terça-feira, 27 de outubro de 2026

Voa, pensamento...

 






Sagaz inspiradora de palavras e  versos
Mergulha-se  em devaneios e ilusão
Escravos pensamentos estão despertos
Companheiros na  sua solidão.

Olhos brilhantes e meigos que  censuram
As palavras nos seus lábios pronunciadas
As mãos graciosas outras mãos seguram
O sonho que rouba as  madrugadas.

Vaga pisoteando pedras entre a verde relva
Vaga sem cuidados, sem limites, sem reservas.
Entre sucessos, tropeços  e conquistas.

Voa o pensamento entre as nuvens alvas
Voa no firmamento sua dileta alma
Enquanto a névoa lhe embaraça as vistas.

Euclides Riquetti

Uma estrela na escuridão

 



 


 

Há uma estrela singular em meio à escuridão
Uma nuvem branca em meio à turbulência
Uma doce musa que me traz a inspiração
Uma presença que compensa todas as ausências.

Há um gemido de prazer que vem de uma janela
Um sussurro no ar que me chama à atenção
Um reencontro provável depois de longa espera
Um aceno de olhar, uma provável paixão.

Há uma esperança renovada, uma nova luz que brilha
Uma retomada de caminho, uma possibilidade
Para uma alma frágil, débil, maltrapilha.

Mas há uma força que me levanta, impele e anima
E que me devolve a uma bela realidade:
A de lutar por quem meu coração sugere e determina!

Euclides Riquetti

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Que bom reencontrar-te

 


 



Que bom reencontrar-te

Saber que ainda vives

Que teus anos não foram perdidos...

Que teve momentos bem vividos.


Que bom reencontrar-te

Saber que tu existes

Que não foste uma página vazia

Que cultivaste tua alegria.


Que bom reencontrar-te

Ter notícias tuas

O mundo é um labirinto infinito

E, contigo, é ainda mais bonito...


Que bom reencontrar-te

Num lugar de sinuosas ruas

E ver que também gosta de flores

Brancas, vermelhas, de todas as cores...


Que bom reencontrar-te!


Euclides Riquetti

Pra ti, minhas melhores energias

 



 



Pra ti, minhas melhores energias

Tudo o que eu possa liberar de meu ser

A confiança e o otimismo que faz crescer

A motivação que nos traz só a alegria!


Nem todos os dias são ensolarados

Há aqueles que nos deixam depirimidos

Mas eles podem ficar animados

E para isso, muito amor é preciso!


Conte com o meu em todas as horas

Rezo por você desde que me levanto

O rosto que sorri é da alma que não chora

Escrevo-lhe este poema com amor e encanto!


Euclides Riquetti

Pare... pense...recomece!

 



Pare, pense, e se tiver que chorar, então chore
Cante, encante, e se tiver que sorrir, sorria
Faça tudo o que tiver que fazer, não demore
Sempre é tempo de recuperar a alegria!

Lembre, relembre, e talvez precise recomeçar
Volte, revolte-se, e se não está se sentindo bem
Procure novas formas de reviver e de amar
Pois, se estiver, alguém pode estar também.

Busque a harmonia em tudo o que for fazer
Exale leveza e cortesia em todas as suas ações
Não machuque corações, não os faça sofrer.

Jamais esqueça de que retroceder é virtude
Melhor voltar atrás do que sofrer desilusões
Melhor ver o mundo com a devida amplitude.

Euclides Riquetti

domingo, 25 de outubro de 2026

A canção que vem das estrelas

 


 

 






Ouça a canção melódica que vem das estrelas
Que brota dos sentimentos e vai pelas estradas
Você pode, sim, facilmente percebê-las
Porque elas se deitam no céu nas madrugadas...

Ouça e preste bem a devida atenção
Cuide de cada nota por ela propagada
Guarde a melhor delas em seu coração
Fiz para você, minha eterna namorada...

A canção que vem das estrelas é meu presente
É algo que lhe dou para que sempre guarde
E, quando a alma de meu corpo estiver ausente
Ouça-a na manhã fresca  e na suave tarde!

Euclides  Riquetti

Cheiro de chuva e mato

 





Sinto, em você, o cheiro de chuva e mato
Os odores da paixão que se traduzem
Os sabores da ilusão que se misturam
Com meu cheiro, seu cheiro e o do mato!

Sinto, em você, o frescor da tarde chuvosa
A cor da flor, da semente que foi guardada
E que se tornou planta da mesma germinada
O odor da flor perfeita, do cravo,  da rosa! 

