias Literárias e Poemas...

          Quando cheguei para trabalhar no Distrito de Zortéa, interiorzão de Campos Novos, a vila era muito pacata. Havia a "Poderosa", ou seja, a Zortéa Brancher S/A - Compensados e Esquadrias - com pouco mais de 500 funcionários. Atendia todo o mercado nacional, o sul americano,  e tinha grandes negócios com países europeus. Em 1977,  cheguei para lecionar na Escola Básica Major Cipriano Rodrigues Almeida, convidado que fui pela Diretora Vitória Leda Brancher Formighieri e pelo esposo Aníbal, un gaúcho de Passo Fundo, Diretor Administativo da Empresa. Pela tarde, eu trabalhava no Financeiro. Adiante, passei a Assessor Administrativo.

          A ZB era a empresa que mais empregava e tinha um faturamento extraordinário na época. Seus produtos eram de altíssima qualidade. Na Escola, eu lecionava Língua Estrangeira Moderna (Inglês), Língua Nacional  (Portuguesa), e ainda tinhas algumas turmas de Educação Física e PPT (Preparação Para o Trabalho). Tínhamos uma escola muito apoiada pela empresa que  disponibilizava moradia para os professores que não tivessem casa própria. Também garantia o mobiliário, a conservação, material de expediente, xerox e ainda liberava o telefone do escritório, o único da comunidade, para que a escola fizesse uso quando dele precisasse. Nunca vi, em nenhum outro lugar, uma escola receber tanto apoio privado.      

          Os funcionários da ZB eram incentivados a estudarem, tanto na Escola Major Cipriano Rodrigues Almeida, quanto em Capinzal, e na antiga FUOC, de Joaçaba. Aos do Ensino Médio pagava-lhes o ônibus. Aos universitários, auxiliava com combustível. Todo o empenho da empresa em apoiar a Educação gerou resultados altamente posiitivos, adiante. Embora tenha sido desativada, seu grande legado foi ter gerado cidadãos que estudaram, tornaram-se líderes. Houve uma campanha emancipatória e o Distrito tornou-se Município. Seus prefeitos e alguns  dos vereadores foram meus alunos.

          Independentemente das preferências políticas de quem mora lá, e eu respeito e admiro todos eles,
Zortéa ganhou muito em tornar-se Município. Eu mesmo, sempre avesso à criação de novos municípios,  admito que, em que pesem os gastos com estruturas políticas e administrativas, as emancipações são válidas em distritos onde haja muita força e cultura de trabalho, como é o caso de Zortéa. Para quem conheceu aquela vila, é um orgulho poder andar em suas ruas bem asfaltadas, obras de artes correntes bem planejadas e executadas, edificações públicas bonitas e, já conhecemos, uma ótima estrutura para a Educação, desde a Creche até o Ensino Médio. Encantei-me, deveras, com a cidade.

          Na quarta-feira à tarde, dia 11 de junho, retornei àquele lugar de onde guardo ternas e aprazíveis lembranças. Fui para conversar com os alunos da professora Izabeti Bonato (de quem fui profesor de 1977 a 1979), quando era adolescente. Dirigi-me à Escola Major, não sem antes dar uma passada pelas ruas da cidade. Na sala dos professores, reecontrei amigos e conheci outros. Estavam lá O Marcelo Jung, Diretor, e os professores e funcionários Edna, Sandra, Delci, Marisete, Fernanda, Denir e Raquel. Amáveis e receptivos, lembrei e mencionei sobre como era a antiga edificação, que foi destruída por um vendaval na  década de 1980. Tinha uma biblioteca fabulosa, com muitos livros e coleções de revistas. Havia uma fileira de palmeiras que foram plantadas pela equipe do Sr. Cavichon, funcionário da empresa. A construção em tijolos aparentes fabricados a poucos metros. Os móveis na cor azul claro. As janelas de cinza bem claro.

          Não há, também,  como não lembrar com saudades dos colegas professores e funcionários daquele época...

          Cerca de 110 alunos, foram trasportados até a Escola Novo Horizonte, localizada no Bairro Conceição, loteamento que, há 4 décadas, foi concebido pela família Santos, organizado pelo Oscar. Está totalmente habitado. A escola tem uma estrutura muito boa, dispõe de um auditório bem aparelhado, as mais modernas tecnologias estão colocadas à disposição dos alunos. Conversei com eles, dei-lhe um panorama de como poderiam escrever poemas e memórias literárias  para a Olimpíada Nacional de Língua Portuguesa. Relatei sobre pessoas e famílias com quem convivi, declamei alguns de meus poemas e falei sobre as crônicas mais recentes, em que utilizei fatos e personagens locais.
          Senti que houve empatia e interesse. De Zortéa saíram alguns jovens que se tornram doutores, foram estudar nas grandes capitais dos estados brasileiros e mesmo na Europa e Norte da América. Tenho centenas de ex-alunos que se sucederam muito bem trabalhando em diversos ramos de atividade, tornaram-se bons pais de família e até dedicados avôs e avós. É gratificante poder falar bem dessas pessoas e relatar que, mesmo em tempos muito difíceis, superaram obstáculos e foram buscar o conhecimento e o êxito em seus projetos pessoais e profissionais.

         Ora, como foi bom rever toda aquela paisagem encantadora, observar a imensidão ao transitar pela Rodovia, lembrando das pessoas, das casas antigas, das quais poucas restam, pois foram substituídas por unidades maiores, melhor arquitetadas e mais confortáveis.

          Espero ter deixado algumas sementes de minha experiência e que, aquela geração de alunos inteligente, bonita  e saudável  que esteve nos ouvindo,  possa produzir poemas e memórias literárias não apenas para ganhar ou não os concursos, mas para marcar as épocas, a história das famílias e da comunidade, e os grandes acontecimentos dali.

Um carinhoso abraço, zorteenses!

Euclides Riquetti
15-06-2014

Um Príncipe Poeta!

Eu quisera ser
Um príncipe encantado
Aquele por ti esperado:
Alto, ágil, sedutor!
E, de ti, apenas poder  receber
E também te dar meu  amor!

Eu quisera merecer
Um pouco de tua atenção
Que me quisesses de paixão:
Ter teu olhar envolvente
Poder fazer-me perceber
Sentir-me desejável  e atraente!

Um príncipe galante e sorridente
Vestindo roupas brancas adornadas
Que,  com sua espada  afiada
Desafiasse os teus infortúnios e medos.
E que, no manejar  da lâmina reluzente
Cavalgasse por entre florestas e vinhedos...

Um príncipe encantado, sim!
Envolto em vestes de cetim
Um príncipe cavalheiro, na certa:
Um príncipe poeta!

Euclides Riquetti
15-06-2014

sábado, 14 de junho de 2014

Lá, onde mora o coração

Lá, onde mora o coração
Há mistérios infindáveis
Há enigmas indecifráveis
Há segredos inconfessáveis
Lá onde mora o coração.

Lá,  onde mora o coração
Consegue chegar o pensamento
Vai pelo ar, com o vento
Vai livre, vai com o tempo
Lá onde mora o coração.

Lá , onde mora o coração
Há lábios certamente rosados
Há lábios por mim desejados
Há amor e há pecados
Lá onde mora o coração...

Euclides Riquetti

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Revisitando o Barro Preto, em Capinzal

          Na quarta-feira, 11, revisitei o Barro Preto, em Capinzal.  Fui convidado pela professora Izabeti Bonato a dar uma palestra aos seus alunos de Língua Portuguesa. A Escola Ernesto Hachmann, por seus alunos do 5º ao 8º ano, está participando da Olimpíada Nacional de Língua Portuguesa: Poemas e Memórias Literárias são as modalidades de participação. Marcamos para começar às 8,15. Cheguei meia hora antes. Gosto de sentir o clima previamente, conhecer as pessoas, conversar com elas. Conheci as responsáveis por manter o ambiente físico limpo e saudável, bem como quem cuida da arrumação dos pátios e jardinagens.

          Saindo da Rodovia Estadual,a estrada da Amizade, ali pelas redondezas dos Pelizzaro, adentrei pela estrada que leva ao Barro Preto, Barro Branco e depois ao Rio Uruguai, na divisa com o Rio Grande do Sul. Que decepção! Ora, há 23 ou 24 anos atrás, a tal estrada, de menos de 4 Km de extensão, recebeu uma obra de asfaltamento. Participei da inauguração, convidado que fui pelo Município de Capinzal, como Prefeito da cidade de  Ouro. Havia um palanque montado, em madeiras, coberto por lonas. Discursos bonitos, muitas autoridades, lembro bem. Os anos passaram e a camada asfáltica foi-se deteriorando... Provavelmente que os pais de muitos dos aproximadamente 80 alunos que me ouviram, estivessem presentes ao evento, mas agora tem-se que não houve a devida manutenção. Em resumo: a estrada foi patrolada, não tem mais asfalto, só terra e cascalho: retrocesso... 