Sinto, em você, o cheiro doce da saudade
Das horas, dos dias e meses que passaram
Ainda  o cheiro das estrelas que apagaram
Que se reacenderam em sua real majestade!

Sinto, em você, o cheiro puro e indizível
E me delicio, em você, tão perdidamente
E me envolvo, com você, alegremente
No cheiro de chuva, de mato, indescritível!

Euclides Riquetti

Capinzal e Ouro em luto: Perdemos Evandro Segalin

 



       Evandro era um jovem inquieto, ágil, simpático e feliz. Inticava com os colegas, sorria, corria, fazia o que uma criança gosta de fazer. Foi assim na adolescência e na juventude. Formou-se Engenheiro, casou-se, teve uma filha, trabalhou, chegou a maturidade. E, com ela, uma patologia que o fez sofrer: sofreu e dor física e a emocional. Lutou! 

       Perdeu o pai, que ficou com problemas clínicos nos últimos anos. Teve que, primeiro, ajudar a sua mãe, Marlene (Leal), nas lides da empresa da família. Lutou bravamente contra sua doença. Reconstruiu sua vida pessoal, sempre teve o amor da família e da linda e amável filhinha. Na terça, 20,  depois de duas semanas internado no Hospital da Unimed, aqui em Joaçaba, seu coração parou. Já vinha conseguindo respirar somente com ajuda de aparelho. Na manhã de terça-feira, me veio o recado de sua mãe: "O Evandro faleceu". 

       O pai, Nilton, foi meu colega no Ensino Médio, jogou no Palmeirinhas da Rua da Cadeia, no Juvenil da São José, no campinho da família Bazzo. Sua família teve oficina de funilaria no centro do Ouro, seu Santo Segalin e outros familiares, mais Waldomiro Morosini, eram hábeis na lida com zincos, estanhos, latas de alimentos. O próprio Nilton, desde menino, ajudou o pai e aprendeu o ofício. Da menina Marlene, lembro dela junto com o primo Chico Ribeiro, em jogos de futsal que aconteciam na quadra do Ginásio Padre Anchieta, onde Edvino Dacás narrava os jogos, 

       Imaginei a dor de sua mãe, da irmã Alessandra, da esposa Cassiane, da filhinha amada, da esposa que esteve ao seu lado nos últimos dias. Ele queria a presença dela em todos os momentos, tinha esperança em sua cura, na superação. Mas não foi assim! Sua filhinha não queria que virasse mais uma estrelinha no céu. 

       Por uma semana tentei dar forças para a mãe, passei-lhe recomendações, sugeri que buscasse a opinião de profissionais da saúde, de familiar es, de amigos. Em momentos assim as pessoas mais próximas têm dificuldades em tomar decisões. Ficam sob forte abalo emocional, o ambiente de vivência é de tristeza. A prima Vânia esteve presente, a irmã, sobrinhos, todos os familiares, enfim, queriam dar força. Mas a situação era difícil, insustentável. O desespero da mãe, a aflição dos familiares, tudo muito difícil de suportar. 

       Mas os desígnios da vida se cumprem, acontecem não pela nossa vontade, mas pela forma como a alma se conecta ao corpo,. Os elementos desfalecem, a energia some, o espírito tenta reagir, mas há forças contrárias de poder infinito que se tornam indomáveis. 

        Evandro foi morar no céu. O menino que foi colega de minhas filhas na escola  não está mais entre nós. Lembrei-me da atenção da última vez que o vi. Estive na empresa, conversei com o Valmir Inácio, meu querido aluno, que me levou ao escritório dele. Eu buscava informações que me levassem a encontrar o primeiro carro da família, o fusca azul de meu irmão Ironi. Um de seus funcionários, que já não trabalhava mais com eles fora um de seus últimos proprietários. Mas isso pouca importância tem. Importa-me que quando o encontrei, perguntou-me sobre as nossas filhas, perdera o contato com elas. A vida é assim mesmo, ´pessoas chegam, convivem, depois partem...

       Costumo dizer que precisamos, sempre, viver bem a vida, e que enquanto as pernas nos levam, andemos. 

Com as condolências mais sentidas de toda a nossa família!


Euclides Riquetti - Escritor - www.blogdoriqueti.blogspot.com 

25-10-2027

sábado, 24 de outubro de 2026

Se te chamo de amor, é porque te amo!

 



 







Se te chamo de amor, é porque te amo
Porque te quero, quero só pra mim
E, mesmo,  com o passar dos anos
Nosso amor nunca chegará ao fim!

Se te chamo de gata, é porque te acho
Uma gatinha que me arranha e mia
Me perco em ti, pra ti me despacho
Quero buscar em ti a minha alegria!

Mas se te chamo e não me respondes
Dói-me o coração ferido pela dor
Não sei por que tu tanto te escondes
E tanto recusas receber meu amor!

Euclides Riquetti

Eu queria ser os pingos da chuva


 




Eu queria ser os pingos da chuva
Que molham você
Que escorrem pelo seu corpo
Que alisam seus cabelos pretos
E que beijam seus lábios vermelhos!

Eu queria ser o sol que seca sua roupa
Os lábios que enfeitam sua boca
E que você admira no espelho
E que a tornam uma bela mulher
Mas você não me quer...

Eu queria ser a letra da canção
Ser também o seu repetido refrão
Mas você não me quer

Eu queria ser a noite de lua
A parreira onde você colhe as uvas
Mas você não me quer...

Então só me resta pensar
Desejar
Escrever
E ser os pingos da chuva
Que refrescam a uva
Que você colhe!

Euclides Riquetti

Olha o trem! - crônica de memórias!

 


 





Estação de Rio Capinzal, década de 1930 - população esperando o Presidente Getúlio Vargas na estação ferroviária da então Rede Viação paraná - Santa Catarina, rumando dali para Porto União.

          As pessoas de minha geração certamente que tiveram muitos contatos com trens. Lembro de quando, em minha infância, ficávamos com meus amiguinhos, subidos nos barrancos, gritando: "É meu! É meu! Aquele azul é meu! O vermelho é meu!"  - É que o trem passava, do outro lado do Rio do Peixe, levando luxuosas lemousines e jipes, com destino ao Rio Grande do Sul. Carrões  importados que costumávamos ver nas revistas, e que eram transportados nos vagões abertos, para nosso encanto. Vinham do Norte para o Sul, destino provável Porto Alegre e Caxias do Sul. Diziam os mais velhos: Vão pro Rio Grande! E iam as Mercury Monterrey, Os Buick Skylark, os Jeep Willys, as Pick ups, os DKW e Vemaguetes,  Os Ford Mustang e Thunderbird, os Chevrolet Cadillac, Bel Air e Impala, as Aero Willys. As Simca, acho, eram de menor custo, porque passavam muitas delas: as Chambord, Jangada e Presidence. Diziam que essas eram uma dor-de-cabeça...

          Mas também vinham e iam os trens de carga, traziam areia de Porto União, levavam madeiras da Santos Almeida, da Pagnoncelli Hachmann e da Zortéa Brancher para os grandes centros, principalmente São Paulo, e para as exportações via Paranaguá, São Francisco, Itajaí e mesmo Santos. E gado bovino para Sorocaba, porcos para Ponta Grossa. Bergamotas e laranjas que os irmãos Teixeira levavam da Linha Bonita e do Avaí para Caçador. O trem, realmente, fez parte de minha história, de nossa história. Até mudanças de gente que ia embora.

          Essa alegria acabou em 1983 quando, após a grande enchente, houve a paralisação desse tipo de transporte no Vale do Rio do Peixe. A América Latina Logística, que adquiriu a "Rede", não cumpriu com aquilo a que se propôs, não melhorou a ferrovia, e nossa Estrada de Ferro está uma vergonha. Em algumas cidades, poucas, onde há muito interesse na promoção da atividade  turística, as Prefeituras até ajudam a conservar a via férrea. Em outras, só a lamentar... Ah, não esqueçamos: De vez em quando ficamos sabendo dos tais de "Trens da Alegria", mas esses só levam gente privilegiada, não os mais simples mortais...

          Saudades do Trem. Porém, algumas pessoas, sabiamente, dizem que "quando as coisas não acontecem pelo amor, acontecem pela dor". E, parece-nos, a dor vai salvar o transporte ferroviário. Bendita a dor que Deus manda para acordar algumas pessoas que não se movimentam apenas pelo combustível do amor! Então, que lhes venha o método pelo qual melhor entendem as coisas.