          Acho que o acesso ao Barro Preto, cuja "vila" está bem organizada e as ruas centrais com asfalto e boa conservação, merece um projeto decente. Imagino uma "avenidona", com um canteiro de flores central,  e "duas pistas de ida e duas  de frida". E posteamento de iluminação pública distribuído nos canteiros. Seria um prêmio do Poder Público àquela comunidade, à sua história. Ali, o bravo Helmuth Hachmann e seus familiares deixaram muito de seu suor, geraram muitos empregos, muita receita tributária ao Município de Capinzal, Estado e País, com a produção de pasta para papelão e madeiras. Os seus reflorestamentos portentosos representam muito para  a economia local.

          Mas, o que me alegrou muito foi reencontrar colegas professores, como a Diretora Helena Dupont Leder, a Dona Terezinha Andrade, a Vânia Schwaizer,  e minhas ex-alunas, hoje professoras, Márcia Meloto, Veranice Lovatel, Karla Vicari Menegaz, bem como as Simone, Patrícia, Kauane, Graciele, Ana Paula, Rosi,  e o gaúcho Claudionor. A escola está bem estruturada, foi construída pelo Estado, com efetiva contrapartida de Capinzal e até da empresa dos Hachmann. Tem um Ginásio de Esportes para a prática de Educação Física, tem uma bela estrutura. Disseram-me, os alunos, que souberam que haverá uma reforma do prédio. Concordo com eles, está precisando de algumas melhorias e uma pintura nova....  

          Os alunos de lá são muito educados e atenciosos. Ouviam, até aplaudiam após minhas delcamações. Mostrei-lhes meia dúzia de poemas e li-lhes duas crônicas. Mostrei algumas técnicas de composição, do soneto, por exemplo. Falei da importância de as comunidades registrarem a história das pessoas que fizeram parte delas, por mais simples que sejam. Houve quem localizasse parentes nas personagens de minhas crônicas. Falei sobre a importância de lerem muito, de estudarem, de conhecerem o mundo através da leitura. E que tudo é possível, desde que a gente não aceite acomodação, mas sim que lute para conquistar o que se quer. Senti  boa receptividade. Acho que vão fazer ótimas produções para participarem da Olimpíada e ainda, dali, sairão escritores, no futuro. Lembro que , no passado, pelo menos dois jovens nativos  publicaram livros de poemas.

          Agradeço a todos pela atenção que me dispensarem e fico contente em ter podido colaborar com a minha ex-aluna Izabeti Bonato, hoje formada em Letras, e que está dinamizando as atividades na produção literária daquela escola. Toda a dinamização é válida e enseja resultado positivo: é aquilo que entendo como "mobilização para a aprendizagem". Parabéns, amigos do Barro Preto, em especial da Escola Ernesto Hachmann.

Abraços em todos!

Euclides Riquetti 
13-06-2014

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Sobre as nuvens

Andar sobre as nuvens, sonhar
Na flutuação divinamente algodoada
Na tarde azul e ensolarada
Deixar-se levar, viver,  embalar
Na tarde de outono encantada...

Andar sobre as nuvens alentadoras
Na imensidão do céu de azul pincelado
Na estação das folhas, no dia acanhado
Deixar-se afagar pelas vistas sedutoras
Na espera  da hora de um encontro almejado...

Andar sem corpo,sem peso,  sem volume
Apenas alma, olhos, coração
Apenas alma, olhos, paixão
Seguindo os rastros de teu perfume
Tentando me reencontrar da perdição...

Sim, apenas andar sobre as nuvens!

Euclides Riquetti
12-06-2014

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Uma Oração para Você

Quando o céu parecer mais azul, atrás dos montes,
E as tímidas árvores receberem os primeiros raios de sol,
E as flores fizerem a vida mais colorida,
E até mais azuis ficarem as águas das fontes...
Então estarei pensando em você, menina!