          Com a expansão das atividades da agroindústria em todo o Oeste e Meio Oeste Catarinense, acrescido  o  fato de muitos agricultores terem abandonado o trabalho na lavoura, mais a impossibilidade de trabalhar na terra por questão das declividades, das áreas de preservação, etc. etc., e também porque o investimentos em insumos,  maquinários e mesmo mão-de-obra ficaram impraticáveis, nossa produção de milho parou de crescer. Melhorou a produtividade,  mas não temos suficientes áreas disponíveis para o plantio mecanizado. Todos esses fatores e outros que qualquer técnico em agropecuária enumeraria e justificaria bem melhor do que eu, fizeram soar o sinal de alerta: Temos grande capacidade industrial instalada, temos conhecimento, vocação, mercado,  disposição para o trabalho, dominamos as melhores tecnologias, mas nos falta o milho.

          Assim, depois de muita enrolação e embromação, no país onde todos podem comprar carros mas poucos conseguem comprar uma casa para morar, descobre-se que "dormimos em berço muuuuito esplêndido", e precisamos reativar as existentes ou costruir novas ferrovias. E as auspiciosas notícias: Vem aí a Ferrovia Norte Sul, que nos permitirá trazer milho e soja do Mato grosso e Goiás. E vem aí a Leste/Oeste, que ligará o Porto de Itajaí a Dionísio Cerqueira, cortando todo o Grande Oeste. Em discussão, duas alternativas: Restabelece-se a ligação de São Francisco do Sul/Mafra/Porto União/Herval D ´Oeste,  com a substituição dos trilhos e dormentes existentes, ampliando-se a bitola para 1,60 metros e se constrói o trecho a partir de Herval em direção à  Argentina; ou constrói-se novo leito, vindo pelo Vale do Itajaí, cortando Curitibanos, Campos Novos, Herval D´Oeste/Jaçaba, até atingir a fronteira Oeste, passando por Chapecó.

           Cara, não é que perceberam que nosso Oeste, aqui onde tem bastante gringo grosso, é importante!!

          Estamos felizes. Antes tarde do que nunca. Os governos Estadual e Federal estão tentando entender-se. E vão. Pelo amor (interesse político), ou pela dor (necessidade efetiva e inadiável), irão entender-se. Isso mesmo: antes tarde do que nunca! O Oeste merece isso! Que venha o trem! E quem sabe as cegonhas também sejam substituídas pelos vagõs de trem e as crianças possam embarranquear-se e ficar gritando: "É Meu! Aquele branco é meu!...

Euclides Riquetti
22-04-2013

Atenção: Já se passaram  mais 13 anos e nada mudou!
24-10-2026

O perfume que vem de ti


 


As mulheres clássicas preferem os aromas florais



O perfume que vem de ti
É mais envolvente que os demais.
Talvez venha de essências florais
Talvez do modo como sorris.

O perfume com que me atrais
Que teu corpo produz e exala
Nunca  aos outros se iguala
Nunca senti antes, jamais.

O perfume em ti impregnado
É o aroma que a ti me impele
Que atrai o corpo, que atrai a pele.
Que chama para estar a teu lado.


Teu perfume é terno e singular
É algo simplesmente angelical
Não há outro contagiante igual
Vem de teu corpo para perfumar.

Euclides Riquetti

O Santo, sim; o nome, não! Vamos nos divertir um pouco? - Memórias de Rio Capinzal

 


 


 




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          Na Capinzal e Ouro,  na década de 1960 morava um cidadão que tinha muitas atividades. Era polivalente e "se virava" de muitos modos. Não deixava faltar nada para a a família.
Em tempos em que nós nem sabíamos direito "de que lado se situava o mar", ele já conseguia levar sua "tropinha"  para as praias no verão. E o cara também gostava de fazer piadas, de zoar com vida dos outros. Era só alegria!

          Gostava de falar palavras novas que aprendia. Guardava as mais difíceis e, quando surgia a oportunidade, usava nas suas falas. Fez o "ginásio" já bem madurão. Precisava estudar e trabalhar muito porque tinha que garantir o jabá da prole. Queria acompanhar a evolução dos tempos. Em seu estabelecimento, sempre tinha uma grande cuia para o chimarrão.  Sabia como agradar seus fregueses. Era chimarrão e conversa, muita conversa. (Naquele tempo, cliente era só medico e dentista que tinham, os demais eram todos "fregueses"...). E me dizia: "Olhe, Cride, o negócio é usar a Psicologia Aplicada ao Trabalho!"

          Ah, sim! O amigo, a quem chamarei de Zé da Kombi, foi meu colega de aula no Juçá Barbosa Callado. Era bastante aplicado, até. Não faltava às aulas. E lotava a furgona de gente na saída da aula, que ia despejando pela cidade, principalmente em dias de chuva. Nossos professores de Psicologia foram o Dioni Maestri e o Paulo Bragatto Filho. E gostávamos de Psicologia. Tínhamos isso no ginásio na época. Um privilégio!