Quando quente o tempo estiver em dezembro,
E eu estiver um pouco mais velho do que agora,
E minhas noites ficarem tristes sem seu calor,
Mesmo que eu não saiba onde você esteja vivendo,
Eu estarei pensando em você, querida!

Mas o tempo não para e chegará o outono!
As folhas,  já pálidas como eu, cairão sobre a terra,
Virá o vento e nuvens escuras cobrirão o céu,
A chuva fria molhará o meu rosto sofrido...
Mas estarei pensando em você, meu bem!

E quando o inverno chegar novamente,
E eu andar pelas ruas ao encontro do nada,
E como hoje o vento soprar fortemente,
Pensarei em você sem rancor, com saudades...
Pois quem errou fui eu, meu amor!


Euclides Riquetti
Composto em julho de 1973
e publicado no livros "Pismas - volume IV, da Coleção
Vale do Iguaçu", em União da Vitória - PR - em 1976,
(com ilustração).

terça-feira, 10 de junho de 2014

O Futebol

O futebol é a grande paixão do brasileiro.

A paixão que move os corações
É a mesma que move os pés
Que faz com que as pessoas, de todas as idades
Busquem, com determinação
A conquista da vitória!

No verde gramado dançam
Harmonicamente
Os corpos dos atletas.

Nas arquibancadas desenham-se
As mais espetaculares coreografias
E o grito de gol,  incontido
Sai das gargantas dos aficcionados
Pelo esporte bretão
Que encanta e envolve as multidões.

Este, está presente em todos os lugares, a toda a hora
Em todos os pensamentos!

É um Brasil de chuteiras
Para um povo
Onde todos somos técnicos em futebol!

Empunhamos nossas bandeiras
E levamos as cores de nossos times pelas ruas
Pelas fachadas dos prédios
Pelas janelas de nossos carros.

E, neste contexto, desenha-se o cenário do sonho
Da busca da glória
Do vencer
Da superação!...

Euclides Riquetti
(A pedido da Michele, em 02-07-2003

Sou do tempo em que...

Sou antigo. Do tempo em que não tínhamos as facilidades de agora. Mas conseguíamos levar nossa vida. Sou do tempo em que:

. se adoçava o café com açúcar mascavo porque o branco era reservado para quanto "tinha visitas";
. óleo de soja ninguém conhecia e se consumia "Sol Levante"  e "Pimor" fabricado com "caroço de algodão;
. azeite de oliva era chamado de "óio bom" (óleo bom) e era considerado remédio;
. toda a mãe preocupada com a saúde dos filhos lhes dava "Biotônico Fontoura ou Sadol";
. para dores em geral,  comprava-se Melhoral ou Alicura na farmácia; mulheres consumiam Cibalena;
. garoto propaganda era o Mazaróppi; agora é o Neymar Júnior. Mas eu prefiro as com o Felipão e o Murtosa;
. Dona Flor tinha dois maridos; agora, muitas têm muitos e muitos têm muitas; outros, não têm nada ou ninguém porque "tudo é uma questão de preferência";
. nas listas de compras para ir às bodegas, chiquemente chamadas de "armazém de secos e molhados e armarinhos em geral", não poderia faltar: querosene, linha em carretel e retrós, sal amoníaco, café Sevezani ou Santini, colorau, bolacha "Maria", chimia,  pimenta em grão e canela em rama. Coco ralado e margarina era coisa pra rico;
. carro era "auto", depois virou "possante", inflamante", carango, máquina, bólido; mas no Rio Grande continua sendo "auto";
. o sonho de consumo dos "que podiam" era ter um Jeep Willys. Quem comprava "Fuque", Sinca, Mercury, Chevrollet ou Ford, indispensavelmente, tinha que ter uma "jogo de correntes" guardado num saco no porta-malas para poder andar nas estradas enlameadas;
. gente fina usava camisa "Lunfor" das Casas Pernambucanas. Depois passaram a ficar "chiques" usando "Volta ao Mundo ou Volta ao Espaço"; roupas de  Ban-lon, que deixava as mulheres belíssimas e elegantes e os rapazes "cheios de razão", também era coisa pra "gente fina";
. polenta a gente comia porque era comida "barata" e como havia sempre muitas bocas a alimentar e pessoas que precisavam de energia para o trabalho era indispensável. Hoje, é luxo; Pão de milho era feito mais para economizar trigo, mas já era muito gostoso, quentinho, com melado de cana ou mel;
          Bem, você deve estar com uma lista de coisas em sua cabeça também. Cuide bem dela (da lista e da cabeça), pois agora, em  que tudo acontece rapidamente, pode ser que ninguém mais saiba o que essas coisas representaram para você.