          Nosso "gente boa", alíás muito boa por sinal, tinha umas "manias". Tantas que sua "vècchia" lhe deu as malas quando achou que o que ele fazia estava demais. E gostava de contar-nos as histórias de suas aventuras. Quando queria dar um "chego" na gandaia, saía de casa para jogar baralho. Ia a pé, deixava a Kombi na garagem. Mas tomava outro rumo.

        Uma das que bem me lembro era de suas escapadelas para os bailecos nas periferias da cidade. Contava-nos e dava risada. Ia para o salão do  "Sete Facadas", era muito amigo dele e bom freguês. Não deixava pendura, embora até crédito fácil tivesse se fosse preciso. Dançava umas "marcas", tomava umas cervejas, investia num abraços (hoje chamam isso de amassos),  e mais nada. E cuidava bem para que a camisa branca, de colarinho, não ficasse com marcas de rouge ou battom. O cheiro de cigarro dizia que era por causa dos palheiros que os companheiros tragueavam no jogo das cartas.

          Naquele tempo, nas redondezas do lugar, do outro lado do rio, havia outros salões: "O Bota Preta", o Sovaco da Cobra" e o "Alegria do Touro". Na entrada deles, sobre a porta, um aviso: "Tire o chapéu e entregue sua arma para o proprietário". Por uma questão de respeito...  Eram os clubes "alternativos" da época. Concorriam, com muitas dificuldades, com o Ateneu Clube, o Floresta e o Primeiro de Maio.

          Tinha um problema, principalmente nos dias de chuva. Não era por causa do guarda-chuva com as hastes de madeira e o cabo de chifre. Era o barro na rua. A rua que levava até o salão do Sr. Fontoura não tinha calçamento e precisava  ter cuidado para não sentar-se ao chão. Não havia tampouco lâmpadas nos postes. E não podia levar lanterna junto porque senão a patroa desconfiava. Mas o problema maior era com os sapatos. Não podia sair  de casa com galochas para ir jogar baralho ali pertinho, ela não iria compreender isso, pensaria que ele estaria aprontando...

          Então, quando ele voltava, mais de meia-noite, lavava os sapatos no riacho Coxilha Seca, ali em frente à Marcenaria São José. Em casa, deixava-os lá fora. No outro dia estavam secos e limpos, não davam  pista pra desconfiança.

          Como na época que não havia televisão nas casas,  as pessoas tinham muito tempo para pensar e bolar sacanagens. Uns amigos dele, uma noite, foram lá e passaram barro nos seus sapatos. E, de manhã, a "Dona Braba" viu aquilo e ficou furiosa. E o acordou dando-lhe chineladas. Ele, sem entender nada, começou a se confundir, pensando que esquecera de lavar os sapatos. Parecia que os tinha lavado. Será que bebera demais e não lembrava direito?! E isso lhe custou uma semana dormindo no sofá da sala...

          Tenho saudade dos causos que o amigo me contava e que nem posso escrever aqui, mas rio sozinho quando lembro deles. Levou azar alguns anos adiante, quando veio a TV. A patroa foi vendo muitas novelas, muitos filmes, por muito tempo,  e começou a ficar esperta na questão. Então a  história não teve um final feliz. Duas malas cheias de roupas e sapatos. E morar na Kombi... Deu-se mal nosso santo. Falo do santo, mas não digo o nome. Nem o apelido!


Euclides Riquetti
16-05-2013

Esperando você passar!

 




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Fico esperando você passar
Seus pés marcando-se na areia
Molhando-se na água do mar
Inspiradora musa qual sereia
E eu, aqui, esperando você voltar...

Fico rezando pra que volte logo
E espalhe pelo vento seu perfume
Você é o jogo que eu mais jogo
Na noite escura é o vagalume
Por você não sei se canto ou choro!

E, na minha breguice mulamba
Vou escrevendo este poema novo
Pra reordenar a minha mente bamba
Pra que eu não me torne um louco
E possa navegar em onda branda.

Penso em você e olho pras galés
Que flutuam segurando os sonhos
Meu coração já não suporta um revés
Nem comportamentos medonhos
Apenas quer você, quer muito, quer!

Euclides Riquetti

E agora, gente?! - O Brasil vai eleger um novo Presidente!

 




E agora, gente?!  -  O Brasil vai eleger um novo Presidente!          

       A proximidade do dia das eleições, em que se elegerá o novo Presidente da República, mexe com a mente e os corpos dos brasileiros. São pessoas discutindo política no comércio, nas ruas, nos postos de abastecimento, nas praças públicas, e em todos os lugares onde pessoas acabam se encontrando por um ou outro motivo, ou mesmo casualmente.

       Por outro lado, as campanhas de Flávio e Lula ganharam as ruas nos dias entre os dois turnos. Os lado verde e amarelo e, no outro lado, o vermelho. Na internet, o algoritmo acionado, a inteligência humana desafiada, a inteligência artificial invocada. As mentiras espalhadas em segundos, as narrativas agradando a bolha de cada um dos lados. E nós, cidadãos comuns, que por dever natural, temos que cuidar, prioritariamente, de nossa família, que temos que pagar impostos e boletos, que ficamos na fila do SUS para alguns exames e algumas cirurgias, ainda termos que aguentar tanta baboseira que nos chega pelo rádio, pela televisão, pela internet.

       O tal de horário eleitoral gratuito é uma ofensa a todos nós. Não temos, prioritariamente, a defesa de projetos ou programas, mas sim a desconstrução do adversário, sem nenhuma lucidez. . Ainda bem que o controle remoto nos possibilita tirarmos de nossa frente aquilo que nos desagrada.

       Mas a política, como o futebol, é um  acontecimento apaixonante. Causa emoções, arrebatamento, entrega. Mas também muita idiotice. Seria utopia imaginarmos que s politização pudesse melhorar o comportamento do ser humano. Vejo pessoas de uma mesma família que se ofendem, agridem, tornam-se inimigas. Mas não nos esquecemos de que a eleição passa e, se você quiser ter uma dentro do razoável, terá que trabalhar, cuidar bem do que é seu, gastar um pouco menos do que você aufere.

        Pesquisas e tendências – Como nas eleições anteriores, as pesquisas erraram feio no primeiro turno. E agora, para não passarem vergonha, estão no  modo “empate técnico”. Acompanho pesquisa e é perceptível que elas têm seu lado de preferência. Os agregadores que acompanho, mostram ‘vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula da Silva. A diferença fica entre um e dois por cento, numa média de 51 a 49 por cento, ou 52 a 48  em favor do candidato oposicionista.

      Vi o debate que aconteceu na TV Bandeirantes, no último domingo, à noite. Foi visível a diferença de energia e vitalidade em favor do Senador. Lula tem contra si o desgaste de ter exercido já três mandatos. Flávio tem contra si o fato de ser filho do ex-Presidente Jair Bolsonaro, o qual se manifestou inadequadamente em sua comunicação pessoal no exercício de seu mandato. Em seu favor, Lula tem os programas sociais que engendrou ao longo dos anos em que foi Presidente. Flávio, justamente, tem em seu favor o fato de ser filho de Jair Bolsonaro.

       Cientistas e analistas políticos têm propagado que três fatores serão decisivos para a opção do eleitor: o carrinho do supermercado, o endividamento pessoal e os juros altos. O pacote de bondades de Lula é visto como medida eleitoreira. Se Lula se eleger, sua equipe terá que fazer muita ginástica para manter o governo do tamanho que está e com tantos compromissos assumidos. Já para Flávio, mesmo tendo em mãos uma situação difícil, terá mais facilidade para cortar gastos. A promessa é de extinguir 10 ministérios.

       Mulheres assassinadas – Mulheres continuam sendo assassinadas por ex-companheiros. Medidas protetivas têm sido ignoradas por seus bandidos. Precisamos ir além. O possível agressor precisa ser monitorado permanentemente, ou até tirado de circulação. O exemplo do município de Capinzal, que criou uma escola de ensino de defesa pessoal para as mulheres, é uma medida válida. Outras precisam ser providenciadas para que um conjunto de ações posam visar à proteção das mulheres, crianças e idosos.

       O risco das enchentes em Joaçaba e Capinzal –  Rio do Tigre  e Rio Capinzal são dois fatores de alto risco. Muitas preocupações com o que pode ser ocasionado pelo fenômeno “El Niño”. Tenho conversado com políticos, empresários prejudicados e técnicos da área. Um conjunto de ações precisa ser colocado em prática, primeiro com as de menor custo e, depois, as demais!

Euclides Riquetti – Escritor – www.blogdoriquetti.blogspot.ccom

Publicado no Jornal Cidadela, de Joaçaba SC, em 

21-10-2026