Um grande abraço!

Euclides Riquetti
10-06-2014

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Amar (Jamais te perder...)

Mar...
Luar....
Olhar...
Sonhar! (Querer)

Flor...
Amor...
Calor...
Dor! (Sofrer)

Navegar
Divagar...
Namorar...
Amar! (Pretender)

Canção...
Paixão...
Emoção...
Coração! (Viver, viver!, viver!)

E, entre verbos e substantivos
Te ver... tecer... te ter...
E, entre versos (re) sentidos:
Teu ser...
Apenas te querer.
(Jamais te perder!)
 
Euclides Riquetti

domingo, 8 de junho de 2014

A Terceira Feijoada da APAE Joaçaba

          A Terceira Edição da Feijoada da APAE de Joaçaba foi realizada no Pavilhão Frei Bruno, o salão paroquial da Catedral Santa Terezinha, no centro da cidade. Nos dois anos anteriores,  foi na sede campestre do Clube Dez de Maio. Foram 700 ingressos vendidos e 70 pessoas trabalhando na estrutura do evento, neste sábado, 07 de junho. A Feijoada da APAE vai se tornando tradição por aqui. Excelente padrão de organização, muitas pessoas engajadas e apoiando uma Instituição muito séria e qualificada.

         Eventos gastronômicos são a oportunidade de reencontrar amigos e nesse não foi diferente. Mestre Juca Parizotto, marido da Zete,  nosso vizinho e ainda conterrâneo, oriundo da antiga Linha Sete de Setembro, é muito habilidoso e caprichoso naquilo que faz. Feijoada deliciosa, com todos os ingredientes. Arroz e feijão URBANO, conseguidos através do Ronei, seu irmão, marido da Suzana (Tiepo), que representa a marca. Uma das vantagens da realização no Frei Bruno é que as pessoas da área central podem ingerir cerveja, vinho e caipira sem se preocupar com dirigir, pois tm estratégica localização e é possível ( e mais fácil) o acesso a pé. Caipirinhas com nosso Steinhaeger Dobre W, lá de Porto União, uma bebida de altíssima qualidade. O Dobre W é o único Steinhaeger legítimo fabricado no Brasil. Conheço desde 1972, quando fui estudar em uniãoda Vitória.

          Vale registrar o reencontro com o casal de conterrâneos  Gilmar e Eliane Bonamigo, o "Bona", sete anos Tesoureiro da Liga Independente das Escolas de Samba de Joaçaba e Herval d ´Oeste, pessoa de eficiência incontestada, que agora, merecidamente, está buscando seu descanso.  Ainda tivemos a alegria de rever o Alan Vetorazzi e sua mãe Maria Luzia, a Luana Marca e a Lucélia, estes da Erva-mate Charrua, esta mesma que me acompanha enquanto escrevo minhas crônicas e poemas, garrafa e cuia sempre ao lado do teclado. Ainda, a Marli Deczka, nossa sempre colega de magistério,  e a Dona Vivina, vizinha de apartamento do Fabrício. Também o Professor Juscelino Ferraz, vereador em Joaçaba, o Ricardo Grando e outros. Acho que já estou bem enturmado por aqui...

          Importante a presença dos apaeanos: Professores, Direção, Diretoria, Funcionários, Colaboradores e sobretudo, os familiares e os próprios atendidos. Estes, pessoas muito amadas e amorosas.

          A APAE de Joaçaba é uma entidade certificada com a ISO, o que mostra o quanto é organizada. O trabalho do ex-Presidente Carlos Brustolin tem sequência com o do professor Waldemar Ronssen Júnior, rapaz muito competente e que conheço muito bem. É uma Instituição muito respeitada e presta um trabalho de muita relevância no campo social.

Parabéns, apaeanos, exemplo de organização social e comunitária em Joaçaba!

Euclides Riquetti
08-06-2014